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Meeting Comex 2026 teve público recorde e participação internacional

O Meeting Comex 2026 reuniu 3 mil empresários, executivos e profissionais ligados aos negócios internacionais e marcou a primeira edição com caráter internacional. Na 13ª edição, o evento teve números que reforçam a dimensão alcançada no cenário do comércio exterior brasileiro. O encontro foi realizado nos dias 22 e 23 de setembro, na Expoville, em Joinville (SC).

Promovido pela Associação Empresarial de Joinville (ACIJ), o Meeting Comex contabilizou mais de 20 horas de conteúdo técnico, reunindo especialistas, lideranças empresariais, representantes de órgãos anuentes e nomes com atuação nos cenários nacional e internacional.

Entre os temas discutidos estiveram a influência da geopolítica nos negócios internacionais, o acordo entre União Europeia e Mercosul, os impactos da reforma tributária no comércio exterior, o transporte aéreo de cargas, os desafios do transporte marítimo global e questões relacionadas à atuação administrativa dos órgãos anuentes.

Conteúdo técnico e decisões que impactam o comércio exterior

A programação foi construída a partir de temas que estão diretamente relacionados aos desafios enfrentados pelas empresas que atuam no comércio internacional. Painéis com CEOs, representantes de órgãos públicos e especialistas dividiram espaço com palestras de nomes como o secretário Paulo Bornhausen, o general André Novaes, o presidente da ABIMAQ, José Velloso, e o empresário, diplomata e economista Marcos Troyjo.

Além das discussões nos palcos, o evento também ofereceu workshops e espaços voltados à troca de experiências e à geração de negócios, aproximando profissionais de diferentes segmentos da cadeia de comércio exterior e logística.

Um dos principais marcos desta edição foi a internacionalização do evento. Delegações de câmaras de comércio de 17 países participaram da programação, ampliando as possibilidades de conexão entre empresas brasileiras e mercados estrangeiros.

A presença internacional acompanhou uma proposta que foi além da exposição de tendências. O Meeting Comex buscou aproximar empresários, especialistas e instituições para discutir oportunidades concretas de negócios e os movimentos que podem influenciar as relações comerciais nos próximos anos.

A área de exposição também teve papel importante nesse processo, reunindo dezenas de empresas e criando um ambiente de relacionamento e networking ao longo dos dois dias.

Público recorde reforça dimensão do evento

Com 3 mil participantes, o Meeting Comex 2026 registrou o maior público de sua história. O número reúne empresários, executivos, profissionais e representantes de organizações ligadas ao comércio exterior e aos negócios internacionais.

A participação recorde ocorre em um momento de transformações importantes para o setor, marcado por mudanças regulatórias, avanços tecnológicos, reorganização de rotas logísticas e um cenário geopolítico que influencia diretamente as relações comerciais. Nesse contexto, o evento se consolidou como um espaço para acompanhar essas transformações e, principalmente, discutir seus impactos sobre as empresas brasileiras.

Para a CEO da ReConecta News, Renata Palmeira, eventos como o Meeting Comex têm papel importante para profissionais e empresas que precisam acompanhar as transformações do comércio exterior e, ao mesmo tempo, fortalecer suas conexões no mercado. “Eventos como o Meeting Comex são fundamentais porque reúnem, em um mesmo ambiente, informação, atualização e networking. O comércio exterior está em constante transformação, seja pelas mudanças regulatórias, pela tecnologia, pela logística ou pelo cenário internacional. Estar presente nesses encontros permite acompanhar de perto o que está acontecendo, trocar experiências com outros profissionais e criar conexões que podem se transformar em oportunidades e novos negócios”, destaca Renata.

Conexões como estratégia para o futuro

Para a presidente do Meeting Comex 2026, Carolina Botelho, a capacidade de adaptação continuará sendo uma característica necessária para quem atua no comércio exterior. “Os mercados continuarão mudando. Novas tecnologias surgirão, rotas serão redesenhadas e desafios inevitavelmente aparecerão. Essa é a realidade do comércio exterior. Em meio a tudo isso, permanece a nossa convicção de que são as conexões entre pessoas que tornam possível aproximar mercados”, afirma.

O presidente da ACIJ, André Daher, também destacou o papel do evento na estratégia da entidade para o desenvolvimento empresarial. “Com o Meeting Comex, a ACIJ reafirma seu compromisso de liderar e articular o aumento de competitividade das empresas, o desenvolvimento da economia e o bem-estar das pessoas. Continuaremos a construir juntos um futuro sempre promissor, um futuro em que as parcerias internacionais estarão cada vez mais presentes no dia a dia das empresas associadas à entidade”, destaca.

Mais do que dois dias de palestras e painéis, o encontro reforçou a importância da aproximação entre empresas, instituições e mercados em um cenário no qual decisões tomadas em diferentes partes do mundo podem repercutir diretamente sobre a cadeia de suprimentos brasileira.

Para o setor, a edição de 2026 também representa um movimento de ampliação das conexões internacionais do evento e abre espaço para que os próximos encontros avancem ainda mais na discussão sobre competitividade, inovação, logística e negócios globais.

Fonte: ACIJ / Meeting Comex 2026

Texto: Redação

Imagem: Divulgação

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Comércio Internacional

Brasil e EUA retomam diálogo comercial para discutir novas tarifas

O Brasil e os Estados Unidos retomaram as negociações sobre a relação comercial entre os dois países após conversas entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. Nesta terça-feira, os ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, participaram de uma reunião virtual com o representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer.

O encontro teve como objetivo avançar nas discussões sobre duas decisões recentes do governo norte-americano relacionadas à aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

Brasil reafirma disposição para negociar

Durante a reunião, os representantes brasileiros reforçaram a disposição do governo de manter o diálogo comercial com os Estados Unidos, destacando os históricos vínculos diplomáticos e econômicos entre as duas nações.

A posição brasileira é de buscar uma solução negociada que preserve a relação comercial e permita ampliar os benefícios para os dois países.

Ao mesmo tempo, os ministros reiteraram a discordância do governo brasileiro em relação às medidas tarifárias unilaterais adotadas pelos Estados Unidos.

Governo questiona justificativas para tarifas

O Brasil também voltou a afirmar que as medidas norte-americanas não estão de acordo com as regras multilaterais de comércio.

De acordo com a posição apresentada pelos ministros, as justificativas utilizadas pelo governo dos EUA nas investigações realizadas com base na Seção 301 não refletem as práticas efetivamente adotadas pelo Brasil.

O governo brasileiro considera, portanto, injusto o tratamento diferenciado aplicado aos produtos nacionais e mantém a avaliação de que as medidas precisam ser revistas no âmbito das negociações bilaterais.

Novas reuniões devem ocorrer nas próximas semanas

Brasil e Estados Unidos concordaram em manter o processo de negociação por meio de reuniões técnicas ao longo das próximas semanas.

Depois dessa etapa, os ministros deverão voltar a se reunir para avaliar os resultados obtidos e analisar a evolução das tratativas comerciais bilaterais.

Os próximos encontros poderão ocorrer tanto de forma virtual quanto presencial, conforme a conveniência das partes.

Brasil busca acordo equilibrado

O governo brasileiro afirmou que continuará trabalhando pela construção de um acordo comercial equilibrado e mutuamente benéfico com os Estados Unidos.

Segundo a posição oficial, as negociações serão conduzidas com prioridade para o diálogo, a cooperação e o respeito à soberania nacional, em busca de uma solução para as divergências relacionadas às novas tarifas sobre produtos brasileiros.

FONTE: Ministério das Relações Exteriores
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Valor Econômico

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Comércio Internacional

China e Rússia podem bater recorde histórico no comércio bilateral em 2026

O comércio entre China e Rússia pode alcançar um novo recorde histórico até o fim de 2026. De janeiro a julho, as trocas comerciais entre os dois países somaram US$ 159 bilhões, segundo o embaixador chinês em Moscou, Zhang Hanhui.

O resultado representa um crescimento de 26% em relação ao mesmo período de 2025 e reforça a expansão das relações econômicas entre as duas nações.

Comércio bilateral cresce 26% no primeiro semestre

Durante declaração em Moscou, Zhang Hanhui destacou o ritmo de crescimento da cooperação econômica entre China e Rússia e afirmou que os resultados registrados nos primeiros sete meses do ano indicam a possibilidade de um novo recorde anual.

“A cooperação comercial e econômica entre China e Rússia está demonstrando um crescimento constante”, afirmou o diplomata.

Segundo o embaixador, o desempenho acumulado até julho torna “muito possível” que o comércio bilateral supere o maior volume já registrado ao longo de um ano.

O avanço ocorre em um cenário de fortalecimento das relações comerciais sino-russas, com os dois países ampliando seus intercâmbios econômicos e comerciais.

Investimentos devem permanecer estáveis

Além do crescimento nas trocas de mercadorias e serviços, o volume de investimentos entre China e Rússia deverá permanecer em um patamar estável, de acordo com Zhang.

A avaliação do representante chinês reforça a expectativa de continuidade dos vínculos econômicos entre os dois países ao longo dos próximos meses.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Comércio Internacional

Índia ganha prioridade nas negociações comerciais do Brasil diante das tarifas dos EUA

Em meio ao aumento das tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, o governo federal intensificou a busca por novos mercados e enviou uma missão oficial à Índia para ampliar relações comerciais e atrair investimentos.

O secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, cumpre agenda no país asiático até 7 de agosto, com encontros voltados à expansão das exportações brasileiras e ao fortalecimento da presença do Brasil em um dos maiores mercados consumidores do mundo.

Missão busca ampliar comércio e investimentos

Segundo o MDIC, a viagem tem como objetivo abrir novas oportunidades para empresas brasileiras e fortalecer os laços econômicos com a Índia.

A agenda inclui compromissos nas cidades de Mumbai, Nova Délhi e Jaipur, reunindo representantes do governo, empresários e instituições estratégicas.

De acordo com Márcio Elias Rosa, a iniciativa ocorre em um cenário de crescente adoção de medidas restritivas ao comércio internacional.

O secretário destacou que o Brasil mantém a defesa do multilateralismo e busca diversificar seus parceiros comerciais. Em 2025, a corrente de comércio entre Brasil e Índia superou US$ 15 bilhões, consolidando o país asiático como um dos principais parceiros econômicos brasileiros.

Encontros com grandes empresas indianas

Em Mumbai, a missão prevê reuniões com grupos empresariais como Reliance Industries e Aditya Birla Group, com foco na atração de investimentos para o Brasil.

Já em Nova Délhi, os encontros serão direcionados aos setores de defesa, tecnologia, automação, equipamentos industriais e bens de consumo.

Também está programado um encontro com representantes de empresas brasileiras que já atuam na Índia, entre elas Embraer, WEG, Perto, CBC e Tramontina, para discutir desafios e identificar oportunidades de expansão naquele mercado.

Além disso, a agenda inclui reuniões com entidades como a Confederation of Indian Industry (CII), a cooperativa de fertilizantes IFFCO, o State Bank of India (SBI) e o Adamo Group.

Segundo o ministério, esses encontros podem fortalecer parcerias comerciais e ampliar investimentos em áreas consideradas estratégicas para ambos os países.

Brics também integra a agenda oficial

A viagem inclui ainda compromissos relacionados ao Brics, bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul e novos países-membros.

Márcio Elias Rosa representará o Brasil em reuniões com autoridades da Índia, China, Rússia, Emirados Árabes Unidos, Egito e África do Sul.

Entre os temas previstos estão o fortalecimento das cadeias globais de valor, o desenvolvimento sustentável, a ampliação da participação de micro, pequenas e médias empresas no comércio internacional, além da cooperação em comércio digital e da defesa do sistema multilateral de comércio.

Tarifaço dos EUA acelera busca por novos mercados

A missão ocorre após o governo dos Estados Unidos ampliar as tarifas sobre determinados produtos brasileiros.

Como resposta ao novo cenário, o governo brasileiro anunciou um plano de aproximadamente R$ 130 milhões voltado à diversificação de mercados e ao fortalecimento das exportações.

Especialistas avaliam que o Brics pode representar uma alternativa para ampliar o comércio exterior brasileiro, embora os resultados dessa estratégia devam ocorrer principalmente no médio e longo prazo.

Entenda o novo tarifaço dos Estados Unidos

A nova sobretaxa foi implementada após investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana.

A medida acrescentou uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros, somando-se às alíquotas já existentes.

A investigação analisou temas como comércio digital, sistemas de pagamento eletrônico, propriedade intelectual, acesso do etanol norte-americano ao mercado brasileiro, regimes tarifários preferenciais e políticas ambientais relacionadas ao combate ao desmatamento.

Pix, etanol e meio ambiente estão entre os pontos questionados

O governo norte-americano sustenta que algumas políticas brasileiras criam condições desiguais de concorrência para empresas dos Estados Unidos.

Entre os aspectos mencionados estão o tratamento regulatório dado ao Pix, barreiras ao etanol americano e acordos tarifários preferenciais firmados pelo Brasil com outros países, como México e Índia.

Outro argumento apresentado pelo USTR envolve a política ambiental brasileira. Segundo o órgão, apesar da existência de legislação para combater o desmatamento, sua aplicação seria insuficiente, fator que, na avaliação americana, gera insegurança jurídica e distorções comerciais.

Café e carne ficaram fora das novas tarifas

Apesar da ampliação das sobretaxas, alguns produtos brasileiros permaneceram fora da medida, entre eles café e carne bovina.

O documento divulgado pelo USTR também prevê exceções para diversos itens considerados estratégicos para a economia dos Estados Unidos, incluindo determinados produtos farmacêuticos, componentes aeronáuticos, ferro-gusa, hidróxido de alumínio, pescados, couros e mel orgânico.

Além disso, o governo americano defende relações comerciais baseadas na reciprocidade e sinalizou a possibilidade de responder a eventuais medidas adotadas pelo Brasil em reação ao tarifaço.

FONTE: Brasil 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters

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Comércio Exterior

União Europeia reage com cautela à nova tarifa dos EUA e cobra cumprimento de acordo comercial

A União Europeia recebeu com cautela a decisão dos Estados Unidos de aplicar novas tarifas sobre importações de dezenas de parceiros comerciais. Para a Comissão Europeia, as medidas anunciadas nesta sexta-feira (24) permanecem em linha com o acordo comercial firmado entre os dois lados no ano passado, preservando compromissos considerados estratégicos para a relação bilateral.

As novas tarifas de 10% e 12,5% atingem produtos de 60 parceiros comerciais, entre eles a União Europeia e a China. Segundo o governo norte-americano, a medida busca pressionar países que, na avaliação de Washington, não adotam mecanismos suficientes para impedir a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

Bloco europeu mantém benefícios tarifários

Apesar da nova política comercial dos Estados Unidos, a União Europeia integra um grupo restrito de parceiros cujas tarifas adicionais não serão acumuladas com as alíquotas alfandegárias já existentes para países classificados como “nação mais favorecida”.

Além disso, o governo norte-americano manteve ou restabeleceu isenções para diversos produtos europeus. Entre os itens beneficiados estão cortiça, diamantes, além de aeronaves, peças aeronáuticas, medicamentos genéricos e ingredientes farmacêuticos ativos.

Em nota, a Comissão Europeia afirmou que o resultado está alinhado aos compromissos assumidos pelos Estados Unidos na Declaração Conjunta firmada entre as duas partes, avaliando que a decisão cria um ambiente favorável para ampliar as negociações em busca de novas isenções tarifárias e maior cooperação comercial.

Bruxelas espera continuidade do acordo

O bloco europeu também reforçou a expectativa de que Washington cumpra integralmente os termos do entendimento firmado em julho do ano passado durante encontro realizado em Turnberry, na Escócia.

Pelo acordo, a União Europeia se comprometeu a eliminar tarifas de importação sobre produtos industriais norte-americanos, enquanto os Estados Unidos passaram a aplicar uma tarifa de 15% sobre a maior parte das mercadorias europeias.

Para a Comissão Europeia, a manutenção desse compromisso é considerada fundamental para garantir maior previsibilidade e estabilidade nas relações comerciais entre os dois mercados.

UE rejeita acusações sobre trabalho forçado

As autoridades europeias também voltaram a contestar a justificativa apresentada pelos Estados Unidos para endurecer as regras comerciais.

A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou que as alegações de falhas no combate ao trabalho forçado não refletem a realidade do bloco.

Durante participação nas reuniões da ASEAN (Associação de Nações do Sudeste Asiático), em Manila, Kallas destacou que a legislação trabalhista europeia garante elevados padrões de proteção aos trabalhadores, incluindo férias remuneradas e condições de trabalho consideradas avançadas.

Segundo a diplomata, a justificativa utilizada por Washington não encontra respaldo nas normas adotadas pelos países que integram a União Europeia.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM:  REUTERS/Yves Herman

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Comércio Exterior

Lei da Reciprocidade orienta resposta do Brasil ao tarifaço dos EUA e governo prepara pacote de apoio

O governo federal reforçou que a Lei da Reciprocidade não tem caráter de retaliação aos Estados Unidos, mas representa um mecanismo legal para responder a medidas consideradas prejudiciais ao comércio brasileiro. A declaração foi feita nesta terça-feira (21) pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, após reunião com representantes dos setores impactados pelas novas tarifas anunciadas pelo governo norte-americano.

Segundo Alckmin, o objetivo da legislação é restabelecer condições de equilíbrio nas relações comerciais entre os dois países, sem estimular uma escalada de conflitos econômicos. “A ideia não é retaliação. A reciprocidade busca corrigir uma situação em que o Brasil está sendo prejudicado”, afirmou.

A reunião contou também com a participação do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, que apresentou as ações em estudo para reduzir os impactos sobre os exportadores brasileiros.

Governo estrutura resposta em três frentes

A estratégia do Executivo diante do novo tarifaço dos Estados Unidos está baseada em três pilares principais:

  • apoio financeiro às empresas afetadas;
  • ampliação de mercados internacionais para as exportações brasileiras;
  • diálogo permanente com os setores produtivos para avaliar os impactos das medidas.

As novas tarifas impostas pelos Estados Unidos preveem uma alíquota de 25% sobre produtos brasileiros, com possibilidade de um acréscimo de 12,5% em determinados casos. Caso isso ocorra, aproximadamente 18% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano, equivalentes a cerca de US$ 7,4 bilhões, poderão ser afetadas.

Pacote prevê crédito e flexibilização para exportadores

Entre as iniciativas em análise está a oferta de linhas de financiamento por meio do programa Brasil Soberano, destinadas ao capital de giro e investimentos das empresas prejudicadas pelas novas tarifas. Outra medida avaliada é a flexibilização temporária das regras do drawback, regime que concede isenção, suspensão ou restituição de tributos para insumos utilizados na produção de bens exportados.

A proposta busca garantir mais prazo para que empresas que perderem mercado nos Estados Unidos cumpram seus compromissos de exportação sem perder os benefícios fiscais. O governo também discute ajustes temporários nas exigências relacionadas à manutenção de empregos para empresas que eventualmente recebam apoio emergencial.

Para Márcio Elias Rosa, a prioridade é reduzir os impactos sobre a indústria nacional. “O governo brasileiro precisa agir para socorrer os setores afetados e adotar medidas capazes de amenizar os prejuízos provocados por uma decisão considerada injustificada”, destacou o ministro.

Diversificação de mercados ganha prioridade

Além das medidas internas, a ApexBrasil intensificará as ações para ampliar a presença dos produtos brasileiros em novos mercados internacionais.

Entre os destinos considerados estratégicos estão:

  • Índia;
  • México;
  • Singapura;
  • Japão;
  • países do Sudeste Asiático.

O governo também pretende acelerar as negociações dos acordos comerciais entre Mercosul e União Europeia, Mercosul e EFTA e Mercosul e Singapura, como forma de ampliar oportunidades para os exportadores brasileiros.

A avaliação é que a diversificação dos mercados pode reduzir a dependência das vendas para os Estados Unidos, especialmente em segmentos industriais de maior valor agregado.

Setores mais afetados pelas tarifas

Os segmentos que concentram maior exposição às novas tarifas incluem:

  • eletroeletrônicos;
  • máquinas e equipamentos;
  • autopeças;
  • calçados;
  • outros produtos industriais exportados para o mercado norte-americano.

Segundo o governo, os Estados Unidos são atualmente o principal destino das exportações brasileiras de eletroeletrônicos e respondem por cerca de 25% das vendas externas do setor de máquinas e equipamentos.

Próximos passos

O Executivo trabalha com um cronograma para definir as medidas de resposta. Na próxima sexta-feira, é aguardada uma posição oficial do governo norte-americano sobre a possível aplicação adicional de 12,5% de tarifa em produtos brasileiros ligados a acusações de trabalho forçado. Já no dia 29 de julho, entra em vigor a sobretaxa de 25% para mercadorias brasileiras que já estiverem em trânsito para os Estados Unidos.

Até essa data, o Ministério do Desenvolvimento pretende concluir reuniões com representantes dos setores de plásticos, máquinas, veículos, autopeças, borracha e calçados, consolidando um diagnóstico dos impactos para definir o pacote final de apoio. Também está prevista uma missão comercial à Índia, com foco na abertura de novas oportunidades para fabricantes brasileiros, especialmente da indústria de máquinas e equipamentos.

Fonte: Agência Brasil.

Texto: Redação

Imagem: Arquivo ReConecta News

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Comércio Internacional

Canadá quer concluir acordo de livre comércio com o Mercosul até o fim de 2026

O Canadá pretende acelerar as negociações para firmar um acordo de livre comércio com o Mercosul ainda em 2026. A iniciativa faz parte da estratégia do governo canadense para ampliar suas parcerias comerciais e reduzir a dependência econômica dos Estados Unidos, em meio às recentes tensões tarifárias entre os dois países.

Negociações ganharam novo impulso

As conversas entre o Canadá e o Mercosul, que permaneceram paralisadas durante vários anos, voltaram a avançar em 2025 após as mudanças na política comercial adotada por Washington.

Durante visita a São Paulo, a ministra das Relações Exteriores do Canadá, Anita Anand, afirmou que os dois lados concordaram em intensificar as negociações para concluir o tratado até o fim deste ano.

Segundo a ministra, o governo canadense pretende ampliar sua rede de acordos comerciais com mercados fora dos Estados Unidos nas próximas décadas, fortalecendo a diversificação das relações econômicas do país.

Brasil lidera negociações pelo Mercosul

O Brasil conduz as tratativas em nome do Mercosul, bloco formado por Argentina, Paraguai, Uruguai, Bolívia e o próprio Brasil.

Após reunião com Anita Anand, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que já foram realizadas seis rodadas de negociação e que as discussões têm avançado de forma positiva.

Segundo ele, ainda restam alguns pontos técnicos a serem ajustados antes da conclusão do acordo.

Agricultura segue como principal desafio

Apesar do avanço nas conversas, a abertura comercial ainda desperta preocupação entre produtores rurais canadenses.

A própria ministra reconheceu que parte do setor agrícola teme os impactos que um acordo poderá provocar sobre a produção doméstica, diante da competitividade do agronegócio sul-americano.

Acordo com União Europeia serve de referência

As negociações entre Canadá e Mercosul ocorrem poucos meses após o avanço do tratado comercial entre o bloco sul-americano e a União Europeia.

Depois de mais de 25 anos de negociações, o acordo foi concluído em janeiro e entrou em vigor de forma provisória em maio, embora ainda dependa da ratificação definitiva pelos países europeus.

Assim como ocorre no Canadá, agricultores da Europa manifestaram resistência ao tratado por receio da concorrência de produtos agrícolas mais competitivos exportados pelo Brasil e pelos demais integrantes do Mercosul.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Comércio Exterior

EUA impõem tarifa de 25% sobre importações do Brasil e ampliam pressão na política comercial

Os Estados Unidos anunciaram a aplicação de uma tarifa de 25% sobre a maior parte das importações provenientes do Brasil, marcando o início de uma nova ofensiva comercial liderada pelo governo do presidente Donald Trump. A medida faz parte da reformulação da política tarifária norte-americana e pode atingir outros importantes parceiros comerciais ao redor do mundo.

Nova política tarifária pode alcançar outros países

A decisão foi divulgada na noite de quarta-feira e integra uma estratégia mais ampla da administração Trump para reestruturar as relações comerciais dos EUA. Além do Brasil, países como Índia, China, membros da União Europeia, Japão e Coreia do Sul também podem ser afetados por futuras medidas semelhantes.

A iniciativa ocorre após a Suprema Corte dos Estados Unidos invalidar uma rodada anterior de tarifas globais, levando o governo a recorrer a novos instrumentos legais para sustentar sua política comercial.

Investigação aponta supostas práticas comerciais desleais

As novas tarifas dos EUA têm como base investigações conduzidas sob a Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana. Atualmente, cerca de 80 processos envolvendo dezenas de países estão em andamento.

Entre os temas investigados estão alegações de excesso de capacidade industrial, comércio de produtos fabricados com trabalho forçado, além de práticas consideradas prejudiciais às empresas americanas.

Em junho, o governo dos EUA já havia proposto a taxação de produtos brasileiros, alegando irregularidades relacionadas ao comércio digital, ao desmatamento ilegal e a outras questões comerciais.

Segundo o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, as negociações realizadas com o Brasil ao longo do último ano não produziram avanços suficientes, embora Washington afirme continuar aberto ao diálogo.

Governo brasileiro reage e promete recorrer

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a decisão dos Estados Unidos como injustificada e anunciou que o Brasil recorrerá aos mecanismos previstos na chamada Lei da Reciprocidade.

Além disso, o governo brasileiro pretende levar o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC), utilizando o sistema de solução de controvérsias da entidade para contestar a medida.

Especialistas veem estratégia de negociação de Trump

Para analistas do mercado, a nova tarifa pode representar mais uma etapa da estratégia de negociação adotada por Donald Trump.

O economista-chefe da consultoria RSM US, Joe Brusuelas, avaliou que a medida tende a abrir espaço para negociações bilaterais, característica recorrente da política comercial do governo americano. Segundo ele, a intenção seria estabelecer acordos específicos com cada país, em vez de construir uma política comercial ampla e integrada.

A repercussão também chegou à Índia. O especialista Ajay Srivastava, fundador do Global Trade Research Initiative, afirmou que o caso brasileiro serve de alerta para outros parceiros dos Estados Unidos, mostrando que Washington pode utilizar sanções comerciais para contestar políticas consideradas desfavoráveis aos interesses das empresas americanas.

Marco Rubio critica Lula

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, responsabilizou o presidente Lula pelo impasse nas negociações.

Em publicação nas redes sociais, Rubio afirmou que o governo brasileiro não negociou de boa-fé com Washington e declarou que Lula teria colocado interesses políticos acima da possibilidade de um acordo comercial entre os dois países.

Produtos afetados e itens isentos

A nova taxação sobre produtos brasileiros deverá atingir milhares de mercadorias exportadas para os Estados Unidos, incluindo:

  • açúcar;
  • máquinas agrícolas;
  • roupas;
  • equipamentos elétricos;
  • papel;
  • aço.

Por outro lado, diversos produtos permanecerão isentos da cobrança, entre eles:

  • carne bovina;
  • café;
  • terras raras;
  • produtos energéticos;
  • aeronaves e peças aeronáuticas.

Na atualização divulgada nesta quarta-feira, os EUA também incluíram na lista de exceções o mel orgânico, o ferro-gusa, o café solúvel sem aromatizantes e outros itens.

Pix também é alvo de investigação

A investigação aberta contra o Brasil em julho do ano passado cita diversas práticas consideradas desleais pelo governo norte-americano. Entre elas estão o desmatamento ilegal e o Pix, sistema brasileiro de pagamentos instantâneos.

Na avaliação das autoridades dos EUA, o Pix colocaria empresas de cartões de crédito em desvantagem competitiva. O governo brasileiro rejeitou integralmente essas acusações.

Além dessa investigação, o Brasil também integra outro processo baseado na Seção 301, relacionado ao uso de trabalho forçado em cadeias globais de fornecimento. A conclusão está prevista para 24 de julho e pode resultar em uma tarifa adicional de 12,5%, elevando a carga total sobre determinados produtos brasileiros para 37,5%.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Amanda Perobelli

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Comércio Internacional

Tarifaço dos EUA sobre produtos brasileiros chega ao prazo final sem perspectiva de acordo

Termina nesta quarta-feira (15) o prazo estabelecido pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para decidir se será aplicada uma tarifa adicional de 25% sobre parte das exportações brasileiras. Até o momento, não há expectativa de entendimento entre os dois países.

As negociações seguem travadas por divergências em temas considerados estratégicos. Entre os principais impasses estão a resistência do governo brasileiro em discutir alterações no Pix e a falta de consenso sobre as tarifas envolvendo etanol e açúcar, produtos considerados sensíveis para ambas as economias.

Especialistas apontam motivação política para o tarifaço

Na avaliação de especialistas, a iniciativa norte-americana vai além das questões comerciais e reflete interesses políticos da atual administração dos Estados Unidos.

O professor de Direito Internacional da Universidade de São Paulo (USP), Paulo Borba Casella, afirmou que as declarações recentes do presidente Donald Trump indicam que a medida tem caráter político, o que dificulta qualquer avanço nas negociações.

Segundo o especialista, a construção de um acordo depende da disposição de ambas as partes para negociar. Sem essa convergência, a possibilidade de entendimento permanece reduzida.

Nova estratégia dos EUA busca ampliar influência na América Latina

Para analistas de relações internacionais, o endurecimento da postura de Washington faz parte de uma estratégia mais ampla de reposicionamento geopolítico no continente.

O professor Alexandre Pires, do Ibmec-SP, explica que a política externa do governo Trump busca fortalecer a influência dos Estados Unidos na América Latina, reduzindo o avanço econômico e tecnológico da China na região.

De acordo com o pesquisador, o fortalecimento das relações comerciais entre Brasil e China ao longo das últimas duas décadas passou a ser visto com maior preocupação pela Casa Branca.

Além disso, ele destaca que, embora o Brasil mantenha políticas protecionistas em alguns setores, o atual cenário internacional tornou essas práticas alvo de maior pressão política.

USTR cita Pix, etanol e desmatamento entre as reclamações

A investigação conduzida pelo USTR utiliza a Seção 301 da legislação comercial norte-americana para justificar a possível aplicação das tarifas.

Entre os argumentos apresentados pelos Estados Unidos estão supostas práticas comerciais consideradas desleais envolvendo o Pix, o mercado de etanol, além de questões relacionadas ao desmatamento ilegal.

O governo brasileiro rejeita as acusações. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que a adoção das novas tarifas prejudicaria uma relação comercial considerada estratégica para ambos os países e reduziria o espaço para o diálogo diplomático.

Etanol e açúcar seguem como principais pontos de conflito

Outro obstáculo nas negociações envolve o comércio de etanol e açúcar.

Os Estados Unidos defendem a eliminação das tarifas brasileiras sobre o etanol norte-americano. O governo brasileiro, porém, resiste à proposta e condiciona qualquer discussão à retirada das elevadas tarifas impostas pelos EUA ao açúcar produzido no Brasil.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que o setor sucroenergético possui importância estratégica para a economia brasileira, especialmente na região Nordeste, e não pode ser tratado isoladamente.

Segundo ele, enquanto o etanol americano busca maior acesso ao mercado brasileiro, o açúcar nacional continua enfrentando barreiras significativas para entrar no mercado dos Estados Unidos.

Produtores defendem manutenção das regras atuais

Entidades que representam o setor sucroenergético apoiam a posição do governo brasileiro.

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), a União Nacional do Etanol de Milho (Unem) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) sustentam que a redução das importações de etanol americano ocorreu principalmente devido ao crescimento da produção nacional, e não em razão das tarifas atualmente aplicadas.

Para o professor Paulo Borba Casella, a insistência dos Estados Unidos na inclusão do etanol nas negociações reforça a percepção de que o debate extrapola a esfera comercial e envolve interesses políticos. Na avaliação dele, uma negociação equilibrada exigiria também a revisão das tarifas aplicadas ao açúcar brasileiro.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Kevin Lamarque

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Comércio Exterior

Audiência sobre tarifas dos EUA contra o Brasil começa com defesa de produtos brasileiros e debate sobre o Pix

A audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) sobre a possível aplicação de novas tarifas dos EUA contra o Brasil teve início na segunda-feira (6). O encontro reuniu representantes de setores produtivos brasileiros e norte-americanos para discutir a proposta de sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros.

O governo brasileiro optou por não participar ativamente das discussões, enviando apenas observadores. Segundo participantes, o ambiente da audiência foi considerado receptivo e voltado para análises técnicas. Cada expositor teve aproximadamente cinco minutos para apresentar seus argumentos.

Ao longo do primeiro dia, as entidades brasileiras destacaram a dificuldade que os Estados Unidos enfrentariam para substituir produtos estratégicos, como café brasileiro e arroz, além de defenderem a inclusão de itens na lista de exceções à medida tarifária.

Ao todo, a audiência contou com 42 participantes e representantes de oito órgãos do governo norte-americano, incluindo os departamentos de Comércio, Estado, Tesouro e Agricultura.

Especialista vê ambiente técnico e otimista nas discussões

O professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Gustavo Pessoa, avaliou positivamente o perfil das discussões. Segundo ele, as autoridades norte-americanas demonstraram interesse em ouvir os argumentos apresentados, sem que o debate fosse dominado por questões políticas.

De acordo com o especialista, houve uma postura técnica por parte dos representantes dos Estados Unidos, indicando disposição para compreender os impactos econômicos das medidas propostas.

Setores econômicos pedem retirada das tarifas

Grande parte das entidades presentes defendeu a exclusão de diversos produtos brasileiros da nova taxação. Segmentos como café solúvel e mel orgânico argumentaram que a cobrança de tarifas elevaria diretamente os preços pagos pelos consumidores norte-americanos.

Em sentido contrário, duas associações de pecuaristas dos Estados Unidos defenderam a aplicação de sanções à carne bovina brasileira. As entidades alegaram preocupações relacionadas à corrupção, trabalho forçado e desmatamento associados à cadeia produtiva.

Segundo Gustavo Pessoa, os representantes afirmaram que as exportações brasileiras ocupam parcela significativa do mercado de carne bovina dos EUA, o que, na visão deles, comprometeria a competitividade da indústria local.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) rebateu as críticas, destacando que o país mantém sistemas de rastreabilidade e monitoramento da produção destinada à exportação.

Empresas norte-americanas pedem isenção para produtos brasileiros

Mesmo sem participação presencial, grandes companhias dos Estados Unidos enviaram manifestações formais ao USTR solicitando que produtos importados do Brasil sejam excluídos das tarifas adicionais.

Nas cartas encaminhadas ao órgão, as empresas alertaram que a medida poderá afetar as cadeias de suprimentos, elevar custos para consumidores americanos e reduzir a competitividade de negócios instalados nos Estados Unidos.

Pix desperta interesse durante audiência

Outro tema debatido foi o Pix. Gustavo Pessoa e o executivo Vinícius Nunes Pinto apresentaram argumentos em defesa do sistema brasileiro de pagamentos instantâneos.

Durante a audiência, uma representante do Departamento do Tesouro dos EUA questionou de que forma uma eventual integração com o Pix poderia beneficiar o mercado norte-americano.

Segundo Pessoa, a resposta destacou que o sucesso do sistema brasileiro pode servir como referência para estudos e futuras iniciativas de cooperação entre os dois países no setor financeiro.

Entenda a proposta de novas tarifas

O USTR avalia impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, além de uma taxa de 12,5%, com base em investigação conduzida sob a Seção 301 da legislação comercial norte-americana.

O relatório cita supostas práticas consideradas restritivas ao comércio, incluindo referências ao Pix, acordos comerciais preferenciais, políticas para o etanol, questões ambientais, corrupção e combate à pirataria.

A decisão final deverá ser anunciada até 15 de julho e será tomada pelo presidente dos Estados Unidos.

Governo brasileiro contesta relatório dos EUA

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, encaminhou um documento ao USTR contestando a proposta de ampliação das tarifas.

Na manifestação, o Itamaraty rejeita a avaliação de que o Brasil não combate adequadamente o trabalho forçado e sustenta que eventuais divergências comerciais devem ser tratadas no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC).

O governo brasileiro também afirma que o relatório norte-americano desconsidera informações apresentadas durante o processo, incluindo legislações e ações de fiscalização voltadas ao combate ao trabalho análogo à escravidão.

Além disso, o Itamaraty entende que medidas unilaterais baseadas na Seção 301 não são compatíveis com as regras do sistema multilateral de comércio.

Segundo dia terá participação de Flávio Bolsonaro e representantes da indústria

A programação desta terça-feira (7) prevê novos depoimentos de representantes da indústria brasileira, além da participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Segundo declarações públicas, o parlamentar defenderá o adiamento da decisão sobre as tarifas dos EUA contra o Brasil para depois das eleições. Em publicação nas redes sociais, afirmou acreditar que a medida poderá ser revista e disse que apresentará argumentos técnicos durante a audiência.

Também estão entre os participantes representantes da indústria de máquinas, madeira, ferro-gusa, calçados, cerâmica, mineração, engenharia, automação e do setor florestal, que defenderão a manutenção das relações comerciais e alertarão para os impactos econômicos da sobretaxação nos dois países.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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