Logística

Cabotagem ganha força como alternativa para reduzir emissões na logística brasileira

A busca por operações mais sustentáveis está mudando a forma como as empresas movimentam mercadorias no Brasil. Em um cenário em que aproximadamente 63% do transporte de cargas ainda ocorre pelas rodovias, o modal escolhido para a logística deixou de ser apenas uma decisão de custo e prazo. Hoje, ele também influencia metas de descarbonização, inventários de carbono e estratégias de ESG.

Nesse contexto, a cabotagem surge como uma alternativa capaz de reduzir significativamente as emissões de gases de efeito estufa, principalmente em viagens de longa distância.

Estudo aponta redução superior a 70% nas emissões

Levantamento realizado pela empresa de navegação costeira Norcoast indica que suas operações evitaram a emissão de cerca de 317,8 mil toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e) ao longo de 2025, quando comparadas a um cenário em que toda a carga tivesse sido transportada exclusivamente por caminhões.

O estudo avaliou 49.611 operações de frete, responsáveis pela movimentação de aproximadamente 957 mil toneladas de cargas durante o período.

Segundo os dados, a operação intermodal, que combina transporte marítimo e trechos rodoviários para coleta e entrega, gerou 123,2 mil toneladas de CO₂e. Já uma operação totalmente rodoviária alcançaria 441 mil toneladas de CO₂e, representando uma redução de 72,1% nas emissões.

A intensidade de carbono também foi menor na cabotagem: 128,7 quilos de CO₂e por tonelada transportada, contra 460,7 quilos no transporte exclusivamente rodoviário.

De acordo com Fabiano Lorenzi, CEO da Norcoast, a cabotagem não substitui o caminhão, mas reduz a necessidade de percorrer grandes distâncias pelas estradas, diminuindo a intensidade de carbono da cadeia logística.

Matriz logística brasileira segue concentrada nas rodovias

Apesar do avanço da cabotagem, a logística nacional ainda depende majoritariamente do transporte rodoviário.

Dados do Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS) mostram que 63,4% das cargas brasileiras são transportadas por caminhões. As ferrovias respondem por 18%, o transporte aquaviário representa 14,6%, os dutos concentram 4,1% e o modal aéreo participa com apenas 0,1%.

Na avaliação da Norcoast, essa predominância ocorre não apenas pela preferência histórica pelo caminhão, mas também pela oferta limitada de alternativas eficientes para grandes distâncias.

Rodovias concentram a maior parte das emissões do setor

A concentração da matriz logística também se reflete na emissão de gases de efeito estufa.

Segundo o Inventário CNT 2025, o setor de transportes brasileiro lançou cerca de 190 milhões de toneladas de CO₂ equivalente em 2023. Desse total, 92,9% vieram do transporte rodoviário.

Os caminhões representam aproximadamente 34% dessas emissões, enquanto os automóveis flex respondem por cerca de 30%.

Para Lorenzi, a crescente preocupação das empresas com a pegada de carbono faz com que a análise das emissões passe a influenciar diretamente a escolha do modal logístico, juntamente com fatores como custo e prazo.

Brasil reúne condições favoráveis para ampliar a cabotagem

A extensa faixa litorânea, a concentração populacional próxima à costa e os corredores logísticos que ligam polos produtores aos principais centros consumidores colocam o Brasil em posição estratégica para ampliar o uso da cabotagem.

A própria Norcoast nasceu com esse objetivo. Criada pela brasileira Norsul em parceria com a alemã Hapag-Lloyd, a empresa iniciou suas operações em fevereiro de 2024 apostando no crescimento do transporte de contêineres pela costa brasileira e na migração de cargas hoje transportadas por rodovias.

Dados da Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (ABAC) mostram que o segmento movimentou 1,9 milhão de TEUs em 2025, crescimento de 24% em relação ao ano anterior. Desse volume, 876 mil TEUs corresponderam ao transporte doméstico, que avançou 15% no período.

Maior capacidade dos navios reduz intensidade das emissões

Segundo Bruno Alonso, especialista em emissões da Norcoast e responsável pelo estudo, a principal vantagem ambiental da cabotagem está na elevada capacidade de transporte dos navios.

Enquanto uma embarcação da empresa pode transportar até 3,5 mil TEUs em uma única viagem, um caminhão normalmente leva apenas um contêiner padrão, podendo chegar a dois em configurações específicas e respeitando os limites de peso das rodovias.

Mesmo utilizando combustíveis fósseis, o transporte marítimo consegue distribuir as emissões por uma quantidade muito maior de carga, reduzindo a intensidade de carbono por tonelada transportada.

Além disso, a empresa afirma adotar medidas como controle de velocidade das embarcações, otimização dos motores e utilização de combustível marítimo com baixo teor de enxofre (LSFO). Também acompanha o desenvolvimento de soluções como biocombustíveis e hidrogênio verde, embora reconheça que essas tecnologias ainda enfrentam desafios técnicos e elevados custos para adoção em larga escala.

Agenda climática aumenta importância da logística sustentável

Especialistas avaliam que a escolha do modal logístico ganhou relevância também por causa das exigências relacionadas ao Escopo 3 do GHG Protocol, que contabiliza as emissões indiretas da cadeia de suprimentos.

Ao mesmo tempo, o transporte marítimo mundial enfrenta novas metas ambientais. A Organização Marítima Internacional (IMO) definiu objetivos progressivos para reduzir as emissões do setor, com cortes previstos até 2030 e 2040, além da meta de alcançar emissões líquidas zero por volta de 2050.

Entre os mecanismos já implementados está o Carbon Intensity Indicator (CII), indicador que mede anualmente a eficiência de carbono das embarcações. Segundo a Norcoast, sua frota já é monitorada com base nesse sistema.

Cabotagem ainda representa pequena parcela do transporte de cargas

Apesar do crescimento recente, a cabotagem ainda responde por cerca de 11% da matriz logística brasileira. O segmento de transporte de contêineres representa aproximadamente 1% de toda a movimentação de cargas no país.

Para a Norcoast, o avanço do modal não depende da substituição dos caminhões, mas da ampliação da integração entre diferentes meios de transporte. A proposta é utilizar o modal marítimo nos longos percursos e manter o transporte rodoviário nas etapas de coleta e distribuição, tornando a logística nacional mais eficiente e com menor emissão de carbono.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Valor

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Transporte

Maersk reajusta recargos de combustível para transporte terrestre na Itália a partir de julho

A Maersk anunciou a atualização dos recargos de combustível aplicados ao transporte terrestre de cargas na Itália. A revisão das tarifas entra em vigor em 1º de julho de 2026 e foi motivada pelas constantes variações nos preços internacionais da energia.

Segundo a companhia, o reajuste faz parte da política de acompanhamento permanente do mercado energético para manter a sustentabilidade das operações logísticas.

Reajuste atinge transporte rodoviário e operações intermodais

As novas tarifas serão aplicadas tanto ao transporte rodoviário quanto às operações intermodais (RCO), que combinam diferentes modais de transporte.

No segmento rodoviário, o aumento será de 11% para cargas de importação e exportação, representando o maior reajuste anunciado pela empresa.

Já nas operações ferroviárias e intermodais, o acréscimo será mais moderado, com 5% de aumento para embarques de entrada e saída do país.

Novos valores substituem tarifas anteriores

De acordo com a Maersk, os percentuais divulgados passam a substituir todos os recargos anteriormente praticados.

Nas faturas emitidas aos clientes, as cobranças continuarão identificadas pelas siglas EFS (Export Fuel Surcharge), para exportações, e IFS (Import Fuel Surcharge), utilizadas nas operações de importação.

Recargos serão revisados a cada 15 dias

A companhia informou que os novos índices não são definitivos. Em razão da elevada volatilidade do mercado de combustíveis, os recargos de combustível passarão por revisões quinzenais, permitindo ajustes conforme a evolução dos custos de energia.

A empresa também destacou que novos reajustes poderão ser implementados caso ocorram mudanças significativas no mercado internacional do petróleo.

Empresa reforça compromisso com a operação logística

Em comunicado aos clientes, a Maersk reconheceu que as alterações podem gerar impactos nos custos das operações de transporte, mas afirmou que as medidas são necessárias para garantir a continuidade dos serviços.

A empresa ressaltou ainda o compromisso de manter a confiabilidade da sua rede logística, assegurando capacidade operacional, integridade das cargas e regularidade nas entregas.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Logística

Investimento de R$ 175 milhões fortalece logística no Nordeste com aeroportos e portos

Um novo pacote de investimentos em infraestrutura logística promete impulsionar o desenvolvimento do Nordeste brasileiro. Ao todo, R$ 175 milhões serão destinados à modernização de aeroportos e portos em cidades estratégicas, ampliando a capacidade de transporte e criando novas oportunidades para o setor.

Os recursos contemplam os municípios de Patos, Ilhéus e Cabedelo, reforçando a estratégia de descentralização das operações logísticas no país.

Obras ampliam capacidade e eficiência operacional

Os aportes incluem melhorias em aeroportos regionais e na estrutura portuária, com destaque para o Porto de Cabedelo, que tem papel relevante na movimentação de cargas no litoral nordestino.

Na prática, as intervenções devem aumentar a eficiência das operações, reduzir gargalos e melhorar o desempenho de empresas que dependem dessas rotas para distribuição de mercadorias.

Integração entre modais ganha força

Com a modernização, a expectativa é fortalecer a logística intermodal, integrando diferentes tipos de transporte, como aéreo, rodoviário e marítimo.

Essa integração cria alternativas mais ágeis e eficientes, além de aliviar a sobrecarga do transporte rodoviário, historicamente predominante no Brasil.

Regiões ganham protagonismo econômico

Os investimentos também devem estimular o crescimento econômico local. Com melhor infraestrutura, cidades como Ilhéus e Patos passam a ter mais relevância no cenário logístico nacional.

Esse avanço tende a atrair novos negócios, ampliar a presença de centros de distribuição e fortalecer cadeias produtivas regionais, especialmente nos setores industrial e comercial.

Infraestrutura logística impulsiona desenvolvimento

O pacote de investimentos reforça uma tendência crescente no país: o fortalecimento da infraestrutura logística regional como motor de desenvolvimento econômico.

Além de abrir novas rotas, a iniciativa exige adaptação das empresas a um modelo logístico mais distribuído, estratégico e eficiente, acompanhando as transformações do mercado.

FONTE: Multimodal Nordeste
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/

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Comércio Exterior

EUA aplicam tarifas de 100% a 150% sobre produtos chineses de setores marítimo e logístico

O governo dos Estados Unidos anunciou a imposição de tarifas de 100% a 150% sobre produtos chineses ligados aos setores marítimo, logístico e de construção naval. A medida, que será publicada nesta quinta-feira (16) no Federal Register, tem como objetivo reduzir a dependência de fontes chinesas e fortalecer a segurança econômica e das cadeias de suprimentos do país.

Produtos afetados e início da cobrança

As novas tarifas entram em vigor a partir de 9 de novembro e abrangem uma ampla gama de equipamentos portuários e de transporte intermodal. Entre os itens impactados estão os guindastes ship-to-shore (STS), usados no descarregamento de contêineres, além de chassis intermodais, trailers e semirreboques utilizados no transporte marítimo e ferroviário de cargas.

A cobrança também se aplica a equipamentos fabricados, montados ou contendo componentes de origem chinesa, inclusive produtos de empresas controladas ou substancialmente influenciadas por nacionais chineses. Além disso, a tarifa sobre navios estrangeiros transportadores de veículos passará a ser calculada por tonelada líquida, com o valor fixado em US$ 46 (cerca de R$ 250) por tonelada, limitado a cinco cobranças por embarcação ao ano.

Navios construídos fora dos EUA estarão sujeitos à cobrança, enquanto embarcações do governo americano e inscritas no Maritime Security Program ficarão isentas até abril de 2029.

Justificativa e tarifas adicionais

A USTR (United States Trade Representative), agência responsável pela política comercial americana, afirmou que a tarifa de 100% sobre guindastes e chassis intermodais visa aumentar a alavancagem dos EUA e responder a práticas e políticas investigadas na China. A proposta ainda prevê tarifas adicionais de até 150% sobre outros equipamentos portuários.

O documento abre consulta pública até 10 de novembro para possíveis ajustes nas tarifas. Guindastes STS contratados antes de 17 de abril de 2025 e entregues até 18 de abril de 2027 serão isentos da alíquota de 100%. A USTR também revogou a possibilidade de suspender licenças de exportação de gás natural liquefeito (GNL), buscando evitar disrupções no fornecimento.

FONTE: Pleno News
TEXTO: Redação
IMAGEM: EFE/EPA/SHAWN THEW

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