Internacional

Café arábica recua em Nova York após forte alta e realização de lucros

Os preços do café arábica encerraram a sessão desta terça-feira (25) em queda na Bolsa de Nova York. Após a forte disparada registrada no pregão anterior, o mercado passou por um movimento de realização de lucros, com investidores reduzindo parte das posições compradas.

Na segunda-feira (24), as cotações haviam avançado quase 2 mil pontos, impulsionadas pelas preocupações com a oferta global de café e pelos baixos níveis dos estoques. Nesta terça, os contratos mais negociados recuaram entre 560 e 635 pontos.

O vencimento setembro terminou a 371,40 centavos de dólar por libra-peso, enquanto março fechou em 321,25 centavos. Em Londres, os futuros do café robusta também encerraram o dia no campo negativo, com perdas entre US$ 94 e US$ 137 por tonelada.

Café em Nova York recua mais de 2%

A sessão foi marcada por forte volatilidade e predominância de um movimento de ajuste técnico. Os principais contratos chegaram a registrar perdas superiores a 2%.

Apesar da correção, os fundamentos do mercado de café continuam dando sustentação aos preços. Entre os principais fatores estão a disponibilidade limitada do produto e os estoques certificados de café, que permanecem em níveis historicamente baixos.

O recuo desta terça-feira já era esperado por parte dos operadores, especialmente depois de três semanas seguidas de valorização e do forte avanço registrado na sessão anterior.

Com os preços acumulando ganhos expressivos, fundos e investidores aproveitaram o momento para embolsar parte dos lucros. A avaliação predominante é de que a queda representa uma correção técnica, e não necessariamente uma mudança nos fundamentos que sustentam as cotações.

Futuros acumulam alta de 40% desde junho

A volatilidade deve continuar sendo um dos principais elementos do mercado nas próximas sessões. Segundo Heberson Sastre, gerente da mesa de operações da Minasul, os contratos futuros de arábica acumulam valorização de aproximadamente 40% desde o fim de junho.

O desempenho recente reflete, entre outros fatores, as preocupações com a oferta de café brasileiro e com as condições climáticas nas principais regiões produtoras.

Eduardo Carvalhaes, diretor do Escritório Carvalhaes, destaca que o clima no Brasil continua imprevisível. Períodos de estiagem, chuvas irregulares, ocorrência de geadas e até episódios de granizo têm sido observados em importantes áreas produtoras.

Esse cenário diminui as expectativas de uma safra recorde de café no Brasil em 2026 e mantém os compradores internacionais atentos à capacidade de reposição dos estoques.

Estoques baixos mantêm suporte ao mercado

Além das condições climáticas, os estoques globais de café seguem entre os principais pontos de atenção. Os volumes armazenados permanecem historicamente baixos tanto em países produtores quanto consumidores, criando um suporte estrutural para as cotações.

O mercado também monitora os possíveis efeitos do El Niño sobre as áreas produtoras, fator que pode ampliar as incertezas relacionadas ao clima e contribuir para novas oscilações nos preços.

Outro tema acompanhado pelos agentes é a reorganização do comércio internacional, especialmente diante das discussões sobre possíveis tarifas dos Estados Unidos sobre o café brasileiro. A questão ainda acrescenta incerteza ao cenário para exportadores e compradores.

Mercado físico acompanha queda das bolsas

No Brasil, o mercado físico de café segue operando com cautela. A queda em Nova York tende a limitar novas altas nas negociações domésticas, enquanto a trajetória do dólar em relação ao real continua sendo decisiva para a formação dos preços internos.

Os operadores também acompanham o avanço da colheita brasileira, a evolução dos estoques certificados da ICE e as condições climáticas nas regiões produtoras.

Depois da forte valorização recente, muitos produtores passaram a trabalhar com metas de venda na faixa de R$ 2.000 a R$ 2.100 por saca.

Produtores mantêm postura cautelosa

Para Heberson Sastre, os produtores estão participando do mercado de forma gradual diante das incertezas climáticas e da perspectiva para a oferta de cafés de maior qualidade.

O executivo afirma que as chuvas recentes reduziram a disponibilidade de cafés finos, justamente em um momento de forte procura internacional pelo produto brasileiro.

A avaliação é de que o mercado futuro de Nova York continua funcionando como referência para as negociações físicas, que se ajustam de acordo com uma série de fatores, incluindo câmbio, oferta e clima.

Nesta terça-feira, a combinação entre a queda dos contratos em Nova York e a desvalorização do dólar frente ao real contribuiu para uma perda adicional de força nas cotações do café no mercado brasileiro.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Agronegócio

Preço do café sobe no Brasil após chuvas afetarem a colheita e a oferta do grão

O preço do café registrou alta em julho, contrariando o comportamento esperado para o período de maior oferta da safra brasileira. O café arábica acumulou valorização de 10,5% no mês, enquanto o café conilon teve aumento de 3%, mesmo com a colheita dessa variedade já concluída.

Tradicionalmente, os meses de junho, julho e agosto costumam apresentar recuo nas cotações devido ao aumento da disponibilidade do produto. Neste ano, porém, fatores climáticos alteraram esse cenário e pressionaram os preços do grão.

Segundo especialistas, o aumento dos custos pagos pela indústria aos produtores tende a ser repassado ao longo da cadeia produtiva, podendo refletir no valor final pago pelos consumidores.

Clima prejudica colheita e secagem dos grãos

As chuvas nas principais regiões produtoras, especialmente em Minas Gerais e no interior de São Paulo, são apontadas como a principal causa da valorização do café. As precipitações atrasaram tanto a colheita quanto o processo de secagem dos grãos, reduzindo o ritmo esperado de disponibilização da safra.

Esse cenário também influenciou o mercado internacional, gerando preocupação quanto ao cumprimento do cronograma de embarques do café brasileiro. A valorização começou nas bolsas internacionais, impactou os preços nos portos e acabou sendo transmitida para toda a cadeia de comercialização.

Produção deve crescer, mas preços podem demorar a cair

Apesar do cenário de alta, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma safra de aproximadamente 66 milhões de sacas em 2025, volume 18% superior ao registrado no ciclo anterior. Desse total, cerca de 44 milhões de sacas correspondem ao café arábica.

Mesmo com a expectativa de maior produção, analistas avaliam que a queda nos preços pode acontecer de forma mais lenta do que o previsto, já que os impactos climáticos seguem influenciando o mercado.

Floração antecipada preocupa produtores

Além dos atrasos na colheita, as chuvas fora de época provocaram outro efeito que preocupa o setor cafeeiro: a floração antecipada dos cafezais.

O fenômeno, que normalmente ocorre entre setembro e outubro, foi registrado ainda em julho em diversas propriedades. Especialistas alertam que essa floração precoce pode comprometer o desenvolvimento das plantas, reduzindo a energia disponível para a formação dos frutos na próxima safra.

O setor também acompanha com atenção os reflexos das condições climáticas observadas nos últimos anos. Eventos como o El Niño e perdas de produção registradas entre 2024 e o início de 2025 contribuíram para a forte valorização do café no mercado internacional, cenário que ainda influencia as cotações.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Data Mercantil

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Exportação

Exportações de café recuam em volume, mas faturamento cresce com preços altos no mercado internacional

As exportações brasileiras de café apresentam um comportamento contraditório na safra 2025/26. Embora o país tenha embarcado menos produto, a receita com vendas externas avançou de forma expressiva, sustentada pela valorização das cotações internacionais. Os dados são do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), analisados pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

Menor volume exportado e faturamento em alta

Entre julho e novembro, o Brasil enviou ao exterior 17,43 milhões de sacas de 60 quilos, volume 21,7% inferior ao registrado no mesmo intervalo da safra anterior. Em contrapartida, o faturamento alcançou US$ 6,72 bilhões, alta de 11,6% na comparação anual, impulsionada pelos preços elevados do café no mercado global.

Pesquisadores do Cepea apontam que a retração nos embarques está diretamente relacionada à redução das vendas para os Estados Unidos, principal destino do café brasileiro. A tarifa aplicada pelo governo norte-americano entre agosto e novembro de 2025, somada à menor oferta interna e à demanda mais fraca diante dos preços altos, contribuiu para o recuo do volume exportado.

Mercado internacional de café opera sob pressão

Apesar do avanço na receita brasileira, o mercado internacional de café iniciou esta quarta-feira (17) em baixa. As cotações do café arábica e do café robusta recuaram nas principais bolsas, refletindo tanto o avanço da safra no Vietnã quanto a previsão de chuvas nas regiões produtoras do Brasil.

Segundo o Escritório Carvalhaes, a entrada da nova safra vietnamita de robusta e a expectativa de aumento das precipitações em Minas Gerais e São Paulo pressionam os preços em Nova York e Londres, reduzindo o ritmo das negociações no mercado físico nacional.

Safra vietnamita amplia oferta global

O Escritório Nacional de Estatísticas do Vietnã informou que as exportações de café do país cresceram 39% em novembro de 2025, somando 88 mil toneladas. De janeiro a novembro, os embarques atingiram 1,398 milhão de toneladas, avanço de 14,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A Bloomberg acrescenta que a produção de café do Vietnã na safra 2025/26 deve ser cerca de 10% maior que a anterior, reforçando a oferta global e intensificando a pressão negativa sobre os preços.

Relatório do Itaú BBA indica ainda que o próximo ciclo deve registrar recuperação relevante da produção de café arábica e estabilidade ou leve retração no robusta, o que pode resultar em um superávit global próximo de 7 milhões de sacas entre produção e consumo.

Cotações do café recuam nas bolsas internacionais

Por volta das 10h (horário de Brasília), o arábica caía 840 pontos no contrato dezembro/25, negociado a 379,30 cents por libra-peso. O vencimento março/26 recuava 95 pontos, para 351,15 cents/lbp, enquanto maio/26 era cotado a 335,60 cents/lbp, com baixa de 90 pontos.

No caso do robusta, as perdas variavam entre US$ 48 e US$ 62 por tonelada. O contrato janeiro/26 era negociado a US$ 3.887 por tonelada, enquanto o vencimento maio/26 marcava US$ 3.706 por tonelada, conforme dados do mercado internacional.

Chuvas no Sudeste podem afetar produção e qualidade

De acordo com o Climatempo, uma frente fria avança pelo oceano na altura da costa Sudeste desde terça-feira (16), favorecendo a formação de chuvas intensas e persistentes nas principais áreas cafeeiras, especialmente em Minas Gerais e São Paulo.

A previsão indica manutenção da instabilidade até o fim da semana, com posterior redução do volume de precipitações. Embora o cenário traga alívio hídrico aos cafezais, o excesso de chuva pode atrasar etapas da colheita e afetar a qualidade do café, fator acompanhado de perto por produtores e exportadores.

Receita maior, mas cenário global segue desafiador

O desempenho do café brasileiro evidencia um ambiente de contrastes. O país se beneficia de preços internacionais mais altos, elevando o faturamento, mas enfrenta queda no volume exportado e um mercado global pressionado pela maior oferta e pela instabilidade climática.

Analistas avaliam que a volatilidade nas cotações do café deve persistir nas próximas semanas, até que haja maior definição sobre a safra 2025/26 do Vietnã e os efeitos do clima no Brasil, elementos-chave para o equilíbrio entre oferta e demanda mundial.

FONTE: Portal do Agronegócio
TEXTO: Redação
IMAGEM: Diego Vargas

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