Transporte

Transporte marítimo de granéis sólidos registra maior recuperação desde a pandemia

O transporte marítimo de granéis sólidos apresenta em 2026 o avanço mais consistente desde o período da pandemia. O movimento de recuperação alcança diferentes segmentos do mercado, incluindo Capesize, Panamax e Supramax, segundo análise da BRS Dry Bulk.

O Baltic Dry Index (BDI) chegou a superar a marca de 3.500 pontos e permaneceu próximo — e, em alguns momentos, acima — dos 3.000 pontos nos últimos meses.

Para a consultoria, o desempenho acumulado ao longo do ano tem sido positivo, faltando menos de quatro meses para o encerramento de 2026. O BDI é formado pelo BCI Capesize, com peso de 40%, pelo BPI Panamax, responsável por 30%, e pelo BSI Supramax, também com participação de 30%.

Demanda sustenta avanço do mercado de granéis

Parte da valorização do mercado foi relacionada a eventos que provocaram disrupções no transporte marítimo, como as ocorridas no Estreito de Ormuz e a congestionamento do Canal do Panamá.

A BRS Dry Bulk, no entanto, aponta que fatores estruturais também contribuíram para o desempenho dos navios graneleiros.

No segmento Capesize, dados da AXSMarine indicam que as toneladas-milha acumuladas por embarcações com capacidade superior a 160 mil dwt ficaram bem acima dos níveis observados em anos anteriores.

Outro destaque foi a ausência das correções sazonais normalmente registradas em abril e julho. Segundo a análise, o comportamento indica uma demanda subjacente mais resistente.

Esse cenário levou a rota de referência C5TC, calculada com base em um navio de 180 mil dwt, a registrar média próxima de US$ 40 mil por dia em agosto.

Minério de ferro da África Ocidental ganha espaço

O desempenho dos Capesize também está relacionado ao aumento das exportações de minério de ferro provenientes da África Ocidental.

A Guiné embarcou 10 milhões de toneladas entre janeiro e agosto, enquanto no mesmo período de 2025 os volumes eram praticamente inexistentes. Serra Leoa e Libéria movimentaram, respectivamente, 9,2 milhões e 10,7 milhões de toneladas.

Com esses resultados, os embarques da região superaram os volumes originados na África do Sul.

As maiores distâncias entre os produtores da África Ocidental e os compradores asiáticos aumentam a importância da região para as viagens de longa distância realizadas pelos navios Capesize.

A BRS Dry Bulk também destaca a entrada em operação do Wontanara, primeiro de cinco navios de transbordo construídos para a SimFer. A expectativa é que as embarcações contribuam para reduzir gargalos logísticos à medida que a produção da mina de Simandou avance.

Carvão impulsiona segmentos Panamax e Kamsarmax

Nos mercados de Panamax e Kamsarmax, o carvão ganhou participação ao longo do ano. Entre janeiro e agosto, os dois segmentos transportaram juntos 382,9 milhões de toneladas, alta de 5,4% em relação ao mesmo período anterior.

O crescimento ficou acima da expansão de 1,9% registrada pelo comércio marítimo global de carvão.

De acordo com a BRS Dry Bulk, a aceleração observada em maio e junho coincidiu com preços mais elevados do gás, aumento da demanda por refrigeração, redução da geração hidrelétrica em algumas regiões asiáticas e interrupções temporárias na produção de minas chinesas.

O transporte de grãos dos Estados Unidos para a China também contribuiu para alterar a dinâmica do mercado. Parte desses carregamentos evitou as rotas pelo Canal do Panamá e Canal de Suez, ampliando a utilização de navios de médio porte em viagens mais longas.

China amplia participação no Pacífico

O mercado de graneleiros com equipamentos de carga, conhecidos como geared bulk carriers, também apresentou mudanças no Pacífico. As embarcações desse segmento têm capacidade entre 25 mil e 68 mil dwt.

Entre janeiro e agosto, a China movimentou 120,9 milhões de toneladas, superando os 104 milhões de toneladas da Indonésia, que tradicionalmente ocupa posição de destaque na geração de cargas para esses navios na região.

O cenário ainda inclui o crescimento dos embarques de carvão russo para portos do Extremo Oriente e o avanço das cargas agrícolas provenientes do Canadá e dos Estados Unidos.

Somente os embarques agrícolas desses dois países chegaram a 20,89 milhões de toneladas, crescimento de 23% na comparação anual.

Mercado ganha distribuição geográfica mais equilibrada

Na avaliação da BRS Dry Bulk, a combinação desses fluxos está modificando a distribuição das cargas no Pacífico.

