Comércio Exterior

Acordo União Europeia–Mercosul elimina tarifas em 91% dos produtos e transforma Brasil em fornecedor estratégico de alimentos

acordo União Europeia–Mercosul marca um dos maiores avanços comerciais das últimas décadas, eliminando tarifas em 91% dos produtos negociados entre os blocos. Para o Brasil, o impacto é direto: além de consolidar-se como fornecedor essencial de alimentos para a Europa, o país ganha espaço em um mercado altamente competitivo e exigente.

De acordo com analistas, esse tratado altera de forma significativa a dinâmica geopolítica do comércio global. A Europa busca reduzir sua dependência dos Estados Unidos e da China, enquanto o Mercosul garante maior estabilidade para seus principais produtos, especialmente carne, soja, açúcar e café.

Por que o acordo representa uma mudança histórica

O acordo União Europeia–Mercosul vinha sendo negociado há mais de 20 anos e enfrentava resistências internas, sobretudo da França, devido às preocupações ambientais e com a concorrência agrícola. A decisão de Bruxelas de abrir mão de barreiras tarifárias agrícolas em larga escala representa um tabu quebrado e demonstra a urgência em diversificar fornecedores diante da crise energética e das tensões comerciais globais.

Para o Brasil, que sozinho responde por cerca de 75% do PIB do Mercosul, o tratado amplia o acesso a um dos mercados mais ricos do mundo. Produtos como carne bovina, aves, arroz, mel, açúcar e derivados terão novas cotas de exportação, muitas delas com tarifas reduzidas ou até isentas.

Ganhos europeus e reação de agricultores locais

Do lado europeu, a grande conquista está na abertura do mercado sul-americano para setores estratégicos.

Carros, peças automotivas, máquinas industriais e produtos químicos terão tarifas reduzidas, o que pode recuperar parte do espaço perdido para a China no Brasil.

Para a indústria automotiva alemã, por exemplo, o acordo é visto como um movimento essencial diante da crescente presença de fabricantes chineses como a BYD.

Apesar do otimismo, agricultores europeus denunciam concorrência desleal. Eles alegam que os custos de produção no Brasil são menores e que as regras ambientais são menos rígidas.

Ainda assim, o cálculo político em Bruxelas foi claro: a necessidade de estabilidade econômica e de novos parceiros pesou mais do que as pressões internas.

O papel estratégico do Brasil no novo cenário

Mais do que apenas números de exportação, o tratado reposiciona o Brasil como ator central na segurança alimentar europeia.

A União Europeia passa a contar com o país como fornecedor confiável em um momento de instabilidade global.

Em contrapartida, abre portas para sua indústria avançada, reforçando a lógica de interdependência econômica.

A parceria também tem um componente geopolítico. Ao estreitar relações com o Mercosul, a Europa reduz sua vulnerabilidade em relação aos Estados Unidos e à China, criando um novo eixo de cooperação com a América do Sul.

Esse movimento pode redefinir fluxos de comércio globais nos próximos anos.

O acordo União Europeia–Mercosul é um divisor de águas para os dois blocos.

Para o Brasil, significa consolidar seu papel como potência agrícola mundial e fortalecer sua relevância estratégica.

Para a Europa, abre espaço para sua indústria e cria alternativas diante da crise de confiança nas relações com Washington e Pequim.

Fonte: Click Petróleo e Gás

Ler Mais
Economia

Projeção da Selic acumulada 2025 passa de 14,25% para 14,30%

A revisão consta do Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias

Os ministérios do Planejamento e da Fazenda aumentaram a projeção para a taxa Selic acumulada em 2025, de 14,25% para 14,30%. A revisão consta do Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do quarto bimestre.

Na sua mais recente reunião, da última quarta-feira, 17, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a taxa básica de juros em 15,0% ao ano, e afirmou que avalia se a manutenção da Selic neste nível por período “bastante prolongado” é suficiente para levar o IPCA à meta.

A projeção para o câmbio médio deste ano passou de R$ 5,70 para R$ 5,63. A previsão para a alta da massa salarial nominal passou de 12,08% para 12,11%. Já a estimativa para o preço médio do barril de petróleo no mercado internacional passou de US$ 68,38 para US$ 69,58.

No último dia 11, a Fazenda diminuiu a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2025, de 2,5% para 2,3%. A previsão para o IPCA passou de 4,9% para 4,8%, ainda acima do teto da meta, de 4,5%. A estimativa para a inflação medida pelo INPC, que é usado para corrigir o salário mínimo, permaneceu em 4,7%.

Fonte: Estadão Conteúdo

Ler Mais
Industria

Indústrias de SC demitem em massa após tarifaço e tentam se reinventar em meio à crise

Negócios começaram a derreter com o anúncio da taxação para o Brasil, feito no dia 9 de julho

O ano de 2025 entrou para a história como o que impôs o pior e mais inimaginável desafio aos exportadores de Santa Catarina e do Brasil: enfrentar um tarifaço de 50% para vender aos Estados Unidos, o maior mercado externo catarinense e o segundo brasileiro, por um motivo de polarização política. Os negócios começaram a derreter com o anúncio da taxação para o Brasil, feito no dia 9 de julho, e seguiram com a entrada em vigor da mesma em 6 de agosto.

Apesar de o governo americano ter anunciado uma lista de isenções de aproximadamente 700 produtos, quase nenhum deles é exportado por SC ao país. A economia do estado está tendo que enfrentar o problema em cheio. A lista de setores afetados inclui madeira, móveis, veículos, autopeças, máquinas e equipamentos, alimentos, produtos químicos, materiais de construção, papel e equipamentos de transporte, entre outros.

O mais afetado é o de madeira e móveis, que teve como um dos pontos mais críticos até agora as demissões de quase 400 trabalhadores pela fabricante de móveis Artefama, de São Bento do Sul, na última quarta-feira (17). Ela anunciou uma reestruturação para se ajustar ao tarifaço. Além disso, duas empresas de madeiras de SC foram fechadas — mas o setor não informou quais foram.

Desde o anúncio de Donald Trump, cada empresa tentou ser resiliente a seu modo, antecipando vendas e entregas e ajustando preços. Agora, o continua com esforços para redução de preços no Brasil e junto aos clientes dos EUA, lobby em Washington para reduzir a tarifa por setor ou empresa, corte de custos portuários, linhas de crédito, busca de novos mercados e outras medidas.

Isso porque, até o momento, não há sinais de que poderá haver um acordo entre os governos dos dois países, ainda mais após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro — a verdadeira motivação da taxação de 50%. Por isso, todas as ações dos exportadores de SC não consideram um acordo próximo. Um grupo, como o de produtores de mel no Sul do Estado, espera que a Suprema Corte dos EUA derrube as tarifas e até mesmo force o governo Trump a devolver o que está sendo cobrado. Mas a realidade da crise vai aparecendo gradativamente, pois não existem sinais de que Trump esteja disposto a negociar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), o presidente a entidade, Gilberto Seleme, também acionista de um grupo empresarial exportador, lidera a busca de alternativas para que os setores resistam a esses primeiros meses e sigam vendendo para os EUA, visando redução de tarifas mais adiante. O líder da Fiesc é um dos mais atentos à luta pela redução de custos onde for possível, incluindo até a redução de tarifas portuárias.

A análise, tanto de Seleme quanto do economista-chefe da Fiesc, Pablo Bittencourt, é que nos primeiros meses as estatísticas não refletem muito a realidade porque muitas empresas adiantaram exportações aos EUA. No setor que mostrou estar sofrendo mais, o de madeira e móveis, o saldo de empregos em julho ficou negativo em 581 postos de trabalho com carteira assinada, segundo o Caged, do Ministério do Trabalho. Agora, em setembro, houve a decisão da Artefama e do fechamento de duas empresas.

A maior cidade de SC, Joinville, encerrou mais de 800 empregos na indústria em julho, mas esse recuo, segundo análises, foi mais em função dos juros altos do que devido ao tarifaço. Este mês, os impactos, segundo informações não oficiais, estão ocorrendo mais em função da redução de atividades devido ao tarifaço.

Sobre as duas empresas de madeira que fecharam, a Fiesc recebeu informações de que elas não tinham matéria-prima própria. O custo de comprar de terceiros ficou caro demais.

Recuo das exportações é evidência da crise

O dado que mostrou com mais evidência o impacto do tarifaço de 50% dos Estados Unidos até agora foi a queda de 19,5% das exportações catarinenses em agosto frente ao mesmo mês de 2024. Isso apesar de as vendas de SC ao mercado americano já estarem em queda gradativa desde o final de 2024. Já sentiam os riscos da promessa do presidente Donald Trump de adotar restrições a importações e, depois, iniciar a taxação com alíquota de 10% em abril deste ano.

Em meio a esforços para vender mais e a suspensão de pedidos, os EUA seguiram em agosto como o maior destino das exportações do estado, com receita de 119,2 milhões de dólares, 12,3% do total obtido lá fora. Mas foi um resultado sofrido, com queda de vendas dos principais produtos.Mesmo assim, apesar do início do tarifaço, SC fechou o mês com receita de 971,4 milhões de dólares nas vendas externas — crescimento de 1,54% frente ao mesmo mês do ano passado. O resultado positivo foi alcançado graças a mais vendas para outros mercados: as maiores altas foram para o México (+47%), Chile (+30,9%) e Argentina (+21,7%), apurou o Observatório Fiesc.

De janeiro a agosto, os resultados de SC também foram positivos na balança comercial. Houve crescimento de 5,9% no faturamento de exportações frente ao mesmo período de 2024, somando 7,94 bilhões de dólares. O produto que mais colaborou para esse resultado foi proteína de ave, com alta de 8,1% e receita total no ano de 1,44 bilhão de dólares. No ano, os Estados Unidos também foram o principal destino das exportações de SC. Elas somaram 1,1 bilhão de dólares, com recuo de 1,3%, e responderam por 14,2% do total. A partir de agora, todo mês será uma incógnita, com resultados diferentes.

Maior desafio é no setor de madeira e móveis

Desde que o presidente Trump iniciou as ameaças de elevar tarifas de importações, lideranças de Santa Catarina sempre reconheceram que o maior desafio seria enfrentado pelo setor de madeira e móveis. Isso por ter boa parte de commodity, ter maior concorrência no exterior e por representar quantidade relevante. Em 2024, esse setor respondeu por 44% das exportações de SC ao mercado americano, com 768,3 milhões de dólares.

— Estamos vendo que o exportador de madeira e móveis que tem floresta própria está conseguindo lidar com o preço mais alto. Como a matéria-prima é própria, consegue atribuir um preço mais baixo para a madeira e, assim, está conseguindo negociar e manter clientes. Quem não tem essa alternativa, está sofrendo – observa o economista-chefe da Fiesc, Pablo Bittencourt.

De acordo com o economista, outro obstáculo é que a concorrência asiática já vinha crescendo frente ao Brasil nesse setor, no mercado americano

— Mas os exportadores também estão se mobilizando e buscando outros mercados. Muitos produtores estão voltando a buscar antigos clientes na Europa. Porque nos EUA pagava-se melhor. Então, eles tinham um cliente cativo e acabaram se acostumando a colocar todos os ovos numa cesta só. Agora, estão voltando a buscar clientes que pagavam menos e faziam compras menores – destaca Bittencourt.

Pacote “desTarifaço” ajuda

Após o anúncio de medidas governamentais para amenizar a crise, a Fiesc também lançou o seu pacote, denominado desTarifaço. A série de medidas inclui consultoria gratuita, ajuda para conquistar novos mercados, lobby nos Estados Unidos, apoio a trabalhadores e outras ações.

Para as lideranças da Fiesc, tanto o presidente Gilberto Seleme quanto o primeiro vice-presidente André Odebrecht, se existe um setor que pode conseguir redução de tarifa sensibilizando o governo americano é o de madeira. Isso porque é grande a quantidade de madeira brasileira usada na construção civil e, com 50% de taxa, isso vai encarecer os imóveis por lá. O setor recebendo atenção especial e, há confiança de que poderá seguir vendendo aos EUA.

Seleme fez questão de citar uma série de medidas com esse foco. As exportações de SC estão conseguindo reduzir o preço da madeira, os importadores dos EUA decidiram reduzir um pouco seus preços, existe o incentivo do Reintegra (lei brasileira) e os portos de SC reduziram as tarifas para movimentar cargas. Somando tudo isso, dá uma redução de quase 25% no preço, o que coloca SC competitiva frente aos fornecedores asiáticos. Outra novidade para a entidade é o investimento em presença na capital americana, Washington, com um escritório especializado para fazer lobby. Essa é uma atividade legal nos EUA e a indústria de SC entendeu como necessária.

Além disso, entre as ações do desTarifaço da Fiesc para ajudar as empresas estão missões no exterior para buscar novos clientes. Quem está coordenando isso é a presidente da Câmara de Comércio Exterior da entidade, Maria Teresa Bustamante. Uma missão será realizada em novembro para a Argentina, aproveitando uma exposição internacional na capital, Buenos Aires.

Fonte: NSC Total

Ler Mais
Comércio Exterior

Senadores dos EUA propõem suspender tarifas da era Trump sobre o Brasil

Um grupo de cinco senadores dos EUA apresentou um projeto de lei na quinta-feira (18) para cancelar as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump sobre produtos brasileiros.

“O tarifas do presidente Trump sobre produtos brasileiros, que ele impôs para tentar barrar a acusação no Brasil contra um de seus amigos, são ultrajantes”, disse o senador Tim Kaine, democrata da Virgínia.

A proposta também foi assinada pelo líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, pelos democratas Jeanne Shaheen e Ron Wyden, e pelo republicano Rand Paul, membro do próprio partido de Trump.

Em julho, Trump anunciou uma tarifa retaliatória de 50% sobre produtos brasileiros em resposta ao que chamou de “caça às bruxas” do Supremo Tribunal Federal (STF) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados próximos, condenados na semana passada por liderarem a tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023.

A maior parte da alíquota efetiva de 40% foi imposta com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), que dá ao presidente dos EUA autoridade para regular a atividade econômica em resposta a “ameaças extraordinárias”.

O senador Kaine afirmou que a medida faz parte “dessas guerras comerciais incompetentes e caóticas que estão tornando bens do dia a dia mais caros para os americanos que só estão tentando se virar”.

“Quando esta legislação chegar ao plenário do Senado, peço aos meus colegas de ambos os lados que defendam o princípio de que nossa política econômica deve ser elaborada em função dos melhores interesses dos americanos — não de vendetas pessoais mesquinhas”, disse ele.

O senador Schumer ecoou o colega democrata, argumentando que Trump está usando a política comercial para avançar sua agenda política.

“Trump instituiu a falsa ‘declaração de emergência’ após a acusação de seu aliado, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em uma clara extrapolação de seus poderes presidenciais. Os americanos não merecem que Trump faça política com seu sustento e seu bolso”, disse Schumer.

Até mesmo o senador Paul, que concorda com Trump que Bolsonaro está sendo perseguido politicamente, disse que o presidente dos EUA extrapolou sua autoridade ao usar a IEEPA para impor tarifas.

“O presidente dos Estados Unidos não tem autoridade sob a IEEPA para impor tarifas unilateralmente. A política comercial pertence ao Congresso, não à Casa Branca”, argumentou Paul.

Os senadores enfatizaram os fortes laços comerciais entre os dois países, destacando que os EUA têm superávit comercial com o Brasil e que o comércio bilateral sustenta cerca de 130 mil empregos americanos.

Uma guerra comercial mais profunda, alertaram, aumentaria os preços para os consumidores americanos, prejudicaria ambas as economias e aproximaria o Brasil da China.

Enquanto isso, a Suprema Corte dos EUA está analisando — em caráter acelerado — um recurso do governo contra a decisão de um tribunal inferior que concluiu que Trump excedeu sua autoridade ao impor a maior parte das tarifas com base na lei de poderes emergenciais. As tarifas permanecem em vigor enquanto o caso tramita na Justiça.

A decisão do tribunal de apelações decorre de dois processos. Um foi movido por cinco pequenas empresas importadoras de mercadorias, incluindo um importador de vinhos e licores com sede em Nova York e uma empresa de artigos de pesca da Pensilvânia.

O outro foi aberto por 12 estados norte-americanos — Arizona, Colorado, Connecticut, Delaware, Illinois, Maine, Minnesota, Nevada, Novo México, Nova York, Oregon e Vermont, a maioria governados por democratas.

A Suprema Corte também concordou em analisar um terceiro caso movido pela Learning Resources, uma empresa familiar de brinquedos.

Fonte: Valor International

Ler Mais
Exportação

Exportações de alimentos caem em agosto por causa de tarifaço dos EUA

Açúcares, proteínas e preparações alimentícias foram os mais afetados

Balanço da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) registrou queda de US$ 300 milhões na exportação de alimentos industrializados em agosto, equivalente a redução de 4,8% em com comparação a julho.

Segundo o levantamento, as exportações somaram US$ 5,9 bilhões em agosto. Deste volume, US$ 332,7 milhões para os Estados Unidos, o que representa uma queda de 27,7% em relação a julho e de 19,9% na comparação com agosto de 2024.

O resultado reflete o aumento das tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros, além da antecipação dos embarques em julho antes da entrada em vigor da taxação.

Em julho, os EUA haviam importado US$ 460,1 milhões em alimentos industrializados do Brasil.

Os produtos mais afetados para os EUA foram açúcares (recuo de 69,5% em agosto na comparação com julho), proteínas animais (- 45,8%) e preparações alimentícias (- 37,5%)

O desempenho das exportações nos dois últimos meses evidencia uma inflexão clara: o crescimento expressivo de julho foi seguido por ajuste em agosto, sobretudo nos EUA, impactados pela nova tarifa, enquanto a China reforçou seu papel como mercado âncora”, analisa João Dornellas, presidente executivo da ABIA, em nota. Para o representante, a queda observada em agosto mostra que o país precisa diversificar seus parceiros comerciais e aumentar sua capacidade de negociação.

A queda para o mercado norte-americano coincidiu com um aumento substancial das vendas para o México, que comprou um total de US$ 221,15 milhões (3,8% do total), principalmente de proteínas animais. 

“O avanço do México, que coincide com a retração das vendas aos Estados Unidos, indica um possível redirecionamento de fluxos e a abertura de novas rotas comerciais, movimento que ainda requer monitoramento para identificar se terá caráter estrutural ou apenas conjuntural”, explica a nota da associação.

No total, os mexicanos compraram 43% a mais de produtores brasileiros em agosto, sendo o mercado que mais aumentou a participação no período. 

perspectiva é que o impacto mais expressivo seja sentido no acumulado do ano. Segundo a ABIA, a estimativa é de que as vendas de alimentos atingidos pelo tarifaço para o mercado norte-americano acumulem, entre agosto e dezembro, queda de 80%, com perda acumulada de US$ 1,351 bilhão. 

China

A China, maior comprador de alimentos industrializados, adquiriu US$ 1,32 bilhão em produtos, alta de 10,9% em relação a julho e de 51%, em relação a agosto de 2024.  A fatia chinesa representa 22,4% do total exportado em agosto deste ano.

O mercado externo representa 28% do faturamento do setor.

Já os países da Liga Árabe reduziram em 5,2% as compras em agosto em relação a julho, que somaram US$ 838,4 milhões. A União Europeia importou US$ 657 milhões em alimentos, redução de 14,8% sobre julho e de 24,6% quando comparado com agosto de 2024.   

De janeiro a julho de 2025, as exportações gerais totalizaram US$ 36,44 bilhões, representando uma queda de 0,3% no mesmo período de 2024, em razão da diminuição de produção do açúcar na entressafra. 

Suco de laranja

Setor que não foi taxado, a indústria de suco de laranja teve crescimento de 6,8% em agosto em relação ao mesmo mês do ano passado, e queda de 11% frente a julho, em razão da antecipação de embarques.

Empregos no setor 

A indústria de alimentos registrou, em julho, 2,114 milhões de postos de trabalho formais e diretos. No comparativo interanual, foram criados, de julho de 2024 a julho de 2025, 67,1 mil novas vagas, o que representou um crescimento de 3,3%.

Neste ano, foram 39,7 mil empregos diretos novos e outros 159 mil postos abertos na cadeia produtiva, em setores como agricultura, pecuária, embalagens, máquinas e equipamentos.

Fonte: Agência Brasil

Ler Mais
Industria

BNDES começa hoje a liberar crédito para indústrias afetadas pelo tarifaço

Linhas estão abertas e funcionando. Empresas podem procurar seus agentes financeiros ou o próprio BNDES, informou o diretor do Banco, José Luis Gordon, durante reunião na FIESC

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) começa hoje a liberar as linhas de crédito para indústrias exportadoras afetadas pelo tarifaço. “Convido os empresários a já procurarem seus agentes financeiros ou o próprio BNDES porque as linhas já estão abertas e funcionando. Esse é o principal recado”, afirmou o diretor de desenvolvimento produtivo, inovação e comércio exterior do Banco, José Luis Gordon. Ele participou de encontro na Federação das Indústrias (FIESC), nesta quarta-feira, dia 17, e junto com técnicos do Banco apresentou detalhes operacionais de como as empresas podem acessar as linhas e as condições de acesso.

“Esse encontro foi muito importante porque as indústrias afetadas pelo tarifaço tiveram a oportunidade de conhecer as linhas de crédito e tirar dúvidas. Santa Catarina foi muito atingida, e o Plano Brasil Soberano veio numa boa hora e vai aliviar um pouco esse baque que o empresário catarinense teve”, afirmou o presidente da FIESC, Gilberto Seleme.

São R$ 40 bilhões em crédito no âmbito do Plano Brasil Soberano, dos quais R$ 30 bilhões do Fundo Garantidor de Exportações (FGE) e R$ 10 bilhões em recursos do próprio Banco. Os recursos vão financiar capital de giro e investimentos em adaptação da atividade produtiva, aquisição de máquinas e equipamentos e busca de novos mercados. Terão acesso aos recursos do FGE empresas de todos os portes que foram impactadas pela tarifa de 50% e cujo faturamento bruto com exportações aos Estados Unidos seja igual ou superior a 5% do total apurado entre julho de 2024 e junho de 2025.

Serão ofertadas quatro linhas de crédito com recursos do FGE: Capital de Giro (financiamento de gastos operacionais), Giro Diversificação (busca de novos mercados), Bens de Capital (aquisição de máquinas e equipamentos) e Investimento (inovação tecnológica, adaptação da atividade produtiva, de produtos, de serviços e de processos, e adensamento da cadeia produtiva). Os financiamentos serão realizados com cláusula contratual de compromisso de manutenção de empregos.

“Queremos viabilizar que os exportadores brasileiros consigam manter a atividade econômica, preservar e gerar empregos, diversificar mercados internacionais e modernizar e fazer a adaptação produtiva”, explicou Lívia dos Reis Rocha, superintendente de comércio exterior do BNDES.

Na reunião, técnicos do BNDES também apresentaram o Crédito Indústria 4.0, voltado para modernizar o parque industrial. São R$ 10 bilhões via BNDES e outros R$ 2 bilhões por meio da FINEP. A linha está aberta a empresas de qualquer porte. “A indústria é central para a agenda de desenvolvimento do país”, declarou Gordon.

Fonte: FIESC

Ler Mais
Comércio Exterior

Tarifaço: indústria nacional de madeira demite 4 mil pessoas e coloca 5,5 mil em férias coletivas

Um mês e uma semana após a entrada em vigor do tarifaço de 50% imposto por Donald Trump sobre produtos brasileiros, fabricantes de molduras, itens de marcenaria e madeira processada — que têm no mercado americano seu principal destino — já registraram 4 mil demissões, colocaram 5,5 mil funcionários em férias coletivas e suspenderam temporariamente o contrato de 1,1 mil trabalhadores, segundo levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci).

O setor emprega diretamente 180 mil pessoas no País e a maior parte dos fabricantes afetados pela sobretaxa está nos Estados do Sul, Paraná e Santa Catarina, sobretudo em pequenos municípios. Caso o tarifaço continue, a entidade prevê mais 4,5 mil demissões nos próximos 60 dias.

Segundo a Abimci, os cortes no emprego refletem a retração nas exportações de madeira industrializada para os EUA. Após o anúncio do tarifaço em julho, diz a entidade, os contratos e os embarques começaram a ser cancelados. Também houve queda no fechamento de novos contratos.

Exportações despencam

O resultado do tarifaço é que as exportações de alguns dos principais produtos de madeira processada para os Estados Unidos em agosto despencaram. Caíram entre 35% e 50% na comparação com julho, informa a entidade.

Paulo Pupo, superintendente da Abimci, diz que a entidade foi inúmeras vezes a Brasília para participar de reuniões como ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, que sempre demonstrou boa vontade, mas não houve ação efetiva para reverter a situação.

Puppo diz que o setor espera que tratativas ocorram em regime de urgência, porque é função do governo federal estar à frente nas negociações das tarifas, uma vez que é muito difícil o setor fazer inclusões nas ordens executivas. “É de responsabilidade do governo federal o avançar (nas negociações) para estacar o grande número de demissões que estamos tendo.”

No ano passado, os Estados Unidos importaram US$ 1,6 bilhão de madeira industrializada. Nesse grupo existem produtos para finalidades diferentes na construção civil, como compensado laminado, moldura muito usada nas casas americanas, madeira serrada para cerca, pellets, portas e pisos, por exemplo.

Os EUA concentram, em média, 50% das compras da produção nacional. Em alguns segmentos, a dependência é ainda maior, com 100% das vendas voltadas exclusivamente ao mercado americano.

Fonte: Estadão

Ler Mais
Comércio Exterior

Análise: Governo precisa de cautela em ajuda a afetados pelo tarifaço

A CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado Federal aprovou, nesta terça-feira (16), um projeto que expandi o auxílio governamental aos exportadores brasileiros impactados pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos. A medida requer uma análise criteriosa devido às limitações orçamentárias do governo. A análise é de Fernando Nakagawa no Bastidores CNN.

Setores mais vulneráveis da economia brasileira, como produtores de frutas do Vale do São Francisco e apicultores do Ceará e Piauí, já contam com linhas de crédito emergenciais a juros reduzidos.

Enquanto isso, os segmentos mais organizados da economia nacional, como as indústrias do café e da carne, têm conseguido encontrar alternativas comerciais.

O setor de carnes revisou suas projeções de prejuízo e reduziu a estimativa inicial de US$ 1 bilhão para US$ 300 milhões, uma queda de 70%.

A ampliação da ajuda governamental deve ser realizada com cautela, considerando a escassez de recursos públicos disponíveis.

É essencial direcionar o suporte financeiro para os setores que realmente necessitam, evitando destinar recursos a segmentos que já encontraram meios de minimizar os impactos das tarifas.

Fonte: CNN Brasil

Ler Mais
Negócios

Falta de confiança interpessoal atrapalha internacionalização das empresas brasileiras

As tarifas impostas pelos Estados Unidos mundo afora são mais uma etapa no atual ciclo de escalada de tensões geopolíticas. Como no xadrez, quem cria mais opções na área de comércio internacional e nos negócios é o mais bem-sucedido.

Brasil figura no décimo lugar da economia mundial em Produto Interno Bruto (PIB) nominal, mas ocupa a tímida 82.ª posição no ranking de globalização no Índice KOF, índice suíço que mede a integração econômica, social e política das nações. Somos uma economia voltada para o próprio umbigo, exportando 20% do PIB, enquanto outras economias da América Latina exportam, em média, 30%.

Internacionalização difere de exportação. Exportar representa uma pequena amostra da conexão com o comércio internacional. O produto enviado para fora é uma extensão do mercado doméstico. Já a internacionalização encara a competição no mercado de destino, disputando mão de obra local e se relacionando com fornecedores regionais.

Como consequência, empresas que investem nessas habilidades tornam-se mais resilientes e ganham produtividade. Temos bons exemplos, como as brasileiras WEG, de equipamentos eletrônicos, a Randon, de sistemas automotivos, e a Tramontina, de utensílios para casa, cujas frigideiras são destacadas há oito anos pela Wirecutter, seção do jornal The New York Times que avalia a qualidade de bens de consumo.

Muitos empresários brasileiros que dominam o mercado interno ainda acreditam que a complexidade operacional externa “só pode ser maior”. Ledo engano. Enquanto no Brasil empreender é um ato de fé por causa das burocracias, nos Estados Unidos, por exemplo, há brokers e especialistas em cada microssegmento da indústria. Em pouco tempo e com custo razoável, eles decodificam os segredos do mercado local.

O grande obstáculo para brasileiros, no entanto, é a baixa confiança. Uma recente pesquisa da European Values Study aponta que o índice de confiança interpessoal do Brasil alcança meros 7%, enquanto o da Noruega é de 72% e o dos Estados Unidos fica por volta de 40%.

Dado que a internacionalização começa na pessoa física e evolui para a pessoa jurídica, a busca por essa confiança e por relações inicia-se com encontros, cursos e investimentos pessoais, até chegar ao investimento offshore corporativo. Não soa coincidência que a maioria das nossas empresas internacionalizadas foi fundada por imigrantes. Como disse o cientista de computação americano Gerald Weinberg, “o truque para confiar e conquistar confiança é evitar todos os truques.”

Fonte: Estadão

Ler Mais
Agricultura

Agricultores franceses contra o pacto UE-Mercosul e as tarifas de Trump

O principal sindicato dos agricultores franceses, a FNSEA, convocou para o próximo 25 de setembro uma jornada nacional de protesto contra o acordo comercial UE-Mercosul, as tarifas de Donald Trump e “as importações de produtos que não respeitam a regulamentação francesa”.

Assim anunciou em entrevista ao semanário Journal du Dimanche o secretário-geral do sindicato, Arnaud Rousseau, que voltou a se mostrar especialmente hostil ao acordo por considerar que a entrada na França de produtos latino-americanos, mais baratos e com diferentes normas de produção, pode prejudicar a produção nacional.

Esse anúncio acontece em pleno período de protestos nas ruas contra a austeridade na França. No último 10 de fevereiro se manifestou o movimento social Bloqueemos tudo e, neste dia 18, está prevista uma importante jornada de greve convocada pelos sindicatos.

Os protestos acontecem também em meio a uma instabilidade política. Nesta semana, a Assembleia Nacional derrubou François Bayrou como primeiro-ministro — o segundo a cair no hemiciclo em menos de um ano — e o presidente francês, Emmanuel Macron, nomeou outro chefe de Governo, Sébastien Lecornu.

Esse aliado fiel de Macron deu sinais de querer suavizar o plano de austeridade de 2026, que havia levado as forças parlamentares a forçar a queda de Bayrou, como a retirada da polêmica supressão de dois feriados por ano. No entanto, os movimentos de protesto, como o do dia 18, continuam de pé.

A convocatória da FNSEA — um sindicato favorável à agricultura intensiva — acontece no momento em que o acordo comercial entre o bloco europeu e latino-americano (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) está em fase de ratificação nos 27 parlamentos da UE. No papel, quase todos os deputados franceses se opõem a esse acordo.

Há quase dois anos, em janeiro de 2024, houve um grande movimento de protestos de pecuaristas e agricultores franceses que, além de denunciar o acordo UE-Mercosul, reclamavam da perda de competitividade devido a normas ambientais supostamente mais rígidas na França do que em outros países e ao excesso de burocracia.

Para tentar apaziguar esse descontentamento, a Assembleia Nacional aprovou no verão uma polêmica lei, chamada “Duplomb”, que chegou a reautorizar um pesticida, mas que, em meio a uma forte mobilização ecologista contra a medida, acabou sendo modificada pelos tribunais.

Fonte: El Economista

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook