Agronegócio

Gargalos marítimos globais: riscos crescentes para o agronegócio brasileiro

A dinâmica do comércio internacional continua sendo fortemente influenciada por rotas estratégicas marítimas. Desde as grandes navegações, o controle de passagens estreitas determina fluxos econômicos e relações de poder. Em 2026, a escalada de tensões no Golfo Pérsico voltou a evidenciar como esses pontos críticos — conhecidos como chokepoints — permanecem essenciais para o funcionamento da economia global.

Atualmente, cerca de 80% do comércio mundial em volume é transportado por via marítima. Esse fluxo depende diretamente de corredores específicos, cuja interrupção pode gerar efeitos em cadeia sobre energia, alimentos e insumos agrícolas.

O papel estratégico dos gargalos marítimos

Os principais gargalos marítimos do mundo incluem rotas como Ormuz, Bab el-Mandeb, Suez e Malaca, além de passagens como Gibraltar, Bósforo e o Canal do Panamá. Esses pontos concentram grande parte da circulação de commodities agrícolas, energia e insumos industriais.

Mais do que rotas de petróleo, esses corredores são fundamentais para o transporte de grãos, proteínas animais, fertilizantes, celulose e açúcar. Para o Brasil — uma potência exportadora do agronegócio — compreender essas rotas é uma questão estratégica.

Dependência externa expõe fragilidade estrutural

Apesar de ser um dos maiores produtores de petróleo do mundo, o Brasil ainda depende significativamente da importação de derivados como diesel. Esse combustível é essencial para toda a cadeia do agronegócio, desde o plantio até o transporte.

  • O país importa cerca de 25% do diesel consumido
  • O GLP também tem dependência semelhante
  • Já o querosene de aviação possui dependência menor, mas relevante

Essa vulnerabilidade impacta diretamente os custos logísticos e a competitividade do setor agrícola, especialmente em cenários de crise internacional.

Fertilizantes: o maior risco para a produção agrícola

Se a dependência de combustíveis preocupa, a dos fertilizantes é ainda mais crítica. O Brasil importa aproximadamente 85% dos insumos agrícolas utilizados no campo.

Com a tensão no Golfo Pérsico e o fechamento do Estreito de Ormuz em 2026:

  • Os preços da ureia dispararam
  • Houve suspensão de ofertas no mercado internacional
  • Cresceu o risco de desabastecimento

Além disso, restrições de exportação por grandes fornecedores globais e danos à infraestrutura no Oriente Médio agravam o cenário.

Entre os insumos mais críticos estão:

  • Ureia
  • Enxofre
  • Fosfatos

A escassez desses produtos pode comprometer diretamente a safra 2026/2027.

Impactos diretos no agronegócio brasileiro

A crise logística internacional afeta o Brasil em duas frentes principais:

Custos mais altos

O aumento nos preços de frete e seguros marítimos eleva o custo final das exportações e insumos.

Risco à produção

A dificuldade de acesso a fertilizantes pode reduzir a produtividade agrícola e pressionar margens.

Além disso, o Oriente Médio é um mercado relevante para o Brasil, especialmente na compra de milho e outros produtos agrícolas.

Biocombustíveis ganham protagonismo

Em meio à crise, os biocombustíveis surgem como alternativa estratégica. O Brasil possui vantagens competitivas nesse setor:

  • Mistura de etanol na gasolina
  • Uso crescente de biodiesel
  • Frota de veículos flex

Esses fatores ajudam a reduzir a dependência externa e amortecer os impactos das oscilações no mercado global de النفط e derivados.

Os principais gargalos marítimos do mundo

1. Estreito de Ormuz — risco crítico

Principal rota de petróleo e fertilizantes, concentra grande volume de energia global.

2. Bab el-Mandeb — risco crítico

Conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e é essencial para o acesso ao Canal de Suez.

3. Estreito de Malaca — risco médio

Um dos corredores mais movimentados do mundo, vital para o comércio asiático.

4. Bósforo e Dardanelos — risco alto

Fundamentais para o escoamento de trigo, milho e fertilizantes do Mar Negro.

5. Canal de Suez — risco alto

Principal ligação entre Ásia e Europa, responsável por grande parte do transporte global.

6. Canal do Panamá — risco moderado

Importante para cargas entre Atlântico e Pacífico, com destaque para grãos.

7. Estreito de Gibraltar — risco baixo

Rota estratégica para fertilizantes e comércio entre Europa e África.

Um novo cenário global exige estratégia

A crise de 2026 reforça uma tendência: eventos geopolíticos deixaram de ser exceção e passaram a ser recorrentes. Para o Brasil, isso exige mudanças estruturais.

Entre os principais desafios:

  • Reduzir a dependência de fertilizantes importados
  • Diversificar fornecedores internacionais
  • Investir na produção nacional de insumos
  • Criar estoques estratégicos

Em um cenário global instável, fortalecer a segurança de abastecimento é fundamental para manter a competitividade do agronegócio brasileiro.

FONTE: Estadão
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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Economia

Choque do petróleo impacta economia global e eleva incertezas no mercado de energia

O recente choque do petróleo provocado por tensões no Oriente Médio deve ter efeitos duradouros na economia mundial. Embora os impactos mais agudos possam diminuir com o tempo, especialistas avaliam que a incerteza no mercado de energia tende a permanecer como um fator estrutural nos próximos anos.

Conflito amplia instabilidade global

Após mudanças recentes no comércio internacional, o cenário global enfrenta uma nova fase de instabilidade com os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã. Desta vez, o principal fator de preocupação está ligado ao custo da energia fóssil, que dificilmente retornará aos níveis anteriores mesmo após o fim do conflito.

Estreito de Ormuz no centro da crise

A interrupção no fluxo de petróleo e gás no Estreito de Ormuz — rota estratégica por onde circula cerca de um quarto do petróleo transportado por via marítima no mundo e quase 20% do gás natural liquefeito — provocou um dos maiores choques de oferta já registrados.

Relatório recente da Agência Internacional de Energia classificou o episódio como a maior ameaça à segurança energética global, superando crises históricas como as de 1973, 1979 e até mesmo os efeitos da guerra na Ucrânia em 2022.

Produção em queda e preços em alta

A produção de petróleo nos países do Golfo Pérsico caiu mais de 10 milhões de barris por dia, enquanto o transporte marítimo foi fortemente reduzido. Refinarias e unidades de processamento também sofreram danos, afetando principalmente derivados como diesel e querosene de aviação.

Como reflexo, o barril do petróleo tipo Brent saltou rapidamente de cerca de US$ 60 para mais de US$ 100, mantendo-se em patamares elevados. O mercado de derivados sinaliza pressão adicional sobre os preços.

Medidas emergenciais não resolvem dependência

Em resposta à crise, países coordenados liberaram cerca de 400 milhões de barris de reservas estratégicas. A ação ajudou a conter um cenário ainda mais crítico no curto prazo, mas não resolve a dependência global de combustíveis fósseis, concentrados em regiões geopoliticamente instáveis.

Impactos no Brasil: inflação e juros

No Brasil, os efeitos devem aparecer principalmente na inflação e na condução da política monetária. A expectativa de redução da taxa básica de juros pode ser revista para baixo diante da pressão inflacionária.

Especialistas apontam que o ambiente atual dificulta cortes mais agressivos na taxa Selic, já que o aumento dos custos de energia tende a se espalhar por diversos setores da economia.

Fertilizantes e agricultura sob pressão

Outro impacto relevante está no mercado de fertilizantes, essencial para o agronegócio brasileiro. Com a interrupção de exportações de grandes fornecedores, como a Rússia, o abastecimento global foi comprometido.

A expectativa é de preços elevados e possível escassez, o que pode afetar diretamente a próxima safra agrícola, elevando custos ou reduzindo a produção.

Recuperação será gradual

Mesmo com um eventual cessar-fogo, a normalização do mercado de energia deve ocorrer de forma lenta e desigual. O petróleo pode apresentar recuperação mais rápida, mas o gás natural pode levar até dois anos para estabilizar sua oferta global.

Novo cenário energético global

Analistas avaliam que o maior impacto da crise não será apenas o pico de preços no curto prazo, mas a consolidação de um ambiente mais arriscado. A incerteza energética tende a se tornar permanente, elevando o patamar mínimo dos preços.

Ainda que o barril não ultrapasse novamente os US$ 100, dificilmente retornará ao nível anterior de US$ 60. O sistema energético global deve sair da crise mais caro e mais instável, impulsionando a busca por alternativas, como a energia nuclear e fontes mais sustentáveis.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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Exportação

Governo avalia medidas para apoiar exportadores afetados pela guerra no Oriente Médio

O governo federal estuda criar um pacote de apoio voltado a exportadores impactados pela guerra no Oriente Médio. A proposta em análise prevê a adoção de medidas semelhantes às do Plano Brasil Soberano, utilizado anteriormente para socorrer empresas afetadas por barreiras comerciais internacionais.

As discussões envolvem diferentes áreas da equipe econômica, além do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), responsável por operacionalizar linhas de financiamento. Há a possibilidade de utilização de recursos remanescentes, estimados em cerca de R$ 6 bilhões.

Modelo segue experiência de apoio a empresas exportadoras

A ideia do novo programa é replicar mecanismos já aplicados, como linhas de crédito com juros reduzidos, ampliação de devolução de tributos e estímulo às compras públicas. Em iniciativas anteriores, uma das exigências para adesão foi a preservação de empregos.

O objetivo agora é mitigar os efeitos de fatores externos sobre a logística internacional e garantir maior estabilidade às empresas que dependem do comércio exterior.

Setores produtivos pressionam por medidas urgentes

Nas últimas semanas, representantes de diversos segmentos intensificaram pedidos de apoio ao governo. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), por exemplo, solicitou medidas voltadas ao financiamento de exportações e ao capital de giro para empresas afetadas.

No documento encaminhado à equipe econômica, a entidade defende a criação de instrumentos emergenciais para reduzir impactos logísticos decorrentes de instabilidades geopolíticas.

Agronegócio pede redução de custos logísticos e de insumos

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também apresentou demandas. Entre elas, está a proposta de zerar taxas incidentes sobre o frete marítimo, como forma de conter o aumento dos custos.

Segundo a entidade, a escalada do conflito internacional tem pressionado os preços de insumos estratégicos, especialmente fertilizantes. Produtos nitrogenados, como a ureia, já registram alta acumulada de cerca de 35%, impactando diretamente o agronegócio brasileiro.

Conflito pressiona cadeias globais e exportações brasileiras

O cenário internacional tem gerado efeitos sobre cadeias logísticas e custos de produção, afetando a competitividade das empresas nacionais. Diante disso, o governo busca alternativas para proteger o fluxo de exportações brasileiras e reduzir impactos sobre setores estratégicos da economia.

A eventual criação de um novo programa emergencial deve ser definida após a consolidação das demandas e a avaliação da viabilidade fiscal das medidas.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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Comércio Internacional

Guerra no Oriente Médio eleva preço de fertilizantes e ameaça custo de alimentos no Brasil

O conflito no Irã e no Oriente Médio começa a refletir diretamente no setor agrícola brasileiro. Além da alta do petróleo, a guerra tem pressionado os preços de fertilizantes, especialmente os nitrogenados, usados em culturas como milho e soja. A redução da oferta global pode, no longo prazo, elevar também o custo de carnes, ovos e outros alimentos que dependem desses insumos.

Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o Oriente Médio responde por cerca de 30% dos fertilizantes comercializados mundialmente. Com o Estreito de Ormuz parcialmente bloqueado, o frete se encarece e aumenta o custo de chegada dos insumos, enquanto atrasos nos embarques elevam a volatilidade de preços e dificultam o planejamento agrícola. Dados do Rabobank indicam que 45% das exportações globais de ureia passam direta ou indiretamente por rotas ligadas ao Golfo Pérsico.

Dependência do Brasil e tipos de fertilizantes

O Brasil importa cerca de 85,7% dos fertilizantes usados na agricultura nacional, de acordo com a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA). Em 2025, o país comprou 43,32 milhões de toneladas de fertilizantes, enquanto a produção interna foi de 7,22 milhões de toneladas. Os insumos mais utilizados são nitrogenados, fosfatados, potássicos e NPK (composto dos três nutrientes).

Do volume importado de fertilizantes nitrogenados, 15,8% vieram do Oriente Médio, enquanto China, Rússia e Nigéria responderam por 70,4%, segundo estudo do Insper Agro Global baseado em dados do Trade Data Monitor (2026). A ureia, em especial, já registra aumento de 33% no preço (incluindo custo e frete) desde o início do conflito, devido à elevação do preço do gás natural, matéria-prima fundamental.

Impactos na safra brasileira

Para o pesquisador Alberto Pfeifer, do Insper Agro Global, os efeitos ainda são limitados às safras futuras. “As plantações em andamento já utilizam estoques de fertilizantes disponíveis. O impacto maior deve aparecer na próxima safra de verão, que começa em agosto, dependendo da evolução do conflito”, afirmou. Nas culturas de milho e soja, os fertilizantes representam cerca de 40% do custo total da safra.

Fertilizantes fosfatados também registram aumento de cerca de 8% nos preços, influenciados pelo custo do gás natural. Bruno Lucchi, diretor técnico da CNA, reforça que o nitrogênio em estoque sustenta as safras atuais, e parte dos produtores já garantiu insumos para a próxima safra, com prazo até junho.

Repercussões internacionais e ajustes de mercado

Enquanto o Brasil observa a situação, outros países como Estados Unidos, Índia e nações europeias compram nitrogenados, já que o plantio de milho ocorre mais cedo nessas regiões. Segundo Lucchi, o aumento do custo dos fertilizantes pode reduzir áreas plantadas e afetar a dinâmica de preços internacionais de milho e soja.

Mauro Osaki, pesquisador do Cepea/USP, alerta que produtores que não compraram fertilizantes antecipadamente enfrentarão valores mais altos. Culturas como trigo e cevada podem sofrer redução de área ou perda de padrão tecnológico, devido à dificuldade de financiamento e rentabilidade negativa histórica.

Perspectivas e impacto nos alimentos

Embora seja possível redirecionar compras de fertilizantes para outros mercados, o desafio é garantir volume, preço competitivo, frete e entrega no tempo certo. Marcos Pelozato, advogado especializado em agronegócio, aponta que o cenário mais provável é o aumento de custos, disputa por carga e atrasos logísticos.

“O risco maior não é falta de alimentos no curto prazo, e sim preços mais altos. Quando o país importa 85% do que usa em fertilizantes, qualquer crise em rotas estratégicas pressiona a inflação de alimentos no Brasil”, explica Pelozato.

Hortaliças, legumes e parte do hortifruti devem sentir os efeitos primeiro, seguidos por grãos como milho, soja e trigo. Caso o conflito se prolongue, carnes, ovos e leite podem ser impactados indiretamente, já que dependem de milho e soja para a alimentação animal.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Ricardo Moraes/Reuters

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Logística

Hub da Louis Dreyfus em Rondonópolis integra fertilizantes e algodão e reforça logística em MT

A Louis Dreyfus Company (LDC) colocou em operação um novo hub logístico em Rondonópolis (MT), unificando as atividades de insumos agrícolas e algodão no mesmo complexo. A estrutura está instalada no terminal rodoferroviário do município e foi desenhada para otimizar o fluxo de cargas, reduzir custos e ampliar a eficiência operacional no estado.

O projeto permite que o produtor rural entregue o algodão em pluma e retorne com fertilizantes, inclusive por meio de operações de barter — modelo de troca de produtos bastante utilizado no agronegócio. A expectativa é diminuir a pegada de carbono por tonelada transportada, além de racionalizar a logística regional.

Estrutura amplia capacidade de armazenagem e mistura

O novo ativo conta com uma misturadora de fertilizantes com capacidade estática superior a 100 mil toneladas. Já o armazém dedicado ao algodão comporta mais de 20 mil toneladas da fibra.

A operação é automatizada e equipada com elevadores, tombadores e esteiras, eliminando o uso de pás carregadeiras no recebimento das cargas. A companhia destaca que a escolha de Rondonópolis se deve ao papel estratégico do município como principal polo logístico de Mato Grosso.

O estado concentra cerca de 70% da área plantada de algodão no Brasil e responde por 22% do consumo nacional de fertilizantes, consolidando-se como referência tanto na produção da fibra quanto na demanda por insumos.

Sincronização entre oferta e demanda no campo

De acordo com Bruno Andrade, diretor comercial de insumos da LDC para a região North Latam, o hub garante maior alinhamento entre fornecimento e necessidade do produtor.

Segundo ele, a nova estrutura assegura a disponibilidade de fertilizantes no momento exato da demanda no campo, ajustando a cadeia de suprimentos ao ritmo da produção agrícola.

Andrade acrescenta que o investimento fortalece o posicionamento da empresa como parceira estratégica de fornecedores e produtores, além de ampliar sua atuação no mercado brasileiro de fertilizantes por meio da expansão geográfica e da oferta de produtos com mistura própria.

Integração fortalece competitividade do algodão brasileiro

Para Dawid Wajs, diretor da plataforma de algodão da LDC, a integração entre originação, armazenagem e logística acompanha o crescimento da produção nacional e contribui para elevar a competitividade da fibra no exterior.

A companhia é reconhecida como uma das líderes globais na comercialização de algodão e aposta na sinergia entre as operações para impulsionar a presença do produto brasileiro no mercado internacional.

O presidente da LDC Brasil, Michel Roy, afirmou que o hub está alinhado à estratégia de longo prazo da empresa, iniciada há 175 anos, com foco no fortalecimento da capacidade de comercialização e na integração com as áreas de logística e fertilizantes.

Durante a inauguração, o prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira, ressaltou o potencial logístico do município para atrair novos investimentos e destacou a vocação da cidade como centro estratégico do agronegócio.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Louis Dreyfus Company/Divulgação

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Portos

Portos do Paraná concentram quase 50% das exportações de frango do Brasil em janeiro de 2026

Os portos do Paraná responderam por 47,6% de toda a exportação de frango brasileira em janeiro de 2026, consolidando o estado como o maior corredor mundial para o embarque da proteína. O desempenho reforça a relevância estratégica da estrutura portuária paranaense no comércio exterior.

Ao longo de 2025, o Porto de Paranaguá embarcou mais de 2,8 milhões de toneladas de frango congelado, ampliando sua liderança no setor.

Volume exportado e principais destinos

Dados do Comex Stat indicam que, apenas no primeiro mês de 2026, foram exportadas 199 mil toneladas de carne de frango congelada pelos terminais paranaenses. O montante movimentou US$ 365 milhões em valor FOB (Free on Board).

Entre os principais mercados compradores estão Emirados Árabes Unidos, África do Sul e China, destinos que mantêm forte demanda pela proteína brasileira.

O Paraná lidera a produção nacional de frango e conta com um parque industrial formado por 36 frigoríficos de abate e processamento. Segundo a Portos do Paraná, a posição geográfica estratégica e a eficiência logística permitem atender cargas oriundas das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, além de países vizinhos.

Infraestrutura impulsiona embarques de proteína animal

Um dos diferenciais competitivos está na estrutura voltada para contêineres refrigerados (reefers), fundamentais para o transporte de carnes congeladas. O Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP) possui o maior pátio de armazenagem de reefers da América do Sul, com 5.268 tomadas para conexão elétrica.

A confiabilidade operacional, a capacidade de armazenagem e o calado adequado para grandes navios figuram entre os fatores que atraem exportadores ao porto paranaense.

Carne bovina também avança

Além do frango, a carne bovina teve participação expressiva nas exportações nacionais em janeiro. Os portos paranaenses ocuparam a segunda posição no ranking brasileiro, com 27,7% de participação.

Foram 122 mil toneladas embarcadas, gerando US$ 690 milhões em valor FOB. China, Estados Unidos e Emirados Árabes Unidos lideraram as compras.

Somando frango e bovinos, o Porto de Paranaguá movimentou 272 mil toneladas de proteínas no mês, equivalente a 37,9% do volume nacional, com receita de US$ 728 milhões.

Soja lidera entre os granéis vegetais

A movimentação total de cargas nos portos do estado atingiu 5.288.747 toneladas em janeiro, o melhor resultado da história da Portos do Paraná para o mês. O número representa alta de 12,3% em relação ao recorde anterior, registrado em 2025.

A soja em grão foi o principal destaque entre os granéis vegetais, com 811,9 mil toneladas embarcadas, avanço de 98% na comparação anual. O milho também apresentou crescimento, com 387 mil toneladas exportadas, alta de 12%.

O açúcar ensacado registrou aumento de 199%, somando 397 mil toneladas. Já as exportações de óleos vegetais mantiveram Paranaguá na liderança nacional, com crescimento de 52% e volume superior a 123,9 mil toneladas.

Importações e fertilizantes em alta

No segmento de importação, o Porto de Paranaguá recebeu 882 mil toneladas de fertilizantes em janeiro, crescimento de 9% em relação ao mesmo período de 2025.

Outros insumos também apresentaram avanço significativo, como malte e cevada, com aumentos de 383% e 364%, respectivamente.

Crescimento consolidado no ano anterior

Em 2025, os portos paranaenses registraram o maior crescimento percentual em movimentação de cargas entre os terminais brasileiros, com expansão de 10,1%. O volume total saltou de 66,7 milhões de toneladas, em 2024, para 73,5 milhões de toneladas.

O desempenho operacional impactou diretamente o Pátio Público de Triagem do porto, que recebeu 507.915 caminhões no ano passado — alta de 29,5%. A estrutura, com 330 mil metros quadrados e mil vagas, organiza e direciona o fluxo de granéis sólidos vegetais.

FONTE: Modais em Foco
TEXTO: Redação
IMAGEM: Cláudio Neves – Portos do Paraná

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Portos

Porto de Porto Alegre deve receber cinco navios de longo curso até o fim de fevereiro

Após a retomada das operações de navegação de longo curso, o porto de Porto Alegre tem previsão de receber mais cinco navios internacionais até o final de fevereiro. A informação foi confirmada pela Portos RS, após a chegada da embarcação Equinox Eagle nesta semana.

Primeiro grande navio chega após enchentes de 2024

O Equinox Eagle, com bandeira das Ilhas Cayman, foi o primeiro navio de grande porte a atracar na capital gaúcha desde as enchentes de 2024. A embarcação, com cerca de 200 metros de comprimento, veio de São Petersburgo, na Rússia, transportando 11 mil toneladas de nitrato de potássio.

O navio iniciou a operação de descarga na segunda-feira e deve deixar o porto ainda nesta quarta-feira. Segundo o diretor de Operações da Portos RS, Bruno Gonçalves Almeida, antes das inundações o terminal operava, em média, entre oito e dez navios de longo curso por mês, com foco na movimentação de fertilizantes e cevada.

Retomada reduz custos e alivia indústrias

De acordo com Almeida, o retorno dos navios de grande porte representa um impacto logístico positivo para empresas que utilizam o porto. “Havia uma expectativa grande da comunidade portuária. Muitas indústrias foram bastante afetadas e a chegada dos insumos traz um alívio importante”, afirmou.

A retomada das operações na capital pode gerar uma economia estimada em R$ 1 milhão por navio, quando comparada ao descarregamento em outros estados, como Santa Catarina, além de reduzir custos com transporte rodoviário.

Navegação noturna avança em fase gradual

Embora tecnicamente liberada, a navegação noturna no porto de Porto Alegre ainda deve entrar em operação nos próximos meses. Quando totalmente implementada, permitirá, de forma inédita no Rio Grande do Sul, o acesso de navios com mais de 111 metros durante a noite.

Segundo o diretor da Portos RS, o processo segue em fase de ramp-up, com liberação gradual. “Esse avanço beneficia não apenas os navios de longo curso, mas também a navegação interior, já que anteriormente apenas embarcações menores podiam operar à noite”, explicou. A mudança pode representar uma redução de até dois dias de viagem, impactando diretamente no custo do frete.

Dragagem concluída em canais estratégicos

Paralelamente, foram finalizadas as obras de dragagem em canais considerados críticos, como Itapuã, Pedras Brancas, Leitão e Furadinho. O canal da Feitoria segue em obras.

Com o retorno do longo curso, a Portos RS também planeja avançar em projetos de restauração de armazéns, incluindo o POA11, que teve o telhado destruído durante as enchentes.

Investimentos aguardam formalização

O armazém POA11 deverá receber R$ 5 milhões em investimentos da Unifertil, vencedora da licitação realizada em 2023. No entanto, o contrato ainda aguarda assinatura com o Ministério de Portos e Aeroportos.

Apesar de a liberação total ainda depender da navegação noturna, Almeida avalia o momento como positivo. “A sensação é de dever cumprido. Priorizamos a segurança técnica e evitamos liberações precipitadas, especialmente no que diz respeito à dragagem”, destacou.

FONTE: Correio do Povo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Camila Cunha

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Portos

Porto de Porto Alegre recebe primeiro navio de longo curso após enchentes de 2024

Equinox Eagle trouxe 11 mil toneladas de fertilizante e marca a retomada da navegação internacional no terminal gaúcho

O Porto de Porto Alegre voltou a receber um navio de navegação de longo curso, sinalizando a retomada das operações internacionais após as enchentes de 2024. A embarcação Equinox Eagle, graneleiro com bandeira das Ilhas Cayman, atracou por volta das 10h30 de segunda-feira (26) trazendo 11 mil toneladas de nitrato de potássio, insumo destinado ao abastecimento da indústria local. O navio partiu de São Petersburgo, na Rússia, e tem cerca de 200 metros de comprimento e 32 metros de largura.

Retomada da navegação de longo curso no RS

A volta da navegação de longo curso ocorre após a assinatura de deliberação estadual, em meados de janeiro, que autorizou tanto as operações internacionais quanto a liberação da navegação noturna. Apesar do avanço, a Portos RS informa que a circulação de navios à noite ainda não tem data definida para começar — uma demanda histórica do setor que se estende por décadas.

A retomada das operações foi conduzida de forma coordenada entre a Autoridade Portuária, a Marinha do Brasil e a praticagem da Lagoa dos Patos. Durante o ato oficial, o presidente da Portos RS, Cristiano Klinger, destacou que os resultados são fruto de planejamento e investimentos contínuos. Segundo ele, a hidrovia passou por reestruturação com serviços de dragagem, levantamentos de batimetria e a manutenção de um contrato permanente de sinalização náutica, assegurando maior confiabilidade e segurança à navegação.

Dragagem foi decisiva para a navegabilidade

Após as enchentes, a dragagem tornou-se um dos principais gargalos da navegação interior no Rio Grande do Sul. Empresários do setor relataram sucessivos encalhes de grandes embarcações no fim de 2024, especialmente nos canais do Furadinho, Pedras Brancas e da Feitoria, o que comprometeu negócios e impactou a economia da Região Metropolitana.

Entidades como a Federação das Indústrias do RS (Fiergs) e a Hidrovias RS chegaram a solicitar celeridade nas obras para evitar prejuízos à circulação de cargas e ao abastecimento industrial.

Investimentos para recuperar a hidrovia

O acúmulo de sedimentos trazidos pelas cheias de rios como Taquari, Sinos e Gravataí reduziu a profundidade dos principais canais, afetando o calado operacional de 5,18 metros e dificultando o tráfego de navios de grande porte. Considerando que a hidrovia movimenta, em média, seis milhões de toneladas de cargas por ano, a Portos RS investiu R$ 258 milhões para restabelecer a navegabilidade, com recursos do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs).

FONTE: CORREIO DO POVO

TEXTO: REDAÇÃO

IMAGEM: REPRODUÇÃO CORREIO DO POVO / CAMILA CUNHA

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Portos

Porto de São Francisco reduz tempo de espera para descarga de fertilizantes em 60%

O Porto de São Francisco do Sul conseguiu reduzir em cerca de 60% o tempo de espera de navios para a descarga de fertilizantes ao longo de 2025. A melhora no desempenho ocorreu após a edição de uma norma interna que passou a priorizar a atracação de embarcações com esse tipo de carga em um dos berços do terminal, tornando o processo mais eficiente.

A medida foi adotada em abril e teve como objetivo agilizar a logística de um insumo estratégico para o agronegócio, posicionando o porto catarinense como um dos mais competitivos da região nesse segmento.

Redução expressiva no tempo de espera

Dados recentes da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) mostram que o tempo médio de espera para atracação, que em março alcançava 29 dias, caiu para cerca de 12 dias nos meses seguintes. Com isso, o Porto de São Francisco passou a registrar desempenho superior ao de outros terminais do Sul do país na movimentação de fertilizantes importados.

Recorde de movimentação e liderança em Santa Catarina

Os números foram apresentados durante a divulgação do balanço anual da administração portuária, que destacou as dez principais ações, obras e resultados dos últimos 12 meses. Pelo terceiro ano consecutivo, o terminal bateu recorde de movimentação de cargas em 2025, consolidando-se como o maior porto de Santa Catarina em volume de mercadorias.

Importação de fertilizantes cresce mais de 14%

Levantamento da Datamar indica que a importação de fertilizantes pelo porto somou 2.530.877 toneladas entre janeiro e novembro de 2025, crescimento de 14,6% na comparação com o mesmo período anterior. O desempenho reforça a importância estratégica do terminal para o abastecimento do mercado nacional.

Dragagem amplia capacidade para navios maiores

Outro destaque foi o início da dragagem da Baía da Babitonga, em outubro. Com investimento de R$ 333 milhões, a obra é considerada o maior projeto de aprofundamento em andamento no país. A intervenção vai elevar o calado do canal de acesso de 14 para 16 metros, permitindo a operação de navios de até 366 metros de comprimento nos portos de São Francisco do Sul e Itapoá.

Remoção de rocha melhora segurança e reduz custos

A administração portuária também avançou na retirada de um afloramento rochoso localizado entre os berços 101 e 102. A rocha, com volume estimado em 370 metros cúbicos e situada a 10,5 metros de profundidade, vinha exigindo manobras adicionais dos navios durante a atracação. A obra, orçada em R$ 12 milhões, tem como meta alcançar 14 metros de profundidade no local, reduzindo custos operacionais.

Investimentos somam R$ 43 milhões em infraestrutura

Ao longo do ano, o porto realizou investimentos em infraestrutura que totalizaram R$ 43 milhões. Desse montante, cerca de R$ 25 milhões foram destinados a obras de dragagem de aprofundamento e manutenção do canal de acesso. A remoção da rocha no Berço 101 já consumiu R$ 5,1 milhões até o momento, reforçando o foco na eficiência e na segurança das operações.

FONTE: Portal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Agronegócio

Crise entre EUA e Irã pressiona agronegócio brasileiro e expõe riscos geopolíticos

Agronegócio ganha peso na geopolítica do Brasil
O agronegócio brasileiro tem assumido papel central na projeção internacional do país e, ao mesmo tempo, ampliado sua exposição a tensões globais. A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã surge como um fator de risco relevante, com potencial para afetar diretamente a agropecuária nacional, seja por meio de novas tarifas norte-americanas, impactos nas exportações ao Irã ou aumento no custo de insumos agrícolas.

Em 2025, o Brasil exportou US$ 2,9 bilhões ao Irã. Desse total, mais de 90% tiveram origem no setor agropecuário. Além disso, cerca de 17% da ureia importada pelo país veio do mercado iraniano, evidenciando a dependência de insumos estratégicos.

Conflito no Oriente Médio e impacto na cadeia produtiva
A instabilidade no Oriente Médio pode gerar efeitos em cascata sobre o agro brasileiro. Entre os principais riscos estão a interrupção da cadeia de suprimentos, a alta no preço do petróleo, o encarecimento dos fretes internacionais e o aumento do custo de fertilizantes e outros insumos essenciais à produção agrícola.

Milho e soja lideram exportações ao Irã
Os embarques de milho e soja representam cerca de 87% das exportações brasileiras destinadas ao Irã. O país é o segundo maior comprador de milho do Brasil, atrás apenas da China, respondendo por aproximadamente 20% dessas vendas externas.

Além dos grãos, o agro brasileiro também exporta ao mercado iraniano açúcar, carne bovina e outros produtos. O volume vendido ao Irã supera, inclusive, as exportações destinadas a países como Rússia, África do Sul e Suíça. Recentemente, no entanto, as exportações de milho chegaram a ser temporariamente suspensas devido a dificuldades de comunicação e obtenção de cartas de crédito.

Declaração de Trump eleva incerteza comercial
O principal fator de preocupação foi a declaração do presidente Donald Trump, ao afirmar que “qualquer país que fizer negócios com a República Islâmica do Irã pagará uma tarifa de 25% sobre todos os negócios que realizar com os EUA”. Até o momento, os detalhes da ordem executiva não foram oficialmente apresentados, o que amplia a insegurança jurídica.

Os Estados Unidos são destino de mais de 10% das exportações brasileiras, além de figurarem como importante fornecedor de bens de capital. Já o Irã responde por apenas 0,8% das vendas externas do Brasil. Diante desse cenário, analistas avaliam que uma suspensão temporária das relações comerciais com o Irã poderia ser o caminho mais prudente até a resolução da crise.

Perfil internacional e limites da política externa
Como um dos maiores exportadores de produtos agrícolas do mundo, o Brasil tende a se beneficiar de um posicionamento internacional mais neutro e pragmático, mantendo diálogo com diferentes parceiros sem se envolver em disputas geopolíticas de alta complexidade.

Especialistas apontam que propostas como a substituição do dólar no comércio internacional ou discursos de protagonismo global sem respaldo econômico e militar ampliam riscos desnecessários. Episódios recentes, como a COP 30 em Belém, evidenciaram os limites da influência internacional brasileira, com baixa presença de líderes globais.

Relações sensíveis e riscos futuros
O interesse nacional, segundo analistas, exige equilíbrio diplomático e atenção redobrada nas relações com países sujeitos a sanções internacionais, como Irã e Rússia. A China, por sua vez, também começa a entrar nesse radar de risco.

O Congresso dos Estados Unidos aprovou recentemente a abertura de uma investigação sobre o agronegócio brasileiro e a China, prevista na Seção 6705 da Lei de Inteligência de 2026, reforçando a complexidade do cenário externo enfrentado pelo setor.

FONTE: Artigo de Evaristo Miranda
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Internet

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