O aumento da atividade na China, no Extremo Oriente russo e no Pacífico Norte amplia as oportunidades de transporte para os graneleiros e reduz a dependência do mercado em relação à Indonésia, tradicionalmente concentrada como principal origem de cargas na região.

Esse movimento contribui para uma base de cargas mais distribuída geograficamente e reforça a recuperação do mercado de transporte marítimo de granéis sólidos em 2026.

FONTE: Mundo Marítimo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Mundo Marítimo

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Transporte

Mercado de afretamento de navios segue aquecido com demanda elevada e oferta restrita

O mercado de afretamento de navios porta-contêineres continua registrando desempenho positivo, sustentado pela forte procura por embarcações em praticamente todas as faixas de capacidade. A avaliação consta na mais recente análise da consultoria Alphaliner, especializada no setor de transporte marítimo.

Escassez de embarcações limita novos contratos

Apesar da demanda aquecida, a baixa disponibilidade de navios segue sendo um dos principais obstáculos para a ampliação das negociações. A restrição é mais evidente entre embarcações com capacidade superior a 3.000 TEUs, reduzindo o número de novos contratos fechados.

Nas últimas semanas, o cenário também foi influenciado por uma desaceleração temporária das atividades comerciais devido à realização da feira Posidonia, em Atenas, considerada um dos eventos mais relevantes da indústria marítima global.

Segmento de menor porte concentra negociações

Com a oferta limitada de grandes embarcações, os contratos têm se concentrado principalmente nos navios com capacidade inferior a 2.000 TEUs, onde há maior disponibilidade no mercado.

Ao mesmo tempo, os contratos de longo prazo continuam escassos. O movimento reflete uma postura mais cautelosa das empresas de navegação diante das incertezas que ainda cercam o setor de transporte marítimo internacional.

Taxas de afretamento permanecem em patamares elevados

Segundo a Alphaliner, as taxas de afretamento seguem em níveis considerados saudáveis e relativamente estáveis na maior parte dos segmentos.

Em alguns casos, navios com características diferenciadas ou posicionados em regiões estratégicas conseguiram obter valores acima da média do mercado, estabelecendo novos referenciais para determinadas categorias de embarcações.

Falta de navios reduz movimentação entre os VLCS

No segmento dos navios VLCS (Very Large Container Ships), com capacidades entre 7.500 e 13.000 TEUs, não houve registro de novos contratos nas últimas duas semanas.

De acordo com a consultoria, a ausência de negociações não está relacionada à falta de interesse por parte dos operadores, mas sim à escassez de embarcações disponíveis para entrega imediata.

GSL encomenda dez novos porta-contêineres de médio porte

Entre os navios do segmento LCS (5.300 a 7.499 TEUs), também não foram identificadas novas operações de afretamento. No entanto, o mercado foi movimentado pela informação de que a armadora Global Ship Lease (GSL) encomendou a construção de dez novos navios porta-contêineres.

As embarcações deverão ser entregues entre 2028 e 2030 e, segundo estimativas da Alphaliner, serão construídas na China, com capacidade superior a 6.000 TEUs e estrutura voltada para o transporte de cargas refrigeradas.

Ainda de acordo com a consultoria, os navios já teriam contratos de afretamento assegurados por aproximadamente sete anos, possivelmente junto à MSC.

Mercado Panamax registra apenas uma nova contratação

A atividade também permaneceu limitada entre os navios Panamax clássicos, com capacidade entre 4.000 e 5.299 TEUs.

Nas duas últimas semanas, foi registrado apenas um novo contrato envolvendo um navio recém-construído de 4.600 TEUs. A embarcação teria sido contratada para uma operação de curto prazo, com remuneração na faixa inferior de US$ 60 mil por dia.

Perspectiva é de continuidade da oferta limitada

Para os próximos meses, a expectativa da Alphaliner é de que a disponibilidade reduzida de navios continue restringindo o volume de novas contratações.

Mesmo com a demanda por capacidade de transporte marítimo permanecendo forte, a limitação da oferta deverá seguir como fator determinante para o comportamento do mercado de afretamento.

FONTE: Mundo Marítimo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Transporte

Geopolítica transforma o transporte marítimo global e exige maior flexibilidade dos armadores

As crescentes tensões geopolíticas estão alterando profundamente a dinâmica do transporte marítimo internacional, impactando rotas comerciais, decisões de investimento, operações de frota e até a valorização de ativos do setor. O tema dominou os debates do TradeWinds Shipowners Forum, realizado durante a feira Posidonia, um dos principais eventos da indústria naval mundial.

Executivos do segmento destacaram que fatores como guerras, sanções econômicas, disputas comerciais e ameaças à segurança deixaram de representar apenas desafios operacionais e passaram a influenciar diretamente a estrutura dos mercados globais de navegação.

Mudanças nas rotas comerciais já são realidade

Segundo especialistas presentes no encontro, eventos como a guerra comercial entre Estados Unidos e China, a pandemia de Covid-19, o conflito entre Rússia e Ucrânia e os ataques no Mar Vermelho provocaram mudanças significativas nos fluxos globais de comércio.

Essas transformações levaram países e empresas a buscarem novos fornecedores e mercados. Como exemplo, a China ampliou suas compras de commodities do Brasil em substituição a parte das importações norte-americanas, enquanto a Europa reduziu sua dependência de produtos russos.

A mais recente crise no Oriente Médio também já afeta diretamente o setor. Estima-se que mais de 200 embarcações estejam enfrentando dificuldades operacionais na região do Golfo Pérsico, cenário que elevou custos e impactou a velocidade média dos navios de carga.

Custos, seguros e riscos aumentam para armadores

Embora alguns segmentos, como o de granéis sólidos, tenham registrado benefícios pontuais decorrentes das mudanças nas rotas comerciais, os desafios continuam crescendo.

Entre as principais preocupações estão o aumento dos custos de seguro marítimo, os riscos relacionados a sanções internacionais e as ameaças à segurança das tripulações e embarcações.

Representantes do setor afirmaram que o ambiente atual apresenta um grau de complexidade sem precedentes, exigindo respostas rápidas e estratégias cada vez mais adaptáveis.

Flexibilidade se torna fator decisivo para competitividade

Executivos de grandes empresas do setor destacaram que a velocidade das mudanças geopolíticas tem aumentado significativamente nos últimos anos.

Nesse cenário, a capacidade de adaptação passou a ser um diferencial competitivo. Ferramentas tecnológicas, contratos flexíveis e parcerias estratégicas vêm sendo utilizadas para responder rapidamente a alterações de mercado, mudanças regulatórias e restrições comerciais.

A avaliação predominante é que empresas mais ágeis terão melhores condições de enfrentar períodos de instabilidade e aproveitar oportunidades emergentes.

Relação entre Estados Unidos e China gera incertezas

Outro tema central do fórum foi a crescente disputa econômica entre Estados Unidos e China, considerada uma das principais fontes de incerteza para o comércio global.

Lideranças do setor relataram que decisões políticas e mudanças repentinas nas políticas tarifárias têm influenciado diretamente a escolha de embarcações, fornecedores e rotas de transporte.

Apesar das preocupações, parte dos especialistas acredita que os interesses econômicos continuarão prevalecendo, reduzindo a possibilidade de uma divisão definitiva entre os mercados ocidental e oriental.

Transporte marítimo passa a ser usado como ferramenta geopolítica

Os participantes também alertaram para um fenômeno cada vez mais evidente: a utilização do shipping internacional como instrumento de pressão política.

Ataques a navios comerciais, especialmente petroleiros, foram apontados como um dos principais fatores de preocupação para o setor. Além dos prejuízos operacionais, os episódios colocam em risco a segurança das tripulações e ampliam os custos das operações.

Diante desse cenário, algumas entidades do setor já recomendam cautela extrema em regiões consideradas de alto risco, como o Estreito de Ormuz.

Frota paralela preocupa autoridades e empresas

Outro desafio destacado foi o crescimento da chamada frota sombra, composta por embarcações que operam fora dos padrões regulatórios internacionais.

Segundo estimativas apresentadas durante o evento, cerca de 1.500 petroleiros estariam atuando nesse mercado paralelo, o que gera preocupações relacionadas à segurança marítima, proteção ambiental e concorrência desleal.

Executivos defendem maior fiscalização internacional para garantir condições equilibradas de competição entre os operadores que seguem as normas e aqueles que atuam à margem da regulamentação.

Gestão financeira ganha protagonismo

Além dos desafios operacionais, os armadores enfrentam um ambiente cada vez mais complexo para administrar riscos relacionados a sanções, mudanças regulatórias e restrições comerciais.

Especialistas alertam que cargas consideradas legais em determinado momento podem ser afetadas por novas medidas políticas em questão de horas, aumentando a exposição financeira das empresas.

Por isso, as recomendações mais recorrentes durante o fórum foram diversificação de negócios, fortalecimento da liquidez, disciplina financeira e gestão conservadora do endividamento.

Caixa robusto e diversificação são estratégias para o futuro

O consenso entre os líderes do setor foi claro: empresas com maior capacidade financeira e modelos de negócios flexíveis estarão mais preparadas para enfrentar a nova realidade do mercado marítimo.

Em um ambiente marcado por incertezas geopolíticas, a combinação entre gestão de riscos, diversificação de operações e forte posição de caixa tende a se tornar tão importante quanto a própria frota de navios.

FONTE: Splash 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Splash 247

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