Indústria

Máquinas antigas e juros altos pressionam a produtividade da indústria brasileira

A combinação de máquinas envelhecidas, juros elevados e dificuldades de acesso a investimentos ajuda a explicar um dos principais entraves da indústria brasileira: a baixa produtividade. Enquanto grandes empresas conseguem incorporar tecnologias avançadas, uma parcela significativa das fábricas ainda opera com equipamentos próximos do fim de sua vida útil.

Na unidade da ABB Robotics em Sorocaba, no interior de São Paulo, entre dez e 15 robôs industriais usados chegam todos os meses. Muitos passaram anos trabalhando em linhas de montagem de veículos, realizando tarefas como soldagem, pintura e movimentação de componentes.

Os equipamentos são desmontados, atualizados e submetidos a testes antes de voltar ao mercado. Um robô reformado pode custar entre 40% e 60% do valor de um modelo novo e, depois da recuperação, costuma ser vendido para indústrias de máquinas, alimentos, plásticos e autopeças.

Esse mercado de equipamentos recondicionados revela um problema mais amplo: o envelhecimento do parque industrial brasileiro.

Indústria brasileira opera com máquinas cada vez mais antigas

As máquinas utilizadas pela indústria nacional têm, em média, 14 anos. De acordo com uma sondagem da Confederação Nacional da Indústria (CNI), 38% dos equipamentos já atingiram ou estão próximos da idade considerada adequada para o fim de seu ciclo de vida pelo fabricante.

Para Rafael Cagnin, economista-chefe e diretor-executivo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), o cenário mostra o limite ao qual parte das empresas chegou para manter equipamentos antigos em operação.

Máquinas envelhecidas tendem a apresentar mais falhas e consumir mais energia. Além disso, os recursos destinados à manutenção deixam de ser utilizados na renovação das linhas de produção.

Nesse contexto, o retrofit industrial, que consiste na modernização de equipamentos existentes, aparece como alternativa para empresas que querem avançar na automação industrial sem assumir o custo integral de uma máquina nova.

Baixa produtividade é um problema histórico

A dificuldade para disseminar tecnologia entre empresas de diferentes portes contribui para um problema que acompanha a economia brasileira há décadas: a baixa produtividade do trabalho.

Em 2025, cada hora trabalhada no Brasil gerou, em média, US$ 21,2, considerando dólares de 2021 ajustados pela paridade do poder de compra, segundo estimativas da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

O resultado correspondia a 26% da produtividade registrada nos Estados Unidos e a 62% da observada no Chile. O indicador considera não apenas as máquinas disponíveis, mas também fatores como organização da produção, qualificação dos trabalhadores e infraestrutura.

O cenário ganha importância diante do envelhecimento da população brasileira. O chamado bônus demográfico, que respondeu por aproximadamente 70% do crescimento médio do PIB per capita nos anos 1990, já deixou de impulsionar a economia.

Com uma população economicamente ativa crescendo mais lentamente, o aumento da renda dependerá cada vez mais da capacidade de produzir mais a cada hora trabalhada.

Brasil ainda utiliza poucos robôs industriais

Apesar da presença de fornecedores internacionais de tecnologia e de linhas públicas de financiamento, o Brasil continua com uma densidade relativamente baixa de robôs industriais.

O país não aparece entre os dez maiores mercados de novas instalações de robôs no levantamento mais recente da Federação Internacional de Robótica (IFR).

Em 2024, a média mundial chegou a 132 robôs em funcionamento para cada 10 mil trabalhadores da indústria manufatureira. A Coreia do Sul, líder do indicador, registrava 1.220. No México, cuja indústria automobilística está fortemente integrada às cadeias produtivas dos Estados Unidos, eram 62.

No Brasil, segundo dados da IFR citados por Adrian Covi, gerente da área de Indústrias Gerais da ABB Robotics para a América do Sul, havia 19 robôs para cada 10 mil trabalhadores. Na indústria automotiva, a proporção chegava a 139, enquanto nos demais segmentos industriais era de apenas 13.

A ABB também realiza avaliações nas fábricas para identificar processos nos quais a robotização poderia trazer ganhos iniciais de eficiência.

Grandes empresas avançam, mas tecnologia não se espalha de forma uniforme

Rafael Cagnin, do IEDI, define o cenário brasileiro como uma situação de “heterogeneidade estrutural”. O conceito descreve a convivência entre empresas altamente tecnológicas e uma grande parcela do setor produtivo que permanece defasada.

Empresas como Embraer e WEG, por exemplo, conseguem competir internacionalmente utilizando tecnologias avançadas. Ao redor delas, porém, existe uma extensa cadeia de fornecedores menores, muitas vezes mais dependentes do mercado interno e com acesso limitado ao crédito.

Essa diferença de condições ajuda a explicar por que a modernização tecnológica não ocorre no mesmo ritmo em todos os segmentos da indústria brasileira.

