Comércio Exterior

Tarifas dos EUA contra o Brasil podem chegar a 37,5%; entenda o que está em jogo

O governo dos Estados Unidos avalia a adoção de novas medidas tarifárias que podem elevar significativamente o custo de entrada de produtos brasileiros no mercado norte-americano. Caso sejam aprovadas, as propostas em discussão poderão resultar em uma sobretaxa total de até 37,5% sobre determinados itens exportados pelo Brasil.

As medidas ainda estão em fase de análise e fazem parte de investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), órgão responsável pela política comercial do país.

Quais tarifas estão sendo analisadas?

Atualmente, duas propostas estão sob avaliação:

  • 25% de tarifa adicional relacionada a supostas práticas consideradas desleais de comércio;
  • 12,5% de sobretaxa vinculada à alegação de insuficiência no combate à entrada de produtos associados ao trabalho forçado nas cadeias produtivas globais.

As propostas foram apresentadas pelo USTR nos primeiros dias de junho e ainda passarão por consulta pública antes de uma decisão definitiva.

Consulta pública e prazo para decisão

O governo norte-americano receberá manifestações de empresas, entidades e governos até o início de julho. Uma audiência pública está prevista para o dia 7 de julho, enquanto a decisão final deverá ser anunciada até 15 de julho.

Caso aprovadas, as novas tarifas poderão entrar em vigor imediatamente.

Enquanto isso, representantes dos governos brasileiro e norte-americano seguem negociando alternativas para evitar o agravamento da disputa comercial.

Governo brasileiro busca diálogo

O tema está mobilizando autoridades dos dois países. Integrantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mantêm conversas com representantes do USTR em busca de uma solução negociada.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também indicou interesse em discutir diretamente a questão com o presidente Donald Trump durante encontros internacionais previstos para as próximas semanas.

Investigação sobre trabalho forçado envolve dezenas de países

A investigação relacionada ao trabalho forçado não se restringe ao Brasil. O processo envolve cerca de 60 países e tem como objetivo avaliar se os parceiros comerciais dos Estados Unidos adotam mecanismos eficazes para impedir a circulação de produtos produzidos em condições consideradas ilegais.

Segundo autoridades norte-americanas, empresas que utilizam mão de obra irregular poderiam obter vantagens competitivas em relação às companhias dos EUA.

Acusação de práticas comerciais desleais

A segunda investigação, específica contra o Brasil, foi aberta em 2025 com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos.

O mesmo instrumento jurídico já foi utilizado anteriormente em disputas comerciais envolvendo a China e outros parceiros internacionais.

Entre os pontos analisados pelos norte-americanos estão temas relacionados ao comércio digital, funcionamento do Pix, acesso ao mercado de etanol, propriedade intelectual, fiscalização ambiental e políticas tarifárias brasileiras.

Produtos estratégicos ficaram fora da lista

Apesar da possibilidade de novas tarifas, diversos produtos relevantes para o comércio bilateral foram excluídos da proposta.

Entre os itens que permanecem fora da sobretaxa estão:

  • Café;
  • Carne bovina;
  • Suco de laranja;
  • Frutas tropicais;
  • Petróleo e derivados;
  • Fertilizantes;
  • Medicamentos;
  • Aeronaves e componentes aeronáuticos;
  • Terras raras e determinados metais.

A exclusão desses produtos busca evitar impactos sobre cadeias produtivas consideradas estratégicas para a economia dos Estados Unidos.

Tarifa global de 10% continua em vigor

Além das novas propostas, permanece válida uma tarifa global de 10% aplicada pelos EUA sobre importações provenientes de diversos países, incluindo o Brasil.

Essa cobrança foi implementada em fevereiro de 2026 após decisões judiciais limitarem parte das medidas tarifárias anteriores adotadas pelo governo Trump.

Ainda não há definição sobre a continuidade dessa tarifa após julho.

O que os Estados Unidos criticam no Brasil?

O relatório norte-americano reúne críticas em diferentes áreas da política econômica brasileira.

Entre os principais pontos citados estão:

  • Tarifas de importação consideradas elevadas;
  • Preferências comerciais concedidas a determinados parceiros;
  • Dificuldades para exportação de etanol norte-americano ao Brasil;
  • Questões relacionadas à proteção da propriedade intelectual;
  • Combate à pirataria;
  • Fiscalização ambiental e ações contra o desmatamento ilegal;
  • Regras ligadas ao comércio digital e ao sistema Pix.

Segundo o USTR, essas questões poderiam gerar obstáculos para empresas e exportadores dos Estados Unidos.

Pix não corre risco de ser interrompido

Após a classificação das facções PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos, surgiram especulações sobre possíveis impactos ao sistema de pagamentos instantâneos brasileiro.

No entanto, autoridades norte-americanas afirmaram que não existe qualquer iniciativa para interromper ou restringir o funcionamento do Pix.

Segundo o Departamento de Estado dos EUA, eventuais sanções seriam direcionadas exclusivamente a indivíduos ou organizações eventualmente ligados a atividades ilícitas.

Histórico da disputa comercial

A atual fase da disputa é resultado de um processo iniciado em 2025, quando os Estados Unidos anunciaram um amplo pacote de aumento tarifário sobre diversos parceiros comerciais.

Naquele período, produtos brasileiros chegaram a enfrentar sobretaxas que elevaram a tributação total para até 50% em alguns segmentos.

Posteriormente, decisões judiciais nos EUA e negociações diplomáticas levaram à ampliação das listas de exceção e à revisão de parte das medidas.

Possíveis impactos para as exportações brasileiras

Especialistas avaliam que a adoção das novas tarifas poderá aumentar custos para exportadores brasileiros e reduzir a competitividade de determinados produtos no mercado norte-americano.

Por outro lado, a ampla lista de exceções reduz o impacto imediato sobre setores estratégicos como agronegócio, aeronáutica e energia.

As próximas semanas serão decisivas para definir se haverá acordo entre os governos ou se as medidas avançarão para a fase de implementação.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

Ler Mais
Comércio Exterior

EUA propõem tarifa de 25% sobre importações brasileiras e apontam práticas comerciais como alvo de investigação

O governo dos Estados Unidos avançou mais uma etapa na disputa comercial com o Brasil ao propor a aplicação de uma tarifa de 25% sobre a maior parte dos produtos brasileiros exportados para o mercado americano. A medida foi anunciada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) na noite desta segunda-feira (1º).

A proposta faz parte de uma investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, mecanismo utilizado para apurar e responder a práticas consideradas desleais por parceiros comerciais. Alguns produtos classificados como estratégicos para a segurança nacional americana ficariam fora da nova cobrança.

Produtos brasileiros podem ficar isentos da tarifa

Entre os itens que poderão escapar das tarifas punitivas estão produtos como carne bovina, café, determinadas frutas, castanhas, especiarias, petróleo e minérios metálicos. Segundo o USTR, esses produtos se enquadram em categorias consideradas sensíveis para os interesses estratégicos dos Estados Unidos.

A proposta, no entanto, ainda não representa uma decisão definitiva. Antes da adoção de qualquer medida, o governo americano abrirá um período de consulta pública e promoverá audiências para ouvir empresas, entidades e representantes dos setores envolvidos.

O cronograma divulgado pelo governo americano prevê uma audiência pública no dia 6 de julho de 2026 para discutir as medidas propostas. Já o prazo legal para eventual adoção das chamadas “medidas corretivas” contra o Brasil termina em 15 de julho.

A expectativa do governo brasileiro, segundo informações já antecipadas por autoridades, era de que os Estados Unidos apresentassem uma recomendação de punição comercial, mas sem implementação imediata.

Governo americano aponta seis áreas de preocupação

O relatório do USTR sustenta que determinadas políticas brasileiras criam barreiras ou prejuízos ao comércio dos Estados Unidos. Entre os principais pontos destacados estão:

Comércio digital e meios de pagamento

Os EUA alegam que decisões da Justiça brasileira envolvendo plataformas digitais americanas impõem restrições consideradas excessivas. O documento também critica medidas que, segundo os americanos, favorecem concorrentes locais no setor de pagamentos eletrônicos.

Tarifas preferenciais para outros países

Outro ponto citado é a concessão de condições tarifárias mais favoráveis a produtos originários do México e da Índia em razão de acordos comerciais firmados pelo Brasil.

Combate à corrupção

O governo americano afirma que o Brasil não adota mecanismos considerados suficientes para prevenir e combater práticas de suborno e corrupção.

Proteção da propriedade intelectual

O relatório também aponta preocupações relacionadas ao combate à falsificação de produtos, à pirataria e à demora na análise de pedidos de patentes, especialmente no setor biofarmacêutico.

Mercado de etanol

Os Estados Unidos afirmam que, desde 2017, o Brasil deixou de oferecer tratamento tarifário equilibrado ao etanol americano, comprometendo a reciprocidade comercial entre os dois países.

Desmatamento ilegal

O USTR argumenta que, embora exista legislação para combater o desmatamento ilegal, o Brasil ainda enfrenta dificuldades na aplicação efetiva dessas normas, o que gera impactos econômicos e comerciais.

EUA mantêm diálogo com o governo brasileiro

Em comunicado oficial, o embaixador Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos, afirmou que a investigação foi iniciada por solicitação do presidente Donald Trump para tratar de preocupações comerciais consideradas antigas e recorrentes.

Greer destacou que houve diversas reuniões entre autoridades americanas e brasileiras ao longo do último ano, mas reconheceu que permanecem divergências relevantes sobre os temas analisados. Apesar disso, ele afirmou esperar a continuidade das negociações antes da definição de eventuais sanções.

O que é a Seção 301

A Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 é um instrumento utilizado pelo governo dos Estados Unidos para investigar práticas comerciais de outros países consideradas injustas, discriminatórias ou prejudiciais aos interesses americanos.

Quando uma investigação conclui que determinadas políticas afetam o comércio dos EUA, o governo pode adotar medidas de retaliação, incluindo tarifas adicionais, restrições comerciais ou outras sanções econômicas.

Fonte: CNN Brasil e documento oficial do USTR.

Texto: Redação

Imagem: Arquivo

Ler Mais
Comércio Exterior, Economia, Mercado Internacional

Tarifas dos EUA impõem novos desafios à logística do Brasil à América do Norte

Empresas do setor apontam para uma necessidade crescente de adaptação, revisão de contratos e fortalecimento do planejamento aduaneiro. 

A adoção de novas tarifas pelos Estados Unidos sobre produtos importados reacende discussões sobre os impactos na cadeia logística internacional, especialmente nas rotas entre o Brasil e a América do Norte. Empresas do setor podem sentir necessidade crescente de adaptação, revisão de contratos e fortalecimento do planejamento aduaneiro. 

“Mais do que uma questão tributária, estamos diante de uma reconfiguração da estratégia logística entre os países”, afirma Luciano Zucki, cofundador e diretor da PLEX Logistics, companhia especializada em transporte internacional com sede em Miami. Segundo ele, empresas brasileiras precisam revisar seus custos logísticos, reavaliar modais e, principalmente, investir em previsibilidade nas operações. 

Segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), alumínio, autopeças e têxteis são os setores mais afetados, impactando diretamente os importadores da América Latina.O Brasil figura entre os principais parceiros comerciais dos EUA no Hemisfério Sul, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o que acende o alerta para possíveis gargalos nos fluxos logísticos. 

A PLEX Logistics tem atuado no assessoramento de embarcadores e operadores logísticos para mitigar riscos, otimizar processos e identificar oportunidades em mercados alternativos. “Nosso papel é orientar os clientes com base em dados, inteligência de mercado e alternativas de transporte mais competitivas”, reforça Zucki. 

A empresa mantém operações marítimas, aéreas e rodoviárias, com foco em soluções personalizadas para importação e exportação entre os dois continentes. 

Website: https://www.linkedin.com/company/plex-international-logistics/ 

TEXTO E IMAGEM: DIVULGAÇÃO 

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook