Comércio Exterior

Portos do Sul e Sudeste devem concentrar impactos do tarifaço dos EUA sobre exportações brasileiras

Os portos das regiões Sul e Sudeste devem sentir os maiores reflexos das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A avaliação é do Observatório de Infraestrutura de Transportes, do Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI), que aponta concentração dos impactos nos principais polos exportadores do país.

De acordo com o presidente do IBI, Mario Povia, os efeitos da medida tendem a ser mais intensos no Porto de Santos (SP) e nos terminais localizados no Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Espírito Santo, estados que concentram o embarque de diversos produtos atingidos pelas sobretaxas.

Exportações de produtos industriais estão entre as mais afetadas

Segundo o instituto, os portos dessas regiões são responsáveis pelo escoamento de mercadorias como madeira de pinus, móveis, máquinas, plásticos, produtos têxteis, calçados, papel, açúcar, tabaco e rochas ornamentais, segmentos diretamente impactados pela política tarifária norte-americana.

Levantamento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostra que cerca de 23% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos foram atingidas pelas novas tarifas. Em contrapartida, aproximadamente 52,7% dos produtos enviados ao mercado norte-americano ficaram de fora da medida, graças às exceções anunciadas pelo governo dos EUA.

Isenções reduzem impacto sobre a movimentação portuária

Apesar das restrições comerciais, especialistas avaliam que o sistema portuário brasileiro deve sofrer impactos limitados. Isso porque boa parte das cargas transportadas em contêineres foi contemplada pelas isenções.

Entre os produtos preservados estão carnes, café, celulose, pescados e frutas, mercadorias de maior valor agregado que representam parcela importante da movimentação conteinerizada brasileira.

Na avaliação do IBI, esse cenário tende a manter o ritmo das operações nos portos, concentrando os prejuízos apenas em determinadas cadeias produtivas e regiões, sem comprometer o desempenho geral da infraestrutura portuária nacional.

Setor de transporte também prevê reflexos em outros modais

Embora as isenções amenizem parte dos efeitos sobre as exportações, representantes do setor de transporte alertam para consequências indiretas em diferentes modais logísticos.

A gerente executiva da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Fernanda Schwantes, afirma que os principais impactos devem atingir produtos manufaturados e semimanufaturados. Ainda assim, ela reconhece que as exceções concedidas pelos Estados Unidos oferecem certo alívio para o agronegócio e para segmentos estratégicos da indústria brasileira.

Mesmo com esse cenário, a redução no volume de cargas destinadas ao mercado norte-americano pode afetar empresas de transporte rodoviário, ferroviário, marítimo e aéreo, em razão da diminuição do fluxo de mercadorias.

Empresas de logística podem enfrentar atrasos e queda na receita

Além da redução nas exportações, a CNT destaca que disputas comerciais dessa natureza costumam provocar atrasos nos processos aduaneiros, necessidade de renegociação de contratos e busca por novos mercados consumidores, fatores que aumentam os desafios para transportadoras e operadores logísticos.

O governo federal anunciou linhas de financiamento por meio do Programa Brasil Soberano para apoiar empresas exportadoras e fornecedores impactados pelas tarifas e pela instabilidade no Golfo Pérsico. No entanto, segundo a entidade, o pacote não contempla de forma direta o setor de transporte e logística, que sofre os efeitos da retração das exportações sem acesso específico às medidas de apoio.

Fonte: Com informações da CNN Brasil.

Texto: Redação

Imagem: Reprodução CNN / Reuters

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Comércio Exterior

Lei da Reciprocidade orienta resposta do Brasil ao tarifaço dos EUA e governo prepara pacote de apoio

O governo federal reforçou que a Lei da Reciprocidade não tem caráter de retaliação aos Estados Unidos, mas representa um mecanismo legal para responder a medidas consideradas prejudiciais ao comércio brasileiro. A declaração foi feita nesta terça-feira (21) pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, após reunião com representantes dos setores impactados pelas novas tarifas anunciadas pelo governo norte-americano.

Segundo Alckmin, o objetivo da legislação é restabelecer condições de equilíbrio nas relações comerciais entre os dois países, sem estimular uma escalada de conflitos econômicos. “A ideia não é retaliação. A reciprocidade busca corrigir uma situação em que o Brasil está sendo prejudicado”, afirmou.

A reunião contou também com a participação do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, que apresentou as ações em estudo para reduzir os impactos sobre os exportadores brasileiros.

Governo estrutura resposta em três frentes

A estratégia do Executivo diante do novo tarifaço dos Estados Unidos está baseada em três pilares principais:

  • apoio financeiro às empresas afetadas;
  • ampliação de mercados internacionais para as exportações brasileiras;
  • diálogo permanente com os setores produtivos para avaliar os impactos das medidas.

As novas tarifas impostas pelos Estados Unidos preveem uma alíquota de 25% sobre produtos brasileiros, com possibilidade de um acréscimo de 12,5% em determinados casos. Caso isso ocorra, aproximadamente 18% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano, equivalentes a cerca de US$ 7,4 bilhões, poderão ser afetadas.

Pacote prevê crédito e flexibilização para exportadores

Entre as iniciativas em análise está a oferta de linhas de financiamento por meio do programa Brasil Soberano, destinadas ao capital de giro e investimentos das empresas prejudicadas pelas novas tarifas. Outra medida avaliada é a flexibilização temporária das regras do drawback, regime que concede isenção, suspensão ou restituição de tributos para insumos utilizados na produção de bens exportados.

A proposta busca garantir mais prazo para que empresas que perderem mercado nos Estados Unidos cumpram seus compromissos de exportação sem perder os benefícios fiscais. O governo também discute ajustes temporários nas exigências relacionadas à manutenção de empregos para empresas que eventualmente recebam apoio emergencial.

Para Márcio Elias Rosa, a prioridade é reduzir os impactos sobre a indústria nacional. “O governo brasileiro precisa agir para socorrer os setores afetados e adotar medidas capazes de amenizar os prejuízos provocados por uma decisão considerada injustificada”, destacou o ministro.

Diversificação de mercados ganha prioridade

Além das medidas internas, a ApexBrasil intensificará as ações para ampliar a presença dos produtos brasileiros em novos mercados internacionais.

Entre os destinos considerados estratégicos estão:

  • Índia;
  • México;
  • Singapura;
  • Japão;
  • países do Sudeste Asiático.

O governo também pretende acelerar as negociações dos acordos comerciais entre Mercosul e União Europeia, Mercosul e EFTA e Mercosul e Singapura, como forma de ampliar oportunidades para os exportadores brasileiros.

A avaliação é que a diversificação dos mercados pode reduzir a dependência das vendas para os Estados Unidos, especialmente em segmentos industriais de maior valor agregado.

Setores mais afetados pelas tarifas

Os segmentos que concentram maior exposição às novas tarifas incluem:

  • eletroeletrônicos;
  • máquinas e equipamentos;
  • autopeças;
  • calçados;
  • outros produtos industriais exportados para o mercado norte-americano.

Segundo o governo, os Estados Unidos são atualmente o principal destino das exportações brasileiras de eletroeletrônicos e respondem por cerca de 25% das vendas externas do setor de máquinas e equipamentos.

Próximos passos

O Executivo trabalha com um cronograma para definir as medidas de resposta. Na próxima sexta-feira, é aguardada uma posição oficial do governo norte-americano sobre a possível aplicação adicional de 12,5% de tarifa em produtos brasileiros ligados a acusações de trabalho forçado. Já no dia 29 de julho, entra em vigor a sobretaxa de 25% para mercadorias brasileiras que já estiverem em trânsito para os Estados Unidos.

Até essa data, o Ministério do Desenvolvimento pretende concluir reuniões com representantes dos setores de plásticos, máquinas, veículos, autopeças, borracha e calçados, consolidando um diagnóstico dos impactos para definir o pacote final de apoio. Também está prevista uma missão comercial à Índia, com foco na abertura de novas oportunidades para fabricantes brasileiros, especialmente da indústria de máquinas e equipamentos.

Fonte: Agência Brasil.

Texto: Redação

Imagem: Arquivo ReConecta News

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Comércio Internacional

Tarifaço dos EUA sobre produtos brasileiros chega ao prazo final sem perspectiva de acordo

Termina nesta quarta-feira (15) o prazo estabelecido pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para decidir se será aplicada uma tarifa adicional de 25% sobre parte das exportações brasileiras. Até o momento, não há expectativa de entendimento entre os dois países.

As negociações seguem travadas por divergências em temas considerados estratégicos. Entre os principais impasses estão a resistência do governo brasileiro em discutir alterações no Pix e a falta de consenso sobre as tarifas envolvendo etanol e açúcar, produtos considerados sensíveis para ambas as economias.

Especialistas apontam motivação política para o tarifaço

Na avaliação de especialistas, a iniciativa norte-americana vai além das questões comerciais e reflete interesses políticos da atual administração dos Estados Unidos.

O professor de Direito Internacional da Universidade de São Paulo (USP), Paulo Borba Casella, afirmou que as declarações recentes do presidente Donald Trump indicam que a medida tem caráter político, o que dificulta qualquer avanço nas negociações.

Segundo o especialista, a construção de um acordo depende da disposição de ambas as partes para negociar. Sem essa convergência, a possibilidade de entendimento permanece reduzida.

Nova estratégia dos EUA busca ampliar influência na América Latina

Para analistas de relações internacionais, o endurecimento da postura de Washington faz parte de uma estratégia mais ampla de reposicionamento geopolítico no continente.

O professor Alexandre Pires, do Ibmec-SP, explica que a política externa do governo Trump busca fortalecer a influência dos Estados Unidos na América Latina, reduzindo o avanço econômico e tecnológico da China na região.

De acordo com o pesquisador, o fortalecimento das relações comerciais entre Brasil e China ao longo das últimas duas décadas passou a ser visto com maior preocupação pela Casa Branca.

Além disso, ele destaca que, embora o Brasil mantenha políticas protecionistas em alguns setores, o atual cenário internacional tornou essas práticas alvo de maior pressão política.

USTR cita Pix, etanol e desmatamento entre as reclamações

A investigação conduzida pelo USTR utiliza a Seção 301 da legislação comercial norte-americana para justificar a possível aplicação das tarifas.

Entre os argumentos apresentados pelos Estados Unidos estão supostas práticas comerciais consideradas desleais envolvendo o Pix, o mercado de etanol, além de questões relacionadas ao desmatamento ilegal.

O governo brasileiro rejeita as acusações. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que a adoção das novas tarifas prejudicaria uma relação comercial considerada estratégica para ambos os países e reduziria o espaço para o diálogo diplomático.

Etanol e açúcar seguem como principais pontos de conflito

Outro obstáculo nas negociações envolve o comércio de etanol e açúcar.

Os Estados Unidos defendem a eliminação das tarifas brasileiras sobre o etanol norte-americano. O governo brasileiro, porém, resiste à proposta e condiciona qualquer discussão à retirada das elevadas tarifas impostas pelos EUA ao açúcar produzido no Brasil.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que o setor sucroenergético possui importância estratégica para a economia brasileira, especialmente na região Nordeste, e não pode ser tratado isoladamente.

Segundo ele, enquanto o etanol americano busca maior acesso ao mercado brasileiro, o açúcar nacional continua enfrentando barreiras significativas para entrar no mercado dos Estados Unidos.

Produtores defendem manutenção das regras atuais

Entidades que representam o setor sucroenergético apoiam a posição do governo brasileiro.

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), a União Nacional do Etanol de Milho (Unem) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) sustentam que a redução das importações de etanol americano ocorreu principalmente devido ao crescimento da produção nacional, e não em razão das tarifas atualmente aplicadas.

Para o professor Paulo Borba Casella, a insistência dos Estados Unidos na inclusão do etanol nas negociações reforça a percepção de que o debate extrapola a esfera comercial e envolve interesses políticos. Na avaliação dele, uma negociação equilibrada exigiria também a revisão das tarifas aplicadas ao açúcar brasileiro.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Kevin Lamarque

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Comércio Exterior

EUA iniciam audiência sobre tarifas de 25% a produtos brasileiros antes de decisão final

Representantes do setor produtivo brasileiro e autoridades dos Estados Unidos iniciam, nesta segunda-feira (6), uma audiência pública para discutir a proposta de aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano. O encontro representa a última etapa do processo antes da definição oficial das medidas, prevista para o próximo dia 15.

A audiência começa às 11h (horário de Brasília) e reúne empresas, entidades de classe, importadores e representantes da indústria dos dois países para apresentar argumentos técnicos sobre os impactos da nova política tarifária.

Investigação do USTR fundamenta proposta de novas tarifas

A proposta foi apresentada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), após investigação conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial americana.

Entre os fatores apontados pelo órgão estão supostos benefícios concedidos ao sistema de pagamentos Pix, acordos comerciais considerados preferenciais, questões relacionadas ao etanol, desmatamento, corrupção e combate à pirataria. Esses pontos serviram de base para a recomendação das novas tarifas sobre produtos brasileiros.

Os debates acontecem na Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos, em Washington, e serão distribuídos em 14 painéis. Sete sessões estão programadas para esta segunda-feira e outras sete ocorrerão na terça-feira (7), sempre a partir das 11h (horário de Brasília).

Cada participante inscrito terá cinco minutos para apresentar um resumo executivo defendendo os interesses do setor que representa. Após as exposições, integrantes do USTR poderão realizar questionamentos, seguidos das respostas das entidades participantes.

O processo de preparação da audiência começou no mês passado. As inscrições para participação ficaram abertas até 22 de junho, enquanto o envio das manifestações técnicas por escrito foi encerrado em 1º de julho. Os documentos servirão como base para as apresentações durante os painéis.

Agronegócio e indústria lideram mobilização brasileira

A audiência é considerada pelo setor privado brasileiro como a principal oportunidade para tentar reduzir ou evitar a adoção das tarifas antes da decisão definitiva. Entre os participantes estão representantes do agronegócio, que deve concentrar boa parte das discussões devido à forte relação comercial com compradores norte-americanos.

Também confirmaram participação entidades da indústria, como a Sindifer, a Fiesp, a Abimaq e o Centrorochas, que pretendem apresentar argumentos sobre os possíveis impactos econômicos da medida para a cadeia produtiva e para o comércio entre Brasil e Estados Unidos.

Fonte: Com informações da CNN Brasil.

Texto: Redação

Imagem: Reprodução CNN / Ilustração Dado Ruvic – Reuters

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Informação

Crédito de R$ 15 bilhões: governo define setores prioritários para acesso aos recursos

O governo federal detalhou os setores que terão prioridade no acesso à linha de crédito de R$ 15 bilhões, criada para amenizar os efeitos da guerra no Oriente Médio e das barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos.

O anúncio foi feito na quinta-feira (16) pelo presidente em exercício, Geraldo Alckmin, durante coletiva no Palácio do Planalto. A iniciativa também contempla áreas consideradas estratégicas para o país, especialmente aquelas com déficit na balança comercial brasileira, como os segmentos farmacêutico e de tecnologia da informação.

Programa será operado pelo BNDES

A nova rodada de apoio faz parte da segunda fase do Programa Brasil Soberano, lançado em 2025. A operacionalização ficará a cargo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Inicialmente voltado a empresas exportadoras afetadas pelo chamado tarifaço dos EUA, o programa ganha agora maior abrangência, incluindo setores impactados por instabilidades geopolíticas e comerciais.

As tarifas norte-americanas, que chegaram a 50%, foram posteriormente revistas e fixadas em 15% após decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, mas continuam afetando a competitividade de produtos brasileiros.

Três grupos terão acesso ao crédito

De acordo com portaria do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), três perfis de empresas poderão acessar os recursos:

Exportadoras afetadas por tarifas

O primeiro grupo reúne empresas industriais exportadoras e seus fornecedores diretamente impactados pelas tarifas dos EUA. Para se enquadrar, é necessário que as exportações tenham representado pelo menos 5% do faturamento bruto entre agosto de 2024 e julho de 2025.

Entre os mais prejudicados estão os setores de aço, cobre e alumínio, que enfrentam sobretaxas de até 50%, além de segmentos como autopeças e móveis, sujeitos a tarifas de 25%.

Setores estratégicos da economia

O segundo grupo inclui áreas consideradas essenciais para a modernização produtiva e inovação do país. Estão na lista os setores têxtil, químico, farmacêutico, automotivo, além de indústrias de máquinas, equipamentos eletrônicos, informática, borracha e minerais críticos.

Empresas com foco no Oriente Médio

O terceiro grupo contempla empresas exportadoras que atuam no mercado do Golfo Pérsico, incluindo países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar.

Nesse caso, o critério exige que as exportações tenham representado ao menos 5% do faturamento bruto entre janeiro e dezembro de 2025. A medida busca reduzir os impactos da instabilidade na região sobre o comércio exterior brasileiro.

Condições de financiamento e prazos

As linhas de crédito poderão ser utilizadas para diversas finalidades, como:

  • capital de giro
  • produção voltada à exportação
  • aquisição de bens de capital
  • investimentos em ampliação produtiva
  • inovação tecnológica e adaptação de processos

As taxas de juros variam conforme o tipo de operação. Nas contratações diretas com o BNDES, os encargos vão de 0,94% ao mês (investimentos) até 1,28% (capital de giro).

Já nas operações indiretas, realizadas por instituições financeiras, as taxas ficam entre 1,06% e 1,41% ao mês. Os prazos de carência variam de um a quatro anos, enquanto o período total para pagamento pode chegar a 20 anos, dependendo da modalidade.

Estratégia mira competitividade e crescimento

Com a iniciativa, o governo pretende fortalecer setores-chave, ampliar a competitividade internacional e reduzir vulnerabilidades da economia brasileira diante de crises externas.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: CNI/José Paulo Lacerda/Direitos reservados

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Exportação

Exportações de Santa Catarina caem 2,6% no trimestre sob impacto de tarifas dos EUA

As exportações de Santa Catarina registraram queda no início de 2026, refletindo os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos e mudanças no cenário internacional. No primeiro trimestre, o estado somou US$ 2,7 bilhões em vendas externas, recuo de 2,6% em relação ao mesmo período do ano passado.

Tarifas dos EUA pressionam vendas externas

O principal fator para a retração foi o impacto do chamado tarifaço dos EUA, que elevou em até 50% as taxas sobre produtos brasileiros desde agosto de 2025.

De acordo com dados da Fiesc, as exportações catarinenses para o mercado norte-americano despencaram 44,6% entre janeiro e março na comparação anual. O resultado evidencia o peso das barreiras comerciais sobre a balança comercial de Santa Catarina.

Entre os produtos mais afetados estão:

  • Madeira serrada: queda de 6,7% (US$ 89,4 milhões)
  • Partes de motores: recuo de 22,5%
  • Móveis: baixa de 39,7%
  • Obras de carpintaria: retração de 42,7%

Por outro lado, os motores elétricos destoaram da tendência negativa, com alta de 1,9% e faturamento de US$ 128,2 milhões no período.

Carnes lideram exportações e sustentam desempenho

Mesmo diante do cenário adverso, o setor de proteínas manteve forte desempenho. As exportações de carne de frango lideraram com crescimento de 9,1%, somando US$ 633,3 milhões.

Na sequência, a carne suína também apresentou avanço, com alta de 6,9% e receita de US$ 424 milhões.

Outros segmentos industriais também ganharam espaço no mercado externo:

  • Máquinas agrícolas: crescimento de 57,1%
  • Transformadores elétricos: alta de 31,1%

Esses resultados ajudam a compensar parcialmente as perdas em setores mais afetados pelas tarifas.

Diversificação de mercados ganha importância

No ranking de destinos, a China permaneceu como principal compradora, com US$ 246,2 milhões em aquisições, apesar de uma leve queda de 4,1%. A redução está associada, em parte, à estratégia chinesa de priorizar a produção interna.

Outros mercados ganharam destaque no trimestre:

  • Japão: crescimento de 35,4% (US$ 223,1 milhões)
  • México: alta de 20% (US$ 150,3 milhões)

Já a Argentina registrou retração de 18,1% nas compras.

A diversificação de destinos se mostra essencial para reduzir a dependência de mercados específicos, especialmente em momentos de instabilidade comercial.

Importações crescem e revelam nova dinâmica

Enquanto as exportações recuaram, as importações de Santa Catarina apresentaram leve crescimento de 0,9% no trimestre, totalizando US$ 8,8 bilhões.

Entre os principais produtos importados, destacam-se:

  • Cobre refinado: alta de 26% (US$ 457,3 milhões)
  • Pneus de borracha: crescimento de 83,1% (US$ 253,4 milhões)
  • Partes de veículos: aumento de 15,7% (US$ 246,3 milhões)

Assim como nas exportações, os Estados Unidos também perderam espaço nas importações, com queda de 20,7% (US$ 420 milhões). A Alemanha registrou recuo de 3,4%, somando US$ 384,2 milhões.

Expectativa de recuperação ainda é incerta

Com a flexibilização parcial das tarifas em fevereiro, a expectativa do setor é de retomada gradual das vendas para os Estados Unidos. No entanto, as incertezas persistem diante de possíveis novas medidas protecionistas.

O cenário atual reforça a necessidade de adaptação da indústria catarinense a um ambiente global mais volátil, marcado por disputas comerciais e mudanças nas cadeias produtivas.

FONTE: NSC Total
TEXTO: Redação
IMAGEM: Porto de Itajaí

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Comércio Exterior

Vice-presidente do Brasil e presidente da CNI discutem Acordo Mercosul-UE, datacenters e tarifaço americano

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, se encontrou com o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, na sede da entidade em Brasília. O encontro teve como foco estratégias para o avanço do comércio exterior brasileiro e o fortalecimento de acordos comerciais.

Entre os temas debatidos estavam a implementação de acordos do Mercosul, a ampliação de exceções ao tarifaço dos Estados Unidos e incentivos para atrair datacenters por meio do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata).

Avanços nos acordos do Mercosul

Alckmin destacou que o Brasil bateu recorde de exportações em 2024, alcançando cerca de US$ 349 bilhões, apesar das tarifas aplicadas pelos EUA. Ele ressaltou a importância de diversificar mercados e citou os acordos Mercosul–Singapura, Mercosul–EFTA e o recente Mercosul–União Europeia, o maior acordo entre blocos do mundo, cuja internalização já foi encaminhada à Câmara dos Deputados.

O vice-presidente detalhou que, embora o acordo Mercosul-UE já tenha sido assinado após mais de duas décadas de negociação, um questionamento jurídico no Parlamento Europeu pode atrasar sua vigência provisória entre 10 e 12 meses. “Se aprovarmos rapidamente a internalização, há expectativa de vigência provisória do acordo, seguindo o mesmo ritmo dos outros países do Mercosul”, afirmou.

Dia da Indústria Brasil-EUA

Durante a reunião, Ricardo Alban convidou Alckmin para o Brasil-U.S. Industry Day, evento que ocorrerá em 11 de maio, em Nova Iorque. A iniciativa busca promover a interação entre empresas brasileiras e americanas, com participação de entidades como a U.S. Chamber, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o BNDES, o MDIC e seu equivalente nos EUA.

“Queremos fortalecer a relação comercial e empresarial entre Brasil e Estados Unidos”, disse Alban. Ele ainda reforçou a atuação conjunta com o MDIC para mitigar os efeitos do tarifaço americano.

Perspectivas para a indústria nacional

Apesar do ano eleitoral, Alban mostrou otimismo em relação a políticas que possam impulsionar o programa Nova Indústria Brasil (NIB) e estimular o crescimento econômico. O evento e as discussões sobre acordos comerciais, segundo ele, são fundamentais para ampliar a competitividade da indústria brasileira no mercado global.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gilberto Sousa/CNI

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Exportação

Exportações brasileiras crescem 3,3% no 3º trimestre mesmo após tarifaço dos EUA

As exportações brasileiras de bens e serviços avançaram 3,3% no terceiro trimestre de 2025, conforme dados divulgados nesta quinta-feira (4) pelo IBGE. O desempenho positivo ocorreu mesmo após o tarifaço dos Estados Unidos, que passou a valer em agosto e elevou em até 50% as tarifas sobre diversos produtos nacionais.

Na comparação com o mesmo período de 2024, as vendas externas cresceram ainda mais: 7,2%.

Tarifas impactaram vendas aos EUA, mas Brasil diversificou destinos

Entre julho e setembro, itens como carnes e café enfrentaram uma tarifa adicional de 50% para entrar no mercado americano. Segundo o MDIC, isso provocou uma queda de 18,5% nas exportações brasileiras para os EUA apenas em agosto.

Apesar disso, o Brasil ampliou os envios para outros parceiros comerciais, o que garantiu o crescimento global. As exportações totais subiram quase 4% naquele mês, e o resultado trimestral confirma essa tendência de diversificação.

Trump retira parte das sobretaxas após conversa com Lula

No fim de novembro, o presidente Donald Trump suspendeu uma sobretaxa de 40% aplicada a uma lista de produtos brasileiros, incluindo novamente carnes e café. O republicano justificou a medida mencionando uma conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no início do mês, indicando tentativa de reaproximação comercial entre os dois países.

Indústria extrativa impulsiona exportações

Segundo o economista Rafael Perez, da Suno Research, a alta das exportações no trimestre foi puxada pelo fortalecimento da indústria extrativa e pelo redirecionamento das vendas para outros mercados, estratégia que compensou os efeitos do tarifaço.

Os preços internacionais da soja, um dos principais produtos de exportação do país, também favoreceram o movimento de alta. O economista-chefe da Fiesp, Igor Rocha, destaca o “aumento das vendas de grãos” como fator determinante.

Importações crescem, mas balança comercial permanece favorável

As importações brasileiras também subiram no trimestre, mas de forma mais moderada: 0,3%. Com isso, o saldo da balança comercial ficou maior no período encerrado em setembro em comparação ao segundo trimestre. Em relação ao mesmo período de 2024, as importações avançaram 2,2%.

FONTE: Veja
TEXTO: Redação
IMAGEM: Dado Galdieri/Bloomberg via/Getty Images

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Exportação

Tarifa dos EUA ameaça exportações de tabaco e preocupa produtores do Rio Grande do Sul

O início da colheita de tabaco no Rio Grande do Sul chega acompanhado de incertezas. Apesar do clima favorável e das boas projeções para a safra de 2025, o setor enfrenta um obstáculo significativo: o tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, que ameaça milhões em exportações e a renda de pequenos agricultores.

EUA retomam tarifas históricas sobre importações

Anunciada pelo presidente Donald Trump, a nova política tarifária entrou em vigor no início de agosto e elevou os impostos médios sobre produtos estrangeiros ao maior patamar em mais de um século. A decisão impacta dezenas de países e afeta diretamente um dos principais destinos do tabaco gaúcho.

No último ano, o Brasil produziu 719 mil toneladas de tabaco — sendo 303 mil no Rio Grande do Sul, o equivalente a 42% da produção nacional. Os Estados Unidos figuraram como o terceiro maior comprador, adquirindo cerca de 38,4 mil toneladas, com movimentação superior a US$ 245 milhões.

Embarques suspensos e risco de perdas milionárias

Antes da aplicação da nova taxa, 70% do tabaco destinado aos EUA já havia sido exportado. No entanto, cerca de 12 mil toneladas vendidas não chegaram a sair das indústrias após o aumento tarifário.

“O que nós exportamos historicamente para os Estados Unidos é cerca de 9% do volume”, explica Valmor Thesing, presidente do Sinditabaco. “Mantido o tarifaço, as empresas terão de buscar novos mercados para realocar esse produto”, completa.

Segundo Thesing, algumas remessas começaram a ser retomadas, mas representam apenas uma fração do que ainda está parado.

Produtores temem queda nos preços

Na metade Sul do estado, especialmente em municípios como Canguçu, mais de cinco mil famílias dependem do cultivo de tabaco. O produtor Nilton Pereira conta que a safra promete bons resultados, mas o mercado preocupa.
“A safra está muito boa, mas o tarifaço pode ser o grande problema na hora de vender”, afirma.

O presidente da Afubra, Marcílio Drescher, alerta para o risco de impacto direto nos preços pagos aos agricultores, principalmente entre os produtores de tabaco burley, variedade mais consumida pelos norte-americanos.
“Se o tarifaço permanecer em vigor, o produtor de tabaco burley, o tabaco de galpão, será o mais prejudicado”, ressalta.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/RBS TV

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Exportação

Tarifaço dos EUA impacta 73,8% das exportações brasileiras, alerta CNI

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, afirmou que o aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos afeta 73,8% das exportações do Brasil, atingindo setores estratégicos como aço, alumínio, celulose e calçados. A entidade articula ações diplomáticas e técnicas para restabelecer a competitividade do país no comércio exterior.

Impacto direto sobre a indústria nacional

Segundo levantamento da CNI, o chamado “tarifaço” atinge 6.033 produtos brasileiros atualmente sujeitos a tarifas adicionais. Apesar da recente ampliação da lista de exceções, com 39 novos produtos isentos — entre eles minerais críticos, metais preciosos e químicos industriais — o impacto sobre a indústria ainda é expressivo.

Alban reforça que a estratégia da CNI é manter o diálogo e evitar medidas de retaliação, preservando o ambiente de confiança entre os países. “Nosso objetivo é restabelecer previsibilidade e competitividade às exportações brasileiras, corrigindo distorções que afetam a indústria e o emprego”, explicou.

Missão a Washington e novas oportunidades

Durante missão liderada pela CNI em Washington, Alban destacou avanços no diálogo com interlocutores estratégicos e a abertura de oportunidades de cooperação em áreas como data centers, combustível sustentável de aviação (SAF) e minerais críticos. “Esses segmentos têm potencial real de gerar negócios de interesse mútuo e contribuir para a redução das tarifas”, pontuou.

O dirigente avalia que a retomada do diálogo direto entre os presidentes Lula e Donald Trump pode marcar uma nova fase nas relações bilaterais, baseada em cooperação, pragmatismo e resultados concretos.

Perspectivas e desafios internos

Além das questões comerciais, Alban destacou a necessidade de o Brasil enfrentar entraves internos que prejudicam a competitividade industrial, como a alta carga tributária e o custo da energia elétrica.
Ele criticou propostas de aumento de impostos, como a elevação do IOF, e elogiou a decisão do Congresso Nacional de barrar a Medida Provisória 1.303/2025, que, segundo ele, elevaria preços e prejudicaria o setor produtivo.

“O setor não pode ser penalizado com novas taxações. É urgente avançar na Reforma Tributária, criando um sistema simplificado e previsível, como o IVA, que trará mais racionalidade fiscal”, afirmou.

Energia e competitividade

A CNI também propõe mudanças estruturais para conter os custos da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que deve ultrapassar R$ 49 bilhões em 2025 e pode chegar a R$ 60 bilhões em 2026.
Para Alban, o Brasil precisa “trazer disciplina de gastos à CDE” e limitar despesas para reduzir o preço da energia, considerada uma das mais caras do mundo.

“Temos uma matriz energética limpa e barata, mas pagamos uma das tarifas mais altas. É hora de corrigir essa distorção estrutural”, concluiu.

FONTE: Tribuna da Bahia
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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