Comércio Exterior

Tarifaço: apesar de exceções, impacto é ‘gigantesco’, avalia ex-secretário de Comércio Exterior

Produtos como café, carne bovina e cacau serão taxados pelos EUA. País é o maior comprador de café do Brasil

Apesar da lista com quase 700 exceções, a tarifa aplicada pelos EUA de 50% a produtos brasileiros ainda terá um impacto “gigantesco” para o comercio nacional. A avaliação é do ex-secretário de Comércio Exterior Welber Barral, ex-árbitro no Tribunal Permanente de Revisão do Mercosul e do sistema de solução de controvérsias da OMC (Organização Mundial do Comércio).

O presidente americano, Donald Trump, assinou, nesta quarta-feira (30), uma ordem executiva que impõe tarifa adicional de 40% sobre produtos brasileiros — o que eleva o total da taxa para 50%, tendo em vista a alíquota aplicada anteriormente de 10%.

Ao R7, Barral ressaltou que produtos como café, celulose e maquinários serão taxados pelos EUA, o que ele considera preocupante porque não sabe de onde os EUA vão importar café.

Em lista divulgada nesta tarde, Trump deixou fora da taxação 694 itens exportados pelo Brasil aos EUA. Entre os produtos que não receberão a tarifa, estão suco de laranja, aviões comerciais, combustíveis, petróleo e minério de ferro.

Commodities brasileiras com grande fluxo comercial para os Estados Unidos, como carne bovina, café e cacau, não foram incluídas nas exceções e serão taxadas em 50%.

A manutenção da tarifa ao café e ao cacau diverge de declaração feita pelo secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, na terça (29).

Café e cacau

Segundo dados do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), os Estados Unidos são os maiores compradores de café do Brasil — tanto do item torrado quanto do não torrado.

Apenas em junho, os EUA adquiriram 15,9% do café não torrado vendido pelo Brasil, um total de US$ 148,2 milhões.

Também no mês passado, no caso do café torrado — modalidade que inclui extratos, essências e concentrados de café —, os Estados Unidos compraram 23,4% do que foi produzido pelo Brasil: US$ 21 milhões.

Os EUA também têm participação importante na compra do cacau brasileiro. Em junho deste ano, o país foi o maior comprador de cacau em pó, manteiga ou pasta de cacau, com 42,6% de participação (US$ 22,5 milhões).

Com relação ao chocolate e a outras preparações alimentícias oriundas do cacau, os Estados Unidos (12,2%) foram o segundo maior destino no mês passado, atrás apenas da Argentina (27,2%). O valor total das compras chegou a US$ 2,4 milhões.

Frutas

A participação dos EUA no mercado brasileiro de mangas e abacaxis é menos significativa do que no caso de café e cacau.

Em 2024, os Estados Unidos foram o 17º maior comprador de abacaxis frescos ou secos, de acordo com números da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária). Foram 1,7 mil toneladas adquiridas, um total de cerca de US$ 4,1 mil.

Também segundo a Embrapa, em junho deste ano, os EUA compraram cerca de 0,6% da manga exportada pelo Brasil, a oitava maior porcentagem. Países como Holanda (52%), Portugal (9%), Reino Unido (5,6%), Argentina (2,7%), Coreia do Sul (1%) e Chile (1%) tiveram participação maior do que a norte-americana.

Fonte: R7

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Comércio Exterior

Trump assina ordem que implementa tarifa de 50% sobre o Brasil, com várias exceções

Casa Branca declara nova “emergência nacional” e acusa governo brasileiro de ameaçar segurança dos EUA, citando Moraes e Bolsonaro

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (30) uma ordem executiva que oficializa a aplicação de uma tarifa total de 50% sobre produtos brasileiros. A medida foi justificada como resposta a uma “ameaça incomum e extraordinária” à segurança nacional, política externa e economia norte-americana. A nova alíquota entra em vigor em um prazo de sete dias, e traz diversas exceções, entre elas suco de laranja e outros produtos agrícolas, petróleo e derivados, metais e peças de aeronaves.

Segundo comunicado da Casa Branca, a decisão foi tomada com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, de 1977, e mira “políticas e ações” do governo brasileiro que, na visão dos EUA, prejudicam empresas e cidadãos norte-americanos.

O texto cita diretamente o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF), classificando o processo como “perseguição politicamente motivada” e acusando autoridades brasileiras de cometer “abusos graves de direitos humanos”.

Trump também acusa o ministro Alexandre de Moraes, sancionado nesta quarta, de “coagir arbitrariamente empresas dos EUA a censurar discurso político, entregar dados de usuários e alterar políticas de moderação de conteúdo sob ameaça de multas, processos criminais, congelamento de ativos ou expulsão do mercado brasileiro”.

“Ao impor essas tarifas para enfrentar as ações imprudentes do governo do Brasil, o presidente Trump está protegendo a segurança nacional, a política externa e a economia dos Estados Unidos de uma ameaça estrangeira”, diz o comunicado.

A Casa Branca afirma que a decisão também busca “preservar e proteger a liberdade de expressão” de cidadãos americanos e “defender empresas dos EUA de censura forçada”.

O anúncio intensifica a já tensa relação entre os dois países, que desde julho enfrentam uma disputa comercial e diplomática. O governo brasileiro tem classificado a medida como “chantagem” e insiste que não cederá a pressões políticas ligadas ao julgamento de Bolsonaro.

Fonte: InfoMoney

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Comércio Exterior

Trump mira etanol brasileiro e coloca em risco cadeia de 2,2 milhões de empregos

Em meio às tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos, intensificadas pela decisão do governo Trump de impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, o movimento que se seguiu nos dias seguintes à carta divulgada pelo presidente estadunidense pegou muita gente de surpresa, quando a United States Trade Representative (USTR, ou Departamento Comercial dos EUA) incluiu o anúncio de uma investigação sobre o que foi chamado de “práticas ilegais” por parte do Brasil. Entre os alvos, estão o ataque ao pioneiro Pix e o combate à pirataria, e um tema que revela um claro – e antigo – incômodo dos Estados Unidos: o etanol brasileiro.

O principal motivo da investida do governo Trump contra o etanol brasileiro vem de longe: a alíquota de 18% aplicada pelo Brasil à importação do etanol americano, feito de milho dos EUA – o que resulta em mais emissão de CO2 do que o registrado pelo biocombustível brasileiro, produzido majoritariamente a partir da cana-de-açúcar. Essa tarifa, no entanto, não é arbitrária: ela cumpre papel estratégico ao garantir condições mínimas de competição justa entre o etanol brasileiro e o etanol estadunidense, que é fortemente subsidiado por Washington. A eventual retirada dessa barreira resultaria em uma verdadeira invasão do etanol americano no mercado nacional, comprometendo a competitividade das usinas brasileiras, pressionando margens, eliminando empregos e desestimulando investimentos.

A cadeia do etanol é uma das maiores forças produtivas do Brasil, resultado de exatos 50 anos de políticas públicas, inovação tecnológica e compromisso com a sustentabilidade. Desde a criação do Programa Pró-Álcool, em 1975, o país desenvolveu um modelo reconhecido mundialmente de biocombustível limpo, culminando na liderança em mobilidade de baixo carbono e na consolidação da tecnologia flex. De 2003 até hoje, a combinação entre o uso de etanol hidratado e a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina evitou a emissão de mais de 730 milhões de toneladas de CO₂ equivalente — volume comparável às emissões anuais de países como a Indonésia.

Além do impacto ambiental, o setor é crucial para a economia brasileira. Segundo dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), a produção nacional de etanol atingiu 36,8 bilhões de litros em 2024, tornando o Brasil o segundo maior produtor mundial, atrás apenas dos EUA. A cadeia produtiva emprega mais de 2,2 milhões de pessoas, sendo que só no estado de São Paulo são mais de 844 mil trabalhadores, com influência direta sobre a economia de cerca de 1,2 mil municípios.

Dessa forma, especialistas avaliam que permitir que o etanol dos Estados Unidos entre no Brasil sem uma alíquota que dê fôlego ao biocombustível produzido por aqui seria um golpe duro contra um setor que representa inovação, geração de renda, desenvolvimento regional e benefícios ambientais. Assim como o Pix, também atacado por Washington, o etanol tornou-se uma das bandeiras do protagonismo brasileiro no cenário internacional. A avaliação mais comum é que a tentativa dos EUA de sufocar essa indústria por meio de pressão comercial evidencia um movimento protecionista que ameaça não só uma cadeia produtiva consolidada, mas também o compromisso global com fontes limpas e sustentáveis de energia.

Governo Lula descarta negociar tarifa de etanol com EUA

Apesar da pressão crescente por parte dos Estados Unidos, o governo brasileiro sinaliza que não pretende ceder em relação à alíquota de 18% sobre o etanol americano. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, comandado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, afirma que a redução da tarifa não está em pauta nas atuais negociações com Washington. “Não haveria sentido levarmos essa proposta ou qualquer outra de redução de alíquotas que o Brasil aplica na fase atual. Eles (os americanos) reivindicavam essa redução ou atribuição de cota para o etanol, mas esse tema deixou de ser debatido desde o começo das novas tarifas (os 10% que Trump aplicou sobre produtos brasileiros, em abril)”, afirmou o secretário-executivo da pasta, Márcio Elias Rosa, em entrevista ao site Platô BR.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, também se manifestou sobre a crise comercial. Ele afirmou que o Brasil está disposto a dialogar, mas que a manutenção da alíquota de 18% sobre o etanol importado dos EUA é essencial para proteger a produção nacional, especialmente no Nordeste. “As taxas do etanol têm que ser mantidas. O equilíbrio tarifário deve considerar não só o etanol, mas também o açúcar, que sofre sobretaxas de até 90% nos EUA”, disse. Silveira reforçou ainda a confiança na condução diplomática do vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin.

Em paralelo, os senadores da Comissão de Relações Exteriores do Senado estão nos Estados Unidos tentando reabrir canais de negociação antes que as tarifas entrem em vigor, na próxima sexta-feira (1). A delegação já se reuniu com empresários da Amcham e representantes na embaixada brasileira em Washington. O senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da comissão, defende a prorrogação da medida tarifária para viabilizar negociações técnicas.

No contexto da transição energética, a Petrobras também se move. A estatal avalia construir uma planta para produção de SAF (combustível sustentável de aviação) utilizando etanol derivado da cana-de-açúcar. A unidade, com capacidade para 10 mil barris por dia, deve ser instalada junto à Refinaria de Paulínia (Replan), com início previsto para 2027, quando o uso de SAF passa a ser obrigatório no Brasil. Paralelamente, a empresa desenvolve outros três projetos de SAF, com cronogramas mais avançados, a partir do coprocessamento de matérias-primas em refinarias como Cubatão, Duque de Caxias e a Refinaria Riograndense, em parceria com Braskem e Grupo Ultra.

No centro da disputa tarifária, o etanol brasileiro não é apenas um produto de exportação — é um ativo econômico, ambiental e social. Diante disso, representantes do setor e autoridades defendem que qualquer negociação com os Estados Unidos leve em conta não apenas os interesses comerciais, mas também a relevância estratégica dessa cadeia para o Brasil e para o esforço global de descarbonização.

Fonte: Brasil 247

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Comércio Exterior

Com tarifaço, SC é o estado que terá o 4° maior prejuízo financeiro do país

Quase tudo que o estado vende aos EUA vem da indústria (99%), mostra levantamento da CNI

O aumento das tarifas de importação pelos Estados Unidos, previsto para 1º de agosto, pode provocar impactos econômicos relevantes e desiguais entre as unidades da federação, com perdas superiores a R$ 19 bilhões para os estados brasileiros. Santa Catarina aparece em quarto lugar na lista de maior prejuízo financeiro (R$ 1,7 bi), mas é o estado com a segunda maior queda prevista no PIB: -0,31%. Isso é o que mostra levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), em 2024.

A CNI estima que, caso entre em vigor, a medida pode ocasionar a perda de pelo menos 110 mil postos de trabalho, além de reduzir em 0,16% o PIB do Brasil e de provocar uma queda de 0,12% na economia global, com retração de 2,1% no comércio mundial.

Prejuízo bilionário para Sul e Sudeste  
Em termos de impacto financeiro, os estados do Sudeste e do Sul serão os mais prejudicados. O estado de São Paulo, maior economia brasileira, deve liderar o prejuízo com as tarifas, com perdas estimadas em R$ 4,4 bilhões, representando uma queda de 0,13% no PIB. Segundo estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em 2024, os EUA foram o principal destino das exportações paulistas, com 19% de tudo que o estado exportou no ano. Além disso, 92,1% do que o estado vendeu ao país veio da indústria de transformação.

Ocupando o segundo lugar de estado com maior impacto com o tarifaço, com potencial de retração de R$ 1,917 bilhão no PIB está o Rio Grande do Sul. Os Estados Unidos são o terceiro maior destino de exportações gaúchas, representando 8,4% do total exportado. 

No caso do Paraná, os EUA também aparecem como o terceiro principal destino comercial. Em 2024, 6,8% do que o estado exportou teve como destino o mercado norte-americano, sendo 97,5% provenientes da indústria de transformação. O PIB paranaense pode perder R$ 1,914 bilhão com o tarifaço de Donald Trump.  

Em quinto lugar, Minas Gerais pode amargar perdas de R$ 1,6 bilhão (-0,15% no PIB). A participação da indústria nas exportações aos EUA foi de 66,1% em 2024. Os EUA são o 3º maior destino das vendas externas do estado. 

Amazonas e Pará também terão perdas bilionárias  
Puxado pela exportação do polo industrial de Manaus, o estado do Amazonas pode sofrer o sexto maior impacto em volume financeiro: R$ 1,1 bilhão, uma queda de 0,67% no PIB. A indústria respondeu por 96,1% das vendas aos EUA no ano passado. No caso do Pará, o impacto de novas tarifas pode chegar a R$ 973 milhões, uma queda de 0,28% no PIB. Apesar de os EUA corresponderem por 3,6% das exportações do estado, a indústria responde por 95,2% dos bens vendidos aos americanos. 

Menos dependentes, com impactos significativos  
No Centro-Oeste, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul acumulam prejuízos superiores a R$ 1,9 bilhão. Já no Nordeste, as perdas são menores, mas ainda relevantes: Bahia (R$ 404 milhões), Pernambuco (R$ 377 milhões) e Ceará (R$ 190 milhões) lideram na região.

Com informações da CNI

Fonte: FIESC

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Comércio Exterior

Brics e dólar: aliado de Trump diz que tarifaço é “combinação de tudo”

Advogado Brian Ballard recomendou que o governo brasileiro se esforce para falar diretamente com o presidente norte-americano e disse que “Trump é um negociador duro, mas é um negociador justo”

Em entrevista à CNN Brasil, Brian Ballard, advogado próximo ao presidente dos EUA, Donald Trump, comentou a imposição de tarifas contra as exportações brasileiras a partir de 1º de agosto.

Questionado sobre os motivos da taxação, Ballard atribuiu a medida a uma série de fatores, incluindo o papel do Brasil no Brics, a proximidade do presidente Lula com o líder chinês, Xi Jinping, e os discursos que propõem o fim do domínio do dólar.

“O presidente [Trump] vê o governo brasileiro como não tão pró-Estados Unidos como já foi no passado e como deveria ser. Então, ele tem várias ferramentas que pode usar para tentar alcançar o que ele considera serem resultados mais justos”, disse Ballard.

Anteriormente, durante a Cúpula do Brics, sediada no Rio de Janeiro em 7 de julho, Lula defendeu a adoção de medidas para enfraquecer o uso do dólar no comércio internacional, como a utilização de moedas locais nas transações entre os países.

A proposta é amplamente defendida por alguns países do bloco, especialmente pela Rússia, que passou a ser alvo de sanções internacionais após a invasão na Ucrânia, e pela China.

Em 9 de julho, na carta endereçada ao presidente Lula e publicada por Trump na Truth Social, o republicano atribuiu a cobrança à postura do STF (Supremo Tribunal Federal) com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Além disso, ele disse que a relação comercial entre os países era “muito injusta” e marcada por desequilíbrios gerados por “políticas tarifárias e não-tarifárias e pelas barreiras comerciais do Brasil”.

Ballard recomendou que o governo brasileiro se esforce para falar diretamente com o líder americano e disse que “Trump é um negociador duro, mas é um negociador justo”.

“Eu faria tudo o que pudesse para falar diretamente com o presidente e sua equipe sênior, o secretário [do Comércio] Lutnick, o secretário do Tesouro, o representante comercial, todos eles […] como vocês viram em seu histórico, Trump adora conversar diretamente”.

Fonte: CNN Brasil

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Internacional, Mercado Internacional

Tarifaço: enquanto Trump consegue tarifas, americanos recebem aumento de preços

Nos últimos meses, grandes varejistas e fabricantes de bens de consumo alertaram que teriam que reduzir lucros ou repassar os custos aos clientes. Algumas empresas já fazem os dois.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está aplicando suas tarifas a uma porção de países, e as empresas americanas já indicam como pretendem reagir: repassando os custos aos consumidores.

Nos últimos meses, grandes varejistas e fabricantes de bens de consumo alertaram que as tarifas sobre produtos importados pressionariam suas operações, obrigando-os a optar entre reduzir lucros ou repassar os custos aos clientes.

No caso da Procter & Gamble e de outras empresas, ambas as medidas estão sendo adotadas.

Na terça-feira, a gigante do setor de bens de consumo, que fabrica itens domésticos como papel toalha e detergente, divulgou uma projeção negativa para 2025 e comunicou a grandes varejistas, como o Walmart, que aumentará os preços de alguns produtos nos EUA a partir da próxima semana.

Esse desafio enfrentado pelas empresas nos próximos trimestres deve ser repassado aos consumidores. A P&G informou que aumentará os preços de cerca de 25% de seus produtos nos EUA para compensar os custos das novas tarifas.

Segundo um porta-voz da empresa, os reajustes ficarão na faixa de um dígito médio em todas as categorias.

Apesar de os índices acionários terem alcançado recordes neste ano, impulsionados por fortes investimentos em ações de tecnologia, muitas empresas do setor de consumo enfrentaram dificuldades.

Desde o anúncio das tarifas no chamado “Dia da Libertação”, em 2 de abril:

  • As ações da P&G caíram 19%.
  • As da Nestlé, 20%.
  • A Kimberly-Clark perdeu 11%; e
  • A PepsiCo recuou quase 7%.

No mesmo período, o índice S&P 500 subiu mais de 13%.

Empresas dos setores de bens de consumo, alimentos e bebidas vêm enfrentando vendas fracas desde a pandemia, já que os consumidores resistem aos preços elevados de marcas tradicionais.

Na semana passada, a Nestlé afirmou que os consumidores na América do Norte continuam cautelosos em pagar mais no caixa.

Novos aumentos de preços devem intensificar as preocupações dos investidores sobre a capacidade das grandes marcas de lidar com o duplo desafio: consumidores mais cautelosos e custos elevados decorrentes da guerra comercial promovida por Trump.

