Comércio Internacional

Suprema Corte dos EUA derruba tarifaço de Trump e limita poder presidencial

A Suprema Corte dos EUA decidiu, por seis votos a três, invalidar o chamado tarifaço de Trump sobre produtos importados. O julgamento, concluído nesta sexta-feira (20), manteve entendimento de instância inferior que apontou excesso de autoridade do presidente ao impor as medidas de forma unilateral.

A decisão representa um revés jurídico à estratégia comercial adotada pelo republicano e reforça os limites constitucionais do Poder Executivo em temas de grande impacto econômico.

Corte aponta extrapolação de poder com base na IEEPA

No centro do debate esteve a interpretação da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). O governo de Donald Trump sustentava que a norma concedia respaldo legal para a aplicação das tarifas globais.

Os ministros, porém, entenderam que essa leitura ampliava indevidamente as competências do presidente, invadindo atribuições do Congresso. Para a maioria da Corte, a medida também fere a chamada doutrina das questões importantes, princípio jurídico que exige autorização expressa do Legislativo para atos do Executivo com ampla repercussão econômica e política.

Esse mesmo entendimento já havia sido utilizado anteriormente para barrar iniciativas relevantes do ex-presidente Joe Biden, consolidando a posição do tribunal sobre o tema.

Voto de John Roberts reforça necessidade de aval do Congresso

No voto condutor, o presidente da Corte, John Roberts, afirmou que o chefe do Executivo precisa demonstrar autorização clara do Congresso para justificar uma medida de tamanha amplitude.

Segundo Roberts, Trump não conseguiu comprovar essa autorização específica para sustentar o poder extraordinário de impor tarifas globais.

Ação foi movida por empresas e estados norte-americanos

A decisão judicial ocorreu após contestação apresentada por empresas afetadas pelas tarifas e por 12 estados dos Estados Unidos — a maioria governada por democratas. Os autores da ação alegaram que o uso da IEEPA para instituir impostos de importação sem aval do Congresso foi inédito e ilegal.

Com o julgamento, fica consolidado o entendimento de que o presidente não pode ampliar, por conta própria, sua autoridade tributária com base em interpretação extensiva da legislação de emergência.

Impactos no Brasil e na balança comercial

O tarifaço de Trump também trouxe reflexos para o comércio exterior brasileiro. Dados divulgados em janeiro pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços apontaram que, em 2025, as exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 6,6%, totalizando US$ 37,716 bilhões, frente aos US$ 40,368 bilhões registrados em 2024.

Na direção oposta, as importações de produtos norte-americanos cresceram 11,3% no mesmo período, alcançando US$ 45,246 bilhões. Como resultado, o Brasil fechou 2025 com déficit de US$ 7,530 bilhões na balança comercial com os Estados Unidos.

Em novembro de 2025, Donald Trump anunciou a retirada de uma tarifa adicional de 40% que incidia sobre diversos produtos brasileiros. Ainda assim, segundo o ministério, cerca de 22% das vendas do Brasil ao mercado norte-americano — o equivalente a US$ 8,9 bilhões — continuam sujeitas às tarifas implementadas em julho.

FONTE: Agência Brasil/Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters/Carlos Barria

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Portos

Porto de Itajaí participa do Fórum Empresarial Índia–Brasil e do lançamento do escritório da ApexBrasil em Nova Déli

O Porto de Itajaí integra a missão oficial brasileira à Índia e participa, nesta sexta-feira (20), do Fórum Empresarial Índia–Brasil e do lançamento do escritório da ApexBrasil em Nova Déli.

O evento reúne mais de 300 empresas brasileiras e autoridades dos dois países, com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. A iniciativa reforça a estratégia de ampliação das relações comerciais entre Brasil e Índia em um cenário global de transformação econômica e tecnológica.

Na pauta do Fórum estão setores estratégicos para o desenvolvimento dos dois países, como minerais e insumos críticos, transição energética, saúde e indústria farmacêutica, segurança ambiental, agricultura familiar e inovação marinha. As agendas são consideradas complementares e abrem espaço para novas parcerias comerciais, tecnológicas e industriais.

A abertura do escritório da ApexBrasil em Nova Déli representa um passo relevante para fortalecer a presença institucional do Brasil na Ásia, ampliando oportunidades de exportação, atração de investimentos e cooperação empresarial.

O superintendente do Porto de Itajaí, João Paulo Tavares Bastos, destaca que a participação na missão internacional consolida o posicionamento do complexo portuário como infraestrutura estratégica para a inserção do Brasil em novos mercados.

“Estar presente neste momento é reafirmar que o Porto de Itajaí está preparado para ampliar conexões comerciais com a Ásia. A instalação do escritório da ApexBrasil na Índia fortalece a previsibilidade e a confiança necessárias para que novos negócios se concretizem. Nosso papel é garantir segurança logística e competitividade para Itajaí, Santa Catarina e o Brasil.”

A participação do Porto de Itajaí na agenda internacional tem como objetivo apresentar o complexo portuário como porta de entrada e saída para operações comerciais de alto valor agregado, alinhando infraestrutura, sustentabilidade e diplomacia econômica

FONTE: Porto de Itajaí
IMAGEM: Reprodução/Porto de Itajaí

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Portos

Porto Seco de Foz do Iguaçu supera recorde e movimenta US$ 9,7 bilhões em 2025

Em 2025, o Porto Seco de Foz do Iguaçu consolidou sua relevância estratégica com uma movimentação financeira de US$ 9.799.617.735,01. O montante representa uma evolução de 13,86% na corrente de comércio em relação ao ano anterior. No que tange ao volume de carga, o recinto alfandegado processou 5.161.056,27 toneladas.

Os números consolidam o recinto como o principal hub logístico de comércio exterior por via rodoviária na América do Sul e projeta a importância estratégica de Foz do Iguaçu, posicionando sua infraestrutura como referência para a movimentação de riquezas entre as nações do Mercosul e mostra a importância estratégica de Foz do Iguaçu, posicionando a estrutura como referência para a movimentação de riquezas entre as nações do Mercosul.

Estrategicamente localizado na Tríplice Fronteira, mantém o pioneirismo nacional ao ser o único a operar embarques noturnos de grãos a granel. Essa operação ininterrupta otimiza o fluxo logístico, acelera o escoamento da safra e garante uma vantagem competitiva decisiva ao agronegócio regional, elevando o patamar das exportações brasileiras no mercado global.

Desempenho Operacional: Fluxo de Cargas e Comércio Exterior

Os dados consolidados a seguir discriminam as operações de importação e exportação, apresentando os valores comerciais e volumes processados nos procedimentos de desembaraço aduaneiro realizados ao longo do ano:

Análise do Fluxo de Mercadorias

Conforme detalhado no quadro acima, o montante movimentado em 2025 divide-se entre US$ 5,05 bilhões em exportações (1,69 milhão de toneladas) e US$ 4,74 bilhões em importações (3,46 milhões de toneladas).

Embora o volume físico de cargas tenha registrado uma redução de 5,31% — passando de 5,45 milhões de toneladas em 2024 para 5,16 milhões em 2025 — a corrente de comércio exterior apresentou um crescimento robusto de 13,86% em termos financeiros, conforme quadro abaixo.

Essa divergência entre o peso e o valor das mercadorias é um indicador estratégico importante: ela sinaliza uma transição no perfil comercial da região, com uma participação crescente de produtos de maior valor agregado.

Análise Setorial e Valor Agregado

O aumento de 13,86% no valor financeiro, em contraste com a redução no volume físico, reflete uma mudança qualitativa no mix de mercadorias processadas. Entre os fatores que impulsionaram esse cenário, destacam-se:

● Setor Agroindustrial: Embora o volume de grãos a granel mantenha sua relevância, houve um incremento no fluxo de insumos agrícolas e maquinários de alta tecnologia, que possuem valor de mercado superior por tonelada.

● Industrializados e Eletrônicos: O fortalecimento do comércio de bens de consumo duráveis, componentes eletrônicos e produtos manufaturados provenientes do Paraguai e Argentina contribuiu diretamente para a elevação do ticket médio das operações.

● Eficiência Logística: O regime de embarques noturnos e a agilidade no desembaraço aduaneiro têm atraído importadores e exportadores de cargas críticas e de alto valor, que demandam segurança e previsibilidade.

O Porto Seco de Foz do Iguaçu reafirma sua liderança na América Latina com a liberação de 215.070 caminhões em 2025 — um crescimento de 11,65% comparado ao ano anterior.

A análise por país revela a centralidade do comércio com o Paraguai, que detém a maior fatia das operações, seguido pela Argentina:

● Paraguai: Responde por 77,50% do movimento total, com 166.661 caminhões processados (77.739 na exportação e 88.922 na importação).

● Argentina: Representa 22,50% do fluxo, totalizando 48.409 veículos (11.703 na exportação e 36.706 na importação).

O quadro abaixo apresenta os números de caminhões com cargas de importação e exportação que ingressaram no Porto Seco de Foz do Iguaçu em 2025, destacando os países de procedência/destino:

As importações representam 58,41% do fluxo de caminhões, enquanto as exportações representam 41,59%.

Embora o fluxo de saída seja menor em quantidade de veículos (41,59%), ele é relevante em valor financeiro.

Essa proporção é um dado fundamental para entender a balança comercial da nossa fronteira. Embora Foz do Iguaçu seja um grande polo exportador, o fato de a importação deter 58,41% do fluxo de caminhões revela o papel da cidade como o principal “portal de entrada” de insumos para o Brasil.

Esse cenário de 58% vs 41% mostram que Foz do Iguaçu é, estrategicamente, mais do que um corredor; é o ponto onde o Brasil “respira” o comércio do Mercosul, servindo de base para que a indústria nacional receba matéria-prima e o agronegócio regional se integre.

Mercadorias desembaraçadas

A diversidade de produtos processados no Porto Seco de Foz do Iguaçu em 2025 reflete a complexidade das cadeias produtivas regionais. Enquanto as exportações brasileiras são marcadas por itens industrializados e insumos para o setor produtivo, as importações destacam-se pelo peso das commodities e recursos energéticos.

O fluxo intenso de caminhões trazendo soja, milho e trigo do Paraguai, especialmente durante as “operações noturnas” (que batem recordes constantes), é o que mantém esse percentual elevado.

A entrada de itens como farinha de trigo, frutas, alho e vinhos também contribui para essa balança, consolidando Foz como o centro de abastecimento do Sudeste brasileiro.

O quadro abaixo detalha as principais mercadorias movimentadas, categorizadas por origem e destino:

Os dados revelam que Foz do Iguaçu está se tornando um hub logístico estratégico de primeira ordem no Cone Sul.

Vale destacar alguns pontos que se apresentam como divisores de águas para o futuro da região:

Foz do Iguaçu vive um momento divisor de águas em sua trajetória econômica. A profunda reestruturação logística da região — impulsionada pela construção do novo Porto Seco, a entrega da Perimetral Leste e a modernização das aduanas — redefine o patamar de competitividade das empresas locais. Este novo cenário reduz drasticamente o tempo de desembaraço na fronteira e otimiza os custos operacionais, transformando o município e atrai novas transportadoras e grandes operadores logísticos globais para Foz do Iguaçu.

Um dos avanços mais significativos é a sinergia gerada entre os setores de turismo e logística. A segregação dos fluxos de carga e de passageiros transformará a mobilidade urbana de Foz do Iguaçu, reduzindo a poluição sonora e o desgaste das vias centrais. O resultado é uma experiência mais segura, fluida e agradável para os visitantes. Com a Ponte da Integração plenamente operacional e seus acessos concluídos, a expectativa para 2026 é que a cidade consolide seu protagonismo estratégico na dinâmica comercial do Mercosul.

Os dados apresentados confirmam o imenso potencial do comércio exterior brasileiro nesta região fronteiriça. Na modalidade terrestre, o Porto Seco de Foz do Iguaçu consolida-se como um dos principais da América Latina, projeta a pujança da economia brasileira e demonstra a eficiência logística necessária para sustentar grandes volumes 5 de exportação e importação, evidenciando a força e a resiliência das relações comerciais do Brasil com seus parceiros internacionais.

A atuação da Receita Federal na região demonstra que é perfeitamente possível aliar o rigor do controle aduaneiro à facilitação de negócios, assegurando ao Brasil um papel de liderança no cenário global. Mais do que administrar tributos, a Receita Federal consolida-se como um agente fundamental de desenvolvimento, impulsionando a eficiência logística e a prosperidade econômica na Tríplice Fronteira. Esse trabalho reafirma o compromisso institucional do órgão com a administração do sistema tributário e aduaneiro, contribuindo de forma efetiva para o crescimento econômico, a competitividade regional e o bem-estar da sociedade brasileira.

FONTE: Receita Federal
IMAGEM: Reprodução/Receita Federal

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Exportação

Exportações de carne de frango alcançam recorde histórico em janeiro de 2026

As exportações de carne de frango do Brasil atingiram um patamar inédito em janeiro de 2026, de acordo com dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O desempenho confirma o bom momento do setor, mesmo em um período tradicionalmente marcado por menor demanda internacional.

Considerando produtos in natura e processados, os embarques somaram 459 mil toneladas no mês, crescimento de 3,6% em comparação a janeiro de 2025, quando foram exportadas 443 mil toneladas.

Faturamento também registra melhor resultado para janeiro

Além do avanço no volume, o faturamento das exportações brasileiras de frango também foi recorde. A receita alcançou US$ 874,2 milhões, alta de 5,8% em relação ao mesmo mês do ano anterior, que havia registrado US$ 826,4 milhões.

O resultado reforça a valorização do produto brasileiro no mercado externo e a ampliação da presença em destinos estratégicos.

Paraná lidera ranking de estados exportadores

O Paraná manteve a liderança nacional nas exportações de carne de frango, com 187,7 mil toneladas embarcadas em janeiro, avanço de 3,9% na comparação anual.

Na sequência aparece Santa Catarina, responsável por 103,1 mil toneladas, com crescimento expressivo de 9,3% frente ao mesmo período de 2025.

Demais estados ampliam participação nas exportações

O Rio Grande do Sul exportou 58,7 mil toneladas, registrando alta de 0,75%. Já São Paulo embarcou 26,7 mil toneladas, com crescimento de 2%, enquanto Goiás alcançou 25,6 mil toneladas, apresentando incremento de 9,5% nas exportações.

Perspectivas positivas para o mercado internacional em 2026

Para o presidente da ABPA, Ricardo Santin, o desempenho observado no início do ano indica um cenário favorável para os próximos meses. Segundo ele, o crescimento em praticamente todos os principais destinos, mesmo em janeiro, reforça a tendência de expansão sustentada.

O dirigente destaca, entre os mercados com maior demanda, os Emirados Árabes, a África do Sul, países da União Europeia e mercados específicos da Ásia, que seguem ampliando as compras da proteína avícola brasileira.

FONTE: ABPA
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Comércio Internacional

Acordo Mercosul–União Europeia deve beneficiar mais estados eficientes, aponta estudo

Estados com gestão pública mais eficiente, maior desenvolvimento econômico e instituições mais estáveis, conhecidos como “jaguares brasileiros”, devem colher os maiores ganhos com o acordo Mercosul–União Europeia, mesmo tendo participação menor do bloco europeu em suas exportações totais. A avaliação é de um estudo da Futura Inteligência, ligada à Apex Partners.

A expressão faz referência aos “tigres asiáticos” e engloba, no Brasil, estados que apresentam IDH elevado, ambiente institucional sólido e capacidade administrativa acima da média.

Quais estados integram o grupo

Segundo a Apex, são classificados como jaguares brasileiros os estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina e Goiás, além de Minas Gerais e Rio Grande do Sul, em grau menor.

Em 2025, esses estados destinaram 12,9% de suas exportações à União Europeia, abaixo da média nacional, que foi de 14,3%. Ainda assim, o impacto do acordo tende a ser mais expressivo nessas economias.

Agronegócio impulsiona ganhos

O principal fator está no perfil da pauta exportadora. Os jaguares concentram maior participação de commodities e produtos do agronegócio, segmentos mais beneficiados pela redução tarifária prevista no acordo.

De acordo com a Apex, o agronegócio representa 67,4% do valor exportado à UE pelos jaguares, contra 23,8% nos demais estados brasileiros.

Produtos que devem ganhar competitividade

Entre os principais itens atualmente taxados exportados pelos jaguares para a UE estão:

  • Café não torrado (US$ 6,2 bilhões)
  • Farelo de soja e rações animais (US$ 3,2 bilhões)
  • Tabaco (US$ 1,1 bilhão)

As tarifas médias são de 4,2%, 1,6% e 5,6%, respectivamente. Pelo acordo, o café deve ter tarifas eliminadas de forma imediata, enquanto farelo de soja e tabaco passarão por redução gradual.

Centro-Oeste e Sul lideram potencial de ganhos

Estudo do FGV Ibre reforça que o Centro-Oeste é a região com maior potencial de ganho, devido à produção de carnes e soja. O levantamento também aponta ganhos líquidos claros para o Sul, forte em proteínas animais, tabaco e alimentos processados — regiões que concentram estados classificados como jaguares.

O Nordeste também aparece como beneficiário potencial, especialmente na exportação de frutas tropicais, mel, açúcar e derivados.

Desafios regionais e infraestrutura

Segundo Flávio Ataliba, pesquisador do FGV Ibre, o Nordeste importa pouco da UE, o que reduz riscos de concorrência externa. Por outro lado, enfrenta desafios estruturais, como infraestrutura logística, capital humano e capacidade de inserção internacional.

No Norte, embora haja potencial em produtos ligados à Amazônia, o avanço do acordo pode esbarrar em barreiras sanitárias e fitossanitárias. Já o Centro-Oeste, afirma Ataliba, precisará alinhar produção às exigências de rastreabilidade e agenda ambiental.

Vantagem logística dos jaguares

Outro diferencial dos estados mais eficientes é a infraestrutura logística já instalada. Estados como Espírito Santo, Paraná e Santa Catarina possuem portos, estradas e sistemas de escoamento capazes de absorver o aumento das exportações.

Para Orlando Caliman, diretor econômico da Apex Partners, os benefícios do acordo podem alcançar também pequenos produtores, especialmente em estados com propriedades rurais menores e produção já certificada, como café, frutas, aves e gengibre.

Impacto macroeconômico

Em 2025, a União Europeia respondeu por US$ 49,8 bilhões das exportações brasileiras e US$ 50,3 bilhões das importações. A Apex projeta crescimento de cerca de 3% no comércio bilateral até 2040.

Estudo do Ipea estima que o acordo pode elevar o PIB do Brasil em 0,46% até 2040, percentual superior ao da própria UE (0,1%) e dos demais países do Mercosul (0,2%).

Salvaguardas e cautela

A Apex alerta que cláusulas de salvaguarda podem reduzir parte dos ganhos, sobretudo para estados como Paraná e Santa Catarina, grandes exportadores de carnes incluídas em quotas de proteção.

Relatório do Bradesco avalia que o acordo melhora margens e valor para proteínas brasileiras, mas deve ter impacto limitado em volume exportado.

Trâmite político ainda leva tempo

Assinado formalmente em janeiro, após mais de duas décadas de negociações, o acordo ainda depende de aprovação legislativa. No Brasil, o texto já foi enviado ao Congresso, com expectativa de votação após o Carnaval. Na Europa, resistências lideradas por França e Polônia ainda representam entraves.

“Não acredito em efeitos concretos em menos de um ano e meio”, avalia Caliman.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Claudio Neves/Portos do Paraná

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Comércio Exterior

Brasil registra recorde histórico de exportações para o Canadá em 2025, com crescimento de 15%

O Brasil bateu recorde de exportações ao Canadá em 2025, ao movimentar US$ 7,25 bilhões em vendas para o país norte-americano. O resultado representa uma alta de 15% em relação a 2024 e marca o maior valor já registrado desde o início da série histórica anual, em 2018. Os dados constam no estudo Quick Trade Facts (QTF), elaborado pela Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC).

Importações também crescem e saldo comercial é o maior já registrado

As importações brasileiras de produtos canadenses somaram US$ 3,14 bilhões em 2025, avanço de 13% na comparação anual. Com isso, o saldo da balança comercial entre Brasil e Canadá ficou positivo em US$ 4,11 bilhões, o maior da história da relação bilateral. Já a corrente de comércio, que reúne exportações e importações, teve crescimento de 14% no ano.

Canadá amplia participação no comércio exterior brasileiro

A relevância do Canadá no comércio exterior do Brasil também aumentou. A participação canadense nas exportações totais brasileiras passou de 1,9% em 2024 para 2,1% em 2025. Nas importações, a fatia subiu de 1,06% para 1,12%, indicando fortalecimento da relação bilateral, mesmo em um cenário global marcado por incertezas e impactos do chamado “tarifaço” dos Estados Unidos.

Mineração, agronegócio e indústria puxam novo recorde

O desempenho recorde das exportações do Brasil para o Canadá foi impulsionado principalmente por produtos da extração mineral, como ouro, ferro e níquel, além de itens do agronegócio, com destaque para café verde e carnes bovina e suína. Produtos da indústria de transformação também contribuíram para o avanço.

Apesar da retração em segmentos como aeronaves, açúcar e alumina, o crescimento expressivo das vendas de ouro, café e proteínas animais garantiu o resultado positivo. O setor de proteínas animais, inclusive, enfrentou recentemente dificuldades após a imposição de tarifas pela China, um dos principais destinos da carne brasileira.

Ouro lidera a pauta exportadora ao mercado canadense

O principal produto exportado pelo Brasil ao Canadá em 2025 foi o bulhão dourado, ou seja, ouro em forma bruta, não refinado. Apenas no primeiro semestre, o item respondeu por US$ 1,35 bilhão em exportações, frente a pouco mais de US$ 765 milhões no mesmo período de 2024, segundo o levantamento da CCBC.

Comércio bilateral supera recorde anterior

As exportações brasileiras ao Canadá superaram em mais de US$ 900 milhões o recorde anterior, registrado em 2024, confirmando a aceleração do intercâmbio comercial entre os dois países.

Para o diretor-presidente da CCBC, Hilton Nascimento, os números reforçam a competitividade do Brasil. “Os dados de 2025 mostram que o Brasil consolidou e ampliou sua presença no mercado canadense. O avanço em ouro, café e carnes evidencia a força da pauta exportadora brasileira, mesmo diante de um ambiente econômico internacional desafiador”, afirmou.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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Comércio Exterior

Vice-presidente do Brasil e presidente da CNI discutem Acordo Mercosul-UE, datacenters e tarifaço americano

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, se encontrou com o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, na sede da entidade em Brasília. O encontro teve como foco estratégias para o avanço do comércio exterior brasileiro e o fortalecimento de acordos comerciais.

Entre os temas debatidos estavam a implementação de acordos do Mercosul, a ampliação de exceções ao tarifaço dos Estados Unidos e incentivos para atrair datacenters por meio do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata).

Avanços nos acordos do Mercosul

Alckmin destacou que o Brasil bateu recorde de exportações em 2024, alcançando cerca de US$ 349 bilhões, apesar das tarifas aplicadas pelos EUA. Ele ressaltou a importância de diversificar mercados e citou os acordos Mercosul–Singapura, Mercosul–EFTA e o recente Mercosul–União Europeia, o maior acordo entre blocos do mundo, cuja internalização já foi encaminhada à Câmara dos Deputados.

O vice-presidente detalhou que, embora o acordo Mercosul-UE já tenha sido assinado após mais de duas décadas de negociação, um questionamento jurídico no Parlamento Europeu pode atrasar sua vigência provisória entre 10 e 12 meses. “Se aprovarmos rapidamente a internalização, há expectativa de vigência provisória do acordo, seguindo o mesmo ritmo dos outros países do Mercosul”, afirmou.

Dia da Indústria Brasil-EUA

Durante a reunião, Ricardo Alban convidou Alckmin para o Brasil-U.S. Industry Day, evento que ocorrerá em 11 de maio, em Nova Iorque. A iniciativa busca promover a interação entre empresas brasileiras e americanas, com participação de entidades como a U.S. Chamber, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o BNDES, o MDIC e seu equivalente nos EUA.

“Queremos fortalecer a relação comercial e empresarial entre Brasil e Estados Unidos”, disse Alban. Ele ainda reforçou a atuação conjunta com o MDIC para mitigar os efeitos do tarifaço americano.

Perspectivas para a indústria nacional

Apesar do ano eleitoral, Alban mostrou otimismo em relação a políticas que possam impulsionar o programa Nova Indústria Brasil (NIB) e estimular o crescimento econômico. O evento e as discussões sobre acordos comerciais, segundo ele, são fundamentais para ampliar a competitividade da indústria brasileira no mercado global.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gilberto Sousa/CNI

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Comércio Internacional

Acordo Mercosul–União Europeia chega ao Congresso após envio do governo federal

O presidente da República encaminhou oficialmente ao Congresso Nacional o texto do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE). O envio foi formalizado nesta segunda-feira (2) e publicado em edição extra do Diário Oficial da União (DOU), dando início ao processo de análise legislativa no Brasil.

Para que o tratado entre em vigor, será necessária a aprovação tanto pela Câmara dos Deputados quanto pelo Senado Federal, etapa que deve ocorrer nas próximas semanas, segundo a expectativa do governo.

Maior área de livre comércio do mundo

O acordo Mercosul-UE cria a maior zona de livre comércio do planeta, reunindo um mercado de mais de 720 milhões de consumidores. O texto foi assinado em 17 de janeiro, durante cerimônia realizada em Assunção, no Paraguai, após anos de negociações entre os dois blocos.

Entre os principais pontos do tratado está a redução gradual de tarifas alfandegárias, abrangendo a maior parte dos bens e serviços comercializados entre os países envolvidos.

Redução de tarifas entre os blocos

Pelo cronograma estabelecido, o Mercosul se compromete a eliminar tarifas sobre 91% dos produtos europeus em um prazo de até 15 anos. Já a União Europeia prevê a retirada de tarifas sobre 95% dos bens originários do Mercosul em até 12 anos.

O objetivo é ampliar o fluxo comercial, reduzir custos de exportação e importação e fortalecer a integração econômica entre a América do Sul e o bloco europeu.

Aprovação ainda depende de instâncias internacionais

Apesar da assinatura formal, o acordo ainda precisa ser internalizado pelos parlamentos nacionais de todos os países do Mercosul, além de passar pelo crivo do Parlamento Europeu.

No lado europeu, entretanto, o processo enfrenta entraves. Há cerca de duas semanas, o texto foi encaminhado ao Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE), o que pode adiar a ratificação por até dois anos, segundo avaliações preliminares.

Governo brasileiro aposta em efeito político

A estratégia do governo federal é avançar rapidamente com a aprovação no Congresso Nacional, utilizando o aval brasileiro como fator de pressão política para acelerar a tramitação do acordo no âmbito europeu.

A avaliação é de que a ratificação pelo Brasil fortaleça o discurso favorável ao tratado e contribua para destravar resistências ainda existentes dentro da União Europeia.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Agência Brasil

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Negócios

CNI lança mapeamento sobre desafios das mulheres no comércio internacional na América Latina

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) iniciou nesta quinta-feira (29) uma consulta empresarial voltada para identificar obstáculos que limitam a participação de mulheres no comércio internacional, com foco na América Latina e Caribe. O projeto é conduzido pelo Fórum Nacional da Mulher Empresária (FNME) e acontece durante a missão empresarial da CNI no Panamá, dando continuidade a um mapeamento semelhante realizado no B20 Brasil no ano passado.

“No Brasil, apenas 14% das empresas exportadoras têm liderança feminina. Ampliar esse número é essencial para fortalecer competitividade e inovação na indústria”, afirma Janete Vaz, vice-presidente do FNME e presidente do Conselho de Administração do Grupo Sabin.

Parcerias estratégicas para identificar gargalos

A consulta será realizada em colaboração com o Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe (CAF) e a OCDE, e tem como objetivo identificar demandas de suporte, barreiras e oportunidades para orientar políticas públicas e investimentos voltados à liderança feminina no setor exportador.

O que é o Fórum Nacional da Mulher Empresária

O FNME é coordenado pela CNI e atua na promoção da diversidade de gênero, liderança feminina e empreendedorismo no setor industrial brasileiro. Composto por conselheiras de destaque, o fórum desenvolve políticas de igualdade, programas de capacitação e apoio para mulheres em cargos de gestão, reforçando a presença feminina na indústria.

Comitiva de destaque na missão empresarial

Além de Janete Vaz, integram a comitiva no Panamá as empresárias e conselheiras do FNME: Elisa Kovalski, consultora da Dom Cabral; Laura Oliveira, CEO do Grupo Levvo; Marianne Feldmann, CEO da FIB Assessoria em Negócios Internacionais; e Glória Guimarães, membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS).

Missão empresarial no Panamá reforça protagonismo brasileiro

Entre os dias 27 e 30 de janeiro, a CNI lidera a Missão Empresarial ao Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe (ALC), reunindo mais de 100 empresários brasileiros. O objetivo é fortalecer a presença do setor produtivo brasileiro em um dos principais espaços de diálogo regional sobre crescimento sustentável, inclusão e competitividade.

FONTE: Portal da Indústria
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gabriel Pinheiro/CNI

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Comércio Exterior

TCP registra recorde histórico e movimenta 11,5 milhões de toneladas de cargas em 2025

A TCP, empresa responsável pelo Terminal de Contêineres de Paranaguá, encerrou 2025 com um recorde de movimentação de 11,5 milhões de toneladas de cargas. O volume, que soma exportações e importações sem considerar o peso dos contêineres, representa um crescimento de 7% em relação a 2024, quando foram movimentadas 10,8 milhões de toneladas.

O desempenho foi sustentado principalmente pelo avanço das exportações, que totalizaram 8,29 milhões de toneladas, também com alta de 7%. Já as importações alcançaram 3,177 milhões de toneladas, crescimento de 2% no comparativo anual.

Carnes, madeira e agronegócio lideram exportações
Entre os segmentos exportadores, o maior destaque em 2025 foi o de carnes e congelados, com 3,822 milhões de toneladas. Na sequência aparecem madeira, com 1,394 milhão de toneladas, papel e celulose, com 991 mil toneladas, e produtos do agronegócio, que somaram 939 mil toneladas.

Nas importações, o protagonismo ficou com o setor químico e petroquímico, responsável por 619 mil toneladas. O ranking segue com os segmentos automotivo (544 mil toneladas), eletrônicos e maquinários (333 mil toneladas) e construção e infraestrutura (233 mil toneladas).

Ampliação do calado fortalece competitividade do porto
Mesmo diante de um cenário internacional mais desafiador, marcado por tarifas e cotas sobre produtos brasileiros, a TCP ampliou sua relevância na corrente de comércio. Segundo Carolina Merkle Brown, gerente comercial de armadores e de inteligência de mercado da empresa, a combinação entre maior oferta de serviços marítimos e o aumento da capacidade operacional foi decisiva para o resultado recorde.

Desde 2024, o calado operacional do canal de acesso ao Porto de Paranaguá passou de 12,10 metros para 13,30 metros, após três revisões. A ampliação de 1,20 metro elevou a capacidade em cerca de 960 TEUs cheios por navio, permitindo operações mais eficientes.

Número de navios e linhas marítimas em alta
Em 2025, o Terminal de Contêineres de Paranaguá registrou 1.019 atracações, crescimento de 3% em relação ao ano anterior. A TCP se mantém como o maior concentrador de linhas marítimas do Brasil, com 23 escalas semanais regulares, conectando o terminal à Ásia, Europa, Américas e África, além da cabotagem.

Exportações de carne bovina batem novo recorde
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados pela Abiec, mostram que o Brasil exportou 3,5 milhões de toneladas de carne bovina em 2025, alta de 20,9% em volume e receita de US$ 18,03 bilhões, crescimento de 40,1% frente a 2024.

Nesse cenário, a TCP embarcou 1,034 milhão de toneladas de carne bovina, avanço de 53% sobre o ano anterior. O terminal ampliou sua participação de mercado de 23% para 29% entre 2024 e 2025, desempenho acima da média nacional.

Segundo Giovanni Guidolim, gerente comercial, de logística e de atendimento da TCP, o avanço reflete a confiança das indústrias exportadoras na infraestrutura e na qualidade operacional do terminal, que hoje conta com a maior estrutura de armazenagem refrigerada da América do Sul.

Maior parque de contêineres refrigerados da América do Sul
Em 2024, a TCP inaugurou o maior parque de armazenagem de contêineres refrigerados da América do Sul, ampliando o número de tomadas no pátio de 3.624 para 5.268. No cenário nacional, o terminal possui uma capacidade 32% superior ao segundo colocado, consolidando-se como o principal corredor de exportação de carnes e congelados do Brasil, com 39% de participação de mercado.

Exportações de frango avançam no quarto trimestre
Entre outubro e dezembro, os embarques de carne de frango congelada pela TCP somaram 670 mil toneladas, alta de 9% na comparação anual. O resultado marca uma recuperação após um período desafiador para o setor, afetado temporariamente por restrições internacionais decorrentes de um foco de Influenza Aviária registrado em maio, no Rio Grande do Sul.

Com a rápida contenção do caso e o Brasil retomando o status de país livre da doença, as restrições foram retiradas gradualmente. Em dezembro, a TCP alcançou o melhor resultado mensal da série histórica para exportações de frango.

Brasil e TCP ampliam participação nas exportações de frango
Segundo a ABPA, o Brasil exportou 510,8 mil toneladas de frango em dezembro, alta de 13,9% na comparação anual, com receita de US$ 947,7 milhões. No mesmo mês, a TCP respondeu por 233,9 mil toneladas, crescimento de 19%.

No acumulado de 2025, o país embarcou 5,324 milhões de toneladas de frango, enquanto a TCP foi responsável por 2,398 milhões de toneladas, o equivalente a 45% das exportações brasileiras do produto. Mais de 70% desse volume teve origem no Paraná, com destaque para os embarques destinados aos Emirados Árabes Unidos, África do Sul e Japão.

FONTE: TCP
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/TCP

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