Internacional

Brasil vê Itália como “fiel da balança” para aprovar acordo UE-Mercosul

Voto desfavorável de Roma poderia barrar tratado no Conselho Europeu; Itamaraty acredita, porém, em apoio por parte do governo de Giorgia Meloni

governo brasileiro vê a Itália como “fiel da balança” para a aprovação do acordo de livre comércio União Europeia-Mercosul no Conselho Europeu, instância que reúne os chefes de governo dos 27 países do bloco.

Para passar no conselho, o tratado precisa do aval de pelo menos 15 dos 27 sócios. Esses países precisam representar, no mínimo, 65% da população total da UE.

Na avaliação de Brasília, há sinais recentes de boa vontade vindos da França e da Polônia, mas ainda se considera uma chance grande de votos desfavoráveis ou abstenções por parte dos dois países — com fortes lobbies agrícolas. Juntos, eles somam quase 24% da população europeia.

Para o Itamaraty, a chave está na posição de Roma. A Itália tem mais de 13% dos habitantes do bloco. Se ela se opuser, “o acordo morre”, conforme ouviu a CNN de uma alta fonte diplomática.

Segundo essa fonte, no entanto, as sinalizações do governo de Giorgia Meloni são positivas quanto à aprovação do acordo com o Mercosul, apesar da resistência de agricultores italianos.

Outro ponto de atenção em Brasília diz respeito à postura dos países menores da UE que, se eventualmente unidos contra o acordo, podem acumular votos e população suficientes para barrá-lo. IrlandaÁustriaHolanda e Bélgica estão sendo acompanhadas com lupa.

A convicção no Itamaraty, entretanto, é de que o Conselho Europeu vai segurar a análise do acordo enquanto não estiver seguro de contar com votos suficientes. A própria Comissão Europeia, avalia-se, só enviou o tratado para o conselho porque sente que há chances de aprová-lo.

Já no Parlamento Europeu, onde a ratificação precisa de maioria simples (após o aval do conselho), o monitoramento do governo brasileiro indica boas possibilidades de aprovação — sem folga, mas com inclinação favorável.

Fonte: CNN Money

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Negócios

Brasil e Costa Rica fortalecem cooperação agrícola e ampliam comércio bilateral

Missão oficial do Mapa resultou em novas aberturas de mercado e reforçou integração regional

Após dois dias de missão oficial à Costa Rica, encerrada no dia 29 de agosto e voltada ao fortalecimento das relações bilaterais e à ampliação da cooperação agrícola entre os dois países, a delegação brasileira liderada por Augusto Luis Billi, diretor de Negociações Não-Tarifárias e de Sustentabilidade da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais (SCRI), acompanhado por Danilo Tadashi Tagami Kamimura, coordenador-geral de Temas Sanitários e Fitossanitários, e pela adida agrícola em San José, Priscila Rech Moser, conquistou avanços concretos com a abertura do mercado costarriquenho para subprodutos bovinos destinados à alimentação animal e milho de pipoca do Brasil, além da autorização para a entrada de sementes de quiabo e de aspargo da Costa Rica no mercado brasileiro.

A missão incluiu reunião bilateral com o diretor do Serviço Fitossanitário do Estado (SFE), e o diretor-geral do Serviço Nacional de Saúde Animal (Senasa), ocasião em que foram discutidos avanços em temas como carnes, material genético, farinhas, mel e cooperação técnica.

A delegação brasileira também esteve na sede do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), onde foi recebida pelo diretor-geral, Manuel Otero, e pelo vice-diretor-geral, Lloyd Day. O encontro tratou da integração regional e dos preparativos para a Junta Interamericana de Agricultura (JIA), que será realizada no Brasil em novembro, antecedendo a COP 30.

No IICA, os representantes conheceram ainda o Centro de Interpretação para a Agricultura e a Inovação (Cimag), espaço interativo de 400 m² dedicado à agricultura digital e às tecnologias aplicadas ao campo, que combina recursos de realidade aumentada, inteligência artificial e simulações digitais.

Com cerca de 5,2 milhões de habitantes, a Costa Rica importou mais de US$ 272 milhões em produtos agropecuários brasileiros em 2024, com destaque para cereais, farinhas e preparações. O fortalecimento da relação comercial com o país e a diversificação da pauta exportadora fortalece a presença brasileira no mercado local e amplia o potencial de comércio bilateral.

A missão reforçou o empenho do Brasil e da Costa Rica em ampliar parcerias agropecuárias, diversificar mercados e fortalecer a cooperação técnica em favor do desenvolvimento sustentável de ambos os países.

Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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Comércio, Negócios

O próximo passo de um império de energéticos em SC: R$ 30 milhões para crescer

Nova planta em Tubarão vai reforçar logística da Baly e sustentar crescimento da marca, que já disputa a vice-liderança do setor com gigantes globais

O mercado brasileiro de energéticos passou por uma reconfiguração nos últimos anos.

Marcas nacionais, antes vistas como nichadas ou regionais, começaram a ocupar espaço em um setor historicamente dominado por multinacionais.

No centro dessa transformação está a Baly, empresa criada em Tubarão, no interior de Santa Catarina, que tem expandido presença no Brasil e no exterior com um portfólio voltado ao consumidor local.

Agora, a marca dá mais um passo para sustentar esse crescimento. A Baly anunciou a compra das instalações da Itagres Revestimentos Cerâmicos, em Tubarão, no interior de Santa Catarina, em um leilão judicial realizado nesta terça-feira, 2.

A operação envolveu um investimento de 30,9 milhões de reais, sendo 29,6 milhões de reais no imóvel e 1,3 milhão de reais em maquinário.

O novo espaço será usado como centro de apoio logístico da companhia, com geração estimada de 200 empregos diretos.

O movimento, segundo a empresa, é parte do plano de longo prazo para estruturar sua operação logística e acelerar a distribuição nacional e internacional dos produtos.

“A aquisição deste espaço é um marco para a Baly. Trata-se de um movimento que garante infraestrutura sólida para atender nosso crescimento e oportunidade de distribuição no Brasil, além de fortalecer nossa presença internacional”, afirma Mário Júnior Cardoso, diretor de operações da empresa, conhecido como Marinho.

“Já exportamos para Uruguai, Paraguai, Chile, México e Estados Unidos, e enxergamos novas oportunidades tanto na América Latina quanto na América do Norte. Este investimento nos dá ainda mais segurança para avançar, além de também resolver um problema econômico e social, colaborando com o desenvolvimento do município com a geração de mais empregos”, diz o executivo.