“Você verá empresas como Walmart, Amazon e Best Buy sendo obrigadas a repassar aumentos de preços aos consumidores”, afirmou Bill George, ex-presidente e CEO da Medtronic e pesquisador em educação executiva na Harvard Business School.

“A Main Street ainda não viu as consequências do aumento das tarifas — e elas vão aumentar.”

Entre 16 e 25 de julho, empresas monitoradas pelo rastreador de tarifas globais da Reuters estimaram perdas entre US$ 7,1 bilhões e US$ 8,3 bilhões ao longo do ano.

GM, Ford e outras montadoras têm absorvido os custos das tarifas até agora — somando bilhões de dólares. Outras empresas, como a EssilorLuxottica, fabricante dos óculos Ray-Ban, já reajustaram seus preços.

A Swatch, fabricante suíça de relógios e joias, elevou seus preços em cerca de 5% após o anúncio das tarifas por Trump, em abril, sem impacto nas vendas, segundo o CEO Nick Hayek, em entrevista recente à Reuters.

Marcas premium, como os relógios Tissot, são menos afetadas por aumentos de preços. Segundo Hayek, clientes que desejam adquirir modelos mais caros costumam comprar no exterior, onde os impostos são menores.

“Não se pode fazer isso com carros. Não é possível fazer isso com máquinas. Mas você pode fazer isso com relógios. Portanto, não é tão problemático para nós”, disse ele.

Muitas empresas anteciparam o envio de mercadorias e matérias-primas aos EUA antes da entrada em vigor das tarifas. Economistas e analistas acreditam que esse estoque ajudou a adiar os aumentos de preços e explica por que os efeitos das tarifas ainda não se refletem nos dados de inflação do país.

Andrew Wilson, vice-secretário-geral da Câmara de Comércio Internacional, estima que os efeitos inflacionários serão percebidos quando os estoques forem esgotados — o que pode ocorrer apenas no quarto trimestre deste ano ou no primeiro do próximo.

Fonte: G1

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Agronegócio, Comércio Exterior

Agro vê etanol ameaçado em negociação sobre tarifas de 50% de Trump

Redução das tarifas brasileiras de importação do etanol deve ser colocada como moeda de troca pela Casa Branca; setor vê possibilidade alta de governo ceder

O setor de agroenergia vê com preocupação o uso do etanol como moeda de troca para os Estados Unidos baixarem as tarifas gerais de 50% sobre produtos importados do Brasil.

O etanol foi citado pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos entre as “práticas comerciais injustas” devido à tarifa de importação brasileira de 18% — o que reduziria a competitividade para os produtores americanos, segundo a Casa Branca.

No documento da investigação comercial dos EUA sobre o Brasil, o etanol foi o único produto citado nominalmente e que teve destaque. Dessa forma, parlamentares, empresários e integrantes do governo acreditam que a redução das tarifas de importação devem ser uma exigência da Casa Branca para negociações.

À CNN, empresários do setor de agroenergia disseram, sob anonimato, acreditar que a aceitação do governo em reduzir a tarifa de importação de etanol é “bastante provável”. Inclusive, eles disseram que a medida é apoiada por outros segmentos do setor produtivo que não tem relação com a substância e, portanto, seriam beneficiados com a redução da alíquota geral de 50%.

O Brasil impôs pela primeira vez uma cota tarifária (CTQ) de 600 milhões de litros anuais em 2017, com uma alíquota extra de 20% sobre as importações de etanol. Depois de mudanças sobre a cobrança nos anos subsequentes, o país fixou a alíquota em 18% em 1º de janeiro de 2024.

“Os Estados Unidos sofrem com tarifas mais altas sobre o etanol impostas pelo Brasil e com o desequilíbrio comercial resultante da decisão do Brasil de abandonar o tratamento recíproco, praticamente isento de impostos, que promoveu o desenvolvimento de ambas as indústrias e um comércio florescente e mutuamente benéfico”, diz o Departamento de Comércio dos EUA.

Caso as tarifas de importação do etanol sejam reduzidas, executivos do agro afirmaram à CNN que o país deverá sofrer com a perda de centenas ou milhares de empregos, especialmente no Nordeste.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior

Governo Lula liga o sinal de alerta e teme os efeitos do tarifaço em 2026

Se publicamente o governo tentar surfar na retórica da soberania nacional, nos bastidores integrantes do governo Lula já demonstram apreensão com os impactos econômicos do tarifaço prometido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A avaliação de assessores próximos a Lula é de que o discurso de enfrentamento “tem limite” e que a conta dos prejuízos da medida pode chegar às urnas nas eleições de 2026, quando o petista tentará reeleição.

Para auxiliares presidenciais, a narrativa da soberania, embora eficiente para mobilizar a base e sinalizar firmeza frente à pressão externa, não seria suficiente para compensar as consequências do tarifaço no bolso dos brasileiros.

“O que preocupa, de verdade, é quando o supermercado ficar mais caro, quando a indústria começar a demitir. Aí, não tem soberania que segure a insatisfação popular”, comentou reservadamente um interlocutor do governo à coluna.

Nesse cenário, além da retórica da soberania, ministros de Lula pretende reforçar o discurso de que o governo tem atuado para tentar reverter o tarifaço, prometido para começar a partir da sexta-feira, 1º de agosto.

Fonte: Metrópoles

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Comércio Exterior

Lula está disposto a ligar para Trump, desde que seja atendido, dizem interlocutores

Lula gostaria de conversar pessoalmente com Trump sobre o tarifaço, mas auxiliares do presidente brasileiro relatam dificuldades de contato com a Casa Branca.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está disposto a conversar diretamente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o tarifaço anunciado contra produtos brasileiros. Segundo interlocutores do Palácio do Planalto, Lula não se opõe ao diálogo, mas avalia que a conversa só ocorrerá se Trump atender pessoalmente a ligação.

A disposição de Lula ocorre após uma proposta feita por senadores brasileiros para que os dois líderes conversem. No entanto, o clima no Planalto é de pessimismo. A avaliação é de que a Casa Branca só pretende abrir uma negociação após a entrada em vigor das tarifas, marcada para 1º de agosto, como forma de aumentar seu poder de barganha.

Fontes do governo afirmam que os canais com a Casa Branca estão fechados. Apesar das tentativas de contato com o Departamento de Comércio, o Tesouro e outras áreas da administração norte-americana, o Planalto relata dificuldade de estabelecer uma ponte direta com o núcleo político do governo Trump.

Um interlocutor direto de Lula afirmou que o Brasil seguirá aberto ao diálogo, mas frisou que há limites: “A soberania não é negociável”, disse. Segundo essa fonte, o governo brasileiro rejeita qualquer tentativa de interferência em decisões do Supremo Tribunal Federal ou em sistemas como o Pix.

Ainda de acordo com integrantes do Planalto, há no governo norte-americano um desconforto com o Pix por supostamente afetar a rentabilidade de empresas americanas, incluindo operadoras.

Tarifaço dos EUA

  • No dia 9 de julho, Trump publicou uma carta endereçada ao presidente Lula (PT) anunciando a aplicação de tarifas de 50% sobre todos os produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos. Ele justificou a medida com argumentos políticos e comerciais.
  • No dia 23, o presidente dos EUA disse que aplicou tarifas de 50% a países com os quais o relacionamento “não tem sido bom”.
  • Embora não tenha sido citado diretamente, o Brasil está entre eles. Segundo ele, o objetivo é pressionar outros países a abrirem seus mercados.
  • Neste domingo (27), o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, afirmou que as tarifas impostas pelo país entrarão em vigor no dia 1º de agosto, “sem prorrogações”.

Chanceler brasileiro nos EUA

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, desembarcou neste domingo nos EUA e poderá seguir para Washington, caso o governo americano demonstre interesse em discutir alternativas ao tarifaço.

Oficialmente, Vieira cumpre agenda na Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, com foco na questão palestina.

Segundo apuração da TV Globo/GloboNews, o chanceler indicou que sua presença nos EUA demonstra disposição para o diálogo, mas que só irá a Washington se houver sinal verde do governo americano para retomar as negociações.

Impacto

De acordo com a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), o aumento das tarifas de importação dos EUA sobre produtos brasileiros pode impactar cerca de 10 mil empresas brasileiras que exportam para o mercado norte-americano.

Essas empresas empregam, juntas, aproximadamente 3,2 milhões de pessoas no Brasil.

Neste mês, Geraldo Alckmin destacou que empresas norte-americanas com operações no Brasil — como General Motors, Johnson & Johnson e Caterpillar — também seriam prejudicadas pela tarifa anunciada por Trump.

“Nós queremos todo mundo unido para resolver essa questão. E as empresas têm um papel importante, tanto as brasileiras, que, aliás tem empresa brasileira que tem indústria nos Estados Unidos, quanto as empresas americanas. A General Motors comemorou esse ano, participei do seu centenário no Brasil. A Johnson & Johnson tem 90 anos, a Caterpillar tem 70 anos, muitas delas exportam para os Estados Unidos”, disse Alckmin na ocasião.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, informou que a equipe econômica já está elaborando um plano de contingência para apoiar os setores que forem impactados pelo tarifaço.

“Não vamos deixar ao desalento os trabalhadores brasileiros, vamos tomar medidas necessárias”, declarou o ministro Haddad.

Fonte: G1

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Comércio Exterior

Em meio à negociação do tarifaço, senador de SC apela a Lula por contato com Trump

Esperidião Amin (PP), que participa de reuniões nos Estados Unidos para tentar reverter tarifaço, disse que contato seria “dever do presidente da República”

O senador catarinense Esperidião Amin defendeu que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) busque um contato com o presidente norte-americano Donald Trump para tentar negociar um recuo ou um adiamento no início do tarifaço de 50% sobre os produtos brasileiros, que tem entrada em vigor prevista para a sexta-feira (1º). A afirmação foi feita em um vídeo divulgado pelo senador após o primeiro dia de reuniões da missão de oito senadores que está nos Estados Unidos para tentar reverter a decisão do governo norte-americano de sobretaxar itens brasileiros.

Segundo Amin, a medida seria uma obrigação do presidente e respeitaria a confiança conquistada por empresas brasileiras no mercado norte-americano.

— Percebendo aqui as dificuldades criadas por este novelo de ideologia política, um pouco de radicalismo, é indispensável, é um dever do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, procurar um contato com o presidente Trump. É um dever. Pode não ser um prazer, mas é necessário, como homenagem aos trabalhadores, aos empresários que conquistaram confiança dos nossos compradores americanos, e agora, surpreendidos, podem ver comprometida essa confiança — afirmou.

Nos últimos dias, lideranças próximas a Lula afirmaram que o presidente teria descartado a possibilidade de uma ligação para Trump a fim de discutir o assunto, sob o entendimento de que o contato poderia ser um sinal de fraqueza. Apesar disso, o governo Lula deixou a porta aberta para negociar por meio do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que está em agenda nos Estados Unidos e aguarda uma sinalização do governo norte-americano para negociações. Na sexta-feira, Lula afirmou em um discurso que o dia em que Trump quiser conversar, o Brasil estaria “pronto e preparado para discutir”.

Amin participou das reuniões esta segunda-feira, primeiro dos três dias de missão da comissão de senadores nos Estados Unidos. A primeira reunião, com a Câmara Americana de Comércio, abordou os impactos da medida sobre a economia brasileira e também norte-americana, já que o perfil dos produtos exportados pelo Brasil rende historicamente superávits ao governo dos Estados Unidos. O grupo ainda tem agendas até a quarta-feira para tentar reverter ou pelo menos adiar a entrada em vigor do tarifaço.

Fonte: NSC Total

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