Transporte

Marcopolo entrega seis ônibus Viaggio G8 1050 ao Paraguai com foco em segurança estrutural

A Marcopolo entregou à empresa paraguaia Guaireña seis unidades do Viaggio G8 1050 equipadas com motor dianteiro. Os ônibus foram desenvolvidos considerando os requisitos da UN R66.02, regulamentação internacional que estabelece critérios para a resistência da superestrutura de veículos em situações de tombamento e capotamento.

A entrega ocorreu em setembro de 2026, por meio da CIPAR, representante da fabricante brasileira no Paraguai. Segundo a Marcopolo, trata-se dos primeiros ônibus rodoviários de motor dianteiro destinados ao mercado paraguaio desenvolvidos de acordo com os requisitos da norma.

Motor dianteiro atende operações de curta e média distância

A configuração escolhida pela Guaireña combina uma carroceria rodoviária com chassi de motor dianteiro, solução que encontra aplicações principalmente em viagens de curta e média distância, fretamento e turismo.

Nessas operações, fatores como preço de aquisição, peso do veículo e custos de manutenção podem ter influência significativa na escolha do modelo.

Por outro lado, a localização do conjunto motriz na parte dianteira exige cuidados específicos no projeto da carroceria, principalmente para controlar calor, ruído e vibrações na região do motorista e dos primeiros passageiros.

A Marcopolo posiciona o Viaggio G8 1050 de motor dianteiro justamente para esse perfil de utilização. O modelo pode ser configurado sobre chassi 4×2.

O que estabelece a norma UN R66.02?

A UN R66.02 é uma regulamentação técnica das Nações Unidas, elaborada no âmbito da Comissão Econômica das Nações Unidas para a Europa (UNECE). O regulamento, denominado tecnicamente UN Regulation No. 66 — Strength of Superstructure, estabelece requisitos relacionados à resistência da estrutura de ônibus.

A norma não é específica para veículos com motor dianteiro. Seu foco está no comportamento da superestrutura do ônibus como um todo.

Na prática, a regulamentação busca garantir que, em um eventual tombamento, a deformação da carroceria não comprometa de maneira incompatível o espaço destinado à sobrevivência dos ocupantes.

A identificação “02” corresponde à segunda série de alterações do Regulamento nº 66 e não representa um nível adicional de segurança.

Espaço de sobrevivência deve ser preservado

Um dos conceitos centrais da R66.02 é o chamado espaço residual, área que deve permanecer preservada nos compartimentos destinados aos passageiros, motorista e tripulação.

A regulamentação não exige que o ônibus permaneça sem danos após um acidente. A estrutura pode sofrer deformações. O requisito é que essas deformações não invadam de forma incompatível a área de proteção definida para os ocupantes.

Dessa forma, a norma não procura impedir o capotamento de ônibus, mas estabelecer critérios para o comportamento estrutural do veículo quando esse tipo de acidente ocorre.

R66.02 EM UMA TABELA

ItemO que significa
NomeUN Regulation nº 66
R66.02Série 02 de alterações do Regulamento nº 66
Quem elaborouONU/UNECE, dentro do sistema internacional de regulamentações veiculares
Tema principalResistência da superestrutura de ônibus em tombamentos
ObjetivoPreservar um espaço de sobrevivência para motorista e passageiros
O que é avaliadoComportamento e deformação da estrutura durante e após o tombamento
Espaço residualVolume interno que deve permanecer protegido contra a invasão da estrutura
Teste básicoTombamento de um veículo completo em condições estabelecidas pela norma
Há outros métodos?Sim. Podem ser utilizados testes de seções da carroceria, ensaios quase-estáticos, cálculos baseados em componentes ou simulação computacional, conforme as regras da norma
Abrangência principalÔnibus de um piso, rígidos ou articulados, M2 ou M3, Classes II, III ou B, com mais de 16 passageiros
Vale apenas para motor dianteiro?Não. O regulamento trata da resistência estrutural, independentemente da localização do motor
É norma de prevenção de capotamento?Não. O foco é a proteção estrutural caso o tombamento ocorra
Aprova freios ou estabilidade?Não. Esses sistemas são tratados por outras regulamentações
“Desenvolvido de acordo” significa necessariamente homologação R66?Não obrigatoriamente. É preciso distinguir desenvolvimento conforme os requisitos de uma homologação formal emitida segundo o sistema da ONU

Como funciona o teste de resistência ao capotamento

Entre os métodos previstos está o ensaio de tombamento do veículo completo. Nesse procedimento, o ônibus é colocado em uma plataforma inclinável e submetido às condições determinadas pela regulamentação até atingir o ponto de desequilíbrio e tombar sobre uma área de impacto.

Durante e após o evento, a estrutura é analisada para verificar se o espaço residual dos ocupantes foi preservado.

A regulamentação também admite métodos equivalentes, como ensaios de tombamento de seções representativas da carroceria, testes de carga quase-estática, cálculos estruturais baseados em ensaios de componentes e simulações computacionais do tombamento.

Segurança estrutural não depende apenas da posição do motor

A presença do motor na dianteira não determina, por si só, um nível maior ou menor de segurança. O comportamento do veículo depende de um conjunto de fatores que inclui chassi, carroceria, estrutura, distribuição de massas, sistemas de retenção, freios e estabilidade.

A localização e o peso dos componentes também interferem no centro de gravidade e nas características do tombamento. Por isso, esses elementos são considerados na avaliação estrutural prevista pelo regulamento.

No caso das unidades destinadas ao Paraguai, o destaque está na aplicação dos requisitos da R66.02 a um ônibus rodoviário com motor dianteiro.

Marcopolo utiliza anéis passantes na carroceria

De acordo com a fabricante, os seis Viaggio G8 1050 destinados à Guaireña contam com “anéis passantes de segurança” nas colunas da carroceria.

Segundo a Marcopolo, a solução contribui para aumentar a resistência estrutural do ônibus em situações de impacto e capotamento.

É importante destacar, porém, que a R66.02 estabelece requisitos de desempenho e métodos de verificação, mas não determina que todos os fabricantes utilizem uma tecnologia específica. Diferentes soluções de engenharia podem ser empregadas para alcançar os critérios exigidos.

A informação divulgada pela Marcopolo também afirma que os veículos foram “desenvolvidos de acordo” com a norma. O material não apresenta detalhes sobre eventual processo formal de homologação, autoridade responsável, método específico de ensaio ou certificado de aprovação. Por isso, a informação é apresentada conforme os dados divulgados pela própria fabricante.

Viaggio G8 1050 já possui histórico com motor dianteiro

O Viaggio 1050 não é um modelo novo na configuração de motor dianteiro. A carroceria já recebeu esse tipo de motorização em gerações anteriores.

Na Geração 8, a Marcopolo ampliou posteriormente a oferta do Viaggio G8 1050 com motor dianteiro para aplicações como fretamento, turismo e transporte rodoviário de curta e média distância.

Em dezembro de 2025, a fabricante realizou um roadshow nacional apresentando os modelos Viaggio G8 900 e G8 1050 com motor dianteiro para esses segmentos.

Atualmente, a configuração de motor dianteiro do G8 1050 pode utilizar chassi 4×2 e atingir até 13,6 metros de comprimento, conforme a configuração escolhida. A Marcopolo, entretanto, não divulgou a marca e o modelo dos chassis utilizados especificamente nas seis unidades entregues à Guaireña.

Ônibus têm 44 poltronas semileito

Cada um dos seis veículos entregues ao mercado paraguaio possui 44 poltronas semileito, segundo a Marcopolo.

A lista de equipamentos inclui:

  • Portas USB A e C;
  • ar-condicionado com aquecimento e renovação de ar;
  • sanitário;
  • geladeira e recipientes térmicos;
  • Wi-Fi;
  • sistema de áudio e vídeo com monitores;
  • reaproveitamento da água gerada pela condensação do ar-condicionado.

A Guaireña mantém uma relação comercial com a Marcopolo há mais de 40 anos, conforme informações da fabricante.

A empresa opera linhas que conectam diferentes cidades paraguaias, entre elas Villarrica, Assunção, Caazapá, Ciudad del Este, Yuty e San Juan Nepomuceno.

Com a nova entrega, o mercado paraguaio passa a contar com seis ônibus rodoviários Viaggio G8 1050 de motor dianteiro cujo projeto estrutural foi desenvolvido, segundo a Marcopolo, considerando os requisitos da UN R66.02 para resistência ao capotamento.

FONTE: Diário do Transporte
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Diário do Transporte

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