Transporte

Corredor marítimo verde: Brasil, Noruega e Holanda avançam em projeto inédito no Atlântico

Brasil, Noruega e Holanda deram mais um passo rumo à descarbonização do transporte marítimo internacional com a apresentação do primeiro estudo de viabilidade técnica e econômica para a criação de um corredor marítimo verde no Atlântico Sul. A proposta busca conectar o Brasil à Europa por meio de rotas operadas com combustíveis de baixa ou zero emissão de carbono.

O estudo foi apresentado na Embaixada da Noruega, em Brasília, e aponta caminhos para reduzir o impacto ambiental do transporte marítimo entre os países.

Transporte marítimo gera milhões de toneladas de CO₂

De acordo com o levantamento, as operações marítimas entre Brasil e Europa emitiram aproximadamente 4,7 milhões de toneladas de CO2 equivalente em 2023.

Somente nas rotas entre Brasil e Noruega, 88 viagens de grandes cargueiros foram responsáveis pela emissão de 116 mil toneladas de CO2e. A maior parte das emissões está relacionada ao transporte de commodities como soja, minério de ferro e celulose.

Estudo identifica três rotas prioritárias

O documento foi elaborado pela consultoria norueguesa DNV após mais de um ano de cooperação entre os governos envolvidos.

O estudo definiu três rotas consideradas estratégicas para implantação do corredor verde:

  • Vila do Conde (PA) – Karmøy (Noruega)
  • Santos (SP) – Rotterdam (Holanda)
  • Pecém (CE) – Rotterdam (Holanda)

A rota entre Vila do Conde e Karmøy concentra cerca de 66% das emissões bilaterais entre Brasil e Noruega, segundo os dados apresentados.

Já o corredor entre Pecém e Rotterdam deverá priorizar exportações de hidrogênio verde, amônia verde e ferro verde, alinhadas às metas ambientais da União Europeia.

Combustíveis verdes ainda elevam custos operacionais

O estudo analisou o uso de três alternativas de combustíveis sustentáveis para navegação:

  • Biodiesel (FAME)
  • Amônia verde
  • Metanol verde

Apesar do potencial de neutralização das emissões, operar embarcações com combustíveis verdes ainda apresenta custos superiores aos sistemas convencionais movidos a combustíveis fósseis.

Na rota entre Vila do Conde e Karmøy, por exemplo, o custo do biodiesel pode ficar 43% acima da operação tradicional entre 2026 e 2040. Já o metanol verde pode elevar os gastos em até 109%.

Por outro lado, o biodiesel aparece como alternativa mais viável no curto prazo, já que pode ser utilizado nos motores atuais sem necessidade de grandes adaptações.

Novas regras da IMO podem acelerar transição

A implementação do novo marco regulatório da Organização Marítima Internacional (IMO) deve impulsionar a adoção de combustíveis sustentáveis no setor naval.

O chamado IMO Net-Zero Framework prevê multas para embarcações que ultrapassarem limites de emissão de carbono, com penalidades que podem chegar a US$ 380 por tonelada de CO2e.

Segundo o estudo, essas regras tendem a reduzir gradualmente a diferença de custo entre combustíveis fósseis e opções sustentáveis ao longo dos próximos anos.

Brasil aposta em energia renovável e infraestrutura portuária

A parceria internacional se apoia nas características complementares dos três países envolvidos.

O Brasil entra no projeto com uma matriz energética majoritariamente renovável e portos estratégicos como Santos, Pecém, Itaqui, Açu, Rio Grande e Navegantes.

A Noruega contribui com tecnologia marítima avançada e experiência em soluções para navegação sustentável. Já a Holanda oferece a estrutura logística do porto de Rotterdam, considerado um dos maiores da Europa.

Falta de coordenação ainda é desafio para o setor

Especialistas envolvidos no projeto apontam que o principal obstáculo para a criação dos corredores verdes não está apenas nos investimentos, mas também na articulação entre governos, armadores, produtores e operadores portuários.

Entre as recomendações do estudo estão a formação de consórcios internacionais e contratos de longo prazo para dar segurança econômica aos investimentos em infraestrutura e novas embarcações.

O Ministério de Portos e Aeroportos também informou que o Brasil ainda precisa avançar na regulamentação específica para combustíveis sustentáveis voltados ao transporte marítimo.

Países preparam edital bilionário para pesquisa e inovação

Como parte da cooperação, Brasil, Noruega e Holanda estudam lançar ainda em 2026 um edital conjunto de pesquisa e desenvolvimento.

A iniciativa, em parceria com a Finep, poderá destinar cerca de R$ 450 milhões para projetos ligados a combustíveis verdes e tecnologias voltadas à descarbonização das rotas marítimas.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Logística

Brasil avança em corredor marítimo sustentável com Noruega e Países Baixos

O Brasil deu mais um passo na construção de um corredor marítimo sustentável entre a América do Sul e a Europa. A iniciativa foi debatida nesta segunda-feira (25), durante o workshop “Corredores verdes descarbonizados: traçando um caminho”, realizado na embaixada da Noruega, em Brasília.

O encontro reuniu representantes do Ministério de Portos e Aeroportos, autoridades da Noruega e dos Países Baixos, além de integrantes do setor produtivo e especialistas em logística e energia limpa. O objetivo é acelerar a criação de rotas marítimas com baixa emissão de carbono, utilizando tecnologias avançadas e combustíveis sustentáveis no transporte internacional.

Cooperação internacional mira descarbonização marítima

Durante a abertura do evento, o diretor de Programa de Políticas Setoriais, Planejamento e Inovação do Ministério de Portos e Aeroportos, Tetsu Koike, destacou que o Brasil já possui mecanismos regulatórios e financeiros capazes de apoiar projetos voltados à transição energética no setor marítimo.

Segundo ele, o desafio atual está na articulação entre governos, instituições e agentes econômicos para priorizar investimentos em embarcações, portos e terminais alinhados ao conceito de corredores verdes.

O embaixador da Noruega no Brasil, Kjetil Elsebutangen, reforçou a importância da cooperação internacional para reduzir as emissões no transporte marítimo global. De acordo com ele, estudos conjuntos já estão em andamento para identificar obstáculos técnicos e oportunidades estratégicas para o projeto.

Estudo aponta uso de combustíveis alternativos

Os participantes do workshop tiveram acesso a um estudo de viabilidade técnica que identifica rotas prioritárias entre Brasil e Europa. O levantamento também avalia a aplicação de combustíveis alternativos como biodiesel, amônia e metanol, considerados essenciais para a redução das emissões de gases de efeito estufa no setor naval.

A proposta prevê implementação gradual das soluções, considerando curto, médio e longo prazo para adaptação da infraestrutura portuária e das embarcações.

Brasil quer liderar produção de biocombustíveis

Na mesa-redonda sobre sustentabilidade, a coordenadora-geral de Sustentabilidade do Ministério de Portos e Aeroportos, Rafaela Gomes, afirmou que o Brasil reúne condições para assumir protagonismo global na produção e distribuição de biocombustíveis.

Segundo ela, os portos brasileiros estão sendo preparados para facilitar operações ligadas aos corredores sustentáveis e ampliar a integração logística com mercados internacionais.

A diretora da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Cristina Castro, também destacou os impactos econômicos e ambientais da redução das emissões de carbono. Para ela, diminuir a emissão de poluentes significa preservar recursos naturais e evitar perdas financeiras para a sociedade.

Porto de Santos receberá visita técnica internacional

A programação do encontro continua até quarta-feira (27), incluindo uma visita técnica ao Porto de Santos, em São Paulo.

A comitiva internacional irá conhecer projetos ligados à descarbonização portuária, combustíveis sustentáveis e iniciativas de transição energética desenvolvidas no complexo portuário. Estão previstas visitas a terminais e ao canal de navegação.

Parceria entre os países começou em 2025

A cooperação entre Brasil e Noruega teve início em 2025, após a assinatura de um memorando de entendimento no Ministério de Portos e Aeroportos. Desde então, equipes técnicas realizam reuniões periódicas para definir rotas e analisar estudos de viabilidade.

Recentemente, os Países Baixos passaram a integrar as discussões, consolidando uma parceria trilateral voltada ao desenvolvimento de um corredor marítimo descarbonizado entre o Brasil e a Europa.

Além dos governos envolvidos, representantes dos ministérios do Meio Ambiente e das Relações Exteriores, da Petrobras e empresas do setor produtivo participaram das discussões.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Sergio Frances/MPor

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Logística

Hyundai lança caminhões a hidrogênio na América do Sul com projeto inovador no Uruguai

A Hyundai deu início à operação da primeira frota de caminhões a hidrogênio na América do Sul, marcando um avanço relevante no transporte sustentável da região. O projeto está sendo implementado no Uruguai, com oito unidades do modelo Hyundai XCIENT Fuel Cell voltadas para a logística de madeira.

A iniciativa vai além da introdução dos veículos e aposta em um modelo integrado que inclui produção de hidrogênio verde, infraestrutura de abastecimento e uso final no mesmo ecossistema.

Modelo integrado impulsiona hidrogênio verde

O projeto faz parte do chamado Projeto Kahirós, conduzido por um consórcio local que reúne empresas de energia, logística e parceiros da montadora. A proposta envolve a construção de uma planta de eletrólise abastecida por energia solar, com capacidade estimada de produzir cerca de 77 toneladas de hidrogênio verde por ano.

Com investimento aproximado de US$ 40 milhões — financiado pelo Grupo Santander e com apoio da International Finance Corporation e de um fundo ligado à ONU — o projeto prevê operação contínua ao longo da próxima década.

A estratégia adota um modelo verticalizado, no qual a produção e o consumo do hidrogênio ocorrem no mesmo local, reduzindo custos logísticos e aumentando a eficiência do sistema.

Aplicação prática ainda depende de projetos estruturados

O uso de caminhões movidos a hidrogênio ainda está concentrado em operações específicas, com rotas bem definidas e demanda previsível. No caso uruguaio, a escolha da cadeia florestal atende a esses critérios, permitindo melhor planejamento da infraestrutura e controle de custos.

Diferentemente dos caminhões elétricos a bateria, que já avançam em modelos mais amplos, o hidrogênio ainda exige projetos estruturados para garantir viabilidade econômica e operacional.

Desempenho do Hyundai XCIENT Fuel Cell

O modelo utilizado na operação, o Hyundai XCIENT Fuel Cell, já está presente em mercados como Europa e América do Norte. O caminhão combina duas células de combustível que geram potência equivalente a 245 cv, alimentando um motor elétrico de 469 cv e torque de 2.237 Nm.

O sistema conta com dez tanques de armazenamento, com capacidade total de 68 kg de hidrogênio, além de uma bateria de 72 kWh. A autonomia pode chegar a 720 quilômetros, com reabastecimento mais rápido em comparação aos veículos elétricos tradicionais.

Voltado ao transporte pesado, o caminhão suporta até 37,2 toneladas de peso bruto combinado.

Tecnologia validada, mas com desafios de escala

A Hyundai já acumula experiência global com o modelo. Na Europa, os caminhões superam 20 milhões de quilômetros rodados desde 2020, enquanto na América do Norte já ultrapassaram 1,6 milhão de quilômetros desde 2023.

Apesar da validação técnica, a expansão da tecnologia ainda enfrenta desafios importantes, como o alto custo do hidrogênio e a necessidade de infraestrutura dedicada.

O projeto no Uruguai demonstra que o hidrogênio verde no transporte é viável quando há integração entre produção, abastecimento e uso. No entanto, a ampliação para um mercado mais amplo ainda depende de avanços estruturais e econômicos.

FONTE: Modais em Foco
TEXTO: Redação
IMAGEM: Modais em Foco

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Portos

Porto de Santos investe em logística verde e se consolida como “Porto do Futuro”

O Porto de Santos, no litoral de São Paulo, passa por uma profunda transformação que une tecnologia de ponta e responsabilidade ambiental. Em linha com as diretrizes do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), a Autoridade Portuária de Santos (APS) implementa projetos que incluem redes 5G, Gêmeos Digitais (Digital Twin) e fornecimento de energia limpa para navios atracados.

O objetivo é consolidar o maior complexo portuário do hemisfério sul como um Porto Inteligente (Smart Port), seguindo padrões internacionais de eficiência logística e sustentabilidade energética.

Crescimento alinhado à sustentabilidade

Segundo o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, as iniciativas em Santos mostram que desenvolvimento e preservação ambiental podem caminhar juntos.
“Estamos vendo a materialização do conceito de ‘Porto do Futuro’. Ao investir em tecnologia como 5G e energia limpa, o Porto de Santos opera com máxima eficiência logística e lidera a agenda de descarbonização”, afirma o ministro.

O secretário nacional de Portos, Alex Ávila, destaca o ganho operacional. “A implementação do VTMIS e dos Gêmeos Digitais eleva o nível de gestão do porto, trazendo segurança e previsibilidade. Transformamos nosso principal ativo logístico em um hub inteligente e sustentável, alinhado aos portos mais avançados do mundo”, explica Ávila.

Monitoramento digital e conectividade

A segurança e fluidez da navegação são pilares da modernização. A APS está em processo de contratação do VTMIS (Vessel Traffic Management Information System), sistema que funciona como uma “torre de controle do mar”, usando radares, câmeras e sensores para monitorar o tráfego de embarcações em tempo real.

A rede privativa 5G e os Gêmeos Digitais permitem simular cenários operacionais, prever manutenções e otimizar o fluxo logístico. Com isso, é possível reduzir gargalos, custos e aumentar a eficiência de toda a cadeia portuária.

Logística de baixo carbono

O Porto de Santos avança também na eletrificação do cais, por meio do sistema Onshore Power Supply, que permite aos navios desligar motores a combustão ao atracarem, conectando-se à rede elétrica do porto. A iniciativa reduz emissões de gases de efeito estufa e o ruído na região.

A energia utilizada é 100% renovável, proveniente da Usina Hidrelétrica de Itatinga, gerida pela APS. O projeto inclui estudos para a produção de hidrogênio verde (H2V), combustível do futuro que poderá abastecer máquinas e veículos do complexo.

Incentivos e políticas verdes

Para estimular a adesão a práticas sustentáveis, a APS prorrogou e ampliou descontos tarifários para navios verdes, avaliados pelo Índice Ambiental de Navios (ESI). A medida beneficia embarcações com menor impacto ambiental e reforça o compromisso do governo federal com a descarbonização da logística.

O Ministério de Portos e Aeroportos destaca que o modelo de Santos serve de referência, provando que é possível aumentar a movimentação de cargas enquanto se investe em inovação tecnológica e proteção ambiental.

FONTE: Santa Portal
TEXTO: Redação
IMAGEM: Vosmar Rosa/MPor

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Sustentabilidade

Viagem histórica com biocombustível no Chile marca avanço da transição energética no transporte pesado

Rota chilena sediará a mais longa viagem com caminhão a biocombustível da América Latina
O Chile será palco do mais longo percurso já realizado na América Latina por um caminhão movido a biocombustível. A iniciativa resulta de uma parceria entre o Centro de Transporte e Logística (CTL) da Faculdade de Engenharia da Universidade Andrés Bello, a salmonicultora Cermaq Chile, a transportadora GLA e a Lipigas, responsável pelo fornecimento energético.

O projeto será colocado em prática no início de 2026, quando um trator-caminhão abastecido com bioGNL (biogás natural liquefeito) percorrerá a rota entre Chiloé e o Aeroporto de Santiago, transportando salmão fresco produzido pela Cermaq.

Parceria impulsiona transporte sustentável e redução de emissões
Segundo o CTL, o marco simboliza a consolidação de soluções energéticas sustentáveis aplicadas à logística. Para Rolando Campos, chefe de Projetos do Laboratório de Validação Tecnológica do CTL, a colaboração entre as empresas envolvidas tornou viável uma operação mais limpa, com redução de emissões e custos operacionais.

O principal objetivo da iniciativa é diversificar a matriz energética do transporte rodoviário, historicamente dependente do diesel, promovendo o uso do bioGNL na indústria salmonicultora e avançando rumo a operações com emissões zero.

Uso de bioGNL viabiliza neutralidade de carbono
Durante o trajeto, o caminhão operará com uma mistura composta por 15% de bioGNL e 85% de GNL, combinação que garante a neutralidade de carbono. De acordo com Helmuth Raddatz, engenheiro de projetos do CTL, o acordo assegura que, a partir de 2026, todas as operações da Cermaq e da GLA sejam 100% carbono neutro.

A proposta também representa um passo intermediário entre o uso de combustíveis fósseis e a futura adoção da eletromobilidade, ao utilizar energia proveniente de resíduos orgânicos.

Testes técnicos e dados reais sustentam o projeto
O acordo foi formalizado em dezembro, nas instalações da Cermaq em Quemchi, na ilha de Chiloé. O CTL ficou responsável pelo desenvolvimento de testes com metodologias robustas e dados reais de operação, avaliando desempenho energético, econômico, ambiental e operacional dos caminhões.

Essas análises deram origem a um relatório técnico que servirá de base para comparações e avaliações de mercado, criando condições para a futura ampliação do uso do bioGNL no transporte pesado.

Iniciativa cria precedente para a indústria
Para Alex Arzola, gerente de Logística e Comércio Exterior da Cermaq, o percurso representa um desafio logístico relevante e, ao mesmo tempo, estabelece um precedente para novas iniciativas sustentáveis no setor.

Na avaliação de Nicolás Hidalgo, subgerente de GNL e Biocombustíveis da Lipigas, o projeto demonstra a viabilidade de modelos logísticos mais sustentáveis, baseados em soluções energéticas limpas. Já Esteban Alveal, gerente-geral da GLA Chile, destacou o comprometimento técnico e profissional das equipes envolvidas.

Chile avança na liderança em energia limpa no transporte
Com a realização da viagem em 2026, o Chile deve se consolidar como referência regional na transição energética do transporte de cargas, especialmente no segmento de veículos pesados, segundo avaliação do CTL.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Logística

DHL e CMA CGM impulsionam logística marítima de baixo carbono com uso de biocombustíveis

A DHL Global Forwarding e a CMA CGM anunciaram uma parceria estratégica voltada à descarbonização do transporte marítimo de contêineres. A iniciativa prevê o uso conjunto de 8.990 toneladas métricas de biocombustível de segunda geração (Ucome), o que deve resultar em uma redução estimada de 25 mil toneladas de CO₂ equivalente nas emissões associadas às operações do serviço GoGreen Plus, da DHL.

A colaboração amplia as alternativas para que embarcadores reduzam, de forma prática, a pegada de carbono de suas cadeias logísticas internacionais, ao mesmo tempo em que impulsiona a adoção de combustíveis sustentáveis no transporte marítimo global.

Avanço na descarbonização do transporte marítimo

Segundo Casper Ellerbaek, Head Global de Ocean Freight da DHL Global Forwarding, a iniciativa marca um avanço relevante na agenda ambiental do setor. “Essa parceria reforça nosso compromisso com cadeias de suprimentos de baixo carbono. Ao ampliar o uso de combustíveis marítimos sustentáveis, ajudamos nossos clientes a cumprir metas climáticas e promovemos mudanças estruturais no setor”, afirma.

