Comércio Exterior

Irã lidera compras de produtos brasileiros no Oriente Médio em meio à tensão no Golfo

O Irã assumiu a liderança entre os principais destinos das exportações brasileiras no Oriente Médio, superando tradicionais parceiros comerciais como Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita. O avanço das vendas ocorre justamente em um momento de aumento das tensões militares entre Estados Unidos e Irã, que elevam as incertezas sobre a navegação no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do comércio marítimo mundial.

Exportações para o Irã crescem 140% em junho

Dados do comércio exterior mostram que as exportações do Brasil para o Irã saltaram de US$ 129,9 milhões, em junho de 2025, para US$ 311,6 milhões em junho deste ano, uma alta de 140%.

No acumulado do primeiro semestre, as vendas também avançaram. O volume exportado passou de US$ 1,15 bilhão para US$ 1,33 bilhão na comparação com o mesmo período do ano passado.

Entre os principais produtos embarcados estão soja, farelo de soja, milho em grão e carne de frango, itens essenciais para a alimentação humana e animal.

Irã supera tradicionais parceiros da região

Com mais de 90 milhões de habitantes, o Irã já figura há anos entre os mercados relevantes para o agronegócio brasileiro. No entanto, historicamente, os maiores compradores da região eram os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita.

Em 2026, os iranianos ocuparam a primeira posição entre os países do Golfo em abril e voltaram a liderar as compras em junho, consolidando um crescimento expressivo nas importações de produtos brasileiros.

Conflito no Golfo aumenta preocupação dos exportadores

Apesar do bom desempenho comercial, a escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã gera preocupação entre exportadores brasileiros.

Os recentes ataques militares na região e as ameaças ao tráfego de embarcações pelo Estreito de Ormuz levantam dúvidas sobre a logística das próximas exportações, especialmente das cargas que deverão ser embarcadas nos próximos meses.

Entre as principais preocupações do setor estão possíveis alterações nas rotas marítimas, aumento dos custos de frete e seguro, além da definição de quais portos permanecerão operando com segurança.

Exportações de milho entram em período decisivo

Segundo Jean Carlos Budziak, responsável pela área de inteligência de mercado da Associação Nacional de Exportadores de Cereais (Anec), o aumento das tensões coincide com o início da temporada de embarques da segunda safra de milho brasileira.

Mesmo diante das incertezas, o especialista acredita que a demanda por alimentos deverá ser mantida.

Na avaliação dele, produtos ligados à segurança alimentar costumam sofrer menos impacto em períodos de conflito, já que continuam sendo essenciais para abastecer a população e a produção pecuária.

Farelo de soja impulsiona vendas brasileiras

Entre os produtos exportados, o destaque foi o farelo de soja, cujas vendas ao Irã cresceram cerca de cinco vezes na comparação entre o primeiro semestre de 2025 e o mesmo período de 2026.

O produto é utilizado principalmente na alimentação de bovinos e aves. Segundo especialistas, o aumento da demanda pode estar relacionado à necessidade de reduzir etapas de processamento em um cenário de guerra, tornando o farelo uma alternativa mais prática do que grãos como soja e milho.

Demanda por alimentos deve continuar

Embora o cenário geopolítico permaneça incerto, exportadores brasileiros avaliam que a necessidade de abastecimento dos países do Oriente Médio continuará sustentando as compras de alimentos.

A expectativa do setor é que, mesmo com possíveis impactos logísticos provocados pelo conflito, a demanda por produtos agrícolas brasileiros permaneça elevada nos próximos meses.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Importação

Importações de soja da China batem recorde em junho e acirram disputa entre Brasil e EUA

As importações de soja da China atingiram um novo recorde em junho de 2026, ao somarem 13,55 milhões de toneladas, o maior volume já registrado para o mês. O desempenho foi impulsionado pela ampla oferta da safra brasileira e pela liberação de cargas que estavam retidas em portos chineses.

O resultado reforça a importância do mercado chinês para o agronegócio global, especialmente para os países da América do Sul. A disputa entre Brasil e Estados Unidos pelo fornecimento ao maior comprador mundial da commodity tem impacto direto sobre os preços internacionais, as estratégias de exportação e a competitividade da cadeia de oleaginosas.

Compras avançam no semestre e fortalecem mercado

Na comparação com junho de 2025, as compras chinesas cresceram 10,5%. Em relação a maio deste ano, o avanço foi de 14,9%. Com isso, o volume importado pela China no primeiro semestre de 2026 chegou a 50,15 milhões de toneladas.

Os números refletem a demanda consistente do país asiático e reforçam seu papel como principal destino da soja produzida pelos maiores exportadores mundiais.

Brasil amplia liderança como principal fornecedor

O desempenho brasileiro foi decisivo para o recorde registrado pela China. A combinação entre safra recorde, preços mais competitivos e concentração dos embarques durante a janela de exportação sul-americana garantiu ao Brasil o protagonismo nas vendas ao mercado chinês.

Esse cenário consolidou ainda mais a posição brasileira como principal fornecedor de soja para a China, ampliando sua participação em um dos mercados mais estratégicos do comércio agrícola mundial.

Estados Unidos retomam espaço na disputa

Apesar da liderança brasileira, os Estados Unidos voltaram a ganhar participação nas exportações para a China. Entre janeiro e maio, os chineses importaram 8,38 milhões de toneladas de soja norte-americana, após a retomada das compras iniciada no fim de 2025.

Além disso, as aquisições da nova safra dos EUA aumentaram depois que Pequim reafirmou o compromisso de importar 25 milhões de toneladas por ano até 2028, indicando uma competição ainda mais intensa entre os dois maiores exportadores no segundo semestre.

Reflexos para a Argentina e o mercado de derivados

Para a Argentina, os impactos estão concentrados principalmente na indústria de processamento. Como um dos maiores exportadores de farelo de soja e óleo de soja, o país pode ser beneficiado por uma demanda chinesa aquecida, que tende a sustentar os preços internacionais dos derivados.

Esse movimento também pode influenciar as margens de esmagamento, o equilíbrio entre a oferta de grãos e a capacidade industrial, além de abrir novas oportunidades para as exportações do complexo agroindustrial argentino.

Oferta elevada pode limitar valorização da soja

Embora o mercado apresente sinais positivos, especialistas apontam fatores que podem conter uma alta mais intensa dos preços. A manutenção da grande oferta brasileira, aliada ao avanço das vendas norte-americanas, tende a elevar a concorrência entre os fornecedores.

Por outro lado, uma recuperação mais forte da pecuária chinesa poderá ampliar a demanda por farelo de soja, fortalecendo as importações e oferecendo maior sustentação ao mercado internacional.

Nos próximos meses, o comportamento das compras chinesas será determinante para indicar se o mercado global permanecerá aquecido ou se a ampla disponibilidade de soja no Brasil e nos Estados Unidos limitará a valorização da commodity.

FONTE: AgroLatam
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Portos

Portos do Paraná registram recorde histórico de movimentação no primeiro semestre de 2026

Os Portos do Paraná alcançaram um marco inédito no primeiro semestre de 2026. Entre janeiro e junho, os terminais de Paranaguá e Antonina movimentaram 34,44 milhões de toneladas de cargas, o maior volume já registrado para o período. O resultado representa um crescimento de 0,6% em comparação com os seis primeiros meses de 2025, de acordo com dados divulgados pela administração portuária.

Soja impulsiona crescimento das exportações

A soja foi o principal destaque entre os produtos exportados e teve papel decisivo no desempenho dos portos paranaenses. No acumulado do semestre, foram embarcadas 9,47 milhões de toneladas do grão, um avanço de 21% em relação às 7,86 milhões de toneladas registradas no mesmo intervalo do ano passado.

Outro segmento que apresentou expansão foi o de cargas conteinerizadas, que totalizou 8,7 milhões de toneladas, alta de 8,9% na comparação anual. No primeiro semestre de 2025, esse volume havia sido de 8 milhões de toneladas.

Exportações avançam e importações recuam

As exportações pelos portos do estado somaram 22,30 milhões de toneladas entre janeiro e junho, crescimento de 4,9% frente às 21,27 milhões de toneladas registradas no mesmo período de 2025.

Já as importações alcançaram 12,1 milhões de toneladas, resultado inferior às 12,9 milhões de toneladas movimentadas no primeiro semestre do ano anterior.

Farelo de soja mantém relevância na pauta exportadora

O farelo de soja permaneceu como o segundo principal granel sólido exportado pelos portos paranaenses. Foram embarcadas 3,39 milhões de toneladas, volume praticamente estável em relação às 3,42 milhões de toneladas registradas no mesmo período de 2025.

Considerando conjuntamente as exportações de soja e farelo de soja, o volume chegou a 12,86 milhões de toneladas, correspondendo a 57,6% de tudo o que foi exportado pelos terminais. Com esse desempenho, o Porto de Paranaguá mantém a segunda colocação nacional nas exportações desses produtos.

Movimentação de veículos dispara no semestre

Outro destaque foi o crescimento da movimentação de veículos, que avançou 66% em relação ao primeiro semestre de 2025. Ao todo, passaram pelos portos 84,8 mil unidades, frente às 51,1 mil registradas no mesmo período do ano anterior.

O resultado já representa aproximadamente 80% de toda a movimentação de veículos registrada ao longo de 2025, indicando um ritmo acelerado de crescimento.

Fertilizantes lideram entre as importações

Entre os produtos importados, os fertilizantes permaneceram na liderança. No primeiro semestre de 2026, os portos paranaenses receberam 4,73 milhões de toneladas do insumo, reforçando sua importância para o abastecimento do agronegócio brasileiro.

FONTE: A Tribuna
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Exportação

Exportações para a China batem recorde no primeiro semestre de 2026 e fortalecem comércio com o Brasil

As exportações brasileiras para a China atingiram um novo recorde no primeiro semestre de 2026, consolidando o país asiático como o principal parceiro comercial do Brasil. Levantamento do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) aponta que as vendas ao mercado chinês somaram US$ 58,3 bilhões, crescimento de 22% em relação ao mesmo período de 2025.

No mesmo intervalo, as importações brasileiras de produtos chineses também registraram máxima histórica, chegando a US$ 38,5 bilhões. Com isso, a corrente de comércio entre os dois países alcançou US$ 96,9 bilhões, o maior resultado já registrado para um primeiro semestre.

China responde por quase metade do superávit comercial brasileiro

O estudo mostra que o saldo positivo do Brasil nas negociações com a China foi de US$ 19,8 bilhões, valor equivalente a 47% de todo o superávit da balança comercial brasileira, que somou US$ 42,4 bilhões no período.

Desde 2009, o Brasil mantém resultados positivos nas transações comerciais com os chineses, reforçando a importância da parceria para o desempenho das exportações nacionais.

A influência da China também se reflete na participação sobre o comércio exterior. O país foi destino de 31,6% de todas as exportações brasileiras, percentual quase três vezes superior ao registrado pelos Estados Unidos. Nas importações, os chineses responderam por 27% das compras brasileiras realizadas no exterior.

China amplia vantagem como maior parceiro comercial do Brasil

Os números confirmam o crescimento da relação econômica entre os dois países. Enquanto o intercâmbio comercial entre Brasil e China atingiu US$ 96,9 bilhões, o comércio com os Estados Unidos, segundo maior parceiro brasileiro, totalizou US$ 36,4 bilhões.

O levantamento do CEBC também destaca que o avanço das vendas para a China foi um dos principais responsáveis pelo crescimento de 11,5% das exportações brasileiras no semestre. Entre os dez maiores destinos dos produtos nacionais, apenas Índia e Singapura apresentaram expansão superior.

Soja lidera embarques, enquanto petróleo registra maior crescimento

A soja permaneceu como o principal produto exportado pelo Brasil para a China, movimentando US$ 20,2 bilhões entre janeiro e junho. O grão representou 34,7% das exportações brasileiras destinadas ao mercado chinês, que absorveu cerca de 70% de toda a soja embarcada pelo país.

Já o maior avanço foi registrado pelo petróleo bruto. As exportações cresceram 62% e alcançaram US$ 15,1 bilhões, impulsionadas pelo aumento do volume exportado e pela valorização internacional da commodity.

Segundo o estudo, as tensões geopolíticas no Oriente Médio contribuíram para que a China ampliasse a diversificação de fornecedores, fortalecendo o Brasil como um parceiro estratégico no fornecimento de petróleo.

Os meses de março, abril e junho de 2026 registraram os maiores faturamentos mensais da história das exportações brasileiras de petróleo para a China desde o início da série histórica, em 1997. Atualmente, o país asiático compra 54% de todo o petróleo exportado pelo Brasil.

Minério de ferro mantém relevância nas exportações

Outro destaque da pauta comercial foi o minério de ferro. O Brasil exportou 135 milhões de toneladas para a China no primeiro semestre, maior volume já registrado para o período.

Em receita, o produto gerou US$ 9,2 bilhões, crescimento de 9,4% na comparação anual. A China permaneceu responsável por quase 69% das compras externas do minério brasileiro, consolidando sua posição como principal mercado consumidor.

Carne bovina bate recorde nas vendas ao mercado chinês

A carne bovina brasileira também registrou desempenho histórico. As exportações para a China totalizaram US$ 4,8 bilhões, alta de 50% e novo recorde para um primeiro semestre.

O crescimento foi impulsionado pela antecipação dos embarques antes do esgotamento da cota de importação com tarifa reduzida. A expectativa do CEBC é de desaceleração nas vendas durante a segunda metade do ano, devido à incidência de tarifa adicional de 55% sobre os volumes que excederem o limite estabelecido.

Mesmo assim, a China continuou absorvendo 53% de toda a carne bovina exportada pelo Brasil.

Também houve crescimento expressivo nas exportações de carne de frango, algodão, minério de cobre, ferroligas e outros produtos minerais.

Rio de Janeiro lidera exportações para a China

Entre os estados brasileiros, o Rio de Janeiro foi o maior exportador para o mercado chinês no período.

As vendas fluminenses chegaram a US$ 13,6 bilhões, representando 23,3% das exportações nacionais destinadas à China. O petróleo respondeu por 94% da pauta exportadora estadual.

Na sequência aparecem Mato Grosso, impulsionado pela soja, e Minas Gerais, com destaque para o minério de ferro.

Veículos eletrificados impulsionam importações da China

Do lado das importações, os veículos eletrificados lideraram o crescimento das compras brasileiras.

As aquisições de carros elétricos, híbridos e híbridos plug-in somaram US$ 5,35 bilhões no primeiro semestre de 2026, impulsionadas pela antecipação das importações antes da entrada em vigor da tarifa de 35% aplicada em julho.

Os híbridos plug-in responderam por US$ 2,79 bilhões, enquanto os veículos totalmente elétricos movimentaram US$ 2 bilhões. A China foi responsável por 88% dos veículos eletrificados importados pelo Brasil, mantendo ampla liderança nesse segmento.

Espírito Santo concentra entrada de carros chineses

Embora São Paulo permaneça como principal estado importador de produtos chineses, o Espírito Santo ganhou protagonismo na entrada de veículos eletrificados.

O estado concentrou 57% dos desembarques desses automóveis no país, e aproximadamente 65% das importações capixabas provenientes da China correspondem a veículos elétricos, híbridos e híbridos plug-in.

Parceria econômica ganha ainda mais importância

Os resultados do primeiro semestre mostram o aprofundamento da relação comercial entre Brasil e China. Enquanto o mercado chinês amplia sua demanda por commodities brasileiras, como soja, petróleo, minério de ferro e proteínas animais, o Brasil amplia as importações de produtos industrializados, especialmente veículos eletrificados, equipamentos tecnológicos e componentes industriais.

O desempenho reforça a posição da China como principal parceiro comercial brasileiro e evidencia sua relevância para a balança comercial, o crescimento das exportações e a integração do Brasil às cadeias globais de produção.

FONTE: Brasil 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ricardo Stuckert

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Agronegócio

El Niño forte pode reduzir produtividade de soja, milho, café e laranja na safra 2026/27

O avanço de um El Niño de forte intensidade pode influenciar diretamente a produção agrícola brasileira durante a safra 2026/27. As projeções climáticas indicam que o fenômeno tem potencial para atingir a classificação de “muito forte” entre setembro e novembro, período que coincide com o início do plantio de importantes culturas no país.

Embora a intensidade definitiva ainda dependa de novas análises, especialistas acompanham a evolução do aquecimento das águas do Oceano Pacífico, que pode alcançar cerca de 2°C acima da média histórica, cenário característico de um El Niño muito forte.

O alerta foi apresentado pelo pesquisador do Observatório de Bioeconomia da FGV Agro e professor da Fundação Getulio Vargas, Eduardo Assad, durante um encontro com jornalistas promovido pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS).

Segundo o pesquisador, a definição oficial sobre a intensidade do fenômeno deve ocorrer no fim de julho, mas os principais modelos climáticos internacionais apontam uma elevada probabilidade de fortalecimento nos próximos meses.

Impactos podem reduzir a produtividade agrícola

De acordo com Assad, episódios intensos de El Niño costumam provocar perdas importantes na produtividade das lavouras brasileiras.

Como referência, ele citou o ciclo 2024/25, quando os efeitos climáticos contribuíram para uma redução de até 10% na produção nacional, conforme dados da Conab. O pesquisador ressaltou que isso não representa perda total da safra, mas uma diminuição significativa no rendimento das culturas.

O período entre setembro e novembro concentra a maior preocupação dos especialistas, devido à combinação de temperaturas elevadas e irregularidade na distribuição das chuvas em diferentes regiões produtoras.

Soja, milho, café e laranja estão entre as culturas mais vulneráveis

Os impactos variam conforme a região do país. No Centro-Oeste e em parte da Região Norte, o calor intenso aliado ao déficit hídrico pode comprometer principalmente as lavouras de soja e milho.

No Sudeste, culturas permanentes como café e laranja aparecem entre as mais sensíveis às mudanças climáticas. A falta de água durante a florada, associada às altas temperaturas, pode provocar o abortamento das flores e reduzir significativamente o potencial produtivo.

Já na Região Sul, o cenário tende a ser diferente. A previsão é de excesso de chuvas acompanhado por temperaturas acima da média, condição que também pode causar prejuízos às lavouras.

Risco de replantio pode elevar os custos da safra

Outro fator de preocupação é o comportamento das chuvas durante o início do plantio da soja. O pesquisador da FGV Agro, Guilherme Soria Bastos Filho, explica que precipitações insuficientes ou concentradas em curtos períodos podem obrigar produtores a realizar o replantio das áreas cultivadas.

Além do aumento nos custos de produção, essa situação pode atrasar o calendário agrícola e comprometer a janela ideal para o cultivo do milho segunda safra, elevando os riscos para toda a cadeia de grãos.

O especialista lembra que situação semelhante ocorreu em 2023, quando aproximadamente três milhões de hectares de soja precisaram ser replantados.

Apesar das preocupações, Bastos destaca que os efeitos não serão uniformes em todo o território nacional. Em razão da dimensão continental do Brasil, algumas regiões podem registrar perdas, enquanto outras podem até apresentar ganhos de produtividade, reduzindo parte dos impactos nacionais.

Seguro rural e agricultura de baixo carbono ganham importância

Os pesquisadores defendem que o fortalecimento do seguro rural é uma das principais estratégias para reduzir os prejuízos financeiros causados por eventos climáticos extremos. No entanto, avaliam que a ferramenta ainda recebe investimentos abaixo do necessário dentro da política agrícola brasileira.

Outra medida considerada essencial é a ampliação das práticas de agricultura de baixo carbono, previstas no Plano ABC e incentivadas pelo Plano Safra.

Segundo Eduardo Assad, produtores que adotam tecnologias conservacionistas, como recuperação de áreas degradadas, sistemas integrados de produção, plantio de árvores e manejo sustentável do solo, apresentaram perdas significativamente menores durante eventos climáticos recentes.

Setor agrícola precisa ampliar capacidade de adaptação

Mesmo sem consenso científico de que as mudanças climáticas estejam aumentando a frequência do El Niño, os especialistas alertam que a intensificação dos eventos extremos exige maior capacidade de adaptação por parte da agropecuária brasileira.

A adoção de tecnologias sustentáveis, investimentos em gestão de riscos e planejamento climático são apontados como medidas fundamentais para aumentar a resiliência do setor diante dos desafios impostos pelo clima.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação Fundecitrus

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Comércio Internacional

Argentina anuncia plano para eliminar impostos sobre exportações agrícolas até 2028

O governo da Argentina deu mais um passo na reformulação de sua política econômica ao apresentar um cronograma para extinguir gradualmente os impostos sobre exportações agrícolas, conhecidos no país como retenciones. A proposta prevê a redução progressiva das alíquotas até 2028 e marca uma das mudanças mais relevantes para o agronegócio argentino nas últimas décadas.

A iniciativa busca aumentar a competitividade do setor, estimular investimentos e ampliar a presença dos produtos argentinos no mercado internacional, sem comprometer o equilíbrio das contas públicas.

Imposto sobre exportações existe desde a crise de 2002

As chamadas retenciones foram reintroduzidas em 2002, logo após a grave crise econômica enfrentada pela Argentina. Na época, o governo recorreu à cobrança como forma de elevar a arrecadação, conter o desequilíbrio fiscal e enfrentar os impactos do calote da dívida pública.

Embora tenham sido apresentadas inicialmente como uma medida temporária, as tarifas acabaram se tornando permanentes. Durante mais de duas décadas, elas representaram entre 6% e 10% da arrecadação tributária do país, tornando-se uma importante fonte de receita para diferentes governos.

Além da função fiscal, os impostos passaram a ser utilizados para reduzir o impacto dos preços internacionais sobre o mercado interno de alimentos e redistribuir parte da renda gerada pelo setor agropecuário.

Proposta prevê redução gradual das tarifas

O novo projeto estabelece um calendário oficial para diminuir as alíquotas incidentes sobre diferentes produtos agrícolas.

A redução começa imediatamente para trigo e cevada, enquanto culturas como soja, milho, sorgo e produtos destinados à produção de biocombustíveis terão cortes progressivos até 2028.

Segundo o governo, a meta continua sendo eliminar totalmente os impostos sobre exportações, mas de forma gradual para preservar a estabilidade fiscal conquistada nos últimos meses.

Reforma acompanha ajuste econômico do governo Milei

A mudança faz parte do programa econômico implementado pelo presidente Javier Milei, que desde o início do mandato tem priorizado o ajuste das contas públicas, o controle da inflação e a redução da intervenção estatal na economia.

Após registrar o primeiro superávit fiscal primário em mais de dez anos, o governo afirma que criou condições para iniciar a retirada de tributos considerados prejudiciais à competitividade do setor produtivo.

Outro aspecto destacado pelas autoridades é a previsibilidade. Pela primeira vez desde 2002, produtores, exportadores e investidores terão um cronograma oficial para acompanhar a redução da carga tributária incidente sobre as exportações.

Agronegócio pode ganhar competitividade e atrair investimentos

A expectativa é que a diminuição dos impostos aumente a rentabilidade de toda a cadeia do agronegócio, incentivando novos investimentos em tecnologia, infraestrutura, armazenagem, irrigação e modernização da produção.

Os maiores beneficiados tendem a ser os produtores de grãos e oleaginosas, já que soja, milho, trigo e cevada estão entre os principais produtos exportados pela Argentina.

Especialistas avaliam que o país já possui vantagens competitivas importantes, como a elevada produtividade da região dos Pampas, o uso consolidado do plantio direto, a adoção de tecnologias agrícolas e uma eficiente estrutura logística voltada às exportações.

Nesse contexto, a retirada das retenciones tende a ampliar o potencial produtivo existente, favorecendo ganhos de eficiência e agregação de valor.

Desafio ambiental segue no radar

Apesar das perspectivas positivas para o setor, a ampliação da rentabilidade desperta preocupações sobre uma possível expansão da fronteira agrícola, especialmente em áreas de vegetação nativa, como a região do Gran Chaco.

Entretanto, a tendência é que o crescimento da produção esteja mais associado ao aumento da produtividade do que à abertura de novas áreas agrícolas. Isso ocorre porque mercados como a União Europeia passaram a exigir critérios rigorosos de rastreabilidade e conformidade ambiental, especialmente após a entrada em vigor do Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento (EUDR).

Reforma coincide com maior integração comercial

O anúncio também ocorre em um momento de maior abertura econômica da Argentina e de fortalecimento das relações comerciais com a União Europeia.

A aplicação provisória do acordo entre Mercosul e União Europeia cria um ambiente mais favorável para investimentos e amplia as perspectivas para as exportações argentinas.

Embora a redução das tarifas e o tratado comercial sejam iniciativas independentes, ambas apontam para uma estratégia voltada ao fortalecimento da inserção do país no comércio internacional.

Previsibilidade é considerada principal avanço

A eliminação completa das retenciones ainda dependerá da manutenção do equilíbrio fiscal e da estabilidade macroeconômica nos próximos anos.

Mesmo assim, analistas destacam que o maior diferencial da proposta é oferecer segurança jurídica e previsibilidade para produtores rurais, exportadores e investidores, que passam a contar com um calendário oficial para a redução da tributação sobre as exportações agrícolas.

Esse cenário tende a facilitar o planejamento de investimentos de longo prazo e fortalecer a confiança no ambiente de negócios do agronegócio argentino.

FONTE: Agroberichten Buitenland – Netherlands
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Exportação

Exportação de farelo de soja ganha nova rota pelo Porto de Itaqui

O Brasil passa a contar com uma nova alternativa logística para impulsionar a exportação de farelo de soja. A operadora ferroviária VLI S.A. iniciará uma operação permanente de transporte do produto até o Porto de Itaqui, no Maranhão, ampliando a capacidade de escoamento e reduzindo a dependência dos portos do Sul do país.

A iniciativa busca solucionar gargalos logísticos em um momento de crescimento da produção nacional de farelo, resultado do aumento do processamento da soja para atender à demanda da indústria de biodiesel.

Nova rota ferroviária amplia capacidade de exportação

Segundo a diretora comercial da VLI, Carolina Hernandez Tascon, a empresa passará a operar o transporte de farelo de soja durante todo o ano pela ferrovia que liga importantes regiões produtoras ao Porto de Itaqui.

Até então, os embarques eram realizados apenas de forma pontual. Com a mudança, a operação se tornará contínua, oferecendo uma alternativa aos terminais portuários tradicionalmente mais congestionados das regiões Sul e Sudeste.

A nova rota atende áreas estratégicas da produção agrícola brasileira, incluindo Mato Grosso — maior produtor de soja do país —, além de Tocantins, Piauí e Bahia.

Produção crescente aumenta pressão sobre a logística

O fortalecimento da infraestrutura ocorre em um cenário de expansão da produção de farelo de soja no Brasil. O aumento do esmagamento da soja, impulsionado pela demanda da cadeia de biodiesel, tem elevado a oferta do coproduto destinado principalmente à fabricação de ração animal.

Com maior volume disponível para exportação, cresce também a necessidade de ampliar a capacidade de transporte, armazenagem e movimentação da carga.

De acordo com Carolina Tascon, a redução dos custos logísticos será determinante para elevar a competitividade do produto brasileiro frente à Argentina, atualmente a maior exportadora mundial de farelo de soja.

Outro fator considerado estratégico é a localização dos portos da região Norte, que oferecem menor distância marítima até a Europa, reduzindo custos e tempo de viagem para esse importante mercado consumidor.

Estrutura de armazenagem ainda é um desafio

Apesar dos investimentos realizados nos últimos anos para ampliar os embarques de soja e milho pelos portos do Norte, o farelo de soja exige instalações específicas para armazenamento e movimentação, já que precisa permanecer segregado de outras cargas.

A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC) alertou recentemente que, durante os períodos de safra, a elevada movimentação de soja no primeiro semestre e de milho na segunda metade do ano limita a disponibilidade de espaços para armazenagem, tornando a logística ainda mais desafiadora.

Empresas investem em novos terminais

Além da iniciativa da VLI, outras companhias também ampliam investimentos para fortalecer a infraestrutura de exportação.

As empresas 3Tentos Agroindustrial e Caramuru Alimentos desenvolvem um novo terminal de embarque em Miritituba, no Pará. A expectativa é que a estrutura entre em operação no último trimestre de 2026, ampliando a capacidade logística da região.

No caso da VLI, os primeiros testes com cargas de farelo de soja começam ainda neste mês. A empresa prepara áreas exclusivas de armazenagem em terminais ferroviários ligados ao corredor Norte. Os terminais portuários TPSL e Tegram, localizados no Maranhão, também passarão a operar com armazenamento e movimentação do produto.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Dan Koeck

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Agronegócio

Lei do Fethab mantém cálculo com UPF de janeiro de 2025 durante todo o ano de 2026

Os produtores rurais e as empresas responsáveis pelo recolhimento do Fethab em Mato Grosso continuarão utilizando a UPF/MT de janeiro de 2025 como referência para calcular as contribuições ao longo de todo o ano de 2026. A determinação está prevista na Lei nº 13.357/2026, que prorroga a regra excepcional adotada anteriormente.

Com a mudança, o valor da Unidade Padrão Fiscal (UPF/MT) permanecerá o mesmo durante os 12 meses do ano, independentemente da data em que ocorrer a comercialização ou operação tributada.

Atualização prevista para o segundo semestre fica suspensa

Pelas regras permanentes da legislação estadual, as operações realizadas entre janeiro e junho utilizam como base a UPF de janeiro do ano anterior. Já entre julho e dezembro, o cálculo normalmente passa a considerar a UPF de julho do ano anterior.

Entretanto, em 2026 essa alteração não será aplicada. Assim, uma operação realizada em setembro, por exemplo, continuará sendo calculada com base na UPF vigente em janeiro de 2025. Sem a prorrogação da regra, a referência seria a UPF de julho de 2025.

Mudança exige atenção de produtores e contadores

A manutenção da mesma base de cálculo impacta diretamente a apuração das contribuições incidentes sobre produtos como soja, milho, algodão, gado, madeira e minerais.

Segundo o analista do Sistema Famato, José Cristovão, é fundamental que produtores, empresas, contadores e demais profissionais observem a legislação em vigor. De acordo com ele, a utilização de uma UPF diferente da estabelecida pode provocar recolhimentos incorretos e gerar inconsistências fiscais.

Regra atual vale apenas até o fim de 2026

Caso não haja uma nova alteração legislativa, o sistema tradicional voltará a ser adotado em 2027. Nesse cenário, as operações realizadas entre janeiro e junho utilizarão a UPF de janeiro de 2026, enquanto as efetuadas entre julho e dezembro passarão a considerar a UPF de julho de 2026.

O que é o Fethab

Criado em 2000, o Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab) é uma contribuição estadual incidente sobre a comercialização de produtos do agronegócio e da extração mineral, como soja, milho, algodão, gado, madeira e minerais. Os recursos arrecadados são destinados ao financiamento de obras de infraestrutura previstas na legislação de Mato Grosso.

Nos últimos anos, o fundo ganhou destaque nas negociações entre o setor produtivo e o governo estadual, especialmente após a criação do chamado Fethab 2, contribuição extraordinária de caráter temporário. Para 2026, ficou definido que essa cobrança adicional não será renovada após o encerramento de sua vigência, previsto para 31 de dezembro.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

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Agronegócio

Compra de fertilizantes atrasa e preocupa setor agrícola para a safra 2026/27

A indefinição sobre possíveis medidas do governo para aliviar o endividamento dos produtores rurais tem levado muitos agricultores a adiar a compra de fertilizantes para a safra 2026/27. O movimento já afeta revendas e fabricantes de insumos e amplia as preocupações com o planejamento da próxima temporada agrícola.

Além das incertezas sobre a renegociação de dívidas, fatores como juros elevados, aumento da inadimplência no campo, encarecimento dos insumos e riscos climáticos associados ao El Niño elevam o nível de atenção tanto do mercado quanto do governo federal.

Compras seguem abaixo da média histórica

Levantamento da Agrinvest mostra que, até a primeira quinzena de junho, os produtores de soja haviam adquirido cerca de 68% do volume de fertilizantes previsto para a próxima safra. Mesmo considerando uma redução estimada de aproximadamente 10% na demanda para o ciclo 2026/27, o percentual permanece abaixo da média dos últimos cinco anos, que é de 75% para esse período.

No caso do milho, cuja semeadura ocorre após a soja, o atraso é ainda maior, chegando a 13 pontos percentuais em relação ao ritmo histórico.

Dados do índice de vendas de fertilizantes da Veeries, que acompanha culturas como soja, milho, algodão, cana-de-açúcar, trigo e café, apontam que apenas 50% do volume esperado havia sido comercializado até meados de junho. Nos últimos três anos, a média para essa época era de 60%.

Alta dos preços e renegociação de dívidas travam mercado

Segundo especialistas, a principal razão para o adiamento das compras é a valorização dos fertilizantes no mercado internacional.

Além disso, a expectativa em torno da votação de propostas de renegociação das dívidas rurais no Congresso tem levado muitos produtores a postergar decisões de compra, aguardando um possível alívio financeiro.

Representantes do setor observam que o cenário também é agravado pelos impactos dos conflitos no Irã e na Ucrânia, que elevaram os custos globais dos insumos, além da combinação de juros altos e menor rentabilidade das atividades agrícolas.

Revendas e indústria já sentem os impactos

O atraso nas negociações preocupa fabricantes e distribuidores de insumos, que alertam para o risco de parte dos fertilizantes não chegar às propriedades dentro do calendário ideal de plantio da safra de verão.

A situação já afeta outros segmentos ligados ao agronegócio. A indústria de máquinas agrícolas, por exemplo, registrou queda de 18% nas vendas entre janeiro e abril, enquanto fabricantes projetam encerrar 2026 com faturamento cerca de 8% inferior ao do ano passado.

Empresas do setor afirmam que não há retração estrutural da demanda, mas sim um adiamento das negociações provocado pelas incertezas financeiras enfrentadas pelos produtores.

Safra pode ser menor em meio a restrições de crédito

Com menor utilização de fertilizantes, dificuldade de acesso ao crédito rural e previsão de impactos climáticos relacionados ao El Niño, cresce a expectativa de redução no potencial produtivo da próxima safra de grãos.

O cenário também passou a ser acompanhado pelo Ministério da Agricultura, que criou um grupo de trabalho para avaliar possíveis efeitos das condições climáticas sobre a produção agrícola. Entre as principais preocupações estão a limitação de recursos para o seguro rural e a ausência de mecanismos que facilitem a concessão de novos financiamentos aos produtores.

Nos bastidores do mercado financeiro, agricultores já sinalizam a intenção de reduzir áreas cultivadas e concentrar investimentos em propriedades consideradas mais rentáveis e com menor risco operacional.

Setor aguarda definição sobre apoio aos produtores

Executivos do mercado afirmam que a demora na definição das medidas de apoio financeiro vem prolongando a paralisação das negociações, especialmente entre distribuidores de fertilizantes.

Na avaliação do setor, a retomada das compras dependerá tanto do avanço das discussões sobre o endividamento rural quanto da evolução dos preços dos insumos e das perspectivas para a próxima safra.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Dado Galdieri/Bloomberg

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Exportação

Arco Norte amplia participação nas exportações de grãos e desafia liderança dos portos do Sul

Durante décadas, os portos das regiões Sul e Sudeste concentraram o embarque da soja, do milho e de outros grãos produzidos no Brasil. No entanto, o crescimento da produção agrícola, especialmente no Centro-Oeste, impulsionou uma mudança significativa na logística nacional. Os portos do Arco Norte passaram a absorver uma parcela cada vez maior das exportações, reduzindo a dependência histórica de Santos e Paranaguá.

A principal vantagem está na localização estratégica. Para produtores instalados no interior do país, principalmente no Mato Grosso, transportar a produção para os terminais do Norte significa percorrer distâncias menores, diminuindo os custos com frete e aumentando a competitividade do agronegócio brasileiro no mercado internacional.

Nova rota logística fortalece o agronegócio

O avanço do Arco Norte deixou de ser uma projeção para se tornar uma realidade consolidada. Portos como Itaqui, no Maranhão, e diversos terminais instalados no Pará assumiram papel relevante no escoamento da produção agrícola.

A expansão foi impulsionada por investimentos em infraestrutura, incluindo novos terminais graneleiros, ampliação de cais, obras de dragagem e fortalecimento das hidrovias, que permitem o transporte de grãos por barcaças até os portos marítimos.

Essa integração entre rodovias, ferrovias, hidrovias e terminais cria um corredor logístico alternativo capaz de disputar espaço com o tradicional eixo Sul-Sudeste.

Menos gargalos nos portos tradicionais

O crescimento da movimentação pelo Norte também contribui para reduzir a pressão sobre os portos de Santos e Paranaguá, que historicamente enfrentam filas de caminhões e navios durante os períodos de safra.

Embora continuem entre os principais corredores de exportação do país, os terminais do Sul passam a dividir o fluxo de cargas, tornando a logística nacional mais eficiente e menos dependente de uma única região.

Nos últimos anos, a participação do Arco Norte nas exportações de grãos cresceu de forma consistente e, em determinados períodos, já alcança volumes semelhantes ou até superiores aos registrados pelo eixo Sul-Sudeste.

Porto de Itaqui simboliza transformação logística

Entre os destaques dessa nova configuração está o Porto de Itaqui, no Maranhão. O terminal reúne características consideradas estratégicas para o comércio exterior, como calado profundo para receber grandes navios graneleiros e conexão com a Ferrovia Norte-Sul, facilitando o transporte da produção agrícola do interior até o litoral.

A integração entre ferrovia e porto tem contribuído para ampliar o volume de embarques destinados principalmente aos mercados da Ásia e da Europa.

Infraestrutura ainda é desafio para expansão

Apesar do avanço, especialistas apontam que ainda existem obstáculos para consolidar o potencial do Arco Norte.

Algumas hidrovias necessitam de melhorias para garantir operação durante todo o ano, enquanto projetos de infraestrutura enfrentam desafios relacionados ao licenciamento ambiental e à ampliação dos acessos rodoviários e ferroviários.

A expansão da capacidade logística dependerá da conclusão dessas obras e da integração eficiente entre diferentes modais de transporte.

Frete segue decisivo para competitividade da soja

Como a soja é uma commodity negociada internacionalmente com preços semelhantes, independentemente da origem, o custo do transporte exerce influência direta sobre a rentabilidade do produtor.

Nesse cenário, reduzir a distância entre as áreas produtoras e os portos representa uma vantagem econômica significativa. Por isso, o Arco Norte vem se consolidando como uma alternativa cada vez mais atrativa para o escoamento da produção agrícola do Centro-Norte brasileiro.

Além dos produtores rurais, o novo corredor logístico também movimenta investimentos de tradings, operadores portuários, governos estaduais e empresas privadas, fortalecendo a economia de estados do Norte e Nordeste.

Com a continuidade dos investimentos em infraestrutura, a tendência é que os portos do Arco Norte ampliem ainda mais sua participação nas exportações, consolidando-se como protagonistas da logística do agronegócio nacional.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CPG

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