Juros altos dificultam investimento em máquinas

A decisão de substituir uma máquina envolve também uma comparação financeira. Para uma empresa com recursos disponíveis, investir em equipamentos significa assumir riscos e esperar anos pelo retorno.

Em um ambiente de juros altos, entretanto, aplicações financeiras de menor risco podem oferecer uma alternativa mais atraente para o capital.

Em setembro, a taxa Selic estava em 13,75% ao ano, enquanto o IPCA acumulava alta de 4,22% em 12 meses. O juro real retrospectivo ficava, portanto, próximo de 9,5%.

Na prática, um projeto de expansão ou modernização industrial precisa apresentar retorno superior ao custo de oportunidade do dinheiro para se tornar financeiramente interessante.

O problema afeta principalmente pequenas e médias indústrias. Grandes grupos têm mais facilidade para emitir dívida ou captar recursos no exterior, enquanto empresas menores dependem do crédito bancário doméstico ou do próprio caixa.

Quando as vendas diminuem ou o custo do financiamento aumenta, a tendência é postergar a compra de novos equipamentos.

Investimento em automação pode aliviar falta de mão de obra

O baixo investimento em automação industrial também interfere na capacidade de aumentar a produção por trabalhador.

À medida que a mão de obra se torna mais escassa e os salários avançam, o investimento em tecnologia pode permitir que as empresas produzam mais sem depender proporcionalmente do aumento do número de trabalhadores.

Para Cagnin, esse mecanismo é fundamental para elevar a produtividade da indústria. O obstáculo, segundo o economista, é que o elevado custo do investimento dificulta justamente essa transição.

Impostos também entram na conta da modernização

O custo da automação brasileira não é determinado apenas pelos juros. A política de importação de máquinas e equipamentos também influencia o preço final.

A unidade da ABB Robotics em Sorocaba ocupa cerca de 4 mil metros quadrados e concentra atividades como treinamento, manutenção, montagem e testes de células robotizadas. A fabricação dos braços robóticos, porém, ocorre em outras unidades da empresa.

A ABB possui fábricas de robôs na China, nos Estados Unidos e na Suécia. No mercado brasileiro, os equipamentos são principalmente importados da China. Já componentes como garras, ferramentas e sistemas de visão podem ser desenvolvidos pela engenharia local e produzidos por fornecedores brasileiros.

Em fevereiro, o governo elevou para 20% o Imposto de Importação aplicado a um conjunto de máquinas e equipamentos, incluindo braços robóticos. A reação do setor levou a mudanças ainda naquele mês: o imposto voltou a zero para mais de cem produtos e retornou ao nível anterior para outros 15.

As alterações na tributação aumentam a incerteza para as empresas que precisam calcular o prazo de retorno de investimentos em células robotizadas e outras tecnologias de automação.

China ganha espaço no mercado de máquinas e robôs

A importância da China no fornecimento de equipamentos industriais também aparece nos números globais.

Em 2024, foram instalados 542 mil robôs industriais em todo o mundo, dos quais 295 mil na China, segundo a IFR. O país asiático respondeu por 54% das novas instalações e seus fabricantes conquistaram 57% do próprio mercado.

No primeiro bimestre de 2026, a China representou 36,2% das importações brasileiras de máquinas e equipamentos. Estados Unidos, Alemanha e Itália, juntos, responderam por 29,8%, de acordo com levantamento da Abimaq.

Um exemplo está na fábrica da BYD em Camaçari, na Bahia. Cerca de 200 robôs de pintura utilizados no projeto foram fornecidos pela ABB na China. No Brasil, ficaram a instalação dos equipamentos e aproximadamente US$ 1 milhão em serviços e mão de obra.

Pela metodologia da IFR, esses robôs entram nas estatísticas de instalações realizadas no mercado brasileiro, embora tenham sido fabricados na China. O dado, portanto, registra a modernização da unidade industrial, mas não significa que a fabricação dos equipamentos tenha ocorrido no país.

Robôs usados podem levar tecnologia a empresas menores

Existe ainda outro caminho para a disseminação da automação: a revenda de equipamentos usados.

Os robôs que chegam à unidade da ABB em Sorocaba são recuperados e podem deixar o setor automotivo, onde a densidade de equipamentos é maior, para atender segmentos industriais com menor nível de robotização.

Essa circulação de máquinas reformadas pode ampliar o acesso à tecnologia industrial entre empresas que não têm capital suficiente para comprar equipamentos novos.

O desafio para o Brasil é fazer com que a modernização ultrapasse as grandes fábricas e alcance uma parcela maior do parque produtivo. Em um cenário de envelhecimento populacional, o ritmo desse processo terá impacto direto sobre quanto a economia conseguirá produzir a cada hora de trabalho.

