Importação

Indústria de celulose e papel do Brasil perde espaço e pede aumento de tarifas de importação

A indústria brasileira de celulose, papel e painéis de madeira perdeu participação no comércio exterior no primeiro semestre de 2026 e passou a defender medidas de proteção contra o avanço das importações. Entre janeiro e junho, as exportações do setor somaram US$ 7,5 bilhões, queda de 5,9% em relação ao mesmo período de 2025. Em sentido contrário, as importações de papel cresceram 30,5% no mercado brasileiro.

Os dados são da Indústria Brasileira de Árvores, entidade que reúne produtores de celulose, papel e painéis no país. A associação também informou que as vendas do setor para a América do Norte recuaram 22,9%.

Guerras e protecionismo afetam o comércio global

Para Paulo Hartung, presidente da Ibá, o desempenho do semestre reflete uma combinação de conflitos internacionais e do aumento do protecionismo comercial, fatores que vêm alterando as cadeias globais de fornecimento.

Segundo Hartung, parte do excedente produzido em outros países está sendo direcionada para a América Latina, incluindo o Brasil. A estratégia da indústria brasileira, afirma o executivo, é ampliar a presença em diferentes mercados e manter abertas as negociações comerciais para aumentar a participação do país no comércio mundial.

Exportações de celulose recuam

A celulose continuou sendo o principal produto exportado pelo setor. As vendas externas alcançaram US$ 5,2 bilhões no primeiro semestre, enquanto o volume embarcado caiu 10,5%, para 9,4 milhões de toneladas.

A produção, por sua vez, permaneceu praticamente estável, em 13,9 milhões de toneladas.

A China continuou como principal destino da celulose brasileira e respondeu por US$ 2,5 bilhões das exportações do setor no período, embora tenha reduzido suas compras em 2,2%. As vendas para a Europa recuaram 0,3%.

Na América do Norte, os exportadores brasileiros enfrentaram um cenário tarifário mais complexo. Entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026, vigorou uma tarifa de 50% nos Estados Unidos, até que a Suprema Corte americana derrubou as cobranças. Desde então, passou a valer, provisoriamente, uma tarifa universal de 10%.

Papel ganha produção, mas enfrenta avanço das importações

As fábricas brasileiras elevaram a produção de papel em 2,4% no primeiro semestre, para 5,7 milhões de toneladas. As exportações do produto chegaram a US$ 1,2 bilhão, alta de 0,5% na comparação anual.

Apesar disso, o aumento das importações preocupa a indústria nacional. A Ibá apresentou, no fim de julho, um pedido à Secretaria de Comércio Exterior (Secex), ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, para elevar a tarifa sobre o papel cortado, utilizado principalmente nos formatos A4 e A3.

A entidade quer que a alíquota passe de 16% para 30%, limite permitido pela Tarifa Externa Comum do Mercosul.

Segundo a associação, as importações desse tipo de papel cresceram 160% entre janeiro e maio. Ao mesmo tempo, o preço médio do produto importado caiu 14%, para US$ 0,77 por quilo.

Setor recorre ao protecionismo diante da pressão sobre preços

José Carlos da Fonseca Júnior, diretor internacional da Ibá, afirmou que a indústria brasileira historicamente não dependeu de medidas protecionistas e construiu sua presença internacional por meio da competitividade.

Agora, porém, o setor considera necessário recorrer às tarifas diante do avanço de produtos importados vendidos a preços considerados agressivos.

Fonseca Júnior também destacou uma mudança no fluxo comercial. Segundo ele, fibra brasileira exportada para a China pode retornar ao país na forma de papel acabado, comercializado por valores inferiores aos praticados pelos fabricantes nacionais.

Com a perda de acesso ao mercado americano, produtores europeus também passaram a buscar novos destinos para seus produtos.

O Brasil é atualmente o maior exportador mundial de celulose e ocupa a sexta posição entre os maiores produtores de papel para embalagens. No ano passado, as exportações do segmento ultrapassaram US$ 15 bilhões.

Ibá pede tarifa maior para papel-cartão

A associação também apresentou, em junho, outro pedido relacionado ao papel-cartão, utilizado em embalagens de produtos farmacêuticos, alimentos e itens de higiene.

A tarifa desse produto, estabelecida em 16% em 2024, tem validade até outubro. A Ibá havia solicitado uma alíquota de 25%, mas recebeu autorização para manter os 16%. Agora, a entidade quer elevar a proteção para 35%.

A pressão ocorre em um momento em que os Estados Unidos mantêm tarifas antidumping e compensatórias sobre determinados papéis produzidos na China e na Indonésia. Os produtos chineses também estão sujeitos a uma cobrança adicional de 25%.

A capacidade das fábricas brasileiras também é um fator relevante: atualmente, a indústria consegue produzir cerca de 143% do volume consumido pelo mercado interno.

Exportadores redirecionam cargas após tarifas dos EUA

Em 22 de julho, os Estados Unidos passaram a aplicar uma tarifa adicional de 25%, baseada na Seção 301, sobre produtos brasileiros. A medida foi adotada após uma investigação americana que citou, entre outros pontos, desmatamento ilegal e lavagem de madeira.

Alguns produtos de madeira tropical, madeira serrada, lâminas, compensados e a maior parte das classificações de celulose ficaram fora da cobrança.

Diante das novas barreiras comerciais, exportadores brasileiros vêm redirecionando cargas para outros mercados em vez de simplesmente reduzir os embarques.

No primeiro trimestre, por exemplo, o volume movimentado pelo terminal de contêineres de Paranaguá com destino ao México aumentou 33%. A madeira de pinus brasileira também passou a ser direcionada com maior intensidade para a Argentina.

Levantamento da plataforma WoodFlow, com base nos registros aduaneiros do Comex Stat, aponta queda nas exportações de dez das principais linhas de produtos de madeira do Brasil no primeiro semestre. As vendas para os Estados Unidos recuaram cerca de um terço.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pulsar Imagens via Alamy

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Comércio Exterior

Setor da madeira movimenta R$ 3,17 bilhões e consolida relevância econômica em Mato Grosso

O setor da madeira em Mato Grosso encerrou 2025 com movimentação de R$ 3,17 bilhões, registrando crescimento de 2,86% em relação ao ano anterior. O desempenho confirma o peso econômico da cadeia florestal no estado, que produziu 16,4 milhões de metros cúbicos ao longo do ano, considerando vendas no mercado estadual, interestadual, exportações e comercialização de madeira em tora.

Comércio interestadual lidera destino da produção

O comércio interestadual foi o principal destino da produção mato-grossense, somando R$ 1,46 bilhão, o equivalente a 46,24% do total comercializado. O mercado interno estadual respondeu por R$ 877,2 milhões, enquanto as exportações de madeira alcançaram R$ 596,89 milhões, o que corresponde a US$ 113,01 milhões. Já a venda de madeira em tora movimentou R$ 232,1 milhões em 2025.

Crescimento sustentado pelo mercado interestadual

Na comparação com 2024, o avanço do setor foi impulsionado principalmente pelo desempenho do mercado interestadual, que registrou alta de 18,89%. Em contrapartida, as exportações recuaram 10,5%, enquanto o mercado estadual apresentou queda de 7,92%, segundo dados do Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira de Mato Grosso (Cipem).

Mesmo diante dessas retrações, o crescimento das vendas para outros estados compensou as perdas e garantiu a expansão global da cadeia da madeira no estado.

Exportações enfrentam entraves burocráticos

Apesar do recuo geral das exportações, as vendas para os Estados Unidos avançaram, mesmo com o aumento das tarifas de importação, que elevaram a taxação de produtos de madeira para até 50%. Os embarques para o país cresceram de US$ 13,7 milhões em 2024 para US$ 15 milhões em 2025.

Segundo o Cipem, a queda nas exportações não decorre de falta de mercado ou irregularidade na produção. O presidente da entidade, Ednei Blasius, destaca que o setor opera com manejo florestal sustentável e sistemas avançados de rastreabilidade.

Entre os principais obstáculos estão as exigências adicionais decorrentes da inclusão de espécies como Ipê e Cumaru na Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Flora e Fauna Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES), que ampliaram a burocracia e criaram gargalos operacionais, afetando a competitividade internacional da madeira brasileira.

Principais destinos da madeira mato-grossense

Em 2025, a Índia liderou como principal destino da madeira de Mato Grosso, com US$ 51,2 milhões e 156,8 mil toneladas exportadas. Na sequência aparecem os Estados Unidos, com US$ 15 milhões e 8,5 mil toneladas, a China, com US$ 11,1 milhões e 18,2 mil toneladas, a França, com US$ 7,1 milhões e 4,1 mil toneladas, e o Vietnã, com US$ 5,9 milhões e 9,5 mil toneladas.

Emprego e arrecadação fortalecem o interior

No mercado interno, a cadeia da madeira permanece como uma das principais atividades produtivas em diversas regiões do estado. Mato Grosso conta atualmente com 1.339 estabelecimentos ligados ao setor, que empregam 10.323 trabalhadores de forma direta e cerca de 30 mil indiretamente.

Em municípios como Colniza, o segmento responde por 18% dos empregos formais. Ao todo, a atividade gera postos de trabalho em 89 municípios, reforçando sua importância para o desenvolvimento regional.

A cadeia florestal também contribui para a arrecadação estadual. Em 2025, o Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab) arrecadou R$ 28,5 milhões provenientes do setor, recursos destinados a investimentos em infraestrutura e habitação.

Regulação, qualificação e perspectivas para 2026

Para 2026, está prevista a entrega do primeiro guia de coleta botânica de Mato Grosso, que deverá orientar as atividades do setor florestal. Paralelamente, o Cipem investe na qualificação profissional, com o projeto de Formação de Identificadores Botânicos, voltado à melhoria dos inventários florestais e à redução do tempo de registro das espécies.

Entre as principais demandas do setor estão a modernização do marco regulatório e a eliminação de exigências consideradas redundantes. O Cipem defende a extinção do Certificado de Identificação de Madeiras (CIM) e a migração do Sisflora 2.0 para o DOF+, ampliando a integração entre sistemas estaduais e federais. No âmbito nacional, o setor também busca ajustes em resoluções do Conama para reduzir custos e entraves à indústria florestal legal.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Sistema Fiemt

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Indústria

Serra Catarinense se destaca como polo industrial e exportador no setor florestal

A Serra Catarinense firmou-se como um dos principais polos exportadores de produtos de base florestal em Santa Catarina, unindo tradição industrial, abundância de recursos naturais e capacidade de inovação. Esses elementos contribuíram para a consolidação de dois polos com inserção internacional: o de madeira e móveis e o de celulose e papel, ambos altamente competitivos no mercado global.

Em 2024, o polo de madeira e móveis movimentou US$ 381,8 milhões em exportações, enquanto o polo de celulose e papel registrou US$ 166,5 milhões, reforçando a força da região no comércio exterior.

Estrutura produtiva sólida e mão de obra especializada

O estudo coordenado pelo Observatório Nacional da Indústria, com liderança do Observatório FIESC, mapeou os polos industriais por mesorregião. Na área serrana, o polo de madeira e móveis reúne 485 empresas e 9,8 mil trabalhadores, com foco em madeira serrada, painéis e MDF. Já o polo de celulose e papel reúne 27 indústrias e 4,4 mil empregados, principalmente na produção de papel kraft e recipientes de papel.

Para o presidente da FIESC, Gilberto Seleme, o desempenho industrial da região é reflexo de uma cultura produtiva consolidada e da capacidade de adaptação. Segundo ele, a Serra tem uma “base produtiva madura e inovadora”, aliada à proximidade de insumos essenciais, o que fortalece sua competitividade.

Cadeia florestal fortalece competitividade da Serra

A estrutura da mesorregião conta com 14,6 mil estabelecimentos, dos quais 2,5 mil são indústrias, empregando 33,2 mil trabalhadores formais. Lages lidera em número de empregados industriais, com 12,9 mil, seguida por Campos Novos (5,4 mil) e Curitibanos (3,4 mil). A tradição do setor florestal e a especialização em produtos de alto valor agregado são fatores determinantes para o avanço dos polos.

De acordo com o coordenador do estudo, Marcelo de Albuquerque, os polos internacionais contribuem diretamente para a diversificação econômica, ampliando a competitividade regional, estimulando a inovação e fortalecendo a formação de profissionais qualificados.

Exportações impulsionam a inserção global

No polo de madeira e móveis, os principais destinos das exportações são Estados Unidos (US$ 114,4 milhões), China (US$ 49,9 milhões) e México (US$ 40,2 milhões). Já no polo de celulose e papel, a liderança é da Argentina (US$ 45,2 milhões), seguida por Estados Unidos e México.

Entre as empresas de destaque, as três unidades da Klabin — Lages, Correia Pinto e Otacílio Costa — se sobressaem nas exportações de papel para embalagens. No segmento madeireiro, atuam com relevância BlueFlorest, G13 Madeiras, JJ Thomazzi e Madepar.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/FIESC

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