Internacional

Estreito de Ormuz fechado: produtores de petróleo buscam oleodutos alternativos para manter exportações

O prolongamento do fechamento do Estreito de Ormuz está levando grandes produtores de petróleo e gás do Oriente Médio a acelerar a busca por rotas alternativas de exportação. Iraque, Kuwait e Qatar estão entre os países mais expostos à interrupção do tráfego na passagem estratégica, enquanto Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos trabalham para ampliar a capacidade de seus oleodutos de desvio.

O Japão, que depende fortemente do petróleo produzido na região, também pretende apoiar iniciativas para reduzir os efeitos do bloqueio sobre o comércio internacional de energia.

Iraque avalia novas rotas para exportar petróleo

O Iraque aparece entre os países com maior potencial para ampliar suas alternativas de escoamento. Em julho, o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou um plano para recuperar um oleoduto que conecta a região central iraquiana ao porto de Baniyas, na Síria.

Caso seja reativada, a infraestrutura permitiria transportar petróleo iraquiano até o Mediterrâneo sem utilizar o Estreito de Ormuz. A Chevron, uma das maiores empresas petrolíferas dos Estados Unidos, estaria envolvida em um estudo de viabilidade do projeto.

Com produção superior a 4 milhões de barris por dia, o Iraque é o segundo maior produtor da Opep, atrás apenas da Arábia Saudita. Grande parte do petróleo produzido nos enormes campos do sul do país precisa atravessar o Estreito de Ormuz para chegar aos mercados internacionais.

A história do oleoduto entre Iraque e Síria, porém, é marcada por conflitos. Construído nos anos 1950, o sistema deixou de funcionar em 1982, depois da deterioração das relações entre os dois países. Embora tenha sido parcialmente recuperado posteriormente, voltou a ser interrompido em 2003, durante a Guerra do Iraque.

Desde então, guerras, instabilidade política e a guerra civil síria mantiveram a estrutura inativa por mais de duas décadas.

Síria deixa lista de Estados patrocinadores do terrorismo

Um possível fator de mudança no cenário ocorreu em 24 de agosto, quando os Estados Unidos retiraram a Síria da lista de Estados patrocinadores do terrorismo.

A classificação permanecia em vigor havia quase 50 anos e representava um dos obstáculos políticos para projetos de infraestrutura envolvendo o território sírio.

Além da rota para o Mediterrâneo, o Iraque analisa outras possibilidades. Entre elas está a ampliação do uso do oleoduto que leva petróleo dos campos do norte até Ceyhan, na Turquia.

Também está em avaliação uma rota independente com destino a Aqaba, na Jordânia, o que aumentaria as opções de exportação iraquianas.

Kuwait tem menos alternativas para escoar petróleo

A situação é mais delicada para o Kuwait. Diferentemente da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos, o país não dispõe atualmente de um sistema de oleodutos capaz de desviar suas exportações para fora do Estreito de Ormuz.

O ministro do Petróleo kuwaitiano, Tariq Sulaiman Al-Roumi, afirmou recentemente que, enquanto a passagem permanecer fechada, as exportações de petróleo do país poderão chegar a zero.

Diante desse cenário, o Kuwait busca acordos com os países vizinhos. Uma das possibilidades estudadas é a conexão com o oleoduto saudita que atravessa o território do Golfo Pérsico até o Mar Vermelho.

Outra alternativa seria utilizar o sistema de oleodutos dos Emirados Árabes Unidos, que permite transportar petróleo para pontos de embarque localizados além do Estreito de Ormuz.

Qatar enfrenta risco ainda maior no mercado de gás

O Qatar está diante de um problema particularmente grave porque sua economia energética depende muito mais do gás natural do que do petróleo.

O país abriga o maior complexo de produção de gás natural liquefeito (GNL) do mundo, mas praticamente toda a sua exportação passa pelo Estreito de Ormuz.

Desde o início do conflito militar entre Estados Unidos e Irã, em fevereiro, os embarques de gás do Qatar praticamente pararam. A situação elevou o temor de uma interrupção prolongada no fornecimento global de energia.

Para cumprir contratos com compradores do Japão e da Coreia do Sul, a estatal QatarEnergy recorreu ao mercado à vista e comprou dos Estados Unidos uma quantidade de GNL equivalente à carga de 33 navios-tanque, segundo a Reuters.

Sem uma alternativa operacional para exportar o produto, Doha passou a considerar a retomada da navegação segura pelo Estreito de Ormuz como prioridade.

O Qatar também ganhou protagonismo nas tentativas de mediação entre Washington e Teerã, buscando contribuir para uma solução diplomática que permita a normalização do tráfego.

Arábia Saudita e Emirados ampliam oleodutos

Enquanto países como Iraque, Kuwait e Qatar procuram novas opções, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos já possuem infraestruturas capazes de reduzir sua dependência do Estreito de Ormuz.

Os Emirados começaram a ampliar o oleoduto que transporta petróleo de uma área próxima a Abu Dhabi até Fujairah, no Golfo de Omã. O porto está localizado fora do estreito e permite o embarque do petróleo diretamente para o mercado internacional.

A Arábia Saudita, por sua vez, planeja aumentar a capacidade do oleoduto Leste-Oeste, responsável por conectar áreas produtoras no Golfo Pérsico ao Mar Vermelho.

Japão vê rotas alternativas como questão estratégica

Para o Japão, a ampliação dessas alternativas é especialmente relevante. O país compra mais de 80% do petróleo bruto consumido internamente da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos.

Iraque, Kuwait e Qatar, juntos, enviam aproximadamente 5 milhões de barris de petróleo por dia pelo Estreito de Ormuz. O volume corresponde a cerca de um quarto de todo o petróleo bruto transportado pela rota.

No caso do Qatar, o impacto é ainda maior no mercado de gás: o país responde por aproximadamente 20% da demanda mundial por GNL.

Quanto mais tempo durar a interrupção da navegação, maior tende a ser o impacto sobre os preços, o abastecimento e a economia global.

Japão pode ampliar cooperação com produtores do Golfo

Além da dependência energética, Japão e os três países mantêm relações econômicas construídas ao longo de décadas.

Empresas japonesas participaram de diversos projetos de infraestrutura, energia e indústria no Iraque, Kuwait e Qatar, muitos dos quais permanecem em funcionamento.

Nesse contexto, apoiar a criação ou expansão de rotas de exportação pode representar para Tóquio não apenas uma medida de segurança energética, mas também uma oportunidade para fortalecer sua presença econômica no Oriente Médio.

Rotas alternativas também estão expostas a ataques

Apesar das vantagens, os oleodutos alternativos não eliminam os riscos geopolíticos da região.

Em abril, por exemplo, o oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita foi atingido por drones iranianos. O ataque danificou instalações de bombeamento responsáveis por manter a pressão necessária para o transporte do petróleo.

O terminal de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, também já foi alvo recorrente de ataques.

Os episódios mostram que simplesmente deslocar as rotas de exportação para fora do Estreito de Ormuz não garante segurança absoluta.

Ainda assim, a expansão dessas estruturas pode ajudar a preservar parte do fluxo de petróleo e gás e reduzir a pressão sobre os mercados globais de energia.

Para o Japão, que depende da região para mais de 90% de suas importações de petróleo bruto, apoiar investimentos em alternativas ao Estreito de Ormuz pode ser uma estratégia importante para reforçar sua segurança energética.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Bloomberg

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Transporte

COSCO Shipping encomenda 18 navios porta-contêineres por quase US$ 3 bilhões

A COSCO Shipping Holdings anunciou a encomenda de 18 novos navios porta-contêineres, em contratos de construção naval que somam mais de US$ 2,9 bilhões. Os acordos foram firmados por sua subsidiária COSCO Asset Management com estaleiros chineses.

O investimento amplia a capacidade da companhia no transporte marítimo de contêineres e inclui embarcações de grande porte movidas a combustível de menor intensidade de carbono, além de navios destinados a operações regionais.

COSCO encomenda 12 navios de 22 mil TEUs

O maior dos dois contratos prevê a construção de 12 porta-contêineres com capacidade para 22 mil TEUs cada. As embarcações serão produzidas pelo Shanghai Waigaoqiao Shipbuilding, em parceria comercial com a China Shipbuilding Trading.

Cada navio terá custo de aproximadamente US$ 224 milhões, levando o valor total do contrato a US$ 2,688 bilhões.

Os novos navios serão equipados com propulsão bicombustível a gás natural liquefeito (GNL). A entrega das unidades está prevista para ocorrer gradualmente entre 2028 e 2030.

Navios de grande porte serão usados em rotas Europa-Ásia

De acordo com o planejamento da companhia, os navios de 22 mil TEUs deverão ser empregados em importantes rotas marítimas internacionais, incluindo serviços entre o Extremo Oriente e o noroeste da Europa.

A incorporação dessas embarcações deve reforçar a presença da COSCO em rotas de longa distância e nos principais corredores do comércio marítimo global.

Segundo contrato prevê seis porta-contêineres menores

O segundo acordo contempla a construção de seis navios porta-contêineres de 3.200 TEUs. As embarcações serão produzidas pelo CSSC Huangpu Wenchong Shipbuilding, também em conjunto com a China Shipbuilding Trading.

O contrato tem valor total de CNY 2,039 bilhões, equivalente a cerca de US$ 302,05 milhões.

A previsão é que esses navios sejam entregues entre 2028 e 2029 e destinados principalmente a operações de feeder, conectando portos regionais aos grandes portos concentradores de carga.

Financiamento poderá contar com empréstimos bancários

A COSCO informou que poderá financiar até 70% do preço de aquisição de cada embarcação por meio de dívida externa ou empréstimos bancários.

O valor restante será pago com recursos financeiros próprios da companhia.

Segundo a empresa, a escolha dos estaleiros levou em consideração fatores como prazo de entrega, capacidade técnica e atendimento às necessidades operacionais previstas para os navios.

A companhia também afirmou que os preços negociados estavam próximos dos menores valores identificados durante as avaliações preliminares das propostas.

FONTE: Baird Maritime
TEXTO: Redação
IMAGEM: HoaMeee / MarineTraffic

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Notícias

Explosão no porto de Rotterdam deixa um morto e seis feridos

Uma explosão em uma instalação de armazenamento de derivados de petróleo no porto de Rotterdam, na Holanda, deixou uma pessoa morta e seis feridas na quinta-feira (13). As autoridades locais investigam as causas do incidente.

Segundo a Gunvor, uma das principais empresas globais de comercialização de commodities de energia, a ocorrência aconteceu durante trabalhos de manutenção em um de seus tanques de armazenamento.

A polícia informou que, inicialmente, não havia indícios de sabotagem. Todas as hipóteses, no entanto, permanecem sob investigação.

Explosão ocorreu durante manutenção de tanque

O acidente foi registrado por volta das 11h30 no horário local, 9h30 pelo horário de Greenwich (GMT).

A Gunvor informou que está colaborando com as autoridades responsáveis pela investigação do incidente.

O porto de Rotterdam, considerado o maior da Europa, é um importante centro de entrada, armazenamento e distribuição de petróleo bruto e combustíveis. A área portuária concentra instalações estratégicas para o mercado energético europeu.

Porto abriga grandes refinarias de petróleo

Entre as estruturas localizadas no complexo está a refinaria Pernis, da Shell, considerada a maior refinaria de petróleo da Europa, com capacidade de processamento de aproximadamente 404 mil barris por dia.

O porto também abriga refinarias operadas por empresas como BP, ExxonMobil e Vitol, além de instalações destinadas ao armazenamento e movimentação de combustíveis e outras commodities energéticas.

Apesar da proximidade com a área atingida, a Shell informou que suas operações no porto não foram afetadas pela explosão.

Terminais de GNL não foram atingidos

A autoridade portuária de Rotterdam informou que os terminais de gás natural liquefeito (GNL) não sofreram impactos diretos.

Dados da ENTSOG, organização europeia responsável pelo acompanhamento da infraestrutura de transporte de gás, mostraram uma queda temporária no envio de gás a partir do terminal Gate LNG, seguida por oscilações nos fluxos.

Ainda não estava claro se essa alteração estava relacionada à explosão ou a uma interrupção de energia ocorrida em outra área do extenso complexo portuário.

Mercado acompanha possíveis impactos sobre o gás europeu

Qualquer interrupção prolongada na operação do terminal Gate pode chamar a atenção do mercado europeu de gás natural.

O terminal é um dos principais pontos de entrada de GNL no noroeste da Europa. Além disso, os estoques de gás da Holanda estavam em aproximadamente 40% da capacidade, segundo dados da Gas Infrastructure Europe, antes do início da temporada de maior demanda para aquecimento.

Por isso, eventuais restrições prolongadas na infraestrutura energética de Rotterdam poderiam ser acompanhadas de perto por traders e participantes do mercado.

Falhas de energia ocorreram no porto

A ExxonMobil informou que uma interrupção no fornecimento de energia já havia sido solucionada e que as operações de sua refinaria, com capacidade de 191 mil barris por dia, estavam funcionando normalmente.

A empresa, porém, não confirmou uma informação divulgada pela Wood Mackenzie e vista pela Reuters segundo a qual todas as unidades monitoradas da refinaria teriam sido desligadas.

O Porto de Rotterdam afirmou que a explosão não estava relacionada à interrupção de energia. Segundo a autoridade local de segurança, o complexo registrou vários episódios de falta de energia ao longo do dia, mas nenhum deles tinha ligação com a explosão.

As autoridades continuam investigando o incidente para determinar as circunstâncias que levaram à explosão e verificar eventuais impactos sobre as operações do porto de Rotterdam e da infraestrutura energética europeia.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: Courtesy SQ Vision/via REUTERS

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Internacional

Crise energética na Europa: estoques de gás preocupam antes do inverno

A Europa pode enfrentar um inverno desafiador no abastecimento de gás natural. Mesmo com a redução das tensões envolvendo Estados Unidos e Irã e a retomada da navegação pelo Estreito de Ormuz, especialistas alertam que os níveis de armazenamento de combustível no continente permanecem abaixo do esperado, elevando o risco de pressão sobre os preços nos próximos meses.

Um estudo da consultoria Wood Mackenzie, divulgado pelo jornal britânico Financial Times, projeta que os reservatórios da União Europeia (UE) deverão encerrar a temporada de reabastecimento, que ocorre entre abril e outubro, com apenas 76% da capacidade ocupada.

Reservatórios de gás devem atingir menor nível em 15 anos

Caso a projeção se confirme, os estoques de gás natural da Europa entrarão no inverno do Hemisfério Norte nos níveis mais baixos registrados em pelo menos 15 anos. O cenário pode resultar em aumento dos custos de energia para consumidores e empresas durante o período de maior demanda.

Após um inverno rigoroso, que reduziu os estoques para cerca de 28% da capacidade, os países europeus tentam recompor as reservas, mas enfrentam dificuldades para alcançar os volumes considerados ideais.

Dados da Gas Infrastructure Europe (GIE) indicam que os reservatórios operam atualmente com ocupação média de 48,29%. Tradicionalmente, junho representa o mês de maior ritmo de armazenamento, porém o desempenho ficou abaixo do esperado neste ano.

Calor e demanda por energia dificultam recomposição dos estoques

Outro fator que preocupa o setor energético é a previsão de temperaturas acima da média durante julho e agosto. O aumento do uso de sistemas de refrigeração deve elevar o consumo de eletricidade e reduzir a quantidade de gás natural destinada ao armazenamento.

Embora os preços do combustível tenham disparado durante o período de maior tensão no Oriente Médio, as cotações voltaram a se estabilizar nas últimas semanas.

Atualmente, o gás é negociado em torno de 40 euros por megawatt-hora (MWh), valor próximo ao registrado antes da escalada do conflito e muito inferior ao pico de 342 euros/MWh alcançado após o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, em 2022.

Oferta de GNL segue como fator decisivo para o mercado europeu

Especialistas avaliam que o cenário pode mudar caso haja aumento da oferta global de Gás Natural Liquefeito (GNL). Após a redução das tensões no Golfo, navios transportadores voltaram a operar normalmente na região, o que pode ampliar o fornecimento internacional.

Segundo Tom Marzec-Manser, diretor de gás e GNL para a Europa da Wood Mackenzie, a maior disponibilidade de cargas pode pressionar os preços para baixo no curto prazo. No entanto, ele avalia que a chegada do inverno tende a elevar novamente as cotações, principalmente se houver temperaturas abaixo da média.

Redução da oferta amplia preocupação com abastecimento

A atual situação é resultado de diversos fatores que reduziram a disponibilidade de gás natural no mercado europeu.

Entre eles estão as dificuldades recentes nas rotas de transporte de GNL pelo Estreito de Ormuz, a redução da produção no Catar e nos Emirados Árabes Unidos e o encerramento do trânsito de gás russo pelo território da Ucrânia.

Com isso, a União Europeia passou a depender ainda mais das importações de GNL para garantir o abastecimento interno e também atender à demanda ucraniana.

No ano passado, o bloco importou 109 milhões de toneladas de GNL, volume equivalente a aproximadamente 142 bilhões de metros cúbicos, crescimento de 28% em relação ao ano anterior.

Apesar desse avanço, as compras externas perderam ritmo. Em junho, as importações caíram cerca de 17% na comparação anual, totalizando 7,8 milhões de toneladas, o menor volume registrado nos últimos dez meses.

Embargo ao gás russo também pressiona o mercado

Outro elemento que contribui para a incerteza é a estratégia da União Europeia de eliminar gradualmente a dependência de produtos energéticos russos.

Atualmente, a Rússia ainda responde por aproximadamente 14% das importações europeias de GNL. Pelo cronograma aprovado pelo Conselho Europeu, a compra desse combustível será totalmente proibida a partir de 1º de janeiro de 2027.

Já a importação de gás natural russo por gasodutos deverá ser encerrada até setembro de 2027, exigindo que os países do bloco ampliem a diversificação de fornecedores.

Mesmo mantendo capacidade de armazenamento de cerca de 109 bilhões de metros cúbicos e ocupando a posição de maior importadora mundial de GNL, a Europa ainda enfrenta desafios para garantir estoques suficientes antes da chegada do inverno.

FONTE: NeoFeed
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/NeoFeed

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Internacional

Estreito de Hormuz volta a liberar petroleiros e amplia oferta global de petróleo

A retomada gradual da navegação no Estreito de Hormuz começou a aliviar a pressão sobre o mercado internacional de energia. Nesta quarta-feira, três petroleiros que estavam retidos na região iniciaram a saída do Golfo Pérsico transportando cerca de 5 milhões de barris de petróleo bruto, movimento que contribui para aumentar a oferta global e reduzir os preços da commodity.

A liberação das embarcações ocorre após o acordo provisório firmado entre Irã e Estados Unidos, que ajudou a destravar parte das cargas que permaneciam paradas devido às tensões no Oriente Médio.

Petroleiros seguem para Ásia e Oriente Médio

Entre os navios que deixaram a região está o VL Breeze, um superpetroleiro de grande porte que transporta aproximadamente 2 milhões de barris de condensado do Catar e petróleo de Abu Dhabi. A embarcação segue em direção a Daesan, na Coreia do Sul, contratada pela refinaria sul-coreana Hyundai Oilbank.

Outro navio que atravessou o estreito foi o VLCC Plata Carrier, responsável pelo transporte de cerca de 2 milhões de barris de petróleo saudita com destino à Ásia. A embarcação opera sob contrato da Indian Oil Corporation.

Também deixou a região o petroleiro Prudent Warrior, que carrega cerca de 1 milhão de barris de petróleo Basrah, do Iraque, com destino ao porto de Sohar, em Omã.

Milhões de barris ainda aguardam saída do Golfo

Levantamentos das consultorias especializadas Kpler e Vortexa indicavam, na semana passada, que aproximadamente 90 milhões de barris de petróleo permaneciam represados dentro do Golfo devido às restrições impostas pelo conflito regional.

Segundo o Ministério dos Oceanos e da Pesca da Coreia do Sul, quatro embarcações operadas por empresas sul-coreanas já conseguiram deixar o Estreito de Hormuz e seguem viagem para seus respectivos destinos.

Apesar da melhora no fluxo marítimo, 18 dos 26 navios que ficaram retidos desde o início da crise ainda permanecem na região.

Corredores marítimos temporários garantem navegação

Ainda não há confirmação sobre o uso das rotas emergenciais criadas para facilitar a saída segura dos navios. As medidas foram implementadas por Omã em conjunto com a Organização Marítima Internacional (IMO).

O governo omanense anunciou a manutenção da navegação livre pelo Estreito de Hormuz, sem cobrança de tarifas adicionais, e definiu dois corredores temporários, posicionados ao norte e ao sul da rota tradicional de navegação.

A iniciativa busca garantir maior segurança às embarcações que deixam a área em meio ao cenário de instabilidade geopolítica.

Mercado de gás natural também mostra recuperação

Além do transporte de petróleo, a movimentação de gás natural liquefeito (GNL) também apresenta sinais de normalização.

Dados de navegação mostram que os navios-tanque Shandong Redwood e Milaha Qatar, ambos vazios, cruzaram recentemente o estreito para realizar carregamentos no Catar.

Com essas embarcações, chega a nove o número de navios de GNL identificados transitando pela região para abastecimento no país, o maior volume registrado desde o início do conflito.

Catar prevê retomada total da produção de GNL

O primeiro-ministro do Catar, Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, afirmou que a produção de gás natural liquefeito deverá retornar aos níveis normais nas próximas semanas.

A expectativa reforça a percepção de recuperação gradual das exportações energéticas da região e reduz preocupações sobre possíveis impactos prolongados no abastecimento global de petróleo e gás.

A reabertura das rotas marítimas e a retomada dos embarques são acompanhadas de perto por governos, empresas e investidores, já que o Estreito de Hormuz é considerado uma das passagens mais estratégicas para o comércio mundial de energia.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Stringer

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Internacional

Estreito de Ormuz tem menos de mil navios em 100 dias de guerra entre Irã, EUA e Israel

O Estreito de Ormuz, uma das passagens marítimas mais importantes do planeta para o transporte de energia, registrou a circulação de apenas 988 embarcações comerciais nos primeiros 100 dias do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel. Em condições normais, esse mesmo volume seria alcançado em aproximadamente uma semana.

A marca coincide com os 100 dias da guerra, completados em 7 de junho, e evidencia o impacto do conflito sobre uma rota responsável por parcela significativa do comércio global de petróleo, gás natural liquefeito (GNL) e fertilizantes.

Importância global do Estreito de Ormuz

Antes da escalada militar iniciada em 28 de fevereiro, o estreito respondia por cerca de 20% do consumo diário mundial de petróleo e por uma fatia relevante do comércio internacional de GNL. Além disso, aproximadamente um terço do transporte marítimo de fertilizantes passava pela região.

Após os ataques preventivos liderados por Estados Unidos e Israel contra o Irã e as posteriores retaliações de Teerã contra infraestruturas estratégicas no Golfo, o fluxo marítimo sofreu uma forte retração.

Navegação limitada e novas rotas marítimas

Mesmo após três meses de conflito, o trânsito de navios permanece restrito. Para atravessar a região, armadores passaram a buscar acordos diplomáticos ou negociar diretamente com autoridades iranianas.

Durante o período, algumas embarcações navegaram com os sistemas de identificação automática (AIS) desligados. Também surgiu uma rota alternativa dentro das águas territoriais iranianas, enquanto parte da frota continuou utilizando o corredor oficialmente recomendado pela Organização Marítima Internacional (IMO).

Queda superior a 90% no movimento de embarcações

Dados da consultoria Kpler apontam que a movimentação de navios caiu mais de 90% em comparação com os níveis observados antes da guerra.

Entre 1º e 27 de fevereiro, a média diária era de 129 embarcações, número próximo ao histórico de 138 navios por dia. Já no centésimo dia do conflito, apenas 10 embarcações comerciais cruzaram o estreito.

Grande parte dos navios que continuaram operando na região pertence a chamadas “frotas sombra” ou embarcações sujeitas a sanções internacionais.

Oscilações no tráfego ao longo da guerra

No dia 28 de fevereiro, 78 embarcações passaram pelo estreito. Após o início das hostilidades, esse número caiu para 30 em 1º de março e para apenas 13 no dia seguinte.

Em determinados momentos, o movimento chegou ao mínimo de apenas dois navios por dia. O maior volume registrado durante a guerra ocorreu em 18 de abril, quando 27 embarcações realizaram a travessia.

Disputa política influencia acesso à rota

Em abril, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o estreito permaneceria aberto para embarcações comerciais até o fim do cessar-fogo no Líbano.

Do lado americano, o presidente Donald Trump declarou que a passagem marítima seguia operacional, mas ressaltou a manutenção do bloqueio dos Estados Unidos até que fosse alcançado um acordo com Teerã.

Pouco depois, o governo iraniano anunciou um fechamento de fato da rota, condicionando a normalização do tráfego ao fim das restrições impostas aos navios ligados aos portos iranianos. Em 7 de maio, apenas uma embarcação cruzou o estreito, o menor registro de todo o período analisado.

Transporte de petróleo continua predominante

Nos primeiros 100 dias da guerra, 456 navios transportando petróleo bruto e derivados utilizaram o corredor marítimo.

O volume caiu rapidamente após o início do conflito: de 50 embarcações em 28 de fevereiro para apenas duas em 3 de março. Em alguns dias, nenhum petroleiro realizou a travessia.

A maior parte dessas cargas partiu de portos iranianos, embora também tenham sido registrados embarques oriundos dos Emirados Árabes Unidos, Iraque, Arábia Saudita e Catar.

Os principais destinos foram países asiáticos, como China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Singapura, Vietnã, Malásia, Tailândia, Paquistão e Mianmar.

Comércio de gás natural liquefeito sofre forte impacto

Os ataques contra a infraestrutura energética do Golfo afetaram significativamente a produção regional, especialmente no Catar, um dos principais exportadores mundiais de GNL.

Durante vários dias, nenhum navio transportando gás natural liquefeito atravessou o Estreito de Ormuz. A primeira passagem após o início da guerra ocorreu apenas em 2 de abril.

Ao longo dos 100 dias, somente 18 metaneiros cruzaram a rota, representando cerca de 2% de todo o tráfego registrado no período. Os carregamentos tiveram como destino China, Índia, Japão e Paquistão.

Transporte de GLP e cargas secas mantém atividade reduzida

O fluxo de navios transportando gás liquefeito de petróleo (GLP) somou 149 embarcações, equivalentes a 15% do total registrado durante o conflito.

Esses navios partiram principalmente de portos do Irã, Emirados Árabes Unidos, Catar e Kuwait, com cargas destinadas a mercados da Ásia, África e América do Sul, incluindo Chile, Indonésia, Malásia e China.

Já os navios de carga seca totalizaram 281 travessias, representando 28% do movimento geral. As embarcações operaram em rotas diversificadas, conectando países como Brasil, Argentina, Canadá, Ucrânia, Turquia, Omã, Tanzânia, China e Tailândia.

Navios de passageiros também deixaram a região

Além das embarcações de carga, cerca de dez navios de passageiros que ficaram retidos no Golfo após o início do conflito conseguiram atravessar o Estreito de Ormuz durante os primeiros 100 dias da guerra.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Internacional

Argélia ganha força como potência energética global com gás natural e avanço sobre mercado europeu

A crescente disputa internacional por fontes de energia colocou a Argélia no centro das atenções globais. Com cerca de 4,5 trilhões de metros cúbicos de reservas comprovadas de gás natural, o país do norte da África ampliou sua influência estratégica ao assumir parte do espaço deixado pela redução do fornecimento russo para a Europa.

A posição geográfica privilegiada no Mediterrâneo, aliada à infraestrutura de exportação já consolidada, transformou o território argelino em peça importante para a segurança energética europeia desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022.

Europa amplia dependência do gás argelino

Com a busca acelerada por alternativas ao gás russo, países europeus passaram a fortalecer acordos comerciais com a Argélia. A proximidade com o continente europeu e a capacidade de fornecimento por gasodutos e cargas de GNL (gás natural liquefeito) favoreceram esse movimento.

Atualmente, a Argélia ocupa posição estratégica em mercados como Espanha e Itália, ampliando sua participação no abastecimento energético da região.

Na Espanha, por exemplo, o gás argelino voltou a liderar parte das importações energéticas do país. Dados da Enagás indicam que o combustível vindo da Argélia representou mais de 29% das compras espanholas de gás nos primeiros meses de 2026.

Grande parte desse fornecimento ocorre pelo gasoduto Medgaz, ligação submarina direta entre a Argélia e o território espanhol.

Ruptura diplomática fortaleceu rota no Mediterrâneo

A relevância do Medgaz aumentou após a paralisação do gasoduto Magrebe-Europa, que passava pelo Marrocos. O encerramento das operações ocorreu em meio ao agravamento das tensões diplomáticas entre Argel e Rabat.

Com isso, a Argélia reforçou sua presença no mercado europeu utilizando rotas consideradas mais seguras e estratégicas para exportação de energia.

Sonatrach domina setor energético da Argélia

A estatal Sonatrach concentra a maior parte das operações ligadas à produção, transporte e exportação de hidrocarbonetos no país.

Além de controlar contratos internacionais bilionários, a empresa exerce papel decisivo na política econômica argelina e nas negociações de segurança energética com países europeus.

Um dos acordos mais relevantes envolve a espanhola Naturgy, responsável pela compra de aproximadamente 5 bilhões de metros cúbicos de gás por ano.

Em março de 2026, representantes dos dois países discutiram a ampliação da capacidade de fornecimento pelo Medgaz diante da volatilidade no mercado internacional de energia.

Itália e Turquia ampliam acordos energéticos

A Itália também intensificou sua parceria com a Argélia após reduzir significativamente as importações de gás russo.

Nesse cenário, o gasoduto TransMed ganhou relevância estratégica ao conectar o território argelino à Europa através da Tunísia e do Mar Mediterrâneo. A estrutura consolidou a Argélia como um dos principais fornecedores italianos de energia.

Outro país que avançou nas negociações foi a Turquia. O governo turco busca ampliar os contratos de gás natural liquefeito antes do encerramento do acordo atual, previsto para 2027.

Segundo autoridades turcas, parte do combustível poderá ser regaseificada no território turco e redistribuída para países do sudeste europeu, incluindo a Bulgária.

A estratégia fortalece o projeto da Turquia de atuar como corredor regional de energia entre Ásia, Oriente Médio e Europa.

Investimentos bilionários impulsionam produção

Além de expandir os contratos internacionais, a Argélia também acelera investimentos para ampliar sua produção de petróleo e gás.

Em abril de 2026, o governo lançou uma nova rodada de licenciamento para exploração de sete blocos de petróleo e gás, buscando atrair empresas estrangeiras para projetos de longo prazo.

Já em maio, a Sonatrach assinou um contrato estimado em US$ 1,1 bilhão para a segunda fase do campo de Hassi Bir Rekaiz, no sul do país.

O projeto será desenvolvido por um consórcio liderado pela egípcia Petrojet, com participação da italiana Arkad.

País busca espaço no mercado global de GNL

A Argélia também trabalha para ampliar sua capacidade de liquefação e competir no mercado internacional de GNL, atualmente liderado por países como Estados Unidos, Catar e Austrália.

Esse modelo de exportação permite que o gás seja enviado para regiões sem conexão direta por gasodutos, ampliando o alcance comercial do país africano.

Apesar do crescimento da influência energética argelina, a forte dependência dos hidrocarbonetos ainda representa um desafio estrutural para a economia local, já que petróleo e gás respondem por cerca de 90% das exportações e sustentam grande parte da arrecadação estatal.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CPG

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Transporte

China entrega maior navio Ro-Ro do mundo e redefine transporte marítimo de veículos

A China colocou em operação o primeiro navio Ro-Ro (roll-on/roll-off) do mundo com capacidade superior a 10 mil veículos, estabelecendo um novo padrão para o transporte marítimo de automóveis. A embarcação foi entregue em 28 de abril e surge em um momento de forte crescimento das exportações asiáticas, especialmente no setor automotivo.

Batizado de Glovis Leader, o navio faz parte de uma nova geração de cargueiros do tipo pure car and truck carrier (PCTC), projetados para ampliar a eficiência logística e atender à crescente demanda global.

Estrutura robusta e tecnologia avançada

Construído pelo estaleiro Guangzhou Shipyard International (GSI), o Glovis Leader possui 230 metros de comprimento, 40 metros de largura e 14 conveses destinados ao transporte de carga. A capacidade total chega a 10.800 veículos, incluindo modelos elétricos, movidos a hidrogênio e caminhões pesados.

A embarcação se destaca ainda pelo uso de tecnologia sustentável, com motores bicombustível que operam com gás natural liquefeito (GNL) ou combustíveis tradicionais. O navio também conta com geradores de eixo e sistema de energia em terra, reduzindo emissões durante operações portuárias. Sua velocidade de cruzeiro é de 19 nós.

Estratégia global e expansão de mercado

O projeto integra a estratégia da sul-coreana HMM de diversificar suas operações além do transporte de contêineres. Os navios serão operados em contratos de longo prazo com a Hyundai Glovis, que pretende expandir sua frota para 128 embarcações até 2030.

A meta da empresa é aumentar sua capacidade anual de transporte de 3,4 milhões para 5 milhões de veículos, o que pode representar cerca de 20% do volume global de logística automotiva marítima.

Crescimento da demanda impulsiona navios maiores

A ampliação do porte dos navios reflete a alta demanda por exportações de veículos, especialmente a partir do Extremo Oriente. Nos últimos anos, embarcações desse segmento têm se tornado cada vez maiores para atender ao aumento do fluxo global.

Como referência recente, navios com capacidade entre 9.200 e 9.500 veículos já haviam sido considerados os maiores do mundo. Agora, projetos ainda mais ambiciosos estão em andamento, com previsão de unidades capazes de transportar até 11.700 veículos.

Construção em série e avanço da indústria chinesa

A Guangzhou Shipyard International destaca que a construção de navios desse tipo envolve alto nível de complexidade técnica, incluindo sistemas de segurança contra incêndio, estruturas multicamadas e requisitos rigorosos de estabilidade.

O estaleiro já acumula pedidos para 40 embarcações desse segmento, das quais 26 já foram entregues. A adoção de processos de construção em série tem permitido ganhos de eficiência e redução nos prazos de produção, fortalecendo a posição da China na indústria naval de alto valor agregado.

Rotas globais e alívio na capacidade logística

A Hyundai Glovis pretende utilizar os novos navios em rotas internacionais de forma rotativa, contribuindo para reduzir a escassez de capacidade no transporte marítimo global.

O avanço desse tipo de embarcação sinaliza uma transformação no setor logístico, com ganhos em escala, eficiência e sustentabilidade para o comércio internacional de veículos.

FONTE: Maritime Executive
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Notícias

Paralisação no Estreito de Hormuz deixa 3.200 navios retidos e eleva frete a níveis recordes

A tensão entre Irã e a coalizão EUA-Israel provocou uma paralisação inédita no Estreito de Hormuz, com cerca de 3.200 navios presos na região. O valor do frete para VLCCs (Very Large Crude Carriers) do Oriente Médio para a China atingiu níveis teóricos extraordinários, chegando a US$ 423.700 por dia na segunda-feira, um aumento de US$ 205.600 em relação ao dia anterior. Especialistas alertam, porém, que confirmações de contratos a esses valores ainda não foram registradas.

Seguro marítimo suspende cobertura em guerra

Mais da metade dos maiores clubes P&I do mundo anunciou que deixará de oferecer cobertura contra riscos de guerra para navios que entrem no Golfo Pérsico a partir de 5 de março, encerrando automaticamente a proteção para embarcações em águas adjacentes. A medida aumenta significativamente os custos de viagem e deve levar armadores a optar por rotas alternativas, como o Cabo da Boa Esperança.

Irã reforça controle sobre o estreito

Autoridades iranianas intensificaram a crise ao afirmar controle sobre o estreito. A mídia estatal citou comandantes dizendo que o Estreito de Hormuz está fechado e alertando que “os heróis da Guarda Revolucionária e da Marinha regular irão incendiar os navios” que tentarem passar. A declaração aumenta o receio do mercado sobre o bloqueio de 14 a 15 milhões de barris de petróleo por dia no Golfo Pérsico.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que “os golpes mais duros” contra o Irã ainda estão por vir, sem indicar a duração da campanha militar.

Ataques afetam navios e infraestrutura

Os ataques iranianos já atingiram navios mercantes e instalações regionais. Pesquisas da Clarksons Research registram pelo menos seis navios danificados – entre eles Stena Imperative, Sea La Donna, Hercules Star, Ocean Electra, Skylight e MKD Vyom – além de múltiplos ataques a portos e unidades de energia. Um ataque a um porto em Bahrain na segunda-feira matou um trabalhador, feriu outros dois e danificou um petroleiro com bandeira dos EUA.

Mercado marítimo em alerta

Especialistas alertam que o bloqueio é mais uma paralisação motivada por risco do que um cerco formal. O estreito normalmente registra 80 a 100 travessias por dia, transportando cerca de um quinto do consumo global de petróleo, enquanto os gasodutos alternativos não possuem capacidade para suprir uma interrupção prolongada.

O impacto varia por setor:

  • Navios petroleiros: os VLCCs sofrem os maiores efeitos, com ganhos teóricos em recorde histórico, enquanto a atividade real deve permanecer limitada nos próximos dias.
  • Gás natural liquefeito (GNL) e GLP: mercados desestabilizados, com aumento de mais de 20% nas tarifas de transporte de GNL devido à parada em Ras Laffan e risco de choque similar para o GLP, que depende cerca de 30% do tráfego por Hormuz.
  • Contêineres: apenas 2% do tráfego passa pelo estreito, mas grandes linhas como MSC suspenderam reservas para o Oriente Médio, intensificando congestionamentos em Europa e Ásia.
  • Carga seca (dry bulk): menos impactada diretamente, mas sofre atrasos e congestionamentos secundários.

Segundo a Clarksons Research, 3.200 embarcações permanecem dentro do Golfo, representando 4% do tonelagem global, incluindo 112 petroleiros e 114 navios de contêineres; cerca de 500 navios aguardam nas costas de Emirados Árabes Unidos e Omã.

FONTE: Splash 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: US Navy

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Transporte

Número de navios dual fuel quase dobra em 2025 e encomendas seguem aquecidas

O número de navios dual fuel — embarcações capazes de operar com combustíveis alternativos de menor emissão — quase dobrou em 2025, de acordo com dados recentes do World Shipping Council (WSC). A atualização anual do Dual-Fuel Fleet Dashboard revela que os armadores seguem investindo fortemente nessa tecnologia, mesmo diante da ausência de regras regulatórias definitivas para emissões.

Carteira de encomendas mantém ritmo acelerado

Segundo o WSC, a frota de porta-contêineres e navios transportadores de veículos com sistema dual fuel atingiu 400 unidades ao final de 2025, quase o dobro das 218 registradas em 2024. Além disso, há 726 embarcações ainda em encomenda, garantindo que a tecnologia continue com grande presença na carteira global de navios. Somando frotas em operação e em construção, os dois segmentos devem alcançar 1.126 navios dual fuel, com crescimento de 28% em um ano, representando investimentos superiores a US$ 150 bilhões.

Segmentos líderes na transição energética

Os setores de contêineres e transporte de veículos concentram 74% de todos os navios dual fuel. Em termos de arqueação bruta (DWT), 74% das encomendas de contêineres e 87% das de veículos já utilizam combustíveis alternativos. Nos demais segmentos, a participação é menor, cerca de 21%.

Cruzeiros também avançam na transição: mais de 40% das embarcações em encomenda (31 de 75) foram projetadas para operar com múltiplos combustíveis, principalmente GNL, enquanto 59% da arqueação bruta dos cruzeiros em construção utilizará combustíveis alternativos.

Projeções para a frota global

De acordo com análise da DNV, entre 2026 e 2033 estão previstas entregas de 1.138 navios, dos quais 40% devem operar com combustíveis alternativos, o que poderá quase dobrar a frota desse tipo nos próximos oito anos. Apesar de uma desaceleração nas encomendas movidas a metanol em 2025, devido a limitações de oferta, a tendência de transição energética permanece firme, com navios alternativos representando quase 40% de todos os pedidos do ano.

Continuidade do investimento em 2026

Segundo Jason Stefanatos, diretor global de descarbonização da DNV, o movimento seguiu em 2026: apenas em janeiro foram registrados 20 novos pedidos de navios com combustíveis alternativos, incluindo 16 porta-contêineres a GNL, um navio offshore a metanol e três transportadores de GLP, reforçando a aceleração da adoção dessa tecnologia no transporte marítimo.

FONTE: Maritime Executive
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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