Comércio Exterior

BNDES já liberou R$ 5,3 bilhões pelo Plano Brasil Soberano para empresas afetadas por tarifas dos EUA

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou nesta quinta-feira, 23 de outubro, que já aprovou R$ 5,3 bilhões em crédito por meio do Plano Brasil Soberano, criado para amparar empresas brasileiras afetadas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos.

De acordo com o banco, 371 operações de crédito já foram realizadas. Do total, R$ 2,86 bilhões foram destinados à linha Capital de Giro, voltada a despesas operacionais; R$ 2,39 bilhões para a linha Giro Diversificação, que incentiva a busca de novos mercados; e R$ 52,46 milhões para a linha Bens de Capital, voltada à modernização produtiva.

Indústria lidera aprovações de crédito

As empresas da indústria de transformação foram as principais beneficiadas, com R$ 4,38 bilhões em financiamentos aprovados. Em seguida aparecem os setores de comércio e serviços (R$ 468 milhões), agropecuária (R$ 336 milhões) e indústria extrativa (R$ 127 milhões).

Até o momento, 470 solicitações de crédito foram protocoladas, somando R$ 8,27 bilhões, dentro de uma demanda estimada de R$ 14,5 bilhões, segundo levantamento feito pelo BNDES em parceria com instituições financeiras credenciadas.

Apoio à economia e manutenção de empregos

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou que o objetivo central do programa é preservar empregos e impulsionar o desenvolvimento de novos mercados de exportação.

“O BNDES mantém o compromisso de apoiar as empresas brasileiras impactadas pelo tarifaço. A determinação do presidente Lula é proteger os empregos e fortalecer a capacidade produtiva nacional”, afirmou.

O que é o Plano Brasil Soberano

O Plano Brasil Soberano foi criado pelo governo federal para reduzir os impactos econômicos da elevação unilateral das tarifas de importação dos EUA, que chegaram a até 50% sobre produtos brasileiros.

A iniciativa está estruturada em três eixos principais:

  • Fortalecimento do setor produtivo;
  • Proteção aos trabalhadores;
  • Diplomacia comercial e multilateralismo, voltada à defesa dos interesses brasileiros no cenário internacional.

FONTE: Agência Gov
TEXTO: Redação
IMAGEM: Getty Images/Via Secom-PR

Ler Mais
Industria

Indústria ganha espaço e agora responde por mais de 20% dos bens exportados à China

A China está demandando mais bens da indústria de transformação brasileira, com destaque para alimentos industrializados e celulose, com esses produtos passando a representar 20,8% do total exportado pelo Brasil para o gigante asiático entre janeiro e setembro deste ano.

No mesmo período do ano passado, esse peso era de 17,2%, mostram dados reunidos pelo CEBC (Conselho Empresarial Brasil-China) com base em números do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).

Enquanto isso, a agropecuária manteve sua participação nas vendas brasileiras à China, com 39,7%, e a indústria extrativa reduziu sua fatia de 43% para 39,4%.

“Boa parte dos bens que o Brasil exporta para a China na indústria de transformação são produtos do agronegócio que são industrializados, como carne bovina processada e celulose, e que tiveram alta na demanda”, afirma Tulio Cariello, diretor de conteúdo e pesquisa do CEBC.

Além do aumento de vendas em si, essa alta no peso da indústria de transformação se deveu à queda nas exportações de minério de ferro e petróleo para o país asiático no período, que restringiram a participação da indústria extrativa nas vendas a compradores chineses.

“Não há queda na demanda chinesa por produtos da indústria extrativa brasileira, estão até comprando mais em volume, mas tem a questão dos preços”, diz Cariello. “No caso do minério, por exemplo, houve alta de 4% no volume vendido, mas como o preço caiu, o faturamento se reduziu em 11%.”

Por produto, um dos destaques no levantamento do CEBC é a queda da China como destino da carne de frango brasileira. O país, que liderava as exportações desses alimentos no ano passado, caiu para o quarto lugar neste ano, atrás de países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Japão.

“O Brasil tem focado bastante o Oriente Médio, que é um grande mercado para a carne de frango brasileira”, diz Cariello.

Nas exportações de carne suína, a China saiu do topo do pódio para o terceiro lugar, perdendo para Filipinas e Japão.

As exportações de ferroligas para a China, como ferroníquel e ferronióbio, também foram destaque no período ao crescerem 49% no acumulado do ano. “Vemos uma alta de demanda chinesa por minerais específicos, voltados para a alta tecnologia ou transição energética”, diz o diretor do CEBC.

Os dados mostram que as exportações totais do Brasil para a China somaram US$ 75,5 bilhões no acumulado do ano, uma queda de 1,3% na comparação com o mesmo período do ano passado.

O país foi o principal destino das exportações brasileiras, com uma participação de 29,3%, quase o triplo dos Estados Unidos, que ficaram em segundo lugar, com 11,3% -as vendas ao país foram prejudicadas pelas tarifas impostas por Donald Trump ao Brasil.

Já as importações da China cresceram 15,4% no período, com o país asiático se mantendo como a principal origem das compras nacionais, com 25%, seguido pelos EUA, com 25%.

FONTE: Folha de São Paulo
IMAGEM: Reprodução/Folha de São Paulo

Ler Mais
Exportação

Tarifaço dos EUA afeta exportações brasileiras: Nordeste lidera queda em volume e Sul perde mais em dólares

Dois meses após a entrada em vigor do tarifaço imposto pelos Estados Unidos, as exportações brasileiras continuam em queda, com efeitos desiguais entre as regiões do país. Um levantamento do Centro de Estudos para o Desenvolvimento do Nordeste (FGV IBRE) mostra que, enquanto o Nordeste registra as maiores reduções em volume exportado, os polos industriais do Sul e Sudeste concentram as maiores perdas financeiras.

Segundo o estudo, os impactos do ajuste tarifário norte-americano são persistentes e representam um risco estrutural para setores estratégicos da economia brasileira, podendo afetar a atividade industrial, o emprego e a arrecadação estadual.

Nordeste sofre as maiores quedas percentuais nas exportações

Entre os seis estados com pior desempenho percentual nas exportações para os EUA em setembro de 2025, quatro são do Nordeste. O Mato Grosso (-81%) e o Tocantins (-74,3%) lideram as perdas, seguidos por Alagoas (-71,3%), Piauí (-68,6%), Rio Grande do Norte (-65%) e Pernambuco (-64,8%).

De acordo com a FGV, a vulnerabilidade da região está relacionada à baixa diversificação da pauta exportadora, à maior presença de produtos tarifados e à logística irregular, com embarques concentrados em períodos específicos.

Sul e Sudeste acumulam as maiores perdas em valor

Embora o Nordeste tenha registrado as maiores quedas percentuais, o maior prejuízo em dólares ocorreu em estados do Sul e Sudeste. As perdas mais expressivas foram observadas em Minas Gerais (US$ 236 milhões), Santa Catarina (US$ 95,9 milhões), São Paulo (US$ 94 milhões), Rio Grande do Sul (US$ 88,8 milhões), Rio de Janeiro (US$ 88,8 milhões) e Paraná (US$ 82,4 milhões).

Nos polos industriais dessas regiões, as reduções — entre 50% e 56% — atingiram principalmente os setores de metalurgia, componentes industriais e bens intermediários. A FGV alerta que parte dessas perdas já apresenta caráter estrutural, e não apenas um efeito pontual de calendário, resultado da antecipação de embarques nos meses anteriores.

Produtos isentos ajudam a reduzir o impacto em alguns estados

Estados com uma pauta mais diversificada conseguiram amortecer os efeitos do tarifaço por meio da exportação de produtos isentos de tarifas. Em São Paulo, esses itens cresceram 14,2% no acumulado do ano, alcançando US$ 624,45 milhões. Na Bahia, o avanço foi ainda maior: 45,5%.

No entanto, em estados como Pernambuco (-95,8%) e Minas Gerais (-51,9%), até os produtos isentos apresentaram queda, o que agravou o resultado geral das exportações.

Adaptação e novos mercados surgem como resposta

Alguns estados começaram a reconfigurar suas pautas de exportação para se adaptar às novas condições comerciais. O Ceará registrou crescimento de 152,9% nas exportações totais, impulsionado por produtos como “outras pedras de cantaria trabalhadas”, enquanto Goiás teve aumento de 20,9%, inclusive em bens não isentos.

A pesquisa do FGV IBRE conclui que o tarifaço dos EUA marca um novo ciclo de ajustes logísticos e comerciais, com reprecificação de produtos e redirecionamento de pedidos internacionais. O estudo recomenda que governos e empresas brasileiras adotem estratégias de gestão de riscos e diversificação de mercados para enfrentar o cenário global de maior proteção tarifária.

FONTE: Times Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Unsplash

Ler Mais
Industria

Alckmin destaca avanços nas negociações com os EUA e ressalta parceria com a indústria

Em reunião na CNI, ministro do MDIC destacou reversão de taxação para 8% das exportações impactadas e agradeceu o empenho do setor privado na defesa comercial brasileira

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, destacou nesta terça-feira (30/09) a importância do trabalho conjunto entre o governo federal e o setor produtivo na defesa dos interesses comerciais brasileiros frente ao tarifaço imposto pelo governo dos Estados Unidos a produtos brasileiros.

Convidado a participar da reunião de diretoria da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Alckmin disse que o encontro entre os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e dos EUA, Donald Trump, na ONU, foi um passo importante que terá desdobramentos para resolver o impasse tarifário.

Em sua fala, o ministro do MDIC destacou resultados positivos já alcançados nas negociações. “Se pegar essas últimas quatro semanas, foram 8% das exportações brasileiras afetadas pelo tarifaço que saíram. 4% na celulose. Agora mais 4% de madeira e móveis”, explicou.

O vice-presidente ressaltou, ainda, o papel do setor produtivo nas negociações, mencionando a missão empresarial coordenada pela CNI a Washington, no início de setembro. “Foi muito importante a ida da CNI e da delegação de empresários aos Estados Unidos. A Amcham e a US Chambers também têm ajudado, então essa parceria é muito importante para nos ajudar a resolver essa questão,” disse Alckmin, agradecendo o presidente da CNI, Ricardo Alban, pelo “empenho do setor privado brasileiro e americano”.

Coordenando o Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais, criado pelo governo federal para fazer frente à tarifa imposta pelos EUA, o vice-presidente realizou dezenas de reuniões com representantes de empresas brasileiras e norte-americanas para buscar soluções para o tarifaço.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, destacou a preocupação com a defesa comercial brasileira em um momento em que diversos países estão aplicando políticas protecionistas e se reposicionando globalmente. Ele também ressaltou o diálogo entre os setores públicos e privado.

“Se falamos tanto em complementariedade entre o setor público e o privado, eles têm e precisam se complementar para serem eficientes e mitigar os hiatos. Queremos transformar os desafios em oportunidades e chegarmos a discussões construtivas. A possibilidade do encontro entre os dois presidentes demostra a força dessa convergência”, disse Alban.

FONTE: MDIC
IMAGEM: Cadu Gomes/VPR

Ler Mais
Comércio Exterior, Exportação, Importação

Exportações do Brasil chegam a US$ 255,21 bi até a 4ª semana de setembro

Saldo comercial mantém resultado positivo em 2025

As exportações brasileiras somaram US$ 255,206 bilhões desde janeiro até a quarta semana de setembro de 2025. Já as importações alcançaram US$ 210,234 bilhões no mesmo período, resultando em um superávit de US$ 44,972 bilhões. A corrente de comércio acumulada no ano atingiu US$ 465,44 bilhões.

Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (29) pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC).

Desempenho da 4ª semana de setembro

Na quarta semana de setembro, a balança comercial registrou déficit de US$ 0,157 bilhão. As exportações somaram US$ 7,7 bilhões, enquanto as importações chegaram a US$ 7,9 bilhões. A corrente de comércio semanal atingiu US$ 15,6 bilhões.

No acumulado do mês, as exportações totalizam US$ 27,6 bilhões e as importações, US$ 25,5 bilhões, mantendo um saldo positivo de US$ 2,16 bilhões. A corrente de comércio mensal está em US$ 53 bilhões.

Comparativo com setembro de 2024

A média diária de exportações até a quarta semana de setembro de 2025 foi de US$ 1,381 bilhão, representando crescimento de 1,9% em comparação com setembro de 2024 (US$ 1,355 bilhão).

Nas importações, a média diária chegou a US$ 1,273 bilhão, alta de 14,3% frente à média de setembro de 2024 (US$ 1,113 bilhão).

Com esses resultados, a corrente de comércio diária média foi de US$ 2,654 bilhões, com saldo positivo diário de US$ 107,99 milhões. Em relação ao mesmo período do ano anterior, houve avanço de 7,5% no fluxo comercial.

Setores exportadores: agropecuária e indústria extrativa crescem

Entre os setores exportadores, a comparação com setembro de 2024 aponta os seguintes desempenhos na média diária:

  • Agropecuária: aumento de US$ 24,98 milhões (+9,2%)
  • Indústria Extrativa: alta de US$ 18,43 milhões (+6,4%)
  • Indústria de Transformação: queda de US$ 20,82 milhões (-2,6%)

Importações impulsionadas pela indústria de transformação

No mesmo comparativo, as importações por setor apresentaram o seguinte comportamento:

  • Indústria de Transformação: crescimento de US$ 180,13 milhões (+17,8%)
  • Agropecuária: recuo de US$ 0,59 milhão (-2,7%)
  • Indústria Extrativa: redução de US$ 18,86 milhões (-25,7%)

Cenário reforça atividade econômica

Os resultados da balança comercial mostram avanço da corrente de comércio e desempenho crescente das importações ligadas à indústria, enquanto as exportações seguem sustentadas pela agropecuária e pela indústria extrativa.

FONTE: Secex/MDIC.
TEXTO: REDAÇÃO
IMAGEM: ARQUIVO/PORTO DE ITAJAÍ

Ler Mais
Comércio Exterior, Industria

Indústria contrata escritórios na Ásia e Europa para ampliar mercados

Acordo foi firmado entre CNI e InvestSP, que também tem representantes no Oriente Médio e Estados Unidos.

Como parte da estratégia para minimizar os efeitos do tarifaço sobre a indústria brasileira, a CNI (Confederação Nacional da Indústria) fechou um acordo com a InvestSP para abrir novos mercados. Com a parceria, a entidade terá representantes em Dubai, Nova York, Munique e Xangai mapeando oportunidades comerciais.

De acordo com Frederico Lamego, superintendente de Relações Internacionais da CNI, os representantes comerciais vão identificar potenciais fornecedores e distribuidores, além de verificar normas regulatórias e técnicas de outros países, de modo que as indústrias brasileiras possam se adaptar a esses mercados.

“Esses escritórios têm uma cobertura maior. Por exemplo, o de Dubai cobre o Oriente Médio. O mercado chinês por si só é muito grande. Por outro lado, é difícil exportar produtos industriais para lá [China]. Tem que fazer uma agenda de influência com o governo [chinês]”, disse Lamego à CNN.

Apesar de estar buscando novos mercados, a entidade reconhece que o mercado norte-americano não é substituível. O segmento de madeira e móveis, por exemplo, adota procedimentos específicos na sua produção para atender exclusivamente os compradores dos Estados Unidos.

Outra estratégia que vem sendo implementada pela CNI é o mapeamento e análise de todos os acordos comerciais que estão sendo firmados entre os EUA e outros países, de forma a identificar brechas que podem ser utilizadas como argumento na negociação brasileira.

Missão aos EUA

No início de setembro, a CNI realizou uma missão a Washington com o objetivo de abrir canais de diálogo para reverter ou reduzir as taxas adicionais de importação sobre produtos brasileiros impostas pelos Estados Unidos. Cerca de 130 empresários e representantes de associações de setores industriais integraram a comitiva.

Durante a viagem, a entidade brasileira propôs ampliar a relação entre Brasil e EUA para além da negociação tarifária. Os empresários argumentaram que há setores estratégicos que podem ser explorados na relação econômica entre os países, como data centers , a produção de combustível sustentável de aviação (SAF) e os estudos sobre minerais críticos e terras raras.

“Nós levamos a ideia de criar uma agenda positiva na área de minerais críticos, data centers e SAF, no sentido de colocar para o lado americano a disposição do setor privado de abrir um canal de negociação que seja mais amplo do que simplesmente uma questão tarifária”, afirmou Lamego à CNN.

Nos EUA, a CNI também participou da audiência pública relacionada ao processo aberto pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, na sigla em português) com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que permite investigar políticas ou práticas de outros países consideradas injustas, discriminatórias ou restritivas ao comércio norte-americano.

A prestação de informações à USTR também é uma das frentes da CNI para reduzir às tarifas sobre as importações brasileiras. Entre as práticas questionadas pelo escritório, estão os acordos comerciais firmados entre Mercosul e Índia e o Brasil e o México.

De acordo com Lamego, a CNI buscou argumentar junto ao USTR que os acordos com a Índia e o México são restritos e limitados. Além disso, a entidade brasileira também alegou que a tarifa média praticada com o mercado norte-americano é inferior às implementadas no comércio com os indianos e mexicanos.

“Pode haver novos pedidos de informação por parte do governo americano. Pode acabar com as tarifas? Difícil. Mas, por outro lado, a justificativa da manutenção das tarifas pelo lado americano tem que está muito bem respaldada por eles, se isso vai extrapolar o mandato da agência, se está gerando algum tipo de discriminação, entre outros aspectos”, explica Lamego.

Também como parte da estratégia, a CNI contratou um escritório especializado em lobby para ajudá-lo nas negociações contra o tarifaço dos Estados Unidos. No radar da entidade brasileira, está ainda o acompanhamento dos efeitos das medidas do Plano Brasil Soberano na indústria.

Entre as ações do Plano Brasil Soberano que impactam diretamente a indústria, está o novo Reintegra (Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários), programa que devolve aos exportadores brasileiros parte dos tributos pagos ao longo da cadeia produtiva, na forma de crédito tributário. O governo aumentou as alíquotas para as empresas afetadas pelo tarifaço.

Além disso, o plano prorrogou por um ano o prazo para que as empresas consigam exportar suas mercadorias que tiveram insumos beneficiados pelo regime de drawback. O drawback é um regime aduaneiro que permite a suspensão ou isenção de tributos incidentes na aquisição de insumos empregados ou consumidos na industrialização de produtos exportados.

Fonte: CNN Brasil

Ler Mais
Industria, Investimento

BNDES anuncia R$ 3,3 bi em investimentos para indústria, logística e energia em SC

Presidente da FIESC, Gilberto Seleme, participou de evento em Itajaí que oficializou pacote de recursos voltados a setores estratégicos, entre eles a construção de oito embarcações de apoio offshore

O BNDES anunciou nesta segunda-feira (22), em Itajaí, um pacote de R$ 3,3 bilhões em investimentos para impulsionar três setores estratégicos em Santa Catarina: a construção naval, a infraestrutura rodoviária e a produção de biodiesel. Os recursos viabilizarão a construção de oito embarcações de apoio offshore no estaleiro Detroit Brasil, a pavimentação e recuperação de 117 km de rodovias estaduais e a implantação da primeira usina de biodiesel da Cooperalfa, em Chapecó.

O anúncio foi feito durante a assinatura do contrato entre o BNDES e a Starnav Serviços Marítimos para a construção das embarcações, em cerimônia realizada na superintendência do Porto de Itajaí. A expectativa é que os projetos ajudem a fortalecer a logística, gerem empregos e acelerem a transição energética no estado.

O presidente da FIESC, Gilberto Seleme, defendeu no evento uma atuação cada vez mais ativa do BNDES no Estado e reforçou o convite para que o presidente da instituição, Aloizio Mercadante, participe de um encontro com empresários na sede da entidade em outubro. “É fundamental que Brasília e o BNDES enxerguem com atenção o potencial produtivo de Santa Catarina”, afirmou.

O maior volume de recursos, R$ 2,5 bilhões, será destinado à Starnav para a construção de oito embarcações multipropósito no estaleiro Detroit Brasil, em Itajaí. Serão quatro navios do tipo PSV (Platform Supply Vessel) e quatro OSRV (Oil Spill Recovery Vessel), todos com motorização híbrida diesel-elétrica e capacidade de 5.500 toneladas de porte bruto, para a Petrobras.  

Retomada com responsabilidade ambiental

Além de mais eficientes, as novas embarcações vão emitir cerca de 18% menos gases de efeito estufa em comparação com a frota atual. Os contratos de afretamento já estão firmados com a Petrobras por um período de 12 anos. As obras devem gerar 1,4 mil empregos diretos e mais de 6 mil indiretos, movimentando a economia local e reforçando a retomada da indústria naval brasileira com foco em inovação e sustentabilidade.

Durante o evento, o CEO da Detroit Brasil, Juliano Zimmermann Freitas, destacou o simbolismo da retomada da construção naval com tecnologia nacional e responsabilidade ambiental. “Estamos falando de uma frota voltada para o futuro, com melhor desempenho energético, menor emissão de gases de efeito estufa e um desenho voltado à eficiência operacional. Esse projeto representa muito mais do que um marco comercial, é uma demonstração de confiança do governo federal, especialmente do BNDES, na capacidade do setor privado de liderar uma retomada sustentável da indústria naval”, afirmou.

Obras para rodovias

A segunda frente de investimentos contempla R$ 401 milhões para obras em rodovias estaduais, por meio do programa BNDES Invest Impacto. O pacote inclui a pavimentação de 9 km da SC-492 e a recuperação estrutural de outros 108 km nas SC-283, SC-120 e SC-305, abrangendo três macrorregiões do estado: Oeste, Meio-Oeste e Serra. As melhorias devem beneficiar diretamente cerca de 114 mil pessoas, além de contribuir para o escoamento da produção agroindustrial, com destaque para a cadeia de carnes.

Transição energética no campo

O terceiro eixo do pacote é voltado à transição energética no campo. A Cooperativa Agroindustrial Alfa, com sede em Chapecó, vai receber R$ 356 milhões para ampliar sua planta esmagadora de soja e construir sua primeira unidade de produção de biodiesel. A capacidade de esmagamento subirá de 2 mil para 3 mil toneladas por dia, com todo o volume adicional destinado à produção de biocombustíveis e seus subprodutos.

A nova usina poderá produzir até 1.150 metros cúbicos de biodiesel por dia e deverá evitar a emissão de aproximadamente 803 mil toneladas de CO₂-equivalente. Parte dos recursos virá do Fundo Clima, reforçando o alinhamento com as metas de descarbonização previstas na política Nova Indústria Brasil.

Durante a cerimônia de assinatura, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou que os projetos refletem um modelo de desenvolvimento que une competitividade, responsabilidade ambiental e geração de empregos. “Santa Catarina é um exemplo de como é possível crescer com sustentabilidade e inclusão produtiva. Nosso papel é garantir que os investimentos cheguem com eficiência e impacto”, afirmou.

O secretário de Estado de Portos e Aeroportos, Beto Martins, também ressaltou o momento positivo da economia catarinense e o papel dos investimentos para alavancar ainda mais o setor logístico. Segundo ele, Santa Catarina cresceu 7,4% na movimentação total de cargas entre janeiro e julho deste ano, bem acima da média nacional de 4,7%. “De cada cinco contêineres que passam pela costa brasileira, um circula por aqui. Isso mostra a relevância do estado e a importância de ampliar a infraestrutura”, destacou.

Com informações da assessoria de imprensa regional

Fontes:
Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina – FIESC
Gerência de Comunicação Institucional e Relações Públicas

Ler Mais
Industria

Indústrias de SC demitem em massa após tarifaço e tentam se reinventar em meio à crise

Negócios começaram a derreter com o anúncio da taxação para o Brasil, feito no dia 9 de julho

O ano de 2025 entrou para a história como o que impôs o pior e mais inimaginável desafio aos exportadores de Santa Catarina e do Brasil: enfrentar um tarifaço de 50% para vender aos Estados Unidos, o maior mercado externo catarinense e o segundo brasileiro, por um motivo de polarização política. Os negócios começaram a derreter com o anúncio da taxação para o Brasil, feito no dia 9 de julho, e seguiram com a entrada em vigor da mesma em 6 de agosto.

Apesar de o governo americano ter anunciado uma lista de isenções de aproximadamente 700 produtos, quase nenhum deles é exportado por SC ao país. A economia do estado está tendo que enfrentar o problema em cheio. A lista de setores afetados inclui madeira, móveis, veículos, autopeças, máquinas e equipamentos, alimentos, produtos químicos, materiais de construção, papel e equipamentos de transporte, entre outros.

O mais afetado é o de madeira e móveis, que teve como um dos pontos mais críticos até agora as demissões de quase 400 trabalhadores pela fabricante de móveis Artefama, de São Bento do Sul, na última quarta-feira (17). Ela anunciou uma reestruturação para se ajustar ao tarifaço. Além disso, duas empresas de madeiras de SC foram fechadas — mas o setor não informou quais foram.

Desde o anúncio de Donald Trump, cada empresa tentou ser resiliente a seu modo, antecipando vendas e entregas e ajustando preços. Agora, o continua com esforços para redução de preços no Brasil e junto aos clientes dos EUA, lobby em Washington para reduzir a tarifa por setor ou empresa, corte de custos portuários, linhas de crédito, busca de novos mercados e outras medidas.

Isso porque, até o momento, não há sinais de que poderá haver um acordo entre os governos dos dois países, ainda mais após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro — a verdadeira motivação da taxação de 50%. Por isso, todas as ações dos exportadores de SC não consideram um acordo próximo. Um grupo, como o de produtores de mel no Sul do Estado, espera que a Suprema Corte dos EUA derrube as tarifas e até mesmo force o governo Trump a devolver o que está sendo cobrado. Mas a realidade da crise vai aparecendo gradativamente, pois não existem sinais de que Trump esteja disposto a negociar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), o presidente a entidade, Gilberto Seleme, também acionista de um grupo empresarial exportador, lidera a busca de alternativas para que os setores resistam a esses primeiros meses e sigam vendendo para os EUA, visando redução de tarifas mais adiante. O líder da Fiesc é um dos mais atentos à luta pela redução de custos onde for possível, incluindo até a redução de tarifas portuárias.

A análise, tanto de Seleme quanto do economista-chefe da Fiesc, Pablo Bittencourt, é que nos primeiros meses as estatísticas não refletem muito a realidade porque muitas empresas adiantaram exportações aos EUA. No setor que mostrou estar sofrendo mais, o de madeira e móveis, o saldo de empregos em julho ficou negativo em 581 postos de trabalho com carteira assinada, segundo o Caged, do Ministério do Trabalho. Agora, em setembro, houve a decisão da Artefama e do fechamento de duas empresas.

A maior cidade de SC, Joinville, encerrou mais de 800 empregos na indústria em julho, mas esse recuo, segundo análises, foi mais em função dos juros altos do que devido ao tarifaço. Este mês, os impactos, segundo informações não oficiais, estão ocorrendo mais em função da redução de atividades devido ao tarifaço.

Sobre as duas empresas de madeira que fecharam, a Fiesc recebeu informações de que elas não tinham matéria-prima própria. O custo de comprar de terceiros ficou caro demais.

Recuo das exportações é evidência da crise

O dado que mostrou com mais evidência o impacto do tarifaço de 50% dos Estados Unidos até agora foi a queda de 19,5% das exportações catarinenses em agosto frente ao mesmo mês de 2024. Isso apesar de as vendas de SC ao mercado americano já estarem em queda gradativa desde o final de 2024. Já sentiam os riscos da promessa do presidente Donald Trump de adotar restrições a importações e, depois, iniciar a taxação com alíquota de 10% em abril deste ano.

Em meio a esforços para vender mais e a suspensão de pedidos, os EUA seguiram em agosto como o maior destino das exportações do estado, com receita de 119,2 milhões de dólares, 12,3% do total obtido lá fora. Mas foi um resultado sofrido, com queda de vendas dos principais produtos.Mesmo assim, apesar do início do tarifaço, SC fechou o mês com receita de 971,4 milhões de dólares nas vendas externas — crescimento de 1,54% frente ao mesmo mês do ano passado. O resultado positivo foi alcançado graças a mais vendas para outros mercados: as maiores altas foram para o México (+47%), Chile (+30,9%) e Argentina (+21,7%), apurou o Observatório Fiesc.

De janeiro a agosto, os resultados de SC também foram positivos na balança comercial. Houve crescimento de 5,9% no faturamento de exportações frente ao mesmo período de 2024, somando 7,94 bilhões de dólares. O produto que mais colaborou para esse resultado foi proteína de ave, com alta de 8,1% e receita total no ano de 1,44 bilhão de dólares. No ano, os Estados Unidos também foram o principal destino das exportações de SC. Elas somaram 1,1 bilhão de dólares, com recuo de 1,3%, e responderam por 14,2% do total. A partir de agora, todo mês será uma incógnita, com resultados diferentes.

Maior desafio é no setor de madeira e móveis

Desde que o presidente Trump iniciou as ameaças de elevar tarifas de importações, lideranças de Santa Catarina sempre reconheceram que o maior desafio seria enfrentado pelo setor de madeira e móveis. Isso por ter boa parte de commodity, ter maior concorrência no exterior e por representar quantidade relevante. Em 2024, esse setor respondeu por 44% das exportações de SC ao mercado americano, com 768,3 milhões de dólares.

— Estamos vendo que o exportador de madeira e móveis que tem floresta própria está conseguindo lidar com o preço mais alto. Como a matéria-prima é própria, consegue atribuir um preço mais baixo para a madeira e, assim, está conseguindo negociar e manter clientes. Quem não tem essa alternativa, está sofrendo – observa o economista-chefe da Fiesc, Pablo Bittencourt.

De acordo com o economista, outro obstáculo é que a concorrência asiática já vinha crescendo frente ao Brasil nesse setor, no mercado americano

— Mas os exportadores também estão se mobilizando e buscando outros mercados. Muitos produtores estão voltando a buscar antigos clientes na Europa. Porque nos EUA pagava-se melhor. Então, eles tinham um cliente cativo e acabaram se acostumando a colocar todos os ovos numa cesta só. Agora, estão voltando a buscar clientes que pagavam menos e faziam compras menores – destaca Bittencourt.

Pacote “desTarifaço” ajuda

Após o anúncio de medidas governamentais para amenizar a crise, a Fiesc também lançou o seu pacote, denominado desTarifaço. A série de medidas inclui consultoria gratuita, ajuda para conquistar novos mercados, lobby nos Estados Unidos, apoio a trabalhadores e outras ações.

Para as lideranças da Fiesc, tanto o presidente Gilberto Seleme quanto o primeiro vice-presidente André Odebrecht, se existe um setor que pode conseguir redução de tarifa sensibilizando o governo americano é o de madeira. Isso porque é grande a quantidade de madeira brasileira usada na construção civil e, com 50% de taxa, isso vai encarecer os imóveis por lá. O setor recebendo atenção especial e, há confiança de que poderá seguir vendendo aos EUA.

Seleme fez questão de citar uma série de medidas com esse foco. As exportações de SC estão conseguindo reduzir o preço da madeira, os importadores dos EUA decidiram reduzir um pouco seus preços, existe o incentivo do Reintegra (lei brasileira) e os portos de SC reduziram as tarifas para movimentar cargas. Somando tudo isso, dá uma redução de quase 25% no preço, o que coloca SC competitiva frente aos fornecedores asiáticos. Outra novidade para a entidade é o investimento em presença na capital americana, Washington, com um escritório especializado para fazer lobby. Essa é uma atividade legal nos EUA e a indústria de SC entendeu como necessária.

Além disso, entre as ações do desTarifaço da Fiesc para ajudar as empresas estão missões no exterior para buscar novos clientes. Quem está coordenando isso é a presidente da Câmara de Comércio Exterior da entidade, Maria Teresa Bustamante. Uma missão será realizada em novembro para a Argentina, aproveitando uma exposição internacional na capital, Buenos Aires.

Fonte: NSC Total

Ler Mais
Industria

BNDES começa hoje a liberar crédito para indústrias afetadas pelo tarifaço

Linhas estão abertas e funcionando. Empresas podem procurar seus agentes financeiros ou o próprio BNDES, informou o diretor do Banco, José Luis Gordon, durante reunião na FIESC

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) começa hoje a liberar as linhas de crédito para indústrias exportadoras afetadas pelo tarifaço. “Convido os empresários a já procurarem seus agentes financeiros ou o próprio BNDES porque as linhas já estão abertas e funcionando. Esse é o principal recado”, afirmou o diretor de desenvolvimento produtivo, inovação e comércio exterior do Banco, José Luis Gordon. Ele participou de encontro na Federação das Indústrias (FIESC), nesta quarta-feira, dia 17, e junto com técnicos do Banco apresentou detalhes operacionais de como as empresas podem acessar as linhas e as condições de acesso.

“Esse encontro foi muito importante porque as indústrias afetadas pelo tarifaço tiveram a oportunidade de conhecer as linhas de crédito e tirar dúvidas. Santa Catarina foi muito atingida, e o Plano Brasil Soberano veio numa boa hora e vai aliviar um pouco esse baque que o empresário catarinense teve”, afirmou o presidente da FIESC, Gilberto Seleme.

São R$ 40 bilhões em crédito no âmbito do Plano Brasil Soberano, dos quais R$ 30 bilhões do Fundo Garantidor de Exportações (FGE) e R$ 10 bilhões em recursos do próprio Banco. Os recursos vão financiar capital de giro e investimentos em adaptação da atividade produtiva, aquisição de máquinas e equipamentos e busca de novos mercados. Terão acesso aos recursos do FGE empresas de todos os portes que foram impactadas pela tarifa de 50% e cujo faturamento bruto com exportações aos Estados Unidos seja igual ou superior a 5% do total apurado entre julho de 2024 e junho de 2025.

Serão ofertadas quatro linhas de crédito com recursos do FGE: Capital de Giro (financiamento de gastos operacionais), Giro Diversificação (busca de novos mercados), Bens de Capital (aquisição de máquinas e equipamentos) e Investimento (inovação tecnológica, adaptação da atividade produtiva, de produtos, de serviços e de processos, e adensamento da cadeia produtiva). Os financiamentos serão realizados com cláusula contratual de compromisso de manutenção de empregos.

“Queremos viabilizar que os exportadores brasileiros consigam manter a atividade econômica, preservar e gerar empregos, diversificar mercados internacionais e modernizar e fazer a adaptação produtiva”, explicou Lívia dos Reis Rocha, superintendente de comércio exterior do BNDES.

Na reunião, técnicos do BNDES também apresentaram o Crédito Indústria 4.0, voltado para modernizar o parque industrial. São R$ 10 bilhões via BNDES e outros R$ 2 bilhões por meio da FINEP. A linha está aberta a empresas de qualquer porte. “A indústria é central para a agenda de desenvolvimento do país”, declarou Gordon.

Fonte: FIESC

Ler Mais
Industria

Indústria catarinense demite quase 400 trabalhadores e culpa tarifaço dos EUA

De acordo com relatos, muitos dos colaboradores não tinham qualquer indicação prévia de que seriam demitidos.

A cidade de São Bento do Sul (SC) foi surpreendida nesta quarta-feira (17) por uma onda de demissões em massa na indústria moveleira Artefama, uma das mais tradicionais do município. Segundo informações de sindicatos e ex-funcionários, cerca de 350 trabalhadores foram desligados em um único dia, em uma medida classificada como “dolorosa, porém necessária” pela própria empresa.

De acordo com relatos, muitos dos colaboradores não tinham qualquer indicação prévia de que seriam demitidos. Vídeos e áudios circulam nas redes sociais e em grupos de WhatsApp com imagens de funcionários se despedindo na porta da empresa e comentando a surpresa com a decisão. “Confirmamos que alguns desligamentos ocorreram hoje”, disse a empresa em nota oficial. “Pedimos, porém, muito respeito neste momento. Estamos falando de histórias, famílias e vidas”.

A empresa ressaltou que continua comprometida com a cidade e que aposta em um “novo ciclo de crescimento”, mesmo diante do cenário adverso no mercado internacional.

Motivo: tarifaço dos EUA

O presidente do Sindusmobil (Sindicato das Indústrias da Construção e do Mobiliário), Luiz Carlos Pimentel, afirmou que a medida é reflexo direto das novas tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos contra móveis brasileiros. O chamado “tarifaço” foi instituído pelo governo de Donald Trump (Republicanos), que retomou medidas protecionistas para produtos considerados concorrência desleal ao setor moveleiro norte-americano.

A Artefama, que tem os EUA como principal mercado de exportação, afirmou em comunicado: “As mudanças recentes no mercado internacional reduziram de forma significativa nossas vendas”. Ainda segundo a empresa, foi necessário “reduzir grande parte de nossa equipe para manter a operação viável e preparar a empresa para um novo ciclo de crescimento”.

Impacto para São Bento do Sul

A cidade é um dos principais polos moveleiros de Santa Catarina e teve destaque nas exportações em 2024, com mais de US$ 84 milhões em vendas internacionais de móveis. A expectativa de retomada esbarra na instabilidade causada pelas tarifas e na dificuldade de abertura de novos mercados em tempo hábil.

O sindicato dos trabalhadores (Siticom) afirma que ainda não recebeu a lista completa dos demitidos e aguarda o prazo legal de até 10 dias para homologações. A situação mobilizou entidades empresariais, órgãos públicos e a comunidade local.

Governo tenta conter crise

O governo federal, por meio do pacote “Brasil Soberano”, anunciou medidas emergenciais para conter os impactos do tarifaço, incluindo:

  • Linha de crédito de R$ 30 bilhões para empresas exportadoras afetadas
  • Apoio à adaptação de processos e inovação tecnológica
  • Abertura de compras governamentais para absorver parte da produção prejudicada

Já o governo de Santa Catarina liberou:

  • Crédito acumulado de ICMS de exportação
  • Postergação do ICMS por três meses
  • Linhas de crédito em reais e dólares com juros subsidiados pelo Estado
  • Cobertura de custos fixos para empresas com faturamento de até R$ 300 milhões e impacto direto nas exportações

Segundo Pimentel, embora os incentivos sejam bem-vindos, “não resolvem o problema na raiz”. Ele alertou que, para muitas empresas, a única saída no curto prazo é a redução de custos operacionais — o que inclui demissões.

Fonte: Jornal Razão

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook