Comércio, Negócios

MDIC e República Democrática do Congo discutem ampliação de comércio e investimento bilateral

Há interesse dos dois países em promover o comércio e as oportunidades de investimentos

Ampliar a cooperação em áreas estratégicas como comércio e investimento foram os temas centrais da reunião da terça-feira (12/8) entre o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, e o ministro de Comércio Exterior da República Democrática do Congo (RDC), Julien Paluku Kahongya, em visita oficial ao Brasil.

O governo congolês tem interesse em ampliar e fortalecer a parceria histórica com o Brasil por intermédio de um entendimento, principalmente na área de facilitação e promoção comerciais. O secretário Márcio Elias propôs adicionalmente um diálogo sobre investimentos. “Poderíamos explorar a possibilidade de se avançar na cooperação e na facilitação de investimentos recíprocos”, ressaltou.

Ele lembrou que atualmente o Brasil tem uma política industrial que busca atrair investimentos nas seis áreas em que está estruturada, seja em agroindústria, defesa, bioeconomia e energia renovável, entre outros. Há interesse dos dois países em explorar a possibilidade de se organizar missões e fóruns empresariais para o levantamento de oportunidades comerciais e de investimentos. 

Cooperação ambiental

Além da importância comercial, o ministro Kahongya lembrou que Brasil e o Congo já têm uma importante parceria na área ambiental por conta da grandeza de suas florestas: detêm as maiores florestas tropicais do mundo e atuam conjuntamente em diversos fóruns. “Os dois países, somado à Indonésia, representam quase 80% do pulmão do mundo”, disse.

O secretário Márcio Elias Rosa observou que os dois países podem trabalhar em conjunto para desenvolver projetos na área de bioeconomia. Ele lembrou do Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA), órgão vinculado ao MDIC, que pode auxiliar neste trabalho. “Podemos transformar atrativos da floresta em riqueza econômica, à luz do conhecimento científico”, disse.

O CBA é uma organização social dedicada a promover bionegócios na Amazônia, integrando pesquisa científica, inovação e sustentabilidade para valorizar e proteger a biodiversidade da região, em estreita colaboração com diversas entidades e comunidades locais para desenvolver soluções que combinam desenvolvimento econômico e preservação ambiental.

Em novembro de 2022, Brasil, RDC e Indonésia assinaram uma Declaração Conjunta sobre Cooperação em Florestas Tropicais e Ação Climática, fortalecendo sua posição nas negociações climáticas internacionais. Em agosto de 2023, o presidente congolês Félix Tshisekedi participou da Cúpula da Amazônia em Belém — a primeira visita de um presidente da RDC ao Brasil.

Comércio

O comércio entre o Brasil e a RDC atingiu o maior valor da série histórica em 2024, na marca de US$ 259 milhões (aumento de 28% em relação a 2023). O Brasil exportou US$ 191,5 milhões em produtos, com a pauta concentrada em açúcares (36%), carnes de aves (19%) e carne suína (8,6%). As importações oriundas da RDC, em US$ 67,6 milhões, foram principalmente de óleos brutos de petróleo ou minerais betuminosos (99,8%).

Fotos: Júlio César Silva/MDIC
Fonte: MDIC

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Negócios

Negócios de impacto avançam, mas o capital não chega às mulheres

Segundo o 4º Mapa de Negócios de Impacto (Pipe.Social e Quintessa, 2023), apenas 14% dos negócios liderados por mulheres captaram mais de R$ 500 mil.

O ecossistema de impacto social no Brasil cresceu, se sofisticou, atraiu capital e desenvolveu novas métricas. Mas há um dado que persiste ano após ano e que precisa ser enfrentado com mais coragem: as mulheres seguem fora do centro das decisões e dos recursos.

Segundo o 4º Mapa de Negócios de Impacto (Pipe.Social e Quintessa, 2023), apenas 14% dos negócios liderados por mulheres captaram mais de R$ 500 mil. Entre os liderados por homens, esse número sobe para 67%.

A limitação de escala não é uma questão de desempenho individual, e sim de estrutura. De acordo com o relatório Panorama do Empreendedorismo Feminino no Brasil (GOV.BR, 2023), 95% dos negócios liderados por mulheres nunca ultrapassaram a barreira dos seis dígitos de faturamento anual. Mesmo quando formalizados, muitos desses empreendimentos operam em circuitos restritos, ou seja, excluídos dos fluxos de investimento, das compras públicas, dos grandes contratos e das parcerias institucionais.

As mulheres têm sido protagonistas de uma inovação social ainda pouco valorizada que buscam de maneira intersetorial, territorial e orientada a resolução de problemas complexos. Estão à frente de negócios que redesenham cadeias produtivas locais, enfrentam a insegurança alimentar, promovem a justiça climática e fortalecem redes de cuidado.

Apesar disso, enfrentam barreiras recorrentes no acesso a crédito, investimento e contratos institucionais. Segundo o Instituto Rede Mulher Empreendedora (IRME, 2021), 42% das empreendedoras que solicitaram crédito tiveram o pedido negado. E mesmo quando aprovado, o crédito costuma vir com mais restrições. Além disso, negócios fundados por mulheres seguem sendo rotulados como “projetos” ou “iniciativas sociais”, rótulos que as afastam de editais, rodadas de investimento e programas de grande escala.

No setor público, o cenário infelizmente não é muito diferente. Em 2023, micro e pequenas empresas (MPEs) movimentaram mais de R$ 17,3 bilhões em compras governamentais, segundo a Agência Sebrae de Notícias. Mas os dados ainda não são desagregados por gênero, o que impede uma análise precisa da presença feminina nesse mercado. A ausência dessa informação, por si só, já é um sinal: sem dados, não há política.

Essa exclusão não é acidental. É reflexo de um sistema financeiro construído historicamente para homens. Durante décadas, mulheres foram legalmente impedidas de acessar crédito, registrar propriedades ou abrir contas bancárias.

Embora esses entraves legais tenham sido superados, seus efeitos institucionais persistem. Hoje, os critérios tradicionais de análise de risco, performance e inovação continuam desconsiderando os contextos em que as mulheres — em suas múltiplas diversidades — empreendem.

O mesmo se repete na produção de dados e estudos com perspectiva de gênero: muitos são desenvolvidos sem acesso a recursos externos. Conheço essa realidade de perto com o estudo Piores Cidades para Ser Mulher (2024), um ranking que mapeia o desempenho de médias e grandes cidades brasileiras frente às metas do ODS 5 (Igualdade de Gênero).

A pesquisa foi realizada sem financiamento, mas entregou uma análise robusta com dados de 319 municípios, oferecendo subsídios para governos, empresas e organizações formularem políticas públicas e estratégias institucionais. Com acesso estruturado a financiamento, os resultados poderiam ser ainda mais estratégicos, escaláveis e duradouros.

Estudos do Boston Consulting Group (2018) revelam que startups fundadas por mulheres geram 2,5 vezes mais receita por dólar investido do que aquelas fundadas por homens. Além disso, em posições de liderança mulheres tendem a reinvestir mais em suas comunidades, promovendo impactos sociais positivos como geração de empregos locais, fortalecimento de redes de apoio e soluções adaptadas às realidades do território. No campo da sustentabilidade, a ONU já reconheceu que nenhum dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável será alcançado sem o protagonismo feminino na tomada de decisão.

Ou seja: há racionalidade econômica, evidência internacional e soluções locais já em curso. O que falta é disposição para ajustar as engrenagens que ainda concentram capital, confiança e escala nas mãos de poucos.

Há uma geração de empreendedoras no Brasil construindo soluções sólidas, com consistência técnica, capacidade de execução e profundo alinhamento aos desafios do século 21, que vão desde a transição climática à economia do cuidado. Integrar essas lideranças ao centro das estratégias ESG, dos fundos de impacto e das compras corporativas não é apenas uma correção histórica. É uma oportunidade concreta de inovação, diversificação e retorno sustentável.

O ecossistema de impacto amadureceu. Mas enquanto os recursos continuarem sendo direcionados para os mesmos perfis e estruturas, a inovação social seguirá restrita, não por falta de soluções, mas por ausência de acesso.

Luciana Sonck  – Mestra em planejamento territorial, especialista em governança e CEO da Tewá 225

Fonte: Portal Notícia Sustentável

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Negócios

Boeing registra aumento de 50% nas entregas em 2025

Foram 328 aeronaves entregues entre janeiro e julho, um aumento de 50% em relação a 2024

A Boeing entregou 328 aeronaves entre janeiro e julho de 2025, um aumento de 50% em relação a 2024. Esse crescimento mostra que a demanda por novos aviões está forte. Em julho, foram entregues 48 aeronaves, sendo 37 da popular família 737 Max. A Boeing também entregou 8 unidades do modelo 787 Dreamliner nesse período. Esse ritmo indica confiança do mercado e reforça a posição da Boeing como líder no setor. A alta nas entregas é resultado da recuperação do transporte aéreo e dos investimentos em renovação de frota por companhias e empresas de leasing.

Além das entregas, a Boeing registrou 699 pedidos de novas aeronaves entre janeiro e julho de 2025. Os números mostram que o setor está em expansão, com interesse forte especialmente nos modelos 737 Max, que lideram tanto as entregas quanto os pedidos recentes. Esse movimento deve impulsionar ainda mais a produção da fabricante durante o ano.

Desempenho da família 737 Max

A família 737 Max da Boeing tem se destacado nas entregas recentes em 2025. Em julho, a fabricante entregou 48 aeronaves, e 37 delas foram desse modelo. Isso mostra que o 737 Max segue sendo o favorito entre as companhias aéreas. O modelo é conhecido pela eficiência no consumo de combustível e custo-benefício, o que atrai muitos clientes no mercado. Além das entregas, a Boeing recebeu 30 pedidos de aeronaves 737 Max só no último mês. Esse desempenho reforça a importância da família 737 Max para a recuperação do setor aéreo e para a expansão das frotas globais.

Pedidos acumulados de aeronaves até julho

Até julho de 2025, a Boeing acumulou 699 pedidos de novas aeronaves, um número que mostra confiança no mercado aéreo. Esse volume de pedidos reforça o interesse das companhias aéreas em renovar suas frotas. Muitos dos pedidos são para a família 737 Max, que tem se destacado pela eficiência. Além disso, pedidos grandes indicam um movimento forte de investimentos para expansão e modernização. Esse cenário positivo sinaliza que o setor de aviação está em recuperação e crescimento neste ano.

Impacto do aumento nas operações de leasing e governos

O aumento nas entregas da Boeing em 2025 também impacta as operações de leasing e órgãos governamentais. Muitas aeronaves entregues não vão direto para as companhias aéreas, mas para empresas de leasing, que alugam aviões para várias operadoras. Isso ajuda as companhias a expandirem suas frotas sem comprar aeronaves diretamente. Além disso, o governo dos Estados Unidos recebe aeronaves para suas próprias necessidades, contribuindo para o total de entregas. Esse fluxo diversificado mostra como o mercado está dinâmico e com demandas variadas no setor aéreo.

Fonte: Modais em Foco

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Negócios

JBS deve reforçar estratégia de diversificação diante de questões tarifárias, diz CEO

Questões tarifárias e geopolíticas do mundo atual mostram que a JBS, maior produtora global de carnes, está no caminho certo em sua estratégia de diversificar por regiões e proteínas, algo que deve ser reforçado em um contexto em que a carne bovina do Brasil recebe uma taxa de 50% do governo dos Estados Unidos, disse o CEO da companhia, nesta segunda-feira.

“Essa estratégia de diversificação foi construída pensando nos ciclos de commodities, pensando nos problemas sanitários, geopolíticos e nos problemas tarifários. Quando vejo isso acontecendo, vejo que temos de reforçar ainda mais esta plataforma, temos de enfatizar, crescer mais, diversificar mais…”, disse Gilberto Tomazoni, durante congresso da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag).

Segundo ele, esta é a única forma de uma empresa que tem 280 mil trabalhadores se manter crescendo mesmo com dificuldades.

Diante de um problema em um segmento em determinado país, se o caixa é afetado, outra região da companhia pode compensar e gerar investimentos, exemplificou ele.

“Vejo que tomamos uma decisão acertada lá atrás”, afirmou Tomazoni, referindo-se à estratégia da JBS.

Durante o evento, ele não detalhou os impactos das tarifas dos EUA que afetam também a carne bovina do Brasil, maior exportador global de carne bovina.

A JBS tem a maior parte de suas receitas provenientes da operação nos EUA, mas a empresa também tem importantes plataformas no Brasil e Austrália, entre outros países, como o México.

BARREIRAS AMBIENTAIS?

O executivo afirmou que a pecuária do Brasil enfrenta desafios que vão além das tarifas dos EUA, como as normas ambientais da União Europeia sobre emissões de metano na pecuária, as quais estão erradas, na avaliação do CEO.

“Obviamente essas regulações… estamos falando aqui de tarifas, mas tem outras barreiras que às vezes são mais importantes em impedir que você venda do que propriamente as tarifas em alguns casos”, disse.

Ele citou que tais normas podem ser consideradas um protecionismo.

Tomazoni apontou para um “caso simples” que afeta profundamente o negócio da JBS, que é a “questão” de como a União Europeia faz o calculo das emissões de carbono da pecuária.

“Está errado, eles simplesmente só contemplam emissões, não contemplam as capturas, o ruminante é um animal extraordinário, pega carbono e fibras e transforma em proteínas, se a fibra que ele comeu, a gramínea fez fotossíntese, pegou carbono do ar, sequestrou carbono na folha, estocou no solo nas raízes…”, afirmou.

Ele admitiu que o metano emitido na pecuária “polui”, mas disse que os dejetos dos animais podem ser utilizados com fertilizantes, dentro de um processo de uma economia circular sustentável.

Tomazoni destacou os sistemas de integração lavoura, pecuária e floresta no Brasil, que também capturam carbono.

O presidente da JBS disse que o Brasil deverá levar tais exemplos para serem discutido na COP30, para que importadores como os europeus possam reconhecer as potencialidades do Brasil como produtor de bioenergia e alimentos.

Fonte: Reuters

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Comércio Exterior

Como a empresa mais valiosa do mundo ficou no meio da briga China-EUA

Em acordo histórico com governo Trump, gigantes da tecnologia concordam em compartilhar receitas de vendas para o mercado chinês em troca de licenças de exportação

Empresa mais valiosa do mundo, a Nvidia se vê no meio da histórica guerra comercial de Donald Trump com a China. O resultado: uma concessão extraordinária de uma corporação de US$ 4,5 trilhões que dará aos Estados Unidos uma porcentagem de cada chip de inteligência artificial de alta performance vendido aos chineses.

O acordo, que a AMD também assinou para alguns de seus chips, pode equilibrar dois objetivos concorrentes da administração Trump: manter a dominância norte-americana em IA enquanto assegura um acordo comercial com a China.

A tratativa ainda pode garantir à Casa Branca bilhões de dólares para gastar como desejar.

Do que trata o acordo?

A Nvidia e a AMD concordaram em pagar ao governo norte-americano 15% de suas receitas provenientes das vendas de semicondutores para a China em troca de licenças para exportar sua tecnologia para lá.

A Casa Branca bloqueou em abril a exportação de certos chips de IA para a China, incluindo os chips H20 da Nvidia e MI308 da AMD.

O acordo com a administração Trump permite que as empresas obtenham licenças de exportação para retomar as vendas desses chips na China, disse um funcionário norte-americano à CNN Internacional. O Financial Times foi o primeiro a reportar a história no domingo (10).

A Nvidia antecipou o acordo no mês passado, quando disse que retomaria as vendas do chip H20 para a China após o governo demonstrar abertura para permitir novamente a exportação de certos chips de IA.

Mas o pagamento de 15% foi uma surpresa. Trump disse que inicialmente foi solicitado à Nvidia pagar 20%, mas eles negociaram a taxa para 15%.

O acordo foi fechado após o CEO da companhia, Jensen Huang, se reunir com o presidente dos Estados Unidos na quarta-feira (6), disse o funcionário. Embora as licenças de exportação tenham sido concedidas na sexta-feira (8), nenhum envio foi feito ainda.

“Seguimos as regras que o governo dos EUA estabelece para nossa participação nos mercados mundiais”, disse um porta-voz da Nvidia em comunicado.

“Embora não tenhamos enviado H20 para a China por meses, esperamos que as regras de controle de exportação permitam que a América compita na China e mundialmente.”

Quão extraordinário é isto?

Governos, incluindo os Estados Unidos, já assumiram o controle de empresas no passado quando eram consideradas de importância estratégica para a segurança nacional.

Durante a crise financeira em 2009, os Estados Unidos assumiram o controle da General Motors e Chrysler, e os rendimentos dessas participações foram diretamente para o Tesouro norte-americano depois que o governo as vendeu com lucro.

Mas não está claro se o governo dos EUA já exigiu uma porcentagem dos negócios de uma empresa sem assumir participação acionária – ou se isso é sequer legal.

A Constituição dos EUA proíbe impostos sobre exportações. Para contornar isso, os termos do acordo foram estruturados como um acordo voluntário, para que não seja considerado um imposto ou tarifa, disse um funcionário.

Em vez disso, Nvidia e AMD enviarão voluntariamente fundos ao governo norte-americano. As empresas não terão nenhuma influência sobre como o governo utilizará esse dinheiro após o envio.

“É difícil identificar qualquer precedente histórico para esse tipo de acordo”, disse Sarah Kreps, professora de direito e diretora do Instituto de Política Tecnológica da Escola Brooks de Política Pública da Universidade Cornell.

E a segurança nacional?

Nos últimos anos, o governo norte-americano tem buscado restringir o acesso da China à tecnologia avançada dos EUA em um esforço para desacelerar seu progresso em IA e permitir que os Estados Unidos se mantenham no topo.

Mas a reversão da Casa Branca nos controles de exportação pode ser um reconhecimento de que a China está avançando em IA de qualquer maneira, então as empresas norte-americanas podem muito bem ser autorizadas a se beneficiar.

Isso também pode dar aos EUA outra forma de aumentar a receita para o governo, junto com as tarifas.

“Parece que houve alguma vacilação dentro da administração sobre e em relação à China, e acho que isso reflete a divisão interna dentro da administração entre os falcões da China e os pragmáticos econômicos”, disse Kreps. “Parece que, cada vez mais, os pragmáticos econômicos estão prevalecendo.”

Essa abordagem se alinharia com os argumentos de Huang, da Nvidia, que tem dito que restringir as vendas de chips de IA é ruim para a segurança nacional dos EUA.

Os desenvolvedores chineses poderiam simplesmente minar a liderança norte-americana criando suas próprias alternativas se não puderem comprar tecnologia do país, segundo Huang, que se reuniu com Trump repetidamente nos últimos meses.

A Casa Branca concorda com o CEO, acreditando que é melhor ter a China vinculada a um chip fabricado nos EUA vendido por canais legítimos do que forçá-la ao mercado negro, disse um funcionário do governo. Os chineses têm conseguido subverter os canais existentes para obter chips restritos de qualquer maneira.

Por que Trump está cobrando 15%?

Grandes questões permanecem sobre onde surgiu a ideia da comissão de 15% e o que isso poderia significar para a segurança nacional.

Um funcionário do governo disse que o pagamento permite que a administração mantenha o controle do processo de exportação e gere receita para a Casa Branca no processo.

Ainda assim, não está claro se a penalidade para Nvidia e AMD efetivamente limitará o fluxo dos chips ou eliminará quaisquer possíveis questões de segurança nacional.

“Se existe uma preocupação legítima de segurança nacional sobre a exportação desses chips para a China, então não vejo como os pagamentos ao governo dos EUA resolvem esses riscos. Na verdade, não resolvem de forma alguma”, disse Scott Kennedy, consultor sênior e presidente do conselho em negócios e economia chinesa no CSIS (Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais).

“E se não houver risco suficiente à segurança nacional ou se eles puderem ser adequadamente mitigados […] então o governo dos EUA deveria simplesmente sair do caminho e não esperar nada em troca.”

O que isso significa para a Nvidia?

A Nvidia lançou o chip H20 no ano passado como uma forma de manter acesso ao mercado chinês — que representou 13% das vendas da empresa em 2024 — diante dos controles de exportação impostos pela administração Biden.

Mas acredita-se que os chips tenham contribuído para o DeepSeek, um modelo avançado de IA chinês que abalou o Vale do Silício após seu lançamento no início deste ano, levantando preocupações de que a China estaria mais à frente em IA do que se pensava anteriormente.

Depois que a administração Trump proibiu as vendas do H20 para a China em abril, a Nvidia disse que teve bilhões de dólares em encargos e perda de receita devido aos controles de exportação no primeiro trimestre e projetou um resultado semelhante no segundo trimestre.

Assim, mesmo que tenha que repassar 15% dessas vendas para a Casa Branca, retomar os envios do H20 para a China poderia significar bilhões de dólares a mais em receita para a Nvidia — que se tornou a primeira empresa de capital aberto a ultrapassar US$ 4 trilhões em valor de mercado no mês passado.

As ações da Nvidia subiram até 0,5% na segunda-feira (11).

Qual a importância desses chips?

Na segunda-feira (11), Trump chamou o chip H20 da Nvidia de “obsoleto”, dizendo que a China “já o possui em uma forma diferente.”

“Esses H20s ainda são estado da arte”, disse Kennedy do CSIS. Embora sejam menos avançados, em alguns aspectos, do que outros chips da Nvidia, “eles também vêm com elementos que os tornam extremamente sofisticados e valiosos”, incluindo suas capacidades de memória.

“Acho que sugestões de que eles são obsoletos subestimam o valor para o usuário”, disse ele.

A Nvidia provavelmente considerou que há demanda chinesa suficiente pelos chips para tornar a comissão de 15% para a Casa Branca uma compensação válida para seus negócios, segundo Kreps.

“Você tem que fazer um cálculo baseado no que foi perdido com os controles de exportação”, disse ela.

Trump aprovará chips mais avançados?

Na segunda, Trump deixou em aberto a possibilidade de a Nvidia exportar seus chips Blackwell de altíssimo desempenho por um preço mais alto.

A administração do republicano havia fechado as portas para a exportação dessa tecnologia para a China — mesmo após reverter o curso sobre o H20.

No entanto, Trump disse que consideraria permitir que a Nvidia vendesse o chip Blackwell.

“O Blackwell é superultraavançado. Eu não faria um acordo com isso, embora seja possível”, disse Trump. “Eu faria um acordo um pouco aprimorado de forma negativa. Blackwell, em outras palavras, tirar 30% a 50% dele, mas esse é o último e o melhor do mundo. Ninguém tem isso. Eles não terão por cinco anos.”

Trump disse que Huang voltará à Casa Branca no futuro para discutir a venda de uma versão “não aprimorada” do Blackwell.

“Acho que ele virá me ver novamente sobre isso, mas será uma versão não aprimorada do grande”, disse Trump. “Sabe, às vezes vendemos aviões de caça para um país e damos a eles 20% menos do que temos.”

O que a China quer?

Questionamentos de Pequim sobre a segurança dos chips de IA americanos também levantam incertezas sobre quão bem-sucedida a política de comissão de Trump poderia ser.

A China pode optar por não comprar os chips H20 da empresa americana Nvidia, disse no domingo (10) a conta de mídia social Yuyuan Tantian, que é afiliada à emissora estatal CCTV.

Ela alegou que os chips poderiam ter “backdoors” que afetam sua função e segurança, seguindo alegações similares anteriores da administração de cibersegurança da China.

A Nvidia tem negado repetidamente que seus produtos possuam backdoors.

No entanto, essa declaração pode ser menos uma indicação de que a China não comprará chips americanos e mais um sinal para as empresas de tecnologia chinesas continuarem inovando em semicondutores, mesmo se os envios dos EUA forem retomados, disse Kennedy.

O que isso significa para um acordo comercial mais amplo?

Para a administração Trump, a análise de custo-benefício indica que isso abre o fluxo de chips de médio porte para a China, ao mesmo tempo em que fornece à administração uma importante moeda de troca nas negociações comerciais em andamento, disse um funcionário dos EUA.

O Secretário do Tesouro, Scott Bessent, classificou os controles de exportação da Nvidia como uma “moeda de negociação” nas discussões comerciais mais amplas entre EUA e China.

Mas a China está ciente disso, e seu posicionamento sobre supostas preocupações de segurança com o chip H20 neste fim de semana sugere que não será convencida tão facilmente — mesmo que deseje os chips para seu mercado.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior

Países árabes querem comprar mais produtos do Brasil após tarifaço dos EUA

A pesquisa traz os volumes de importação desses itens pelos países árabes, os principais países árabes importadores dos itens e potenciais destinos substitutos na exportação

Países árabes querem comprar mais produtos do Brasil como alternativa ao tarifaço dos Estados Unidos. Um estudo realizado pela Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, antecipado com exclusividade ao Broadcast Agro (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), mapeou os produtos mais afetados pelo tarifaço de 50% que entrou ontem (6) em vigor sobre produtos brasileiros vendidos ao mercado americano.

A pesquisa traz os volumes de importação desses itens pelos países árabes, os principais países árabes importadores dos itens e potenciais destinos substitutos na exportação. As oportunidades concentram-se sobretudo na comercialização de produtos do agronegócio brasileiro aos 22 países da Liga Árabe.

O diagnóstico do estudo apontou para 13 produtos entre os principais exportados pelo Brasil para os Estados Unidos dos últimos cinco anos, que poderiam ser exportados ou aumentar as vendas já existentes para o mercado árabe. Para cada produto, a Câmara Árabe sugere três países promissores para importação dos itens brasileiros.

Um dos produtos com potencial de ser mais exportado aos países árabes é o café verde. O Brasil exportou US$ 513,83 milhões em café não torrado para o mercado árabe em 2024, ante vendas de US$ 1,896 bilhão para os Estados Unidos. A câmara aponta potencial de expansão das vendas de café verde para Arábia Saudita, Kuwait e Argélia. No caso da Arábia Saudita, dos US$ 400 milhões importados em 2024 de café pelo país, apenas US$ 49 12 milhões foram provenientes do Brasil, havendo portanto espaço para crescimento da participação brasileira.

Já em carne bovina, Egito, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita são países que podem ampliar as compras da proteína brasileira. No caso do Egito, dos US$ 927,12 milhões importados de carne bovina pelo país em 2024, apenas US$ 273,07 milhões são da proteína brasileira. No último ano, o Brasil exportou US$ 1 211 bilhão de carne bovina para os países árabes ante US$ 885 milhões exportados aos Estados Unidos.

Em outra ponta, há produtos que são exportados pelo Brasil aos Estados Unidos mas ainda não vendidos aos países árabes e com potencial de pequena absorção, caso dos produtos semimanufaturados de ferro ou aço e madeira de coníferas. Bulldozers e angledozers e carregadoras e pás carregadoras são itens com importação elevada pelos países árabes, mas ainda com exportação incipiente do Brasil, ou seja, com espaço para crescimento das vendas brasileiras ao mercado árabe.

No caso do café não torrado, por exemplo, ele pode chegar aos países árabes com tarifa zerada, enquanto os Estados Unidos cobrarão 50% sobre o produto brasileiro. Na carne bovina congelada, as alíquotas árabes variam de zero a 6%, ante os 50% do mercado norte-americano. O açúcar chega no mercado árabe com tarifa de zero a 20% ante 50% cobrados pelos EUA. Produtos semimanufaturados de ferro e aço estão sujeitos à alíquota de 50% dos Estados Unidos, enquanto no mercado árabe a taxa varia de zero a 12%. Petróleo refinado, que está entre os principais produtos exportados do Brasil aos EUA, tem tarifa de 50% para entrar no mercado americano em comparação com 5% de cobrança nos países da Liga Árabe, aponta o estudo.

São dois objetivos, segundo a câmara: mitigar os impactos da nova tarifa dos Estados Unidos (sobretaxa de 40% em adicional à alíquota de 10% em vigor desde 5 de abril) e ampliar a parceria comercial do Brasil com os países árabes. Para chegar nos resultados, a câmara cruzou os 20 principais produtos exportados pelo Brasil aos Estados Unidos, os principais destinos consumidores destes itens no mercado árabe e análise tarifária, considerando apenas os produtos que ficaram sujeitos à alíquota cheia de 50% e não foram excetuados.

Há demanda crescente dos países árabes pelos produtos brasileiros com redução tarifária, com alíquotas que variam de zero a 30%, avalia a Câmara Árabe. Esses fatores somados à escalada tarifária dos Estados Unidos podem ser vistos como oportunidades para redirecionar e ampliar os fluxos comerciais das exportações brasileiras, observa a câmara. “Os países árabes têm crescimento populacional e econômico acima da média mundial, tem população jovem e o Brasil é um importante provedor para a segurança alimentar de lá”, observa Mohamad Mourad, secretário-geral da Câmara. Para ele, o mercado árabe deve, portanto, estar nas prioridades das empresas e do governo nas estratégias de redirecionamento dos produtos que deixarão de ser exportados aos Estados Unidos.

Não há uma estimativa de quanto que poderia ser redirecionado aos países árabes, mas parte pode ser absorvida pelo mercado árabe ainda este ano, projeta Mourad. “O estudo aponta para crescer paulatinamente o comércio, mas em alguns produtos pode haver demanda imediata. Carne bovina e café são produtos com potencial de rápida colocação nos países árabes, podendo colher resultados rápidos, embora 100% do que seria exportados aos Estados Unidos seja absorvido”, explicou. Para isso, o setor produtivo e as empresas terão que ser proativos, avalia.

Histórico

Em 2024, o Brasil exportou o recorde de US$ 23,68 bilhões para os países árabes, com superávit para o lado brasileiro de US$ 13 50 bilhões. Emirados Árabes Unidos, Egito e Arábia Saudita lideram as importações de produtos nacionais. Para este ano, a expectativa é de estabilidade a leve crescimento nas vendas externas do Brasil à Liga Árabe.

Produtos do agronegócio predominam na pauta brasileira de exportação ao bloco, respondendo por 76% dos embarques no último ano. Os itens mais vendidos ao mercado árabe são açúcar, frango, minério de ferro, milho e outros cereais e carne bovina. O Brasil é o principal fornecedor de gado, carne suína, carne de frango, milho, soja em grãos, amendoim, gordura de bovino, ceras vegetais, açúcar, suco de laranja congelado, tabaco brut, minério de ferro, minério de alumínio, celulose, ferro gusa bruto (usado para produção de aço) e resíduos de estanho (usado para fabricação de ligas metálicas) para o mercado árabe, mostra o estudo.

A câmara ressalta que há complementaridade na pauta comercial do Brasil com países árabes, além de alíquotas menores em uma gama de produtos. O País importa sobretudo do mercado árabe petróleo e fertilizantes e exporta commodities agrícolas e alimentos. “É preciso levar a ideia do Brasil como um fornecedor confiável, com menor custo benefício ao importador com preço competitivo e qualidade. O tema da segurança alimentar é muito sensível aos países árabes”, lembrou Mourad. Ele afirma que o custo do frete, apesar da logística dificultada, não é um impeditivo para as compras.

Além das questões de negócios, a câmara reforçará com o governo a identificação dos países árabes com o Brasil e a relação histórica de mais de um século entre os mercados. “Não tenho duvidas de que país a país vai escolher mais pelo Brasil não somente em alimentos, mas nos mais diversos produtos”, pontuou o secretário-geral da câmara.

Entre os países que carecem de “atenção especial” do setor privado brasileiro para expansão do fluxo comercial, a Câmara Árabe cita Egito, Argélia, Iraque e Líbia. “O Egito, pelo fato de ter acordo comercial vigente com o Mercosul, continua sendo um parceiro muito importante e o acordo facilita as exportações” observa Mourad. “Líbia e Iraque, por sua vez, gozam de certa estabilidade e têm economias ligadas à exploração do petróleo, o que mostra liquidez e apetite para comprar. Já a Argélia é um país com mais de 40 milhões de habitantes, exporta petróleo, importante consumidor de bens, porém com altas tarifas para importação que precisam ser negociadas”, observou o secretário-geral da Câmara.

Plano de trabalho

A Câmara Árabe sugere ainda ao governo brasileiro um escopo de ações para fomentar a exportação brasileira aos países árabes. As ações são divididas em três frentes: sensibilização, diversificação de comércio e facilitação.

O plano prevê ações coordenadas entre a Câmara Árabe, empresas brasileiras e o governo brasileiro para maximizar o redirecionamento de fluxos comerciais e explorar searas de crescimento. As principais áreas incluem a promoção comercial de produtos com alta atratividade tarifária e demanda no mercado árabe, o apoio à adaptação de empresas brasileiras às exigências locais (como a certificação halal) e o fortalecimento de acordos comerciais e diplomáticos. Medidas como a facilitação de vistos de negócios para empresários brasileiros e árabes para países como Arábia Saudita, Argélia, Catar e Kuwait; organização de missões comerciais e atração de investimento aos países árabes e islâmicos são ações práticas sugeridas.

A Câmara Árabe ressalta a necessidade ainda de o Mercosul fechar acordos de livre comércio com países árabes. Há negociações em andamento com Tunísia, Marrocos, Jordânia, Líbano e com o próprio Conselho de Cooperação do Golfo. Como exemplo, a câmara cita o acordo comercial entre Egito e Mercosul, firmado em 2010. “Desde lá, as exportações brasileiras ao Egito quase dobraram”, apontou Mourad. Hoje as tratativas mais avançadas são com os Emirados Árabes Unidos.

Na avaliação de Mourad, tanto os países árabes quanto o Brasil têm de aproveitar também o bom momento das relações entre o governo brasileiro e o mercado árabe. “O governo sabe trabalhar muito bem essa região, enxerga o peso econômico e o potencial de consumo e respeita a importância do mundo árabe”, pontuou.

Fonte: InfoMoney

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Negócios

Azul anuncia encerramento de operações em 13 cidades e ajustes em rotas

Medidas atoadas pela companhia aérea buscam a recuperação financeira da operação

A Azul anunciou a interrupção de voos em 13 cidades, cortando ao todo 53 rotas que apresentam baixa rentabilidade. Essa iniciativa faz parte de um plano de reestruturação da empresa, que está em processo de recuperação judicial nos Estados Unidos desde maio deste ano.

A companhia ainda não revelou quais localidades serão afetadas nem as rotas que serão descontinuadas. O foco da Azul será concentrar suas operações nos aeroportos estratégicos de Viracopos (Campinas), Confins (Belo Horizonte) e Recife, conhecidos como hubs, para otimizar a conectividade e reduzir a dependência de múltiplas conexões.

Além da redução da malha aérea, a Azul pretende diminuir sua frota em cerca de um terço e ajustar os preços das passagens para aumentar a receita. A meta é alcançar uma ocupação média de 83% nos voos, o que deve contribuir para a recuperação financeira da empresa.

O plano também inclui melhorias no atendimento a bordo, buscando oferecer uma experiência mais satisfatória aos passageiros. A empresa está reforçando suas fontes de receita, incluindo a cobrança por bagagens despachadas.

Para viabilizar essas mudanças, a Azul está negociando um financiamento de US$ 1,6 bilhão, que ajudará a reduzir sua dívida em mais de US$ 2 bilhões. A expectativa é que o processo de recuperação judicial seja concluído até fevereiro de 2026, momento em que a companhia espera estar em uma posição financeira mais estável.

Fonte: InfoMoney

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Comércio Exterior

Reunião virtual entre Consulado dos EUA e FIESC avalia impactos do tarifaço

Federação destacou setores mais afetados, especialmente os de madeira e móveis, que pagarão a taxa de 50% e perderão o mercado norte-americano se as tarifas não forem revertidas, com graves consequências sociais em SC

Em encontro virtual realizado na manhã desta quinta-feira (7), a Federação das Indústrias de SC (FIESC) e o Consulado-Geral dos Estados Unidos em Porto Alegre, responsável pelas relações bilaterais com Santa Catarina, discutiram os impactos mútuos das tarifas aplicadas pelo governo norte-americano.

A FIESC apresentou ao cônsul-geral, Jason Green, os principais produtos exportados pelo estado, com os potenciais reflexos tanto para os exportadores, que podem perder negócios, quanto ao mercado norte-americano, que pode enfrentar alta de preços nas importações.

No encontro, a entidade também apresentou o resultado da pesquisa realizada com indústrias exportadoras catarinenses sobre os efeitos da elevação das tarifas.

O presidente eleito da FIESC, Gilberto Seleme, que é empresário do setor madeireiro, destacou as particularidades da cadeia florestal, lembrando que indústrias catarinenses se especializaram para atender as especificidades do mercado norte-americano e que as tarifas já estão gerando a transferência de empregos do Brasil para a Ásia. “As taxas nos tiram da competição”, resumiu.

As informações serão repassadas à Embaixada norte-americana em Brasília e às partes interessadas em Washington.

Em outra frente, a FIESC segue discutindo com o governo do estado as medidas de apoio aos setores afetados, previstas para serem anunciadas na próxima semana.

Fontes:
Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina – FIESC
Gerência de Comunicação Institucional e Relações Públicas

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Comércio Exterior

5 empresas que já sofrem graves perdas com o tarifaço de Trump contra o Brasil

Dificuldade para redirecionar mercadorias, redução de vendas e risco de demissões tiram o sono de negócios que vendem para os Estados Unidos

A entrada em vigor do tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil, na quarta-feira, 6, já causa prejuízos palpáveis – e, em muitos casos, dramáticos – para empresas que exportam seus produtos para lá. Os impactos são vistos em diversos setores – do agronegócio aos fabricantes de máquinas e equipamentos – e atingem negócios de todos os portes – de pequenas empresas a gigantes da economia brasileira.

A inclusão de quase 700 itens na lista de exceções representa um alívio para cerca de 40% das exportações do Brasil para o mercado americano, mas uma série de negócios foram atingidos em cheio. É o caso, principalmente, do agronegócio, uma vez que pescados, carne bovina, frutas e café estão entre os produtos que agora pagam uma tarifa de 50% para entrar no mercado norte-americano.

Produtos produzidos sob medida para os EUA, atendendo a requisitos específicos desse mercado, também estão entre os grandes perdedores. Veja algumas empresas de diferentes portes e áreas de atuação que já enfrentam fortes impactos em suas operações:

Frescatto

Fornecedora de peixes e lagostas congeladas para os Estados Unidos, a Frescatto correu para despachar o máximo de mercadoria possível antes da entrada em vigor do tarifaço — um movimento que custou caro para a empresa. Em uma das vendas que estava em andamento em julho, a Frescatto teve que oferecer um desconto de 40% ao comprador americano para salvar o negócio. A companhia absorveu todo o impacto negativo e saiu no prejuízo nesse caso. Novas condições de venda foram negociadas com fornecedores e clientes da empresa, de modo que cada um vai absorver uma parte do impacto, mas a expectativa é de queda expressiva nas vendas aos EUA. “Estamos fazendo testes com volumes muito menores”, diz Rafael Barata, diretor de comércio exterior da Frescatto. A empresa busca  agora mercados alternativos ao americano para preservar sua frente de exportação. Diversificar destinos leva tempo, mas se mostra necessário. “Nossa visão é que a tarifa inviabiliza as vendas aos EUA no longo prazo”.

Ibacem

A Ibacem é a maior exportadora brasileira de mangas para os Estados Unidos. A empresa familiar foi fundada em 1986, em Juazeiro (BA), e é um caso de sucesso da agricultura do Vale do São Francisco. Recentemente, tem exportado mais de 16 milhões de toneladas de manga anualmente para diversos países. Apesar da manga ser uma commodity, não é tão fácil direcionar o produto que seria vendido aos americanos para outras regiões, já que o volume é muito grande, de modo que a colheita que começa neste mês de agosto e termina em outubro, a princípio, seria quase toda direcionada ao país. O envio nessa escala está totalmente inviabilizado pela taxação. “Vamos embarcar um volume mínimo para os Estados Unidos”, diz Nelson Costa Filho, presidente da Ibacem. O executivo conta que o tarifaço gera um desequilíbrio geral nos preços, pois as frutas que serão redirecionadas para outros mercados como o europeu criarão uma sobreoferta, agravando os prejuízos.

Soul Brasil

A produtora de geleias, pimentas e molhos Soul Brasil Cuisine tinha grandes planos para os Estados Unidos, mas eles foram frustrados pelo tarifaço — e a empresa colhe o prejuízo. A Soul abriu um escritório no país de Trump no início do ano para começar a operar por lá. A ideia era enviar um primeiro carregamento de 50 000 dólares neste mês de agosto, mas a ação foi suspensa. “Conseguimos revender uma parte da carga para a Holanda, enquanto a outra parte simplesmente deixará de ser produzida”, diz Peter Feddersen, sócio da empresa. Os americanos não vão ter amplo acesso às geleias de frutas típicas brasileiras tão cedo. Segundo a Associação Nacional da Micro e Pequena Indústria (Simpi), cerca de 3 000 de suas empresas associadas exportam diretamente para os Estados Unidos — e a maioria delas está reportando cancelamentos de encomendas, segundo o presidente do Simpi, Joseph Couri. “Nossa orientação é que negociem ao máximo com seus clientes para manter as vendas sem perder dinheiro e que, ao mesmo tempo, busquem outros mercados”, diz.

Leardini Pescados

Apesar da Leardini Pescados vender seus produtos para diversos países, redirecionar parte das exportações agora taxadas pelos Estados Unidos não é uma tarefa fácil. Os americanos têm uma alta demanda por produtos como lagosta e atum, de preço mais elevado, o que restringe a busca por outros compradores. O mercado brasileiro não tem capacidade de absorver a oferta, o que é a principal preocupação da empresa catarinense. O sócio Attilio Leardini alerta para uma possível perda de empregos “de proporções monumentais” no setor se nada mudar no médio prazo. A Associação Brasileira das Indústrias de Pescado (Abipesca), que representa 90% das exportações nacionais do produto, incluindo as da Leardini, compartilha da mesma preocupação e pede que o governo federal ajude o setor. “(Uma linha de crédito emergencial) é crucial para evitar um colapso imediato e dar fôlego até que se encontre uma solução duradoura”, disse a associação em um comunicado.

Forbal

A confiança que o setor privado depositou nos Estados Unidos ao longo de décadas agora cobra um preço alto de muitos negócios. A gaúcha Forbal, que fabrica peças para tratores e máquinas agrícolas, tem boa parte da produção feita sob medida para o mercado americano, inviabilizando a revenda para outras regiões em meio ao tarifaço. A empresa ainda tenta vender as peças, mas a taxação dificulta acordos. “Alguns clientes americanos perderam o interesse em negociar conosco, devido ao aumento do custo”, diz Giuliano Santos, presidente da Forbal. A empresa dobrou a aposta nos Estados Unidos ao inaugurar um centro de distribuição em Tampa, no estado da Flórida, em março deste ano — menos de um mês antes de o presidente americano, Donald Trump, anunciar tarifas recíprocas contra uma série de países e, três meses depois, a alíquota elevadíssima contra o Brasil. Antes da guinada protecionista, a Forbal queria aumentar a participação de suas exportações no faturamento de 14% para 50% em três anos. A estratégia teve que ser totalmente reavaliada.

Fonte: Veja

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