Internacional

Açúcar fecha sexta-feira em sentidos opostos em Nova Iorque e Londres

Os contratos futuros de açúcar terminaram a sexta-feira (4) com movimentos distintos nas bolsas internacionais. Enquanto o mercado de Nova Iorque encerrou o pregão estável, as cotações em Londres registraram queda, mantendo a pressão vista ao longo dos últimos dias.

Os investidores seguem monitorando as medidas adotadas pela Índia, que busca ampliar a oferta do produto no mercado doméstico. A iniciativa pode reduzir a necessidade de compras externas e, consequentemente, limitar a demanda internacional por açúcar.

Açúcar em Nova Iorque e Londres

Na bolsa de Nova Iorque, o contrato de açúcar com vencimento em outubro terminou o dia sem variação, cotado a 18,07 cents por libra-peso.

Em Londres, o contrato para outubro caiu 350 pontos e fechou a US$ 523,10 por tonelada.

Medidas da Índia pressionam o mercado

A Índia ganhou destaque entre os principais fatores de pressão sobre os preços nesta semana. O governo reduziu de 400 para 200 toneladas o limite de estoque de açúcar permitido aos revendedores.

A nova regra começa a valer em 15 de setembro e permanecerá em vigor até 20 de novembro. O objetivo é evitar movimentos especulativos e elevar a quantidade de açúcar disponível no mercado interno.

Com maior oferta doméstica, o país pode precisar importar menos do que as estimativas anteriores indicavam. A perspectiva de uma demanda indiana por açúcar importado mais fraca acaba pesando sobre as cotações negociadas no mercado internacional.

Segundo maior produtor mundial, a Índia também possui forte participação nas exportações globais. Em 20 de agosto, o governo autorizou a entrada de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto importado, sem cobrança de impostos, até 31 de outubro. A decisão ocorreu diante das preocupações com o abastecimento interno.

Déficit global dá sustentação aos preços

Apesar da pressão exercida pelas medidas indianas, o mercado de açúcar global ainda encontra suporte nas projeções de uma oferta mais limitada na safra 2026/27.

A Organização Internacional do Açúcar (ISO) revisou seu cenário nesta semana e passou a estimar um déficit mundial de 200 mil toneladas para 2026/27. Na temporada anterior, a entidade calculava um superávit de 1,1 milhão de toneladas.

A produção global é estimada pela ISO em 180,1 milhões de toneladas na próxima temporada, volume 1% inferior ao registrado em 2025/26. Entre os fatores considerados está o possível impacto do El Niño sobre importantes áreas produtoras.

Outras instituições também trabalham com perspectivas de déficit. A Green Pool calcula saldo negativo de 3,2 milhões de toneladas, enquanto a StoneX estima déficit de 1,7 milhão de toneladas. Já a Covrig Analytics projeta uma diferença de 300 mil toneladas entre oferta e demanda.

Produção de açúcar também deve cair na Europa

O cenário de oferta mais restrita não se limita aos grandes produtores da América e da Ásia. Na Europa, o Observatório do Mercado de Açúcar da União Europeia prevê redução de 19% na produção em 2026/27, para 13,4 milhões de toneladas.

Dados da S&P Global Energy apontam, por sua vez, produção conjunta de açúcar na União Europeia e no Reino Unido de 14,98 milhões de toneladas. Se confirmado, seria o menor volume em 11 anos, em um cenário marcado pelos efeitos da seca e das temperaturas elevadas.

Chuvas na Índia permanecem abaixo da média

As condições climáticas continuam entre os principais riscos para a oferta mundial de açúcar. O Departamento Meteorológico da Índia informou que as chuvas de monção acumuladas entre junho e setembro estavam 13% abaixo da média até 4 de setembro.

O resultado representa uma melhora significativa em relação ao déficit de 42% observado até 30 de junho. Ainda assim, o Ministério de Ciências da Terra da Índia alertou que a temporada de monções pode ser a mais fraca do país em 11 anos.

O comportamento das chuvas é especialmente relevante para a produção agrícola. Uma temporada mais seca pode prejudicar o desenvolvimento da cana-de-açúcar e afetar a quantidade de matéria-prima disponível para as usinas.

Brasil contribui para o cenário de oferta restrita

O Brasil, maior produtor mundial de açúcar, também aparece no radar do mercado diante da redução da produção no Centro-Sul.

Dados divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) em agosto mostraram que a produção de açúcar na região recuou 26,3% em junho, para 3,903 milhões de toneladas.

Outro elemento importante é a decisão das usinas entre produzir açúcar ou etanol. Quando o mercado apresenta condições mais favoráveis ao etanol, uma parcela maior da cana pode ser destinada à fabricação do biocombustível, reduzindo o volume direcionado ao açúcar.

El Niño aumenta as preocupações com a oferta

O El Niño continua sendo acompanhado de perto pelos participantes do mercado. A possibilidade de alterações no regime de chuvas em países como Brasil, Índia e Tailândia, que estão entre os principais produtores mundiais, aumenta a preocupação com a disponibilidade de açúcar nas próximas safras.

Dessa forma, o mercado permanece dividido entre fatores de curto e médio prazo. As medidas adotadas pela Índia aumentam a pressão sobre os preços no momento, enquanto as perspectivas de menor produção em importantes regiões produtoras e os riscos climáticos mantêm as projeções de oferta de açúcar no centro das atenções.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Internacional

Índia apreende alimentos com datas de validade e rótulos nutricionais falsificados

Autoridades da Índia desarticularam em Mumbai uma operação clandestina que alterava datas de fabricação e validade e modificava informações nutricionais de alimentos produzidos originalmente por grandes multinacionais. Os produtos de empresas como PepsiCo, Nestlé, Coca-Cola e Unilever seriam posteriormente enviados para outros países.

A operação ocorreu em um galpão localizado na região industrial de Navi Mumbai, a cerca de 25 quilômetros do aeroporto internacional da cidade. Durante seis dias de investigação, fiscais de alimentos apreenderam mercadorias avaliadas em aproximadamente US$ 80 mil.

A inspeção também identificou produtos químicos utilizados para remover informações originais das embalagens, além de equipamentos empregados para imprimir e aplicar novos rótulos.

Produtos de grandes marcas estavam no galpão

Entre os itens encontrados estavam produtos como batatas Lay’s, salgadinhos Kurkure, macarrão Maggi, sopa Knorr, maionese Hellmann’s e latas de Thums Up e Limca.

De acordo com as autoridades, grande parte dos alimentos estava vencida ou próxima do vencimento. A suspeita é de que as informações das embalagens fossem modificadas para permitir a comercialização dos produtos em mercados estrangeiros.

O caso foi descoberto durante uma ação de fiscalização do estado de Maharashtra, cuja capital é Mumbai. A operação faz parte de uma ofensiva mais ampla de segurança alimentar conduzida pela administração estadual.

Datas originais eram apagadas e substituídas

No interior do depósito, fiscais encontraram produtos químicos que, segundo as autoridades, eram usados para apagar as datas impressas originalmente nas embalagens.

Depois, trabalhadores inseriam novas informações por meio de um computador e utilizavam máquinas para imprimir os dados falsificados e aplicá-los nos produtos.

Segundo documentos policiais, as datas originais de fabricação e validade eram raspadas ou removidas antes de receberem novas informações.

O estabelecimento era administrado pela empresa privada Sadhana Enterprises. De acordo com informações divulgadas pelo governo estadual e registradas em documento policial, o proprietário afirmou que o serviço era realizado para 19 exportadores pouco conhecidos.

Produtos seriam destinados ao mercado externo

As autoridades informaram que toda a mercadoria localizada no depósito estava destinada à exportação, embora não tenham identificado quais países receberiam os produtos.

Entre os materiais encontrados havia rótulos em inglês e francês, indicando que parte dos alimentos poderia ser preparada para mercados internacionais com diferentes exigências de rotulagem.

Um exemplo foi uma embalagem de Kurkure com informações nutricionais nos dois idiomas.

Rótulos nutricionais também eram alterados

Além das datas, a investigação identificou modificações nos rótulos nutricionais e listas de ingredientes.

Em algumas embalagens de macarrão Maggi, por exemplo, foram encontrados rótulos falsificados colados sobre as informações originais. Uma das versões apresentava o produto como de origem indiana e estava preparada para exportação.

Em outro caso, um rótulo de Kurkure em inglês e francês apresentava alterações na composição declarada. A quantidade de cereais indicada nos ingredientes havia sido reduzida em 10%, enquanto valores de calorias e tamanho das porções também foram modificados.

Segundo as autoridades, as mudanças aparentavam ter como objetivo adequar os produtos às regras de rotulagem e exigências sanitárias de outros países.

Investigação não aponta envolvimento das multinacionais

O processo policial não acusa PepsiCo, Nestlé, Coca-Cola ou Unilever de participação na fraude. As empresas foram procuradas para comentar o caso, mas não haviam respondido às solicitações de informações até a publicação da reportagem.

O responsável pela administração estadual de alimentos de Maharashtra, Tukaram Mundhe, defendeu maior responsabilidade de todos os participantes da cadeia de fornecimento.

Para ele, fabricantes e demais empresas envolvidas precisam garantir que embalagens, marcas e comercialização estejam de acordo com as normas aplicáveis.

Também não havia confirmação, até então, sobre eventuais prisões relacionadas ao caso.

Fiscalização de alimentos é ampliada na Índia

A Índia enfrenta desafios históricos na aplicação das normas de segurança alimentar. As ações de fiscalização frequentemente se concentram em casos de adulteração, especialmente envolvendo produtos lácteos.

Em Maharashtra, a fiscalização ganhou maior intensidade sob a atual administração da Food and Drug Administration. O trabalho inclui inspeções sem aviso prévio em estabelecimentos comerciais e de alimentação.

De acordo com Mundhe, os investigadores chegaram a encontrar embalagens com uma suposta data de fabricação futura — 2 de outubro de 2026 — entre os materiais armazenados no galpão.

O caso chama atenção para os riscos de alterações clandestinas em produtos destinados ao comércio internacional e para a necessidade de maior controle sobre a cadeia de exportação de alimentos.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Francis Mascarenhas

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Importação

Índia deve registrar importação recorde de óleo de soja em agosto

A Índia deve importar um volume histórico de óleo de soja em agosto, impulsionada pela combinação de preços competitivos, aumento da demanda antes das festividades de fim de ano e dificuldades nos embarques de óleo de girassol provocadas pela guerra entre Rússia e Ucrânia.

Estimativas de operadores do mercado indicam que as compras indianas de óleo de soja podem alcançar 620 mil toneladas em agosto, aproximadamente 46% acima da média mensal de 424.549 toneladas registrada na atual safra, iniciada em novembro.

A projeção foi feita por quatro operadores diretamente envolvidos nas negociações, que optaram por não revelar seus nomes devido às políticas de suas empresas.

Óleo de girassol perde espaço para soja

A interrupção de embarques no Mar Negro está alterando o perfil das importações indianas de óleos vegetais. Rússia e Ucrânia, que concentram grande parte das vendas de óleo de girassol destinadas à Índia, vêm enfrentando ataques contra estruturas portuárias e marítimas, afetando a capacidade de exportação.

Com isso, as importações indianas de óleo de girassol devem cair para cerca de 180 mil toneladas em agosto, o menor nível desde fevereiro de 2026. O volume representa uma redução de aproximadamente 28% em relação ao mês anterior.

Segundo um dos corretores consultados, cerca de 150 mil toneladas de óleo de girassol provenientes do Mar Negro, com embarques previstos para agosto e setembro, sofreram atrasos em razão do conflito.

Sandeep Bajoria, diretor-executivo da Sunvin Group, afirmou que o cenário tornou o óleo de soja mais competitivo para os compradores indianos.

A mudança é particularmente relevante no sul da Índia, região onde o óleo de girassol costuma ter forte preferência entre os consumidores. Diante das dificuldades de abastecimento, refinarias passaram a buscar alternativas no mercado de soja.

Mais portos recebem óleo de soja

A mudança na demanda também está alterando a logística de importação. Além dos portos de Kandla e JNPT, na costa oeste, os terminais de Krishnapatnam e Kakinada, no sul do país, passaram a receber carregamentos de óleo de soja.

A diversificação dos pontos de entrada acompanha o aumento das compras e ajuda as empresas a garantir o abastecimento em um momento de maior procura.

Preço favorece óleo de soja

Outro fator que contribui para o aumento das importações é a diferença de preços em relação ao óleo de palma.

O prêmio do óleo de soja sobre o óleo de palma caiu para aproximadamente US$ 50 por tonelada, ante mais de US$ 100 em abril. A redução tornou o produto mais atraente para os compradores indianos, que são particularmente sensíveis aos preços.

Enquanto isso, as cotações do óleo de palma subiram diante das preocupações com possíveis impactos de condições climáticas adversas sobre a produção e da decisão da Indonésia de ampliar o uso do produto na fabricação de biocombustíveis.

Um corretor de Nova Délhi estima que as importações indianas de óleo de soja podem superar novamente 600 mil toneladas em setembro. Segundo ele, o país já adquiriu quase 1,4 milhão de toneladas para embarque entre setembro e dezembro.

Índia amplia fornecedores de óleo de soja

Tradicionalmente, Argentina e Brasil respondem pela maior parte do óleo de soja comprado pela Índia. O cenário atual, porém, levou os importadores a ampliar a busca por fornecedores.

Além dos grandes exportadores sul-americanos, os compradores indianos estão contratando cargas provenientes de China, Egito, Tailândia e Turquia, inclusive para entregas de curto prazo.

A estratégia reflete a necessidade de garantir oferta diante das incertezas no mercado internacional de óleos vegetais.

Compras antecipadas ganham força

Os importadores também estão fechando negócios com vários meses de antecedência. Segundo um dos corretores, o custo de chegada do óleo de soja e do óleo de palma está praticamente nivelado para cargas programadas entre outubro e dezembro.

O óleo de girassol, por outro lado, está sendo negociado com um prêmio de quase US$ 200 por tonelada, o que reduz sua competitividade e aumenta o interesse pela soja.

A oferta abundante de óleo de soja também favorece a estratégia dos compradores. Ao mesmo tempo, existe preocupação com os possíveis efeitos do El Niño sobre a produção indiana de oleaginosas, o que incentiva as empresas a anteciparem parte das necessidades futuras.

Mercado indiano acompanha preços e oferta global

A Índia é um dos principais compradores mundiais de óleos vegetais e depende fortemente do mercado externo para atender ao consumo doméstico.

Além do óleo de soja e do girassol, o país importa grandes volumes de óleo de palma, principalmente da Indonésia, Malásia e Tailândia.

Com os problemas logísticos no Mar Negro e as mudanças nas relações de preços entre os diferentes óleos, a soja ganhou espaço nas compras indianas. Se as projeções dos operadores se confirmarem, agosto marcará um novo recorde nas importações do produto pelo país.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Lucas Ninno Getty Images

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Internacional

Índia planeja primeiro cargueiro pela Rota Marítima do Norte em 2027

A Índia pretende realizar, em 2027, a primeira operação de um navio cargueiro pela Rota Marítima do Norte (NSR), corredor que percorre a costa ártica da Rússia. A iniciativa faz parte da estratégia de Nova Déli para diversificar suas opções de transporte, reduzir distâncias comerciais e diminuir a exposição ao Canal de Suez.

A informação foi divulgada nesta quinta-feira (13) pela RT, com base em declarações de S. Venkatesapathy, secretário adjunto do Ministério da Marinha Mercante da Índia, durante o Fórum das Regiões Árticas, em Arkhangelsk, na Rússia.

Índia mira novas rotas comerciais pelo Ártico

Segundo Venkatesapathy, a expectativa é que o primeiro navio-piloto indiano percorra a Rota Marítima do Norte em 2027. O projeto ocorre em meio ao avanço das relações comerciais entre Índia e Rússia, que estabeleceram a meta de alcançar US$ 100 bilhões em comércio bilateral até 2030.

O petróleo russo já representa mais da metade das importações indianas, aumentando a relevância de alternativas logísticas que possam tornar o transporte de mercadorias mais eficiente e seguro.

Com aproximadamente 5.600 quilômetros, a Rota Marítima do Norte acompanha o litoral ártico russo e é considerada o trajeto marítimo mais curto entre o Leste Asiático e a Europa.

A operação, porém, depende das condições do gelo marinho e de infraestrutura especializada, incluindo navios quebra-gelos, o que limita a navegação a determinados períodos do ano.

Corredor Chennai-Vladivostok registra alta de 70%

O interesse da Índia pelo Ártico também está relacionado ao desempenho de outras rotas entre os dois países.

De acordo com Venkatesapathy, o corredor Chennai-Vladivostok, também chamado de Corredor Marítimo Oriental, apresentou crescimento de 70% na movimentação de cargas. Para o governo indiano, o resultado demonstra potencial para ampliar a utilização de outros corredores logísticos entre Índia, Rússia e Europa.

“Estamos vendo enormes possibilidades” tanto para o corredor marítimo oriental quanto para a Rota Marítima do Norte, afirmou o representante. Ele também informou que dois memorandos de entendimento foram assinados no ano passado com o objetivo de desenvolver essas conexões.

Rússia aponta aumento do interesse internacional

O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou na quarta-feira (12) que a Índia vem demonstrando interesse ativo na Rota Marítima do Norte. Segundo ele, Moscou percebe uma procura crescente de diferentes países pelo corredor, incluindo Índia e China.

Para Nova Déli, uma das principais vantagens está na possibilidade de reduzir em até 40% a distância de determinados trajetos e economizar aproximadamente duas semanas de viagem até alguns portos europeus, em comparação com a rota tradicional pelo Canal de Suez.

O cenário ganha relevância diante dos riscos à navegação comercial associados ao conflito no Oriente Médio, que aumentaram a preocupação com a utilização da rota pelo Egito.

Índia também avalia corredor transártico

Além da NSR, Venkatesapathy destacou o interesse indiano no Corredor de Transporte Transártico, uma alternativa multimodal que combina diferentes meios de transporte.

A avaliação de Nova Déli considera fatores como menor distância, segurança logística e potencial de viabilidade comercial. A estratégia amplia o leque de opções para o transporte de mercadorias entre a Ásia, a Rússia e os mercados europeus.

Rússia amplia infraestrutura da Rota Marítima do Norte

Moscou vem investindo na infraestrutura necessária para aumentar o tráfego comercial pelo Ártico. Em 2023, a Rússia assinou um acordo com a empresa de Dubai DP World para desenvolver o transporte de contêineres pela região ártica.

A Rosatom, conglomerado estatal russo responsável pela coordenação da rota e pela operação de uma frota de quebra-gelos nucleares, ocupa posição central na expansão do corredor.

A movimentação de cargas também vem crescendo com a participação de empresas chinesas. No ano passado, foram realizadas 23 viagens de contêineres pela rota, enquanto cerca de 30 estão previstas para este ano.

Nos últimos dois anos, o volume total de cargas transportadas pela Rota Marítima do Norte ultrapassou 37 milhões de toneladas.

China amplia operações e Coreia do Sul acompanha desenvolvimento

Durante o Fórum das Regiões Árticas, Azamat Khochuev, diretor do Departamento para o Desenvolvimento da Rota Marítima do Norte e do Ártico da Rosatom, afirmou à RT que o transporte de cargas entre Rússia e China pelo corredor já superou cinco milhões de toneladas neste ano.

A chinesa Sea Legend Shipping também deve iniciar, em agosto, seu primeiro serviço regular de transporte para a Europa pela rota. Segundo Sergey Likhachev, CEO da Rosatom, a operação utilizará sete navios entre agosto e outubro.

A Coreia do Sul, por sua vez, considera o desenvolvimento do transporte de cargas pela Rota Marítima do Norte uma prioridade estratégica nacional, reforçando a crescente importância comercial do corredor ártico.

FONTE: Brasil 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/RT

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Sustentabilidade

Data center do Google na Índia enfrenta protestos por impactos ambientais e uso de água

O projeto do data center do Google na Índia, avaliado em cerca de US$ 15 bilhões, enfrenta crescente resistência de ambientalistas e moradores devido a preocupações relacionadas ao consumo de água e aos possíveis impactos sobre áreas de preservação ambiental.

As obras já avançam no estado de Andhra Pradesh, no sul do país, onde uma grande área foi preparada para receber o complexo tecnológico. Apesar do apoio do governo estadual, que considera o investimento histórico para o desenvolvimento regional, o empreendimento passou a ser alvo de ações judiciais e manifestações públicas.

Ambientalistas questionam consumo de água

Um dos principais pontos levantados pelos críticos é a elevada demanda por água para o funcionamento do data center, especialmente para o resfriamento dos servidores.

Segundo dados do governo estadual, a cidade de Visakhapatnam recebe diariamente cerca de 410 milhões de litros de água, enquanto a necessidade estimada chega a 480 milhões de litros. O déficit já resulta em racionamentos frequentes para uma população de aproximadamente 2,5 milhões de habitantes.

Nos últimos dias, ativistas realizaram protestos nas ruas da cidade com faixas que chamavam atenção para a escassez hídrica, defendendo que o desenvolvimento tecnológico não comprometa o abastecimento da população.

Google afirma que utilizará tecnologia para reduzir consumo

Em resposta às críticas, o Google informou que o empreendimento seguirá todas as exigências legais e adotará sistemas avançados de resfriamento por ar, tecnologia que reduz significativamente o uso de recursos hídricos em comparação aos métodos tradicionais.

O governo de Andhra Pradesh também rejeitou as acusações de que o projeto tenha sido aprovado sem estudos adequados e afirmou estar disposto a esclarecer eventuais dúvidas apresentadas pela sociedade civil.

Segundo as autoridades, o abastecimento do complexo não utilizará água destinada ao consumo residencial nem recursos provenientes de reservatórios utilizados pelas comunidades locais.

Proximidade de reserva ambiental amplia controvérsia

Além das preocupações com o abastecimento hídrico, organizações ambientais questionam a localização do empreendimento, situado a cerca de 860 metros do Santuário de Vida Selvagem de Kambalakonda.

A área abriga espécies como leopardos e pangolins, e ambientalistas argumentam que a movimentação intensa de máquinas e a poluição sonora podem afetar o ecossistema.

O governo estadual afirma que a distância entre o empreendimento e a unidade de conservação está dentro dos limites estabelecidos pela legislação. Já o Google informou que adotará medidas para minimizar o ruído durante a operação do complexo.

Projeto enfrenta ações judiciais

As contestações ao empreendimento já chegaram ao Judiciário. A Suprema Corte de Andhra Pradesh analisa uma ação apresentada pelo grupo Jal Biradari, que questiona os possíveis impactos do projeto sobre a disponibilidade de água na região. Uma nova audiência está marcada para 24 de agosto.

Paralelamente, outras três ações tramitam no tribunal ambiental da Índia, movidas pelo Human Rights Forum, que pede a suspensão das obras até que sejam realizados estudos mais detalhados sobre os impactos ambientais e o uso dos recursos hídricos.

Investimento prevê geração de empregos

O data center do Google está sendo desenvolvido em parceria com o grupo do empresário indiano Gautam Adani e é considerado um dos maiores investimentos da empresa no país.

A expectativa é que o empreendimento gere até 188 mil empregos diretos e indiretos, reforçando a estratégia da companhia de expandir sua infraestrutura digital na Índia. Ao mesmo tempo, o projeto se tornou símbolo do desafio de equilibrar crescimento tecnológico, desenvolvimento econômico e preservação ambiental.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Priyanshu Singh

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Internacional

Índia supera China e se torna o segundo maior fornecedor de marítimos do mundo

A Índia alcançou uma posição inédita no mercado marítimo internacional ao ultrapassar a China e assumir o posto de segundo maior fornecedor de profissionais do setor no mundo. A liderança continua com as Filipinas, conforme aponta o Relatório da Força de Trabalho de Marítimos BIMCO-ICS 2026.

Segundo o levantamento, o país asiático conta atualmente com 311.936 marítimos atuando na frota mundial, o equivalente a 12,16% da força de trabalho global. O avanço representa uma evolução significativa em relação a 2015, quando a Índia respondia por apenas 5,2% do total de profissionais embarcados.

Número de oficiais e tripulantes cresce em ritmo acelerado

Do contingente de trabalhadores indianos, 140.718 são oficiais, representando 13,41% da categoria em nível mundial. Outros 171.218 profissionais atuam como tripulantes (ratings), o que corresponde a 11,29% da força de trabalho global nesse segmento.

Com esse crescimento, a Índia deixou para trás países tradicionalmente fortes na formação de mão de obra marítima, como China, Rússia e Indonésia, consolidando sua relevância no setor de transporte marítimo internacional.

Expansão da mão de obra acompanha investimentos na indústria naval

Embora tenha avançado rapidamente na formação de profissionais, a participação da Índia na construção naval ainda é considerada modesta. Atualmente, o país ocupa posições entre o 19º e o 22º lugar no ranking mundial, com menos de 1% de participação no mercado, segundo dados da consultoria KPMG.

Para reduzir essa diferença em relação aos líderes globais — China, Coreia do Sul e Japão, responsáveis por cerca de 93% da produção mundial de navios —, o governo indiano lançou um programa de incentivos de aproximadamente 69.725 crore de rúpias, valor equivalente a cerca de R$ 44 bilhões.

Os recursos serão destinados à ampliação da capacidade dos estaleiros e ao fortalecimento do financiamento da indústria naval.

Brasil enfrenta déficit de oficiais da Marinha Mercante

Enquanto a Índia amplia sua presença no mercado internacional, o Brasil convive com uma escassez crescente de profissionais da Marinha Mercante, especialmente de oficiais.

Levantamento realizado pela Associação Brasileira de Armadores de Cabotagem (Abac) em parceria com o Syndarma/Abeam identificou, no primeiro semestre de 2025, 356 vagas não preenchidas entre as empresas associadas. O número não considera demandas da Petrobras e da Transpetro, o que indica um déficit ainda maior.

A falta de mão de obra especializada tem levado empresas a recorrer às chamadas dobras de embarque, prática em que o oficial permanece embarcado além do período originalmente previsto, aumentando a carga de trabalho e os desafios operacionais.

Estudos apontam déficit ainda maior nos próximos anos

As projeções para o setor indicam que a situação pode se agravar até o fim da década.

Pesquisa elaborada pela Fundação Vanzolini, em parceria com o Centro de Inovação em Logística e Infraestrutura Portuária (CILIP) da USP, estima uma carência entre 2 mil e 4 mil oficiais da Marinha Mercante até 2030. Em um cenário mais crítico, o déficit poderá alcançar 11.363 profissionais.

O estudo recomenda ampliar significativamente a formação de novos oficiais, sugerindo a capacitação de pelo menos 500 marítimos adicionais por ano.

Capacidade de formação é considerada insuficiente

Atualmente, a formação de oficiais da Marinha Mercante no Brasil é realizada exclusivamente pela Marinha do Brasil, por meio do Centro de Instrução Almirante Graça Aranha (CIAGA), no Rio de Janeiro, e do Centro de Instrução Almirante Braz de Aguiar (CIABA), em Belém.

As duas instituições formam, juntas, pouco menos de 300 novos oficiais por ano, volume considerado insuficiente para atender à crescente demanda dos setores naval, portuário e offshore, que seguem em expansão no país.

FONTE: Portos e Navios
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portos e Navios

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Comércio Internacional

Índia ganha prioridade nas negociações comerciais do Brasil diante das tarifas dos EUA

Em meio ao aumento das tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, o governo federal intensificou a busca por novos mercados e enviou uma missão oficial à Índia para ampliar relações comerciais e atrair investimentos.

O secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, cumpre agenda no país asiático até 7 de agosto, com encontros voltados à expansão das exportações brasileiras e ao fortalecimento da presença do Brasil em um dos maiores mercados consumidores do mundo.

Missão busca ampliar comércio e investimentos

Segundo o MDIC, a viagem tem como objetivo abrir novas oportunidades para empresas brasileiras e fortalecer os laços econômicos com a Índia.

A agenda inclui compromissos nas cidades de Mumbai, Nova Délhi e Jaipur, reunindo representantes do governo, empresários e instituições estratégicas.

De acordo com Márcio Elias Rosa, a iniciativa ocorre em um cenário de crescente adoção de medidas restritivas ao comércio internacional.

O secretário destacou que o Brasil mantém a defesa do multilateralismo e busca diversificar seus parceiros comerciais. Em 2025, a corrente de comércio entre Brasil e Índia superou US$ 15 bilhões, consolidando o país asiático como um dos principais parceiros econômicos brasileiros.

Encontros com grandes empresas indianas

Em Mumbai, a missão prevê reuniões com grupos empresariais como Reliance Industries e Aditya Birla Group, com foco na atração de investimentos para o Brasil.

Já em Nova Délhi, os encontros serão direcionados aos setores de defesa, tecnologia, automação, equipamentos industriais e bens de consumo.

Também está programado um encontro com representantes de empresas brasileiras que já atuam na Índia, entre elas Embraer, WEG, Perto, CBC e Tramontina, para discutir desafios e identificar oportunidades de expansão naquele mercado.

Além disso, a agenda inclui reuniões com entidades como a Confederation of Indian Industry (CII), a cooperativa de fertilizantes IFFCO, o State Bank of India (SBI) e o Adamo Group.

Segundo o ministério, esses encontros podem fortalecer parcerias comerciais e ampliar investimentos em áreas consideradas estratégicas para ambos os países.

Brics também integra a agenda oficial

A viagem inclui ainda compromissos relacionados ao Brics, bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul e novos países-membros.

Márcio Elias Rosa representará o Brasil em reuniões com autoridades da Índia, China, Rússia, Emirados Árabes Unidos, Egito e África do Sul.

Entre os temas previstos estão o fortalecimento das cadeias globais de valor, o desenvolvimento sustentável, a ampliação da participação de micro, pequenas e médias empresas no comércio internacional, além da cooperação em comércio digital e da defesa do sistema multilateral de comércio.

Tarifaço dos EUA acelera busca por novos mercados

A missão ocorre após o governo dos Estados Unidos ampliar as tarifas sobre determinados produtos brasileiros.

Como resposta ao novo cenário, o governo brasileiro anunciou um plano de aproximadamente R$ 130 milhões voltado à diversificação de mercados e ao fortalecimento das exportações.

Especialistas avaliam que o Brics pode representar uma alternativa para ampliar o comércio exterior brasileiro, embora os resultados dessa estratégia devam ocorrer principalmente no médio e longo prazo.

Entenda o novo tarifaço dos Estados Unidos

A nova sobretaxa foi implementada após investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana.

A medida acrescentou uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros, somando-se às alíquotas já existentes.

A investigação analisou temas como comércio digital, sistemas de pagamento eletrônico, propriedade intelectual, acesso do etanol norte-americano ao mercado brasileiro, regimes tarifários preferenciais e políticas ambientais relacionadas ao combate ao desmatamento.

Pix, etanol e meio ambiente estão entre os pontos questionados

O governo norte-americano sustenta que algumas políticas brasileiras criam condições desiguais de concorrência para empresas dos Estados Unidos.

Entre os aspectos mencionados estão o tratamento regulatório dado ao Pix, barreiras ao etanol americano e acordos tarifários preferenciais firmados pelo Brasil com outros países, como México e Índia.

Outro argumento apresentado pelo USTR envolve a política ambiental brasileira. Segundo o órgão, apesar da existência de legislação para combater o desmatamento, sua aplicação seria insuficiente, fator que, na avaliação americana, gera insegurança jurídica e distorções comerciais.

Café e carne ficaram fora das novas tarifas

Apesar da ampliação das sobretaxas, alguns produtos brasileiros permaneceram fora da medida, entre eles café e carne bovina.

O documento divulgado pelo USTR também prevê exceções para diversos itens considerados estratégicos para a economia dos Estados Unidos, incluindo determinados produtos farmacêuticos, componentes aeronáuticos, ferro-gusa, hidróxido de alumínio, pescados, couros e mel orgânico.

Além disso, o governo americano defende relações comerciais baseadas na reciprocidade e sinalizou a possibilidade de responder a eventuais medidas adotadas pelo Brasil em reação ao tarifaço.

FONTE: Brasil 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters

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Logística

Índia instala 2 mil blocos de concreto para proteger porto de águas profundas e ampliar rotas marítimas

A Índia avança na construção de uma das maiores obras de engenharia costeira da atualidade ao instalar cerca de 2 mil gigantescas peças de concreto no Mar Arábico. O objetivo é reforçar o quebra-mar do Porto Internacional de Vizhinjam, no estado de Kerala, estrutura de 3,1 quilômetros projetada para proteger o terminal e garantir operações seguras para navios de grande porte.

A intervenção faz parte da estratégia do país para fortalecer sua infraestrutura portuária e ampliar sua participação nas principais rotas marítimas internacionais.

Quebra-mar recebe tecnologia para dissipar a força das ondas

A proteção do quebra-mar utiliza aproximadamente 2 mil unidades do modelo ACCROPODE II, blocos pré-moldados de concreto com cinco metros cúbicos cada, desenvolvidos especialmente para obras marítimas de grande porte.

Segundo a Concrete Layer Innovations, essas estruturas funcionam como uma armadura artificial capaz de absorver e dispersar a energia das ondas antes que elas atinjam a barreira principal, reduzindo o desgaste da infraestrutura e aumentando sua resistência.

O revestimento cria uma camada robusta ao longo da parte externa do quebra-mar, protegendo uma das áreas mais expostas do litoral de Kerala.

Engenharia exige precisão na instalação das peças

Ao contrário de blocos convencionais lançados de forma aleatória, as unidades ACCROPODE II possuem um formato projetado para se encaixar entre si, formando uma estrutura estável e eficiente contra o impacto constante do mar.

Cada peça ocupa uma posição previamente calculada no talude do quebra-mar, permitindo que o conjunto distribua melhor a força das ondas e aumente a durabilidade da obra.

A fabricação dos blocos começou em 2017, enquanto a instalação teve início em 2022, evidenciando a complexidade logística envolvida na execução do projeto.

Porto de Vizhinjam mira navios cada vez maiores

Localizado na costa do Mar Arábico, o Porto de Vizhinjam foi planejado para operar como um terminal de águas profundas, capaz de receber embarcações de grande porte utilizadas no comércio internacional.

O quebra-mar desempenha papel essencial nesse projeto ao criar uma área protegida para atracação, reduzir a agitação marítima e oferecer condições mais seguras para as operações portuárias.

Com a expansão do transporte marítimo e o crescimento dos navios de grande capacidade, estruturas desse tipo tornaram-se fundamentais para garantir eficiência logística.

Infraestrutura fortalece posição da Índia nas rotas globais

A localização estratégica de Vizhinjam coloca o porto próximo a importantes corredores do comércio marítimo internacional, tornando o empreendimento uma peça relevante para a logística do país.

Além de ampliar a capacidade operacional, a obra busca aumentar a competitividade da Índia no mercado global de movimentação de cargas e operações de transbordo.

Especialistas destacam que portos de águas profundas exigem soluções cada vez mais sofisticadas para enfrentar condições oceânicas extremas e garantir estabilidade durante todo o ano.

Engenharia costeira acompanha evolução do transporte marítimo

Projetos modernos de proteção costeira vêm substituindo grandes volumes de rochas por estruturas pré-moldadas desenvolvidas especificamente para dissipar a energia das ondas.

No caso de Vizhinjam, o formato dos blocos permite reduzir a pressão exercida sobre o quebra-mar, aumentando a vida útil da estrutura e oferecendo maior segurança às embarcações.

A obra simboliza uma tendência observada em diversos países: adaptar a infraestrutura portuária ao crescimento do comércio internacional e à chegada de navios cada vez maiores.

Com o quebra-mar de 3,1 quilômetros protegido por milhares de blocos de concreto, a Índia cria uma nova barreira artificial entre o oceano e o terminal portuário, reforçando sua capacidade logística e ampliando sua presença nas principais rotas marítimas do mundo.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CPG

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Tecnologia

Índia e Japão ampliam parceria em inteligência artificial, energia e defesa

A Índia e o Japão deram um novo passo no fortalecimento da parceria estratégica entre os dois países ao firmarem acordos voltados para inteligência artificial (IA), energia, metais, defesa e segurança econômica. Os entendimentos foram anunciados nesta quinta-feira após encontro entre o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, e a premiê japonesa, Sanae Takaichi, em Nova Délhi.

A visita oficial de Takaichi, com duração de três dias, reforça o avanço da cooperação bilateral em um momento de mudanças no cenário geopolítico e econômico internacional.

Cooperação busca ampliar segurança econômica

Após a reunião, os dois governos confirmaram a elaboração de um roteiro conjunto para aprofundar a cooperação em áreas consideradas estratégicas para o crescimento econômico e a estabilidade regional.

Durante coletiva de imprensa, Sanae Takaichi destacou que Índia e Japão pretendem aproveitar as competências de cada país para impulsionar o desenvolvimento mútuo.

Segundo a premiê japonesa, o cenário internacional cada vez mais instável torna essencial a construção de uma relação baseada em complementaridade e cooperação.

Inteligência artificial e tecnologia ganham protagonismo

Entre os principais resultados do encontro está a adoção de três documentos considerados históricos pelos governos, abrangendo segurança econômica, resiliência energética e inteligência artificial.

Narendra Modi afirmou que a combinação da tecnologia de precisão desenvolvida pelo Japão com a expertise da Índia em desenvolvimento de software poderá acelerar a evolução global da IA e abrir novas oportunidades de inovação.

Os dois líderes não responderam a perguntas da imprensa após o anúncio dos acordos.

Primeiro projeto conjunto na área de defesa

Outro destaque da reunião foi a assinatura do primeiro acordo de codesenvolvimento na área de defesa entre Índia e Japão.

Os dois países integram o Quad, grupo formado também por Estados Unidos e Austrália, que atua na cooperação estratégica na região do Indo-Pacífico e é frequentemente visto como um contraponto ao crescimento da influência chinesa na área.

Além da defesa, as conversas abordaram temas como comércio exterior, investimentos, tecnologias emergentes, energia e intercâmbio entre as populações dos dois países.

Comércio e investimentos seguem em expansão

As relações econômicas entre Índia e Japão vêm registrando crescimento contínuo. No ano fiscal de 2025/26, o comércio bilateral alcançou US$ 27,5 bilhões.

No mesmo período, os investimentos japoneses na economia indiana somaram US$ 3,2 bilhões entre abril e dezembro de 2025, segundo dados do governo da Índia.

A visita de Sanae Takaichi ocorre menos de um ano após a viagem de Narendra Modi a Tóquio, quando o governo japonês anunciou a intenção de ampliar seus investimentos no mercado indiano para mais de US$ 61 bilhões ao longo da próxima década.

Japão amplia presença em projetos estratégicos na Índia

O Japão figura entre os principais investidores estrangeiros na Índia e participa de importantes projetos de infraestrutura, como a construção da ferrovia de alta velocidade que ligará Mumbai a Ahmedabad.

Empresas japonesas também vêm ampliando sua participação no setor privado indiano. Um dos negócios recentes foi a aquisição de uma participação de 20% no Yes Bank, em uma operação avaliada em cerca de US$ 1,6 bilhão.

A agenda da premiê japonesa inclui ainda encontros com representantes do setor empresarial e participação em uma conferência de negócios durante a visita oficial.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Altaf Hussain

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Transporte

CMA CGM anuncia sobretaxa para cargas da Índia com destino à América do Sul

A CMA CGM informou que passará a cobrar uma sobretaxa de alta temporada (PSS – Peak Season Surcharge) para embarques realizados a partir da costa oeste da Índia com destino à costa leste da América do Sul. A nova tarifa será de US$ 1.000 por contêiner seco.

A medida começa a valer em 25 de julho de 2026 e permanecerá em vigor por prazo indeterminado, conforme comunicado da companhia.

Nova tarifa será obrigatória para contratos de curto prazo

O adicional será aplicado aos contratos de curto prazo e abrangerá diferentes tipos de cargas, incluindo carga seca, além de contêineres padrão e equipamentos especiais utilizados no transporte marítimo.

Segundo a empresa, a cobrança faz parte das ações adotadas para preservar a eficiência operacional e garantir a continuidade dos serviços oferecidos aos clientes durante o período de maior demanda.

Costa leste da América do Sul será a principal região afetada

A sobretaxa incidirá sobre embarques destinados à maior parte da costa leste da América do Sul. A única exceção prevista pela companhia é a região Norte do Brasil, que ficará fora da aplicação do novo recargo.

O valor será cobrado de forma adicional às tarifas regulares de frete marítimo, elevando o custo final das operações nas rotas contempladas.

Outros custos operacionais poderão ser cobrados

Além do novo Peak Season Surcharge (PSS), a CMA CGM informou que os embarques poderão continuar sujeitos a outras cobranças normalmente praticadas no setor de transporte marítimo internacional.

Entre elas estão os adicionais relacionados ao combustível, as taxas de movimentação em terminais (THC) nos portos de origem e destino, encargos de segurança, tarifas de contingência e demais custos locais específicos de cada porto.

A companhia recomenda que clientes e operadores consultem previamente as condições comerciais aplicáveis a cada embarque para evitar impactos no planejamento logístico.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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