Portos

Porto de Itajaí retira mais de 1,5 milhão de m³ de sedimentos em uma semana e avança na recuperação do canal

Volume recorde corresponde a praticamente metade da dragagem realizada em um ano de condições normais; dados serão encaminhados à Marinha do Brasil para avaliação

A Superintendência do Porto de Itajaí (SPI) concluiu mais uma etapa intensiva dos trabalhos de dragagem do canal de acesso ao Complexo Portuário de Itajaí. Em aproximadamente uma semana de operação, foram retirados mais de 1,5 milhão de metros cúbicos de sedimentos, resultado que permitiu praticamente restabelecer as profundidades do canal.

O volume retirado é considerado expressivo e corresponde a praticamente metade de toda a dragagem realizada ao longo de um ano em condições normais, demonstrando tanto a capacidade de resposta da operação quanto a excepcionalidade do cenário hidrológico enfrentado atualmente.

Os efeitos do El Niño e os sucessivos episódios de chuvas intensas registrados na Bacia do Itajaí-Açu têm provocado aumento significativo da vazão do rio e do transporte de sedimentos em direção ao estuário e ao complexo portuário.

A operação das barragens, necessária para o controle dos volumes acumulados de água, também acaba prolongando as condições de vazão elevada do rio e, consequentemente, estendendo o período de maior aporte e deposição de sedimentos no canal.

Mesmo diante desse cenário excepcional, o trabalho realizado nos últimos dias apresentou resultados expressivos, permitindo uma recuperação significativa das condições de profundidade do acesso aquaviário.

Com os serviços executados, as profundidades do canal foram praticamente restabelecidas. A Superintendência do Porto de Itajaí encaminhará os dados dos levantamentos para avaliação da Marinha do Brasil, responsável pela análise e definição dos parâmetros de segurança da navegação no canal de acesso.

Permanecem necessários apenas ajustes pontuais em áreas com presença de lama fluida. Os serviços terão continuidade nos próximos dias com a atuação da draga WID, dando sequência ao trabalho de manutenção e regularização do canal.

A saída da draga Hopper ocorre, portanto, após o cumprimento desta etapa intensiva da operação e não representa a interrupção dos serviços de dragagem. O equipamento também passará por manutenção após danos registrados durante operação recente.

Diante das previsões meteorológicas que indicam a possibilidade de continuidade dos episódios de chuvas intensas e eventos extremos na região, a Superintendência já trabalha na preparação de novas medidas emergenciais de dragagem, buscando ampliar a capacidade de resposta às condições excepcionais de sedimentação que poderão continuar atingindo o canal nas próximas semanas.

“Retirar mais de 1,5 milhão de metros cúbicos de sedimentos em aproximadamente uma semana demonstra a dimensão do desafio que estamos enfrentando e também a capacidade de resposta do Porto de Itajaí. Conseguimos avançar significativamente na recuperação das profundidades e o trabalho continua. Vamos encaminhar os dados para avaliação da Marinha e seguir adotando todas as medidas necessárias para garantir segurança, competitividade e continuidade às operações portuárias”, destaca o superintendente do Porto de Itajaí, Artur Antunes Pereira.

A Superintendência do Porto de Itajaí mantém o monitoramento permanente das condições do canal de acesso e seguirá adotando, em conjunto com os órgãos competentes, todas as medidas necessárias para preservar a segurança da navegação e a continuidade das operações do Complexo Portuário de Itajaí.

Fonte e imagens: Porto de Itajaí

Ler Mais
Portos

Dragagem do Porto de São Francisco do Sul prevê uso inédito de sedimentos em praia

A ordem de serviço para o início da maior obra de dragagem do país na atualidade será assinada nesta terça-feira, 23, no Porto de São Francisco do Sul, com a presença do ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, e do governador Jorginho Mello.

A vencedora da licitação para realizar a dragagem de aprofundamento do canal de acesso ao Complexo Portuário da Baía da Babitonga  foi a empresa belga Jan De Nul. O contrato prevê o aumento do calado de 14 para 16 metros, o que permitirá a entrada de navios de maior porte.

Com investimentos de R$ 324 milhões, a dragagem deve começar até o final do ano, com previsão de conclusão para o segundo semestre de 2026.

A draga será a Galileo Galilei, a mesma utilizada no engordamento da praia de Balneário Camboriú. Pelo contrato, a previsão da chegada da draga é até dezembro.

O Porto de São Francisco, no entanto, está buscando atender a todas as condicionantes ambientais previstas na licença de instalação da obra, para possibilitar a antecipação desse prazo, possivelmente em novembro.

Financiamento

A obra foi viabilizada por meio de uma parceria inédita entre os portos de São Francisco do Sul e Itapoá, no Norte catarinense. Pela primeira vez no Brasil, um porto público firma contrato com um porto privado para a realização de uma obra desta natureza, que será executada por meio de uma Parceria Público Privada (PPP): o porto público de São Francisco aportará R$ 24 milhões e o terminal privado Itapoá, R$ 300 milhões.

O investimento privado será devolvido de modo parcelado até dezembro de 2037, aproximadamente 11 anos após o fim da obra. O ressarcimento para Itapoá será em cima do adicional de tarifas portuárias geradas pelo acréscimo no número de navios que atracarem no porto e pelo aumento no volume de carga movimentada, a partir da conclusão da obra de aprofundamento.

Primeiro no Brasil

A dragagem possibilitará a atracação de embarcações de até 366 metros de comprimento, tornando-se o primeiro complexo portuário do Brasil com capacidade para receber navios desse porte, com carga máxima.

Atualmente, no Complexo Portuário da Baía da Babitonga, é possível a atracação de embarcações com até 336 metros, com capacidade para 10 mil TEUs. Com a obra, essa capacidade aumentará para 16 mil TEUs.

Engordamento da praia

Outro aspecto inédito e inovador é a destinação dos sedimentos retirados do mar. Estima-se que serão removidos cerca de 12,5 milhões de metros cúbicos de areia. Metade do material deve ser utilizado para o engordamento da faixa de areia da orla de Itapoá que, nos últimos anos, tem sofrido com erosão marítima.

Será a primeira vez no Brasil, e a segunda no mundo, que os sedimentos de uma dragagem portuária terão como destino o alargamento de uma praia. Em nível mundial, somente na Austrália houve destinação similar.

“Será a maior obra de engordamento de praia da história do país, em extensão”, garante o diretor de Operações do Porto de São Francisco, Guilherme Medeiros, referindo-se aos 8 quilômetros da faixa de areia de Itapoá que serão beneficiados com a obra.

Fiscalização

Nesta terça-feira, será assinado, também, o contrato de fiscalização da obra com as empresas Geplan e Prosul, no valor de R$ 9 milhões. Ambas foram selecionadas por meio de licitação pública.

Além de acompanhar todas as etapas da obra, as empresas terão a responsabilidade de realizar uma análise detalhada de cada fase, incluindo a compatibilidade dos sedimentos depositados na praia, bem como a fiscalização da modelagem topográfica da área a ser alargada.

Adicionalmente, as empresas irão monitorar a parte aquática da obra, assegurando que as cotas de aprofundamento e alargamento do canal de acesso sejam realizadas de acordo com as especificações técnicas previstas.

Repercussão

“O impacto na economia será extraordinário. Com o aprofundamento do calado e o aumento da largura do canal de acesso, passaremos a competir em igualdade com o Porto de Santos. A estrutura permitirá a atracação de grandes navios, com capacidade para transportar um volume muito maior de contêineres. Isso representa ganhos para todos: para os transportadores, para os vendedores, para a cidade e, principalmente, na geração de empregos”, afirma o governador Jorginho Mello.

“As companhias marítimas estão atualizando suas frotas com navios de maior porte e, para isso, precisarão de portos equipados com a tecnologia que está sendo instalada no Complexo Portuário da Babitonga. Por isso, essa obra representa um avanço significativo e deixa Santa Catarina alinhada com o futuro da navegação”, destacou o secretário de Estado de Portos, Aeroportos e Ferrovias, Beto Martins.

De acordo com o presidente do Porto de São Francisco, Cleverton Vieira, a obra de dragagem, quando iniciada, será a maior em andamento no país. “O modelo adotado é resultado de um debate coordenado pelo Ibama, construído com base na relação de confiança entre as instituições envolvidas. A iniciativa contou com a participação ativa da Secretaria Estadual de Portos, Aeroportos e Ferrovias, da Secretaria Estadual da Fazenda e da InvestSC”.

Segundo Vieira, a parceria firmada entre o Porto Itapoá – terminal privado – e o Porto de São Francisco – administrado pelo governo do Estado – reflete um nível inédito de segurança e confiabilidade, tornando-se um exemplo de colaboração entre os setores público e privado.

Fonte: Porto de São Francisco do Sul

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook