Comércio Exterior

CNI defende diálogo técnico para reduzir tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, afirmou que o setor produtivo brasileiro aposta em um trabalho técnico de negociação para tentar reduzir os impactos das novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

Durante entrevista coletiva, Alban destacou que representantes da indústria e de segmentos afetados participarão das discussões em busca de argumentos que possam convencer as autoridades norte-americanas a rever as medidas tarifárias.

Missão brasileira terá apoio de Roberto Azevêdo

Segundo o presidente da CNI, o ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, representará o Brasil nas negociações técnicas ao lado de integrantes dos setores mais impactados pelas sobretaxas.

O objetivo, de acordo com Alban, é demonstrar que as tarifas anunciadas não refletem a realidade da relação comercial entre os dois países.

“O Brasil continua registrando déficit comercial crescente com os Estados Unidos, o que mostra que não há vantagem brasileira nessa relação”, afirmou.

CNI destaca complementariedade entre as economias

Ricardo Alban ressaltou que a pauta comercial entre Brasil e Estados Unidos é marcada pela complementariedade econômica, característica que, segundo ele, diferencia a relação bilateral de outros parceiros comerciais.

O dirigente observou que, entre os principais produtos que podem ser atingidos pelas novas tarifas, o Brasil figura como principal fornecedor da economia norte-americana em 11 dos 13 itens mais relevantes.

Na avaliação da entidade, esses dados reforçam a importância de uma análise técnica da medida, reduzindo a influência de fatores geopolíticos nas decisões comerciais.

Ampliação das exceções é prioridade nas negociações

A CNI defende que, mesmo que não seja possível reverter integralmente as tarifas antes do prazo previsto, o governo brasileiro busque ampliar significativamente a lista de produtos isentos das sobretaxas.

Para Alban, o diálogo entre os dois países deve continuar mesmo após a data inicialmente prevista para a implementação das medidas.

Ele também lembrou que, no fim deste mês, expira a tarifa geral de 10% aplicada pelos Estados Unidos a diversos países, cenário que pode ampliar ainda mais a perda de competitividade dos produtos brasileiros caso permaneçam em vigor as alíquotas adicionais de 25% e 12,5%.

Indústria vê risco para exportações de manufaturados

Na avaliação da CNI, a manutenção das tarifas representa um desafio para a indústria nacional, especialmente porque os Estados Unidos são o principal destino das exportações brasileiras de produtos manufaturados.

A entidade afirma que continuará defendendo negociações técnicas e permanentes para minimizar os impactos sobre a competitividade das empresas brasileiras e preservar o comércio bilateral.

FONTE: Times Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal da Indústria

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Exportação

Tarifaço dos EUA impacta 73,8% das exportações brasileiras, alerta CNI

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, afirmou que o aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos afeta 73,8% das exportações do Brasil, atingindo setores estratégicos como aço, alumínio, celulose e calçados. A entidade articula ações diplomáticas e técnicas para restabelecer a competitividade do país no comércio exterior.

Impacto direto sobre a indústria nacional

Segundo levantamento da CNI, o chamado “tarifaço” atinge 6.033 produtos brasileiros atualmente sujeitos a tarifas adicionais. Apesar da recente ampliação da lista de exceções, com 39 novos produtos isentos — entre eles minerais críticos, metais preciosos e químicos industriais — o impacto sobre a indústria ainda é expressivo.

Alban reforça que a estratégia da CNI é manter o diálogo e evitar medidas de retaliação, preservando o ambiente de confiança entre os países. “Nosso objetivo é restabelecer previsibilidade e competitividade às exportações brasileiras, corrigindo distorções que afetam a indústria e o emprego”, explicou.

Missão a Washington e novas oportunidades

Durante missão liderada pela CNI em Washington, Alban destacou avanços no diálogo com interlocutores estratégicos e a abertura de oportunidades de cooperação em áreas como data centers, combustível sustentável de aviação (SAF) e minerais críticos. “Esses segmentos têm potencial real de gerar negócios de interesse mútuo e contribuir para a redução das tarifas”, pontuou.

O dirigente avalia que a retomada do diálogo direto entre os presidentes Lula e Donald Trump pode marcar uma nova fase nas relações bilaterais, baseada em cooperação, pragmatismo e resultados concretos.

Perspectivas e desafios internos

Além das questões comerciais, Alban destacou a necessidade de o Brasil enfrentar entraves internos que prejudicam a competitividade industrial, como a alta carga tributária e o custo da energia elétrica.
Ele criticou propostas de aumento de impostos, como a elevação do IOF, e elogiou a decisão do Congresso Nacional de barrar a Medida Provisória 1.303/2025, que, segundo ele, elevaria preços e prejudicaria o setor produtivo.

“O setor não pode ser penalizado com novas taxações. É urgente avançar na Reforma Tributária, criando um sistema simplificado e previsível, como o IVA, que trará mais racionalidade fiscal”, afirmou.

Energia e competitividade

A CNI também propõe mudanças estruturais para conter os custos da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que deve ultrapassar R$ 49 bilhões em 2025 e pode chegar a R$ 60 bilhões em 2026.
Para Alban, o Brasil precisa “trazer disciplina de gastos à CDE” e limitar despesas para reduzir o preço da energia, considerada uma das mais caras do mundo.

“Temos uma matriz energética limpa e barata, mas pagamos uma das tarifas mais altas. É hora de corrigir essa distorção estrutural”, concluiu.

FONTE: Tribuna da Bahia
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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