Comércio Exterior

Plano de contingência contra tarifaço deve ser anunciado até terça (12)

Alckmin teria agenda nesta segunda em São Paulo, mas cancelou para reunião com Lula em Brasília em que deve tratar de últimos detalhes das medidas

Concentrado nos esforços para tirar do papel o pacote de medidas de socorro para mitigar os efeitos do tarifaço dos Estados Unidos, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, cancelou agendas que teria em São Paulo nesta segunda-feira (11) para um “compromisso inadiável” em Brasília.

Alckmin terá uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O encontro está marcado às 17h. Mas, os ministros terão uma prévia com a Casa Civil. Têm participado dos encontros: Rui Costa (Casa Civil), Fernando Haddad (Fazenda), Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais), Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação Social) e Jorge Messias (Advocacia-Geral da União).

A expectativa é que o plano de contingência seja anunciado até terça-feira (12), seis dias após as tarifas impostas aos produtos brasileiros terem entrado em vigor.

Na capital paulista, Alckmin participaria de um congresso do agronegócio pela manhã e do lançamento de um programa de qualificação para exportações à tarde. Ele já estava em São Paulo.

De acordo com membros da equipe econômica do governo, o plano a ser apresentado foi construído “sob medida”, com diferentes ações para múltiplos setores e perfis de empresas. O pacote contará com medidas de mitigação de “curto, médio e longo prazo”, de acordo com estes governistas.

Devem fazer parte do plano linhas de crédito para setores impactados e a expansão de compras governamentais, permitindo que órgãos públicos absorvam mercadoria que deixará de ser exportada. Segundo cálculos do governo, as tarifas de 50% afetarão cerca de um terço das empresas que vendem aos EUA.

Entre as 694 isenções da tarifa, estão alguns dos itens mais importantes da pauta de exportações brasileira para os Estados Unidos, como o suco de laranja, celulose e os aviões da Embraer. Mas outros produtos importantes, como café e carne, seguem tarifados.

Fonte: CNN Brasil

Ler Mais
Economia

TARIFAÇO: Supermercados projetam queda de US$ 40,4 bilhões na economia do Brasil

O Fórum da Cadeia Nacional de Abastecimento (FCNA), que reúne associações ligadas às redes de supermercados, enviou um relatório ao governo federal para alertar sobre os impactos do tarifaço dos Estados Unidos na economia e no consumo, a partir do cenário atual de sobretaxas de 50% sobre o Brasil.

Segundo o estudo enviado pelo grupo, se não houver mudanças no médio prazo, a economia brasileira pode perder US$ 40,4 bilhões em 12 meses, o que significaria uma redução de 1,8 ponto percentual no PIB. De acordo com o relatório, essa situação derrubaria o crescimento esperado para 2025, de 3,2%, para 1,3%.

Associações ligadas a redes de supermercados apresentam lista de medidas ao governo

O estudo aponta que o setor mais exposto neste momento é a indústria de transformação, que pode ter retração de até 5,6 pontos percentuais no cenário mais grave, enquanto a agropecuária e a indústria extrativa sofreriam menos por terem maior capacidade de redirecionar commodities para outros mercados.

O documento também traça cenário de impactos negativos sobre a arrecadação federal, com perdas de até 2% no curto prazo, além de pressão sobre o emprego.

Sem medidas de fomento ao mercado interno, projeta-se uma redução de 179 mil postos de trabalho no curtíssimo prazo (até seis meses após a entrada em vigor da tarifa), até 287 mil postos no médio prazo (18 a 36 meses).

“O FCNA manifesta sua profunda preocupação com os impactos econômicos e sociais potenciais, em especial sobre setores que lideram as exportações brasileiras de alimentos, bebidas e insumos industriais, como café, carnes, frutas e derivados agroindustriais”, afirma o documento, que foi enviado na quinta-feira (8) ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de oito ministros.

Para enfrentar o choque, o Fórum das associações propõe um conjunto de medidas para fortalecer o mercado interno. Entre elas, menciona a necessidade de antecipar a vigência da cesta básica nacional de alimentos com isenção tributária total.

O setor pede, ainda, “aceleração da redução da taxa Selic e ampliação do crédito produtivo”, além de “desoneração e simplificação das contratações formais, com foco nas pequenas e médias empresas”.

As demandas também incluem a criação de um programa emergencial de apoio aos setores mais impactados, com refinanciamento de passivos e compra pública de excedentes de produção, além de “medidas fiscais estruturantes, com foco no equilíbrio orçamentário”.

Segundo o Fórum, se as ações forem adotadas de forma coordenada, será possível neutralizar grande parte dos efeitos recessivos e de perda de empregos provocados pelo tarifaço.

Apesar do cenário traçado pelo setor, a imposição de tarifa de 50% feita por Donald Trump não causou uma mudança significativa nas expectativas dos economistas ouvidos pelo Banco Central para os principais índices da economia nacional.

O boletim Focus da segunda-feira (4) apresentou uma queda na previsão para a inflação e manteve a perspectiva para o PIB (Produto Interno Bruto), o dólar e a taxa de juros deste ano.

A expectativa para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) caiu pela décima semana seguida, indo de 5,09% para 5,07%. Os analistas também reduziram o IPCA de 2026 para 4,43%, uma diminuição de 0,01 ponto percentual em relação à semana passada. Já a expectativa para 2027 e 2028 segue em 4% e 3,8%, respectivamente.

Com isso, o mercado manteve a expectativa que a inflação fique no limite da meta no próximo ano. O objetivo é alcançar uma alta de preços anual de 3%, com variação de 1,5% para cima ou para baixo.

Além da inflação, o outro índice que teve alteração na comparação com o último boletim foi o PIB, que teve uma redução em 2026 (de 1,89% para 1,88%) e 2027 (de 2% para 1,95%). Neste ano, a perspectiva é que o crescimento econômico seja de 2,23%, patamar mantido pela quarta semana consecutiva.

O documento é endossado por 15 instituições:

Abras (Associação Brasileira de Supermercados), Abad (Associação Brasileira dos Atacadistas e Distribuidores), Abag (Associação Brasileira do Agronegócio), Abia (Associação Brasileira da Indústria de Alimentos), Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café), Abipla (Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Higiene, Limpeza e Saneantes), Abir (Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas Não Alcoólicas), ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), Abralatas (Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alumínio), Abralog (Associação Brasileira de Logística), Abramilho (Associação Brasileira dos Produtores de Milho), Abre (Associação Brasileira de Embalagem), Andav (Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários), ANR (Associação Nacional de Restaurantes) e CropLife Brasil (Associação de Pesquisa e Desenvolvimento de Soluções para a Produção Agrícola Sustentável).

Fonte: Blog do BG

Ler Mais
Comércio Exterior

Nova Tarifa sobre Mercadorias “Transbordadas” Deixa Importadores Perplexos

O governo Trump impôs uma tarifa pesada sobre mercadorias que são movimentadas através de outros países, mas ainda não explicou totalmente seus planos.

À medida que as tarifas globais do presidente Trump entram em vigor, um elemento importante permanece obscuro: como o governo tratará mercadorias e materiais que passam por mais de um país antes de chegar aos Estados Unidos?

O novo conjunto de tarifas inclui uma taxa para cada país. Mas também há uma cláusula para mercadorias que são “transbordadas” (isto é, enviadas de um país para outro com o objetivo de obter uma tarifa mais baixa). Essas enfrentam uma cobrança extra de 40%, numa tentativa de evitar que produtos chineses sejam transferidos — ou, na visão de autoridades do governo e de outros críticos, “lavados” — por países sujeitos a tarifas mais baixas.

Aqui está a parte confusa: já é ilegal declarar que algo tem origem, por exemplo, no Vietnã quando, na verdade, foi fabricado na China. Então, por que uma tarifa se aplicaria a algo que já não deveria acontecer?

“Os importadores estão coçando a cabeça”, disse Stephen Lamar, diretor executivo da Associação Americana de Vestuário e Calçados. “As novas regras, que parecem legalizar — mas taxar — atividades de transbordo atualmente proibidas, contradizem o bom senso da aplicação da lei.”

Alguns profissionais da cadeia de suprimentos estão se perguntando se o governo Trump, na verdade, pretende algo bem diferente: taxar com uma tarifa mais alta todos os materiais originários da China, mesmo que façam parte de um produto montado em outro país antes de ser exportado para os Estados Unidos. Isso teria grandes implicações na configuração das cadeias de fornecimento e, em última análise, nos custos para os consumidores.

Um porta-voz da Casa Branca confirmou que, além da penalidade de 40% sobre mercadorias que forem identificadas como transbordadas, o governo está “explorando” novas regras para aplicar tarifas mais altas sobre componentes que vêm de um país, são incorporados em um produto em outro, e depois enviados aos Estados Unidos.

“O governo tem tolerância zero com o transbordo e outras formas de minar nossas tarifas, e estamos trabalhando em estreita colaboração com nossos parceiros comerciais para lidar com essas preocupações de forma proativa”, disse o porta-voz, Kush Desai.

Enquanto isso, advogados especializados em comércio e profissionais da cadeia de suprimentos estão operando no escuro. Muitos disseram ter buscado esclarecimentos junto ao Escritório do Representante Comercial dos EUA, sem receber respostas satisfatórias.

“O grande problema que todos nós estamos enfrentando é que não há uma definição clara do que está acontecendo”, disse Marc Busch, professor de diplomacia de negócios internacionais na Escola de Serviço Exterior da Universidade de Georgetown. “Não sabemos como isso será avaliado. Não sabemos se esses requisitos se parecem com o que estamos acostumados a ver em acordos comerciais reais e legítimos.

A prática do transbordo, como é geralmente entendida, tornou-se mais comum durante o primeiro governo Trump, quando o presidente impôs tarifas mais altas à China. Pode ser difícil para os agentes da Alfândega e Proteção de Fronteiras identificar mercadorias que passaram por outros países para esconder sua verdadeira origem, mas quando essas remessas são detectadas, os produtos estão sujeitos a penalidades.

Cobrar tarifas diferentes para componentes ou partes de um produto acabado é mais complexo. Acordos comerciais frequentemente levam em conta materiais que vêm de fora dos países signatários. O Acordo EUA-México-Canadá, por exemplo, possui “regras de origem” que definem quanto de um produto deve ser proveniente da América do Norte para cruzar as fronteiras sem tarifas.

Esse tipo de regra precisa geralmente exige anos de negociações e programas extensivos de conformidade, para que as empresas compreendam de onde vêm os componentes — e possam provar isso. Muitas empresas não sabem o suficiente sobre quais países fornecem as matérias-primas e peças de seus produtos porque, até agora, muitas vezes, não precisavam saber.

“Essas coisas sempre acabam sendo ‘boas o suficiente’ para os propósitos”, disse Simon Ellis, que lidera estratégias de cadeia de suprimentos na consultoria IDC. “Se, com as tarifas, de repente houver uma pressão clara de custo para obter informações melhores, as empresas vão aprimorar suas ferramentas.”

Essa pressão de custo pode chegar rapidamente. Uma ordem executiva assinada por Trump determina que os agentes alfandegários não podem permitir “mitigação ou remissão” das tarifas sobre mercadorias transbordadas — ou seja, não devem ser tolerantes. O Departamento de Justiça também criou uma unidade antifraude para investigar a evasão de tarifas com punições criminais.

Se o governo Trump realmente passar a cobrar tarifas mais altas sobre componentes vindos da China ou de outros países, pode levar anos até que os fabricantes encontrem fontes alternativas. Países do Sudeste Asiático se tornaram especialistas em montar produtos feitos com tecidos, fiações, chips, produtos químicos e outros materiais oriundos da China. Estabelecer novas fábricas é uma tarefa complexa.

Por enquanto, muitas empresas estão tentando administrar a situação da melhor forma possível.

“Acho que as pessoas não vão sair correndo em círculos, porque tudo pode mudar com um post”, disse Mark Burstein, vice-presidente sênior da Inspectorio, uma plataforma de gestão de cadeia de suprimentos, referindo-se ao hábito de Trump de anunciar diretrizes políticas nas redes sociais.

Em vez disso, segundo Burstein, seus clientes estão fazendo pedidos menores com mais frequência, para absorver as tarifas em parcelas menores — em vez de fazer grandes pagamentos de uma vez só ao governo dos EUA. Importadores também estão buscando materiais mais baratos para poder entregar um produto similar sem aumentar muito os preços.

Outra estratégia é transferir a responsabilidade o máximo possível para os elos inferiores da cadeia de suprimentos. As marcas que vendem produtos nos Estados Unidos podem exigir que os fornecedores assinem contratos assumindo os custos extras.

“Você vai querer uma cláusula legal que diga algo como: ‘Se você transbordar, será responsável pela tarifa de 40%’”, disse Jonathan Eaton, consultor de cadeias de suprimento da Grant Thornton, empresa de contabilidade e consultoria.

Enquanto o governo Trump ainda define o que fazer com materiais e peças vindos de terceiros países, Sally Peng, diretora sênior da FTI Consulting em Hong Kong, espera que isso seja feito com cautela.

Ela trabalha com muitos fabricantes de roupas que, no momento, sabem muito pouco sobre o que terão que pagar pelos materiais que compram da China. Não faz muito sentido fazer mudanças drásticas até que fique claro como o governo dos EUA definirá “transbordo”.

“Tem gente me dizendo: ‘Enquanto a regra não for clara, vou continuar na China’”, disse Peng. “Tenho certeza de que não é isso que o governo quer.”

Fonte: The New York Times

Ler Mais
Comércio Exterior

5 empresas que já sofrem graves perdas com o tarifaço de Trump contra o Brasil

Dificuldade para redirecionar mercadorias, redução de vendas e risco de demissões tiram o sono de negócios que vendem para os Estados Unidos

A entrada em vigor do tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil, na quarta-feira, 6, já causa prejuízos palpáveis – e, em muitos casos, dramáticos – para empresas que exportam seus produtos para lá. Os impactos são vistos em diversos setores – do agronegócio aos fabricantes de máquinas e equipamentos – e atingem negócios de todos os portes – de pequenas empresas a gigantes da economia brasileira.

A inclusão de quase 700 itens na lista de exceções representa um alívio para cerca de 40% das exportações do Brasil para o mercado americano, mas uma série de negócios foram atingidos em cheio. É o caso, principalmente, do agronegócio, uma vez que pescados, carne bovina, frutas e café estão entre os produtos que agora pagam uma tarifa de 50% para entrar no mercado norte-americano.

Produtos produzidos sob medida para os EUA, atendendo a requisitos específicos desse mercado, também estão entre os grandes perdedores. Veja algumas empresas de diferentes portes e áreas de atuação que já enfrentam fortes impactos em suas operações:

Frescatto

Fornecedora de peixes e lagostas congeladas para os Estados Unidos, a Frescatto correu para despachar o máximo de mercadoria possível antes da entrada em vigor do tarifaço — um movimento que custou caro para a empresa. Em uma das vendas que estava em andamento em julho, a Frescatto teve que oferecer um desconto de 40% ao comprador americano para salvar o negócio. A companhia absorveu todo o impacto negativo e saiu no prejuízo nesse caso. Novas condições de venda foram negociadas com fornecedores e clientes da empresa, de modo que cada um vai absorver uma parte do impacto, mas a expectativa é de queda expressiva nas vendas aos EUA. “Estamos fazendo testes com volumes muito menores”, diz Rafael Barata, diretor de comércio exterior da Frescatto. A empresa busca  agora mercados alternativos ao americano para preservar sua frente de exportação. Diversificar destinos leva tempo, mas se mostra necessário. “Nossa visão é que a tarifa inviabiliza as vendas aos EUA no longo prazo”.

Ibacem

A Ibacem é a maior exportadora brasileira de mangas para os Estados Unidos. A empresa familiar foi fundada em 1986, em Juazeiro (BA), e é um caso de sucesso da agricultura do Vale do São Francisco. Recentemente, tem exportado mais de 16 milhões de toneladas de manga anualmente para diversos países. Apesar da manga ser uma commodity, não é tão fácil direcionar o produto que seria vendido aos americanos para outras regiões, já que o volume é muito grande, de modo que a colheita que começa neste mês de agosto e termina em outubro, a princípio, seria quase toda direcionada ao país. O envio nessa escala está totalmente inviabilizado pela taxação. “Vamos embarcar um volume mínimo para os Estados Unidos”, diz Nelson Costa Filho, presidente da Ibacem. O executivo conta que o tarifaço gera um desequilíbrio geral nos preços, pois as frutas que serão redirecionadas para outros mercados como o europeu criarão uma sobreoferta, agravando os prejuízos.

Soul Brasil

A produtora de geleias, pimentas e molhos Soul Brasil Cuisine tinha grandes planos para os Estados Unidos, mas eles foram frustrados pelo tarifaço — e a empresa colhe o prejuízo. A Soul abriu um escritório no país de Trump no início do ano para começar a operar por lá. A ideia era enviar um primeiro carregamento de 50 000 dólares neste mês de agosto, mas a ação foi suspensa. “Conseguimos revender uma parte da carga para a Holanda, enquanto a outra parte simplesmente deixará de ser produzida”, diz Peter Feddersen, sócio da empresa. Os americanos não vão ter amplo acesso às geleias de frutas típicas brasileiras tão cedo. Segundo a Associação Nacional da Micro e Pequena Indústria (Simpi), cerca de 3 000 de suas empresas associadas exportam diretamente para os Estados Unidos — e a maioria delas está reportando cancelamentos de encomendas, segundo o presidente do Simpi, Joseph Couri. “Nossa orientação é que negociem ao máximo com seus clientes para manter as vendas sem perder dinheiro e que, ao mesmo tempo, busquem outros mercados”, diz.

Leardini Pescados

Apesar da Leardini Pescados vender seus produtos para diversos países, redirecionar parte das exportações agora taxadas pelos Estados Unidos não é uma tarefa fácil. Os americanos têm uma alta demanda por produtos como lagosta e atum, de preço mais elevado, o que restringe a busca por outros compradores. O mercado brasileiro não tem capacidade de absorver a oferta, o que é a principal preocupação da empresa catarinense. O sócio Attilio Leardini alerta para uma possível perda de empregos “de proporções monumentais” no setor se nada mudar no médio prazo. A Associação Brasileira das Indústrias de Pescado (Abipesca), que representa 90% das exportações nacionais do produto, incluindo as da Leardini, compartilha da mesma preocupação e pede que o governo federal ajude o setor. “(Uma linha de crédito emergencial) é crucial para evitar um colapso imediato e dar fôlego até que se encontre uma solução duradoura”, disse a associação em um comunicado.

Forbal

A confiança que o setor privado depositou nos Estados Unidos ao longo de décadas agora cobra um preço alto de muitos negócios. A gaúcha Forbal, que fabrica peças para tratores e máquinas agrícolas, tem boa parte da produção feita sob medida para o mercado americano, inviabilizando a revenda para outras regiões em meio ao tarifaço. A empresa ainda tenta vender as peças, mas a taxação dificulta acordos. “Alguns clientes americanos perderam o interesse em negociar conosco, devido ao aumento do custo”, diz Giuliano Santos, presidente da Forbal. A empresa dobrou a aposta nos Estados Unidos ao inaugurar um centro de distribuição em Tampa, no estado da Flórida, em março deste ano — menos de um mês antes de o presidente americano, Donald Trump, anunciar tarifas recíprocas contra uma série de países e, três meses depois, a alíquota elevadíssima contra o Brasil. Antes da guinada protecionista, a Forbal queria aumentar a participação de suas exportações no faturamento de 14% para 50% em três anos. A estratégia teve que ser totalmente reavaliada.

Fonte: Veja

Ler Mais
Comércio Exterior

Análise: Demora do governo acirra tensão do tarifaço

Analista de Política Clarissa Oliveira avaliou no Live CNN que a ausência de medidas de contingência para enfrentar a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros gera insegurança no empresariado e críticas ao governo federal

A ausência de um plano de contingência do governo para enfrentar a tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais tem gerado apreensão no setor produtivo. Em vigor deste a última quarta-feira (6), a taxa afeta diversos segmentos da economia, criando um cenário de incertezas para empresários e produtores. A análise é de Clarissa Oliveira no Live CNN.

Havia expectativas de que o governo apresentasse medidas na última semana. Entretanto, a falta de ações tem intensificado as tensões tanto no setor produtivo quanto no meio político, gerando críticas sobre a capacidade de resposta do governo diante de adversidades econômicas.

Impactos e possíveis medidas

As empresas afetadas pelo tarifaço do presidente Donald Trump aguardam definições sobre possíveis linhas de crédito e outras formas de auxílio. Entre as medidas em discussão, cogita-se o aproveitamento de parte da produção excedente para programas governamentais, como o reforço de merendas escolares e parcerias com prefeituras.

Porém, o governo justifica que há cautela na elaboração do plano de contingência, citando a necessidade de não superdimensionar a ajuda e garantir mecanismos eficientes de controle. A preocupação com o impacto fiscal das medidas também é um fator relevante, considerando experiências anteriores com programas de auxílio que se expandiram além do planejado.

Perspectivas de negociação entre Brasil e EUA

Há expectativa em relação a uma reunião programada para a próxima semana entre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), e o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent.

No entanto, as empresas têm um limite de tempo para aguardar definições antes de precisarem tomar medidas para conter prejuízos, o que pode impactar empregos e gerar insegurança no mercado brasileiro.

Fonte: CNN Brasil

Ler Mais
Mercado Internacional

Rússia e Índia falam em “parceria estratégica” após aumento de tarifas de Trump

Rússia e Índia enfatizaram seu compromisso com uma “parceria estratégica” em conversas bilaterais de segurança em Moscou nesta quinta-feira, um dia depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou tarifas mais altas sobre as importações da Índia por causa de suas compras de petróleo russo.

De acordo com a agência de notícias Interfax, o assessor de segurança nacional da Índia, Ajit Doval, disse que Nova Délhi espera por uma visita do presidente Vladimir Putin até o final do ano.

Na reunião de Doval com Sergei Shoigu, secretário do Conselho de Segurança da Rússia, ambos os lados enfatizaram a importância das relações entre os países.

A imposição de Trump de uma tarifa adicional de 25% sobre os produtos da Índia, que entrará em vigor em 28 de agosto, sinaliza a mais séria queda nas relações EUA-Índia desde o retorno dele ao cargo em janeiro, ameaçando interromper o acesso da Índia ao seu maior mercado de exportação.

