Comércio Exterior

Gecex sobretaxa resinas plásticas dos Estados Unidos e do Canadá

Órgão também zerou alíquota para insumos para a indústria de saúde

Em meio à guerra comercial com os Estados Unidos, o Brasil decidiu aplicar uma cobrança provisória por seis meses sobre a importação de resinas de polietileno (tipo de plástico) dos Estados Unidos e do Canadá. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (27) pelo Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex/Camex).

Entre as principais medidas está uma cobrança provisória contra a importação de resinas de polietileno (tipo de plástico) dos Estados Unidos e do Canadá, válida por até seis meses. Também foi definida a aplicação de tarifas antidumping – sobretaxas usadas para evitar concorrência desleal — sobre folhas metálicas de aço carbono da China e sobre fibras de poliéster de quatro países asiáticos: China, Índia, Tailândia e Vietnã.

Apesar das tensões com o governo estadunidense, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) informou que a medida não tem relação com a guerra comercial. Segundo a pasta, responsável pelo Gecex/Camex, as ações foram definidas após investigações amparadas pelas regras de comércio internacional, com o objetivo é proteger a indústria nacional de preços muito baixos praticados por empresas estrangeiras que podem prejudicar a produção brasileira.

Limitação de resíduos

O comitê também impôs restrições à entrada de resíduos sólidos, como papel e vidro. O limite foi sugerido por fóruns ligados à economia circular e por um comitê que representa catadores de materiais recicláveis.

Impostos zerados

Por outro lado, o Gecex/Camex reduziu a zero o imposto de importação de sete produtos, incluindo itens para a indústria da saúde. A ideia é facilitar o acesso a insumos importantes e diminuir custos para os consumidores. O Mdic não divulgou a lista desses bens.

Também tiveram a tarifa zerada diversos equipamentos classificados como bens de capital e de tecnologia da informação e comunicação. Por meio do mecanismo conhecido como ex-tarifário, essas isenções permitem atrair mais investimentos e ajudam a modernizar fábricas no Brasil.

Plano Brasil Soberano

O Gecex/Camex aprovou ainda mudanças na Resolução nº 633/2024, que faz parte do Plano Brasil Soberano, lançado na semana passada. Com a alteração, os financiamentos às exportações deverão seguir as novas regras do Fundo Garantidor de Exportações (FGCE), que oferece garantias em operações de operações de crédito internacional.

O Plano Brasil Soberano foi criado para compensar empresas brasileiras afetadas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos às exportações nacionais.

Fonte: Agência Brasil

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Comércio Exterior

México supera EUA como 2º destino da carne bovina brasileira em agosto, diz Abiec

De 1º a 25 de agosto, o Brasil exportou para o México 10,2 mil toneladas, o equivalente a US$ 58,8 milhões; os embarques aos EUA caíram para 7,8 mil toneladas, ou US$ 43,6 milhões

Com importações crescentes da carne bovina do Brasil, o México assumiu em agosto a segunda posição no ranking dos importadores do produto brasileiro, superando os Estados Unidos, para onde os embarques se enfraqueceram com a imposição de tarifas pelo presidente Donald Trump, afirmou a associação do setor Abiec, nesta quarta-feira.

A conjuntura coincide com uma missão brasileira liderada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin ao México, iniciada nesta quarta-feira (27), enquanto o maior exportador global de carne bovina busca mercados que possam amenizar o impacto das tarifas norte-americanas adicionais, que complicam os negócios.

A carne bovina brasileira, que já pagava uma taxa de 26,4% fora de uma cota isenta, passou a enfrentar um tributo adicional de 50% com o governo Trump.

De 1º a 25 de agosto, o Brasil exportou para o México 10,2 mil toneladas, o equivalente a US$ 58,8 milhões, segundo os dados da Abiec, publicados antes pelo jornal O Estado de S. Paulo.

De outro lado, os embarques do Brasil para os EUA, que puderam ser feitos sem a tarifa maior até 6 de agosto, caíram para 7,8 mil toneladas, ou US$ 43,6 milhões, no mesmo período. Os norte-americanos também foram superados pela Rússia e Chile, ambos com 7,9 mil toneladas, informou a Abiec à Reuters.

Consultada sobre o interesse do Brasil junto ao México, a Abiec ressaltou que os embarques para os mexicanos já vinham crescendo.

De janeiro a julho deste ano, o Brasil exportou 67.659 toneladas de carne bovina ao México (US$ 365 milhões), quase o triplo do volume do mesmo período do ano passado. No acumulado dos sete primeiros meses do ano, o país havia sido o quarto maior destino da exportação da proteína brasileira, atrás da líder absoluta China, dos EUA e Chile.

Os volumes se comparam com cerca de 46 mil toneladas enviadas ao México em 2024 e apenas pouco mais de 5 mil toneladas em 2023.

Acordo amplo

Entre as prioridades da Abiec no México estão a negociação, junto com o governo brasileiro, de um tratado de livre comércio que dê maior previsibilidade e competitividade às exportações do Brasil, afirmou a associação.

A ideia é ainda garantir a renovação por mais dois anos do chamado Pacote Contra a Inflação e a Carestia no México (Pacic), “fundamental para manter a isenção tarifária de insumos essenciais à cesta básica mexicana”, disse a Abiec.

O país quer também “ampliar o número de frigoríficos brasileiros habilitados a exportar, diversificando fornecedores, fortalecendo a segurança alimentar do México e consolidando o Brasil como parceiro estratégico”, afirmou o presidente da Abiec, Roberto Perosa, segundo nota encaminhada à Reuters.

Questionado se o México poderia substituir os EUA, a Abiec afirmou que “não há como falar em substituição”.

“Os EUA são um grande e importantíssimo mercado para o Brasil… Por isso seguimos dialogando com o governo brasileiro e com os importadores americanos para que essa relação comercial se restabeleça plenamente, como sempre foi”, disse Perosa.

Em 2024, o Brasil respondeu por 23,5% das importações mexicanas de carne bovina, afirmou a associação.

A Abiec ressaltou também que o México é o 8º maior destino do agronegócio brasileiro, com participação de 1,87%.

Os principais produtos exportados pelo Brasil aos mexicanos são, além de carne bovina, carnes de frango e suína, complexo soja, produtos florestais, café, entre outros.

Mas a carne bovina respondeu, em 2025, por 20% de tudo que o agronegócio do Brasil exportou ao México, disse a Abiec.

Fonte: InfoMoney

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Comércio Exterior, Importação

Trump aumenta tarifas sobre importações da Índia para 50%

Segundo o presidente americano, medida tem como objetivo punir o país por importar petróleo Russo e ajudar o país a financiar guerra contra a Ucrânia

O presidente dos EUA, Donald Trump, cumpriu a ameaça de dobrar as tarifas sobre as importações da Índia para 50%.

A medida, que poderia colocar em risco as relações com um dos parceiros comerciais mais importantes dos Estados Unidos e elevar os preços ao consumidor, entrou em vigor nesta quarta-feira (27).

Isso ocorreu poucas semanas após Trump instituir uma nova tarifa básica de 25% sobre produtos indianos. As taxas cobradas sobre a Índia, a quinta maior economia do mundo, estão agora entre as mais altas cobradas pelos Estados Unidos em todos os países.

A última rodada de tarifas sobre a Índia tem como objetivo punir o país por importar petróleo russo e ajudar a Rússia a financiar sua guerra com a Ucrânia, disse Trump anteriormente.

O líder americano realizou recentemente reuniões separadas com o presidente russo, Vladimir Putin, e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, para intermediar um acordo para encerrar sua guerra. No entanto, as negociações permanecem em um impasse.

As empresas americanas e, mais recentemente, os consumidores, já estão enfrentando custos mais altos resultantes da campanha tarifária de Trump, enquanto a saúde do mercado de trabalho se deteriora. O aumento das taxas sobre produtos indianos pode agravar ambos os efeitos.

Nova Déli sinalizou que retaliaria contra as tarifas de Trump no início deste mês, quando Trump prometeu inicialmente impor o que chamou de “sanções secundárias”.

A Índia acusou o governo Trump de penalizar o país injustamente, ressaltando que outros países que importam petróleo da Rússia não estão enfrentando tais taxas.

A China, por exemplo, é a maior compradora de petróleo russo, mas seus produtos enfrentam uma tarifa mínima de 30%. Trump alertou, no entanto, que outros países que compram petróleo da Rússia podem enfrentar tarifas mais altas em breve.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior

Trump ameaça retaliação a países que taxarem big techs

Em post, no X, Trump disse que imporá tarifas e restrições a países que adotarem impostos e regras contra empresas de tecnologia dos EUA

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump afirmou nesta segunda-feira (25/8), em postagem, no X [antigo Twitter], que retaliará países que adotarem impostos e regulações contra as big techs.

