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Porto de Itajaí: chuvas elevam sedimentação e reforçam debate sobre concessão da dragagem

A elevada quantidade de sedimentos retirada do canal de acesso ao Complexo Portuário de Itajaí, em Santa Catarina, voltou a colocar em evidência a necessidade de uma nova estrutura para a gestão da dragagem do Porto de Itajaí.

A campanha mais recente foi concluída após 20 dias, com a remoção de mais de 2 milhões de metros cúbicos de sedimentos. O volume é significativamente superior ao registrado em campanhas consideradas regulares, que normalmente retiram entre 600 mil e 800 mil metros cúbicos.

Segundo o superintendente do Porto de Itajaí, Artur Antunes Pereira, a forte sedimentação levou à antecipação dos trabalhos.

Concessão do canal de acesso ainda aguarda definição

Enquanto os efeitos das chuvas aumentam a demanda por dragagem, o projeto de concessão do acesso aquaviário ao Complexo Portuário de Itajaí segue aguardando definição da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

A proposta prevê a transferência para a iniciativa privada da administração do canal e dos serviços relacionados à dragagem, manutenção e aprofundamento do acesso aquaviário.

A análise do projeto pela Antaq era esperada para agosto, seguida pela publicação do edital. Até o momento, porém, o Porto de Itajaí informa que não houve atualização sobre o andamento do processo.

O projeto estabelece um contrato de 25 anos e prevê investimentos estimados em aproximadamente R$ 350 milhões. Além da dragagem, a futura concessão deverá contemplar a administração e exploração do acesso aquaviário e intervenções em estruturas utilizadas pelos navios para entrar e sair do complexo.

Chuvas aumentam volume de sedimentos no canal

A atual campanha de dragagem foi antecipada diante da velocidade considerada elevada de deposição de sedimentos no canal. Para Pereira, o cenário é atípico e está relacionado às condições climáticas registradas na região.

O superintendente relaciona o aumento da quantidade de material no canal ao maior volume de chuvas e à liberação gradual de água e sedimentos acumulados nas barragens da bacia do Rio Itajaí-Açu.

Pereira também citou a influência do El Niño sobre o regime de chuvas. Segundo ele, o fenômeno contribuiu para o aumento das precipitações e, consequentemente, para a chegada de mais sedimentos ao canal de acesso.

Mesmo após a redução das chuvas, o processo de sedimentação não é interrompido imediatamente. Isso ocorre porque as barragens continuam liberando de forma gradual água e materiais acumulados, que acabam transportados para o canal.

Contrato atual pode não ser suficiente em cenário excepcional

Na avaliação do superintendente, o modelo utilizado nos últimos oito anos para executar a dragagem do canal de Itajaí atende às necessidades em condições consideradas normais.

O cenário atual, entretanto, levanta a possibilidade de medidas adicionais. A administração portuária avalia alternativas como um aditivo ao contrato vigente ou uma contratação emergencial complementar, caso o nível de sedimentação permaneça acima do padrão.

A preocupação está relacionada à possibilidade de recorrência de condições climáticas excepcionais, que podem aumentar a necessidade de intervenções no canal.

Epagri aponta chuvas acima da média em Santa Catarina

As condições climáticas também foram destacadas pela Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri).

Em boletim divulgado em julho, a entidade apontou que a atuação do El Niño aumentou a frequência de sistemas de chuva no Estado. A previsão indicava volumes de precipitação acima da média climatológica entre agosto e outubro.

O cenário climático reforça a atenção sobre os impactos da chuva na sedimentação do canal de acesso ao Porto de Itajaí e, consequentemente, sobre a necessidade de manutenção da profundidade adequada para a navegação.

Fiesc defende concessão independente dos terminais

A Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) defende que a futura concessão do canal de acesso seja estruturada separadamente da operação dos terminais terrestres.

Em ofício encaminhado em agosto ao Ministério de Portos e Aeroportos, à Antaq e à Companhia Docas do Estado da Bahia (Codeba), a entidade argumentou que atividades como dragagem, manutenção e aprofundamento do canal devem contar com regras, responsabilidades e recursos próprios.

Para Maurício Battistella, presidente do Conselho para Assuntos de Transporte e Logística da Fiesc, a separação entre os contratos ajudaria a garantir a manutenção dos parâmetros necessários à navegação e a execução de obras estruturantes, como o aprofundamento do canal e a ampliação da bacia de evolução.

Porto de Itajaí também defende contratos separados

A administração do Porto de Itajaí possui entendimento semelhante ao apresentado pela Fiesc.

Para Artur Antunes Pereira, o canal de acesso e os terminais terrestres possuem funções distintas e, portanto, deveriam ser tratados como objetos independentes em uma eventual concessão.

O superintendente também ressalta que a modelagem econômica da concessão do canal precisa estar definida antes da publicação do edital. A avaliação é de que as regras para a administração do acesso aquaviário devem considerar as particularidades e os custos envolvidos na manutenção e no aprofundamento do canal.

FONTE: Gazeta do Povo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Gazeta do Povo

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Porto de Itajaí antecipa draga para reforçar dragagem do canal diante dos efeitos do El Niño

A Superintendência do Porto de Itajaí decidiu antecipar a mobilização de uma draga de sucção do tipo hopper para reforçar a manutenção do canal de acesso ao Complexo Portuário de Itajaí. O equipamento deve chegar entre quarta (12) e quinta-feira (13) e integra uma estratégia preventiva diante das condições climáticas associadas ao El Niño e do aumento da descarga do Rio Itajaí-Açu.

A nova campanha de dragagem estava inicialmente programada para ocorrer em setembro, mas foi antecipada pela autoridade portuária. A medida busca preservar a navegabilidade do canal, aumentar a segurança das operações e oferecer maior previsibilidade aos armadores, terminais e demais empresas que integram o trade portuário.

Autoridade Marítima aumentou folga adicional de segurança

Na terça-feira (11) a Autoridade Marítima também ampliou a margem de segurança abaixo da quilha dos navios que operam no Complexo Portuário de Itajaí e Navegantes. A folga adicional passou de 0,3 metro para 0,8 metro, após levantamentos batimétricos identificarem redução de 1,4 metro na profundidade em parte da Bacia de Evolução nº 1, que passou de 13,6 para 12,2 metros. Na prática, o aumento da distância de segurança entre a quilha e o fundo do canal reduz o calado operacional disponível para as embarcações e pode limitar o volume de carga transportado pelos navios. A medida é preventiva e temporária e permanecerá em vigor enquanto as condições batimétricas permanecerem alteradas.

Porto de Itajaí diz que canal está com 14 metros

A última campanha realizada com uma draga hopper ocorreu no início de junho. Desde então, os trabalhos de manutenção vêm sendo conduzidos também pela draga Njord, que executa dragagem por aspersão ao longo do canal do Rio Itajaí-Açu.

Nesta terça-feira (11), técnicos da Superintendência do Porto de Itajaí acompanharam presencialmente as operações. Durante a inspeção, foi constatado que o canal permanece navegável, com profundidade de até 14 metros.

A chegada da nova draga deverá ampliar a capacidade de remoção e controle dos sedimentos acumulados no fundo do rio. O equipamento opera por meio da sucção do material, reforçando as ações já realizadas pela Njord.

O Porto de Itajaí monitora os impactos do El Niño sobre as condições do canal desde 10 de junho de 2026. Entre os efeitos identificados está a presença de lama fluida e o aumento da sedimentação.

Nas últimas semanas, o volume de chuvas também contribuiu para elevar o nível e a vazão do Rio Itajaí-Açu. Esse cenário aumenta o transporte de sedimentos em direção ao canal de acesso ao complexo portuário e exige acompanhamento contínuo das condições de navegabilidade.

Segundo o superintendente do Porto de Itajaí, Artur Antunes Pereira, a antecipação da campanha representa uma ação preventiva para evitar impactos sobre as operações. “Hoje nossa equipe acompanhou o trabalho da dragagem por aspersão ao longo do canal e verificou que o canal permanece navegável, com profundidade de até 14 metros.”

De acordo com o superintendente, a decisão de antecipar a mobilização, que normalmente ocorreria apenas em setembro, busca garantir segurança à navegação e maior previsibilidade para o mercado.

Monitoramento do canal continua

A Superintendência do Porto de Itajaí informou que seguirá acompanhando permanentemente as condições do canal. As ações são realizadas em conjunto com a Van Oord e poderão ser ajustadas conforme a evolução das condições climáticas e da sedimentação.

Após a atuação da draga hopper, novos levantamentos deverão ser realizados para avaliar as condições do canal e orientar as próximas medidas de manutenção.

A estratégia adotada pela autoridade portuária tem como foco manter a segurança da navegação, assegurar a continuidade das operações e reduzir possíveis impactos das condições climáticas sobre o Complexo Portuário de Itajaí.

Fonte: Superintendência do Porto de Itajaí

Texto: Redação

Imagem: Divulgação Porto de Itajaí

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