Exportação

Cargill suspende exportação de soja do Brasil para a China após mudanças em inspeção

A Cargill interrompeu temporariamente suas operações de exportação de soja do Brasil para a China, após alterações no sistema de inspeção fitossanitária adotado pelo governo brasileiro. A informação foi confirmada pelo presidente da companhia no Brasil e responsável pelo Negócio Agrícola na América Latina, Paulo Sousa, em entrevista à Reuters.

Segundo o executivo, o novo modelo de fiscalização foi implementado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária após um pedido do governo da China, principal destino da soja brasileira.

Nova fiscalização dificulta embarques de soja

De acordo com a empresa, o reforço nas exigências fitossanitárias para exportação de soja tornou o processo de liberação das cargas mais complexo.

Na prática, o novo procedimento exige uma verificação mais detalhada da qualidade do grão antes do embarque, o que tem dificultado o cumprimento das normas pelos exportadores e atrasado a obtenção das autorizações necessárias para envio do produto ao mercado chinês.

Paulo Sousa afirmou que o modelo adotado atualmente é considerado pouco comum no comércio internacional de grãos, o que tem gerado incertezas operacionais para tradings e exportadores.

Empresa também suspende compra de soja no Brasil

Diante das dificuldades para realizar os embarques, a Cargill decidiu suspender temporariamente a compra de soja no mercado brasileiro.

A medida foi tomada porque a empresa enfrenta obstáculos para direcionar o produto ao seu principal destino global. A China é o maior importador de soja do mundo e também o principal cliente da produção brasileira.

A Cargill está entre as maiores empresas do setor responsáveis pela exportação de commodities agrícolas a partir do Brasil, especialmente soja e derivados.

Entidades do setor ainda não se pronunciaram

Procuradas para comentar o assunto, a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais, a própria Cargill e o Ministério da Agricultura ainda não haviam respondido aos questionamentos até a publicação da informação.

A situação gera preocupação no mercado, já que restrições logísticas ou sanitárias nas exportações de soja podem impactar diretamente o agronegócio brasileiro e a dinâmica do comércio internacional de grãos.

FONTE: CNN
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Adriano Machado

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Importação

Brasil deve importar 7,3 milhões de toneladas de trigo na safra 2025/26, projeta USDA

O Brasil deve manter elevado o volume de importações de trigo na safra 2025/26. De acordo com projeção do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o país deve comprar 7,3 milhões de toneladas do cereal no mercado internacional, praticamente o mesmo volume registrado na temporada anterior, quando as aquisições somaram 7,299 milhões de toneladas.

Mesmo com estoques iniciais considerados confortáveis, o mercado brasileiro segue dependente do trigo importado para equilibrar a oferta interna e atender à demanda da indústria moageira.

Estoques iniciais garantem abastecimento, mas não eliminam dependência externa

Segundo o USDA, o Brasil inicia a safra 2025/26 com estoques iniciais estimados em 2,687 milhões de toneladas. Esse volume contribui para a segurança do abastecimento, mas não reduz de forma significativa a necessidade de compras externas, especialmente diante do consumo elevado e da limitação da produção nacional.

Produção brasileira de trigo deve chegar a 7,7 milhões de toneladas

A produção nacional de trigo está projetada em 7,7 milhões de toneladas, mantendo patamar semelhante ao da safra anterior. Com esse volume, a oferta total do cereal no país deve alcançar cerca de 17,687 milhões de toneladas, considerando estoques iniciais, produção interna e importações.

Mesmo com avanços tecnológicos e expansão pontual da área cultivada, o Brasil segue entre os maiores importadores globais de trigo, já que a produção se concentra principalmente nas regiões Sul e Centro-Oeste, sem atender integralmente à demanda interna.

Exportações de trigo devem alcançar 2 milhões de toneladas

As exportações brasileiras de trigo também apresentam perspectiva de crescimento. O USDA estima que os embarques avancem de 1,894 milhão de toneladas em 2024/25 para 2 milhões de toneladas em 2025/26.

Esse desempenho é sustentado pela boa qualidade do grão nacional e pela demanda de países da América do Sul, que seguem como os principais destinos do trigo brasileiro.

Consumo interno segue estável e estoques finais aumentam

O consumo doméstico de trigo está projetado em 12,35 milhões de toneladas, refletindo a estabilidade do setor de moagem e a recuperação gradual do consumo de derivados como pães, massas e biscoitos.

Com esse cenário, os estoques finais devem atingir 3,337 milhões de toneladas ao fim da safra, volume superior ao da temporada anterior e considerado suficiente para manter o equilíbrio do mercado no curto prazo.

Perspectivas para o mercado brasileiro de trigo

As estimativas do USDA apontam para um cenário de estabilidade no mercado de trigo brasileiro em 2025/26. A combinação entre produção consistente, importações elevadas e consumo firme deve seguir moldando o setor.

Fatores como câmbio, custos de produção e competitividade frente ao trigo argentino — principal fornecedor externo — continuarão influenciando as decisões de compra e a dinâmica do mercado nacional.

FONTE: Portal do Agronegócio
TEXTO: Redação
IMAGEM: APPA – Paranaguá

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Internacional

Safra recorde de trigo na Argentina avança, mas qualidade gera alerta no Brasil

A safra de trigo da Argentina caminha para um recorde histórico na temporada 2025/26, com estimativas que variam entre 25,5 milhões e 27,7 milhões de toneladas, segundo projeções das bolsas de grãos do país. Apesar do volume expressivo, moinhos brasileiros acompanham o cenário com cautela diante das incertezas sobre a qualidade do cereal, especialmente nos teores de glúten e proteína, fatores essenciais para a indústria de panificação e massas.

Clima favorece produção, mas excesso de chuvas traz impactos

De modo geral, as condições climáticas foram favoráveis ao desenvolvimento das lavouras. A umidade bem distribuída contribuiu para o bom desempenho da cultura em grande parte do território argentino. No entanto, o sul do país enfrentou excesso de chuvas, que deixou cerca de 900 mil hectares submersos.

Ao todo, aproximadamente 4,3 milhões de hectares sofreram algum tipo de impacto, incluindo alagamentos, atrasos na semeadura, áreas que deixaram de ser fertilizadas e dificuldades logísticas. A situação também afetou outras culturas, como o milho, e limitou uma expansão ainda maior da área destinada ao trigo.

Colheita avança lentamente no Sul

Na região Sul, a colheita avançou pouco até o momento, alcançando cerca de 7% da área plantada. A maior parte das lavouras ainda se encontra na fase de enchimento de grãos. Mesmo assim, a expectativa é de produtividade média de 4,27 toneladas por hectare, resultado 22% superior à média dos últimos cinco anos.

Apesar do bom potencial produtivo, técnicos alertam para dificuldades no controle de doenças e para a lixiviação de nutrientes, provocada pelo excesso de umidade, fatores que podem impactar a qualidade final do trigo.

Área plantada cresce e colheita supera 60%

A área total cultivada com trigo na Argentina chegou a 6,7 milhões de hectares, crescimento de 6,3% em relação à safra anterior e de 6,7% acima da média quinquenal. Até o momento, a colheita já alcança 60,2% da área, concentrada principalmente nas regiões com ciclo mais adiantado.

Projeções seguem em revisão

Analistas do mercado não descartam uma produção ainda maior, caso o ritmo de colheita se intensifique e os rendimentos se confirmem nas áreas do Sul. A estimativa mais otimista aponta para 27,7 milhões de toneladas, volume inédito no país.

Mesmo com perspectivas positivas, o setor mantém cautela diante da variabilidade dos rendimentos e da necessidade de avaliar com mais precisão a qualidade do grão colhido nas regiões ainda pendentes.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Luiz Henrique Magnante / Embrapa

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