Portos

Porto de Suape amplia profundidade e se prepara para receber navios de grande porte

O Porto de Suape, em Pernambuco, avançou na ampliação de sua capacidade operacional após a Marinha do Brasil homologar novas profundidades no canal interno, na bacia de evolução e nos Píeres de Granéis Líquidos (PGLs 3A e 3B). A mudança cria condições para melhorar as operações de navios porta-contêineres de até 366 metros de comprimento e ampliar a competitividade do complexo portuário.

Os novos parâmetros estão em vigor e foram oficializados pela Portaria nº 190/2026. Para que as embarcações possam aproveitar melhor sua capacidade de carga, no entanto, ainda será necessário concluir o estudo de manobrabilidade, previsto para 2026.

Porto de Suape registra novas profundidades

Com a homologação, o canal interno passou a contar com 16,25 metros de profundidade, enquanto a bacia de evolução e os PGLs 3A e 3B alcançaram 18,39 metros.

A atualização dos parâmetros foi realizada após a conclusão das obras de dragagem, em 2026, e envolveu levantamentos hidrográficos, avaliações das condições de navegabilidade e verificações técnicas conduzidas no âmbito da Autoridade Marítima.

Segundo o diretor-presidente de Suape, Armando Monteiro Bisneto, a nova configuração transforma os investimentos em infraestrutura em melhores condições de operação, contribuindo para elevar a segurança da navegação, a eficiência portuária e a capacidade de atrair novas linhas marítimas.

Estudo de manobrabilidade é a próxima etapa

O Porto de Suape já recebe porta-contêineres de até 366 metros, incluindo embarcações da classe New Panamax. Com a conclusão do estudo de manobrabilidade, a expectativa é permitir um aproveitamento maior da capacidade de carga desses navios, respeitando os limites de segurança e as condições estabelecidas pela Marinha.

De acordo com José Constantino, diretor de Desenvolvimento e Gestão Portuária, o aprofundamento do canal e da bacia de evolução também favorece o planejamento das escalas e o desempenho das embarcações.

O avanço poderá contribuir para a atração de novas rotas marítimas de longo curso e ampliar as conexões diretas com mercados internacionais. A medida também beneficia as operações de granéis líquidos, realizadas nos píeres contemplados pela homologação.

Dragagem recebeu investimento de R$ 247 milhões

As novas profundidades são resultado das obras de dragagem do canal interno, da bacia de evolução e dos Píeres de Granéis Líquidos, concluídas em janeiro de 2026.

O projeto recebeu R$ 247 milhões em investimentos, distribuídos da seguinte forma:

  • R$ 100 milhões do Ministério de Portos e Aeroportos, por meio do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC);
  • R$ 147 milhões provenientes de recursos próprios do Complexo Industrial Portuário de Suape.

Durante a intervenção, foram retirados aproximadamente 4,18 milhões de metros cúbicos de sedimentos para alcançar as profundidades previstas no projeto.

A diretora de Infraestrutura de Suape, Renata Loyo, destacou que a execução exigiu acompanhamento técnico das etapas da obra, monitoramento hidrográfico e controle das condições operacionais. O trabalho permitiu entregar o canal interno, a bacia de evolução e os píeres nos níveis de profundidade necessários para a homologação.

Canal externo tem 20 metros de profundidade

Além dos avanços na área interna, Suape já conta com 20 metros de profundidade homologada no canal externo, condição que permite a navegação de grandes embarcações, incluindo petroleiros da classe Suezmax.

Esse patamar foi alcançado após uma dragagem concluída em 2024, com investimento de R$ 140 milhões, e recebeu homologação da Marinha em 2025.

Suape fortalece posição como porto de águas profundas

Com o aprofundamento dos canais interno e externo, o complexo portuário reforça sua posição estratégica na infraestrutura logística brasileira.

A ampliação da capacidade operacional pode favorecer o aumento da movimentação de cargas, fortalecer o transporte marítimo de cabotagem e longo curso e atrair novos negócios para Pernambuco. A expectativa é que a combinação entre infraestrutura modernizada, segurança da navegação e maior eficiência operacional amplie a participação de Suape nas rotas do comércio exterior.

FONTE: SUAPE
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/SUAPE

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Portos

Porto de Itapoá poderá receber navios com até 16 mil contêineres após obras na Baía da Babitonga

As obras de aprofundamento do canal de acesso à Baía da Babitonga, no Norte de Santa Catarina, devem permitir a operação de navios porta-contêineres de grande porte no complexo portuário da região. Com a ampliação da profundidade, embarcações com capacidade para transportar entre 14 mil e 16 mil contêineres poderão acessar os terminais, incluindo o Porto Itapoá.

A previsão é que os cargueiros maiores comecem a movimentar mercadorias no terminal a partir do fim do primeiro semestre de 2027. A mudança deve ampliar a capacidade logística dos portos catarinenses, aumentar a movimentação de cargas e reduzir custos das operações marítimas.

Canal de acesso terá profundidade ampliada para 16 metros

O projeto prevê a retirada de aproximadamente 12 milhões de metros cúbicos de sedimentos, permitindo elevar o calado do canal de 14 para 16 metros. A intervenção possibilitará a passagem de navios com até 366 metros de comprimento.

Essas embarcações são conhecidas como New Panamax, denominação associada aos navios dimensionados para atravessar o sistema ampliado de eclusas do Canal do Panamá.

Com capacidade para transportar entre 14 mil e 16 mil TEUs — unidades equivalentes a contêineres de 20 pés —, esses cargueiros poderão operar com maior volume de mercadorias, ampliando a eficiência do transporte marítimo internacional.

O aumento da profundidade também permitirá que embarcações naveguem com cargas mais pesadas, reduzindo limitações operacionais no acesso aos terminais portuários da região.

Aprofundamento pode ampliar movimentação em 1,5 milhão de contêineres

A expectativa é que a modernização da infraestrutura permita acrescentar 1,5 milhão de contêineres por ano à capacidade de movimentação do complexo portuário.

Além do aumento no volume de cargas, a obra deve eliminar a necessidade de fundeio intermediário para navios que operam no Porto de São Francisco do Sul. Atualmente, essa manobra integra os procedimentos utilizados por embarcações que precisam ajustar suas condições para acessar as instalações portuárias.

Com a nova profundidade, a estimativa é gerar uma economia de aproximadamente R$ 20 milhões por ano para os navios que utilizam o porto, graças à redução de custos associados às operações.

Dragagem foi concluída, mas navegação depende de liberações

A dragagem do canal externo, que dá acesso aos terminais do complexo portuário de São Francisco do Sul, já foi finalizada. No entanto, a entrada em operação da nova estrutura ainda depende de etapas técnicas e administrativas.

Entre os procedimentos necessários estão a verificação das profundidades alcançadas e a autorização da Marinha do Brasil para liberar a navegação nas novas condições.

Essas avaliações são fundamentais para confirmar a segurança do canal e permitir que embarcações de maior porte utilizem a infraestrutura.

Porto Itapoá deve receber navios maiores em 2027

Localizado no litoral Norte catarinense, o Porto Itapoá está entre os terminais que poderão se beneficiar diretamente do aprofundamento do canal da Baía da Babitonga.

A expectativa é que a chegada de navios com maior capacidade de carga fortaleça a posição de Santa Catarina na logística marítima e amplie as possibilidades de conexão com mercados internacionais.

Com a conclusão das etapas de liberação, a infraestrutura deverá oferecer melhores condições para receber grandes porta-contêineres, aumentar a eficiência das operações e reduzir custos no transporte de mercadorias.

FONTE: NSC Total
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação

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Logística

Canal do Panamá amplia programa de reservas de longo prazo e testa vagas para eclusas Panamax

A Autoridade do Canal do Panamá anunciou uma nova etapa do programa de Alocação de Vagas de Longo Prazo (LoTSA) para o período entre 3 de janeiro e 3 de abril de 2027. A principal novidade será a realização de um programa piloto voltado às eclusas Panamax.

A iniciativa busca oferecer às empresas que utilizam o canal maior previsibilidade para organizar suas operações durante a temporada seca, permitindo a reserva antecipada de espaços para trânsito.

Programa busca dar mais previsibilidade ao transporte marítimo

Segundo a autoridade do canal, o LoTSA foi estruturado para que os usuários possam garantir antecipadamente vagas de passagem e, assim, melhorar o planejamento de itinerários e operações logísticas.

A modalidade também contará com uma equipe especializada de atendimento ao cliente, responsável por prestar suporte aos participantes durante o processo.

As vagas serão distribuídas por meio de concorrências em envelope fechado, mecanismo que será utilizado tanto no programa regular para navios Neopanamax quanto no novo piloto destinado às eclusas Panamax.

Disputas ocorrerão em novembro de 2026

O calendário divulgado pela Autoridade do Canal do Panamá prevê duas datas para as disputas.

A concorrência do LoTSA Neopanamax será realizada em 17 de novembro de 2026. Uma semana depois, em 24 de novembro, ocorrerá a disputa referente ao programa piloto para as eclusas Panamax.

No caso do LoTSA Neopanamax, serão disponibilizados 36 pacotes, totalizando 270 vagas de trânsito. Desse volume, 165 serão destinadas ao sentido norte e 105 ao sentido sul.

A oferta corresponde a três vagas por dia, distribuídas entre diferentes pacotes.

Programa piloto terá 288 vagas Panamax

O novo LoTSA Panamax contará com 51 pacotes e oferecerá um total de 288 vagas durante o período de vigência.

Serão 147 vagas no sentido norte e 141 no sentido sul, também equivalentes a três vagas diárias. O programa piloto terá apenas um nível de flexibilidade.

A distribuição será feita por meio de leilão em envelope fechado, seguindo o mesmo modelo de adjudicação, critérios de seleção e regras de desempate aplicados ao LoTSA Neopanamax.

Reservas ganham importância diante das condições hídricas

A expansão do programa ocorre em um cenário de atenção às condições operacionais do Canal do Panamá, especialmente diante dos efeitos climáticos sobre a disponibilidade de água utilizada nas operações das eclusas.

Nesse contexto, a Autoridade do Canal considera que a possibilidade de reservar vagas com antecedência pode ajudar os armadores e demais usuários a organizar seus itinerários com maior segurança.

O mecanismo também busca contribuir para a confiabilidade das cadeias logísticas, ao permitir que as empresas tenham maior previsibilidade sobre a passagem de seus navios pelo canal durante a temporada seca.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Internacional

Índia supera China e se torna o segundo maior fornecedor de marítimos do mundo

A Índia alcançou uma posição inédita no mercado marítimo internacional ao ultrapassar a China e assumir o posto de segundo maior fornecedor de profissionais do setor no mundo. A liderança continua com as Filipinas, conforme aponta o Relatório da Força de Trabalho de Marítimos BIMCO-ICS 2026.

Segundo o levantamento, o país asiático conta atualmente com 311.936 marítimos atuando na frota mundial, o equivalente a 12,16% da força de trabalho global. O avanço representa uma evolução significativa em relação a 2015, quando a Índia respondia por apenas 5,2% do total de profissionais embarcados.

Número de oficiais e tripulantes cresce em ritmo acelerado

Do contingente de trabalhadores indianos, 140.718 são oficiais, representando 13,41% da categoria em nível mundial. Outros 171.218 profissionais atuam como tripulantes (ratings), o que corresponde a 11,29% da força de trabalho global nesse segmento.

Com esse crescimento, a Índia deixou para trás países tradicionalmente fortes na formação de mão de obra marítima, como China, Rússia e Indonésia, consolidando sua relevância no setor de transporte marítimo internacional.

Expansão da mão de obra acompanha investimentos na indústria naval

Embora tenha avançado rapidamente na formação de profissionais, a participação da Índia na construção naval ainda é considerada modesta. Atualmente, o país ocupa posições entre o 19º e o 22º lugar no ranking mundial, com menos de 1% de participação no mercado, segundo dados da consultoria KPMG.

Para reduzir essa diferença em relação aos líderes globais — China, Coreia do Sul e Japão, responsáveis por cerca de 93% da produção mundial de navios —, o governo indiano lançou um programa de incentivos de aproximadamente 69.725 crore de rúpias, valor equivalente a cerca de R$ 44 bilhões.

Os recursos serão destinados à ampliação da capacidade dos estaleiros e ao fortalecimento do financiamento da indústria naval.

Brasil enfrenta déficit de oficiais da Marinha Mercante

Enquanto a Índia amplia sua presença no mercado internacional, o Brasil convive com uma escassez crescente de profissionais da Marinha Mercante, especialmente de oficiais.

Levantamento realizado pela Associação Brasileira de Armadores de Cabotagem (Abac) em parceria com o Syndarma/Abeam identificou, no primeiro semestre de 2025, 356 vagas não preenchidas entre as empresas associadas. O número não considera demandas da Petrobras e da Transpetro, o que indica um déficit ainda maior.

A falta de mão de obra especializada tem levado empresas a recorrer às chamadas dobras de embarque, prática em que o oficial permanece embarcado além do período originalmente previsto, aumentando a carga de trabalho e os desafios operacionais.

Estudos apontam déficit ainda maior nos próximos anos

As projeções para o setor indicam que a situação pode se agravar até o fim da década.

Pesquisa elaborada pela Fundação Vanzolini, em parceria com o Centro de Inovação em Logística e Infraestrutura Portuária (CILIP) da USP, estima uma carência entre 2 mil e 4 mil oficiais da Marinha Mercante até 2030. Em um cenário mais crítico, o déficit poderá alcançar 11.363 profissionais.

O estudo recomenda ampliar significativamente a formação de novos oficiais, sugerindo a capacitação de pelo menos 500 marítimos adicionais por ano.

Capacidade de formação é considerada insuficiente

Atualmente, a formação de oficiais da Marinha Mercante no Brasil é realizada exclusivamente pela Marinha do Brasil, por meio do Centro de Instrução Almirante Graça Aranha (CIAGA), no Rio de Janeiro, e do Centro de Instrução Almirante Braz de Aguiar (CIABA), em Belém.

As duas instituições formam, juntas, pouco menos de 300 novos oficiais por ano, volume considerado insuficiente para atender à crescente demanda dos setores naval, portuário e offshore, que seguem em expansão no país.

FONTE: Portos e Navios
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portos e Navios

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Transporte

Canal do Panamá reforça operações com cinco novos rebocadores híbridos

O Canal do Panamá ampliou sua estrutura operacional com a incorporação de cinco rebocadores híbridos, marcando mais uma etapa do processo de modernização da hidrovia. As novas embarcações foram oficialmente apresentadas durante uma cerimônia de batismo e passam a integrar a frota responsável pelo apoio às operações de navegação.

Batizados de Isla Farallón, Isla Cébaco, Isla Cañas, Isla Coiba e Isla Boná, os rebocadores foram desenvolvidos com tecnologia de propulsão híbrida, voltada para aumentar a eficiência das manobras e reduzir os impactos ambientais.

Tecnologia híbrida melhora eficiência e reduz emissões

Os novos equipamentos utilizam um sistema que combina motores a diesel, motores elétricos e baterias para armazenamento de energia. Segundo a Autoridade do Canal do Panamá, essa configuração proporciona melhor gerenciamento do consumo energético, diminui a emissão de poluentes e aumenta a confiabilidade das operações.

Além dos benefícios ambientais, a tecnologia também contribui para a redução do consumo de combustível, menores custos de manutenção e maior durabilidade dos componentes das embarcações.

Modernização fortalece a competitividade do Canal do Panamá

Durante a cerimônia, o administrador do Canal do Panamá, Ricaurte Vásquez, afirmou que a chegada dos novos rebocadores híbridos representa mais um passo na construção de uma operação mais eficiente e sustentável.

De acordo com ele, o investimento reforça o compromisso da instituição com a inovação, a preservação ambiental e o fortalecimento da competitividade da hidrovia para as próximas gerações.

Equipes operacionais recebem reconhecimento

A administradora adjunta do Canal do Panamá, Ilya Espino de Marotta, ressaltou a importância dos profissionais responsáveis pelo funcionamento das embarcações.

Ela destacou o trabalho conjunto de capitães, pilotos, marinheiros, operadores, engenheiros, mecânicos e demais equipes de apoio, enfatizando que a dedicação desses profissionais é essencial para manter o alto padrão operacional do canal.

Nomes homenageiam a riqueza natural do Panamá

Conforme informou a Autoridade do Canal do Panamá, os nomes escolhidos para os novos rebocadores fazem referência a ilhas panamenhas e têm como objetivo valorizar o patrimônio natural e marítimo do país, reforçando a ligação entre a hidrovia e a identidade nacional.

FONTE: Modais em Foco
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Internacional

Estreito de Ormuz enfrenta novo desafio: cracas e resíduos atrasam retomada do transporte de petróleo

Após meses de paralisação no Estreito de Ormuz, um problema pouco visível passou a preocupar armadores e operadores marítimos: o acúmulo de bioincrustação nos cascos dos navios. Cracas, mexilhões, algas e outros organismos marinhos aderiram às embarcações que permaneceram ancoradas por longos períodos no Golfo Pérsico, criando uma nova barreira para a retomada do fluxo global de petróleo.

Especialistas do setor afirmam que a permanência dos navios em águas quentes por vários meses favoreceu a proliferação desses organismos. Antes de voltar a navegar, as embarcações precisarão passar por um processo de limpeza especializado para remover todo o material acumulado.

Limpeza dos cascos exige equipes especializadas

A remoção da chamada incrustação biológica é realizada por mergulhadores profissionais conhecidos como “limpadores de casco”. O trabalho envolve o uso de raspadores, equipamentos de alta pressão e ferramentas elétricas para retirar os organismos sem comprometer os revestimentos protetores das embarcações.

A tarefa é ainda mais complexa devido às dimensões dos superpetroleiros. Muitos deles ultrapassam 300 metros de comprimento, exigindo equipes de cinco ou seis mergulhadores trabalhando durante várias horas para concluir a limpeza de um único navio.

Com aproximadamente 600 embarcações aguardando autorização para atravessar a região, a demanda pelos serviços disparou, elevando significativamente os custos das operações.

Bioincrustação aumenta consumo de combustível e reduz eficiência

Além do aspecto visual, a presença de cracas e outros organismos marinhos impacta diretamente o desempenho das embarcações. A superfície irregular criada pela bioincrustação aumenta o atrito com a água, elevando o consumo de combustível e reduzindo a eficiência operacional dos navios.

Como o combustível representa uma das maiores despesas do transporte marítimo, qualquer perda de desempenho pode gerar custos expressivos, especialmente em rotas de longa distância entre o Oriente Médio e mercados asiáticos.

Em situações mais graves, o acúmulo de organismos pode afetar hélices, sistemas de refrigeração e válvulas de admissão, comprometendo a operação dos navios.

Normas ambientais exigem remoção antes da chegada aos portos

As regras internacionais de navegação determinam que as embarcações removam a bioincrustação antes de atracar em diversos portos. O objetivo é evitar a disseminação de espécies invasoras, que podem causar impactos ambientais significativos em ecossistemas marinhos de outras regiões.

Além das exigências regulatórias, seguradoras marítimas também impõem cláusulas específicas relacionadas à manutenção dos cascos, exigindo que os navios permaneçam em condições adequadas de operação e eficiência.

Retomada do mercado de petróleo ainda enfrenta vários entraves

Mesmo com a possível reabertura do Estreito de Ormuz, especialistas avaliam que a normalização do transporte marítimo não ocorrerá de forma imediata. A limpeza das embarcações é apenas uma das etapas necessárias antes que os petroleiros retomem suas rotas comerciais.

Outros desafios incluem inspeções de segurança, operações de desminagem, novas exigências regulatórias impostas pelo Irã e a necessidade de aprovação por parte de seguradoras e financiadores.

Diante desse cenário, a recuperação plena do fluxo internacional de petróleo deve ocorrer de forma gradual. E, curiosamente, um dos primeiros obstáculos a serem vencidos não está relacionado à geopolítica, mas ao acúmulo de pequenos organismos marinhos nos cascos dos navios.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN Brasil

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Portos

Navio naufragado há 130 anos será removido do canal do Porto de Itajaí em SC

A administração do Porto de Itajaí anunciou o início das etapas para viabilizar a retirada dos destroços do navio Pallas, embarcação naufragada há mais de um século no canal de acesso portuário entre Itajaí e Navegantes, em Santa Catarina.

O superintendente do porto, Artur Antunes Pereira, informou nesta quarta-feira (14) que o contrato para elaboração do estudo técnico da remoção deve ser assinado nos próximos dias. A medida é considerada estratégica para ampliar a capacidade operacional do complexo portuário catarinense.

Destroços do navio dificultam navegação no canal portuário

Segundo registros históricos, o Pallas afundou em 1893 durante a Revolta Armada, conflito militar que marcou os primeiros anos da República no Brasil. A embarcação permanece submersa no Rio Itajaí-Açu e, mesmo fragmentada em duas partes, ainda interfere na navegação de grandes navios que acessam os portos da região.

De acordo com a superintendência, a retirada da estrutura permitirá melhorar as condições de navegabilidade e abrir espaço para a operação de embarcações de maior porte no canal portuário.

Apesar da relevância da obra para a logística marítima e o setor de infraestrutura portuária, ainda não existe uma previsão oficial para o início ou conclusão dos trabalhos.

Navio Pallas foi construído na Inglaterra

Fabricado na Inglaterra em 1891, o Pallas era um paquete movido a vapor, considerado moderno para a época. A embarcação fazia o transporte de passageiros e cargas frigorificadas entre Rio de Janeiro e Buenos Aires, realizando escalas em Itajaí, possivelmente para abastecimento.

O naufrágio aconteceu em 25 de outubro de 1893. Historiadores apontam que o comandante teria se recusado a apoiar os revoltosos da Revolta Armada, episódio que teria motivado ataques contra o navio. Antes de afundar, a embarcação também foi saqueada e perdeu diversos objetos de valor.

Entenda o que foi a Revolta Armada

A Revolta Armada ocorreu entre 1893 e 1894 e foi liderada por setores da Marinha brasileira contrários ao governo do então presidente Floriano Peixoto.

Os militares exigiam novas eleições presidenciais após a renúncia de Deodoro da Fonseca, alegando irregularidades na sucessão do poder.

O conflito teve confrontos importantes no Rio de Janeiro e em Santa Catarina, incluindo batalhas navais e bombardeios. Ao final, o governo federal conseguiu conter a rebelião e consolidar o regime republicano recém-estabelecido no país.

FONTE: NSC Total
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/SPI

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Logística

Marinha amplia calado na foz do Amazonas e fortalece logística dos portos do Arco Norte

A Marinha do Brasil autorizou o aumento do calado operacional no chamado “Arco Lamoso”, trecho estratégico localizado na foz do Rio Amazonas. A medida amplia a capacidade de navegação na região, melhora a segurança do transporte aquaviário e fortalece a competitividade dos portos do Arco Norte no comércio exterior brasileiro.

A mudança permite a circulação de embarcações maiores e com mais carga, aumentando a eficiência logística e reduzindo restrições operacionais em uma das principais rotas hidroviárias do país.

Novo calado amplia capacidade de carga dos navios

Com a atualização das condições de navegabilidade, o novo limite de calado passou para 11,85 metros em navios mercantes com cargas comuns e 11,65 metros para navios-tanque e embarcações que transportam cargas perigosas.

Os índices valem entre 1º de fevereiro e 15 de agosto de cada ano. Nos demais meses, os limites serão de 11,70 metros para navios mercantes e 11,50 metros para embarcações-tanque.

O “Arco Lamoso” é considerado o trecho mais crítico e raso da Barra Norte, localizada entre os estados do Pará e Amapá, com extensão aproximada de 45 quilômetros.

Região enfrenta desafios naturais para navegação

Segundo o diretor do Centro de Hidrografia e Navegação do Norte (CHN-4), capitão de fragata Anselmo Vinicius de Souza, a navegação na foz amazônica exige monitoramento constante devido à intensa dinâmica hidrológica da região.

Entre os fatores que dificultam a navegação estão o encontro de diferentes massas de água, as mudanças sazonais provocadas pelos períodos de cheia e seca dos rios e a movimentação sedimentar do estuário amazônico.

Por isso, a realização contínua de levantamentos hidrográficos e atualizações cartográficas é considerada essencial para garantir rotas seguras.

Medida beneficia exportações brasileiras

A ampliação do calado deve gerar impactos diretos no escoamento de commodities produzidas nas regiões Norte e Centro-Oeste, aumentando a eficiência do transporte marítimo e reduzindo custos logísticos.

O corredor hidroviário do Arco Norte é estratégico para as exportações brasileiras, especialmente de grãos e minérios.

De acordo com dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), os portos da região Norte registraram crescimento de 10,4% na movimentação de cargas em 2025, atingindo 163,3 milhões de toneladas — índice acima da média nacional.

Navios Panamax poderão transportar mais carga

Segundo a Marinha, o aumento do calado poderá representar um ganho significativo de capacidade para navios do tipo Panamax, embarcações projetadas para operar no limite das eclusas do Canal do Panamá.

A estimativa é que cada navio consiga transportar até 10 mil toneladas adicionais de carga, o que pode representar incremento de aproximadamente US$ 1 milhão por embarcação.

Marinha reforça segurança da navegação na Amazônia

Para viabilizar a mudança, a Marinha realizou levantamentos hidrográficos, monitoramento do leito do rio e análise da dinâmica sedimentar da região.

Ao todo, cerca de 110 quilômetros quadrados da Barra Norte passaram por sondagens para garantir a atualização segura dos parâmetros de navegação.

A atuação faz parte das atividades permanentes da Força Naval voltadas à segurança da navegação em águas brasileiras, incluindo produção de cartas náuticas e sinalização marítima.

Hidrovias ganham importância na logística brasileira

O fortalecimento do transporte hidroviário também é visto como alternativa para reduzir a dependência das rodovias no país.

Além de ser mais eficiente energeticamente, o modal aquaviário apresenta menor custo operacional e menor emissão de poluentes, especialmente no transporte de cargas de grande volume.

Na Amazônia, onde a infraestrutura rodoviária ainda é limitada, as hidrovias desempenham papel fundamental na integração regional e no desenvolvimento econômico.

Especialistas apontam que medidas como a ampliação do calado ajudam a tornar a matriz logística brasileira mais equilibrada, sustentável e competitiva.

FONTE: Agência Marinha de Notícias
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Agência Marinha de Notícias

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Sustentabilidade

Maersk conclui teste inédito com navio movido 100% a etanol

A Maersk, considerada a maior armadora do mundo, anunciou a realização bem-sucedida da primeira navegação de um navio abastecido integralmente com etanol. A operação ocorreu no primeiro trimestre de 2026 e foi divulgada pela companhia no relatório financeiro do período.

O teste representa mais um passo da empresa na busca por soluções de combustíveis renováveis para reduzir as emissões de carbono no setor marítimo.

Testes começaram com mistura entre etanol e metanol

Os experimentos da armadora com etanol tiveram início em 2025, utilizando combinações graduais do biocombustível com metanol em navios bicombustíveis. Essas embarcações conseguem operar tanto com bunker — combustível fóssil derivado do petróleo — quanto com alternativas renováveis.

Os primeiros testes utilizaram uma mistura com 10% de etanol e 90% de metanol. Posteriormente, a proporção evoluiu para 50% de cada combustível, até chegar ao uso integral do etanol.

Segundo a companhia, os resultados comprovaram que o biocombustível pode ser incorporado de forma segura e eficiente às operações marítimas.

Etanol surge como alternativa de baixa emissão

Para a Maersk, o uso do etanol amplia as possibilidades de descarbonização da frota marítima global.

A empresa avalia que o combustível pode se tornar uma alternativa escalável e de baixa emissão para navios bicombustíveis atualmente preparados para operar com metanol.

O avanço ocorre em um momento de forte pressão internacional para redução das emissões no setor naval. Regras da Organização Marítima Internacional determinam que o transporte marítimo elimine completamente as emissões de gases de efeito estufa até 2050. Até 2030, a meta mínima de redução é de 20%.

Atualmente, o setor responde por cerca de 2% a 3% das emissões globais de gases-estufa.

Maersk quer neutralidade de carbono até 2040

Além das metas internacionais, a armadora estabeleceu um compromisso próprio de alcançar a neutralidade de carbono até 2040, antecipando em dez anos o prazo estipulado pela IMO.

Para cumprir o objetivo, a companhia vem investindo em alternativas como bioetanol, e-metanol, biodiesel e outros combustíveis sustentáveis.

A empresa já encomendou 45 navios bicombustíveis, sendo que 14 embarcações já estão em operação.

Setor marítimo amplia busca por combustíveis renováveis

Outras companhias de navegação também aceleram investimentos em tecnologias voltadas à transição energética. Entre as alternativas mais estudadas estão o gás natural liquefeito (GNL), a amônia verde e os biocombustíveis.

Especialistas do setor estimam que, caso apenas 10% da frota mundial passe a utilizar etanol, a demanda global pelo combustível poderá atingir 50 bilhões de litros por ano — volume superior à produção atual do Brasil, mesmo considerando o crescimento do etanol de milho.

Brasil pode ganhar espaço no mercado marítimo de biocombustíveis

Os principais fornecedores globais de etanol para o transporte marítimo são os Estados Unidos e o Brasil, responsáveis juntos por aproximadamente 80% da produção mundial do biocombustível.

Apesar do potencial brasileiro, a falta de infraestrutura portuária para abastecimento de navios ainda é um desafio para ampliar a participação do país nesse mercado.

Nos testes realizados pela Maersk, cargas de etanol produzidas no Brasil foram transportadas até o Porto de Amsterdã, onde abasteceram o navio Laura Mærsk.

Origem sustentável do combustível preocupa setor naval

Além da logística, a indústria marítima acompanha com atenção a origem dos combustíveis alternativos utilizados nas embarcações.

No caso do etanol brasileiro, existe preocupação sobre possíveis impactos ambientais provocados pela expansão da produção agrícola para atender uma futura demanda bilionária do setor naval, incluindo riscos relacionados ao avanço do desmatamento.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Logística

Cabotagem no Nordeste movimenta 1,82 milhão de toneladas em janeiro e reforça logística regional

A cabotagem no Nordeste registrou movimentação de 1,82 milhão de toneladas em janeiro, conforme dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), organizados pelo Ministério de Portos e Aeroportos.

O desempenho foi puxado pelo Maranhão, responsável por 1,24 milhão de toneladas, seguido por Bahia (1,14 milhão), Pernambuco (1,07 milhão) e Ceará (892 mil toneladas). O resultado evidencia a força da navegação marítima regional como eixo logístico estratégico.

Principais cargas garantem energia e produção

Entre os itens mais transportados pela cabotagem brasileira, destacam-se:

  • petróleo bruto (950 mil toneladas)
  • bauxita (875 mil toneladas)
  • derivados de petróleo (867 mil toneladas)
  • contêineres (613 mil toneladas)

Esses produtos são fundamentais para o abastecimento energético, o funcionamento da indústria nordestina e a distribuição de bens essenciais à população.

Navegação fortalece economia e reduz custos logísticos

De acordo com o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, o crescimento da cabotagem no Brasil reforça o papel do modal marítimo no desenvolvimento regional.

Segundo ele, a expansão contribui para a geração de empregos, redução de custos logísticos e maior segurança no abastecimento, além de ampliar a conexão entre estados e mercados nacionais e internacionais.

Alternativa estratégica à matriz rodoviária

O avanço da logística marítima também ajuda a equilibrar a matriz de transportes no país. Ao concentrar grandes volumes nos portos, a cabotagem diminui a dependência das rodovias e melhora a eficiência no transporte de cargas estratégicas.

Políticas públicas impulsionam o setor

O crescimento do setor está diretamente ligado a iniciativas como o Programa BR do Mar, que trouxe maior organização, transparência regulatória e segurança para investidores e operadores da navegação entre portos.

Para o secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Otto Luiz Burlier, a combinação de regulação clara, planejamento e incentivos fortalece a integração logística e amplia a eficiência do transporte aquaviário no país.

Perspectivas de crescimento da cabotagem

Com a ampliação das rotas e o aumento da movimentação portuária, a cabotagem no Nordeste se consolida como alternativa estratégica para integrar regiões e otimizar o transporte de cargas.

A expectativa do governo é que o setor continue crescendo, aumentando sua participação na matriz de transportes e contribuindo para uma logística mais eficiente, sustentável e conectada em todo o Brasil.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ministério de Portos e Aeroportos

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