A ação conjunta combina o GoGreen Plus, da DHL, com o ACT+, solução de transporte sustentável da CMA CGM. Na operação, a armadora será responsável pelo fornecimento físico do biocombustível à sua frota, enquanto a DHL utiliza o modelo Book & Claim, que garante que os benefícios ambientais sejam atribuídos corretamente aos embarques contratados.

Redução significativa das emissões de CO₂

Com o uso de combustíveis alternativos, os clientes podem alcançar reduções de até 80% nas emissões de gases de efeito estufa (GEE), considerando todo o ciclo “well-to-wake”. A estratégia amplia o acesso a soluções de logística sustentável, mesmo quando o transporte não ocorre diretamente em navios abastecidos com combustível verde.

Compromisso com metas climáticas globais

A iniciativa reforça os compromissos de longo prazo das duas empresas com a agenda climática. A DHL tem como meta atingir emissões líquidas zero até 2050 em todas as suas operações globais. Já a CMA CGM vem investindo fortemente em frota de baixo carbono e combustíveis alternativos.

De acordo com Olivier Nivoix, vice-presidente executivo de Shipping da CMA CGM, a parceria demonstra o impacto da cooperação entre grandes players do setor. “O ACT+ oferece soluções escaláveis e confiáveis, apoiadas por uma frota preparada para operar com combustíveis alternativos. Desde 2008, reduzimos em 57% a intensidade de carbono das nossas operações marítimas e seguimos avançando rumo ao Net Zero até 2050”, destaca.

Soluções sustentáveis para o mercado global

O ACT+ foi desenvolvido para atender à crescente demanda por logística de baixo carbono, permitindo reduções de emissões de 10%, 25%, 50% ou até 83%, por meio do uso de biocombustíveis de segunda geração e, quando necessário, mecanismos complementares de compensação.

Já o GoGreen Plus integra a estratégia global da DHL para descarbonizar suas operações, utilizando combustíveis sustentáveis e tecnologias limpas. O modelo Book & Claim garante rastreabilidade e credibilidade ambiental, mesmo quando a substituição do combustível ocorre em outro ponto da rede logística.

As empresas afirmam que seguirão avaliando novas oportunidades para expandir o uso de soluções sustentáveis e fortalecer a descarbonização das cadeias globais de suprimentos.

FONTE: Modais em Foco
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Sustentabilidade

Silvio Costa Filho destaca compromisso com a descarbonização e a transição energética na abertura do Espaço do Desenvolvimento durante a COP30

O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) participou, nesta segunda-feira (10), da abertura do Espaço do Desenvolvimento, iniciativa do Sistema Transporte (CNT, SEST SENAT e ITL) em parceria com o MPor e o Ministério dos Transportes, realizada na Green Zone da COP30, em Belém (PA). O encontro reuniu autoridades brasileiras, entidades internacionais e representantes do setor produtivo para discutir caminhos para a descarbonização do transporte e a expansão da transição energética no país.

Transição energética e logística verde como prioridades

Durante a cerimônia, o ministro Silvio Costa Filho reforçou que a modernização do setor portuário e hidroviário precisa caminhar lado a lado com as metas globais de sustentabilidade. Ele ressaltou que o Brasil tem condições de assumir papel central na redução de emissões de carbono e na implantação de uma infraestrutura verde.

O ministro também adiantou que novas ações de modernização logística, com foco em energia limpa e inovação, serão apresentadas ao longo da conferência. “O Brasil tem condições de liderar a transição energética do transporte mundial, unindo sustentabilidade, eficiência e geração de empregos verdes”, afirmou.

Integração entre transporte, portos e meio ambiente

Costa Filho destacou que a participação do MPor na COP30 simboliza o compromisso do governo em construir políticas integradas entre transporte, meio ambiente e infraestrutura portuária. Ele citou ainda a relevância do estande da CNT, que promove debates sobre combustíveis sustentáveis, especialmente o SAF (Sustainable Aviation Fuel), considerado essencial para a redução de emissões no setor aéreo.

O ministro ressaltou também a parceria histórica entre o governo federal e o Sistema Transporte. “A CNT é uma parceira fundamental da agenda de desenvolvimento do Brasil, contribuindo para o crescimento econômico e para a evolução da nossa logística”, afirmou.

Rota COP30 simboliza compromisso com a sustentabilidade

O ministro dos Transportes, Renan Filho, destacou a Rota COP30, ação que percorreu o trajeto até Belém por via rodoviária, como símbolo do comprometimento do país com práticas sustentáveis. Segundo ele, a iniciativa traduz a cooperação entre poder público e setor privado, com apoio direto da CNT. “A ação demonstra que é possível unir eficiência logística, responsabilidade ambiental e parceria institucional”, disse.

Brasil já possui histórico sólido em descarbonização

O presidente da CNT, Vander Costa, lembrou marcos importantes da trajetória brasileira rumo à eficiência energética, como o Proálcool (1975) e o Proconve (1986). Para ele, renovar frotas é indispensável para reduzir emissões no transporte de cargas e passageiros. “O Brasil já tem soluções consolidadas; não é preciso inventar a roda”, afirmou.

Espaço do Desenvolvimento promove inovação e integração setorial

Instalado na Green Zone da COP30, o Espaço do Desenvolvimento funciona como ponto de encontro entre governo, iniciativa privada e sociedade civil. A programação inclui painéis sobre mobilidade verde, inovação tecnológica, finanças sustentáveis e parcerias com o Pacto Global da ONU, além de atividades que valorizam a cultura amazônica e a economia de baixo carbono.

A cooperação entre o MPor, o Ministério dos Transportes e o Sistema Transporte reafirma a intenção do governo brasileiro de fortalecer soluções sustentáveis e consolidar o protagonismo do país nas discussões internacionais sobre clima, logística e desenvolvimento econômico.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Jonilton Lima

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Sustentabilidade

Cabotagem reduz emissões de CO₂ em até 90% e reforça papel estratégico de Paranaguá

A cabotagem, modalidade de transporte marítimo entre portos nacionais, vem se consolidando como uma das principais alternativas sustentáveis à logística rodoviária no Brasil. De acordo com um estudo da Norcoast, empresa brasileira de navegação costeira, esse tipo de transporte pode reduzir em até 90% as emissões de gases de efeito estufa em comparação ao modal rodoviário — resultado comprovado nas operações da Klabin com o Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP).

Entre fevereiro de 2024 e agosto de 2025, o uso da cabotagem nas rotas da Klabin evitou a emissão de quase 20 mil toneladas de CO₂, o que equivale ao plantio de mais de 140 mil árvores ou à retirada de 4.000 veículos das ruas durante um ano.

Segundo Stephano Galvão, diretor de Operações da Norcoast, a iniciativa reafirma o compromisso da empresa com uma logística mais limpa. “A cabotagem é mais do que uma decisão operacional — é uma escolha consciente por eficiência e sustentabilidade, que integra e transforma a cadeia logística”, afirmou.

TCP se consolida como hub da cabotagem no Sul do Brasil

A TCP se tornou um dos principais elos logísticos para exportadores e importadores que adotam o transporte marítimo nacional. Desde fevereiro de 2024, todos os quatro navios da Norcoast, com capacidade de até 3.500 TEUs cada, passam pelo terminal paranaense.

Para Carolina Merkle Brown, gerente comercial de armadores e inteligência de mercado da TCP, a tendência é de crescimento contínuo: “A cabotagem oferece uma logística sustentável, confiável e com custos competitivos. Desde o retorno do serviço ao terminal, notamos aumento constante na demanda e nos volumes movimentados.”

A Klabin, quarta maior empresa do país em movimentação de contêineres secos por cabotagem, registrou mais de 20 mil TEUs transportados em 2024, sendo 3.500 TEUs apenas pelo Porto de Paranaguá.

Sustentabilidade integrada: ferrovia e mar no mesmo corredor logístico

A operação sustentável da Klabin vai além do mar. Desde 2021, a empresa integra o transporte ferroviário ao marítimo por meio do corredor intermodal KBT, conectando a unidade de Ortigueira (PR) — com capacidade de 2,5 milhões de toneladas anuais — diretamente ao Terminal de Contêineres de Paranaguá.

A ferrovia operada pela Brado Logística garante menor dependência das rodovias, reduzindo emissões e otimizando o escoamento de papel e celulose até o porto. “Essa integração reforça o papel estratégico de Paranaguá como hub logístico nacional e internacional”, destacou Brown.

Crescimento expressivo e infraestrutura de ponta

A movimentação de cargas por cabotagem no TCP cresceu 71% no primeiro semestre de 2025, alcançando 44.714 TEUs. O resultado reflete a infraestrutura diferenciada do terminal, que abriga o maior pátio de contêineres refrigerados da América do Sul, com 5.268 tomadas — estrutura essencial para clientes do agronegócio, especialmente os exportadores de carne de frango do Paraná.

Além do pátio reefer, a TCP possui o maior parque de máquinas do Brasil, com 40 guindastes pórticos sobre pneus (RTG) e 69 Terminal Tractors (TT). A integração com a ferrovia e os armazéns da retroárea também fortalece a eficiência logística e a competitividade do porto.

“Ao fortalecer a cabotagem, oferecemos um modal que alia sustentabilidade, economia e previsibilidade, contribuindo para uma logística mais integrada e menos poluente”, concluiu Brown.

FONTE: TCP
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/TCP

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Logística, Sustentabilidade

Logística verde no Brasil deve movimentar US$ 61 bilhões até 2030 e ditar tendências em 2025

logística verde, voltada para reduzir os impactos ambientais do setor, deve movimentar US$ 61 bilhões no Brasil até 2030, segundo a consultoria Grand View Research. Hoje, o mercado nacional já representa US$ 41 bilhões e cresce em média 7,2% ao ano.

A demanda por práticas mais sustentáveis entre empresas e consumidores, a aprovação de normas ambientais mais rigorosas e a chegada de inovações tecnológicas impulsionam a evolução da logística com foco em sustentabilidade. No cenário global, o segmento é avaliado em US$ 1,5 trilhão e pode atingir US$ 2,3 trilhões até 2030, com expansão anual de 8,1% a partir de 2025.

A armazenagem lidera a adoção de soluções sustentáveis, respondendo por 37% do valor do setor. No transporte, veículos rodoviários representam 40% das receitas. Entre os exemplos de destaque mundial estão o Acordo Verde da União Europeia, o plano energético dos Estados Unidos e os compromissos da China em reduzir emissões.

As empresas vêm incorporando práticas como rotas otimizadas, logística reversa, uso de frotas sustentáveis, embalagens ecológicas e seleção de parceiros com critérios ambientais. Essas ações contribuem para reduzir emissões e promover eficiência operacional nas empresas, otimizando desperdícios.

De acordo com a pesquisa, o setor deve avançar em soluções alinhadas à sustentabilidade global. Entre as tendências para 2025 estão combustíveis alternativos e veículos elétricos, centros de armazenagem neutros em carbono, uso de inteligência artificial para otimizar rotas, expansão da logística reversa e maior integração de cadeias de suprimentos verdes.

Fonte: Tecnologística

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Informação

ANTT abre Audiência Pública sobre o Selo ESG Cargas

A ANTT está recebendo contribuições para a minuta de Resolução que institui o Selo ESG Cargas, voltado ao transporte remunerado rodoviário de cargas.

O Selo ESG Cargas para Transporte Rodoviário Remunerado de Cargas tem como objetivo incentivar a conservação do meio ambiente e a proteção à biodiversidade, respeito à dignidade humana e a melhoria na qualidade da prestação da atividade econômica, prevista no art. 2º da Lei nº 11.442, de 5 de janeiro de 2007.

📅 Envio de contribuições até 9 de setembro de 2025
🔗 Saiba mais e participe:
www.gov.br/participamaisbrasil/ap-antt-005-2025
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