Informação

Governo critica exigência da União Europeia sobre antimicrobianos e defende sistema sanitário brasileiro

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) classificou como “inaceitável” a exigência da União Europeia (UE) para que o Brasil comprove previamente o controle do uso de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais destinados à exportação de carnes ao bloco europeu.

Em nota divulgada nesta quinta-feira (23), a pasta reforçou que o país deve permanecer na lista de nações autorizadas a exportar para a UE, independentemente do tempo necessário para que todas as cadeias produtivas atendam integralmente às novas exigências sanitárias.

Brasil defende confiança no sistema de fiscalização

O governo brasileiro argumenta que o comércio internacional de produtos agropecuários é sustentado pela confiança entre as autoridades sanitárias e pelo reconhecimento dos sistemas oficiais de inspeção.

Na avaliação do ministério, exigir a comprovação antecipada de medidas que são implementadas gradualmente ao longo do processo produtivo contraria esse princípio.

Segundo o Mapa, cabe justamente ao sistema oficial de fiscalização verificar o cumprimento das normas e garantir que apenas produtos em conformidade com os requisitos sanitários recebam certificação para exportação.

Certificação depende do ciclo produtivo

O Brasil passou a adotar recentemente um modelo de controle que acompanha todo o ciclo de produção dos animais quanto ao uso de antimicrobianos.

O tempo necessário para atender às exigências varia conforme a cadeia produtiva. Na pecuária bovina, por exemplo, a certificação pode levar cerca de dois anos, enquanto na produção de aves o processo é concluído em aproximadamente 40 dias.

Para o ministério, essa diferença demonstra que a disponibilidade de produtos aptos para exportação depende do ciclo de produção de cada setor, sem comprometer a credibilidade do sistema brasileiro de fiscalização.

Governo afirma que não pediu flexibilização das regras

O Ministério da Agricultura destacou que o Brasil não solicitou mudanças nas normas sanitárias da União Europeia.

Segundo a pasta, o compromisso continua sendo cumprir integralmente as exigências estabelecidas pelos mercados importadores, preservando os padrões internacionais de segurança alimentar.

O governo informou ainda que encaminhou à Comissão Europeia uma ampla documentação técnica com informações sobre os mecanismos de fiscalização, rastreabilidade, monitoramento e certificação aplicados às cadeias de carne bovina, carne de aves, ovos, mel e produtos da pesca.

Até o momento, de acordo com o ministério, as autoridades europeias ainda não apresentaram uma manifestação definitiva sobre os documentos enviados.

Setor quer manutenção do Brasil na lista de exportadores

Representantes da indústria frigorífica e da pecuária apoiaram a posição adotada pelo governo brasileiro.

Segundo fontes do setor, a principal reivindicação é que o Brasil permaneça habilitado para exportar ao bloco europeu, ainda que parte dos produtos leve mais tempo para atender plenamente às novas exigências.

Na avaliação de integrantes da cadeia produtiva, a discussão sobre a disponibilidade de animais certificados não deve ser confundida com a confiabilidade do sistema sanitário nacional.

Entenda o impasse com a União Europeia

Em maio, a Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes e derivados para o bloco a partir de 3 de setembro, alegando falhas na comprovação do controle do uso de antimicrobianos.

Como alternativa, representantes da indústria frigorífica defenderam o banimento desses insumos na produção nacional para atender às exigências europeias. No entanto, estimativas do setor apontam que essa medida poderia elevar os custos da cadeia pecuária em cerca de US$ 2 bilhões por ano, devido ao aumento das despesas com alimentação animal e medicamentos.

Exportações para a União Europeia movimentam bilhões

A União Europeia permanece entre os principais mercados para a proteína animal brasileira.

Em 2025, o bloco importou aproximadamente 128 mil toneladas de carne bovina do Brasil, movimentando cerca de US$ 1 bilhão. Considerando todas as proteínas exportadas, o comércio entre as partes alcançou US$ 1,8 bilhão.

O Ministério da Agricultura reafirmou que continuará o diálogo técnico com as autoridades europeias e defendeu que futuras decisões sejam baseadas em critérios científicos, transparência e cooperação internacional, princípios considerados fundamentais para o comércio global de produtos agropecuários.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Wenderson Araujo/CNA

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Importação

China suspende importação de carne bovina da Irlanda após confirmação de doença

A China suspendeu a importação de carne bovina da Irlanda após a confirmação de casos da doença da língua azul no rebanho do país europeu. A decisão foi anunciada apenas duas semanas depois de Pequim ter reaberto seu mercado ao produto irlandês, encerrando um bloqueio que já durava mais de um ano.

Detecção da doença aciona alerta sanitário

A confirmação foi feita nesta quarta-feira (28) pelo Ministério da Agricultura da Irlanda. Segundo o órgão, o primeiro foco da doença foi identificado no último sábado em um rebanho localizado no sudeste do país. Após a notificação oficial, as autoridades chinesas informaram que a suspensão das compras entrou em vigor a partir de terça-feira.

Nos dias seguintes, novos casos do vírus da língua azul foram detectados em outros três rebanhos da mesma região, ampliando o alerta sanitário e reforçando a decisão chinesa de interromper temporariamente as importações.

Doença não afeta humanos, mas impacta o comércio

A língua azul atinge bovinos, ovinos e outros ruminantes e é transmitida por insetos. Apesar de não representar risco à saúde humana, a enfermidade provoca restrições sanitárias que afetam diretamente o comércio internacional de carnes, especialmente em mercados rigorosos como o chinês.

Reabertura recente do mercado chinês

A China havia retomado as importações de carne bovina irlandesa no dia 12 de janeiro, durante uma visita oficial do primeiro-ministro da Irlanda, Micheál Martin, a Pequim. A liberação ocorreu após a revogação de uma proibição imposta em 2024, quando foi registrado um caso de encefalopatia espongiforme bovina, conhecida como mal da vaca louca, no país.

Governo irlandês tenta reverter decisão

Em comunicado, o ministro da Agricultura da Irlanda, Martin Heydon, classificou a nova suspensão como um revés para o setor. Ele afirmou que o governo mantém diálogo permanente com as autoridades sanitárias chinesas, com o objetivo de conter a disseminação da doença e retomar as exportações o mais rápido possível.

A China é um dos maiores importadores de carne bovina do mundo e ocupa posição estratégica no comércio global do setor, o que torna qualquer restrição sanitária especialmente relevante para países exportadores.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Helena Lopes/Unsplash

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Informação

Indea-MT controla foco de gripe aviária em Acorizal e elimina mais de 300 aves

Ação rápida evita avanço da Influenza Aviária em Mato Grosso
O Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT) concluiu, na última semana, as ações de controle de um foco de gripe aviária no município de Acorizal. A operação resultou no abate sanitário de 339 aves domésticas de subsistência, além da destruição de 282 ovos e da desinfecção completa da propriedade afetada.

Após o encerramento dos trabalhos, a área entrou em vazio sanitário por 45 dias, medida adotada para assegurar a eliminação total do vírus da Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP).

Cerco sanitário mobilizou força-tarefa
A operação de emergência teve como base a Escola Municipal Amâncio Ramos e mobilizou 31 servidores do Indea-MT, técnicos do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e apoio da Polícia Militar. Durante quase uma semana, as equipes mantiveram um cerco sanitário em um raio de 10 quilômetros a partir do foco inicial.

Nesse período, foram vistoriadas 314 propriedades rurais, com a inspeção individual de 7.253 aves, como parte da estratégia de vigilância ativa para descartar novos casos da doença.

Terceiro registro em seis meses no estado
O episódio em Acorizal é o terceiro foco de gripe aviária registrado em Mato Grosso nos últimos seis meses, somando-se aos casos ocorridos em Campinápolis e Cuiabá. Em todas as ocorrências, as investigações apontaram a mesma origem: o contato entre aves domésticas e aves silvestres, especialmente espécies aquáticas como os paturis.

O uso de lagoas e áreas alagadas, frequentadas por aves migratórias, segue sendo considerado o principal fator de risco para criações de subsistência na região.

Resposta rápida protege a cadeia produtiva
Para as autoridades sanitárias, a agilidade na contenção do foco é decisiva para evitar impactos econômicos mais amplos, como restrições às exportações avícolas e a disseminação do vírus para granjas comerciais.

O controle do foco em Acorizal foi concluído em apenas seis dias após a confirmação laboratorial, o que, segundo o Indea-MT, demonstra a capacidade do sistema estadual de defesa em isolar rapidamente a enfermidade.

Educação sanitária no campo reforça prevenção
Além das medidas sanitárias, as equipes também atuaram na orientação direta aos produtores rurais. O objetivo foi ampliar o conhecimento sobre os sintomas da gripe aviária e os procedimentos corretos em caso de suspeita.

De acordo com o coordenador de Defesa Sanitária Animal do Indea-MT, João Marcelo Néspoli, a informação no campo é essencial para conter a doença. Segundo ele, durante as visitas de vigilância ativa, os técnicos orientam os produtores a observar sinais de mortandade e comunicar imediatamente os órgãos oficiais, além de realizarem inspeções clínicas nas aves.

Protocolos seguem padrões internacionais
As ações adotadas seguem os protocolos da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). Após a confirmação do diagnóstico pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA), o Mapa emite alerta internacional e autoriza o início do plano de erradicação.

Com a retirada da barreira sanitária e a conclusão da limpeza da área, Mato Grosso aguarda o término do período de quarentena para declarar o foco oficialmente erradicado junto aos órgãos federais.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Canal Rural Mato Grosso

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Exportação

Peru habilita exportação de farinhas bovinas e hemoderivados do Brasil

O governo do Peru deu um passo decisivo para ampliar o comércio agroindustrial com o Brasil. O Serviço Nacional de Sanidade Agrária do Peru (Senasa) autorizou, na última semana, os primeiros estabelecimentos brasileiros a exportar farinha de carne e ossos bovina e hemoderivados de bovinos e suínos para o país.

A medida destrava, na prática, segmentos que haviam sido abertos em maio de 2024, mas que ainda dependiam da habilitação formal das plantas industriais para o início das operações comerciais.

Empresas brasileiras habilitadas
Ao todo, 18 unidades brasileiras receberam autorização sanitária para atuar nos novos mercados:

Farinha de carne e ossos bovina: 14 empresas habilitadas
Hemoderivados de bovinos e/ou suínos: 4 empresas autorizadas

As habilitações permitem o fornecimento regular desses insumos ao mercado peruano, atendendo às exigências sanitárias estabelecidas pelas autoridades locais.

Ampliação nas exportações de farinhas de aves
Além das novas autorizações, o Senasa também aprovou mais três empresas brasileiras para exportar farinhas de aves ao Peru. Com isso, o número total de estabelecimentos aptos a fornecer esse produto ao país cresceu 21%.

A autoridade sanitária peruana ainda renovou as licenças de todas as empresas que já atuavam nesse segmento, garantindo a continuidade das exportações até dezembro de 2028.

Impacto no comércio regional
A decisão fortalece o fluxo comercial de insumos agroindustriais entre Brasil e Peru e amplia a presença brasileira nas cadeias produtivas do mercado peruano. O avanço também reforça o papel do Brasil como fornecedor estratégico de matérias-primas de origem animal na região.

FONTE: Ministério da Agricultura e Pecuária
TEXTO: Redação
IMAGEM: Associação Brasileira de Reciclagem Animal – ABRA

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