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Porto do Meio: Cedro obtém aval ambiental para investir R$ 3,6 bilhões em Itaguaí

A Cedro Participações recebeu aprovação da Comissão Estadual de Controle Ambiental (CECA) para a emissão da Licença Ambiental Integrada (LAI) do Porto do Meio, novo terminal de minério de ferro projetado para o Porto de Itaguaí, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. O empreendimento prevê investimentos de R$ 3,6 bilhões e poderá gerar cerca de 3 mil empregos diretos e indiretos durante a fase de construção.

A autorização, aprovada na terça-feira (13), representa um avanço no processo de implantação do complexo portuário. A estrutura terá capacidade inicial para movimentar menos de 15 milhões de toneladas de minério de ferro por ano e atenderá tanto à produção da Cedro quanto a cargas de outras mineradoras.

Com a aprovação ambiental, a companhia poderá avançar nas próximas etapas do projeto, respeitando as exigências e condicionantes previstas no licenciamento.

Segundo José Carlos Martins, presidente do Conselho de Administração da Cedro Participações, o terminal será estratégico para os planos de expansão da empresa no setor mineral. A estrutura própria deverá ampliar a autonomia da companhia nas exportações de minério de ferro e contribuir para o crescimento das operações até o início da próxima década.

Obras do Porto do Meio devem gerar 3 mil empregos

A implantação do terminal portuário em Itaguaí tem prazo estimado de três anos. O cronograma inclui obras civis, dragagem, instalação de equipamentos e serviços de montagem eletromecânica.

Durante o período de maior demanda por mão de obra, a expectativa é de aproximadamente 3 mil empregos diretos e indiretos. Após o início das operações, o empreendimento deverá contar com 256 funcionários diretos.

A empresa também projeta a geração de R$ 1,2 bilhão em tributos municipais, embora não tenha especificado o período considerado para essa estimativa.

O complexo ocupará uma área de aproximadamente 250 mil metros quadrados, situada entre os terminais da Vale e da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). A localização entre essas duas estruturas portuárias inspirou o nome Porto do Meio.

A infraestrutura planejada inclui pátio para armazenamento de minério de ferro e um berço de atracação para navios, com profundidade prevista de até 20 metros. O objetivo é integrar as etapas de recebimento, estocagem e embarque da carga destinada ao mercado internacional.

Ferrovia da MRS conectará Minas Gerais ao terminal

A integração com a malha ferroviária da MRS Logística será um dos principais diferenciais logísticos do projeto. A rede conecta áreas produtoras de minério de ferro em Minas Gerais ao litoral do Rio de Janeiro, permitindo transportar a produção até o terminal de exportação.

A conexão deverá ampliar as alternativas de escoamento do minério extraído no Quadrilátero Ferrífero, uma das principais regiões mineradoras do país.

Além da proximidade com áreas produtoras e estruturas portuárias existentes, a combinação entre transporte ferroviário e operações marítimas poderá contribuir para a eficiência logística do empreendimento.

Para a Cedro, contar com um terminal próprio significa diminuir a dependência de instalações administradas por outras companhias e conquistar maior controle sobre o planejamento dos embarques. A iniciativa está alinhada à estratégia de expansão da produção mineral prevista para os próximos anos.

Novo terminal poderá atender mineradoras de médio porte

Embora tenha sido concebido para atender à demanda da própria Cedro, o Porto do Meio também deverá disponibilizar capacidade de movimentação para outras empresas do setor.

A proposta inclui atender especialmente mineradoras de médio porte que não possuem terminais próprios e dependem de grandes operadores portuários ou de empresas comercializadoras de commodities para acessar o mercado internacional.

Com uma nova alternativa de infraestrutura, essas companhias poderão ampliar suas possibilidades de negociação com compradores estrangeiros e, dependendo dos contratos estabelecidos, reduzir a participação de intermediários nas operações comerciais e logísticas.

A Cedro também destaca o potencial de acordos de longo prazo e de maior previsibilidade na programação dos embarques. A proximidade das regiões produtoras de Minas Gerais e a ligação ferroviária são apontadas como fatores que podem favorecer os custos de transporte.

A abertura do terminal para cargas de terceiros poderá, assim, ampliar as opções de exportação em um setor no qual o acesso à infraestrutura portuária tem influência direta sobre a competitividade das empresas.

Cedro venceu leilão federal da área portuária em 2024

O desenvolvimento do Porto do Meio ganhou impulso em dezembro de 2024, quando a Cedro Participações venceu o leilão federal de arrendamento da área ITG02, localizada no Porto de Itaguaí.

O contrato de arrendamento tem prazo de 35 anos, com possibilidade de renovação por igual período. A concessão estabeleceu as bases para a elaboração dos estudos e o planejamento da infraestrutura.

A aprovação da CECA constitui mais uma etapa no avanço do projeto. A formalização da licença ambiental e o atendimento às condições estabelecidas pelos órgãos competentes serão importantes para a continuidade da implantação.

Com aporte estimado em R$ 3,6 bilhões, o Porto do Meio pretende fortalecer a capacidade de exportação de minério de ferro pelo litoral fluminense e criar uma alternativa logística para conectar a produção de Minas Gerais aos mercados internacionais.

FONTE: Splash 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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Exportação

Congo proíbe exportação de concentrados de cobre e cobalto para fortalecer processamento interno

A República Democrática do Congo anunciou a proibição imediata das exportações de concentrados de cobre e concentrados de cobalto, em uma nova estratégia para impulsionar o processamento mineral dentro do país e aumentar a geração de valor na cadeia de mineração.

A decisão foi oficializada por meio de uma ordem governamental assinada pelos ministérios das Minas, do Comércio Exterior e da Economia. O documento prevê que, em situações consideradas estratégicas, poderão ser concedidas autorizações excepcionais para exportação com validade de até um ano.

Além da restrição às exportações, o governo criou um novo regime tributário para subprodutos minerais economicamente relevantes, com período de transição de três meses para adaptação do setor.

Objetivo é fortalecer a indústria mineral nacional

Maior fornecedor mundial de cobalto e um dos principais produtores de cobre, o Congo pretende ampliar sua capacidade de beneficiamento local e reduzir a dependência da exportação de matérias-primas com baixo valor agregado.

Segundo o governo, a medida busca incentivar as empresas de mineração a comercializar produtos minerais com maior nível de processamento, fortalecendo a indústria nacional e aumentando a participação do país nas receitas geradas pela exploração de seus recursos naturais.

Essa não é a primeira iniciativa do tipo. Restrições semelhantes foram adotadas em 2013, 2019 e 2023, embora, em alguns casos, tenham sido concedidas exceções devido à capacidade limitada das fundições locais.

Mercado reage com alta do cobre

Após a divulgação da decisão, o mercado internacional reagiu rapidamente. O contrato de referência do cobre negociado na Bolsa de Metais de Londres (LME) chegou a subir 1,8%, atingindo US$ 14.369,50 por tonelada, o maior valor desde o fim de janeiro.

A valorização reflete a preocupação dos investidores com possíveis impactos na oferta global do metal, utilizado amplamente em setores como infraestrutura, eletrificação e transição energética.

Maior parte da produção já é refinada no país

Dados oficiais mostram que a maior parte do cobre produzido no Congo já é exportada na forma de metal refinado.

No primeiro trimestre de 2026, o país embarcou cerca de 696,7 mil toneladas de cátodos de cobre, enquanto as exportações de concentrados somaram aproximadamente 53,9 mil toneladas, contendo pouco mais de 18,8 mil toneladas de cobre metálico.

No mesmo período, também foram exportadas cerca de 51,9 mil toneladas de hidróxido de cobalto, equivalentes a aproximadamente 17 mil toneladas de metal.

Impacto deve ser concentrado em operações específicas

Especialistas avaliam que a nova restrição deverá afetar apenas parte das operações de mineração instaladas no país.

Segundo o analista Christian-Geraud Neema, do China-Global South Project, a maior parcela da produção de cobre e cobalto já passa por processamento local antes da exportação, o que reduz os efeitos da medida para a maioria das empresas.

Entre os empreendimentos potencialmente mais impactados está o complexo Kamoa-Kakula, que ainda exporta parte da produção de concentrados com base em autorizações especiais.

Nova tributação inclui subprodutos minerais

Além da proibição das exportações, o governo congolês estabeleceu novas regras para a tributação de subprodutos gerados durante o refino mineral.

O regime abrange minerais recuperados em pequenas concentrações durante o processamento e determina critérios específicos para cálculo do valor tributável, além da cobrança de royalties em conjunto com o mineral principal.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters/Jonny Hogg

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