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Neltume Ports defende viabilidade jurídica de novo terminal de contêineres no Porto de Montevidéu

A Neltume Ports reafirmou a viabilidade jurídica do projeto Montevideo Container Terminal (MCT), apresentado para a construção de uma nova instalação especializada em contêineres no Porto de Montevidéu, no Uruguai.

A manifestação ocorreu após questionamentos da Katoen Natie, controladora de 80% da Terminal Cuenca del Plata (TCP). A empresa belga alertou que uma eventual aprovação do projeto pelo governo uruguaio poderia levar à abertura de um diferendo junto ao Centro Internacional de Arbitragem de Disputas sobre Investimentos (Ciadi).

Neltume prevê investimento de US$ 900 milhões

Em resposta, a Neltume Ports afirmou que o projeto foi apresentado dentro das regras jurídicas atualmente vigentes no país e que cabe às autoridades uruguaias analisar a proposta e decidir sobre sua eventual implementação.

A companhia chilena declarou ainda estar disposta a investir US$ 900 milhões no empreendimento. Segundo a empresa, o objetivo é ampliar a capacidade do Porto de Montevidéu e transformar a instalação em um hub logístico regional, com potencial para dobrar os volumes de carga nos próximos anos.

Decisão do Tribunal Administrativo é ponto central

Um dos principais argumentos apresentados pela Neltume é a decisão nº 719 do Tribunal de lo Contencioso Administrativo (TCA), publicada em 17 de dezembro de 2025.

A sentença anulou a cláusula 3.5.4 do regime de gestão da Terminal Cuenca del Plata, estabelecido pelo Decreto 114/021. O dispositivo impunha restrições à concessão da exploração de outras terminais especializados em contêineres.

Para a Neltume, com a anulação dessa cláusula, o Estado uruguaio deixou de estar submetido à limitação que restringia a concessão de novas instalações desse tipo.

A empresa também destacou que a Administración Nacional de Puertos, a TCP e empresas do grupo Katoen Natie, incluindo Nelsury S.A. e Seaport Terminal Montevideo S.A., participaram do processo analisado pelo TCA e estão abrangidas pelos efeitos da decisão.

Empresa cita livre concorrência no sistema portuário

Na interpretação da Neltume Ports, a sentença do TCA reforça a necessidade de preservar a livre concorrência no setor portuário e evitar a formação de monopólios de fato.

A companhia considera que a criação do MCT estaria alinhada a esse princípio ao adicionar infraestrutura, capacidade e alternativas para os usuários do Porto de Montevidéu.

Segundo a empresa, a entrada de um novo operador poderia contribuir para melhorar as condições de serviço, ampliar a oferta portuária e fortalecer a competitividade do comércio exterior uruguaio.

Neltume contesta argumento sobre estabilidade jurídica

A posição da companhia chilena contrasta com a interpretação apresentada pela Katoen Natie sobre a proteção jurídica concedida à TCP.

A empresa belga sustenta que as garantias contratuais e de investimento deveriam impedir uma decisão estatal capaz de alterar as condições econômicas estabelecidas para a operação da terminal.

A Neltume, por outro lado, argumenta que a decisão do TCA mudou a base jurídica que deve ser considerada na análise de uma eventual autorização para uma nova instalação de contêineres.

A empresa faz uma distinção entre uma alteração posterior das normas e a anulação judicial de uma disposição considerada incompatível com a legislação.

Cláusula anulada é considerada nula desde a origem

De acordo com a Neltume, a chamada cláusula de estabilidade jurídica prevista no acordo entre o Estado uruguaio e as empresas do grupo Katoen Natie poderia oferecer proteção, sob determinadas condições, contra mudanças regulatórias posteriores à assinatura do contrato.

A companhia afirma, entretanto, que situação diferente ocorre quando uma disposição é declarada nula pela Justiça administrativa por contrariar o ordenamento jurídico vigente.

Na avaliação da Neltume, a cláusula 3.5.4 anulada pelo TCA seria nula desde sua origem, o que a diferenciaria de uma mudança normativa posterior ao acordo firmado com a Katoen Natie.

Projeto pretende ampliar capacidade do Porto de Montevidéu

A Neltume Ports também ressaltou sua presença histórica no mercado uruguaio. A empresa atua no Porto de Montevidéu por meio da Montecon desde 2000.

Com base nessa experiência, a companhia afirma que o país tem uma oportunidade de ampliar sua capacidade portuária, recuperar volumes de carga e fortalecer sua posição como centro logístico regional.

Para a empresa, o projeto MCT representa uma proposta de ampliar infraestrutura portuária, capacidade operacional, concorrência e investimentos, com impactos esperados sobre o Porto de Montevidéu e o comércio exterior do Uruguai.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Porto de Montevidéu normaliza operações após paralisação no Terminal Cuenca del Plata

Caminhões voltam a ser recebidos após sete dias de suspensão de atividades

O Terminal Cuenca del Plata (TCP), no Porto de Montevidéu, voltou a operar normalmente nesta quinta-feira (9/10), após sete dias de paralisação que impediram o recebimento de caminhões.

Por volta das 9h (horário local), duas horas após o retorno dos trabalhadores, o terminal retomou suas atividades e os veículos começaram a ser recebidos novamente.

Acordo provisório e prazo para negociações

A decisão de encerrar a paralisação foi tomada em assembleia sindical, realizada na quarta-feira, após reunião entre representantes da TCP, o secretário da Presidência e os ministros do Trabalho e Seguridade Social e de Transporte e Obras Públicas.

Segundo o presidente do sindicato, Álvaro Reinaldo, a categoria decidiu suspender temporariamente as medidas diante da pressão de setores da economia uruguaia. Um prazo de dez dias de negociações foi estabelecido para buscar consenso sobre as reivindicações.

“Foi uma decisão difícil, mas aceitamos o pedido do governo. Agora esperamos que o mesmo empenho seja aplicado junto à empresa para atender nossas demandas”, declarou Reinaldo.

Ponto central do impasse

De acordo com informações da própria TCP, o sindicato se recusa a utilizar um novo sistema operacional já implantado. Os trabalhadores condicionam a adesão ao sistema à redução da jornada diária de oito para seis horas, mantendo, porém, o pagamento referente a oito horas.

A empresa, controlada em 80% pelo operador logístico belga Katoen Natie e 20% pela Administração Nacional de Portos, relembrou que o acordo bipartite em vigor possui uma cláusula de prevenção de conflitos, que exige negociação prévia antes da adoção de medidas como a paralisação.

Na terça-feira (8/10), a TCP divulgou uma mensagem em sua conta oficial na rede X (antigo Twitter), reforçando esse compromisso e alertando que poderia denunciar o acordo caso os trabalhadores não retornassem às funções.

Confira abaixo um histórico da movimentação de contêineres no longo curso no Porto de Montevidéu. O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner e excluem transbordo, cabotagem e outras movimentações internas:

Movimentação de Contêineres no longo curso no Porto de Montevidéu | Jan 2022 a Ag 2025 | TEU

Importância do Porto de Montevidéu

O Porto de Montevidéu é considerado estratégico para o escoamento de cargas no Cone Sul e a paralisação do TCP gerou impactos na logística e nas cadeias produtivas. A retomada das operações reduz a pressão sobre exportadores, importadores e transportadores que dependem da fluidez do terminal para manter seus negócios ativos.

FONTE: Yahoo Notícias
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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