O avanço da produtividade industrial, portanto, dependerá da capacidade de superar simultaneamente obstáculos como máquinas antigas, crédito caro, tributação e desigualdade no acesso à tecnologia. São questões que estarão entre os desafios econômicos enfrentados pelo próximo governo, independentemente de quem vencer as eleições.

FONTE: Invest News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Daniela Arbex

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Transporte

Inadimplência no transporte rodoviário atinge maior patamar em 15 anos, alerta executivo da Rands

A inadimplência no transporte rodoviário de cargas alcançou o maior nível dos últimos 15 anos e acendeu um sinal de alerta para o setor. Atualmente, o índice de atraso no pagamento de operações de crédito para pessoas jurídicas gira em torno de 4,5%, percentual mais de quatro vezes superior ao registrado em períodos de maior estabilidade, quando ficava próximo de 1%.

A avaliação é de Luis Felipe Szmidtke, diretor executivo da Rands, empresa de soluções financeiras da Randoncorp. Segundo ele, o cenário é resultado da combinação de juros elevados, aumento dos custos operacionais, redução das margens de lucro e falhas na gestão financeira de parte das transportadoras.

Gestão financeira é apontada como fator decisivo

Na visão do executivo, os desafios enfrentados pelas empresas não estão relacionados apenas ao ambiente econômico. Ele destaca que muitos transportadores ainda priorizam o crescimento do faturamento, deixando em segundo plano indicadores considerados essenciais para a sustentabilidade do negócio.

Entre eles estão a geração de caixa, o controle de despesas e a eficiência operacional.

Szmidtke afirma que, nas análises de crédito, a capacidade de uma empresa gerar caixa pesa mais do que o volume de faturamento apresentado, já que esse indicador demonstra a real condição de honrar compromissos financeiros.

Profissionalização das empresas é desafio para acesso ao crédito

Outro ponto destacado pelo executivo é a necessidade de modernizar a gestão das transportadoras.

Segundo ele, muitas empresas expandiram suas operações ao longo dos anos, mas mantiveram processos administrativos semelhantes aos adotados quando possuíam uma estrutura muito menor.

Para Szmidtke, investir apenas na renovação da frota já não é suficiente. A profissionalização da gestão tornou-se um fator indispensável para garantir competitividade e ampliar o acesso ao crédito para transportadoras.

Na avaliação dele, empresas que continuam administrando seus negócios com modelos antigos tendem a enfrentar mais dificuldades para obter financiamentos nos próximos anos.

Instituições financeiras adotam critérios mais rigorosos

O aumento da inadimplência também levou as instituições financeiras a endurecerem os processos de concessão de crédito.

Segundo a Rands, as análises envolvem a avaliação das demonstrações financeiras, da documentação da empresa, dos contratos em vigor, da capacidade de geração de receita e do fluxo de caixa. Em financiamentos de maior valor, também podem ser realizadas visitas técnicas às transportadoras.

A maior seletividade ficou evidente durante o programa Move Brasil, criado pelo governo federal para incentivar a renovação da frota por meio de linhas de financiamento com juros reduzidos.

Mesmo com condições mais favoráveis, um número significativo de pedidos foi recusado por falta de capacidade financeira das empresas para assumir novas dívidas.

Crédito barato não elimina necessidade de planejamento

De acordo com Szmidtke, muitos empresários buscaram recursos apenas porque as taxas eram mais atrativas, sem avaliar se o financiamento fazia sentido para a realidade financeira da empresa.

Para ele, o acesso ao crédito deve estar alinhado à estratégia de crescimento e à estrutura de capital do negócio, evitando o aumento desnecessário do endividamento.

O executivo compara essa decisão ao uso de um medicamento: embora seja importante ter crédito disponível, ele só deve ser utilizado quando houver necessidade e condições adequadas para o pagamento.

Planejamento financeiro é diferencial em períodos de juros altos

Na avaliação da Rands, empresas que mantêm um planejamento financeiro consistente conseguem enfrentar com mais segurança os períodos de juros elevados e de maior restrição ao crédito.

Já transportadoras que não acompanham indicadores como fluxo de caixa, rentabilidade e controle de custos tendem a ampliar seu nível de endividamento e enfrentar mais dificuldades para acessar financiamentos em um mercado cada vez mais seletivo.

FONTE: Transporte Moderno
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Transporte Moderno

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Importação

Importações de aço caem 17% com medidas de defesa comercial e setor produtivo registra novos movimentos

As importações de aço no Brasil apresentaram forte retração nos cinco primeiros meses de 2026. O país importou 2,4 milhões de toneladas de produtos laminados e semiacabados, volume 17% menor em comparação com o mesmo período do ano anterior.

A redução está diretamente ligada às medidas de defesa comercial adotadas pelo governo federal, entre elas a aplicação de direitos antidumping sobre produtos provenientes da China e da Índia, implementadas entre janeiro e fevereiro. As ações buscam proteger a indústria siderúrgica nacional diante da concorrência internacional.

Castanha de baru do Cerrado Mineiro chega à Europa pela primeira vez

A castanha de baru produzida no Cerrado de Minas Gerais alcançou um novo mercado internacional. A Cooperativa Regional de Base na Agricultura Familiar e Extrativismo (Copabase) realizou a primeira exportação direta de 200 quilos do produto para a Áustria.

O embarque ocorreu em junho de 2026, poucas semanas após uma remessa de 800 quilos destinada a Dubai. A operação foi possível graças à autorização para comercialização no mercado europeu, concedida em julho de 2025.

De acordo com representantes da cooperativa e do Sebrae Minas, a iniciativa faz parte de uma estratégia de expansão internacional de longo prazo. O principal desafio, no entanto, continua sendo ampliar a produção artesanal para atender à crescente demanda antes da safra 2026/27.

Juros elevados e Copa do Mundo reduzem ritmo do setor moveleiro em Minas Gerais

A indústria de móveis em Minas Gerais registrou desempenho abaixo do esperado entre janeiro e maio de 2026. Segundo o Sindicato das Indústrias do Mobiliário e de Artefatos de Madeira no Estado de Minas Gerais, o cenário foi impactado principalmente pelas altas taxas de juros e pelos efeitos da Copa do Mundo, que reduziram o consumo e dificultaram o acesso ao crédito.

O elevado custo dos financiamentos também limitou investimentos em expansão por parte das empresas durante o primeiro semestre. Apesar do momento de desaceleração, a expectativa da entidade é de recuperação gradual da atividade a partir de agosto de 2026.

FONTE: Itatiaia
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação Instituto Aço Brasil

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Indústria

Preço de matérias-primas dispara com guerra no Oriente Médio e pressiona indústria, aponta CNI

A recente escalada de tensões no Oriente Médio provocou aumento significativo no custo das matérias-primas industriais, impactando diretamente o setor produtivo. De acordo com a Confederação Nacional da Indústria, o índice que mede a evolução dos preços desses insumos saltou de 55,3 para 66,1 pontos entre o último trimestre de 2025 e o primeiro de 2026.

O resultado representa o maior nível desde 2022 e reflete a pressão exercida pela valorização do petróleo e de outros insumos essenciais.

Juros altos e custos elevam pressão financeira

Além da alta nos insumos, as empresas enfrentam dificuldades financeiras. O indicador de satisfação com a situação financeira recuou para 47,2 pontos, enquanto o índice de lucro operacional caiu para 41,9 pontos, atingindo um dos níveis mais baixos desde o período da pandemia.

O acesso ao crédito também piorou, chegando a 39 pontos — patamar considerado baixo e que evidencia obstáculos para financiamento das operações industriais.

Matéria-prima vira principal preocupação do setor

A carga tributária segue como o principal problema apontado pelos empresários, mas a preocupação com o custo e a disponibilidade de matérias-primas avançou rapidamente, passando a ocupar a segunda posição no ranking.

Segundo a CNI, esse movimento está diretamente ligado ao cenário internacional, com reflexos da guerra elevando os preços de insumos estratégicos e afetando o caixa das empresas.

Produção industrial mostra reação em março

Apesar do cenário desafiador, a atividade industrial apresentou recuperação em março. O índice de produção subiu para 53,7 pontos, indicando crescimento após meses de retração.

A utilização da capacidade instalada também avançou, alcançando 69%, acima da média histórica para o período. Ainda assim, os estoques permanecem abaixo do nível considerado ideal pelos empresários.

Emprego segue em queda, mas ritmo desacelera

O nível de emprego na indústria continua em retração, embora com menor intensidade. O indicador subiu levemente, mas permanece abaixo da linha de equilíbrio, acumulando mais de um ano de queda no número de trabalhadores.

Expectativas melhoram, mas investimentos recuam

Os sinais positivos na produção contribuíram para uma leve melhora nas expectativas industriais. Empresários projetam aumento da demanda, das exportações e da compra de insumos nos próximos meses.

Por outro lado, a intenção de investimento caiu pelo quarto mês consecutivo, influenciada pelo cenário externo incerto e pelos juros elevados.

Levantamento ouviu mais de 1,4 mil empresas

A Sondagem Industrial da CNI foi realizada com 1.406 empresas de diferentes portes entre os dias 1º e 13 de abril de 2026, oferecendo um panorama atualizado dos desafios e perspectivas da indústria brasileira.

FONTE: Agência de Notícias da Indústria
TEXTO: Redação
IMAGEM: Iano Andrade/CNI

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Economia

Crédito desacelera com juros elevados e atividade econômica mais fraca, aponta Febraban

A desaceleração do crédito bancário para empresas reflete um cenário econômico mais conservador, influenciado pela perda de ritmo da atividade industrial e pela manutenção de juros elevados. A avaliação é do diretor de Relações Institucionais, Trabalhistas e Sindicais da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Adauto de Oliveira Duarte.

Durante reunião da diretoria da FIESC, realizada na sexta-feira (30), Duarte afirmou que o crédito segue disponível, mas tem sido utilizado prioritariamente para sustentar as operações correntes das empresas, e não para expansão ou novos investimentos.

Crédito em Santa Catarina prioriza capital de giro

Em Santa Catarina, o saldo de crédito para pessoas jurídicas alcançou R$ 174,1 bilhões nos 12 meses encerrados em outubro de 2025. A maior parcela está concentrada em capital de giro, que somou R$ 50 bilhões, indicando que as empresas recorrem aos empréstimos para manter caixa, estoques e custos operacionais.

Já os financiamentos destinados à infraestrutura e projetos totalizaram R$ 32 bilhões, enquanto o crédito para investimento produtivo ficou em apenas R$ 3,6 bilhões, reforçando o adiamento de planos de expansão.

Segundo o diretor da Febraban, com a atividade econômica em desaceleração, o empresariado tende a postergar decisões de crescimento, reduzindo a procura por crédito de longo prazo.

Participação de SC no crédito nacional

O saldo total de crédito em Santa Catarina chegou a R$ 385,6 bilhões em outubro de 2025, o que representa 5,4% do crédito nacional. O indicador considera o estoque de empréstimos ainda não quitados e não corresponde ao volume de novas concessões.

No segmento de pessoas físicas, o crédito no estado somou R$ 211,4 bilhões, com destaque para o financiamento habitacional, que atingiu R$ 62,7 bilhões. O crédito pessoal chegou a R$ 47,1 bilhões, respondendo por 12,4% do consumo das famílias catarinenses.

Cenário nacional mostra ritmo mais fraco

No panorama nacional, a desaceleração do crédito às empresas é ainda mais evidente. Em 2025, até novembro, as linhas com recursos livres cresceram apenas 4%, após terem avançado 11,5% em 2024.

Em contrapartida, os financiamentos com recursos direcionados registraram alta de 25%, impulsionados por programas governamentais como o Plano Safra e linhas do BNDES.

De acordo com Duarte, micro, pequenas e médias empresas continuam buscando crédito para enfrentar um ciclo econômico menos favorável. Já as grandes companhias reduziram a demanda por empréstimos bancários, recorrendo com mais frequência ao mercado de capitais como fonte alternativa de financiamento.

Inadimplência e endividamento das famílias

A inadimplência entre micro e pequenas empresas segue elevada e em trajetória de alta. Em agosto de 2025, o índice atingia 8,2% nas pequenas empresas e 7,4% nas microempresas.

No caso das famílias, o endividamento, excluído o crédito habitacional, chegou a 30,9% da renda anual em outubro de 2025. O crescimento do crédito às pessoas físicas veio acompanhado de maior participação de cartão de crédito e crédito pessoal não consignado, modalidades com juros mais altos.

Segundo a Febraban, esse movimento aumenta o comprometimento da renda e pressiona a inadimplência, reduzindo a margem financeira das famílias.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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Investimento

Juros altos freiam investimentos e limitam expansão das empresas no Brasil

A permanência da taxa básica de juros em 15% ao ano segue como um dos principais entraves ao crescimento econômico no país. Com o crédito caro, empresas têm adiado projetos, reduzido planos de expansão e segurado investimentos de longo prazo, sobretudo em áreas que dependem fortemente de financiamento, como indústria, construção civil e infraestrutura.

Empresas adiam investimentos diante do custo do crédito

Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), realizada em novembro de 2025 em parceria com a Nexus, revela a dimensão do impacto dos juros elevados sobre o setor produtivo. De acordo com o levantamento, 77% das indústrias afirmam que aumentariam seus investimentos caso houvesse redução da taxa básica.

Outro estudo da entidade aponta que o alto patamar dos juros é hoje o principal obstáculo ao acesso ao crédito no Brasil. Na Sondagem Especial nº 98 – Condições de Acesso ao Crédito em 2025, elaborada com a ABDE, oito em cada dez empresas industriais que tiveram dificuldade para contratar empréstimos indicaram os juros como o maior problema nas operações de curto e médio prazo.

Garantias e falta de linhas adequadas também pesam

Além do custo financeiro, outros fatores contribuem para restringir o financiamento empresarial. Entre as empresas que enfrentaram dificuldades, 32% citaram exigências de garantias reais, como imóveis e bens móveis, enquanto 17% apontaram a ausência de linhas de financiamento adequadas às necessidades do negócio.

As restrições também aparecem no crédito de longo prazo, fundamental para investimentos estruturais, como ampliação da capacidade produtiva e aquisição de máquinas. Nesse segmento, 71% das empresas apontam os juros elevados como principal entrave, seguidos pela exigência de garantias (31%) e pela falta de linhas compatíveis (17%).

Juros altos reduzem o fôlego do crescimento

O cenário ajuda a explicar por que os investimentos produtivos perdem força em períodos prolongados de política monetária restritiva. Mesmo quando há demanda e projetos prontos para sair do papel, o custo do financiamento acaba tornando a expansão economicamente inviável.

Estudo do FMI mostra repasse rápido da Selic ao crédito

Um estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI) detalha como esse efeito se consolida no Brasil. Intitulado “Transmissão da política monetária para as taxas de empréstimo: evidências do Brasil”, o levantamento mostra que cerca de 70% do aumento da Selic é repassado às taxas de crédito em até quatro meses.

Segundo o FMI, a transmissão é ainda mais intensa nas linhas de crédito de mercado, usadas diretamente pelas empresas, onde o repasse da taxa básica é praticamente integral. Já no crédito direcionado, o impacto é bem menor, em torno de 20%, o que evidencia a sensibilidade do financiamento empresarial às decisões de política monetária.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN Brasil

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Economia

Selic mantida em 15% pressiona a economia e eleva custos, avalia CNI

A manutenção da taxa Selic em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) segue gerando forte preocupação no setor produtivo. Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o atual patamar dos juros impõe um custo elevado à economia, desestimula investimentos e aprofunda a desaceleração do crescimento econômico.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, defende que o Banco Central deveria iniciar imediatamente um ciclo de flexibilização monetária. Segundo ele, a decisão ignora sinais consistentes de desaceleração da inflação e amplia os prejuízos à sociedade e à atividade produtiva.

Na avaliação da entidade, a postura cautelosa do Banco Central já não se justifica diante do cenário econômico atual. “Manter a Selic em um nível tão elevado prejudica a economia e compromete o crescimento. É fundamental que a redução dos juros comece já na próxima reunião do Copom”, afirma Alban.

Inflação mostra trajetória de convergência para a meta

Dados recentes reforçam o argumento da indústria. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerrou 2025 com alta de 4,26%, abaixo do teto da meta de inflação, fixado em 4,5%, e inferior ao resultado de 2024, que foi de 4,83%.

As expectativas inflacionárias também apresentam trajetória de convergência. De acordo com o Boletim Focus, o mercado projeta inflação de 4% em 2026, recuando para 3,8% em 2027 e 3,5% em 2028, aproximando-se do centro da meta, de 3%. As próprias projeções do Banco Central indicam inflação de 3,1% no horizonte relevante da política monetária, considerando um cenário de queda dos juros.

Juros reais muito acima do nível necessário

Com a Selic em 15%, o Brasil opera com juros reais estimados em 10,5% ao ano. Esse percentual está cerca de 5,5 pontos percentuais acima da taxa de juros neutra, estimada pelo Banco Central em 5% ao ano — nível que não estimula nem retrai a atividade econômica.

Segundo cálculos da CNI, uma taxa de juros em torno de 10,3% ao ano seria suficiente para controlar a inflação e, ao mesmo tempo, preservar o crescimento e o emprego. Isso significa que a Selic atual está aproximadamente 4,7 pontos percentuais acima do patamar considerado adequado.

Crédito caro trava investimentos e amplia o Custo Brasil

Os efeitos da Selic elevada são sentidos diretamente pelas empresas. Levantamento da CNI aponta que 80% das indústrias que enfrentaram dificuldades para contratar ou renovar crédito de curto e médio prazo indicam os juros altos como principal obstáculo. Entre aquelas com problemas no crédito de longo prazo, o percentual chega a 71%.

Além disso, um terço das empresas industriais relatou piora nas condições de financiamento nos últimos seis meses, incluindo taxas de juros mais altas, prazos menores, carência reduzida e maior exigência de garantias. Nesse contexto, a oferta de crédito perdeu ritmo: em 12 meses até novembro de 2025, as concessões cresceram apenas 3,7%, bem abaixo dos 10,7% registrados no período anterior.

O encarecimento do capital também agrava o chamado “Custo Brasil”, conjunto de entraves estruturais, burocráticos, financeiros e tributários que reduzem a competitividade da indústria nacional e dificultam a inserção dos produtos brasileiros no mercado internacional.

Crescimento econômico e confiança em queda

O cenário de juros elevados impacta diretamente as projeções econômicas. A CNI estima crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,8% em 2026, abaixo dos 2,5% previstos para 2025. Organismos internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, também revisaram suas estimativas, projetando expansão de 1,6% e 2%, respectivamente.

Outro reflexo é a perda de confiança do empresariado. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) atingiu 48,5 pontos em janeiro de 2026, o pior resultado para o mês em uma década. Em uma escala de 0 a 100, valores abaixo de 50 indicam falta de confiança, o que reduz decisões de produção, contratação e investimento e pode comprometer a oferta futura da economia.

Fonte: Confederação Nacional da Indústria (CNI).

TEXTO: REDAÇÃO

IMAGEM: CNI / Gilberto Sousa

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Informação

Juros altos dificultam acesso ao crédito para 80% das indústrias brasileiras

O acesso ao crédito segue limitado para a maior parte do setor industrial no Brasil. Levantamento divulgado nesta segunda-feira (19) revela que 80% das indústrias enfrentaram algum tipo de dificuldade para obter financiamento, principalmente devido aos juros elevados, que continuam sendo o principal obstáculo para novos investimentos.

Os dados fazem parte da Sondagem Especial: Condições de Acesso ao Crédito em 2025, realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), com apoio da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE).

Juros elevados lideram as queixas das empresas

Entre os empresários que relataram problemas para acessar crédito de curto ou médio prazo, com vencimento de até cinco anos, oito em cada dez apontaram os juros altos como o maior entrave. Na sequência, aparecem a exigência de garantias reais, como imóveis e máquinas, citada por 32%, e a falta de linhas de crédito adequadas, mencionada por 17%.

A situação é semelhante no crédito de longo prazo, acima de cinco anos. Nesse caso, 71% das empresas atribuíram as dificuldades às taxas de juros, enquanto 31% reclamaram das garantias exigidas e 17% da ausência de produtos financeiros compatíveis com seus projetos de investimento.

Segundo a analista de Políticas e Indústria da CNI, Maria Virgínia Colusso, o atual cenário monetário contribui diretamente para o encarecimento do crédito. Com a taxa Selic em 15% ao ano e juros reais próximos de 10%, o financiamento se torna menos atrativo e acaba desestimulando investimentos em expansão, modernização e inovação.

Selic alta reduz a procura por financiamento

A pesquisa mostra que a busca por crédito também diminuiu de forma significativa nos meses anteriores ao levantamento. Nos seis meses analisados, 54% das indústrias não procuraram crédito de longo prazo, enquanto 49% deixaram de buscar crédito de curto ou médio prazo.

Entre as empresas que efetivamente contrataram ou renovaram financiamentos, apenas 26% acessaram crédito de curto prazo. No caso do crédito de longo prazo, o índice foi ainda menor, chegando a 17%.

Crédito de longo prazo é o mais difícil

As tentativas frustradas são mais frequentes nos financiamentos com prazos mais extensos. Quase um terço das empresas que buscaram crédito de longo prazo não obteve sucesso. Já no crédito de curto ou médio prazo, cerca de 20% das indústrias também não conseguiram aprovação.

O impacto varia conforme o porte da empresa. No crédito de curto ou médio prazo, 26% das médias empresas não obtiveram recursos, contra 21% das pequenas e 16% das grandes. No longo prazo, as dificuldades aumentam: 43% das médias empresas, 37% das pequenas e 27% das grandes não conseguiram acessar o financiamento desejado.

Empresários percebem piora nas condições de crédito

A avaliação das condições de crédito também reflete um cenário negativo. Para 35% das indústrias, as condições de crédito de curto ou médio prazo pioraram. No crédito de longo prazo, esse percentual ficou em 33%.

Quase metade dos empresários, 47%, afirmou que as condições permaneceram semelhantes. Já a percepção de melhora foi registrada por apenas 14% no curto ou médio prazo e 12% no longo prazo, indicando baixo avanço no ambiente de financiamento.

Risco sacado tem baixa adesão na indústria

A modalidade de risco sacado, utilizada para antecipação de recebíveis, ainda é pouco difundida no setor industrial. Apenas 13% das empresas contrataram esse tipo de operação nos últimos 12 meses. Outros 5% demonstraram intenção de contratar, enquanto 54% afirmaram não ter contratado nem pretendiam aderir. Já 29% não souberam ou preferiram não responder.

Nesse modelo, o fornecedor recebe o pagamento antecipadamente por meio de uma instituição financeira, enquanto o comprador assume o compromisso de quitar o valor na data acordada.

Perfil das empresas entrevistadas

A sondagem ouviu 1.789 indústrias entre os dias 1º e 12 de agosto do ano passado. Do total, 713 são empresas de pequeno porte, 637 de médio porte e 439 de grande porte, abrangendo diferentes segmentos da indústria nacional.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Washington Alves

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Economia

Juros altos e tarifaço dos EUA pressionam indústria, comércio e serviços de SC, aponta IBGE

Dados do IBGE sobre indústria, comércio e serviços em Santa Catarina mostram que a economia do estado sentiu, em novembro de 2025, os efeitos combinados dos juros elevados no Brasil e do tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos. As três pesquisas indicam retração na comparação anual, embora o desempenho acumulado de 2025 ainda permaneça acima da média nacional.

Indústria cai no mês, mas cresce no acumulado do ano

A produção industrial catarinense recuou 1,4% em novembro frente ao mesmo mês de 2024, resultado ligeiramente pior que o do Brasil, que registrou queda de 1,2%. No entanto, no acumulado de janeiro a novembro de 2025, a indústria de SC avançou 3,4%, enquanto a média nacional ficou em 0,6%.

Os segmentos que mais pressionaram negativamente o resultado mensal foram produtos de madeira (-16,8%), móveis (-14,1%) e metalurgia (-15,8%), setores diretamente impactados pelo tarifaço norte-americano e pelo custo do crédito.
Na outra ponta, tiveram desempenho positivo minerais não metálicos (9,4%), produtos químicos (6,7%) e alimentos (3,8%).

Serviços registram primeira queda do ano

O setor de serviços teve em novembro a primeira retração de 2025 na comparação anual, com queda de 0,2%, enquanto o Brasil apresentou crescimento de 2,5%. Mesmo assim, no acumulado do ano, Santa Catarina avançou 3,7%, acima do resultado nacional, de 2,7%.

Entre os destaques positivos estão serviços profissionais, administrativos e complementares, com alta de 13,6%, e informação e comunicação, que cresceu 5,1%. Já serviços prestados às famílias (-5,7%), transportes (-5,6%) e outros serviços (-6,8%) apresentaram retração.

Comércio mantém crescimento acima da média nacional

O comércio ampliado, que engloba atacado, veículos e materiais de construção, cresceu 1% em novembro frente ao mesmo período do ano anterior. No Brasil, o indicador caiu 0,3%. No acumulado de 2025, Santa Catarina registra alta de 2,6%, enquanto o país teve leve retração de 0,2%.

As principais quedas no mês vieram de veículos e autopeças (-4,1%) e do atacado de alimentos, bebidas e fumo (-5,3%). As vendas de materiais de construção avançaram 2%, mas com crescimento considerado moderado.

No varejo restrito, os maiores avanços foram observados em materiais de escritório (36,5%), produtos farmacêuticos (8,3%) e hipermercados e supermercados (6,6%).

Pressão deve continuar nos próximos meses

Os indicadores reforçam que os juros em torno de 15% e o tarifaço dos Estados Unidos seguem impactando a atividade econômica catarinense. A expectativa é de que esse cenário continue influenciando os resultados setoriais nos próximos meses.

FONTE: NSC Total
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/NSC Total

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Economia

Modelo econômico focado no consumo deve manter Selic em dois dígitos em 2026, avalia especialista.

Cenário econômico para 2026

A economia brasileira em 2026 deve enfrentar um ambiente desafiador, marcado pela tensão entre política fiscal expansionista e o esforço de controle da inflação, segundo análise da economista Rita Mundim, apresentada no especial Perspectivas 2026, da CNN Brasil.

De acordo com a especialista, a estratégia econômica baseada no estímulo ao consumo tende a dificultar a redução dos juros e prolongar a permanência da taxa Selic em patamar elevado.

Incertezas e retirada do forward guidance

Durante o debate, Mundim explicou que o Banco Central decidiu retirar o forward guidance — mecanismo de sinalização sobre decisões futuras de política monetária — diante das incertezas provocadas pela isenção do imposto de renda.

Segundo ela, os efeitos da medida começarão a ser sentidos já no início de 2026. “Ainda não há clareza sobre como as famílias irão utilizar os cerca de R$ 28 bilhões que devem ser injetados na economia, o que aumenta a imprevisibilidade do cenário”, avaliou.

Selic em dois dígitos

A economista projeta que a Selic deve encerrar 2026 em torno de 12,5%. Para Mundim, enquanto persistir um modelo que prioriza o consumo via crédito ou por meio de benefícios sociais, os juros básicos continuarão em dois dígitos.

Esse contexto, segundo a análise, limita investimentos, encarece o crédito e reduz o potencial de crescimento sustentável da economia.

Conflito entre política fiscal e monetária

Um dos principais alertas feitos pela especialista é o desalinhamento entre política fiscal e política monetária. Enquanto o governo adota medidas para estimular a demanda, o Banco Central atua de forma restritiva, elevando os juros para conter a inflação.

Para ilustrar o cenário, Mundim comparou a dinâmica econômica a um movimento contraditório: o governo acelera os estímulos, enquanto a autoridade monetária freia a economia, pressionando ainda mais a taxa de juros, influenciada pelo Risco Brasil e pela necessidade de controlar a inflação.

Risco Brasil e impacto político

O debate também abordou o papel do Risco Brasil, indicador que reflete a confiança dos investidores internacionais na estabilidade econômica e política do país. A inflação elevada, segundo a análise, afeta diretamente o poder de compra da população e influencia a percepção econômica, com reflexos nas decisões eleitorais.

Diante desse cenário, a economista avalia que 2026 será um ano decisivo não apenas do ponto de vista econômico, mas também político, exigindo maior coordenação entre as políticas públicas.

Fonte: Com informações da CNN Brasil.
Texto: Redação

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