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Braskem entra em recuperação extrajudicial após quase uma década de crise e reestruturação de US$ 10,9 bilhões

A Braskem entrou em uma nova etapa de sua crise nesta segunda-feira (24), ao apresentar um pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar cerca de US$ 10,9 bilhões em dívidas financeiras. O movimento é consequência de problemas que se acumularam ao longo de quase dez anos e envolveram questões societárias, passivos bilionários e a deterioração do mercado petroquímico.

A companhia, que já foi considerada uma das grandes “campeãs nacionais” e chegou a superar R$ 60 bilhões em valor de mercado em 2017, enfrenta agora uma situação financeira que exige uma ampla negociação com credores.

O processo teve apoio inicial de credores que representam 39,6% dos créditos. A partir de agora, a empresa terá 90 dias para buscar um acordo definitivo sobre o plano de reestruturação.

A medida suspende as cobranças relacionadas às obrigações financeiras incluídas no processo, mas não alcança compromissos operacionais com fornecedores e funcionários.

Credores internacionais terão papel decisivo

A negociação deverá ser complexa. Cerca de 65% da dívida da Braskem está nas mãos de bondholders internacionais, grupo que já havia demonstrado resistência a uma proposta anterior apresentada pela companhia.

A influência desses credores dependerá da maneira como as dívidas serão organizadas dentro do processo. Ainda assim, eles deverão ter participação determinante nas discussões sobre as condições da reestruturação.

Mais do que representar o começo de uma nova crise, a recuperação extrajudicial reflete o acúmulo de dificuldades que acompanhou a Braskem durante praticamente uma década.

Crise começou com a antiga Odebrecht

A origem do problema está na antiga Odebrecht, atualmente chamada Novonor.

Entre 2016 e 2018, durante os desdobramentos da Operação Lava Jato, a empresa contraiu empréstimos junto a Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e BNDES.

Como garantia dos financiamentos, foram oferecidas ações da Braskem correspondentes a 38,3% do capital total da petroquímica e a 50,1% das ações com direito a voto. Na época, essa participação valia aproximadamente R$ 15 bilhões.

Com a incapacidade de honrar os compromissos, a Odebrecht entrou em recuperação judicial em 2019. A venda de sua participação na Braskem passou então a ser uma das principais alternativas para quitar as dívidas com os bancos.

Começou, assim, uma longa busca por um novo controlador para a petroquímica.

Diversos grupos tentaram comprar a Braskem

Ao longo dos anos, nomes como LyondellBasell, Unipar, J&F e Adnoc demonstraram interesse na aquisição da participação da Novonor.

As negociações, porém, enfrentaram obstáculos relacionados ao preço, aos passivos da companhia e à complexa estrutura societária da Braskem.

Nesse cenário, havia ainda outro acionista fundamental: a Petrobras.

Participação da Petrobras complicou mudança de controle

A Petrobras detinha 47% das ações com direito a voto e fazia parte de um acordo de acionistas que lhe garantia direitos relevantes dentro da Braskem.

Por isso, a venda da participação da Novonor não dependia apenas da existência de um comprador. Era necessário também definir como a Petrobras participaria da nova estrutura de controle.

Durante anos, a estatal avaliou alternativas para sua participação, inclusive uma possível saída. A indefinição dificultou a construção de uma solução definitiva.

O caso da Adnoc mostra a dimensão do desafio. Em 2023, a companhia de Abu Dhabi ofereceu R$ 10,5 bilhões pela participação da Novonor. A proposta envolvia, entre outras condições, a análise de possíveis novos passivos relacionados a Maceió e a negociação de um novo acordo de acionistas com a Petrobras.

A Adnoc desistiu das tratativas em maio de 2024.

Desastre de Maceió ampliou os passivos

Enquanto a definição do controle permanecia em aberto, novos problemas atingiram a Braskem.

O mais grave foi o desastre de Maceió, relacionado à exploração de sal-gema. O afundamento do solo provocou a saída de aproximadamente 60 mil pessoas de áreas afetadas.

Até agora, o episódio já representou um desembolso de cerca de R$ 15,8 bilhões para a Braskem, aumentando significativamente os passivos da companhia.

Ao mesmo tempo, a situação do próprio negócio se deteriorou.

Crise da petroquímica reduziu geração de caixa

Desde 2022, o excesso de capacidade da indústria petroquímica global pressionou os spreads do setor e reduziu a geração de caixa da Braskem.

A operação no México, que havia sido um dos principais símbolos da expansão internacional da empresa, também passou a enfrentar dificuldades. A Braskem Idesa recorreu neste mês ao Chapter 11 nos Estados Unidos para reorganizar suas dívidas.

O resultado foi uma combinação de problemas: uma companhia que inicialmente enfrentava uma crise de controle passou a apresentar também fragilidades operacionais e financeiras.

Quase uma década sem grandes investimentos

O longo período de indefinição societária teve outro efeito: limitou a capacidade da Braskem de assumir novos projetos de grande porte.

Durante boa parte dos últimos anos, a empresa esteve na prática em processo de venda. Para uma companhia cujo controlador pretende deixar o negócio, torna-se mais difícil comprometer bilhões de dólares em projetos cujo retorno só ocorrerá no longo prazo.

A última grande expansão da Braskem foi a fábrica no México, inaugurada em 2016 após investimentos de US$ 4,5 bilhões.

Enquanto isso, concorrentes globais continuaram ampliando escala por meio de investimentos e aquisições.

Em 2025, por exemplo, Adnoc e OMV anunciaram a criação da Borouge Group International, avaliada inicialmente em aproximadamente US$ 60 bilhões, além da compra da canadense Nova Chemicals por US$ 13,4 bilhões.

Enquanto a indústria internacional avançava na consolidação, a Braskem permaneceu concentrada durante anos na solução de sua estrutura de controle.

Valor de mercado despencou

A deterioração também aparece no valor da companhia.

Entre o pico registrado em outubro de 2017 e março de 2025, a Braskem perdeu aproximadamente US$ 11 bilhões em valor de mercado, equivalentes a cerca de R$ 61 bilhões.

Em março do ano passado, a empresa era avaliada em apenas R$ 7,7 bilhões.

A queda continuou. Nesta segunda-feira (24), as ações atingiram uma mínima histórica e acumulam desvalorização de aproximadamente 65% desde março deste ano.

Novo controlador chegou quando o problema já era financeiro

A questão societária finalmente avançou em 2026, mas por uma solução diferente das tentativas anteriores.

A IG4 adquiriu créditos que bancos tinham contra a Novonor e que eram garantidos pelas ações da Braskem. Com a operação, um fundo ligado à gestora passou a controlar 50,1% das ações com direito a voto.

A Petrobras permaneceu com 47%.

Depois de quase dez anos, a definição sobre o controle da petroquímica foi solucionada. O problema central, porém, já havia mudado.

A principal questão passou a ser a estrutura financeira da Braskem.

Dívidas pressionam caixa da companhia

A Braskem chegou a 2026 com geração de caixa insuficiente para fazer frente às obrigações, além de passivos elevados e dificuldades cada vez maiores para refinanciar suas dívidas.

Em junho, a empresa obteve proteção judicial por 60 dias para negociar com seus credores.

A situação se agravou a ponto de a Fitch classificar a companhia como restricted default depois da suspensão de pagamentos de juros.

Sem um acordo definitivo ao término do período de proteção, a empresa avançou agora para a recuperação extrajudicial.

Reestruturação pode mudar o futuro da Braskem

O processo poderá resultar em uma nova configuração para a companhia. Entre as alternativas previstas estão o alongamento de vencimentos, a capitalização de juros e a possibilidade de converter parte das dívidas em ações.

Novos aportes dos acionistas também podem integrar a solução.

O principal desafio será adequar a estrutura de capital da Braskem à sua capacidade efetiva de geração de caixa. O resultado dependerá das negociações com os credores nos próximos meses.

Ao final do processo, a petroquímica poderá emergir com uma estrutura financeira e acionária bastante diferente daquela que possuía quando a crise começou, quase dez anos atrás.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM:  REUTERS/Diego Vara

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Indústria

Senado aprova R$ 3,1 bilhões em incentivos para a indústria química e petroquímica

O Senado aprovou o Projeto de Lei 14/2026, que eleva de R$ 1,1 bilhão para R$ 3,1 bilhões os incentivos fiscais para a indústria química e petroquímica. O texto agora segue para sanção presidencial.

A proposta, de autoria do deputado Carlos Zarattini, foi relatada pelo senador Afonso Motta e recebeu 59 votos favoráveis e 3 contrários no Senado Federal.

Além de fortalecer o setor em âmbito nacional, a medida deve beneficiar diretamente o Polo Industrial de Cubatão, que enfrenta fechamento de unidades produtivas e redução de empregos.

Regime provisório até criação do Presiq

O texto institui um regime tributário transitório válido até 2027, quando entra em vigor o Programa de Sustentabilidade da Indústria Química (Presiq).

O relator dividiu o novo limite de incentivos em duas fases e ampliou o volume total de recursos destinados ao setor. Segundo Motta, a indústria química brasileira sofre com o alto custo do gás natural e com a concorrência de produtos importados, cenário que levou a um déficit comercial de US$ 44,1 bilhões em 2025.

Redução de impostos sobre insumos estratégicos

As novas regras preveem diminuição das alíquotas de PIS/Pasep e Cofins sobre insumos considerados essenciais, como nafta petroquímica, gás natural e amônia.

Entre janeiro de 2025 e fevereiro de 2026, as alíquotas serão reduzidas para 1,52% (PIS/Pasep) e 7% (Cofins). Já de março a dezembro de 2026, os percentuais cairão para 0,62% e 2,83%, respectivamente.

O objetivo é aliviar a carga tributária sobre matérias-primas utilizadas na fabricação de plásticos, resinas e outros derivados químicos, aumentando a competitividade do setor.

Setor vê medida como alívio temporário

Para Herbert Passos Filho, presidente do Sindicato dos Químicos da Baixada Santista, o pacote representa um “alívio momentâneo” até a implementação do Presiq.

Ele ressalta, porém, que permanecem desafios estruturais, como o custo elevado da matéria-prima e a ausência de barreiras alfandegárias mais eficazes para conter a concorrência externa.

Incentivo adicional para Cubatão

Paralelamente à aprovação do projeto, o vice-presidente Geraldo Alckmin já havia anunciado um aporte de R$ 2 bilhões ao setor por meio de medida provisória.

No início de fevereiro, o prefeito de Cubatão, César Nascimento, esteve em Brasília para solicitar ações emergenciais voltadas à recuperação do polo industrial local.

A expectativa é que o reforço nos benefícios fiscais, aliado a políticas estruturais, ajude a conter a retração produtiva e estimule novos investimentos na cadeia petroquímica nacional.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: Acervo A Tribuna

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Negócios

Dívida da Braskem dispara para 14,7 vezes o EBITDA com prejuízo de R$ 26 milhões

A Braskem atravessa uma das fases mais delicadas de sua história. No terceiro trimestre de 2025, a companhia registrou prejuízo líquido de R$ 26 milhões, uma melhora frente à perda de R$ 592 milhões no mesmo período do ano anterior. O alerta, porém, está no balanço: a dívida líquida saltou para 14,76 vezes o EBITDA recorrente, quase o triplo da relação de um ano antes (5,76x), revelando uma estrutura financeira frágil e insustentável para uma empresa cíclica e de capital intensivo.

O EBITDA recorrente despencou 65% em relação a 2024, para US$ 150 milhões (R$ 818 milhões), enquanto a receita líquida caiu 19%, totalizando R$ 17,3 bilhões — reflexo de preços deprimidos de petroquímicos e alta ociosidade nas plantas. O fluxo de caixa operacional ficou negativo em R$ 334 milhões, e o consumo total de caixa chegou a R$ 2 bilhões, ampliando o desequilíbrio financeiro da companhia.

Margens pressionadas e mercado em retração

A crise é estrutural. O mercado petroquímico global segue com excesso de oferta — o chamado “efeito China” —, o que derrubou as margens de polietileno (PE), polipropileno (PP) e PVC entre 9% e 16% em comparação ao 3º trimestre de 2024. No Brasil, a taxa de utilização dos crackers de etileno caiu de 73% para 65%, afetada por paradas programadas no Rio de Janeiro e pela fraca demanda doméstica.

As vendas de resinas no mercado brasileiro recuaram 9%, somando 787 mil toneladas, enquanto as exportações avançaram na mesma proporção (+9%). Mesmo com ajustes operacionais e créditos tributários do REIQ, o EBITDA do segmento Brasil/América do Sul caiu de US$ 335 milhões para US$ 205 milhões.

Nos Estados Unidos e Europa, o cenário foi ainda pior: o EBITDA reverteu de lucro de US$ 71 milhões para prejuízo de US$ 15 milhões, pressionado por queda de 23% nos preços do PP e pela baixa atividade industrial. No México, a subsidiária Braskem Idesa também inverteu resultados, com EBITDA negativo de US$ 37 milhões, frente a lucro de US$ 80 milhões no ano anterior, devido ao alto custo do etano e à parada de manutenção de grande porte.

O nó financeiro

Com margens comprimidas e fluxo de caixa negativo, a Braskem passou a depender de financiamentos de longo prazo e alto custo. A dívida bruta atingiu US$ 8,4 bilhões em setembro, com prazo médio de nove anos, enquanto a posição de caixa (sem incluir a Idesa) somava US$ 1,3 bilhão. Em outubro, a empresa ainda utilizou uma linha de crédito rotativo internacional de US$ 1 bilhão, mas o balanço segue mostrando erosão de liquidez e da capacidade de investimento.

A administração aposta no Programa de Resiliência e Transformação, voltado ao controle de custos e racionalização de projetos. Um alívio temporário veio da redução da provisão do evento geológico de Alagoas, de R$ 5,57 bilhões em 2024 para R$ 3,8 bilhões, após acordo de R$ 1,2 bilhão com o Estado de Alagoas, que encerrou ações judiciais e quitou indenizações ligadas ao afundamento de solo em Maceió em 2018.

Mesmo assim, a empresa contabilizou encargo de R$ 435 milhões para hibernar sua planta de cloro-soda em Alagoas, no âmbito do plano Transforma Alagoas — medida voltada a tornar a produção de PVC mais sustentável, mas que evidencia uma redução estrutural das operações na região.

Crise setorial e medidas regulatórias

A indústria química brasileira opera com 39% de ociosidade, o maior nível em 30 anos, segundo a Abiquim. Para conter o colapso, o governo tem implementado medidas de proteção, como o Projeto de Lei PRESIQ (PL 892/2025) — já aprovado na Câmara — e a aplicação de tarifas antidumping provisórias sobre as importações de polietileno.

A Braskem considera essas iniciativas fundamentais para equilibrar a concorrência e preservar a produção nacional. O conselho da empresa também aprovou o Projeto Transforma Rio, um investimento de R$ 4,2 bilhões destinado a ampliar a capacidade de etileno e polietileno no Rio de Janeiro e aumentar o uso de etano como matéria-prima.

Tentativa de reversão

A atual gestão tenta reverter um ciclo negativo que não foi corrigido por administrações anteriores — nem mesmo após o boom da pandemia, quando a Braskem atingiu seu pico histórico. Em 2021, o EBITDA alcançou US$ 5,2 bilhões, impulsionado por margens recordes e escassez global de plásticos. Desde então, o ciclo virou: os preços caíram, a demanda enfraqueceu e a lucratividade evaporou. O desafio da nova liderança é restabelecer a estabilidade financeira em um setor que hoje luta pela sobrevivência.

Perspectiva crítica

Com o EBITDA sob pressão, a alavancagem em níveis históricos e a geração de caixa negativa, a Braskem enfrenta um ponto de inflexão. A empresa opera com liquidez apertada, margens reduzidas e um mercado global em retração, enquanto tenta preservar seu grau de crédito e atrair novos investimentos.

O cenário segue de tensão simultânea nos três pilares da petroquímica: demanda, margens e endividamento. Uma eventual recuperação dependerá da recomposição dos preços globais e da eficácia das políticas industriais brasileiras previstas para 2026.

FONTE: Brazil Stock Guide
IMAGEM: Reprodução/Brazil Stock Guide

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Informação, Internacional, Notícias, Tecnologia

OS EUA QUEREM MANTER O DOMÍNIO MILITAR, ECONÔMICO, TECNOLÓGICO E ENERGÉTICO… E TRABALHAM MUITO PARA ISTO.

Os EUA são o maior produtor mundial de petróleo e gás natural, impulsionados pela revolução do xisto e pelos avanços tecnológicos. Décadas passadas não era isto que víamos.

Desde 2018, os EUA são o maior produtor de petróleo do mundo , ultrapassando a Arábia Saudita e a Rússia. Em 2023, a produção de petróleo bruto mais condensado dos EUA atingiu uma média de 12,9 milhões de barris por dia (BPD).

Os EUA são o maior produtor de gás natural do mundo desde 2009, graças às formações de xisto como Marcellus, Utica e Haynesville. E a petroquímica cresce junto.

Os EUA também lideram o mundo na produção de biocombustíveis, consolidando ainda mais sua posição em energia renovável. São o segundo maior produtor de energia eólica. Os EUA são líderes globais em energia nuclear há décadas.

Domínio, esta é a palavra chave nos EUA. O México, o Canadá, o Panamá e a Colômbia já viram isto em duas semanas de governo Trump. Gostem ou não, esta é a realidade atual. Vamos mudar?? Só com muito trabalho e escolhas certas.

FONTE: Diário de Notícia
Hamish McRae: “Não consigo imaginar o fim da liderança americana”

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