A nova planta tem localização estratégica, com frente para a BR-101, principal corredor logístico do estado.

O espaço deve operar como centro de apoio às duas unidades fabris da Baly — uma em Tubarão e outra em Treze de Maio, com 30 mil e 20 mil metros quadrados, respectivamente —, que concentram toda a produção dos 29 sabores de energético da empresa.

Qual é a história da Baly

Se hoje o energético é o carro-chefe, a trajetória da Baly começou com outra proposta.

Quando Mário Cardoso e o sobrinho fundaram a empresa, em 1997, o foco era a comercialização de cachaças e vinhos — atividade que seguiu por mais de uma década.

A guinada veio em 2009, durante o Carnaval, quando a Baly viu a oportunidade de lançar energéticos em embalagens PET, uma inovação em um mercado ainda concentrado em latinhas. “A chegada das garrafas PET às prateleiras democratizou a bebida entre novos consumidores, especialmente nos grupos de amigos e famílias”, afirma Dayane Titon Cardoso, diretora comercial e de marketing da Baly.

A estratégia funcionou e impulsionou o energético a assumir a liderança no portfólio da empresa, enquanto as bebidas alcoólicas foram gradualmente deixadas de lado. Apenas em 2017 a Baly voltaria a atuar nesse segmento, com o lançamento de uma linha de cervejas.

Como a Baly cresceu e mudou o mercado

O salto da Baly foi potencializado a partir de 2017, quando Dayane e Mário Cardoso assumiram a gestão com foco total na leitura do mercado e no atendimento às novas demandas dos consumidores brasileiros.

Uma das principais lacunas identificadas era a oferta de produtos saborizados, segmento ainda pouco explorado pelas multinacionais de energético.

“Como temos produção nacional, conseguimos preços mais competitivos e ajudamos a democratizar o mercado de sabores, que era carente”, afirma Dayane. “Durante a pandemia, isso ficou muito claro. Fomos lançando vários sabores diferentes, e todos com aderência do público.”

Hoje, a Baly oferece um portfólio diversificado, com 28 sabores — de clássicos como Maçã Verde e Tropical a misturas como Abacaxi com Hortelã e Coco com Açaí.

Entre os líderes de vendas estão Tropical, Maçã Verde, Melancia e o mix Morango com Pêssego.

Um dos diferenciais do crescimento foi a proximidade com os pontos de venda. “Valorizamos muito onde o produto está”, afirma Dayane. “Estamos gastando bastante sola de sapato para saber o máximo de necessidade que o cliente tem, e o ponto de venda dá muitas informações, da necessidade às ausências.”

Exemplo dessa escuta ativa foi a percepção da ausência de um energético sabor Maçã Verde, muito usado por bartenders em drinques. A Baly não perdeu tempo e transformou a demanda em produto, que rapidamente se tornou um dos mais vendidos.

No segmento zero açúcar, a Baly informa ter contribuído com 35% do share de volume nos últimos 12 meses móveis no canal moderno, segundo levantamento da NielsenIQ encomendado pela empresa. Esse percentual subiu para 39% no primeiro trimestre de 2025, reforçando a liderança da marca também nessa categoria em expansão.

“Hoje temos diversos sabores que são brasileiros, escolhidos pelo cliente brasileiro. É um atributo que acredito fortemente que nos fez chegar até aqui”, afirma Dayane.

O crescimento de uma marca nacional no setor dos energéticos

Com produção e distribuição nacional, a Baly tem feito movimentos consistentes para ganhar escala num dos setores mais competitivos da indústria de bebidas.

Segundo dados internos da empresa, a produção anual chegou a 205 milhões de litros de energético em 2024. Apenas nos primeiros quatro meses de 2025, a Baly afirma já ter produzido 90 milhões de litros — o que mantém um crescimento médio de cerca de 50% ao ano.

Em termos de participação de mercado, a marca catarinense informa que atingiu, no primeiro trimestre de 2025, 25% de share de volume — um avanço de 4,2 pontos percentuais nos últimos 12 meses móveis, de acordo com um levantamento encomendado pela empresa à NielsenIQ. Na comparação entre o primeiro trimestre de 2025 e o quarto trimestre de 2024, a Baly afirma ter registrado alta de 27% na participação de volume.

A empresa também afirma ter sido responsável por cerca de 49% do crescimento total da categoria de energéticos no Brasil no primeiro trimestre deste ano, contribuindo com 4,4 pontos percentuais dentro de um avanço total de 7,7 pontos percentuais no período. Procurada, a NielsenIQ, responsável pela aferição, informou que não divulga publicamente dados de market share por serem sigilosos contratualmente.

Apesar da limitação de acesso aos dados brutos, o posicionamento da marca é claro: ela se consolidou como uma das três maiores do país e disputa agora a vice-liderança do setor. “Hoje temos um portfólio 100% nacional, com sabores pensados para o consumidor brasileiro. Isso nos aproximou do mercado e nos permitiu crescer com velocidade”, afirma Dayane.

Fonte: Exame

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Industria

Produção industrial recua 0,2% em julho e acumula efeitos do juro alto

Setor chega a quatro meses sem crescimento

A produção da indústria no país recuou 0,2% na passagem de junho para julho. Com esse resultado, o setor chega a quatro meses seguidos sem crescimento, o que é explicado pelo ambiente de juro alto.

O resultado foi divulgado nesta quarta-feira (3) pela Pesquisa Industrial Mensal, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De abril a julho, a indústria acumula perda de 1,5%, sendo quedas em abril (-0,7%) e maio (-0,6%) e estabilidade em junho (0%). A última vez que o parque industrial brasileiro somou quatro meses sem expansão foi entre novembro de 2022 e fevereiro de 2023.

Em relação a julho de 2024, a produção da indústria nacional mostra avanço de 0,2%. Nos últimos 12 meses, o setor apresenta expansão de 1,9%.

O resultado de julho deixa o setor 1,7% acima do patamar pré-pandemia de covid-19 (fevereiro de 2020) e 15,3% abaixo do nível recorde já alcançado, de maio de 2011.

Em relação ao patamar final de 2024, o setor teve expansão de 0,3%.

Efeito do juro alto
De acordo com o gerente da pesquisa, André Macedo, o cenário predominante negativo desde abril é explicado pela política monetária restritiva, ou seja, os juros altos, ferramenta do Banco Central (BC) para tentar conter a inflação.

“Em termos conjunturais, destacam-se os efeitos de uma política monetária mais restritiva – que encarece o crédito, eleva a inadimplência e afeta negativamente as decisões de consumo e investimentos. Esses fatores contribuíram para limitar o ritmo de crescimento da produção industrial no período, refletindo-se em resultados mais moderados frente aos meses anteriores”, analisa Macedo.

Atualmente, a taxa básica de juros, a Selic, está em 15% ao ano, o patamar mais alto desde julho de 2006. Os juros altos têm o efeito de desestimular o consumo e o investimento para esfriar a economia e diminuir a procura por bens e serviços, consequentemente, tirando força da inflação.

Em julho, a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), mostrou acúmulo de 5,23% em 12 meses, fora da meta do governo 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, ou seja, indo até 4,5%.

A taxa está acima do teto desde setembro de 2024 (4,42%). Em abril, chegou a 5,53%, o ponto mais alto desde então. 

Setore
Na passagem de junho para julho, o IBGE identificou queda em 13 das 25 atividades industriais. Os destaques negativos foram:

  • metalurgia (- 2,3%)
  • outros equipamentos de transporte (-5,3%)
  • impressão e reprodução de gravações (-11,3%)
  • bebidas (-2,2%)
  • manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos (-3,7%)
  • equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-2%)
  • produtos diversos (-3,5%)
  • produtos de borracha e de material plástico (-1%)

Entre as atividades com alta na produção, os principais impactos positivos vieram de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (7,9%), alimentícios (1,1%), indústrias extrativas (0,8%) e produtos químicos (1,8%).

Em relação às grandes categorias, bens de consumo duráveis (-0,5%) e bens de capital (-0,2%) registraram altas na passagem de junho para julho. Bens de capital são máquinas e equipamentos.

Por outro lado, bens intermediários, ou seja, que serão transformados em outros produtos, cresceram 0,5% e bens de consumo semi e não duráveis aumentaram 0,1%.

Tarifaço
De acordo com André Macedo, o resultado de julho teve reflexos também do tarifaço americano, que só começou na primeira semana de agosto. Isso se explica pelo fato de que a ameaça de taxação das exportações brasileiras para os Estados Unidos mexeu com expectativas e decisões futuras de empresários, principalmente os que têm atividades voltadas para o mercado externo.

Macedo ressalta que a predominância negativa desde abril é fundamentada pela política de juros.

“Dentro do resultado geral, [o tarifaço] não tem muita importância no momento”, disse.

Fonte: Folha de Pernambuco

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Exportação, Internacional

Nos EUA, exportadores se reúnem com congressistas e integram audiência sobre a Seção 301

1º Vice-presidente da FIESC, André Odebrecht, destaca importância de sensibilizar parceiros comerciais sobre os impactos da ausência de produtos brasileiros no mercado consumidor norte-americano

A missão da Confederação Nacional da Indústria (CNI) a Washington esteve nesta quarta-feira (3) no Capitólio, sede do Congresso norte-americano, para encontros com parlamentares dos Estados Unidos, com a finalidade de apresentar dados do comércio entre o Brasil e os EUA. O 1º vice-presidente da Federação das Indústrias de SC (FIESC), André Odebrecht, que participa da missão, destacou a relevância de sensibilizar os congressistas sobre a importância dos produtos brasileiros para a economia dos EUA e de avançar na retomada do comércio entre os dois países de forma saudável.

Também nesta quarta-feira, o embaixador Roberto Azevêdo, que representa a Confederação na audiência pública sobre a Seção 301, afirmou que o objetivo é demonstrar que as práticas comerciais brasileiras são razoáveis, não são discriminatórias e não têm arbitrariedade, e não deveriam ser consideradas prejudiciais às empresas norte-americanas. O Brasil está sendo investigado com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.

“A noção de que o Brasil está agindo deliberadamente de forma a prejudicar os Estados Unidos é totalmente infundada. Ao contrário, os fatos mostram que as empresas americanas, em geral, se beneficiaram das políticas brasileiras. O Brasil tem sido um destino antigo e atraente para investimentos americanos, e o país também é o principal destino dos fluxos de investimento brasileiros”, afirmou durante a audiência.

A missão também tem agendadas reuniões com empresários dos EUA e representantes de setores prejudicados pelas tarifas. Na terça-feira (2), o grupo participou de reunião com a embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti. Odebrecht, que representa a FIESC na missão, destacou ainda a relevância das reuniões com agentes de comércio exterior, como a Câmara Americana de Comércio, para destacar a importância dos produtos brasileiros para as cadeias produtivas dos Estados Unidos e para os consumidores norte-americanos.

A comitiva também esteve reunida com o escritório de advocacia norte-americano que representa os interesses da CNI e da indústria brasileira na investigação sobre a seção 301. “Esses encontros são essenciais para estreitar as relações, para convencer os norte-americanos da qualidade dos nossos produtos e para mostrar as dificuldades que o mercado consumidor dos EUA pode enfrentar sem os produtos brasileiros à disposição”, explicou Odebrecht.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, destacou que o objetivo da missão é marcar uma posição firme e contundente, mostrando a versão do setor privado sobre a importância de uma negociação que leve à reversão das tarifas. “Queremos um diálogo feito nos termos comerciais e econômicos e de forma racional e técnica, para que possamos realmente começar a ter reuniões objetivas”, completou.

O encontro com a embaixadora foi a primeira de uma série de agendas que a comitiva empresarial liderada pela CNI terá até a próxima quinta-feira (4) na capital dos EUA. Além do 1º vice-presidente da FIESC, participaram da reunião dirigentes das federações das indústrias de Minas Gerais (FIEMG), Paraná (FIEP), Paraíba (FIEPB), Rio de Janeiro (FIRJAN), Rio Grande do Norte (FIERN) e São Paulo (FIESP).  

Fonte:
Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina – FIESC
Gerência de Comunicação Institucional e Relações Públicas

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Exportação

Sebrae/SC abre inscrições para qualificação gratuita de empresas catarinenses com foco na exportação

Programa Acelera Mercados – Global integra o PEIEX, iniciativa da ApexBrasil voltada à preparação de empresas para o mercado internacional

Estão abertas as inscrições para o Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX) em Santa Catarina. Gratuito e com duração média de três a quatro meses, o programa é voltado a micro e pequenas empresas que desejam iniciar ou aprimorar sua atuação no mercado exterior. No estado, a iniciativa é oferecida pelo Sebrae/SC, executor do convênio com a ApexBrasil, por meio do Programa Acelera Mercados – Global. As inscrições podem ser realizadas pelo https://sebrae.sc/peiex.

O PEIEX oferece uma trilha completa de capacitação com atendimento individualizado, diagnóstico de exportação, plano estratégico, treinamentos, acesso a especialistas em comércio exterior, participação em ações coletivas e oportunidades internacionais. A modalidade pode ser online, presencial ou híbrida, conforme o perfil e localização da empresa participante.

Podem se inscrever empresas com CNPJ ativo, classificadas como ME ou EPP, que tenham produto ou serviço com potencial exportador e estejam comprometidas com a execução do plano de ação proposto ao longo da trilha.

“O PEIEX, aliado ao Programa Acelera Mercados – Global, é uma grande oportunidade para que os pequenos negócios em Santa Catarina ampliem sua competitividade e caminhem rumo à internacionalização. Com uma metodologia prática, adaptada à realidade das empresas, conseguimos conectar negócios locais a mercados globais”, destaca Gabriel Marchetti, analista de negócios do Sebrae/SC.

O programa é dividido em três etapas, são elas: “Desperta”, que atua na sensibilização e mapeamento; “Prepara”, fase de consultorias, treinamentos e o plano de exportação; e “Conecta”, com rodadas de negócios, missões técnicas internacionais, formação de consórcios, acesso a investidores e plataformas de inteligência de mercado.

Sobre o Sebrae/SC

O Sebrae/SC comemora, em 2025, 53 anos de dedicação ao fortalecimento dos pequenos negócios e ao fomento do empreendedorismo em Santa Catarina. Com presença em todas as regiões do Estado, a instituição oferece soluções que impulsionam o desenvolvimento econômico e social, apoiando milhões de empreendedores ao longo de sua trajetória. Reconhecido nacionalmente, o Sebrae é hoje a 4ª marca mais valiosa do país, com um ativo de R$ 33,9 bilhões, reflexo de sua credibilidade, impacto e compromisso com a transformação dos territórios onde atua. Em Santa Catarina, o Sebrae é parceiro estratégico de quem faz o estado crescer.

Texto e imagem: Divulgação

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Internacional

China propõe nova ordem mundial ao lado da Rússia e da Índia

Nova Délhi se aproxima de Pequim em meio às tarifas de Trump

O presidente da China, Xi Jinping, propôs, nesta segunda-feira (1), a criação da Iniciativa de Governança Global (IGG), possível embrião de uma nova ordem mundial. A proposta foi divulgada durante encontro com a presença de 20 líderes de países não ocidentais, incluindo o russo Vladimir Putin e o indiano Narendra Modi.

No discurso oficial da reunião, Xi Jinping destacou que a governança global estaria ameaçada pela “mentalidade da Guerra Fria, o hegemonismo e o protecionismo” que continuariam a “assombrar o mundo” após 80 anos do fim da 2ª Guerra Mundial e da criação das Nações Unidas (ONU).

“O mundo encontra-se num novo período de turbulência e transformação. A governança global chegou a uma nova encruzilhada. A história nos diz que, em tempos difíceis, devemos manter nosso compromisso original com a coexistência pacífica, fortalecer nossa confiança na cooperação vantajosa para todos”, disse o líder chinês.

A proposta de Xi foi divulgada na Organização para Cooperação de Xangai Plus (OCX), fórum fundado em 2001, que reúne 10 países membros, sendo dois observadores e 15 parceiros.

O evento na China ocorre em meio à guerra comercial promovida pelos Estados Unidos (EUA) contra adversários e aliados, incluindo a Índia, taxada em 50% por Trump. Os EUA exigem que a Índia pare de comprar óleo russo, medida que Nova Délhi se recusa a aceitar. 

Na reunião desta segunda-feira, o presidente indiano Narendra Modi apareceu, aos sorrisos e de mão dadas, com os homólogos russo e chinês. Esta foi a primeira vez, em sete anos, que o primeiro ministro indiano viajou à vizinha China. Os gigantes asiáticos têm uma relação marcada por tensões regionais, geopolíticas e disputas fronteiriças.

A 24ª cúpula da OCX em Tianjin, cidade costeira do Norte da China, acontece às vésperas das comemorações do 80º aniversário da vitória na Guerra de Resistência do Povo Chinês contra a Agressão Japonesa e na Guerra Antifascista Mundial”.

A celebração marca o fim da 2ª guerra mundial para os chineses, que lutavam contra a ocupação japonesa. Segundo a diplomacia em Pequim, são esperados 50 líderes mundiais no desfile militar da próxima quarta-feira (3).

Cinco princípios

No encontro desta segunda-feira, em Tianjin, o presidente da China Xi Jinping propôs uma nova governança global baseada em cinco princípios: igualdade soberana entre estados; respeito ao direito internacional; pratica do multilateralismo; abordagem centrada nas pessoas; adoção de medidas concretas.

“Devemos defender que todos os países, independentemente de tamanho, força e riqueza, sejam participantes, tomadores de decisão e beneficiários iguais na governança global. Devemos promover maior democracia nas relações internacionais e aumentar a representação e a voz dos países em desenvolvimento”, justificou Xi.

O evento em Tianjin e a proposta chinesa tem sido interpretada por analistas como uma resposta à guerra tarifária imposta pelo governo de Donald Trump. Xi Jinping ainda criticou o unilateralismo nas relações internacionais, prática fortalecida pelo governo Trump, que tem adotado medidas e decisões sem consultar adversários ou aliados.

Para o presidente da China, “devemos defender a visão de uma governança global com ampla consulta e contribuição conjunta para benefício compartilhado, fortalecer a solidariedade e a coordenação e nos opor ao unilateralismo”.

Ao lembrar a Organização da Cooperação de Xangai (OCX) promove a cooperação e integração entre os países euroasiáticos, Xi Jinping enfatizou que as nações devem “continuar a derrubar muros, não erguê-los; devemos buscar a integração, não a dissociação. Devemos promover a cooperação de alta qualidade no Cinturão da Rota da Seda e impulsionar uma globalização econômica universalmente benéfica e inclusiva”.

O Cinturão de Rota da Seda é a iniciativa da China para cooperação econômica entre países do mundo, apontado como um dos principais alvos da política dos EUA que tentaria reverter a perda relativa de poder na economia mundial diante o crescimento chinês. 

O presidente Xi Jinping ainda anunciou ajuda de US$ 280 milhões para os membros da Organização de Cooperação de Xangai, além de um empréstimo adicional de 10 bilhões de yuans aos bancos membros do OCX. A organização ainda promove iniciativas de cooperação em diversas áreas, como Inteligência Artificial, luta contra narcotráfico, energia verde, entre outras.

Rússia

O presidente da Rússia, Vladmir Putin, destacou que uma dúzia de Estados são candidatos para participar da OCX, o que demonstraria o interesse de parte da comunidade internacional no “diálogo aberto e transparente” da organização. Putin também elogiou a proposta de nova governança global da China.

“A Rússia apoia a iniciativa de Xi Jinping e está interessada em iniciar discussões específicas sobre as propostas apresentadas pela China. Acredito que é a OCS que poderia assumir o papel de liderança nos esforços que visam moldar um sistema de governança global mais justo”, afirmou o líder de Moscou.

Índia

O presidente da Índia, Narendra Modi, agradeceu a China pela organização do evento e destacou, em uma rede social, a “excelente” reunião com Vladimir Putin, pivô das tarifas imposta por Washington contra Nova Délhi.

“Discutimos maneiras de aprofundar a cooperação bilateral em todas as áreas, incluindo comércio, fertilizantes, espaço, segurança e cultura. Trocamos opiniões sobre processos regionais e globais, incluindo a solução pacífica do conflito na Ucrânia. Nossa Parceria Estratégica Privilegiada Especial continua sendo o pilar mais importante da estabilidade regional e global”, escreveu Modi.

Índia e China

A China e a Índia tentam melhorar a relação marcada por tensões fronteiriças e regionais. O encontro bilateral entre Modi e Xi foi apontado pela diplomacia chinesa como a continuação de um processo de melhoria das relações iniciada em Kazan, na Rússia, durante a cúpula do Brics de 2024.

“O relacionamento está de volta a uma trajetória positiva. A paz e a estabilidade nas regiões fronteiriças foram mantidas e os voos diretos estão prestes a ser retomados. Esse progresso beneficia não apenas os povos da Índia e da China, mas também o mundo inteiro. Índia e China são parceiras, não rivais. Nosso consenso supera em muito nossa discordância”, informou, em nota, o Ministério das Relações Exteriores de Pequim.

Fonte: Agência Brasil

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Negócios

Cabe reconhecer a legitimidade e a importância da pejotização para a produtividade das empresas

Em artigo publicado no Estadão, a advogada e superintendente de Relações do Trabalho da CNI, Sylvia Lorena, e o professor aposentado da USP, José Pastore, refletem sobre o que é o fenômeno da pejotização e defendem esse modelo de trabalho para aumentar a produtividade e competitividade das empresas

A pejotização se refere aos contratos de prestação de serviços específicos estabelecidos entre duas pessoas jurídicas – o tomador e o prestador dos serviços, no caso, o PJ, um profissional especializado. Esse tipo de contrato tem aumentado em grande parte por força das novas tecnologias que facilitam a colaboração desses profissionais. Os que entendem de produção e comercialização recomendam: “na sua empresa, não tente fazer tudo sozinho – você pode quebrar. Busque a ajuda de especialistas que resolvem melhor seus problemas específicos”.

É isso que, mundialmente, tem propelido o uso do trabalho externo às empresas que contratam médicos, advogados, engenheiros, pesquisadores, jornalistas, tradutores, professores e vários outros. Todos têm autonomia para escolher o método, e, em muitos casos, o local e o horário de trabalho.

As formas de prestar serviços são variadas. Há PJs que entregam produtos. Outros entregam serviços. Há atividades realizadas no local da contratante. Outras, nas instalações do PJ ou à distância. Há casos em que o PJ serve apenas uma contratante. Em outros, serve várias. Há tarefas executadas exclusivamente pelo PJ. Outras, em parceria com empregados da contratante. Os contratos podem ser por prazo determinado ou indeterminado, em tempo parcial ou integral. Há contratos em que a profissão do PJ é diferente da profissão dos empregados da contratante. 

Em outros é a mesma – quando a contratante busca talentos especiais. Há tarefas que se realizam de uma só vez. Outras são recorrentes. Há atividades na jornada normal da contratante. Outras, em horários atípicos. Todas contribuem para a melhoria da produtividade e da competitividade das contratantes.

Os PJs recebem apenas orientações técnicas das contratantes, sem subordinação jurídica; são pagos pelos seus serviços; e contribuem para a Previdência Social. É uma relação de natureza civil, pautada pela liberdade contratual. Muito moderna. As eventuais disputas devem ser dirimidas pela Justiça Cível.

A pejotização reflete uma organização de produzir, que valoriza a especialização. Cabe reconhecer a legitimidade e importância desse modelo de trabalho para a produtividade e competitividade das empresas e afastar as fraudes que mascaram vínculos de emprego.

É isso que está sendo discutido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no Tema n.º 1.389, cuja decisão é esperada para breve.

*Sylvia Lorena é advogada e superintendente de Relações do Trabalho da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

*José Pastore é professor aposentado da Universidade de São Paulo (USP)

O artigo foi publicado no Estadão no dia 27 de agosto de 2025.

Fonte: Agência de Notícias da Indústria

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Negócios

Inventor, industrial funda duas multinacionais e o maior parque empresarial do Brasil

O empresário italiano Fabio Perini desenvolveu uma trajetória sem igual. Começou inventando máquinas para indústrias de papel, fundou duas multinacionais, registrou mais de 100 patentes, abriu um estaleiro e fundou em Joinville o Perini Business Park

Entre os empresários que são ícones em Santa Catarina, um dos estados com economia mais dinâmica no Brasil, está o empreendedor e inventor italiano Fabio Perini. No final dos anos de 1970 ele abriu uma fábrica de máquinas para papel em Joinville, a maior cidade do estado, e em 2001 fundou o Perini Business Park, hoje o maior condomínio empresarial da América do Sul, onde estão sediadas mais de 300 empresas que faturam mais de R$ 10 bilhões por ano e respondem por mais de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual. 

Inventor e empreendedor, Fabio Perini, sempre foi muito discreto. Veio a Joinville no começo deste mês – dia 06 de agosto – quando foi homenageado com a Medalha do Mérito Princesa Dona Francisca, o mais importante reconhecimento do município, pela colaboração ao desenvolvimento econômico. No mesmo dia, também foi assinado acordo de irmandade de Joinville com a cidade italiana de Lucca, onde está a sede do Grupo Perini, na Itália.

O evento foi na “casa” de Fabio Perini, o Ágora Tech Park, dentro do Perini Business Park. No dia seguinte, ele concedeu esta entrevista exclusiva ao portal NSC Total, contando sua trajetória no mundo das invenções e dos negócios.

Embora não tenha cursado engenharia mecânica, ele é brilhante na arte de inventar máquinas. Foi essa capacidade de inovar que permitiu a ele ser o industrial que transformou mundialmente o setor de conversão do papel tissue. Registrou mais de 100 patentes, é considerado o fundador do Tissue Valley na cidade de Lucca, abriu duas multinacionais nesse segmento, a Fabio Perini e a Futura, fundou também o estaleiro Perini Navi e outros negócios.

Em 1974, veio ao Brasil para investir no país e se encantou por Joinville, uma cidade organizada como as italianas. Por isso abriu filial da indústria Fabio Perini e, décadas depois, inovou ao fundar o Perini Business Park.

Engana-se quem pensa que ele reduziu o ritmo aos 85 anos. Ao lado do CEO do Grupo Perini na América Latina, o engenheiro civil catarinense Marcelo Hack, ele destacou vários projetos para o mega condomínio empresarial. Uma creche para todas as crianças, prestação de serviços para empresas, área para pequenas empresas e um futuro shopping aberto no empreendimento. Leia a entrevista a seguir: 

Como foi o início da sua carreira? O seu pai tinha um negócio na área de papel e o senhor deu continuidade?

– Meu pai e irmãos tinham três papeleiras (fábricas de papel) e uma oficina mecânica (de máquinas produtoras de papel). Depois, dividiram o negócio e o meu pai ficou com a oficina. Nós morávamos num lugar antigo e eu pensei que tinha pessoas pouco interessadas em investimentos. Mas meu pai tinha empreendedorismo na cabeça e só sabia fazer papel, não sabia o que se fazia em outras partes do mundo.

Trabalhávamos nessas indústrias, mas com uma oficina. Não tinha engenheiro. Tudo era feito na prática. Então, eu trabalhava aí. Me acostumei à maneira do meu pai de não desenhar as coisas, mas pensar. Comecei a ver uma parte de máquina, mas era tudo no pensamento, não era como um engenheiro de hoje que vai desenhando.

Então, me acostumei a pensar as coisas como deveriam ser feitas e contratava um desenhista porque eu não sabia desenhar. É bem diferente a cultura em que você, através do desenho, chega a ter um projeto, do que quem trabalha vendo o projeto e depois desenha. Assim começamos a trabalhar, a fazer máquinas e, depois, chegamos ao Brasil.

Que idade o senhor tinha quando começou a fabricar máquinas?

– Eu estava com 17 anos quando comecei a fazer máquinas. Mas a firma era pequena, era eu, meu pai, meus irmãos e mais dois trabalhadores. Eu estava fazendo coisas um pouco novas. A gente não estava acostumado a pensar no novo. Sempre gostava de fazer algo como o que já existia. Então, aí eu me tornei o problema da família. Daí eu comecei a sair da empresa da família e trabalhar sozinho. Meu pai me deu a emancipação.

Quando o senhor registrou a primeira patente?

– Comecei a criar. Eu registrei a primeira patente de uma máquina para produção de papel quando eu tinha 17 anos. A primeira máquina que fiz não teve sucesso. Mas, depois, fiz uma outra, parecida, que deu resultado.

A máquina produtora de papel tem uma correia de um tecido grosso onde vai a água com a fibra e sai papel. Essa correia se movimenta e isso é regulado por um operador. E eu fiz um dispositivo que fazia esse movimento sem a necessidade de um operador. Mas depois fizemos vários tipos, até chegar a um para uma máquina importante, fabricada na Itália.

O que destacou o senhor internacionalmente como inventor de máquinas de papel?

– No setor de papel existem equipamentos que, a partir da celulose, produzem folhas de papel. Esses equipamentos fazem bobinas de papel. Eu trabalho especificamente com máquinas para papel tissue, que é o papel macio e mais absorvente para guardanapos, toalhas, lenços e papel higiênico. É um papel que tem entre 14 e 18 gramas de gramatura.

As máquinas que eu projeto prendem as bobinas jumbo, que são as bobinas maiores de papel tissue, e fazem a conversão, ou seja, transformam o papel que está em rolos grandes em papel toalha e papel higiênico. São máquinas de um segmento do setor chamado “converting”, que fazem a conversão das bobinas grandes em produtos menores, para o uso dos consumidores.

Quando fundou a primeira fábrica dessas máquinas?

– Eu tinha 26 anos quando fundei a indústria Fabio Perini, no ano de 1966. Ela cresceu, alcançou liderança nesse segmento, vendemos produtos para diversos países. Abrimos filiais no Brasil (em Joinville), nos Estados Unidos e no Japão. Tínhamos escritórios em 18 países. Em 1994 eu vendi parte da empresa para o grupo alemão Körber e em 1999 vendi toda a empresa Fabio Perini para eles que, há cinco anos, venderam para o grupo sueco Valmet. 

Passado um tempo, em 2001, comecei uma empresa nova, a Futura, que atua no mesmo setor, mas com tecnologias completamente novas. Todas as máquinas são novas, sem sobreposição de patentes. Agora, 25 anos depois, a Futura é líder mundial em tecnologia.

Como chegou a essa série de mais de 100 patentes registradas?

– Precisei fazer muitas máquinas. Quando tive papeleiras na Inglaterra e Romênia, por exemplo, criei uma máquina para elas, mas os clientes viram, gostaram e quiseram também. Então eu fiz para eles.

Eu penso que nem todas as patentes que fiz foram registradas no meu nome porque eu gosto de fazer projetos, mas depois o que acontece com eles não me interessa. Acredito que fiz cerca de 200 patentes. Tem algumas registradas em nome de outras pessoas, mas tudo bem.

Não é comum um dono de indústria projetar os equipamentos fabricados por ela, como o senhor faz…

– São 60 anos que eu trabalho nisso, que estou me dedicando ao setor de papel tissue. Hoje, todo o construtor de máquinas do setor imita o que eu fiz anos atrás, o que estou fazendo. Isso me enche de orgulho.

E como está a sua mais recente indústria de máquinas de papel, a Futura?

– Está bem. Tem sede em Lucca, na Itália e em Joinville é o centro de assistência técnica para as Américas. Atendente Estados Unidos, Canadá, México, Brasil, Argentina, Chile e Colômbia.

Por que o senhor escolheu Joinville para ser a primeira cidade com filial da sua primeira indústria, a Fabio Perini?

– Todo mundo que vem ao Brasil chega em São Paulo primeiro. Eu tinha um amigo em São Paulo e eu queria fazer uma firma. Diziam que tudo o que eu precisaria, eu poderia fazer em São Paulo. Mas eu comecei a visitar o Brasil, de Norte a Sul. Visitei todos os estados. Tinha locais que eu gostava um pouco mais e outros, um pouco menos.

Quando cheguei em Joinville foi paixão imediata. Vi todas as casas das ruas com jardins, plantações de verduras e de árvores frutíferas como na minha cidade, na Itália. Mas o que me tocou mais foi ver tanta criança de uniforme indo para a escola. Ao mesmo tempo, muitas pessoas estavam indo trabalhar de bicicleta porque naquela época quase todos usavam bicicletas. Eu fiquei hospedado no Hotel Anthurium, no centro da cidade.

E como surgiu a ideia de fazer o condomínio   Perini Business Park?

– Eu vendi a indústria Fabio Perini e pensei em investir o resultado também no Brasil, em Joinville. Começamos a estudar um pouco sobre como fazer construções empresariais. Aprendi como se faz concreto armado. Aí fizemos uma indústria para produzir material pré-fabricado, hoje a Perville Construtora. Fizemos o primeiro galpão, este onde está a administração do condomínio.

Recebemos as primeiras máquinas e fizemos um piso de concreto em céu aberto, foram instaladas as máquinas, começaram a fazer as peças de concreto e foram montando por cima das próprias formas. Eu acompanhei no início. Sempre faço isso. Depois, quando a coisa passa a funcionar, me afasto.

Quando começou o condomínio o senhor imaginava que ele se tornaria esse gigante?

– Não, não pensava que seria um sucesso. Na realidade, quando eu comecei, pensava um pouco diferente, porque eu pensava em fazer galpões, principalmente para alugar a quem queria começar porque sempre sei o quão difícil é começar. Então, eu pensava que essa era a maneira certa para que funcionasse.

Mas, na realidade, depois que chegou uma firma mais importante, pediram e nós acompanhamos a necessidade do mercado dela. Uma ideia minha era fazer para pequenas empresas. Mas aí vieram muitas grandes empresas e hoje já são mais de 300. Eu amo as pequenas empresas.

O que mais impressiona o senhor hoje no Perini Business Park?

– Pelo que vejo, tem muita segurança e tudo é fácil porque tem muito serviço para todo mundo. É muito prático trabalhar aqui. Tem transporte e várias outras coisas importantes. Mas nós estamos planejando mais coisas novas para o condomínio.

Quais são esses novos planos para o Perini?

– Eu gostaria de instalar uma firma para manutenção das indústrias locais, aqui do condomínio. Isso porque cada indústria tem que ter um eletricista, um mecânico e que depois trabalha só na emergência.

Mas a emergência seria uma empresa que poderia prestar trabalho para todo mundo. Seria mais econômico e de grande ajuda para os inquilinos. Isso porque cada um tem à sua maneira de trabalhar.

Eu penso que a melhor maneira de trabalhar é sempre oferecer vantagem aos outros. Depois, de qualquer forma, volta para nós também. Eu penso que é uma vantagem importante ter uma pessoa para fazer manutenção elétrica. Precisamos fazer algo para ajudar os inquilinos.

O senhor disse também que planeja construir uma creche dentro do condomínio. Como será essa creche?

– Nós gostaríamos, sim, de ter uma creche aqui. Quem tem filho, traz para cá. Será uma creche tanto para filhos de empresários, quanto de trabalhadores. E as crianças dessa creche, quando forem para as escolas públicas, têm que chegar mais preparadas do que as outras. Temos esse projeto há um bom tempo. Agora vamos fazer.

Veja, os empreendedores normalmente pensam em como ter mais lucro possível. É justo porque o sucesso se tem com o lucro. Penso também que quando você tem o lucro, o que faz? Como pode aproveitar mais o lucro? Se você faz uma coisa linda, bem-feita, que dá uma satisfação grande, já chega. Não precisa fazer a volta do dinheiro. Então, se a pessoa tem lucro, investe numa coisa boa e tem um grande retorno.

A sua trajetória é de sucesso desde o início. O que representa o sucesso para o senhor?

– O sucesso para mim é quase um problema. Porque eu gosto de fazer coisas, mas o sucesso acaba tendo custos. Ontem foi um dia ótimo para mim (o empresário recebeu homenagem da prefeitura de Joinville). Normalmente eu não gosto de falar. Gosto de fazer. E ao receber essa homenagem eu falei.

Eu lembro que quando tivemos a indústria de barcos a vela fizemos um barco fantástico. Ele teve muitas premiações, mas eu nunca fui receber esses prêmios. Sempre mandei outra pessoa nas premiações. O prêmio é quando você faz uma coisa boa e reconhece o que você tem feito. Esse é o prêmio verdadeiro. O sucesso paga você direto, o prêmio é algo mais.

Por que o senhor fundou um estaleiro para fabricar veleiros e o vendeu mais tarde?

– Fundei a Perini Navi, empresa que projetou e fabricou um dos maiores barcos a vela do mundo. Gosto muito de navegar. Na década de 1980 vim da Itália até o Brasil de veleiro. Esse estaleiro (na cidade italiana de Viareggio) foi muito importante. Recebemos o prêmio de melhor barco do mundo várias vezes. Isso teve um grande sucesso. Depois eu vendi. Eu pensava que a empresa ia crescer mais sem eu estar na liderança, mas depois de dois anos ela quebrou. Foi uma pena.

Veja um dos projetos (ele mostra um veleiro em tamanho miniatura no escritório). Esta vela é uma das patentes que registrei. Esse mastro gira. As velas são fixas, mas o mastro gira. Este foi um barco com muita inovação. Ele foi adquirido na época pelo empresário Tom Perkins, presidente da Compaq, dos EUA. Este barco é um navio. Levou cinco anos para ser construído e custou mais de US$ 100 milhões.

Qual será o próximo projeto para expandir o número de empresas no Perini Business Park?

– Gostaria de oferecer espaços para firmas pequenas. Penso que é útil. A firma grande nasce porque tem uma assistência da firma pequena. A criação nasce do pequeno. Eu penso que é preciso. Se está perdendo em todo o mundo a parte de produção de empresas de pequeno porte com alta qualidade e baixa escala.

São firmas que empregam, por exemplo, três jovens que acabam aprendendo mais naquela empresa pequena do que na escola. Se tornam pessoas com alta capacidade produtiva. Na Itália, muitas empresas são pequenas, têm seis ou sete empregados. E aí eles fazem tudo e acabam se tornando especialistas em fazer determinados produtos.

Podemos ter empresas assim também aqui no Perini Business Park para dar suporte às empresas maiores. Um exemplo é a Cisa, empresa italiana do grupo que aqui contrata muitos serviços de fora de casa quando necessita.

O que mais o senhor está prevendo para este condomínio empresarial crescer?

– Eu tenho que perguntar ao Marcelo Hack, CEO do Grupo Perini na América Latina (que acompanhou a entrevista). Nós temos que fazer aquilo que o mercado precisa. Mas, temos uma ideia fantástica de que, antes ou depois, vamos construir numa parte aqui do parque, que é mais elevada, linda, que era ocupada por um reflorestamento e chamamos de morro.

Isso porque a lei mudou e, então, poderemos fazer construções com altura de 30 metros. Antes, onde está o Ágora Tech Park, podíamos fazer somente com até 15 metros de altura. Nosso plano para essa parte mais elevada é fazer um centro comercial, um open mall com algumas torres, mas deixando muitos espaços para lazer, como praças e outras estruturas.

É um projeto que vamos desenvolver ainda. Atualmente, estamos numa fase de retirada de terra do morro. Vamos demorar ainda uns três ou quatro anos para chegar na cota que a gente quer. Até lá, estaremos com um projeto pronto para submeter à aprovação dos órgãos competentes.

Quanto o Perini está investindo?

– Estamos executando um plano de investimento de R$ 100 milhões para um período de 20 meses que começou em abril de 2024 e vai até janeiro de 2026 para a expansão do parque. Acreditamos que quando finalizado esse investimento gerará 1.000 empregos.

Como o senhor avalia a instalação de um parque tecnológico dentro do Perini?

– Eu penso que a tecnologia atrai, desenvolve soluções para problemas tecnológicos. Penso que o Ágora ajuda também empresas internas de tecnologia aqui do condomínio. O desenvolvimento tecnológico é sempre importante.

O diferencial que o senhor incluiu nas suas indústrias, no Perini Business Park, é a inovação. Qual é a importância da inovação para negócios, na sua opinião?

– Eu penso que a coisa mais importante é ver se consegue ensinar as pessoas a terem coragem de ir para frente. Isso porque eu vejo que muda. Todo mundo gosta de fazer o que se fazia, porque não dá erro, é mais fácil fazer o mesmo. Na minha experiência, vejo um problema, vejo pessoas capazes, que muitas vezes pensam que são muito mais capazes do que eu, e se eu deixo, eles não conseguem ir em frente. Eu tenho coragem. Muitas vezes eu conquisto coisas porque tenho coragem de ir em frente. Eu errei muito, mas tive sorte que alguma coisa deu certo.

Qual é a importância da homenagem que o senhor recebeu com a Medalha Dona Francisca, da prefeitura de Joinville?

– Sinceramente, eu não sabia que receberia esse prêmio. E não sei nem se mereço. Mas gostei. Penso que junto com o Marcelo Hack (presidente do Perini) alguma coisa fizemos de bom. Mas penso também que temos tempo para fazer mais ainda. No começo, as pessoas não acreditavam que o Perini Business Park ia dar certo.

Qual empresa mais chama atenção aqui no condomínio, na sua avaliação?

– É a Wetzel, uma tradicional indústria metalúrgica que deixou de ter uma sede própria no município para se instalar dentro do Perini. Quando ela veio, proporcionou uma virada de chave para o parque. Mais empresas vieram.

Fonte: NSC Total

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Industria

Indústria pede prudência e insistência no processo de negociações com os EUA

FIESC integra comitiva da CNI a Washington na semana que vem para reuniões bilaterais e preparação da defesa do setor produtivo brasileiro na investigação nos termos da Seção 301

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Federação das Indústrias de SC (FIESC) defendem a persistência no uso de instrumentos de negociação como forma de reverter os efeitos nocivos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre as exportações brasileiras. O setor industrial continuará buscando os caminhos do diálogo e da prudência, e avalia que não é o momento para a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica.

Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, o momento exige cautela e discussões técnicas. Neste sentido, uma comitiva liderada pela CNI com líderes de associações e empresários industriais desembarcará no começo da semana que vem em Washington, para uma série de compromissos com empresários e representantes do poder público dos EUA.

Entre os participantes da missão aos EUA estará o primeiro vice-presidente da FIESC, André Odebrecht, que representará os interesses do setor exportador catarinense. Segundo Gilberto Seleme, presidente da FIESC, o objetivo será a busca de abertura de exceções nas tarifas para os principais produtos da pauta exportadora de SC.

Alban destaca também que é importante observar que as economias brasileira e americana são complementares. Na corrente de comércio, os bens intermediários (insumos produtivos) representaram 58% do que foi comercializado entre os dois países na última década.

A agenda em Washington contempla encontros bilaterais entre instituições empresariais brasileiras e suas contrapartes e parceiros nos EUA, e reunião plenária para discutir os impactos comerciais e estratégias para aprofundar a parceria econômica entre os dois países.

A CNI também vai promover encontros estratégicos preparatórios para a defesa do setor industrial na audiência pública, marcada para o dia 3 de setembro, sobre a investigação aberta em julho pelo governo norte-americano nos termos da Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. Como representante do setor industrial brasileiro, a CNI formalizou uma manifestação em defesa do Brasil, argumentando que o país não adota práticas injustificáveis, discriminatórias ou restritivas ao comércio bilateral.


Fontes:
Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina – FIESC
Gerência de Comunicação Institucional e Relações Públicas

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