“Estamos comprometidos com uma cooperação ainda mais ativa para formar uma nova, mais justa e sustentável ordem mundial, garantir a supremacia do direito internacional e combater conjuntamente os desafios e ameaças modernos”, disse Shoigu a Doval em comentários televisionados.

Segundo a Interfax, Doval afirmou: “Estabelecemos agora relações muito boas, que valorizamos muito, uma parceria estratégica entre nossos países”.

Índia e China se tornaram os principais compradores de petróleo russo desde que Moscou lançou sua invasão em grande escala na Ucrânia em fevereiro de 2022, precipitando os esforços ocidentais para sufocar a economia russa.

Trump ameaçou tomar medidas contra os países que compram petróleo russo antes de anunciar a nova tarifa sobre os produtos indianos, que elevou o imposto total para 50%.

Na terça-feira, o Kremlin acusou os Estados Unidos de exercerem pressão comercial ilegal sobre Nova Délhi, dizendo que a Índia tem o direito de negociar com quem quiser.

As refinarias estatais da Índia interromperam as compras de petróleo russo à medida que os descontos diminuíram e Trump alertou os países a não comprarem o petróleo de Moscou, disseram fontes do setor. As refinarias privadas Reliance Industries e Nayara são os principais clientes de petróleo da Rússia na Índia, segundo dados comerciais.

Uma autoridade indiana familiarizada com o assunto disse que Doval discutiria as compras de petróleo russo pela Índia durante sua visita a Moscou. Ele também deve discutir a colaboração em defesa da Índia com a Rússia, segundo a autoridade.

A Índia assinou um acordo de US$5,5 bilhões com a Rússia em 2018 para cinco sistemas de mísseis terra-ar de longo alcance S-400 Triumf, que Nova Délhi diz precisar para combater uma ameaça da China.

Mas as entregas dos sistemas foram atrasadas várias vezes. Espera-se que Moscou entregue unidades dos dois últimos sistemas S-400 à Índia em 2026 e 2027.

Fonte: Reuters

Ler Mais
Comércio Exterior

Dependência de fertilizantes russos deixa Brasil vulnerável a mais taxações dos EUA

O Brasil pode ser alvo de novas taxas dos Estados Unidos por comprar fertilizantes da Rússia, seu principal fornecedor.

Os fertilizantes químicos funcionam como um tipo de adubo, usado para preparar e estimular a terra para o plantio.

O presidente Donald Trump aplicou uma tarifa adicional à Índia nesta quarta-feira (6) por comprar petróleo dos russos. Segundo ele, isso contribui “para a manutenção da guerra contra a Ucrânia”.

Com a nova taxa, a tarifa total aplicada à Índia subiu para 50% — empatando com a do Brasil e deixando o país asiático entre os mais taxados por Trump.

Ainda na quarta-feira, Trump declarou que mais tarifas podem ser impostas.

Se o Brasil for alvo de algo semelhante, a produção de alimentos no Brasil pode ser afetada, com aumento nos custos para o agricultor e o consumidor, diz o consultor Carlos Cogo.

Segundo o especialista, a dependência da importação do Brasil torna o país “vulnerável” a esses tipos de aumento.

No mercado de fertilizantes, existem três insumos que são os mais relevantes, que formam o NPK, aponta Cicero Lima, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV AGRO). São eles:

o nitrogênio (N), que o Brasil importa 95%;

o fosfato (P), o qual 75% é comprado no exterior;

e o potássio (K), com 91% vindo de fora do país.

Cogo aponta os principais motivos que explicam essa dependência. Veja abaixo.

➡️Faltam matérias-primas: no país, não há muitas reservas de componentes que são fundamentais para a produção dos fertilizantes, principalmente nitrogênio e potássio.

O potássio, por exemplo, está concentrado em países como Canadá, Rússia e Bielorrússia, que dominam o mercado mundial.

Já a indústria nacional de nitrogenados é pequena, porque a produção exige gás natural barato. Assim, perde competitividade frente a países como EUA, Rússia e Catar.

No caso do fosfato, as reservas têm qualidade inferior e são mais caras de explorar.

➡️Demanda grande: a produção nacional não consegue atender tudo o que a agricultura brasileira consome de fertilizante.

Apesar de ser grande produtor de alimentos, o Brasil tem solo pobre em nutrientes. Por isso, precisa de adubação frequente para manter a produtividade. Saiba mais abaixo.

Essa procura por fertilizante vem, principalmente, de produtos como a soja, milho, café e cana-de-açúcar.

➡️ Altos custos: importar sai mais barato, porque a logística no Brasil é cara e a infraestrutura é limitada, aponta Cogo.

O Brasil tem um Plano Nacional de Fertilizantes, criado em 2022. A meta é produzir entre 45% e 50% do insumo que o país consome até 2050.

Para isso, o governo pretende gastar mais de R$ 25 bilhões até 2030, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária.

Para o consultor Cogo, são necessários grandes investimentos, incentivos e infraestrutura para aumentar a produção.

Dá para trocar de fornecedor?

A Rússia é o 2° maior produtor mundial de fertilizantes potássicos e nitrogenados e o 4° maior de fosfatados. Em 2024, o país foi o principal fornecedor desses insumos para o Brasil, sendo, de acordo com a consultoria Cogo:

53% de fosfato monoamônico (que fornece nitrogênio e fósforo às plantas);

40% de cloreto de potássio;

20% de ureia.

“É um volume muito grande para que qualquer outro fornecedor consiga atender à demanda do Brasil”, diz Lima.

Trocar a Rússia no fornecimento desses componentes para o Brasil não seria rápido, aponta Cogo. Isso porque seria necessário fazer uma reestruturação logística das compras e realizar negociações diplomáticas para fechar novos acordos e abrir mercados.

Entre as alternativas possíveis de novos vendedores, o Brasil poderia ampliar parcerias com Canadá, Marrocos, Nigéria e outros países do Oriente Médio, afirma Cogo.

Mas ele alerta que outros países também buscam evitar sanções e podem disputar os mesmos fornecedores.

Por que o Brasil consome tanto fertilizante?

O Brasil é o 4° maior consumidor de fertilizantes do mundo. Isso acontece porque o solo do país é quimicamente pobre em nutrientes, principalmente no Cerrado, afirma Cogo.

Segundo o consultor, a região tem baixa disponibilidade de elementos essenciais, como fósforo e potássio, além de ter elevada acidez.

Somado a isso, está o clima tropical do país. O Brasil sofre com chuvas intensas, que favorecem a lixiviação, processo em que os nutrientes são rapidamente perdidos do solo.

É diferente do que acontece em países de clima temperado, onde a terra é naturalmente mais fértil e as perdas são menores.

A agricultura intensiva também aumenta a necessidade de fertilizantes. Ela permite várias safras por ano, o que exige reposição constante de nutrientes.

Os cultivos que são voltados para a exportação, como a soja, o milho, a cana-de-açúcar, o café e o algodão, exigem muitos nutrientes. Portanto, precisam de grandes volumes de adubos químicos para manter produtividade.

Fonte: G1

Ler Mais
Comércio Exterior

Governo deve anunciar medidas de apoio a empresas alvo das tarifas americanas

Diversificação de mercados; Encontro do PSD e outros destaques

O governador Jorginho Mello (PL) deve anunciar na próxima semana um pacote de medidas em apoio às empresas catarinenses que serão impactadas pelo tarifaço dos Estados Unidos. O aumento das tarifas afetará setores estratégicos, o que fez com que o governo montasse uma verdadeira força-tarefa com as principais secretarias da sua área econômica. 

A Federação das Indústrias (Fiesc) tem auxiliado na elaboração das propostas, trocando informações com o governo e mantendo contato com a Confederação Nacional da Indústria em busca de dados sobre os impactos. Um escritório de advocacia americano também está prestando informações sobre o cenário. A ideia principal é manter os empregos, pelo menos por um período, para evitar a queda da renda no Estado. As pessoas ouvidas pela coluna deixaram a impressão de que o conceito está pronto; o que falta são os números. 

A força-tarefa é composta por técnicos da Secretaria de Estado da Fazenda, junto com as secretarias de Indústria, Comércio e Serviços; Planejamento; Agricultura; Articulação Internacional; Badesc, BRDE e a InvestSC. A proposta, que deve ser concluída até amanhã, contempla três frentes principais: 

Apoio financeiro e fiscal – A ideia é dar um alívio imediato para as empresas impactadas pela nova tarifação. Entre as propostas que serão apresentadas ao governador, está a criação de linhas de crédito emergenciais com prazos mais estendidos, carência e taxas reduzidas. A operação ficará por conta do Badesc e do BRDE. Também deve entrar no pacote a ampliação ou reestruturação de programas estaduais já existentes, focando nas empresas exportadoras. 

As empresas, caso os estudos apontem que é possível e Jorginho Mello aprove as propostas, poderão contar com incentivos fiscais temporários e mecanismos de diferimento de tributos. Ou seja, as empresas que compram insumos para exportação ou industrialização deixarão de pagar o ICMS por um período, o que, na opinião das fontes, aliviará o fluxo de caixa. Na prática, não se trata de uma isenção, mas de um retardo no recolhimento do imposto. A antecipação da devolução de crédito de ICMS também está na mesa de discussão. 

Diversificação de mercados

A Secretaria de Articulação Internacional e a InvestSC trabalharão para identificar novos mercados para os produtos catarinenses que ficarão represados por conta do aumento das tarifas dos EUA. “A ideia é promover ações de diplomacia comercial e inteligência de mercado para reorientar parte das exportações atingidas”, relatou uma fonte. 

Para atender às empresas e reduzir os impactos, está sendo feito um mapeamento e diagnóstico técnico para identificar quais serão diretamente impactadas. A ideia é construir um retrato dos prejuízos, permitindo que o pacote seja direcionado com mais precisão às reais necessidades de quem for atingido. 

O que pode atrasar um pouco o anúncio é o fato de que o governo ainda não sabe quais produtos foram excluídos da taxação. A grande preocupação, por exemplo, é com a madeira, que representa um percentual muito grande no volume de exportações. O formato do plano dependerá dos possíveis prejuízos que esse setor, em específico, terá. 

Complementação 

Outro ponto importante é que o Governo do Estado pretende realizar ações que complementem as que serão realizadas pelo Governo Federal. Porém, há uma ideia de que, se não houver um anúncio de Brasília a curto prazo, o plano para Santa Catarina será colocado em prática e revisto quando houver alguma iniciativa federal. 

Balanço da missão 

O senador Esperidião Amin (Progressistas) participou ontem de audiência com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), para apresentar um balanço da missão oficial de senadores aos Estados Unidos, liderada por Nelsinho Trad (PSD). O encontro tratou das tensões comerciais entre os dois países, agravadas pela compra de petróleo russo pelo Brasil.

Segundo Amin, parlamentares democratas e republicanos sinalizaram a aprovação de uma lei, entre agosto e setembro, que poderá punir países que mantêm relações comerciais com a Rússia. O Brasil, que importa óleo diesel e defensivos agrícolas russos, pode ser diretamente afetado. 

Impacto 

De acordo com o senador Esperidião Amin (Progressistas), a possível lei americana que poderá punir com mais taxas países que compram, principalmente, petróleo russo, poderá afetar fortemente Santa Catarina. 

“Isso é muito grave. Óleo diesel é vital para a nossa economia, assim como os defensivos para a competitividade do agro”, alertou Amin. O senador também demonstrou preocupação com as exportações de Santa Catarina, como madeira, pescado, compressores e motores elétricos, que ainda enfrentam barreiras tarifárias. 

Selecionando a imprensa? 

Uma novidade na comunicação do prefeito de Florianópolis, Topázio Neto (PSD), como presidente da Fecam. Em agenda hoje, no Oeste, para a chamada “Rota Municipalista”, ele estará em Chapecó para se reunir com os prefeitos dos municípios da região da Amosc, em encontro que terá início às 08h30. Procurada por veículos interessados em uma entrevista com Topázio, a assessoria pediu foto dos jornalistas que farão a entrevista, uma biografia e, pasmem, o posicionamento político. Nem em cobertura presidencial se pede o posicionamento político do jornalista, que é algo irrelevante. Um verdadeiro ataque ao jornalismo livre. 

Encontro do PSD 

O PSD realizará na próxima segunda-feira (11), no Expocentro de Balneário Camboriú, mais um Encontro Estadual do partido. Entre as presenças confirmadas, o presidente da Assembleia Legislativa, Júlio Garcia; o prefeito de Chapecó e pré-candidato ao Governo do Estado, João Rodrigues; e o governador do Paraná e pré-candidato à Presidência da República, Ratinho Júnior. O início está marcado para as 19h30 e terá como anfitriã a prefeita Juliana Pavan. Deputados estaduais e federais, além de prefeitos e vereadores, também são esperados. Entre os temas da pauta, estão o bem-estar animal, políticas públicas para as mulheres e o fortalecimento da família. “O PSD está ampliando sua presença e relevância em temas que fazem diferença na vida dos catarinenses”, afirmou o presidente estadual, Eron Giordani. 

Alesc Itinerante 

A forte presença de representantes da sociedade civil, prefeitos, vereadores e entidades foi um dos pontos altos da edição do programa Alesc Itinerante, realizada nesta semana em Mafra. O presidente da Assembleia Legislativa, Júlio Garcia (PSD), destacou o envolvimento da população como essencial para o sucesso da iniciativa. “Foram quase 100 vereadores, uma dezena de prefeitos, diversas entidades. Tivemos também o acompanhamento da juventude, com a presença das câmaras mirins”, comentou, mencionando a participação de jovens parlamentares de Mafra, São Bento do Sul e Itaiópolis. Segundo Garcia, o objetivo é justamente aproximar o Legislativo da sociedade. “O que tem de mais importante nessa aproximação é a participação da sociedade, como vimos aqui em Mafra”, concluiu. 

Quinto 

A advogada Giane Bello oficializou sua candidatura ao Quinto Constitucional da OAB, para disputar uma vaga no Tribunal de Justiça. Com quase 30 anos de atuação, Giane destacou o compromisso com a transparência e com o diálogo igualitário entre os profissionais. “Coloco meu nome à disposição com o propósito de servir e bem representar a classe junto ao Poder Judiciário”, afirmou.

A advogada foi diretora da Caixa de Assistência dos Advogados e conselheira estadual, com atuação na reformulação da tabela de honorários e em ações de proteção à advocacia. Após sofrer agressão no exercício da profissão, foi uma das responsáveis pela elaboração do projeto de lei que tramita no Senado e propõe medidas de proteção para advogados.

Fonte: Guararema News

Ler Mais
Comércio Exterior

Tarifaço de 50% dos EUA ameaça um mercado de US$ 3,7 bilhões no Brasil

Os produtos florestais lideram as exportações para os EUA. Desses, cerca de US$ 1,7 bilhão vem dos estados do Sul. Só no Paraná, cerca de 40 mil empregos estão ameaçados

A decisão do presidente Donald Trump de aplicar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros impacta diretamente o setor de base florestal, com efeitos severos sobre os estados da Região Sul, em especial o Paraná — maior produtor brasileiro de madeira de pinus.

A nova tarifa entrou em vigor nesta quarta-feira, 6, e incide sobre itens como madeira serrada, painéis, portas, móveis e molduras produzidos de florestas plantadas de pinus e eucalipto. Segundo dados do setor, os produtos florestais lideram as exportações do agronegócio para os Estados Unidos, somando US$ 3,7 bilhões por ano — dos quais cerca de US$ 1,7 bilhão é originado da Região Sul.

“É uma notícia muito ruim. Justamente no que o Paraná é bom, onde se destaca, vamos ser taxados de forma muito forte e veemente”, afirma Fabio Brun, presidente da Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (APRE Florestas). O executivo também alerta para o risco de fechamento de postos de trabalho e paralisação de operações em larga escala.

“Só no Paraná cerca de 40 mil empregos estão ameaçados”, afirma o presidente.

Dependência crítica do mercado americano

A dependência do setor florestal brasileiro em relação ao mercado americano é evidente. No caso das molduras produzidas no Paraná, 98% das exportações — o equivalente a US$ 102 milhões entre janeiro e junho de 2025 — têm como destino os EUA. O mesmo ocorre com as portas de madeira: 96% da receita (US$ 34 milhões de um total de US$ 35 milhões) vem do país.

Em produtos como compensados de pinus e madeira serrada, a dependência é um pouco menor, mas ainda significativa: 33% das exportações desses itens são destinadas aos Estados Unidos.

Impacto imediato: retração e férias coletivas

Antes mesmo da publicação oficial da medida, empresas do setor já haviam adotado estratégias para conter os impactos: suspenderam os envios aos Estados Unidos, reduziram estoques e implementaram férias coletivas para evitar demissões.

“A exportação para os Estados Unidos representa volumes que não podem ser redirecionados de forma rápida a outro mercado. Buscar novos compradores é um trabalho de médio prazo e, muitas vezes, exige redução de preços”, afirma Brun.

Uma das empresas que adotaram férias coletivas foi a Braspine, empresa do Paraná que fabrica molduras de madeira, que decidiu no começo do mês adotar férias coletivas de 30 dias para 1,5 mil funcionários nas unidades de Jaguariaíva e Telemaco Borba .

“Essa turma de funcionários é toda da operação e será dividida em dois grupos, um deles sai de férias, e depois o outro sai. A ideia é manter as unidades em operação porque temos compromissos com os nossos clientes”, diz a fonte da empresa.

Celulose escapa da tarifa

Alguns produtos importantes para o setor ficaram de fora da nova tarifa. Entre eles, a celulose química (solúvel, soda, sulfato, sulfito), celulose semiquímica e a celulose feita de papel reciclado ou bambu — insumos não produzidos nos EUA e utilizados na fabricação de itens como papel higiênico e guardanapos.

Também escapou o ferro-gusa produzido com carvão vegetal, que integra a cadeia das florestas plantadas e substitui insumos de origem fóssil.

Setor florestal: motor do agro e da economia do Sul

O setor de base florestal é um dos líderes das exportações do agronegócio, como tem forte capilaridade no interior do país, especialmente no Sul. O Paraná concentra metade da produção nacional de pinus e é responsável por 15% dos empregos diretos no setor florestal.

“Estamos falando de uma cadeia produtiva bem diversificada. Além da atividade econômica, essas indústrias mantêm projetos sociais e de saúde. Ou seja, a área social também poderá ser bastante afetada com essa retração”, afirma o presidente da APRE.

Contradição com os compromissos climáticos

A medida é vista com perplexidade pelo setor, especialmente por ocorrer em um momento em que as florestas plantadas ganham destaque global como solução sustentável para o enfrentamento das mudanças climáticas. A madeira proveniente dessas florestas é considerada renovável e menos intensiva em carbono.

“O setor de base florestal plantado é hoje um dos pilares da sustentabilidade global. É difícil entender por que estamos sendo penalizados dessa forma, em um movimento que não tem base técnica, comercial ou regulatória, mas sim política”, critica Brun.

Setor pede por apoio emergencial

Nos próximos dias, a associação deve apresentar ao governo do Paraná uma série de pleitos, incluindo:

  • Liberação de linhas de financiamento subsidiadas via BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul) para pagamento da folha de funcionários;
  • Antecipação dos créditos de ICMS para exportadores de madeira;
  • Criação de programas estaduais de incentivo ao uso da madeira.

A expectativa, segundo o CEO da APRE Florestas, é que o governo estadual e o federal atuem com urgência para proteger essa cadeia do agronegócio. “Precisamos garantir empregos, renda e competitividade em meio à crise gerada pela tarifa dos EUA”.

Fonte: Exame

Ler Mais
Comércio Exterior

Tarifaço dos EUA atinge 77,8% das exportações brasileiras, diz CNI

Nesse universo, segundo a Confederação Nacional da Indústria, 45,8% dos produtos estão submetidos a tarifas de 40% ou 50%

Dados da CNI mostram que o tarifaço imposto por Donald Trump ao Brasil vai impactar 77,8% da pauta produtos exportados por empresas nacionais ao mercado norte-americano.

“No total, 77,8% da pauta exportadora está sujeita a alguma taxação adicional, considerando as ordens executivas que instituíram as tarifas de 10%, de 40% e a Seção 232 do Trade Expansion Act, de 25% e 50%, aplicadas exclusivamente a produtos de aço, alumínio, cobre, veículos e autopeças. Mais da metade das exportações enfrentarão sobretaxas de 50%”, diz a CNI.

O levantamento baseia-se em dados da United States International Trade Commission, com análise no nível de dez dígitos do código tarifário norte-americano, o que permite identificar com precisão os produtos sujeitos às medidas comerciais.

É importante destacar que cada medida comercial tem a própria lista de cobertura e isenções, o que significa que produtos livres de uma tarifa adicional podem estar submetidos à outra.

O cruzamento mostra que dos 77,8% das exportações sujeitas a taxação adicional, 45,8% estão submetidas a tarifas de 40% ou 50% direcionadas especificamente ao Brasil.

“Esse retrato dá a dimensão do problema enorme que teremos de enfrentar e o quanto vamos precisar avançar nas negociações para reverter essas barreiras. É um trabalho que precisa envolver governos e os setores produtivos. Os EUA são os principais parceiros comerciais da indústria, precisamos encontrar saídas”, diz Ricardo Alban, presidente da CNI.

Os dados mostram que 41,4% da pauta exportadora brasileira aos EUA, com 7.691 produtos de variados setores, está sujeita à tarifa combinada de 50%. Em 2024, a exportação desses bens alcançou 17,5 bilhões de dólares.

Principal segmento exportador ao mercado americano, a indústria de transformação responde por 69,9% desse valor, com 7.184 produtos afetados pelas tarifas combinadas, que totalizaram 12,3 bilhões de dólares em 2024.

Os setores com maior número de produtos exportados afetados pela sobretaxa combinada de 50% seriam: Vestuário e acessórios (14,6%), Máquinas e equipamentos (11,2%), Produtos têxteis (10,4%), Alimentos (9,0%), Químicos (8,7%) e Couro e calçados (5,7%).

Os setores de aço, alumínio e cobre, sobretaxados pela Seção 232, representam 9,3% da pauta e enfrentarão tarifa adicional de 50%.

Combinados, esses blocos da pauta exportadora representam 50,7% das exportações brasileiras aos americanos.

Fonte: Veja

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook