Tecnologia

Toyota retoma produção no Brasil enquanto reconstrói fábrica destruída em Porto Feliz

A Toyota encontrou uma solução temporária para manter a produção de motores no Brasil enquanto reconstrói sua fábrica de Porto Feliz, no interior de São Paulo, destruída por um forte fenômeno climático em setembro de 2025. A estratégia permitiu à montadora retomar gradualmente a fabricação de veículos e, ao mesmo tempo, iniciar a reconstrução completa da unidade.

A convite da empresa, o UOL Carros visitou a nova fábrica provisória de motores, instalada também em Porto Feliz, a cerca de 11 quilômetros da planta original.

Vendaval interrompeu produção de veículos

O episódio ocorreu por volta das 13h de 22 de setembro de 2025. Um forte vendaval atingiu a região e arrancou praticamente todo o teto da fábrica de motores da Toyota, que até então produzia os propulsores utilizados nos modelos Corolla e Corolla Cross.

Segundo o Corpo de Bombeiros, dez pessoas sofreram ferimentos leves. A Defesa Civil de São Paulo registrou rajadas de vento de até 90 km/h.

O impacto obrigou a Toyota a suspender completamente a produção de veículos no país durante 42 dias. A retomada ocorreu de maneira gradual a partir de 3 de novembro de 2025, nas fábricas de Indaiatuba e Sorocaba.

Com isso, voltaram à linha de produção os modelos Corolla, Corolla Cross e Yaris, este último destinado à exportação. O cronograma também afetou o lançamento do Yaris Cross, inicialmente programado para outubro e adiado para novembro.

Nova fábrica começou a produzir em janeiro

Para reduzir os impactos da paralisação, a Toyota colocou em operação uma fábrica provisória de motores em Porto Feliz. A unidade iniciou as atividades em 26 de janeiro, com 373 funcionários.

Desde então, já foram produzidos cerca de 42 mil motores, em um ritmo de aproximadamente 400 unidades por dia.

Inicialmente, a unidade temporária realizava somente a usinagem e a montagem do motor 1.5 utilizado no Yaris Cross. Agora, a planta também passa a executar a etapa de fundição, que anteriormente era realizada fora do Brasil.

Os motores 2.0 utilizados pelo Corolla e pelo Corolla Cross continuam sendo enviados ao país já completamente montados no exterior.

A Toyota não informou o valor dos prejuízos provocados pelo desastre nem o investimento específico destinado à construção da unidade provisória.

Reconstrução da fábrica deve terminar em 2028

Enquanto a produção segue na estrutura temporária, a antiga fábrica de Porto Feliz está sendo reconstruída praticamente do zero.

A nova unidade terá uma fundição reforçada, com estruturas projetadas para suportar 45% mais resistência em comparação com as instalações anteriores, segundo a montadora.

Do prédio destruído, somente o piso original foi aproveitado. Mesmo assim, a área será ampliada para atender ao novo projeto. A Toyota não divulgou qual será o aumento da área construída.

A previsão é que a fábrica reconstruída volte a operar em 2028. A intenção é que os equipamentos necessários para a fabricação dos motores 2.0 sejam reinstalados primeiro. Posteriormente, a produção do motor 1.5 deverá retornar gradualmente para a unidade.

Os investimentos na reconstrução de Porto Feliz fazem parte do plano de R$ 11,5 bilhões em investimentos no Brasil até 2030 anunciado pela Toyota.

Mais de 600 máquinas foram recuperadas

Apesar da dimensão dos danos, grande parte dos equipamentos da fábrica pôde ser preservada.

Segundo Gilberto Paulino, diretor industrial da Toyota do Brasil, a equipe conseguiu colocar os funcionários em segurança poucos minutos após o início do temporal e, posteriormente, concentrou esforços na recuperação dos equipamentos.

Dos mais de 800 equipamentos existentes na unidade, 622 máquinas foram recuperadas. Os principais danos atingiram os fornos de fundição, que, de acordo com a empresa, não seriam utilizados no novo projeto.

Fenômeno foi classificado como microexplosão atmosférica

Dias depois do episódio, análises realizadas pela Defesa Civil de São Paulo com auxílio de imagens de satélite apontaram que a destruição foi provocada por uma microexplosão atmosférica.

O fenômeno ocorre dentro de nuvens de tempestade. Conforme explica o meteorologista Franco Vilela, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), uma camada de ar sofre resfriamento intenso e rápido em grandes altitudes e desce em direção ao solo, provocando ventos de elevada intensidade.

A ocorrência transformou a reconstrução da fábrica em uma das principais etapas da estratégia da Toyota para normalizar sua produção de motores no Brasil, enquanto a nova estrutura temporária garante a continuidade das operações até a conclusão da planta definitiva.

FONTE: UOL
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/UOL

Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook