Comércio Internacional

EUA pressionam UE por ajustes em leis de tecnologia para avançar em acordo sobre tarifas do aço

Os Estados Unidos sinalizaram nesta segunda-feira (24) que só avançarão em uma negociação para reduzir as tarifas aplicadas ao aço europeu caso a União Europeia reveja parte de suas regras voltadas ao setor tecnológico. A solicitação foi apresentada durante encontros em Bruxelas.

Equilíbrio nas normas digitais é ponto-chave
O secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, afirmou que Bruxelas precisa buscar “equilíbrio” em suas normas de regulação digital. Segundo ele, não se trata de abandonar legislações já vigentes, mas de ajustá-las para tornar o ambiente regulatório mais flexível e “conveniente” para ambas as partes.

Negociação envolve aço e alumínio
Lutnick ressaltou que, caso a UE promova alterações consideradas satisfatórias por Washington, será possível avançar na resolução das disputas comerciais envolvendo aço e alumínio, temas que há anos geram atritos entre as duas potências econômicas.

FONTE: UOL
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN Brasil

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Comércio Exterior

Alckmin destaca que redução de tarifas pelos EUA é o maior avanço nas negociações com o Brasil

O presidente em exercício e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, afirmou na última sexta-feira (21/11) que a nova ordem executiva do governo dos Estados Unidos, que revoga a tarifa extra de 40% sobre diversos produtos agropecuários brasileiros, representa o “maior avanço” nas negociações recentes entre os dois países. A medida beneficia itens como carne, café, frutas, cacau, açaí e fertilizantes.

Segundo Alckmin, a decisão — anunciada ontem pelo presidente Donald Trump — retirou 238 produtos do chamado “tarifaço”. Ele lembrou que, no início das negociações, 36% das exportações brasileiras aos EUA estavam sujeitas à sobretaxa. Com a nova ordem, o impacto cai para 22%.

Decisão terá efeito retroativo
A nova regra foi divulgada na quinta-feira (20/11), mas terá validade retroativa a 13 de novembro, garantindo o reembolso a exportadores que pagaram a tarifa extra após essa data. Alckmin afirmou que o diálogo entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi determinante para o recuo norte-americano.

“Continuamos otimistas. O trabalho segue, agora com menos barreiras”, declarou o ministro.

Lula celebra avanço na relação bilateral
Na noite de quinta-feira, Lula publicou um vídeo nas redes sociais comemorando a decisão dos EUA. Ele classificou a medida como um “sinal importante” para uma relação “civilizada” entre os dois países. O presidente viajou nesta sexta (21/11) para Joanesburgo, onde participará da Cúpula do G20, entre 22 e 23 de novembro.

Agropecuária volta a ganhar competitividade
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, também destacou o impacto positivo da retirada das tarifas adicionais, afirmando que a decisão reforça o papel do Brasil como grande fornecedor global de alimentos. Ele avalia que o retorno ao fluxo técnico e institucional no diálogo com os EUA consolida uma “relação mais madura e eficiente”.

Para Fávaro, produtores brasileiros recuperam competitividade imediata no mercado norte-americano. “Quem ganha com isso são brasileiros, norte-americanos e o comércio mundial”, afirmou. Ele reforçou que as conversas continuam e que ainda há pontos a serem negociados.

Confira os produtos brasileiros beneficiados com a retirada de tarifas adicionais de 40% impostas pelos EUA:

1. Carnes bovinas – o anexo traz todas as categorias de carne bovina — fresca, refrigerada ou congelada — incluindo:

Carcaças e meias-carcaças
Cortes com osso
Cortes sem osso
Cortes de “high-quality beef”
Miúdos bovinos
Carne salgada, curada, seca ou defumada

2. Frutas e vegetais – grande lista, incluindo:

Tomate (por sazonalidade)
Coco (fresco, desidratado, carne, água de coco)
Lima Tahiti / Lima da Pérsia
Abacate
Manga
Goiaba
Mangostim
Abacaxi (fresco e processado)
Papaya (mamão)
Diversas raízes tropicais: mandioca

3. Café e derivados

Café verde
Café torrado
Café descafeinado
Cascas e películas de café (“husks and skins”)
Substitutos contendo café

4. Chá, mate e especiarias – inclui diversas categorias de:

Chá verde
Chá preto
Erva-mate
Pimentas (piper, capsicum, paprika, pimenta-jamaica)
Noz-moscada
Cravo
Canela
Cardamomo
Açafrão
Gengibre
Cúrcuma
Misturas de especiarias

5. Castanhas e sementes

Castanha-do-pará
Castanha de caju
Macadâmia
Nozes pignolia e outras
Sementes diversas (coentro, cominho, anis, funcho etc.)

6. Sucos de frutas e derivados

Suco de laranja (várias classificações)
Suco de limão / lima
Suco de abacaxi
Água de coco
Açaí (polpas e preparados)

7. Produtos de cacau

Amêndoas de cacau
Pasta de cacau
Manteiga de cacau
Pó de cacau

8. Produtos processados

Polpas de frutas (manga, banana, papaya etc.)
Geleias
Pastas e purês
Palmito
Tapioca, féculas e amidos
Produtos preservados em açúcar ou vinagre

9. Fertilizantes (importante para o Brasil como exportador/importador)

Ureia
Sulfato de amônio
Nitrato de amônio
Misturas NPK
Fosfatos (MAP/DAP)
Cloreto de potássio (KCl).

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Cadu Gomes/VPR

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Tecnologia

EUA avaliam autorizar exportação de chips de IA avançados para a China

O governo dos Estados Unidos estuda flexibilizar as regras que impedem a exportação de chips de IA avançados para a China. A decisão ocorre meses depois de Washington ter imposto, em maio, uma proibição às vendas de tecnologias de inteligência artificial a empresas chinesas, em uma tentativa de frear o avanço de Pequim no setor de semicondutores.

Agora, o Departamento de Comércio analisa permitir que a Nvidia exporte o chip H200 para o mercado chinês. A proposta marca uma possível mudança na política de restrições, tema que voltou à mesa após reuniões entre Donald Trump e Xi Jinping, que resultaram em uma trégua na disputa comercial.

Pressões e preocupações estratégicas
Embora a possível liberação seja vista como uma abertura diplomática, autoridades em Washington continuam temendo que o envio de chips de alta performance fortaleça o poderio militar da China. Do outro lado, Pequim segue pressionando os EUA ao impor controle rigoroso sobre a exportação de terras raras, insumo crucial para a indústria de tecnologia.

A Nvidia, apesar de evitar comentários formais, afirma que as regras atuais a afastam de um dos maiores mercados do mundo e ampliam o espaço para concorrentes internacionais.

O que é o chip H200
Lançado há dois anos, o H200 traz memória de alta largura de banda superior à do modelo anterior, o H100, garantindo velocidade maior no processamento de dados.

Segundo a fabricante, o H200 NVL oferece:

  • 1,5 vez mais memória
  • Até 1,7 vez mais desempenho em inferência de LLMs
  • Até 1,3 vez mais performance em tarefas de HPC

O chip também é estimado como cerca de duas vezes mais potente que o H20, atualmente o semicondutor mais avançado da Nvidia permitido para exportação à China.

Expansão das vendas para o Oriente Médio
Enquanto aguarda a revisão das regras para a China, a Nvidia avança em outros mercados. Nesta semana, durante a visita do príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman à Casa Branca, o Departamento de Comércio autorizou o envio de até 70 mil chips Blackwell, próxima geração da empresa, para as companhias Humain (Arábia Saudita) e G42 (Emirados Árabes Unidos).

FONTE: Olhar Digital
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Quality Stock Arts/Shutterstock

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Comércio Exterior

EUA retiram tarifas agrícolas, mas Brasil segue em desvantagem

A decisão dos Estados Unidos de suspender as tarifas recíprocas de 10% para 238 itens agrícolas deve favorecer outros países exportadores, enquanto o Brasil permanece com desvantagem competitiva. A avaliação é da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que lembra que os produtos brasileiros continuam enfrentando uma sobretaxa de 40% no mercado americano, mesmo após o anúncio da Casa Branca.

Para o presidente da entidade, Ricardo Alban, a revisão parcial não muda a realidade atual. Segundo ele, países não afetados pela sobretaxa tendem a ampliar suas vendas aos EUA. Alban defende que o Brasil busque rapidamente um acordo para restabelecer condições mais equilibradas de competição em seu principal destino de exportações industriais.

Produtos beneficiados e limitações do recuo
Uma análise preliminar feita pela CNI indica que a retirada da tarifa de 10% se aplica a 80 produtos brasileiros, entre os 238 listados pelos EUA. Entre os beneficiados estão carne bovina, tomates, café, bananas e outros itens do agronegócio. No entanto, apenas quatro produtos – três tipos de suco de laranja e castanha-do-pará – ficarão totalmente livres de tarifas.

Os demais 76 itens, incluindo setores nos quais o Brasil possui forte presença internacional, como carne bovina e café não torrado, continuarão sujeitos à tarifa de 40% para entrar no mercado americano. Em 2024, as exportações desses 80 produtos somaram US$ 4,6 bilhões, cerca de 11% do total enviado pelo Brasil aos Estados Unidos.

FIEMG vê avanço tímido e impacto ainda incerto
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) reconhece que o gesto dos EUA representa um avanço, mas ressalta que seus efeitos são limitados para os exportadores brasileiros. A entidade destaca que persistem dúvidas relevantes sobre a manutenção da sobretaxa de 40%, que continua prejudicando segmentos como carnes e café, fundamentais para a competitividade industrial mineira.

Para o presidente da FIEMG, Flávio Roscoe, o movimento americano demonstra disposição ao diálogo, mas ainda está longe de garantir condições adequadas de concorrência. Ele defende que as negociações avancem para eliminar barreiras adicionais e recuperar a competitividade dos produtos brasileiros no mercado dos EUA.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM:  Alex Wong/Getty Images

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Internacional

Acordo Argentina–EUA acende alerta sobre futuro do Mercosul, aponta FIESC

O novo acordo comercial entre Argentina e Estados Unidos levantou preocupações entre representantes da indústria brasileira. Para a Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), o gesto do governo argentino sinaliza um enfraquecimento do compromisso do país com o Mercosul, especialmente por ter sido anunciado de forma unilateral. A entidade acompanha os próximos passos e teme reflexos diretos nas tratativas entre o bloco e a União Europeia, negociadas há cerca de duas décadas.

O presidente da federação, Mario Cezar de Aguiar Seleme, avalia que o movimento argentino pode indicar uma saída iminente do bloco. Segundo ele, ainda não está claro como Brasil, Paraguai e Uruguai vão responder ao episódio ou se haverá impacto no andamento do acordo Mercosul–UE.

Preferência aos produtos norte-americanos
A presidente da Câmara de Comércio Exterior da FIESC, Maria Teresa Bustamante, chama atenção para detalhes publicados pelos dois governos. Os documentos oficiais mostram que a Argentina promete dar preferência a itens produzidos nos EUA em setores estratégicos. Isso poderia afetar diretamente as exportações brasileiras nesses nichos.

Entre os produtos citados pela Casa Branca estão medicamentos, produtos químicos, máquinas, tecnologia da informação, dispositivos médicos, veículos — com destaque para camionetes — e produtos agrícolas.

Bustamante alerta que, em áreas onde o Brasil compete com a Argentina pelo mercado americano, a indústria brasileira tende a perder terreno. Isso porque os produtos argentinos poderão chegar aos EUA com tarifas menores, reduzindo a competitividade das empresas brasileiras.

Redução de barreiras e novos padrões
O acordo firmado também prevê eliminar ou reduzir barreiras não tarifárias, como licenças de importação. Outro ponto relevante é a autorização para que empresas dos Estados Unidos usem seus próprios padrões técnicos — ou normas internacionais — na exportação de produtos, sem exigências extras de conformidade ao mercado argentino.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Visit Buenos Aires

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Economia

Geopolítica do clima: embaixador aponta disputa entre EUA e China na COP30

China ganha protagonismo na agenda climática

O embaixador André Corrêa do Lago afirmou que a atual Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas revela um claro embate geopolítico entre Estados Unidos e China. Para ele, a potência asiática assumiu posição de destaque ao apoiar de forma decisiva a nova economia verde, enquanto o governo norte-americano demonstra resistência.

Em entrevista ao programa Brasil no Mundo, exibido pela TV Brasil neste domingo (16), Corrêa do Lago destacou que a presença chinesa na COP é marcante e orienta os rumos da negociação global.

Embate define direção da economia mundial

Segundo o presidente da COP30, Washington observa com preocupação o avanço chinês no setor climático. Ao mesmo tempo, setores políticos e econômicos dos EUA temem perder a liderança tecnológica caso o país reduza a aposta na transição energética.

Essa divergência, diz o embaixador, expõe um duelo estratégico sobre “qual caminho a economia global deve seguir”, transformando o debate climático em um confronto geopolítico.

“Negacionismo econômico” ganha espaço

Corrêa do Lago também alertou para o surgimento do que chamou de “negacionismo econômico” — uma vertente que reconhece o impacto humano no clima, mas argumenta que o desenvolvimento justifica os efeitos ambientais. Ele citou o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, como defensor da ideia de que a adaptação seria mais importante que a mitigação.

O embaixador observa que essa narrativa se choca com a realidade econômica atual: em diversos setores, tecnologias limpas e substitutas dos combustíveis fósseis já são mais baratas, o que torna difícil negar a viabilidade da transição.

Ausência dos EUA e força de estados norte-americanos

Apesar da ausência do governo federal dos Estados Unidos na COP, Corrêa do Lago ressaltou a presença de governadores, como o da Califórnia, que juntos representam cerca de 60% do PIB norte-americano. Para ele, o impacto global seria significativo caso Washington insistisse em um retorno aos combustíveis fósseis, dada sua influência econômica mundial.

Fundo Florestas Tropicais para Sempre: inovação brasileira

Durante a entrevista, o embaixador comentou ainda o lançamento do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), iniciativa brasileira voltada ao financiamento da preservação de florestas, biodiversidade e comunidades tradicionais.

Corrêa do Lago destacou que o TFFF, por estar fora dos mecanismos oficiais da COP, pode atrair investimentos de países em desenvolvimento, como Brasil e China, além de fundos soberanos interessados em retornos estáveis. Ele adiantou que novas adesões devem ocorrer após a conferência, embora países ainda estejam avaliando o modelo devido ao seu caráter inovador.


Com informações da TV Brasil.
Texto: Redação

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Comércio Exterior

Setor do café diz que medida dos EUA “piorou para o Brasil” e aumenta pressão por fim da tarifa de 40%

A retirada das tarifas recíprocas de 10% anunciada pelos Estados Unidos para 238 produtos agrícolas elevou a pressão sobre o Brasil nas negociações para eliminar a sobretaxa de 40%, aplicada exclusivamente às exportações brasileiras.

Entidades veem vantagem a concorrentes

A CNI (Confederação Nacional da Indústria) e o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil) avaliam que a nova decisão amplia a competitividade de países que disputam espaço com o Brasil no mercado norte-americano, destino central das exportações industriais nacionais.

Em nota divulgada neste sábado (15.nov.2025), o presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que a manutenção da tarifa adicional reduz a competitividade de produtos importantes como carne bovina e café, enquanto concorrentes não afetados pela sobretaxa passam a ter acesso privilegiado aos EUA.

Apenas quatro produtos ficam totalmente livres de tarifas

Uma análise inicial da CNI mostra que a retirada do imposto de 10% beneficia 80 produtos brasileiros exportados em 2024, somando US$ 4,6 bilhões — cerca de 11% das vendas do Brasil para os EUA. Apenas quatro itens ficaram totalmente isentos: três tipos de suco de laranja e a castanha-do-pará.

Outros 76 produtos seguem sujeitos à tarifa de 40%, como café não torrado, carne bovina e cera de carnaúba.

Setor do café demonstra preocupação

O Cecafé afirmou que o Brasil continua submetido à taxa-base de 10% e ao adicional de 40% previsto no Artigo 301. A entidade ainda analisa se o novo ato dos EUA altera uma ou ambas as cobranças.

“O cenário favoreceu nossos concorrentes e prejudicou o Brasil”, disse ao g1 o diretor-geral do Cecafé, Marcos Matos. O café brasileiro, antes taxado em 50%, agora paga 40%, enquanto grandes concorrentes — como Colômbia e Vietnã — tiveram tarifas zeradas.

Carne bovina tem avaliação mais positiva

A Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) adotou um tom diferente. Para a entidade, a redução tarifária sobre a carne bovina brasileira demonstra confiança no diálogo técnico entre os dois países e devolve maior previsibilidade ao setor. Os EUA são hoje o segundo maior mercado da carne brasileira.

Segundo a Abiec, a mudança reforça a relação bilateral e cria ambiente mais favorável à retomada estável das exportações. A entidade afirma que seguirá trabalhando com autoridades dos dois países para ampliar acesso e consolidar o Brasil como fornecedor competitivo.

Exigência de avanço nas negociações

Apesar do alívio parcial, a CNI destaca que o cerne do problema permanece: a nova decisão norte-americana não modifica a ordem executiva que sustenta o adicional de 40% exclusivo ao Brasil. Para a entidade, o governo brasileiro precisa avançar com urgência nas negociações para restabelecer condições equitativas de comércio e evitar perda de mercado para rivais internacionais.

FONTE: Diário do Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Poder 360

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Comércio Exterior

EUA reduzem tarifas sobre produtos agrícolas brasileiros e aliviam impacto do “tarifaço”

Os Estados Unidos anunciaram a redução de tarifas aplicadas a diversos produtos brasileiros, incluindo carne bovina, café, açaí, frutas tropicais e castanha-do-pará. A medida, assinada pelo presidente Donald Trump, retira esses itens da cobrança de 50% que estava em vigor desde abril.

Redução tarifária após negociações diplomáticas

A decisão ocorre após uma rodada intensa de tratativas entre Brasília e Washington. O tema ganhou força depois do encontro entre Lula e Trump, em 26 de outubro. Desde então, as discussões passaram a ser conduzidas diretamente pelo chanceler Mauro Vieira e pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, durante reuniões paralelas ao encontro do G7 no Canadá.

Segundo o Itamaraty, o Brasil enviou aos EUA, no dia 4 de novembro, uma nova proposta para avançar no acordo comercial. A iniciativa segue a orientação dos presidentes, que trataram do assunto durante reunião recente na Malásia.

Casa Branca revisa escopo de produtos taxados

Em comunicado, Trump justificou a decisão afirmando que considerou recomendações técnicas, o andamento das negociações com parceiros comerciais, a demanda interna norte-americana e a capacidade de produção. Com isso, determinou que determinados produtos agrícolas deixem de integrar a lista de itens sujeitos ao tarifaço previsto na Ordem Executiva 14257.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços informou que está avaliando a nova ordem assinada por Trump.

Antecedentes do tarifaço

O encontro entre Trump e Lula ocorreu durante a 47ª Cúpula da Asean, na Malásia, e durou cerca de 50 minutos. Na conversa, Lula defendeu que não havia motivo para tensões comerciais com os EUA e pediu a suspensão imediata das sobretaxas impostas às exportações brasileiras.

O tarifaço de 50% havia sido anunciado em julho e afetava todos os produtos exportados pelo Brasil. A medida foi acompanhada ainda de restrições a autoridades brasileiras, como a revogação de vistos. Lula afirmou recentemente que voltaria a ligar para Trump caso não houvesse avanços até o fim da COP30, em Belém.

Produtos que terão redução das tarifas

  • Carnes
  • Café
  • Chá e ervas
  • Frutas
  • Vegetais
  • Tubérculos
  • Açaí
  • Castanhas e sementes
  • Especiarias e condimentos
  • Cereais

FONTE: Diarinho
TEXTO: Redação
IMAGEM: João Batista

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Internacional

EUA ampliam apoio nuclear à Coreia do Sul com foco em submarinos e urânio enriquecido

Washington anunciou um novo passo na parceria estratégica com Seul: os Estados Unidos vão auxiliar a Coreia do Sul a expandir sua capacidade nuclear, incluindo a construção de submarinos nucleares e o avanço no enriquecimento de urânio para fins civis.

Cooperação confirmada após encontro presidencial

A decisão foi consolidada após a reunião entre Donald Trump e o presidente sul-coreano Lee Jae-myung, realizada no fim de outubro. De acordo com a Casa Branca, o compromisso reforça a colaboração entre os dois países em áreas sensíveis de tecnologia nuclear e defesa.

Apoio ao setor nuclear sul-coreano

Além da futura frota de submarinos movidos a energia nuclear, os EUA também vão apoiar o programa de urânio enriquecido da Coreia do Sul — o mesmo elemento usado na produção de armas nucleares, embora os governos afirmem que o objetivo é exclusivamente pacífico. A iniciativa integra um pacote mais amplo de acordos econômicos e estratégicos, que inclui redução de tarifas e novos investimentos bilaterais.

Pacote militar bilionário

No campo militar, Seul se comprometeu a destinar US$ 25 bilhões para compra de equipamentos de defesa fabricados pelos EUA até 2030. O governo Lee também planeja aportar US$ 33 bilhões para apoiar as forças norte-americanas estacionadas em território sul-coreano.

Relação estratégica reforçada em meio à tensão com Pyongyang

Mesmo com ênfase no uso civil da energia nuclear, o avanço das tratativas evidencia o fortalecimento da aliança militar entre os dois países. O objetivo central segue sendo conter o que Washington e seus aliados classificam como ameaças da Coreia do Norte, um dos poucos países que mantêm armas nucleares operacionais.

A Casa Branca informou ainda que Lee Jae-myung assumiu o compromisso de acelerar os esforços militares nacionais para ampliar a capacidade de defesa convencional da Coreia do Sul, contribuindo para uma resposta conjunta frente à RPDC.

FONTE: Diário do Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Andrew Harnik/Getty Images

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Exportação

Exportações do Brasil crescem e compensam perdas com tarifas impostas por Trump

Mesmo com a queda nas exportações do Brasil para os Estados Unidos após o tarifaço imposto por Donald Trump, o país conseguiu compensar as perdas ampliando as vendas para outros mercados. Entre agosto e outubro de 2025, o valor total perdido nas exportações para os americanos foi mais do que recuperado pelo aumento das receitas com os mesmos produtos enviados ao restante do mundo.

De acordo com levantamento do Valor Econômico com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), as exportações de 1.503 produtos afetados pelo tarifaço renderam US$ 1,58 bilhão a menos para os EUA em comparação com o mesmo período de 2024. Em contrapartida, os embarques desses itens para outros países aumentaram em US$ 3,1 bilhões, superando a perda.

Brasil mantém desempenho positivo apesar das tarifas de Trump

A análise considerou produtos em que os EUA representavam ao menos 5% das exportações brasileiras no mesmo trimestre de 2024 — um grupo que responde por 96% do valor total atingido pelas tarifas.

Segundo o economista-chefe do Iedi, Rafael Cagnin, o impacto do tarifaço foi limitado. “No agregado, o tarifaço americano não é uma hecatombe. Há uma boa capacidade de redirecionamento das exportações”, afirmou. Ele explica que setores mais voltados a bens intermediários e matérias-primas conseguiram se adaptar com mais facilidade, enquanto segmentos mais dependentes do mercado americano ainda enfrentam dificuldades.

Exportações aos EUA recuam, mas outros mercados absorvem mais

Nos três meses analisados, 24,2% dos produtos exportados aos EUA registraram aumento no valor embarcado. Já em 30% dos itens, houve queda tanto nas vendas aos americanos quanto ao restante do mundo. Em outros 27,6% dos produtos, o ganho com novos destinos superou a perda com os EUA.

No total, os bens afetados pelo tarifaço somaram US$ 3,76 bilhões em exportações aos EUA, contra US$ 5,3 bilhões no mesmo período de 2024. Para outros mercados, o montante subiu para US$ 18,2 bilhões, crescimento de 20% na comparação anual.

A exportação brasileira geral para os Estados Unidos — incluindo produtos isentos e não isentos — caiu 24,9% no trimestre até outubro. A retração foi mais acentuada entre os itens atingidos pelo tarifaço, com queda de 29,6%.

Lula e Trump discutem tarifaço em encontro na Malásia

No fim de outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com Donald Trump na Malásia para discutir formas de reduzir o impacto das tarifas americanas sobre produtos brasileiros.

Para a economista Lia Valls, da FGV Ibre, a diversificação dos destinos mostra a resiliência da pauta exportadora brasileira. “O mercado americano continua relevante, mas o efeito do tarifaço foi menor do que se esperava, o que fortalece o Brasil nas negociações”, avaliou.

Setores mais afetados e produtos em destaque

Entre os 1.503 produtos analisados, o ferro e aço semimanufaturados lideram as exportações atingidas. As vendas ao mercado americano caíram 16,4%, totalizando US$ 491,3 milhões, enquanto os embarques para o resto do mundo cresceram 27,2%. Mesmo assim, a dependência dos EUA — que absorvem 65,7% das vendas brasileiras desse item — impediu uma compensação completa das perdas.

O cenário é diferente para o café brasileiro, que reduziu as vendas aos EUA em 16,7%, mas ampliou 14,5% para outros mercados. A perda de US$ 71,2 milhões nas exportações aos americanos foi compensada com folga por um ganho de US$ 409,4 milhões em outros destinos.

A carne bovina congelada seguiu a mesma tendência: queda de 60,5% nos embarques aos EUA e alta de 64,3% para o restante do mundo. A perda de US$ 165,2 milhões com os americanos foi mais do que compensada por US$ 1,7 bilhão adicionais em outros países. A participação dos EUA nas exportações de carne caiu de 9,3% para 2,4% em um ano.

De acordo com André Valério, economista do Inter, o México foi um dos principais destinos que absorveram a carne antes enviada aos EUA, com alta de 174,3% nos embarques. A China, principal parceira comercial do Brasil, também ampliou suas compras em 66,3% no período.

Alguns setores, porém, não conseguiram realocar a produção — como os de madeira e armamentos, que permanecem mais dependentes do mercado americano.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Leo Pinheiro/Valor

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