Agronegócio

Tarifaço dos EUA preocupa indústria e agronegócio às vésperas de decisão sobre produtos brasileiros

A expectativa em torno do novo tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros cresce com a proximidade do prazo final para a conclusão da investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR). A definição sobre a aplicação de uma tarifa adicional de 25% deve ocorrer nesta terça-feira (15) e pode provocar impactos significativos em setores estratégicos da economia brasileira.

Enquanto aguarda o desfecho, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém negociações com autoridades norte-americanas na tentativa de evitar prejuízos às exportações nacionais.

Governo busca diálogo antes da decisão

A estratégia do governo brasileiro é intensificar as tratativas diplomáticas com representantes dos Estados Unidos antes da conclusão da investigação baseada na Seção 301 da legislação comercial americana.

A expectativa é de que um grupo de trabalho entre os dois países se reúna com o chefe do USTR, Jamieson Greer, para discutir o tema e apresentar a posição brasileira. Nos últimos dias, o presidente Lula também reuniu ministros para definir a condução das negociações, mantendo a orientação de preservar o diálogo sem realizar concessões consideradas injustificadas.

Indústria prevê impacto bilionário nas exportações

Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que cerca de 4,1 mil produtos brasileiros poderão ser afetados caso as novas tarifas sejam implementadas. O volume corresponde a aproximadamente US$ 14,9 bilhões em exportações destinadas ao mercado norte-americano.

Segundo a entidade, a carga tributária sobre determinados produtos pode alcançar 37,5%, resultado da combinação da tarifa adicional de 25% com outra sobretaxa de 12,5%, relacionada a uma investigação americana sobre trabalho forçado envolvendo diversos países.

Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, a medida ameaça uma relação comercial construída ao longo de décadas e pode elevar custos tanto para empresas quanto para consumidores dos dois países, além de comprometer cadeias produtivas integradas.

Agronegócio também calcula perdas

O agronegócio brasileiro está entre os segmentos que podem sofrer impactos relevantes. Estudo da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) estima que cerca de US$ 4,2 bilhões em exportações do setor poderão ser atingidos diretamente pelas novas tarifas.

Mesmo com alguns produtos incluídos na lista de exceções, aproximadamente 36,8% das vendas do agronegócio para os Estados Unidos continuam sujeitas à sobretaxa.

Entre as cadeias produtivas mais expostas estão os produtos florestais, o sebo bovino, o complexo sucroalcooleiro e o café solúvel, que movimentou cerca de US$ 1 bilhão em exportações em 2025.

Por outro lado, itens como carne bovina, café verde e suco de laranja ficaram fora da relação inicial de produtos tarifados.

Setor madeireiro contesta proposta americana

Representantes da indústria de madeira afirmam que os produtos brasileiros não competem diretamente com a produção dos Estados Unidos e exercem papel complementar no abastecimento do mercado americano.

A Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci) apresentou defesa técnica ao governo dos EUA, argumentando que as exportações brasileiras atendem demandas específicas da indústria norte-americana e ajudam a suprir o mercado local.

Empresas apostam na ampliação da lista de exceções

Embora representantes do setor produtivo considerem pouco provável o adiamento ou a suspensão das novas tarifas, existe expectativa de que o governo americano amplie a relação de produtos isentos da sobretaxa.

Durante as audiências promovidas pelo USTR, entidades brasileiras defenderam que a manutenção das importações favorece a competitividade da indústria dos Estados Unidos e evita aumento de custos para empresas e consumidores.

Entidades defendem solução negociada

A Amcham Brasil, a CNI e a U.S. Chamber of Commerce encaminharam um documento conjunto aos governos brasileiro e norte-americano defendendo uma solução baseada no diálogo.

As entidades sustentam que negociações comerciais tendem a gerar benefícios mais duradouros do que a adoção de barreiras tarifárias, fortalecendo a cooperação econômica, a competitividade das empresas e a geração de empregos em ambos os países.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

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Comércio Internacional

Tarifas dos EUA sobre o Brasil podem ampliar espaço da China no mercado americano, alertam empresas

Representantes da indústria brasileira defenderam, durante audiências realizadas no Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros pode gerar um efeito contrário ao esperado: fortalecer a presença da China e de outros concorrentes no mercado norte-americano.

A avaliação foi apresentada por entidades empresariais que participaram do segundo dia de debates sobre a proposta do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 25% sobre determinados produtos importados do Brasil, sob a justificativa de supostas práticas comerciais consideradas desleais.

Setor de máquinas teme perda de mercado para concorrentes asiáticos

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) argumentou que uma eventual sobretaxa reduziria a competitividade das empresas brasileiras e abriria espaço para fornecedores estrangeiros.

Segundo Patrícia Gomes, diretora-executiva de Mercados Externos da entidade, em alguns segmentos a China seria a principal beneficiada, enquanto, em outros casos, países como Índia e Coreia do Sul também poderiam substituir os produtos brasileiros.

A associação destacou ainda que boa parte das máquinas exportadas pelo Brasil possui características específicas, sendo fabricadas sob encomenda e atendendo rigorosos padrões de certificação, o que dificulta uma substituição imediata por outros fornecedores.

Outro argumento apresentado ao USTR foi a falta de capacidade da indústria norte-americana para suprir integralmente a demanda por diversos equipamentos atualmente importados do Brasil.

Comércio entre empresas do mesmo grupo pode ser afetado

A Abimaq informou que cerca de 82% das exportações brasileiras de máquinas e equipamentos em 2024 ocorreram entre empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico, envolvendo companhias brasileiras com operações nos Estados Unidos e empresas norte-americanas instaladas no Brasil.

Na avaliação da entidade, uma nova tarifa prejudicaria investimentos dos dois lados, além de comprometer cadeias produtivas integradas.

A associação também lembrou que os Estados Unidos registram um superávit de aproximadamente US$ 1,2 bilhão na balança comercial bilateral desse segmento.

Indústria calçadista defende diversificação de fornecedores

A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) ressaltou que o Brasil representa uma alternativa estratégica para reduzir a dependência dos Estados Unidos em relação aos fornecedores asiáticos.

Atualmente, o mercado norte-americano consome mais de 2 bilhões de pares de calçados por ano, enquanto sua produção doméstica responde por apenas cerca de 1% dessa demanda. A China lidera as exportações para os EUA, com participação próxima de 48%.

Para a entidade, uma tarifa adicional elevaria os custos para importadores, reduziria a diversidade de fornecedores e ampliaria a concentração das compras em mercados já dominantes.

Audiências tiveram caráter técnico

O advogado Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior do Brasil, avaliou que as audiências ocorreram em um ambiente técnico, com foco na apresentação de documentos, estatísticas e esclarecimentos sobre os impactos econômicos das medidas.

Segundo relatos de participantes, embora os argumentos brasileiros tenham sido bem recebidos, a tendência é que o USTR apenas ajuste parte das informações do processo, mantendo a possibilidade de adoção de novas tarifas. A decisão final, no entanto, dependerá do governo do presidente Donald Trump.

Setor cafeeiro pede manutenção da isenção

As entidades que representam a cadeia do café brasileiro solicitaram que o governo norte-americano mantenha a isenção tarifária para o café verde, torrado, moído e estenda o benefício também ao café solúvel.

A Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) destacou que o produto é utilizado em diversos segmentos da indústria alimentícia dos Estados Unidos, como bebidas prontas, panificação, confeitaria e laticínios.

A entidade afirmou ainda que o Brasil responde por cerca de 22% das importações americanas de café solúvel e alertou que uma tarifa de 25% elevaria custos para empresas e consumidores.

Segundo a Abics, Brasil e México concentram quase 60% das importações norte-americanas do produto, sendo que o café mexicano apresenta preços significativamente superiores ao brasileiro.

Mel orgânico também preocupa exportadores

A Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel) afirmou que o Brasil fornece aproximadamente 75% do mel orgânico importado pelos Estados Unidos, mercado no qual praticamente não existe produção local.

Atualmente o produto já é tributado em 12,5%. Caso a nova tarifa seja confirmada, a carga total chegaria a 37,5%.

O setor argumentou que a importação do mel brasileiro movimenta toda a cadeia econômica norte-americana e recebeu apoio de empresas dos próprios Estados Unidos durante as audiências.

Arroz e agronegócio destacam impactos econômicos

Representantes da indústria do arroz alertaram que uma eventual sobretaxa afetaria pequenas e médias empresas norte-americanas voltadas ao mercado latino, além de elevar custos logísticos e pressionar os preços ao consumidor.

Já a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) apresentou dados indicando redução de 56% no desmatamento da Amazônia Legal entre 2011 e 2025, contestando críticas sobre práticas ambientais atribuídas ao agronegócio brasileiro.

Etanol entra na pauta das discussões

No setor de biocombustíveis, o governo dos Estados Unidos sustenta que o Brasil dificulta a entrada do etanol norte-americano por meio de tarifas.

Em resposta, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) afirmou que a tributação brasileira segue as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e não configura medida discriminatória.

Já a União Nacional do Etanol de Milho (Unem) atribuiu a perda de participação do etanol dos EUA no mercado brasileiro a fatores como câmbio, custos logísticos e ao crescimento da produção nacional.

Decisão será conhecida nos próximos dias

O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos deverá concluir a investigação e anunciar sua decisão até 15 de julho. O resultado poderá definir o futuro das exportações brasileiras para o mercado norte-americano e influenciar diversos setores da indústria e do agronegócio.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Comércio Internacional

Tarifa dos EUA sobre produtos brasileiros: governo pede retirada de cobrança adicional de 12,5%

O governo brasileiro solicitou oficialmente aos Estados Unidos a retirada da proposta de aplicação de uma tarifa adicional de 12,5% sobre diversos produtos brasileiros. A manifestação foi enviada na segunda-feira (6) como resposta à investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana.

Na avaliação do Brasil, a medida teria caráter punitivo, provocaria prejuízos econômicos desnecessários e comprometeria o ambiente de cooperação entre os dois países.

Governo brasileiro contesta conclusões da investigação

A resposta brasileira foi formalizada em um documento de 13 páginas assinado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.

No texto, o Itamaraty argumenta que as conclusões apresentadas pelo USTR não podem ser consideradas arbitrárias e defende que o Brasil não deve sofrer sanções comerciais relacionadas às alegações feitas pelos Estados Unidos.

A investigação norte-americana sustenta que o Brasil, assim como outras 59 nações, não teria adotado mecanismos suficientes para impedir ou fiscalizar a entrada de produtos produzidos com trabalho infantil ou trabalho forçado.

Brasil defende cooperação em vez de medidas comerciais

Segundo o governo brasileiro, a imposição da nova tarifa não contribuiria para eliminar práticas de trabalho forçado nem fortaleceria as políticas já implementadas pelo país nessa área.

O documento também afirma que eventuais aperfeiçoamentos devem ocorrer por meio da cooperação internacional, do diálogo entre os governos e da atuação conjunta, em vez da adoção de barreiras comerciais.

Para o Itamaraty, manter a proposta de sobretaxa contraria o histórico de colaboração entre Brasil e Estados Unidos em temas ligados ao comércio e aos direitos trabalhistas.

Carta alerta para possível classificação de facções como organizações terroristas

Em outra frente diplomática, o Ministério das Relações Exteriores encaminhou à Câmara dos Deputados uma carta abordando a possibilidade de os Estados Unidos classificarem o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas estrangeiras.

O documento foi enviado em 1º de julho em resposta a um pedido de informações do deputado federal Evair de Melo (Republicanos).

Segundo o Itamaraty, embora o Brasil não tenha sido oficialmente comunicado sobre essa intenção, uma eventual decisão unilateral por parte de Washington poderia gerar consequências relevantes para as relações entre os dois países.

Itamaraty cita riscos para soberania e economia

Na avaliação apresentada pelo Ministério das Relações Exteriores, a classificação das facções como organizações terroristas poderia servir de base para medidas extraterritoriais adotadas pelos Estados Unidos.

Entre os possíveis efeitos mencionados estão ações nas áreas financeira, migratória e criminal, além da possibilidade de justificativas para operações envolvendo o território brasileiro.

O governo brasileiro também argumenta que essa medida não representaria ganhos concretos no combate ao crime organizado, destacando que Brasil e Estados Unidos já mantêm mecanismos de cooperação internacional considerados eficazes para enfrentar organizações criminosas transnacionais.

Deputado cobra esclarecimentos adicionais

Autor do requerimento de informações, o deputado Evair de Melo afirmou considerar insuficientes os esclarecimentos enviados pelo Itamaraty.

Segundo o parlamentar, a resposta do ministro Mauro Vieira não informa se as avaliações sobre os possíveis impactos da classificação das facções foram fundamentadas em pareceres técnicos, estudos especializados, notas diplomáticas ou outros documentos oficiais.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Comércio Exterior

Audiência sobre tarifas dos EUA contra o Brasil começa com defesa de produtos brasileiros e debate sobre o Pix

A audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) sobre a possível aplicação de novas tarifas dos EUA contra o Brasil teve início na segunda-feira (6). O encontro reuniu representantes de setores produtivos brasileiros e norte-americanos para discutir a proposta de sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros.

O governo brasileiro optou por não participar ativamente das discussões, enviando apenas observadores. Segundo participantes, o ambiente da audiência foi considerado receptivo e voltado para análises técnicas. Cada expositor teve aproximadamente cinco minutos para apresentar seus argumentos.

Ao longo do primeiro dia, as entidades brasileiras destacaram a dificuldade que os Estados Unidos enfrentariam para substituir produtos estratégicos, como café brasileiro e arroz, além de defenderem a inclusão de itens na lista de exceções à medida tarifária.

Ao todo, a audiência contou com 42 participantes e representantes de oito órgãos do governo norte-americano, incluindo os departamentos de Comércio, Estado, Tesouro e Agricultura.

Especialista vê ambiente técnico e otimista nas discussões

O professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Gustavo Pessoa, avaliou positivamente o perfil das discussões. Segundo ele, as autoridades norte-americanas demonstraram interesse em ouvir os argumentos apresentados, sem que o debate fosse dominado por questões políticas.

De acordo com o especialista, houve uma postura técnica por parte dos representantes dos Estados Unidos, indicando disposição para compreender os impactos econômicos das medidas propostas.

Setores econômicos pedem retirada das tarifas

Grande parte das entidades presentes defendeu a exclusão de diversos produtos brasileiros da nova taxação. Segmentos como café solúvel e mel orgânico argumentaram que a cobrança de tarifas elevaria diretamente os preços pagos pelos consumidores norte-americanos.

Em sentido contrário, duas associações de pecuaristas dos Estados Unidos defenderam a aplicação de sanções à carne bovina brasileira. As entidades alegaram preocupações relacionadas à corrupção, trabalho forçado e desmatamento associados à cadeia produtiva.

Segundo Gustavo Pessoa, os representantes afirmaram que as exportações brasileiras ocupam parcela significativa do mercado de carne bovina dos EUA, o que, na visão deles, comprometeria a competitividade da indústria local.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) rebateu as críticas, destacando que o país mantém sistemas de rastreabilidade e monitoramento da produção destinada à exportação.

Empresas norte-americanas pedem isenção para produtos brasileiros

Mesmo sem participação presencial, grandes companhias dos Estados Unidos enviaram manifestações formais ao USTR solicitando que produtos importados do Brasil sejam excluídos das tarifas adicionais.

Nas cartas encaminhadas ao órgão, as empresas alertaram que a medida poderá afetar as cadeias de suprimentos, elevar custos para consumidores americanos e reduzir a competitividade de negócios instalados nos Estados Unidos.

Pix desperta interesse durante audiência

Outro tema debatido foi o Pix. Gustavo Pessoa e o executivo Vinícius Nunes Pinto apresentaram argumentos em defesa do sistema brasileiro de pagamentos instantâneos.

Durante a audiência, uma representante do Departamento do Tesouro dos EUA questionou de que forma uma eventual integração com o Pix poderia beneficiar o mercado norte-americano.

Segundo Pessoa, a resposta destacou que o sucesso do sistema brasileiro pode servir como referência para estudos e futuras iniciativas de cooperação entre os dois países no setor financeiro.

Entenda a proposta de novas tarifas

O USTR avalia impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, além de uma taxa de 12,5%, com base em investigação conduzida sob a Seção 301 da legislação comercial norte-americana.

O relatório cita supostas práticas consideradas restritivas ao comércio, incluindo referências ao Pix, acordos comerciais preferenciais, políticas para o etanol, questões ambientais, corrupção e combate à pirataria.

A decisão final deverá ser anunciada até 15 de julho e será tomada pelo presidente dos Estados Unidos.

Governo brasileiro contesta relatório dos EUA

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, encaminhou um documento ao USTR contestando a proposta de ampliação das tarifas.

Na manifestação, o Itamaraty rejeita a avaliação de que o Brasil não combate adequadamente o trabalho forçado e sustenta que eventuais divergências comerciais devem ser tratadas no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC).

O governo brasileiro também afirma que o relatório norte-americano desconsidera informações apresentadas durante o processo, incluindo legislações e ações de fiscalização voltadas ao combate ao trabalho análogo à escravidão.

Além disso, o Itamaraty entende que medidas unilaterais baseadas na Seção 301 não são compatíveis com as regras do sistema multilateral de comércio.

Segundo dia terá participação de Flávio Bolsonaro e representantes da indústria

A programação desta terça-feira (7) prevê novos depoimentos de representantes da indústria brasileira, além da participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Segundo declarações públicas, o parlamentar defenderá o adiamento da decisão sobre as tarifas dos EUA contra o Brasil para depois das eleições. Em publicação nas redes sociais, afirmou acreditar que a medida poderá ser revista e disse que apresentará argumentos técnicos durante a audiência.

Também estão entre os participantes representantes da indústria de máquinas, madeira, ferro-gusa, calçados, cerâmica, mineração, engenharia, automação e do setor florestal, que defenderão a manutenção das relações comerciais e alertarão para os impactos econômicos da sobretaxação nos dois países.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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Comércio Internacional

Tarifa dos EUA pode afetar mais de 4 mil produtos brasileiros, alerta CNI

Mais de 4 mil produtos exportados pelo Brasil podem ser impactados caso os Estados Unidos confirmem a adoção de novas tarifas sobre mercadorias brasileiras. A estimativa é da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que calcula que cerca de 4,1 mil itens, equivalentes a US$ 14,9 bilhões em exportações brasileiras, poderão ser atingidos pelas medidas.

A audiência que discute a aplicação das novas tarifas começou nesta segunda-feira (6) e segue até terça-feira (7). A decisão final do governo norte-americano está prevista para o próximo dia 15 de julho.

Tarifas podem elevar taxação para 37,5%

De acordo com a CNI, a combinação das medidas propostas pode elevar a tributação adicional sobre produtos brasileiros para até 37,5%.

Há pouco mais de um mês, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) anunciou uma proposta de tarifa extra de 25% para produtos brasileiros, com exceção daqueles enquadrados nas regras de segurança nacional.

Além disso, outra proposta prevê uma tarifa adicional de 12,5% após a conclusão de uma investigação sobre trabalho forçado em cerca de 90 países, incluindo o Brasil. Segundo o USTR, essas nações não adotariam ou aplicariam de forma eficaz restrições à importação de bens produzidos com mão de obra forçada.

Caso as duas medidas sejam implementadas simultaneamente, a taxação adicional poderá atingir 37,5%.

Produtos industriais estão entre os mais expostos

Segundo o levantamento da CNI, o Brasil é o principal fornecedor dos Estados Unidos em 11 importantes produtos industriais, o que amplia os impactos potenciais das novas tarifas.

Entre os itens mais afetados estão:

  • Ferro-gusa não ligado;
  • Açúcar de cana em forma sólida;
  • Sebo não comestível;
  • Álcool etílico não desnaturado;
  • Molduras de madeira de pinho;
  • Tabaco curado por fumaça ou processado;
  • Peptonas e derivados;
  • Compensado de pinus;
  • Granito monumental ou de construção;
  • Estacas, paliças, postes e trilhos de madeira;
  • Hidróxido de alumínio.

CNI alerta para impactos na cadeia produtiva

Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, a adoção das novas tarifas pode gerar prejuízos tanto para empresas brasileiras quanto para companhias norte-americanas.

Segundo ele, o aumento da tributação compromete uma relação comercial construída ao longo de décadas e afeta cadeias produtivas integradas, nas quais diversos insumos brasileiros são considerados estratégicos para a indústria dos Estados Unidos.

Audiência em Washington reúne representantes contrários à medida

A audiência pública realizada em Washington contará com a participação do embaixador brasileiro Roberto Azevêdo, que representará a CNI na sessão desta terça-feira (7).

Dos 80 inscritos para se manifestar durante o processo, 66 devem apresentar posicionamento contrário às novas tarifas propostas pelo governo norte-americano.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Carlos Barria

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Comércio Exterior

EUA iniciam audiência sobre tarifas de 25% a produtos brasileiros antes de decisão final

Representantes do setor produtivo brasileiro e autoridades dos Estados Unidos iniciam, nesta segunda-feira (6), uma audiência pública para discutir a proposta de aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano. O encontro representa a última etapa do processo antes da definição oficial das medidas, prevista para o próximo dia 15.

A audiência começa às 11h (horário de Brasília) e reúne empresas, entidades de classe, importadores e representantes da indústria dos dois países para apresentar argumentos técnicos sobre os impactos da nova política tarifária.

Investigação do USTR fundamenta proposta de novas tarifas

A proposta foi apresentada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), após investigação conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial americana.

Entre os fatores apontados pelo órgão estão supostos benefícios concedidos ao sistema de pagamentos Pix, acordos comerciais considerados preferenciais, questões relacionadas ao etanol, desmatamento, corrupção e combate à pirataria. Esses pontos serviram de base para a recomendação das novas tarifas sobre produtos brasileiros.

Os debates acontecem na Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos, em Washington, e serão distribuídos em 14 painéis. Sete sessões estão programadas para esta segunda-feira e outras sete ocorrerão na terça-feira (7), sempre a partir das 11h (horário de Brasília).

Cada participante inscrito terá cinco minutos para apresentar um resumo executivo defendendo os interesses do setor que representa. Após as exposições, integrantes do USTR poderão realizar questionamentos, seguidos das respostas das entidades participantes.

O processo de preparação da audiência começou no mês passado. As inscrições para participação ficaram abertas até 22 de junho, enquanto o envio das manifestações técnicas por escrito foi encerrado em 1º de julho. Os documentos servirão como base para as apresentações durante os painéis.

Agronegócio e indústria lideram mobilização brasileira

A audiência é considerada pelo setor privado brasileiro como a principal oportunidade para tentar reduzir ou evitar a adoção das tarifas antes da decisão definitiva. Entre os participantes estão representantes do agronegócio, que deve concentrar boa parte das discussões devido à forte relação comercial com compradores norte-americanos.

Também confirmaram participação entidades da indústria, como a Sindifer, a Fiesp, a Abimaq e o Centrorochas, que pretendem apresentar argumentos sobre os possíveis impactos econômicos da medida para a cadeia produtiva e para o comércio entre Brasil e Estados Unidos.

Fonte: Com informações da CNN Brasil.

Texto: Redação

Imagem: Reprodução CNN / Ilustração Dado Ruvic – Reuters

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Comércio Internacional

Governo Lula apresenta plano aos EUA para evitar tarifa de 25% sobre produtos brasileiros

O governo federal entregou aos Estados Unidos uma proposta de negociação para tentar impedir a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, anunciada durante uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR). O documento foi apresentado nesta quinta-feira (2) e estabelece um roteiro para avançar nas negociações entre os dois países.

A iniciativa faz parte da estratégia brasileira para preservar o comércio entre Brasil e Estados Unidos, sem abrir mão de temas considerados estratégicos para o país.

Proposta prevê redução de tarifas em setores específicos

O plano foi entregue pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, durante reunião com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer. O conteúdo do documento não foi divulgado oficialmente.

Entre as medidas apresentadas está a possibilidade de reduzir tarifas de importação em aproximadamente 300 linhas de produtos. Segundo o governo, a proposta foi elaborada em conformidade com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).

As reduções estariam concentradas em segmentos nos quais a produção nacional é limitada, como máquinas, equipamentos industriais e produtos de tecnologia da informação. A avaliação é que a medida pode ampliar o acesso de mercadorias norte-americanas ao mercado brasileiro sem comprometer a competitividade da indústria nacional.

Temas políticos ficam fora das negociações

O governo brasileiro informou que assuntos relacionados ao Pix, decisões do Poder Judiciário e temas de política interna não fazem parte das negociações com Washington.

A orientação é manter o diálogo restrito às questões comerciais levantadas pela investigação conduzida pelo USTR, evitando ampliar as discussões para outros assuntos diplomáticos ou políticos.

Além das medidas tarifárias, o documento busca demonstrar que as políticas brasileiras questionadas pelos Estados Unidos não provocam distorções comerciais nem estabelecem tratamento discriminatório às empresas norte-americanas.

Brasil e EUA terão novas rodadas de negociação

Durante o encontro, representantes dos dois países concluíram que será necessário ampliar as discussões técnicas antes da decisão final do governo norte-americano.

Uma nova reunião entre as equipes técnicas está prevista para o início da próxima semana. Outro encontro de alto nível deverá ocorrer antes de 15 de julho, data em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidirá se aplicará ou não as tarifas propostas.

Em nota oficial, o ministro Márcio Elias Rosa afirmou que as conversas continuam avançando sobre os seis temas incluídos na investigação da Seção 301 do USTR: comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção da propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal.

Segundo o ministro, ambos os governos consideram o diálogo produtivo, mas reconhecem que será necessário mais tempo para detalhar propostas e aproximar posições.

Entenda as tarifas propostas pelos Estados Unidos

A investigação conduzida pelo USTR prevê duas possíveis medidas tarifárias contra produtos brasileiros.

A primeira estabelece uma tarifa adicional de 25%, relacionada à investigação sobre supostas práticas comerciais consideradas desleais.

A segunda prevê uma cobrança de 12,5% em razão de questionamentos sobre a importação de produtos fabricados com trabalho análogo à escravidão, tema analisado em uma investigação de alcance global.

As medidas ainda não entraram em vigor. O governo norte-americano abriu consulta pública sobre o caso até 6 de julho. No dia 7 será realizada uma audiência pública, enquanto a decisão definitiva sobre a adoção das sanções está prevista para 15 de julho.

Flávio Bolsonaro participa do processo de consulta pública

O senador Flávio Bolsonaro inscreveu-se para participar da audiência pública promovida pelo USTR. Conforme o documento apresentado às autoridades norte-americanas, o parlamentar defenderá a suspensão das tarifas e buscará uma solução negociada para as questões levantadas na investigação.

O gabinete do senador também encaminhou um documento ao órgão norte-americano argumentando que a adoção das tarifas poderia gerar efeitos políticos favoráveis ao governo brasileiro.

Desde o anúncio da investigação comercial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem contestado as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para a possível adoção das sanções. Nos bastidores, integrantes do governo avaliam que a manifestação enviada por Flávio Bolsonaro tem como principal objetivo influenciar o debate político interno no Brasil.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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Exportação

Tarifa dos EUA pode atingir mais de um terço das exportações brasileiras, aponta CNI

Um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indica que a proposta de ampliação de tarifas sobre produtos brasileiros nos Estados Unidos pode afetar uma parcela significativa das vendas externas do país. Caso a recomendação apresentada pelo Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) seja adotada, cerca de 31,6% das exportações brasileiras para o mercado norte-americano poderão enfrentar uma tarifa de importação de 37,5%.

A análise mostra ainda que outros 3,6% dos embarques brasileiros estariam sujeitos a um aumento tarifário de 10% para 12,5%. Somadas, as medidas alcançariam 35,2% de tudo o que o Brasil exporta para os Estados Unidos.

Impacto pode alcançar mais da metade das exportações

Segundo a entidade, o percentual de produtos afetados pode ser ainda maior. Ao considerar as tarifas adicionais já aplicadas por meio das medidas setoriais da Seção 232, a fatia das exportações brasileiras sujeita a algum tipo de sobretaxa chegaria a 54,1%.

O levantamento reforça a preocupação do setor industrial com os possíveis efeitos sobre a competitividade dos produtos brasileiros em um dos principais mercados de destino das exportações nacionais.

Produtos mais expostos às novas tarifas

Entre os itens que poderão ser enquadrados na tarifa de 37,5% estão mercadorias com forte dependência do comércio bilateral entre Brasil e Estados Unidos. A lista inclui ferro gusa não ligado, açúcar de cana em forma sólida, sebo não comestível, álcool etílico não desnaturado e molduras de madeira de pinho.

Já outros produtos poderão ser submetidos a uma alíquota de 12,5%, caso a proposta avance. Nessa categoria estão minério de ferro e concentrados, pelotas aglomeradas, lajes de quartzito, óleos essenciais de laranja, silício e pasta química de madeira para dissolução.

CNI defende diálogo entre os países

Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, a adoção de novas barreiras tarifárias tende a gerar efeitos negativos para ambos os lados da relação comercial.

De acordo com ele, o aumento das taxas pode elevar custos para as empresas, reduzir a competitividade dos negócios e ampliar as incertezas para novos investimentos. A entidade defende que as negociações avancem por meio do diálogo técnico e da busca por soluções que preservem a parceria econômica entre os dois países.

Decisão ainda depende de consulta pública

As tarifas sugeridas pelo USTR ainda não foram implementadas. Antes de qualquer definição, a proposta passará por etapas de consulta pública e audiências previstas para as próximas semanas.

A expectativa é que o governo norte-americano tome uma decisão sobre o tema na primeira quinzena de julho, período em que estão programadas as audiências destinadas a discutir os possíveis impactos da medida.

FONTE: Modais em Foco
TEXTO: Redação
IMAGEM: Correios Braziliense

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Comércio Exterior

Tarifas dos EUA contra o Brasil podem chegar a 37,5%; entenda o que está em jogo

O governo dos Estados Unidos avalia a adoção de novas medidas tarifárias que podem elevar significativamente o custo de entrada de produtos brasileiros no mercado norte-americano. Caso sejam aprovadas, as propostas em discussão poderão resultar em uma sobretaxa total de até 37,5% sobre determinados itens exportados pelo Brasil.

As medidas ainda estão em fase de análise e fazem parte de investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), órgão responsável pela política comercial do país.

Quais tarifas estão sendo analisadas?

Atualmente, duas propostas estão sob avaliação:

  • 25% de tarifa adicional relacionada a supostas práticas consideradas desleais de comércio;
  • 12,5% de sobretaxa vinculada à alegação de insuficiência no combate à entrada de produtos associados ao trabalho forçado nas cadeias produtivas globais.

As propostas foram apresentadas pelo USTR nos primeiros dias de junho e ainda passarão por consulta pública antes de uma decisão definitiva.

Consulta pública e prazo para decisão

O governo norte-americano receberá manifestações de empresas, entidades e governos até o início de julho. Uma audiência pública está prevista para o dia 7 de julho, enquanto a decisão final deverá ser anunciada até 15 de julho.

Caso aprovadas, as novas tarifas poderão entrar em vigor imediatamente.

Enquanto isso, representantes dos governos brasileiro e norte-americano seguem negociando alternativas para evitar o agravamento da disputa comercial.

Governo brasileiro busca diálogo

O tema está mobilizando autoridades dos dois países. Integrantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mantêm conversas com representantes do USTR em busca de uma solução negociada.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também indicou interesse em discutir diretamente a questão com o presidente Donald Trump durante encontros internacionais previstos para as próximas semanas.

Investigação sobre trabalho forçado envolve dezenas de países

A investigação relacionada ao trabalho forçado não se restringe ao Brasil. O processo envolve cerca de 60 países e tem como objetivo avaliar se os parceiros comerciais dos Estados Unidos adotam mecanismos eficazes para impedir a circulação de produtos produzidos em condições consideradas ilegais.

Segundo autoridades norte-americanas, empresas que utilizam mão de obra irregular poderiam obter vantagens competitivas em relação às companhias dos EUA.

Acusação de práticas comerciais desleais

A segunda investigação, específica contra o Brasil, foi aberta em 2025 com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos.

O mesmo instrumento jurídico já foi utilizado anteriormente em disputas comerciais envolvendo a China e outros parceiros internacionais.

Entre os pontos analisados pelos norte-americanos estão temas relacionados ao comércio digital, funcionamento do Pix, acesso ao mercado de etanol, propriedade intelectual, fiscalização ambiental e políticas tarifárias brasileiras.

Produtos estratégicos ficaram fora da lista

Apesar da possibilidade de novas tarifas, diversos produtos relevantes para o comércio bilateral foram excluídos da proposta.

Entre os itens que permanecem fora da sobretaxa estão:

  • Café;
  • Carne bovina;
  • Suco de laranja;
  • Frutas tropicais;
  • Petróleo e derivados;
  • Fertilizantes;
  • Medicamentos;
  • Aeronaves e componentes aeronáuticos;
  • Terras raras e determinados metais.

A exclusão desses produtos busca evitar impactos sobre cadeias produtivas consideradas estratégicas para a economia dos Estados Unidos.

Tarifa global de 10% continua em vigor

Além das novas propostas, permanece válida uma tarifa global de 10% aplicada pelos EUA sobre importações provenientes de diversos países, incluindo o Brasil.

Essa cobrança foi implementada em fevereiro de 2026 após decisões judiciais limitarem parte das medidas tarifárias anteriores adotadas pelo governo Trump.

Ainda não há definição sobre a continuidade dessa tarifa após julho.

O que os Estados Unidos criticam no Brasil?

O relatório norte-americano reúne críticas em diferentes áreas da política econômica brasileira.

Entre os principais pontos citados estão:

  • Tarifas de importação consideradas elevadas;
  • Preferências comerciais concedidas a determinados parceiros;
  • Dificuldades para exportação de etanol norte-americano ao Brasil;
  • Questões relacionadas à proteção da propriedade intelectual;
  • Combate à pirataria;
  • Fiscalização ambiental e ações contra o desmatamento ilegal;
  • Regras ligadas ao comércio digital e ao sistema Pix.

Segundo o USTR, essas questões poderiam gerar obstáculos para empresas e exportadores dos Estados Unidos.

Pix não corre risco de ser interrompido

Após a classificação das facções PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos, surgiram especulações sobre possíveis impactos ao sistema de pagamentos instantâneos brasileiro.

No entanto, autoridades norte-americanas afirmaram que não existe qualquer iniciativa para interromper ou restringir o funcionamento do Pix.

Segundo o Departamento de Estado dos EUA, eventuais sanções seriam direcionadas exclusivamente a indivíduos ou organizações eventualmente ligados a atividades ilícitas.

Histórico da disputa comercial

A atual fase da disputa é resultado de um processo iniciado em 2025, quando os Estados Unidos anunciaram um amplo pacote de aumento tarifário sobre diversos parceiros comerciais.

Naquele período, produtos brasileiros chegaram a enfrentar sobretaxas que elevaram a tributação total para até 50% em alguns segmentos.

Posteriormente, decisões judiciais nos EUA e negociações diplomáticas levaram à ampliação das listas de exceção e à revisão de parte das medidas.

Possíveis impactos para as exportações brasileiras

Especialistas avaliam que a adoção das novas tarifas poderá aumentar custos para exportadores brasileiros e reduzir a competitividade de determinados produtos no mercado norte-americano.

Por outro lado, a ampla lista de exceções reduz o impacto imediato sobre setores estratégicos como agronegócio, aeronáutica e energia.

As próximas semanas serão decisivas para definir se haverá acordo entre os governos ou se as medidas avançarão para a fase de implementação.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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Comércio Exterior

Brasil tenta acordo comercial para evitar tarifa de 25% proposta pelos EUA

O governo brasileiro intensificou as negociações com os Estados Unidos na tentativa de impedir a adoção de uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos exportados pelo Brasil. A medida foi sugerida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) e ainda depende de decisão final da Casa Branca.

A avaliação em Brasília é de que, embora as tratativas sejam complexas, existe espaço para a construção de um acordo tarifário que beneficie ambos os países e evite o aumento das barreiras comerciais.

Superávit dos EUA é um dos argumentos do Brasil

Entre os principais pontos defendidos pelos negociadores brasileiros está o fato de que os Estados Unidos mantêm um superávit comercial na relação bilateral. Na visão do governo, esse cenário enfraquece os argumentos utilizados para justificar a criação de novas tarifas sobre produtos brasileiros.

A recomendação do USTR foi divulgada após uma investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana. O relatório acusa o Brasil de adotar práticas consideradas desleais nas relações comerciais, incluindo críticas ao funcionamento do Pix, sistema de pagamentos instantâneos amplamente utilizado no país.

O governo brasileiro rejeita as alegações e afirma que a iniciativa representa uma tentativa de interferência em questões internas, além de refletir uma postura de protecionismo comercial por parte de Washington.

Outro argumento apresentado pelo Brasil é que a tarifa média aplicada às importações provenientes dos EUA gira em torno de 2,7%, percentual considerado incompatível com a tese de restrições significativas ao acesso de empresas norte-americanas ao mercado brasileiro.

Prazo para definição foi estendido até julho

As negociações agora têm como referência o dia 15 de julho, data estabelecida pelo USTR para uma definição sobre o caso. O prazo substitui o cronograma inicial de 30 dias acordado após reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Donald Trump realizada em Washington no mês passado.

A ampliação do período é vista pelo governo brasileiro como uma oportunidade para aprofundar as discussões e buscar uma solução negociada antes da implementação de eventuais medidas tarifárias.

Cenário internacional dificulta avanço das conversas

Entre os obstáculos enfrentados pelo Brasil está a agenda internacional dos Estados Unidos. Além de conduzir negociações comerciais com diversos países, Washington também concentra esforços na crise envolvendo o Oriente Médio e o conflito com o Irã.

Nesse contexto, autoridades brasileiras avaliam a possibilidade de um novo encontro entre Lula e Trump durante a reunião do G7, prevista para ocorrer entre 15 e 17 de junho. Até o momento, entretanto, não há confirmação de uma reunião bilateral entre os dois líderes.

Outro desafio apontado pelo governo é a amplitude das demandas normalmente apresentadas pelos norte-americanos, que costumam envolver temas de diferentes setores da economia e da política comercial.

Brasil limita negociação às questões tarifárias

A estratégia brasileira tem sido concentrar as conversas em temas relacionados ao comércio exterior e às tarifas de importação, evitando incluir outros assuntos de interesse dos Estados Unidos.

O governo também sinalizou que temas considerados estratégicos para o país, como o Pix, não fazem parte da pauta de negociação com Washington.

Taxa global é vista como pouco negociável

Além da proposta específica envolvendo o Brasil, o governo acompanha outra medida adotada pelos Estados Unidos que prevê tarifas adicionais entre 10% e 12,5% para cerca de 60 países.

A cobrança é justificada pela alegação de falhas no combate ao trabalho análogo à escravidão e atinge não apenas o Brasil, mas também parceiros históricos dos EUA, como Japão, Canadá, Índia e países da União Europeia.

Na avaliação de integrantes do governo brasileiro, essa medida possui caráter mais amplo e dificilmente seria objeto de negociações individuais, já que busca criar uma nova base legal para políticas tarifárias após decisões judiciais que limitaram iniciativas anteriores da administração norte-americana.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Alan Santos/PR

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