Especialista

Quando reduzir custo pode sair caro: o que a experiência na logística me ensinou

Ao longo de quase 30 anos trabalhando com transporte e logística, aprendi que um dos grandes desafios de uma operação é encontrar o equilíbrio entre custo e eficiência.

Em um mercado cada vez mais pressionado por preços, buscar redução de despesas é natural. O problema surge quando o menor custo passa a ser visto como sinônimo de melhor decisão.

Na logística, uma economia feita no lugar errado pode aparecer depois em forma de atrasos, manutenção, retrabalho, perda de produtividade ou até perda de clientes.

Por isso, antes de perguntar “quanto custa?”, é importante perguntar também: “qual será o impacto dessa escolha na operação?”

O frete mais barato pode custar um cliente

Escolher um transporte apenas pelo menor valor pode parecer vantajoso, mas é preciso considerar prazo, segurança, flexibilidade e as necessidades específicas da operação.

Se uma carga atrasa ou sofre uma avaria, o impacto ultrapassa o custo do transporte. Pode comprometer o relacionamento com o cliente e até uma oportunidade comercial.

Na prática, não adianta economizar em uma etapa e criar um problema maior em outra.

Manutenção e combustível: olhar além do preço

A manutenção é outro exemplo. Buscar sempre a alternativa mais barata pode reduzir o desembolso imediato, mas uma escolha inadequada pode aumentar as paradas, comprometer a disponibilidade da frota e gerar novos custos.

Em transporte, veículo parado significa atraso, reprogramação e perda de produtividade.

O mesmo vale para o combustível. O preço por litro é importante, mas consumo, desempenho e impactos na manutenção também precisam entrar na conta.

O que importa é avaliar o custo total da operação, e não apenas o preço de cada item isoladamente.

Pessoas e fornecedores também fazem parte da equação

A redução de custos também pode atingir equipes e fornecedores. Mas diminuir pessoas ou estrutura sem avaliar as consequências pode gerar sobrecarga, falhas de comunicação, erros e retrabalho.

Quem está no dia a dia conhece dificuldades que nem sempre aparecem nos indicadores. Por isso, ouvir a equipe é fundamental.

Na escolha de fornecedores, preço também não deve ser o único critério. Prazo, qualidade, segurança, confiabilidade e capacidade de atendimentoprecisam fazer parte da análise.

Um fornecedor mais barato que não entrega no prazo pode gerar um custo muito maior para a operação.

Eficiência não é simplesmente gastar menos

Depois de tantos anos acompanhando diferentes etapas da logística, uma das principais lições que levo para o meu trabalho é que redução de custo e eficiência não são necessariamente a mesma coisa.

Reduzir custo significa diminuir uma despesa. Buscar eficiência é utilizar melhor os recursos disponíveis para alcançar um resultado.

Em alguns casos, reduzir uma despesa será a melhor decisão. Em outros, investir mais em determinada etapa pode evitar perdas muito maiores adiante.

Por isso, antes de escolher pelo menor preço, procuro responder:

Qual é o impacto dessa decisão na operação?

O que estamos economizando agora e o que podemos gastar depois?

Essa escolha realmente melhora o resultado?

Minha experiência na estrada, na operação, na gestão de frota, na logística portuária, na cabotagem e na área comercial me ensinou a olhar a cadeia de forma integrada.

Uma operação competitiva não é necessariamente aquela que tem o menor custo em cada item. É aquela que consegue equilibrar custo, qualidade, segurança, produtividade, prazo e resultado.

Porque, na logística, nem sempre economizar em uma etapa significa gastar menos no final.

Antes de buscar o menor preço, é preciso entender o custo da decisão.


Fábio Lins é profissional do setor de transporte e logística, com 30 anos de experiência e uma trajetória construída da operação à gestão. Formado em Gestão Comercial, atualmente, integra a Sigatrans Logística, aliando conhecimento prático, experiência em gestão e visão estratégica para o desenvolvimento de soluções logísticas eficientes.

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Especialista

Do DNA do transporte à realização de um sonho: a experiência que conduz a SIGATRANS

O transporte faz parte da minha história. Meu pai foi motorista de caminhão e meu avô foi dono de caminhão. Foi nesse ambiente que nasceu minha relação com o setor e, mais tarde, o desejo de construir minha própria empresa.

Minha trajetória profissional começou como assistente de transporte. Ao longo de aproximadamente 15 anos, passei por diferentes áreas da operação, até chegar à gestão de transporte em duas empresas que se destacaram no mercado. Foi nesse período que aprendi, na prática, que logística exige muito mais do que movimentar cargas: exige organização, responsabilidade, agilidade e capacidade de tomar decisões.

Quando a SIGATRANS nasceu, eu trouxe essa experiência comigo.

Transformar experiência em gestão

A empresa surgiu de um sonho que compartilhei com meu amigo, Rhuan Carlos Zendron. Durante alguns anos, o projeto ficou guardado até que mudanças profissionais e a chegada da minha filha me deram o impulso necessário para iniciar esse projeto.

Desde o início, uma das minhas preocupações foi estruturar a empresa de forma organizada. Definir responsabilidades, criar processos e formar uma equipe em que eu pudesse confiar foram passos fundamentais.

Essa experiência da operação continua presente nas minhas decisões. Ela me ajuda a antecipar problemas, compreender os impactos de cada escolha e buscar um crescimento que aconteça com organização e segurança.

Crescer exige coragem e planejamento

Um dos momentos importantes da nossa trajetória foi quando decidi investir mesmo em um período de mercado retraído. Ampliamos a frota, o armazém e os investimentos em pessoas, sistemas e certificações.

Para mim, crescer não significa apenas aumentar a estrutura. É preciso entender o mercado, estar próximo do cliente e identificar onde podemos gerar valor.

Por isso, faço questão de visitar, ouvir e conhecer de perto cada operação. Quanto melhor entendemos o desafio, mais assertiva é  a nossa solução.

Pessoas no centro da operação

Hoje, vejo as pessoas como um dos principais pilares da SIGATRANS.

Uma empresa pode ter tecnologia, estrutura e processos, mas são as pessoas que fazem tudo acontecer.

Meu papel como gestor é criar condições para que a equipe trabalhe bem, com segurança, clareza e responsabilidade. Isso envolve investir em qualificação, tecnologia e processos, mas também saber ouvir e valorizar quem está ao nosso lado.

Essa visão também se estende à minha família. Sou casado com a Bruna há 15 anos e dividimos a gestão da empresa. Eu fico à frente das áreas comercial e operacional, enquanto ela conduz o administrativo e os recursos humanos. Essa parceria nos permite unir diferentes olhares sobre o negócio.

O que a experiência me ensinou

Depois de tantos anos no transporte, entendi que experiência não é apenas tempo de mercado. É o que fazemos com tudo aquilo que vivemos. É aprender com os desafios, reconhecer quando precisamos mudar e transformar conhecimento em decisões melhores.

Também aprendi que ninguém constrói uma empresa sozinho. É preciso ter um bom time, valorizar as pessoas e ter disciplina para administrar o negócio — inclusive cuidar do fluxo de caixa e tomar decisões pensando no longo prazo.

A SIGATRANS nasceu de um sonho, mas foi construída com experiência, trabalho e muitas pessoas que acreditaram nesse projeto.

Hoje, continuo conduzindo a empresa com a mesma vontade de aprender e evoluir, mas com a experiência de quem conhece o transporte de dentro para fora.

Darlan Olmar é co-fundador e CEO da Sigatrans Logística.

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Transporte

Grupo BID reúne governos e investidores para impulsionar US$ 65 bilhões em projetos de transporte

O Grupo Banco Interamericano de Desenvolvimento (Grupo BID) reuniu representantes de governos e do setor privado de 17 países da América Latina e do Caribe durante o LAC Transport Forum 2026. O encontro apresentou mais de 110 projetos de investimento em infraestrutura de transporte, que somam mais de US$ 65 bilhões para os próximos 18 meses.

O valor corresponde, aproximadamente, ao total investido anualmente pela região em infraestrutura de transporte. O fórum teve como foco ampliar a participação de capital, melhorar a estruturação dos projetos e aumentar a qualidade e o impacto dos investimentos.

América Latina precisa ampliar investimentos em infraestrutura

Segundo estimativas do BID, os países da América Latina e do Caribe precisam direcionar cerca de 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) por ano até 2030 para reduzir o déficit de infraestrutura. A necessidade supera US$ 1,6 trilhão, dos quais mais de US$ 630 bilhões estão relacionados ao setor de transporte.

Outro desafio apontado pela instituição são as ineficiências nos processos de investimento. De acordo com o BID, a região perde aproximadamente um de cada dois dólares destinados à infraestrutura em razão dessas falhas.

Durante a abertura do evento, o presidente do Grupo BID, Ilan Goldfajn, destacou a possibilidade de ampliar os resultados sem necessariamente elevar os gastos públicos.

“Podemos aumentar em até 35% os resultados dos investimentos em infraestrutura sem aumentar o gasto público. O objetivo é alcançar mais e melhor infraestrutura e maior impacto para as pessoas”, afirmou.

Fórum aproxima governos e empresas

Para acelerar a execução de novos projetos, o LAC Transport Forum 2026 promoveu uma ampla rodada de encontros entre representantes governamentais e empresas.

Participaram delegações de Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Guiana, Haiti, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana e Suriname.

A edição deste ano também marcou a primeira realização do fórum em parceria com a Federação Internacional de Engenheiros Consultores (FIDIC), organização internacional voltada ao desenvolvimento de padrões para o setor de infraestrutura.

Transport Delivers busca melhorar investimentos em transporte

Durante o evento, o Grupo BID lançou a Transport Delivers, uma plataforma regional voltada ao aprimoramento da qualidade, transparência e competitividade dos processos de investimento em infraestrutura de transporte.

A iniciativa pretende ampliar a aplicação das reformas desenvolvidas pelo programa Procure+, do BID, em projetos de infraestrutura de diferentes países da região. A proposta é tornar os investimentos mais eficientes e aumentar seus benefícios para a população.

A plataforma também deverá apoiar melhorias em etapas como planejamento, licitação e contratação de obras, estimulando a concorrência e buscando melhores resultados nos projetos de transporte.

Concorrência pode reduzir custos de projetos

Dados apresentados pelo BID indicam que o aumento da concorrência nas licitações pode gerar economia nos investimentos. Cada novo concorrente em uma disputa reduz, em média, os preços entre 2% e 8%.

A instituição também aponta que considerar critérios de qualidade, além do preço, pode diminuir entre 5% e 20% o custo total dos ativos de infraestrutura durante sua vida útil.

Iniciativa prevê mobilização de novos recursos

A Transport Delivers recebeu contribuições da Espanha e do Japão que totalizam US$ 2,5 bilhões. A expectativa é mobilizar outros US$ 10 bilhões junto a doadores nos próximos cinco anos.

Com esses recursos, a iniciativa pretende criar condições para viabilizar aproximadamente US$ 20 bilhões em novos investimentos em transporte.

A plataforma integra as ações do BID for the Americas, programa que busca ampliar a participação do setor privado em projetos apoiados pelo Grupo BID.

Miami terá papel na conexão com investidores

O escritório do Grupo BID em Miami também atua na promoção de iniciativas como o LAC Transport Forum, com o objetivo de aproximar governos, empresas e investidores interessados no desenvolvimento da infraestrutura na América Latina e no Caribe.

A estratégia busca fortalecer a conexão entre os diferentes participantes do mercado e facilitar a estruturação de projetos capazes de ampliar a conectividade, a competitividade e a integração regional.

FONTE: IADB
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/IADB

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Logística

Inteligência artificial na logística: como a IA reduz custos e aumenta a sustentabilidade

O avanço da inteligência artificial na logística está mudando a forma como empresas de transporte, armazenagem e distribuição planejam suas operações. Em um setor pressionado por despesas com combustível, manutenção e estoques, o uso estratégico de dados e tecnologia passou a ser uma ferramenta para buscar mais eficiência e reduzir impactos ambientais.

Com uma base de dados estruturada, sistemas de IA na logística podem apoiar atividades como planejamento de rotas, gestão de estoques, manutenção preditiva e previsão de demanda.

Para o professor Néstor Fabián Ayala, do Núcleo de Engenharia Organizacional (NEO) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a tecnologia permite otimizar diferentes etapas da operação, antecipando necessidades e identificando caminhos mais eficientes.

“Hoje, a IA consegue unir redução de custos e impacto ambiental positivo. Diminuímos o consumo de combustível e otimizamos o uso de pneus, reduzindo rejeitos. Em alguns casos, substituímos três viagens diárias por apenas uma, gerando um ganho ambiental expressivo”, destaca.

IA transforma dados em previsibilidade

A utilização da inteligência artificial já faz parte da realidade de empresas do setor no Rio Grande do Sul. Francisco Cardoso, presidente da Federação das Empresas de Logística e Transporte de Cargas no Rio Grande do Sul (Fetransul), explica que a tecnologia representa uma mudança na maneira como as empresas utilizam seus dados.

Durante anos, os sistemas foram empregados principalmente para analisar informações sobre operações que já haviam ocorrido. Com a inteligência artificial, a expectativa é avançar para modelos capazes de identificar padrões, antecipar cenários e melhorar a tomada de decisões.

O primeiro passo, segundo Cardoso, é organizar as informações internas. Em um estágio mais avançado, esses dados podem ser cruzados com informações externas, inclusive dos próprios clientes, permitindo antecipar necessidades e aprimorar o atendimento.

“O grande desafio dessas empresas é primeiro organizar e entender os próprios dados. Depois, transformar esses dados em informação para trabalhar o futuro, a previsibilidade”, afirma.

Tecnologia vai além dos caminhões

Quando se fala em IA no transporte, uma das aplicações mais lembradas é o uso da tecnologia para otimizar operações nas estradas. No entanto, os sistemas podem atuar desde o planejamento até os processos internos das empresas.

Agentes de inteligência artificial capazes de trocar informações entre si podem conectar diferentes áreas da operação. Com isso, a tecnologia contribui para definir rotas mais eficientes, controlar o consumo de combustível e antecipar necessidades de manutenção da frota.

Dentro das empresas, a aplicação também pode alcançar setores como compras, estoque, produção e atendimento ao cliente. A integração de dados permite reorganizar fluxos internos e responder de forma mais rápida a novas demandas.

IA também ganha espaço nos armazéns

Nos centros de distribuição, a automação amplia as possibilidades de uso da tecnologia. Veículos autônomos podem transportar produtos dentro dos galpões, enquanto algoritmos ajudam a determinar a melhor sequência para separação de mercadorias.

Outra aplicação está no dimensionamento das embalagens. Ao calcular o espaço necessário para cada produto, os sistemas podem reduzir o uso excessivo de materiais e, consequentemente, o desperdício.

Para Ayala, a automação também permite direcionar trabalhadores para atividades de maior valor estratégico.

“Otimizamos a rota interna para que robôs busquem os produtos onde são necessários. Isso retira colaboradores de tarefas repetitivas e os direciona para funções de maior valor dentro da fábrica.”

Empresa usa IA para controlar combustível

Fundada em 1992 pelo presidente da Fetransul, a Interlink Cargo está entre as empresas gaúchas que incorporaram a inteligência artificial aos processos logísticos.

Desde 2025, a companhia utiliza a tecnologia em áreas como sistemas de cotação e elaboração de propostas, rastreamento de viagens e análise do desempenho dos operadores. A empresa também cruza informações sobre consumo de combustível e características do relevo em rotas do Mercosul.

Segundo Lucas Vidal Cardoso, diretor comercial da companhia, o combustível responde por cerca de 40% dos custos da operação.

“O combustível representa 40% do nosso custo e sofreu altas significativas. Analisamos o relevo e o tipo de caminhão para prever o consumo e orientar o motorista, unindo eficiência e sustentabilidade”, explica.

Além da economia operacional, a empresa identifica ganhos na gestão de pessoas. Atividades repetitivas podem ser automatizadas, enquanto colaboradores são direcionados para funções relacionadas à tomada de decisão. A companhia também utiliza programas de treinamento e trilhas de aprendizagem para novos funcionários.

Uso de IA também exige atenção ao consumo de energia

Apesar dos ganhos potenciais, a expansão da IA na logística sustentável traz um desafio adicional: o elevado consumo de recursos computacionais.

Modelos de inteligência artificial dependem de infraestrutura de processamento que exige energia, inclusive para sistemas de refrigeração dos data centers. Dessa forma, parte do benefício ambiental obtido com a redução de combustível e emissões pode ser compensada caso a tecnologia seja utilizada de maneira excessiva ou sem planejamento.

O professor Dalvan Jair Griebler, da Escola Politécnica da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), chama atenção para esse aspecto.

“Precisamos de poder computacional e muita energia para refrigeração. Podemos reduzir poluentes nos caminhões, mas gerar impacto pelo uso massivo e desnecessário da IA.”

Para o professor, a adoção da tecnologia exige critérios técnicos e profissionais qualificados para avaliar onde sua utilização efetivamente faz sentido.

Empresas entram em uma nova fase de adoção tecnológica

Griebler avalia que o setor de transporte e logística atravessa uma etapa de amadurecimento no uso da inteligência artificial. Depois do entusiasmo inicial em torno da tecnologia, a preocupação passa a ser avaliar o retorno efetivo para cada operação.

Nesse cenário, uma das questões centrais para as empresas é determinar se a implementação será financeiramente sustentável e se os benefícios justificam os investimentos necessários.

A IA, portanto, não deve ser tratada como uma solução isolada. A tecnologia precisa ser integrada aos métodos de gestão, engenharia e planejamento já utilizados pelas empresas de logística.

Principais aplicações da inteligência artificial na logística

  • Previsão de demanda: ajuda a antecipar o comportamento do mercado e reduzir riscos de falta de produtos, excesso de estoque e capital parado.
  • Otimização de rotas: permite buscar trajetos mais eficientes, reduzindo tempo de entrega, consumo de combustível e emissões.
  • Manutenção preditiva: sensores e sistemas de telemetria podem monitorar veículos e auxiliar na identificação do momento adequado para intervenções, inclusive relacionadas aos pneus.
  • Automação de armazéns: robôs podem localizar e transportar mercadorias, enquanto algoritmos ajudam a definir embalagens com dimensões adequadas.
  • Integração de setores: agentes de IA podem conectar informações de compras, produção e estoque, além de apoiar áreas como finanças, recursos humanos e atendimento ao cliente.

FONTE: Gaúcha ZH
TEXTO: Redação
IMAGEM: Interlink Cargo / Divulgação

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Investimento, Transporte

BID reúne investidores em Miami para ampliar investimentos em transporte na América Latina

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) promove, em Miami, nos Estados Unidos, o LAC Transport Forum 2026, evento voltado à apresentação de oportunidades de investimento em infraestrutura de transporte na América Latina e no Caribe.

Realizado em parceria com a Federação Internacional de Engenheiros Consultores (FIDIC), o fórum ocorre nos dias 29 e 30 de setembro e reunirá autoridades públicas, representantes do setor privado, organizações internacionais, instituições financeiras e investidores.

Países apresentarão projetos de infraestrutura

A programação terá a participação de Ilan Goldfajn, presidente do Grupo BID, além de ministros, vice-ministros e outras autoridades de 16 países da América Latina e do Caribe.

Durante o encontro, os representantes governamentais deverão apresentar oportunidades concretas de investimento em projetos relacionados ao setor de transportes.

A proposta é aproximar governos, empresas responsáveis pelo desenvolvimento de projetos, instituições financeiras e investidores internacionais, criando condições para novas parcerias e para a expansão dos investimentos em infraestrutura de transporte.

Fórum busca ampliar participação do setor privado

Com o tema “Ampliando o impacto do setor de transportes: os setores público e privado gerando resultados”, o LAC Transport Forum 2026 terá como um dos principais focos o fortalecimento da capacidade institucional para transformar investimentos em projetos mais eficientes.

A agenda também discutirá formas de aumentar o impacto dos investimentos sobre o desenvolvimento econômico e social, além de ampliar a participação do setor privado na infraestrutura de transportes da região.

Segundo a organização, o encontro pretende contribuir para projetos mais sustentáveis, resilientes e inclusivos na América Latina e no Caribe.

Acordo com a Espanha está entre os anúncios previstos

Entre os anúncios esperados durante o fórum está a assinatura de um acordo de cooperação entre o BID e o Ministério dos Transportes e da Mobilidade Sustentável da Espanha.

A iniciativa integra a agenda de aproximação entre governos e instituições voltada ao desenvolvimento de soluções e investimentos para o setor de transportes.

Coletiva de imprensa com Ilan Goldfajn

O presidente do Grupo BID, Ilan Goldfajn, participará de uma coletiva de imprensa no primeiro dia do evento.

A atividade será realizada no Hotel Four Seasons Miami, antes da programação principal do fórum.

Serviço:

  • Evento: LAC Transport Forum 2026
  • Data: 29 e 30 de setembro de 2026
  • Coletiva de imprensa: 29 de setembro, às 8h30
  • Local: Hotel Four Seasons Miami
  • Tema: investimentos e desenvolvimento da infraestrutura de transporte na América Latina e no Caribe

FONTE: IADB
TEXTO: Redação
IMAGEM: Wikipédia

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Logística

Reforma tributária começa a mudar logística das empresas e reduz distorções

A reforma tributária começa a produzir efeitos sobre a logística empresarial brasileira antes mesmo da conclusão da transição para o novo sistema de impostos. Durante anos, incentivos fiscais oferecidos por estados e municípios influenciaram a localização de centros de distribuição (CDs), levando empresas a instalar estruturas longe dos principais mercados consumidores.

Na prática, benefícios tributários muitas vezes pesaram mais na definição da malha logística do que a proximidade com os clientes. O resultado foi o aumento das distâncias percorridas por caminhões, do consumo de combustível e das emissões de poluentes.

Incentivos fiscais influenciaram localização de centros de distribuição

O setor farmacêutico em Goiás é um exemplo dessa dinâmica. Empresas chegaram a manter operações distantes dos grandes centros de consumo porque as vantagens tributárias compensavam os custos adicionais de transporte.

Um levantamento realizado pela consultoria Ilos em 2023 mostrou a dimensão do fenômeno. Naquele momento, as empresas consultadas afirmavam que 40% do faturamento estava relacionado a centros de distribuição cuja localização havia sido influenciada por incentivos fiscais.

Entre as companhias do segmento de bens de consumo, essa proporção chegava a 58%.

Novo sistema tributário altera lógica da distribuição

Aprovada pelo Congresso em 2023, a reforma tributária prevê mudanças que atingem diretamente esse modelo. O ICMS, imposto estadual, e o ISS, de competência municipal, serão substituídos gradualmente a partir de 2029 e deixarão de existir em 2033, dentro da implementação do novo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).

Além da unificação dos tributos, uma das principais mudanças está na definição do local de cobrança. O sistema atual concentra parte relevante da arrecadação na origem, como nos locais de produção ou armazenamento.

Com a reforma, a tributação será progressivamente direcionada para o destino, ou seja, para o estado onde o produto é efetivamente consumido.

Essa alteração tende a reduzir a importância de estruturas instaladas exclusivamente para aproveitar benefícios fiscais. Centros de distribuição mantidos em estados como Santa Catarina e Espírito Santo, por exemplo, poderão ter sua viabilidade econômica reavaliada quando a vantagem tributária deixar de existir.

Empresas já planejam mudanças na malha logística

Um novo estudo da Ilos, com dados de 110 empresas que possuem faturamento médio de R$ 22 bilhões, aponta que 21% das companhias pretendem mudar a localização de seus centros de distribuição.

O percentual é ainda maior em alguns segmentos:

  • Atacado, varejo e distribuição: 33% das empresas planejam mudanças;
  • Indústria de base e bens de capital: 27%;
  • Indústria de bens de consumo: 24%.

Para 67% das empresas ouvidas, a expectativa é de melhora na operação logística após as mudanças.

A reorganização não deve se limitar aos centros de distribuição. As companhias também avaliam alterar sua rede de fornecedores para aproximá-la da nova configuração da malha logística, reduzindo distâncias e custos de transporte.

Segundo o levantamento, cinco em cada dez empresas afirmam atualmente ter despesas logísticas maiores justamente para conseguir aproveitar benefícios tributários.

Empresas começam a rever estratégias

Os efeitos da mudança já começam a aparecer nas decisões empresariais. Camila Lima, vice-presidente de Operações da FedEx no Brasil, afirma que clientes instalados em regiões beneficiadas por incentivos fiscais já iniciaram discussões sobre a revisão de suas estratégias.

A executiva também relata que algumas empresas podem permanecer nessas localidades mesmo com a redução das vantagens tributárias, mas por outros motivos, como a expectativa de crescimento econômico da região.

Reforma pode aumentar eficiência logística

A mudança na estrutura de impostos tende a alterar uma lógica que, durante décadas, influenciou a organização da logística brasileira.

Ao reduzir o peso dos incentivos fiscais na escolha de onde produzir, armazenar e distribuir mercadorias, a reforma pode estimular decisões baseadas em fatores como proximidade dos consumidores, fornecedores e infraestrutura de transporte.

A expectativa é que esse processo contribua para diminuir deslocamentos desnecessários, melhorar a eficiência das operações e reduzir custos associados ao transporte.

Para as empresas, a transição também representa um período de revisão da cadeia de suprimentos, com possíveis mudanças na localização de armazéns, centros de distribuição e fornecedores.

FONTE: O Globo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Mercado Livre

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Especialista

O que a Transamazônica me ensinou e que hoje levo para a gestão da frota

Por Fábio Lins

Minha história na logística começou muito antes de ocupar uma posição de gestão. Comecei como ajudante de motorista, conciliando uma rotina pesada de trabalho e estudos. Foi na estrada que tive minhas primeiras experiências com o transporte e comecei a entender, na prática, os desafios que envolvem uma operação logística.

Hoje, atuo como gestor comercial, de projetos e de frota na Sigatrans Logística. Depois de cerca de 30 anos no setor, percebo que grande parte da visão profissional que tenho atualment foi construída justamente durante os anos em que estive na operação.

Ao longo dessa trajetória, percorri o Brasil de norte a sul, literalmente do Chuí ao Oiapoque. Em 2010, vivi uma das experiências mais marcantes: a Transamazônica.

Enfrentei longos trechos de estrada de chão, percursos em que cerca de 60 quilômetros podiam representar 12 horas de viagem, além de situações de insegurança e dificuldades em regiões como Barra do Corda, onde passei por áreas de reserva indígena.

Essas experiências me ensinaram algo que continua presente na minha rotina: distância não é apenas quilometragem. É tempo, combustível, desgaste, manutenção, risco e custo.

Hoje, esse conhecimento prático contribui diretamente para minhas decisões na gestão de frota. Consigo olhar para números de distância, consumo e despesas dos veículos considerando também a realidade encontrada nas rotas.

Da operação para a gestão

A mudança da operação para a gestão também transformou minha forma de enxergar as pessoas.

Durante minha trajetória, vivi situações difíceis e até humilhações dentro de empresas e transportadoras. Quando passei a liderar, escolhi fazer diferente.

A empatia se tornou uma ferramenta indispensável de gestão. Antes de cobrar um resultado, procuro entender a dificuldade de quem está na ponta. O motorista enfrenta condições de estrada, pressão, imprevistos e longas jornadas. Conhecer essa realidade muda a maneira de tomar decisões.

Essa experiência também reforçou uma convicção: logística é feita por pessoas antes de ser feita por caminhões.

Três aprendizados de 30 anos de logística

Minha experiência profissional pode ser resumida em três aprendizados:

1. Pessoas vêm antes da operação.
Uma frota eficiente depende de uma equipe preparada e de uma gestão próxima.

2. Comercial e operação precisam caminhar juntos.
Prometer ao cliente é fácil quando não se conhece a realidade operacional. O resultado acontece quando as duas áreas trabalham alinhadas.

3. Quem conhece a estrada conhece melhor o cliente.
A experiência prática ajuda a compreender prazos, rotas, custos e dificuldades que nem sempre aparecem em uma planilha.

Não acredito em operação perfeita. Acredito em equipes preparadas, gestão presente e pessoas dispostas a resolver problemas.

Depois de três décadas na logística, minha experiência na estrada continua sendo uma ferramenta importante para a gestão. A diferença é que, hoje, ela se soma aos indicadores, aos projetos e aos números necessários para uma tomada de decisão mais precisa.

A Transamazônica, as longas viagens e as rotas difíceis foram uma espécie de faculdade prática. E é esse conhecimento que continuo levando comigo todos os dias: entender a estrada para compreender a operação, os custos, o cliente e, principalmente, as pessoas que fazem a logística acontecer.

Fábio Lins é profissional do setor de transporte e logística, com 30 anos de experiência e uma trajetória construída da operação à gestão. Formado em Gestão Comercial, atualmente, integra a Sigatrans Logística, aliando conhecimento prático, experiência em gestão e visão estratégica para o desenvolvimento de soluções logísticas eficientes.

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Eventos, Portos

Quando o navio espera, o Brasil paga: os gargalos que travam a logística

ReConecta News acompanhou o 5º Fórum Conexão Porto e Indústria que debateu os impactos dos gargalos portuários no Custo Brasil e os investimentos necessários para ampliar a eficiência logística.

Os gargalos de infraestrutura e os impactos econômicos provocados pela espera de navios nos portos brasileiros estiveram no centro dos debates do 5º Fórum Conexão Porto e Indústria, realizado na sexta-feira (4), em Santos (SP). Promovido pela RECORD Litoral e Vale, em parceria com a RECORD News, o encontro reuniu autoridades, instituições, empresas e representantes de diferentes segmentos ligados à logística e ao comércio exterior.

O ReConecta News esteve presente acompanhando as discussões, com cobertura dos principais debates e dos temas que impactam diretamente a competitividade do comércio exterior brasileiro.

O ponto central do fórum foi o chamado Custo Brasil e a necessidade de reduzir ineficiências que encarecem a operação logística. Entre os assuntos discutidos esteve o custo gerado pelas filas de navios e pela limitação da infraestrutura portuária diante do crescimento da demanda.

O Porto de Santos (SP), principal complexo portuário do país, vem registrando volumes históricos de movimentação. Só nesse ano já movimentou mais de 186 milhões de toneladas – quantidade histórica. O cenário reforça a necessidade de investimentos em infraestrutura, acessos e eficiência operacional para garantir que o crescimento da movimentação seja acompanhado pela capacidade de atendimento, não apenas em Santos, mas em todos os portos do país.

Monitoramento da saturação portuária

A abertura do evento contou com palestra do ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, que apresentou investimentos realizados pelo governo e anunciou a criação de um novo grupo de trabalho voltado ao monitoramento da saturação portuária.

Segundo o ministro, a iniciativa deverá avaliar a demanda, a capacidade instalada e o nível de serviço dos portos brasileiros, permitindo identificar gargalos e apontar soluções. “O resultado desse grupo de trabalho vai justamente apontar as demandas, a capacidade instalada e as soluções necessárias para os portos, não apenas o Porto de Santos, mas para todos os portos do Brasil.”

A proposta é ampliar a capacidade de planejamento do setor e antecipar problemas que possam comprometer o fluxo de cargas nos próximos anos.

Eficiência agora e grandes obras para o futuro

O fórum foi dividido em dois painéis. O primeiro tratou da eficiência operacional e das medidas que podem ser adotadas no curto prazo para melhorar o desempenho dos portos.

Já o segundo debateu grandes obras e projetos de infraestrutura, considerando investimentos de maior porte e prazos mais longos de implantação. Durante as discussões, o presidente da Autoridade Portuária de Santos, Anderson Pomini, destacou a necessidade de pensar a estrutura portuária para as próximas décadas, com investimentos tanto no canal de navegação quanto nos acessos terrestres. A visão de longo prazo considera a necessidade de garantir maior agilidade para a entrada e saída de navios, além da melhoria das áreas secas e das vias de acesso ao complexo portuário.

Diálogo entre setor público e iniciativa privada

Outro ponto que ganhou destaque ao longo do encontro foi a necessidade de ampliar o diálogo entre empresas, terminais, entidades e poder público. A avaliação compartilhada durante o fórum é de que a construção de soluções para os gargalos logísticos depende de uma atuação coordenada entre os diferentes atores envolvidos na cadeia.

Para o ReConecta News, acompanhar esse tipo de debate é também uma forma de aproximar o mercado das discussões que definem os rumos da infraestrutura brasileira. Renata Palmeira, CEO do ReConecta News, destaca a importância de estar próximo dos principais debates do setor. “O ReConecta tem como propósito conectar pessoas, empresas e informações que movimentam o comércio exterior e a logística. Estar presente em um fórum como este é fundamental para acompanhar de perto as discussões que impactam toda a cadeia e levar ao nosso público os principais desafios, oportunidades e caminhos apontados pelos especialistas e autoridades.”

O debate realizado em Santos reforçou que a eficiência portuária não é uma questão restrita aos terminais. Os impactos alcançam toda a cadeia logística e podem refletir diretamente nos custos das empresas, na competitividade das exportações e importações e, consequentemente, na economia brasileira.

Com o aumento da movimentação de cargas e a perspectiva de crescimento da demanda, o desafio é encontrar um equilíbrio entre ações imediatas de eficiência e investimentos estruturantes de longo prazo.

TEXTO E IMAGENS: ReConecta News

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Infraestrutura

Concessão de infraestrutura: entenda como funciona e o que muda para o país

A concessão de infraestrutura é uma modalidade de parceria entre o poder público e a iniciativa privada utilizada para ampliar investimentos, melhorar a operação e aumentar a eficiência de serviços e estruturas públicas. Pelo modelo, uma empresa assume, por determinado período, a responsabilidade pela operação, manutenção e realização de investimentos previstos em contrato.

Apesar da transferência da operação, a infraestrutura continua pertencendo ao poder público. Ao término da concessão, o ativo e as melhorias incorporadas durante a vigência do contrato permanecem públicos.

O modelo é utilizado em diferentes segmentos do setor de transportes e, no âmbito do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), está presente em projetos relacionados a aeroportos, portos e hidrovias.

Concessão não é venda de patrimônio público

Uma das principais dúvidas em relação às concessões é se o governo está vendendo estruturas como portos, aeroportos ou hidrovias. Não é isso que acontece.

Na concessão, a propriedade do ativo permanece pública. O que é transferido temporariamente é a responsabilidade pela operação, manutenção e realização dos investimentos estabelecidos no contrato.

A empresa concessionária precisa cumprir uma série de obrigações, que podem envolver obras, metas de desempenho, padrões de qualidade e investimentos. O poder público, por sua vez, permanece responsável pelo planejamento, regulamentação e fiscalização.

Como uma concessão é estruturada?

Antes de uma infraestrutura ser levada à concessão, são realizados estudos técnicos, econômicos e ambientais. A análise busca verificar a viabilidade do projeto e identificar as necessidades de investimentos e de operação.

Com base nesses estudos, são estabelecidas as condições do contrato, incluindo as responsabilidades da concessionária, os investimentos obrigatórios, os indicadores de desempenho e as metas que deverão ser cumpridas durante o período da concessão.

Depois da assinatura do contrato, a empresa vencedora assume a operação da infraestrutura e passa a responder pelas obrigações estabelecidas.

O que muda nos aeroportos, portos e hidrovias?

As responsabilidades da concessionária variam de acordo com o tipo de infraestrutura.

Nos aeroportos, a empresa pode assumir a administração dos terminais, manutenção de pistas e equipamentos, execução de obras e cumprimento de indicadores relacionados à qualidade e ao desempenho dos serviços.

Nos portos, a concessão pode envolver a operação da infraestrutura, expansão da capacidade de movimentação de cargas e modernização de equipamentos e instalações.

Nas hidrovias, entre as obrigações previstas podem estar serviços de dragagem, manutenção da via navegável, sinalização náutica e acompanhamento das condições de navegação.

A dragagem consiste na retirada de areia, lama e outros materiais acumulados no fundo de rios ou canais, permitindo melhores condições para a navegação.

Quais são os benefícios esperados para o país?

Um dos principais objetivos das concessões é ampliar a capacidade da infraestrutura brasileira e direcionar recursos privados para investimentos em ativos que continuam públicos.

Nos aeroportos, os investimentos podem resultar na ampliação de terminais e pátios, além da modernização de sistemas e estruturas de apoio. A expectativa é reduzir gargalos, acompanhar o crescimento da demanda e melhorar a experiência dos passageiros, com ganhos em conforto, segurança e conectividade.

No setor portuário, a expansão da capacidade de movimentação e a modernização das instalações podem aumentar a eficiência das operações, melhorar a segurança e contribuir para a redução de custos logísticos. Esses fatores também podem fortalecer a competitividade brasileira no comércio internacional.

Já nas hidrovias, investimentos em dragagem, manutenção, sinalização e monitoramento podem proporcionar maior regularidade e segurança à navegação, reduzir interrupções e tornar o transporte hidroviário mais eficiente.

Estado continua responsável pela fiscalização

A concessão não representa a saída do Estado da infraestrutura. O poder público continua exercendo funções de planejamento, regulação e fiscalização. O contrato determina as atividades que devem ser realizadas pela concessionária, os investimentos obrigatórios e os resultados que precisam ser alcançados. Cabe ao Estado acompanhar o cumprimento dessas exigências e fiscalizar a qualidade do serviço oferecido à população.

Dessa forma, o modelo busca combinar a capacidade de investimento e operação da iniciativa privada com a atuação do poder público na definição das regras e no controle da prestação do serviço.

Concessões fazem parte da história da infraestrutura brasileira

A participação privada na infraestrutura de transportes do Brasil não é recente. No setor portuário, o Porto de Santos foi pioneiro. Ainda no século 19, o governo brasileiro abriu uma concorrência para a exploração do porto por 90 anos. O contrato foi assinado em 1890 e, dois anos depois, foram inaugurados os primeiros 260 metros de cais.

Na aviação, o programa federal de concessões aeroportuárias teve início em 2011, com o leilão do Aeroporto Internacional de São Gonçalo do Amarante, no Rio Grande do Norte. Desde então, diferentes rodadas foram realizadas e os contratos e regras passaram por aprimoramentos com base na experiência acumulada.

O setor hidroviário, por sua vez, está diante de um novo momento. O Brasil se prepara para sua primeira concessão de uma hidrovia, com o projeto da Hidrovia do Rio Paraguai.

A proposta prevê uma concessão de 15 anos, com possibilidade de prorrogação, e inclui serviços como dragagem, sinalização e monitoramento da via navegável.

Na prática, a concessão estabelece uma divisão de responsabilidades: a iniciativa privada assume a operação e parte dos investimentos, enquanto o Estado continua proprietário do ativo, define regras e fiscaliza o cumprimento do contrato.

A expectativa é que esse modelo contribua para ampliar a capacidade, a eficiência e a qualidade da infraestrutura brasileira, mantendo os ativos como patrimônio público

Fonte: Ministério de Portos e Aeroportos (MPor).

Texto: Redação

Imagem: Vosmar Rosa/MPor

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Transporte

Ponte sobre o Rio São Francisco entre Alagoas e Sergipe passa de 50% de conclusão

A nova ponte entre Penedo (AL) e Neópolis (SE) já ultrapassou metade da execução e mantém o cronograma previsto. A expectativa é que a estrutura seja concluída em dezembro, criando uma ligação direta entre os dois estados sobre o Rio São Francisco.

Com 1,18 quilômetro de extensão, a ponte fará parte da BR-349/AL/SE e deverá substituir a travessia atualmente realizada por balsas entre as duas cidades.

Ponte vai substituir travessia por balsas

A construção promete alterar a rotina de moradores e usuários que precisam atravessar o rio. Hoje, a conexão direta entre Penedo e Neópolis depende de balsas para veículos e pedestres, sujeitas às condições da operação.

Quando estiver pronta, a nova estrutura deverá proporcionar uma travessia mais rápida e segura, além de melhorar a integração rodoviária entre Alagoas e Sergipe.

A obra avançou para a etapa de instalação das vigas que darão sustentação ao tabuleiro. Ao todo, estão previstas 120 peças na superestrutura. Cerca de 170 trabalhadores participam atualmente dos serviços.

Estrutura terá espaço para veículos, bicicletas e pedestres

A ponte sobre o Rio São Francisco terá 18 metros de largura e foi projetada para receber o tráfego de veículos e bicicletas.

O projeto também prevê áreas destinadas à circulação de pedestres e um trecho reservado para acostamento, ampliando a segurança e a funcionalidade da ligação rodoviária.

A estrutura foi planejada para garantir a passagem sobre o São Francisco, considerado o maior rio totalmente localizado em território brasileiro.

Rio São Francisco é estratégico para o Brasil

Conhecido como Velho Chico, o Rio São Francisco tem papel fundamental na integração de diferentes regiões brasileiras e é tradicionalmente chamado de “Rio da Integração Nacional”.

O rio nasce na Serra da Canastra, em Minas Gerais, percorre aproximadamente 2.700 quilômetros e chega ao Oceano Atlântico entre Alagoas e Sergipe.

Ao longo do trajeto, suas águas são utilizadas para abastecimento, agricultura, pesca, navegação e geração de energia. Entre as principais hidrelétricas instaladas em seu curso estão Sobradinho e Xingó.

Velho Chico abastece milhões e sustenta atividades econômicas

Além da produção de energia, o São Francisco é fonte de abastecimento para milhões de pessoas e sustenta diversas atividades econômicas, especialmente no Nordeste.

O rio também integra o Projeto de Integração do Rio São Francisco, conhecido como transposição do São Francisco. A iniciativa utiliza canais, túneis e outras estruturas para transportar água para áreas de Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte afetadas por períodos de estiagem.

Dessa forma, o Rio São Francisco vai muito além de sua dimensão geográfica. O curso d’água é essencial para o abastecimento, a produção agrícola, a geração de energia e o desenvolvimento econômico de diferentes regiões do país.

FONTE: Diário do Litoral
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação

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