“Como presidente dos Estados Unidos, defenderei nosso incrível setor de tecnologia contra países que o atacarem. Impostos digitais, legislações de serviços digitais e regulações de mercados digitais são todos elaborados para prejudicar ou discriminar a tecnologia americana. Eles também, de forma ultrajante, dão passe livre às maiores empresas de tecnologia da China. Isso precisa acabar, e acabar agora! Com esta verdade, coloco todos os países com impostos digitais, legislações, regras ou regulações em aviso de que, a menos que essas ações discriminatórias sejam removidas, eu, como presidente dos Estados Unidos, imporia tarifas adicionais substanciais sobre as exportações desse país para os EUA e instituiria restrições de exportação sobre nossa tecnologia e chips altamente protegidos. A América e as empresas americanas de tecnologia não são mais o ‘cofrinho’ nem o ‘capacho’ do mundo.”

A taxação das big techs foi cogitada pelo governo Lula como possível resposta ao tarifaço imposto às exportações brasileiras.

Em julho, no 60º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), Lula declarou: “Não aceitamos que ninguém se meta nos nossos assuntos internos. Vamos responder como democratas: cobrando imposto das empresas digitais americanas”.

Advogado de Trump reage a fala de Gilmar

Em publicação também nesta segunda-feira, o ministro Gilmar Mendes (STF) sustentou que a soberania digital deve ser prioridade estratégica imediata para o Brasil. Ele argumentou que o país vive uma “dependência crítica de infraestrutura digital controlada por empresas estrangeiras” e afirmou ser necessário superar essa vulnerabilidade.

Horas depois, o advogado Martin De Luca, que representa a Trump Media e a plataforma Rumble, respondeu à postagem do ministro.

“@gilmarmendes obrigado por deixar claro que as máscaras estão caindo. Gilmar achou que seria uma boa ideia lançar luz sobre a manobra silenciosa. Segundo o decano do STF, o Brasil deve pôr fim ao ‘neocolonialismo digital’ e à dependência de plataformas norte-americanas.”

Fonte: Metrópoles

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Internacional

Brasileiros ampliam apoio à China e rejeição a EUA e Israel

A imagem internacional do Brasil em relação a grandes potências está passando por uma reviravolta. Segundo levantamento da Genial/Quaest, divulgado pela colunista Mônica Bergamo na Folha de S. Paulo, a percepção positiva dos brasileiros sobre a China saltou de 34% em outubro de 2024 para 49% em agosto deste ano. No mesmo período, a avaliação favorável aos Estados Unidos caiu de 56% para 44%, e a de Israel despencou de 52% para 35%.

A pesquisa, realizada entre 13 e 17 de agosto com 12.150 pessoas em todo o país, mostra ainda que a imagem negativa dos EUA cresceu de 25% para 48%. Israel também registrou aumento na rejeição, passando de 27% para 50%. Esses movimentos coincidem com o tarifaço e as sanções aplicadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e com a ofensiva do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) para pressionar o Judiciário a livrar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) da condenação e da cadeia por tentativa de golpe.

O salto da China foi mais expressivo entre os eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva em 2022, onde a avaliação positiva cresceu de 41% para 61%. Entre os que votaram em branco ou nulo, a aprovação também subiu, passando de 31% para 50%. Já no grupo de eleitores de Jair Bolsonaro, a percepção favorável ao país asiático se manteve estável em 30%.

A queda da imagem dos EUA foi mais acentuada entre os eleitores de Lula, que em março registravam 51% de aprovação e agora caíram para 23%. Entre os apoiadores de Bolsonaro, no entanto, a popularidade dos americanos segue alta, subindo de 66% para 72%.

Israel perde apoio

No caso de Israel, a rejeição avançou em quase todos os segmentos, impactada principalmente pelos desdobramentos da guerra em Gaza. Entre os bolsonaristas, o índice de aprovação caiu de 67% para 54%. A maior qued, aparece entre os católicos, que representam a maioria da população: apenas 30% avaliam positivamente o país, enquanto 52% reprovam. Já entre evangélicos, o apoio é majoritário, com 52% de avaliação favorável.

Rússia e Argentina apresentam leve melhora

O estudo também aponta crescimento na percepção sobre Rússia e Argentina. A imagem positiva de Moscou avançou de 20% para 25%, enquanto Buenos Aires subiu de 36% para 42%. Apesar disso, o governo de Vladimir Putin segue com o maior índice de rejeição entre os brasileiros, atingindo 59%.

Percepção varia conforme a renda

A pesquisa revelou ainda diferenças significativas de opinião entre faixas de renda. Entre os que recebem mais de cinco salários mínimos, os EUA mantêm a liderança em imagem positiva, com 53%. Já entre os mais pobres, a China aparece em vantagem, com 45% de aprovação.

O levantamento utilizou dados da Pnad de 2024 e 2025 e do Censo de 2022, ambos do IBGE, e tem margem de erro de dois pontos percentuais.

Fonte: Brasil 247

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Agronegócio, Comércio Exterior, Economia

Soja Cai em Chicago Porque China Sinaliza Menos Apetite Pelo Grão dos EUA

A soja de Chicago caiu nesta segunda-feira (25), depois de atingir máximas de dois meses na sexta-feira (22), com os participantes do setor perdendo a confiança de que os compradores chineses comprariam a soja dos Estados Unidos, enquanto os comerciantes avaliaram as isenções concedidas às refinarias de petróleo dos EUA para o uso de biocombustíveis à base de soja.

A soja mais ativa da bolsa de Chicago fechou com queda de 10,75 centavos, a US$10,4775 por bushel.

No domingo, o embaixador de Pequim em Washington disse que o protecionismo dos EUA estava prejudicando a cooperação agrícola com a China e alertou que os agricultores não deveriam arcar com o preço da guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo.

“Normalmente, em setembro, a China compra de 14% a 15% de suas necessidades de soja”, disse Dan Basse, presidente da AgResource. “Eles não vão comprar toneladas nos próximos dias, quando nem sequer estão conversando.”

Em relação ao milho, o cereal se firmou depois que um tour de safra previu a colheita dos EUA abaixo das estimativas do Departamento de Agricultura dos EUA. O trigo subiu com o apoio dos futuros do milho e as esperanças de vendas de exportação dos EUA, com os preços robustos do Mar Negro.

Espera-se que o Departamento de Agricultura dos EUA reduza suas classificações das safras de milho e soja dos EUA em um relatório semanal nesta segunda-feira, disseram analistas em uma pesquisa da Reuters, embora os agricultores ainda estejam preparados para produzir grandes colheitas.

O milho fechou com alta de 0,75 centavos, a US$ 4,1225 por bushel, e o trigo fechou com alta de 2,5 centavos mais alto, a US$5,2975 por bushel.

Na sexta-feira, a Agência de Proteção Ambiental dos EUA aprovou a maioria dos pedidos em atraso de pequenas refinarias de petróleo para isenções do uso obrigatório de biocombustíveis, levantando preocupações sobre a redução da demanda por combustíveis renováveis, geralmente produzidos a partir da soja.

A consultoria Pro Farmer previu na sexta-feira que os agricultores dos EUA colheriam uma safra recorde de milho, embora sua estimativa tenha colocado a safra abaixo das projeções do USDA, acrescentando um toque de alta ao mercado.

Fonte: Forbes Brasil

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Comércio Exterior

Trump ameaça impor tarifa de 200% se China não fornecer ímãs aos EUA

O gigante asiático tem demonstrado maior sensibilidade em relação às terras raras — estratégicas para a indústria de alto desempenho — e ao controle de sua oferta. Em abril, restringiu a exportação de vários itens desse setor, incluindo ímãs, em resposta ao aumento tarifário.

O presidente Donald Trump afirmou nesta segunda-feira (25) que a China precisa fornecer ímãs aos Estados Unidos ou ele terá de “cobrar uma tarifa de 200% ou algo parecido”. A declaração foi feita em meio à disputa comercial e tecnológica entre os dois países. (leia mais abaixo)

A China tem demonstrado maior sensibilidade em relação às terras raras e ao controle de sua oferta. Em abril, incluiu vários itens desse setor, incluindo ímãs, na lista de restrições de exportação, em retaliação ao aumento das tarifas pelos EUA.

  • 🔎 As terras raras formam um grupo de 17 elementos químicos presentes em diversos países. A maior parte das reservas conhecidas está concentrada na China e no Brasil. Esses elementos são fundamentais para a produção de smartphones de última geração, carros elétricos e outras tecnologias avançadas, o que os torna estratégicos para a indústria de alta performance.

Os ímãs mais potentes geralmente são feitos de ligas que contêm elementos de terras raras, como neodímio e samário. O disprósio, outra substância, pode ser adicionado para aumentar a estabilidade térmica, especialmente em aplicações industriais e tecnológicas de alto desempenho.

A nova ameaça de Trump representa mais um capítulo da disputa comercial e tecnológica entre as duas maiores economias do mundo. O embate se intensificou no segundo trimestre, após o tarifaço anunciado pelo republicano. Recentemente, os países chegaram a acordos para reduzir as taxas.

Em 11 de agosto, o Ministério do Comércio da China anunciou a prorrogação da suspensão de tarifas adicionais sobre produtos dos EUA. A medida, válida por 90 dias, foi adotada após Trump assinar uma ordem executiva que estende a trégua tarifária entre as duas nações.

Em comunicado, o governo chinês afirmou que as tarifas de 10% atualmente aplicadas sobre produtos norte-americanos serão mantidas durante esse período.

Relembre o acordo entre os dois países

Em 12 de maio, EUA e China concordaram em reduzir temporariamente as chamadas “tarifas recíprocas” por um período de 90 dias.

  • As tarifas dos EUA sobre importações chinesas caíram de 145% para 30%.
  • As taxas da China sobre produtos americanos foram reduzidas de 125% para 10%.

Duas semanas após o acordo, Trump acusou a China de descumpri-lo em publicação nas redes sociais. “A má notícia é que a China, talvez sem surpresa para alguns, violou totalmente seu acordo conosco”, escreveu.

Em resposta ao republicano, o gigante asiático pediu que os EUA acabem com as “restrições discriminatórias” contra Pequim e que os dois lados “mantenham conjuntamente o consenso alcançado nas negociações de alto nível” realizadas em Genebra, na Suíça, em maio.

O acordo, previsto para se encerrar em 12 de agosto, teve então a sua prorrogação confirmada um dia antes, com validade de mais 90 dias.

Desde que anunciou seu tarifaço — com o objetivo de reduzir o déficit comercial dos EUA e ter poder de barganha em negociações geopolíticas —, Donald Trump enfrenta críticas, inclusive de aliados. O embate com o governo chinês agravou ainda mais a situação.

Tarifaço reduz déficit, mas encolhe economia dos EUA

O tarifaço de Trump deverá reduzir o déficit total dos EUA em US$ 4 trilhões até 2035. Por outro lado, tende a frear os investimentos e a produtividade, além de enfraquecer o poder de compra de famílias e empresas.

A análise é do Congressional Budget Office (CBO), um órgão independente do Congresso dos EUA. Segundo relatório publicado nesta sexta-feira (22), a redução do déficit total do país (ou seja, o saldo negativo das contas públicas, incluindo juros da dívida) deverá ocorrer da seguinte forma:

  • O dinheiro arrecadado com as tarifas ajudará a diminuir o déficit primário (diferença entre receitas e despesas do governo) em US$ 3,3 trilhões até 2035.
  • Com isso, a menor necessidade de empréstimos federais deve cortar os gastos com juros da dívida em US$ 700 bilhões, totalizando um impacto de US$ 4 trilhões no período.

“Devido às recentes mudanças nas tarifas, essas estimativas são maiores do que a redução de US$ 2,5 trilhões nos déficits primários e a diminuição de US$ 500 bilhões nos gastos com juros que projetamos no início de junho”, diz o CBO.

Apesar do impacto positivo no saldo da dívida, o órgão do Congresso norte-americano estima que as recentes mudanças nas taxas de importação — tanto pelos EUA quanto por seus parceiros comerciais — reduzirão o tamanho da economia americana.

“Os efeitos negativos de tarifas mais altas se manifestam na redução de investimentos e produtividade”, afirma o CBO, acrescentando que bens de consumo e de capital (usados pelas empresas na produção) ficarão mais caros, o que diminuirá o poder de compra no país.

Segundo o órgão do Congresso norte-americano, a tarifa efetiva sobre produtos estrangeiros que entram nos EUA está 18 pontos percentuais acima das taxas praticadas em 2024.

Fonte: G1

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Comércio Exterior

Governo Federal estabelece medidas para compras públicas de alimentos afetados por tarifas dos EUA

Mapa e MDA estabelecem critérios para habilitação de produtores e exportadores nas aquisições excepcionais de gêneros alimentícios

Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) publicaram, nesta sexta-feira (22), a Portaria Interministerial nº 12/2025, que dispõe sobre procedimentos excepcionais e emergenciais relativos às compras públicas de gêneros alimentícios. A medida atende exclusivamente produtores e exportadores brasileiros impactados pela aplicação de tarifas adicionais de importação pelos Estados Unidos.

O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro disse que a iniciativa garante uma alternativa para escoamento da produção nacional atingida pelas barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos, assegurando renda a produtores rurais e empresas exportadoras. “A portaria estabelece as regras para as aquisições de produtos da agricultura e da agricultura familiar afetados pelos impostos do governo dos Estados Unidos. São vários produtos que agora podem ser comercializados com o Governo Federal, estados e municípios, minimizando os impactos do tarifaço. Também estamos atentos caso outros produtos necessitem entrar nesta lista. O governo do presidente Lula está atento, garantindo os empregos, o crescimento econômico e buscando novos mercados para direcionar os produtos brasileiros,” afirmou.

Segundo a norma, poderão participar produtores e pessoas jurídicas que deixaram de exportar em razão das novas tarifas. Para se habilitar, as empresas exportadoras deverão apresentar uma Declaração de Perda (DP) e comprovar, via Sistema Integrado de Comércio Exterior (SISCOMEX), que realizaram exportações desde janeiro de 2023. Já os produtores que fornecem diretamente a essas empresas deverão apresentar uma Autodeclaração de Perda (AP). Nos casos de produtores que exportam diretamente, serão exigidos os mesmos documentos das empresas.

Entre os produtos elegíveis para aquisição estão: açaí (purê, preparações alimentícias e frutas congeladas), água de coco (com valor Brix superior ou não superior a 7,4), castanha de caju (in natura sem casca, além de preparações, sucos e extratos), castanha-do-brasil (fresca ou seca, sem casca), manga (fresca ou seca), mel natural, uvas frescas e pescados, incluindo corvina, pargo, outros peixes frescos, refrigerados ou congelados, além de tilápia em diferentes apresentações (filés frescos, congelados ou refrigerados, e peixes inteiros frescos ou congelados).

Essas aquisições excepcionais serão realizadas pela administração pública conforme previsto na Medida Provisória nº 1.309/2025 e na Lei nº 14.133/2021, a nova Lei de Licitações e Contratos. A Portaria entrou em vigor na data de sua publicação.

Plano Brasil Soberano

A Portaria Interministerial nº 12/2025 integra as ações do Plano Brasil Soberano, lançado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que reúne medidas para mitigar os impactos econômicos da elevação das tarifas de importação pelos Estados Unidos. O pacote prevê apoio a exportadores, preservação de empregos e estímulo a investimentos em setores estratégicos, além de facilitar a comercialização de alimentos produzidos no país por órgãos públicos.

Entre as ações, estão a destinação de R$ 30 bilhões do Fundo Garantidor de Exportações (FGE) para crédito com taxas acessíveis, a ampliação de linhas de financiamento às exportações, a prorrogação da suspensão de tributos, o aumento do percentual de restituição de tributos via Reintegra e a facilitação da compra de alimentos por órgãos públicos.

Confira a portaria na íntegra aqui.

Fonte: MAPA

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Comércio Exterior

Tarifaço: Consumidores dos EUA estão gradualmente arcando com os custos

Evidências econômicas mostram que empresas e consumidores dos EUA estão arcando com os custos das tarifas impostas pela administração Trump

Segundo o Presidente Donald Trump, países estrangeiros e empresas internacionais estão absorvendo os custos da política tarifária dos Estados Unidos. Mas as evidências mostram que consumidores e as companhias americanas estão pagando caro pelas tarifas que a Casa Branca implementou como sua principal ferramenta política.

“Está provado que, mesmo neste estágio avançado, as tarifas não causaram inflação ou quaisquer outros problemas para a América, além de quantias massivas de dinheiro entrando nos cofres do nosso Tesouro”, publicou Trump em sua rede social, Truth Social, no início deste mês.

“Além disso, foi demonstrado que, na maior parte, os consumidores nem estão pagando essas tarifas. Os custos são principalmente de empresas e governos, muitos deles estrangeiros, que estão arcando com as contas”, completou.

Há um crescente conjunto de evidências que apontam o contrário: dados econômicos, pesquisas acadêmicas, despesas empresariais e experiências em primeira mão estão mostrando que, na verdade, são as empresas e os consumidores americanos que estão enfrentando custos cada vez mais altos devido às tarifas.

Espera-se que esse fardo se torne ainda mais pesado nos próximos meses — e, potencialmente, anos — conforme mais tarifas entram em vigor e outras se estabelecem profundamente nas cadeias de suprimentos.

Se os exportadores estrangeiros estivessem absorvendo os custos das tarifas, uma possível maneira de ver isso nos dados econômicos dos EUA seria através da redução dos preços de exportação pré-tarifa.

No entanto, dados dos últimos meses mostraram que os preços de importação (que excluem os custos de tarifas, seguros e transporte) permaneceram praticamente estáveis. Eles aumentaram 0,5% desde a eleição de novembro e 0,2% desde março.

“Um argumento que parecia plausível até recentemente era que os preços de importação haviam sido sustentados pelo estoque pré-tarifa na [última parte de 2024 e nos primeiros três meses de 2025], que viu as importações de mercadorias atingirem níveis recordes”, escreveram os economistas da Pantheon Samuel Tombs e Oliver Allen, em uma nota de 19 de agosto.

“Isso deixou os exportadores estrangeiros com muitos pedidos, fornecendo pouco incentivo para cortar preços. Mas os preços de importação permaneceram resilientes apesar das importações de mercadorias terem caído acentuadamente [no segundo trimestre], sugerindo que uma queda acentuada nos preços à frente é improvável.”

Uma análise mais detalhada dos dados de importação indica que há uma leve queda nos preços de importação da China; no entanto, para a grande maioria dos países, eles permaneceram praticamente estáveis, disse Olu Sonola, chefe de pesquisa econômica dos EUA na Fitch Ratings, em entrevista à CNN.

“O dado está nos dizendo que tudo isso é pago pelos importadores”, ele disse. “Agora é uma questão de: é o fabricante, são os varejistas ou é a pequena empresa que está pagando? Eles agora precisam descobrir: ‘Quanto disso posso absorver e quanto disso vou repassar?'”.

Até junho, os consumidores americanos haviam absorvido 22% dos custos tarifários, mas essa participação deveria subir para 67% até outubro, de acordo com uma estimativa de 10 de agosto dos economistas do Goldman Sachs.

Essa avaliação levou Trump a exigir que a gigante de investimentos demitisse seu economista-chefe.

Economistas do Goldman Sachs afirmaram que esperam que cerca de 70% dos custos diretos das tarifas eventualmente recaiam sobre o consumidor, e que o total pode chegar a 100% se incluídos os efeitos secundários dos produtores domésticos aumentarem seus preços (algo que já ocorreu e deve continuar – mais sobre isso abaixo).

Há uma extensa lista de razões pelas quais os aumentos de preços impulsionados por tarifas são um processo gradual: as empresas abasteceram seus armazéns com produtos pré-tarifados; os custos mais altos foram divididos por entidades ao longo da cadeia de suprimentos, reduzindo o impacto no varejo; e a abordagem intermitente de Trump em relação às tarifas significou que a maior parte delas não entrou em vigor por meses, e muitos itens estão isentos (pelo menos por enquanto).

Ao mesmo tempo, a inflação permaneceu relativamente controlada por razões boas e nem tão boas: tendências deflacionárias contínuas em áreas-chave, marcando uma desaceleração contínua da escassez e picos de preços da era pandêmica; queda nos preços da gasolina (9,5% menor que julho do ano passado) em meio à incerteza econômica global; e também devido à demanda reprimida dos consumidores em áreas como viagens.

Ainda assim, relatórios recentes do Índice de Preços ao Consumidor revelam aumentos no custo de certas importações das quais os Estados Unidos dependem fortemente, incluindo móveis domésticos, roupas de cama, ferramentas, brinquedos e artigos esportivos.

Até 8 de agosto, os bens importados custavam 5% mais do que as tendências pré-tarifa previam e os bens produzidos domesticamente estão 3% mais altos, de acordo com pesquisa recentemente divulgada pelo professor Alberto Cavallo, da Harvard Business School, e colegas.

Cavallo, em entrevista à CNN, disse que espera que o repasse continue em incrementos constantes, mas pode ser limitado em alguns casos, dependendo da competitividade da categoria do produto e da indústria.

“Acho que pode levar mais de um ano para vermos alguns dos efeitos dessas tarifas”, disse ele. “Mas daqui a um ano, talvez dois anos, notaremos que os consumidores acabaram pagando uma quantidade significativa das tarifas, mesmo que não tenham percebido os aumentos imediatamente.”

Nova pesquisa da semana passada do Federal Reserve Bank of Atlanta mostrou que as empresas — tanto as diretamente expostas às tarifas quanto as que não são — esperam aumentar os preços este ano.

No final de 2024, as empresas pesquisadas previam aumentar seus preços em 2,5% durante o ano seguinte. Em meados de maio, essas estimativas subiram para 3,5%, de acordo com o Fed de Atlanta, que descobriu que havia pouca diferença nas expectativas de crescimento de preços entre empresas com ou sem exposição externa.

No entanto, a pesquisa mostrou alguns aumentos mais acentuados esperados entre as empresas prestadoras de serviços, o que levantou questões sobre se esses aumentos de preços poderiam gerar um impulso inflacionário como o visto há três anos.

“A principal preocupação em relação ao impacto das tarifas é se experimentaremos o mesmo fenômeno que testemunhamos durante a pandemia. Ou seja, as pressões sobre os preços se espalharão além dos preços diretamente afetados pelo aumento das tarifas de importação?”, escreveram os pesquisadores do Fed de Atlanta no relatório.

Mas nos próximos meses, as expectativas são de que o repasse das tarifas seja gradual e prolongado, disse Matt Bush, economista americano da Guggenheim Investments, em entrevista à CNN.

“As empresas dizem que estão trabalhando tanto com fornecedores quanto com consumidores para ajudar a compartilhar parte do ônus dos custos”, disse Bush. “Elas indicam que estão dispostas a absorver parte do custo por enquanto. Mas acho que, conforme a percepção de que essas tarifas não vão diminuir se consolida, elas começarão a repassar mais aos consumidores.”

O maior varejista do mundo disse isso mesmo na quinta-feira: o CEO do Walmart, Doug McMillon, afirmou que os custos da empresa aumentaram toda semana devido às tarifas, mas tentará manter os preços baixos “pelo maior tempo possível.”

Pequenos aumentos ao longo do tempo podem tornar mais fácil para alguns consumidores lidarem com a situação; no entanto, para outros — especialmente aqueles com pouca ou nenhuma margem em seus orçamentos — esse processo gradual pode muito bem parecer um sangramento lento.

“Os americanos de baixa renda são tristemente hábeis em fazer malabarismos com suas despesas e tentar fazer cada centavo valer a pena”, escreveu Heather Long, economista-chefe do Navy Federal Credit Union, em um e-mail à CNN.

“Eles podem ficar sem carne ou café em uma semana para comprar sapatos para seus filhos. Na semana seguinte, podem pular o pagamento do carro para cobrir a conta de luz e uma despesa médica. É um malabarismo constante onde alocam dinheiro para sua necessidade mais urgente naquele momento.”

Os varejistas e as grandes marcas sabem que muitos americanos vivem de salário em salário, então estão usando a “sneakflation” para repassar as tarifas em pequenos incrementos, na esperança de que os consumidores não percebam ou possam absorver melhor, acrescentou Long.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior

Rio Grande do Sul é o estado mais atingido pelo tarifaço dos EUA

Estudo da Fiergs aponta que 85,7% das exportações industriais gaúchas para os EUA estariam sujeitas à nova taxa de 50%

De acordo com levantamento da Unidade de Estudos Econômicos e da Gerência de Relações Internacionais e Comércio Exterior do Sistema Fiergs (Federação da Indústria do Estado do Rio Grande do Sul), 85,7% das exportações industriais gaúchas para os Estados Unidos estão incluídas na tarifa de 50%.

Caso a medida estivesse em vigor em 2024, o valor sujeito à nova taxa alcançaria US$ 1,58 bilhão, de um total de US$ 1,85 bilhão embarcado. As 1.100 indústrias gaúchas exportadoras para os EUA representam 10% do total brasileiro.

Em seguida, os Estados mais expostos são Minas Gerais (63,4%), São Paulo (57,8%), Espírito Santo (53,5%) e Rio de Janeiro (32,8%). A forte exposição do Rio Grande do Sul se deve ao fato de que poucos produtos da pauta de exportação industrial do Estado foram incluídos na lista de exceções publicada pela Casa Branca.

O presidente do Sistema Fiergs, Claudio Bier, destacou a relevância do mercado norte-americano e a necessidade de mediação para evitar impactos mais graves. “Exportamos tabaco, madeira, calçados, celulose. Essas tarifas nos atingem diretamente. Por isso, nossa posição é pela mediação para a solução do impasse comercial”, afirmou.

O estudo ressalta ainda que o Rio Grande do Sul tem maior dependência do mercado externo em comparação à média nacional, com 18,9% do faturamento de suas indústrias vindo de exportações, contra 16,4% do país.

O impacto no emprego também preocupa. O setor de calçados de couro, que emprega 31.500 trabalhadores no Estado, tem 47,5% das exportações destinadas aos EUA. Algumas empresas já implementaram férias coletivas para reduzir a produção.

Entre os setores mais dependentes do mercado norte-americano estão produtos de metal (46%), minerais não metálicos (44,4%), máquinas e materiais elétricos (42,5%) e madeira (30,1%). Entre os ramos industriais específicos, armas de fogo (85,9%) e transformadores (79,3%) apresentam a maior exposição.

Fonte: RD Planalto/Poder 360

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