Portos

Porto de Suape recebe nova rota da MSC e amplia conexão do Nordeste com o Golfo do México

O Porto de Suape, em Pernambuco, passará a integrar a rota Gulf to Saec I, operada pela Mediterranean Shipping Company (MSC), a partir de 26 de outubro de 2026. A inclusão do terminal na ligação entre o Golfo do México e a América do Sul amplia as alternativas para o transporte marítimo de contêineres no Nordeste brasileiro.

A nova escala será realizada no trecho entre Cartagena, na Colômbia, e o Porto de Santos, em São Paulo. A mudança ocorre em um momento de expansão das operações de Suape, que aumentou em 55% sua capacidade para movimentação de contêineres com a inauguração de um novo terminal em junho deste ano.

Porto de Suape registra alta na movimentação de cargas

O complexo portuário pernambucano apresentou crescimento expressivo em 2026. Entre janeiro e agosto, foram movimentadas 18,8 milhões de toneladas de cargas, volume 22,8% superior ao registrado no mesmo intervalo de 2025.

Ao longo de todo o ano passado, Suape movimentou 24,25 milhões de toneladas, resultado que colocou o porto na sexta posição entre os portos públicos brasileiros, conforme dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

A entrada na rota internacional da MSC reforça a estratégia de ampliar a participação do terminal no comércio exterior e fortalecer a infraestrutura logística da região.

MSC Yamuna VI fará a primeira escala em Pernambuco

O primeiro navio previsto para atracar em Suape na nova operação é o MSC Yamuna VI. Construído no Japão em 2004 e registrado sob bandeira portuguesa, o porta-contêineres possui 280 metros de comprimento e capacidade para transportar 5.928 TEUs.

A sigla TEU corresponde à unidade equivalente a um contêiner de 20 pés, padrão utilizado internacionalmente para medir a capacidade de transporte e movimentação desse tipo de carga. As informações sobre a embarcação são da plataforma de rastreamento Flexport Atlas.

A MSC comunicou a inclusão de Suape aos clientes em 12 de outubro. Segundo a empresa, a mudança busca ampliar a cobertura de seus serviços no Nordeste brasileiro.

Veja o percurso da nova rota marítima

Com a alteração, a linha Gulf to Saec I terá uma sequência de escalas que conecta portos do México, dos Estados Unidos, da Colômbia e do Brasil.

No sentido de chegada à América do Sul, os navios sairão de Veracruz e Altamira, no México, passando por Houston, no Texas, e Cartagena, antes de atracar em Suape.

Depois da parada em Pernambuco, a embarcação seguirá para os portos de Santos, em São Paulo, Itapoá e Itajaí, em Santa Catarina, e Paranaguá, no Paraná.

No percurso de retorno, a rota prevê novas escalas em Santos e no Rio de Janeiro, antes de seguir para Cartagena e Veracruz. Suape, portanto, será atendido no sentido sul da viagem, sem uma nova parada no porto durante o retorno.

Maersk também inclui Suape em serviço internacional

Além da MSC, a Maersk também prevê a inclusão de Suape em sua operação a partir de 26 de outubro, no serviço denominado UCLA. Segundo informações da Estadão Conteúdo, o MSC Yamuna VI será utilizado na viagem identificada como 640S.

A iniciativa tem como objetivo ampliar a conexão do Nordeste com a rede global da companhia e oferecer alternativas logísticas para cargas destinadas a diferentes mercados, incluindo Manaus, no Amazonas.

A chegada de novos serviços pode ampliar as opções de embarque e desembarque de mercadorias para empresas da região, além de reduzir a necessidade de transportar determinadas cargas por rodovias até portos de outras partes do país.

Nova escala pode ampliar opções logísticas para empresas

A inclusão de Suape na rota internacional cria mais uma alternativa para importadores e exportadores do Nordeste que dependem do transporte marítimo de contêineres.

Entretanto, os benefícios comerciais dependerão de fatores como a frequência das escalas, a disponibilidade de espaço nos navios para cargas vinculadas ao porto e a demanda das empresas que utilizam o serviço.

A mudança de rota, por si só, não garante redução no preço dos fretes nem diminuição dos prazos de entrega. Até o momento do anúncio, a MSC não havia informado a frequência das escalas em Suape.

Terminal de R$ 2 bilhões amplia capacidade de contêineres

A expansão da infraestrutura portuária de Suape ganhou impulso com a inauguração, em junho de 2026, do terminal de contêineres da APM Terminals, subsidiária do grupo Maersk. O investimento ultrapassou R$ 2 bilhões e elevou em 55% a capacidade do complexo para movimentar esse tipo de carga.

A estrutura ocupa uma área de 495 mil metros quadrados e conta com um cais de 430 metros de extensão, com profundidade de até 15,5 metros. As características permitem receber embarcações de grande porte.

O terminal também utiliza sistemas de automação e possui instalações totalmente eletrificadas. A capacidade inicial prevista é de 400 mil TEUs por ano, conforme informações divulgadas pela Estadão Conteúdo.

Entre janeiro e agosto de 2026, Suape movimentou 442.321 TEUs. O resultado considera os meses anteriores e posteriores à inauguração do novo terminal.

Em 2025, a movimentação de cargas em contêineres alcançou 7,56 milhões de toneladas, crescimento de 7,54% em comparação com 2024.

MSC já operava ligações entre Suape e a Ásia

A presença da MSC em Suape não começou com a nova rota para o Golfo do México. Em 6 de novembro de 2024, o navio MSC Juliette atracou no porto para marcar o início de uma ligação semanal de longo curso entre Pernambuco e a Ásia, com escala em Singapura.

A empresa não informou, no anúncio da nova escala, se essa conexão asiática continua ativa em 2026.

Ainda em 2024, no dia 27 de julho, o MSC Orion, com capacidade para 15 mil TEUs, realizou uma parada extraordinária em Suape durante a viagem inaugural de um serviço que conectava o Nordeste à Ásia pelo Canal do Panamá. Antes disso, em julho de 2022, o porto havia recebido o MSC New Haven.

Companhia mantém presença em diversos mercados

A Mediterranean Shipping Company possui mais de 200 mil funcionários, aproximadamente mil navios e mais de 675 escritórios em diferentes países. Segundo informações institucionais da companhia, o volume anual transportado chega a 30 milhões de TEUs.

No Brasil, a empresa mantém 17 escritórios, incluindo unidades no Recife, em Fortaleza e em Salvador.

No Ceará, a MSC opera a Linha Santana, serviço que conecta o Porto do Pecém a mercados asiáticos e completou um ano de operação em maio de 2026.

A ampliação das escalas em Suape reforça a importância do complexo pernambucano para a logística portuária, o transporte de contêineres e a integração do Nordeste brasileiro às principais rotas do comércio marítimo internacional.

FONTE: Movimento Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: shipspotting_itajai/Instagram

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Transporte

MSC e ONE assumem serviço Ipanema entre Ásia e América do Sul em abril de 2027

A MSC e a Ocean Network Express (ONE) passarão a operar em conjunto o serviço marítimo Ipanema, que conecta a Ásia à Costa Leste da América do Sul. A mudança ocorrerá após o fim do atual acordo de compartilhamento de navios com a Hapag-Lloyd.

De acordo com a MSC, a primeira viagem sob o novo modelo operacional está prevista para sair de Xangai, na China, em 3 de abril de 2027. A operação manterá a frequência semanal e a conexão entre importantes mercados asiáticos e portos sul-americanos.

MSC ampliará frota no serviço Ipanema

Atualmente, o serviço Ipanema funciona por meio de um acordo de compartilhamento de embarcações, conhecido como Vessel Sharing Agreement (VSA), entre MSC, ONE e Hapag-Lloyd.

Com a reorganização, MSC e ONE continuarão atendendo a rota, enquanto a Hapag-Lloyd deixará de integrar a parceria.

A MSC também anunciou que adicionará navios à operação, com o objetivo de ampliar sua atuação no corredor marítimo entre a Ásia e a Costa Leste da América do Sul. Até o momento, a companhia não divulgou o número de embarcações que serão incorporadas nem a capacidade adicional da frota.

Serviço marítimo manterá escalas em portos brasileiros

A nova configuração do serviço Ipanema preservará a conexão com portos estratégicos do Brasil, além de atender destinos no Uruguai e na Argentina.

No território brasileiro, a rota continuará contemplando Santos, Paranaguá, Navegantes e Rio Grande. Já Montevidéu e Buenos Aires permanecerão como pontos de conexão para os mercados uruguaio e argentino.

A manutenção dessas escalas permite que o serviço continue atendendo aos fluxos de transporte marítimo de cargas entre os principais centros comerciais da Ásia e os portos da região.

Confira a rota completa do serviço Ipanema

A rotação divulgada pela MSC prevê escalas nos seguintes portos:

Xangai – Ningbo – Shekou – Hong Kong – Singapura – Santos – Paranaguá – Navegantes – Montevidéu – Buenos Aires – Rio Grande – Paranaguá – Navegantes – Santos – Singapura – Hong Kong – Xangai.

O itinerário inclui escalas repetidas em Santos, Paranaguá e Navegantes, contemplando diferentes etapas da operação na costa sul-americana, tanto nos fluxos de chegada quanto nos de saída.

Frequência semanal será mantida a partir de 2027

Segundo a MSC, o serviço Ipanema continuará com frequência semanal, mantendo a proposta de oferecer tempos de trânsito competitivos e conexões diretas entre importantes origens asiáticas e os principais portos da Costa Leste da América do Sul.

A entrada em vigor do novo modelo está programada para 3 de abril de 2027, com a saída do primeiro navio de Xangai. A data marcará a transição do acordo atual, que envolve três armadoras, para a operação compartilhada entre MSC e ONE.

FONTE: MSC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MSC

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Transporte

Frete marítimo dispara e pressiona custos do transporte de contêineres no comércio global

As taxas spot de frete marítimo registraram forte alta na primeira semana de junho, refletindo um cenário marcado pelo aumento da demanda, limitações de capacidade operacional e impactos indiretos das tensões geopolíticas no Oriente Médio. O movimento tem elevado os custos do transporte marítimo de contêineres nas principais rotas comerciais do mundo.

Dados da consultoria Drewry mostram que o Índice Mundial de Contêineres (WCI) avançou 23% em apenas uma semana, alcançando US$ 3.433 por FEU (contêiner de 40 pés). Segundo a empresa, a antecipação da alta temporada contribuiu para intensificar a pressão sobre os preços dos fretes internacionais.

Rotas entre Ásia e Estados Unidos lideram aumentos

No corredor transpacífico, os reajustes foram ainda mais expressivos. O frete entre Xangai e Los Angeles saltou 31%, chegando a US$ 4.565 por FEU. Já os embarques destinados a Nova York registraram aumento de 20%, alcançando US$ 5.505 por FEU.

A Drewry observa que o número reduzido de cancelamentos de viagens programadas para as próximas semanas demonstra a expectativa de maior movimentação de cargas. Apenas três viagens foram suspensas na rota, volume inferior ao observado recentemente.

A procura por espaço nos navios tem sido impulsionada por importadores que antecipam embarques diante de possíveis alterações tarifárias nos Estados Unidos previstas para julho. Além disso, a preparação logística relacionada à Copa do Mundo de 2026 também vem contribuindo para o aumento da demanda.

Europa também enfrenta alta nos fretes

As ligações marítimas entre a Ásia e a Europa seguiram a mesma tendência de valorização.

O transporte entre Xangai e Roterdã registrou aumento de 25%, atingindo US$ 3.579 por FEU. Já os serviços para Gênova avançaram 20%, chegando a US$ 5.089 por FEU.

Segundo a Drewry, o crescimento da demanda foi acelerado pela corrida dos embarcadores para antecipar cargas antes da implementação de ajustes nos custos de combustível programados para julho.

Oriente Médio e congestionamentos ampliam volatilidade

A consultoria Xeneta também identificou um cenário de forte pressão sobre os preços do transporte marítimo global.

De acordo com Peter Sand, analista-chefe da empresa, os aumentos estão sendo impulsionados por uma combinação de fatores, incluindo o conflito no Oriente Médio, gargalos operacionais em portos estratégicos do Sudeste Asiático e preocupações relacionadas a uma possível crise energética no segundo semestre de 2026.

Nas últimas semanas, as taxas médias de frete entre o Extremo Oriente e a Costa Oeste dos Estados Unidos avançaram 20%, ficando mais de 100% acima dos níveis registrados antes da escalada das tensões na região do Golfo.

Nas rotas para o Norte da Europa e Mediterrâneo, os reajustes chegaram a 27% e 17%, respectivamente.

Portos asiáticos enfrentam atrasos

A situação operacional em importantes centros de transbordo também contribui para a instabilidade do mercado.

Portos como Singapura e Port Klang vêm registrando atrasos que afetam diretamente o fluxo de mercadorias e a eficiência das cadeias globais de suprimentos.

Segundo Sand, interrupções nesses hubs logísticos têm potencial para gerar impactos em diversos mercados, uma vez que concentram parte significativa da movimentação internacional de contêineres.

Oferta e demanda favorecem armadores

Para Lars Jensen, analista da indústria marítima, o atual equilíbrio entre oferta e demanda continua beneficiando as companhias de navegação.

O especialista avalia que a temporada de maior movimentação comercial está ganhando força, criando um ambiente favorável para a manutenção de fretes elevados e fortalecendo o poder de negociação dos armadores.

Dados do Container Trade Statistics (CTS) reforçam essa percepção. Em abril, a demanda global por transporte marítimo de contêineres cresceu 4,3% em relação ao mesmo período do ano passado.

Ao excluir a América do Norte e as áreas diretamente impactadas pela crise no Estreito de Ormuz, o avanço chegou a 9,7%. No mercado norte-americano, as importações aumentaram 6,2%, enquanto o comércio transpacífico apresentou expansão de 11,3%.

Canal do Panamá entra no radar do setor

Além dos desafios já existentes, uma nova preocupação começa a surgir para o comércio marítimo internacional.

A Autoridade do Canal do Panamá anunciou que reduzirá, a partir de 3 de julho, o calado máximo permitido para embarcações Neopanamax, passando para 49,5 pés. A medida busca preservar os recursos hídricos diante da possibilidade de condições climáticas associadas ao fenômeno El Niño e da perspectiva de baixos níveis de água nos próximos anos.

Embora os impactos imediatos sejam considerados limitados, especialistas veem a decisão como um sinal de alerta para futuras restrições operacionais que podem afetar cadeias logísticas globais e aumentar ainda mais os custos do transporte marítimo.

FONTE: Mundo Marítimo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Informação

Linhas de Navegação Aplicam Taxa Extra com Alta nos Preços do Combustível Marítimo

Exportadores enfrentam custos maiores para transportar cargas por navios contenedores, após grandes empresas de transporte marítimo anunciarem cobranças emergenciais devido à disparada nos preços do combustível bunker. O aumento se deve principalmente à instabilidade no Oriente Médio, que afetou o tráfego pelo Estreito de Hormuz.

Aumento no Preço do Combustível Bunker

O valor do bunker fuel, óleo utilizado para mover navios, subiu 35% na última semana, ultrapassando US$ 1.000 por tonelada métrica em hubs estratégicos como Singapura, Hong Kong, Fujairah e Long Beach. As novas tarifas de combustível variam entre US$ 100 e US$ 200 por TEU (unidade equivalente a vinte pés), dependendo da rota comercial, elevando os custos do frete.

Medidas de Empresas Marítimas

A Maersk, gigante dinamarquesa do setor, alertou que a situação de segurança no Oriente Médio continua a gerar desafios logísticos globais. Cerca de 20% do transporte mundial de combustíveis passa pelo Estreito de Hormuz, impactando a disponibilidade de combustível marítimo.

Para proteger a integridade da carga e a estabilidade da operação, a Maersk implementou uma taxa emergencial de bunker (EBS). O valor será de US$ 200 por TEU em rotas de longa distância e US$ 100 por TEU em serviços intra-regionais. A medida cobre custos e riscos não contemplados pela taxa padrão de combustível fóssil da empresa.

A Hapag-Lloyd, da Alemanha, também anunciou taxa similar para diversas rotas comerciais. Para rotas longas, como Índia-Europa ou EUA, a cobrança será de US$ 160 por TEU para contêineres secos e US$ 225 por TEU para contêineres refrigerados. Rotas intra-regionais terão tarifas de US$ 70 por TEU e US$ 100 por TEU, respectivamente. A cobrança entrará em vigor em 23 de março de 2026, exceto para remessas reguladas pela US Federal Maritime Commission (FMC), que começarão em 8 de abril de 2026.

Por sua vez, a francesa CMA CGM informou que sua taxa de combustível emergencial (EFS) ficará entre US$ 75 e US$ 130 por contêiner seco, com vigência a partir de 16 de março. O custo adicional será repassado ao pagador do frete marítimo, pressionando ainda mais os exportadores em meio às atuais disrupções nas rotas globais de comércio.

FONTE: The Hindu Business Line
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/BENOIT TESSIER

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Comércio Internacional

Tempestades e neve paralisam operações de contêineres em portos europeus

Condições climáticas extremas, com tempestades intensas e fortes nevascas, vêm provocando interrupções nas operações de contêineres em portos da Europa. O mau tempo levou ao fechamento temporário de terminais e à redução da produtividade portuária, segundo informações divulgadas pelas companhias marítimas Maersk e Hapag-Lloyd.

Impactos se espalham pelo oeste e sudoeste da Europa

De acordo com a Maersk, os efeitos mais severos foram registrados no sudoeste e no oeste do continente, gerando reflexos nos fluxos logísticos com destino e origem no norte da Europa. Países como Portugal e Espanha enfrentaram alertas meteorológicos severos, enquanto a Itália decretou estado de emergência em regiões do sul após tempestades que causaram alagamentos na semana passada.

Terminais fechados e operações reduzidas

Em comunicado aos clientes, a Maersk informou que ainda não há previsão para a normalização dos serviços impactados. Segundo a empresa, as condições adversas obrigaram navios a buscar abrigo e levaram terminais a suspender atividades ou operar com capacidade limitada.

Os fechamentos atingiram portos ao longo da costa oeste da Espanha e de Marrocos, avançando pelo Golfo da Biscaia até o Reino Unido. A companhia alertou que, diante da imprevisibilidade do clima, atrasos e paralisações devem continuar afetando navios e terminais na região.

Hapag-Lloyd também relata prejuízos

A armadora alemã Hapag-Lloyd confirmou impactos relevantes nas operações. Em comunicado por e-mail, a empresa afirmou estar enfrentando reduções significativas de produtividade em razão das condições meteorológicas desfavoráveis.

Incidente com contêineres no Mediterrâneo

Na semana passada, a francesa CMA CGM informou que um de seus navios perdeu 58 contêineres no mar após enfrentar condições climáticas mais severas do que o previsto nas proximidades de Malta. A companhia acrescentou que outras unidades sofreram danos no convés, reforçando os riscos impostos pelo clima extremo ao transporte marítimo internacional.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Transporte

Fretes marítimos de contêineres sobem 16%, mas alta pode ser temporária

As tarifas do transporte marítimo de contêineres registraram forte avanço nesta semana, com aumento de 16% no Drewry World Container Index, que chegou a US$ 2.557 por contêiner de 40 pés. A elevação foi puxada principalmente pelas rotas Transpacífico e Ásia–Europa, onde os reajustes foram mais intensos.

Alta é liderada por rotas entre China, EUA e Europa

Os maiores aumentos foram observados nos trajetos entre China e América do Norte. O frete spot de Xangai para Los Angeles subiu 26%, alcançando US$ 3.132 por contêiner, enquanto a rota Xangai–Nova York avançou 20%, para US$ 3.957.

Nas ligações entre Ásia e Europa, os preços também apresentaram elevação. O frete de Xangai para Gênova cresceu 13%, chegando a US$ 3.885, e o de Xangai para Roterdã aumentou 10%, para US$ 2.840.

Armadores elevam preços apesar da demanda fraca

Segundo analistas da Drewry, o movimento pode ter fôlego curto. A avaliação é de que os reajustes refletem aumentos oportunistas dos armadores, mesmo diante de uma demanda global de cargas ainda enfraquecida.

A alta coincidiu com a implementação de novas tarifas FAK (Freight All Kinds) e com a ampliação da capacidade ofertada. Os serviços entre Ásia e América do Norte cresceram entre 7% e 10% na comparação mensal, enquanto as rotas Ásia–Norte da Europa e Mediterrâneo tiveram expansão de 5% a 7% em janeiro. Ainda assim, agentes de carga relatam volumes fracos nas exportações asiáticas para os Estados Unidos, o que levanta dúvidas sobre a sustentabilidade dos preços.

Importações dos EUA mostram desaceleração em 2025

A volatilidade dos fretes ocorre em meio a mudanças no padrão do comércio exterior dos Estados Unidos. De acordo com o Relatório Global de Transporte Marítimo da Descartes, as importações americanas totalizaram 2,23 milhões de TEUs em dezembro, alta de 2% em relação a novembro. No acumulado de 2025, porém, o volume ficou 0,4% abaixo de 2024, somando 28,1 milhões de TEUs.

Participação da China cai e Sudeste Asiático ganha espaço

A China continuou perdendo participação nas importações dos EUA. Em dezembro, os embarques chineses caíram 21,8% na comparação anual, respondendo por apenas 31,7% do total — o menor nível para um mês de dezembro em seis anos.

Em contrapartida, o Sudeste Asiático ampliou presença, com destaque para Vietnã (+21,5%), Tailândia (+28,3%) e Indonésia (+19,6%).

Incertezas seguem pressionando o mercado em 2026

Para Jackson Wood, diretor de estratégia do setor na Descartes, 2025 foi marcado por volatilidade, incertezas e demanda mais moderada em comparação a 2024. Segundo ele, as cadeias globais de suprimentos seguem pressionadas por indefinições tarifárias, mudanças no sourcing e riscos geopolíticos elevados.

Com o início de 2026, o mercado de contêineres permanece frágil. A expectativa é que medidas comerciais entre EUA e China, decisões sobre tarifas e a instabilidade no Mar Vermelho dificultem a manutenção dos recentes aumentos de frete caso a demanda não se recupere.

FONTE: gCaptain
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Mike Blake

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Logística

Ações da Maersk caem com expectativa de reabertura do Mar Vermelho

As ações da Maersk registraram queda nesta quinta-feira, atingindo o menor valor desde julho. O movimento reflete a antecipação do mercado de que um possível acordo de cessar-fogo em Gaza possa restabelecer as rotas de transporte marítimo pelo Mar Vermelho e pelo Canal de Suez, reduzindo a pressão sobre a crise de oferta que atualmente mantém as taxas de frete elevadas.

Acordo de cessar-fogo em Gaza gera expectativas

Na quarta-feira, Israel e o Hamas aceitaram a primeira fase do plano de cessar-fogo proposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para Gaza. A medida reacendeu a esperança de que as forças houthis, do Iêmen e alinhadas com o Irã, interrompam os ataques à navegação comercial no Mar Vermelho. Desde o final de 2023, essas ações forçaram os transportadores a redirecionar suas rotas pelo sul da África.

Houthis ainda não se manifestam

Apesar do acordo, os houthis ainda não confirmaram sua adesão ao cessar-fogo nem indicaram qualquer mudança de postura. O grupo assumiu recentemente a responsabilidade pelo ataque a um navio operado pela Holanda.

Impacto nas ações da Maersk e nas taxas de frete

Nesta quinta-feira, as ações da Maersk caíram 2%, alcançando o menor patamar desde 8 de julho. Analistas alertam que, mesmo com a manutenção do cessar-fogo, as empresas de transporte marítimo provavelmente precisarão aguardar meses antes de obter garantias sobre a retomada ou não dos ataques.

O retorno das rotas pelo Canal de Suez poderia aumentar a capacidade de transporte disponível, pressionando ainda mais as taxas de frete, que já registraram queda em relação aos picos do início deste ano, segundo especialistas do Sydbank e do ABG Sundal Collier.

A Maersk ainda não comentou oficialmente sobre o assunto.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Leon Kuegeler

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Portos

Quatro empresas dominam 80% do transporte de contêineres no Porto de Santos

O transporte de contêineres no Porto de Santos (SP), o maior do Brasil, está cada vez mais concentrado em quatro grandes armadores europeus, três dos quais operam terminais dentro do complexo portuário.

Big Four do transporte marítimo

No período de setembro de 2024 a agosto de 2025, a participação das chamadas “big four” – MSC (Suíça), Maersk (Dinamarca), CMA CGM (França) e Hapag-Lloyd (Alemanha) – subiu de 72% para 80% do transporte de contêineres. Em contrapartida, a fatia dos demais armadores caiu de 28% para 20%, segundo dados da Datamar, plataforma especializada em informações portuárias e de comércio exterior.

O grupo restante inclui empresas asiáticas importantes, como a Cosco (China), ONE (Japão) e Evergreen (Taiwan). Fontes do setor relatam que a presença dessas companhias tem sido dificultada pela dominância das europeias.

Terminais de contêineres em Santos

O Porto de Santos conta com três terminais principais. A MSC e a Maersk são sócias no BTP, enquanto a CMA CGM adquiriu o controle da Santos Brasil em setembro de 2024. O terceiro terminal pertence à DPW (Dubai Ports World), que tem um acordo com a Maersk para operações de contêineres.

Além disso, a Maersk firmou uma parceria em 2024 para compartilhamento de rotas marítimas intercontinentais, válida desde o início de 2025, mas que não inclui a América Latina.

Novo superterminal em Santos

O governo federal planeja leiloar ainda em dezembro de 2025 o Tecon Santos 10, novo superterminal de contêineres que deve receber mais de R$ 6 bilhões em investimentos e aumentar em 50% a capacidade atual de movimentação de cargas.

O Tribunal de Contas da União (TCU) avalia o modelo de leilão, que enfrenta forte disputa entre órgãos do governo e empresas. A Antaq e o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) defendem um leilão em duas etapas, impedindo a participação dos atuais operadores na primeira fase e permitindo uma segunda rodada caso não haja propostas. Nesse modelo, os vencedores incumbentes precisariam se desfazer de seus ativos em Santos.

Já o Ministério da Fazenda, por meio da Seae, e a unidade técnica do TCU preferem um leilão aberto em fase única, com cláusula de desinvestimento apenas se um dos atuais operadores vencer.

Argumentos a favor das restrições

Defensores de restrições citam a concentração dos armadores europeus para justificar a necessidade de um novo operador. Segundo eles, se uma das empresas que já controlam terminais vencer o leilão do Tecon 10, outros armadores poderiam ter menos oportunidades de atracagem no maior porto brasileiro.

O grupo filipino ICTSI, interessado no Tecon Santos 10, afirmou em manifestação ao Ministério Público de Contas que a “concentração de mercado em Santos é alarmante” e que os incumbentes controlam significativamente também a cabotagem, essencial para o funcionamento do porto como hub regional.

Segundo a ICTSI, “leilões em duas fases, com restrições a incumbentes, são práticas adotadas globalmente para fomentar a concorrência e não prejudicam a eficiência do certame”, destacando que tais formatos seguem recomendações da OCDE.

Cade arquiva inquérito sobre condutas anticoncorrenciais

Recentemente, a Superintendência-Geral do Cade arquivou um inquérito que investigava MSC e Maersk por possíveis práticas de self-preferencing no Porto de Santos. A denúncia havia sido apresentada pela ABTP e Abtra, alegando favorecimento de terminais próprios, diferenciação de preços e redução de escalas em terminais de terceiros.

O Cade concluiu que não havia indícios suficientes de infração à ordem econômica, encerrando as investigações em maio de 2025.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/NeoFeed

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