Comércio, Comércio Exterior

Superávit da balança comercial do Brasil cai 41% com tarifa dos EUA e aumento das importações

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 3 bilhões em setembro de 2025, queda de 41,1% em relação ao mesmo mês do ano passado, quando o saldo positivo foi de US$ 5,1 bilhões. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (6) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

Segundo o governo, a redução foi impulsionada pela forte alta das importações e pela perda de espaço no comércio com os Estados Unidos, afetado pela sobretaxa de 50% aplicada a produtos brasileiros desde agosto.

Exportações crescem, mas não compensam tarifaço

As exportações brasileiras somaram US$ 30,5 bilhões em setembro, avanço de 7,2% frente ao mesmo período de 2024. O crescimento foi puxado pela agropecuária (+18%) e pela indústria extrativista (+14,4%). Em relação a agosto, houve alta de 2,3%.

“Esse foi o maior valor exportado para um mês de setembro na série histórica, impulsionado pelo crescimento do volume embarcado”, afirmou Herlon Brandão, diretor de estatísticas e estudos de comércio exterior.

Já as importações atingiram US$ 27,5 bilhões, aumento de 17,7% frente a setembro de 2024 e de 16% em comparação com agosto. O destaque foi a alta nos bens de capital (+73,2%) e nos bens de consumo (+20,1%).

No acumulado de janeiro a setembro, o Brasil exportou US$ 257,8 bilhões (+1,1% ante 2024) e importou US$ 212,3 bilhões (+8,2%). O superávit no período foi de US$ 45,5 bilhões, recuo de 22,5% na comparação anual.

Queda nas exportações para os EUA

As exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 20,3% em setembro, totalizando US$ 2,58 bilhões, contra US$ 3,23 bilhões no mesmo mês do ano anterior. Em relação a agosto, primeiro mês do tarifaço, houve retração de 6,3%.

Enquanto isso, as importações de produtos americanos avançaram 14,3%, alcançando US$ 4,35 bilhões.

Além dos EUA, o Brasil também reduziu vendas para o Japão (queda de 38,8%, para US$ 381 milhões) e para o continente africano (queda de 15,7%, para US$ 1,3 bilhão).

Por outro lado, houve crescimento expressivo nas vendas para a América do Sul (+31%, com destaque para a Argentina), América Central e Caribe (+29%) e para a China, Hong Kong e Macau, que juntos responderam por 43,5% das exportações brasileiras em setembro.

O tarifaço americano

O tarifaço de 50% entrou em vigor em 6 de agosto. Desde então, os EUA passaram a cobrar sobretaxa sobre produtos como café, carnes, pescados, açúcar, cacau e frutas tropicais. Alguns itens, como castanhas, suco de laranja e produtos de aviação civil, ficaram de fora da medida.

A decisão partiu do presidente Donald Trump, que justificou as tarifas como resposta a “ações do governo brasileiro que ameaçam a segurança nacional e a economia dos Estados Unidos”. O documento citou o ministro do STF, Alexandre de Moraes, e mencionou o processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como exemplo de “perseguição política”.

Também foram criticadas as medidas brasileiras contra big techs, classificadas pela Casa Branca como “coerção arbitrária para censurar discursos políticos”.

Na tentativa de reduzir as tensões, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou por telefone com Trump e pediu a retirada da sobretaxa. O republicano afirmou em rede social que “gostou da conversa”.

FONTE: UOL
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/UOL

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