Internacional

Trump anuncia escolta da Marinha dos EUA a petroleiros no Estreito de Ormuz

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (3) que a Marinha dos EUA irá escoltar petroleiros e navios comerciais que atravessarem o Estreito de Ormuz, em meio ao bloqueio anunciado pelo Guarda Revolucionária do Irã.

A decisão ocorre após o Irã declarar o fechamento da rota marítima na segunda-feira (2) e ameaçar atacar embarcações que desrespeitarem a determinação.

Seguro contra riscos e garantias ao comércio marítimo

Trump também informou que determinou à Corporação Financeira de Desenvolvimento dos Estados Unidos (DFC) a oferta de seguro contra riscos políticos e garantias de segurança financeira para operações comerciais no Golfo Pérsico.

Em publicação na rede Truth Social, o presidente declarou que os Estados Unidos assegurarão o livre fluxo de energia global, independentemente do cenário. Segundo ele, novas medidas poderão ser adotadas.

O Estreito de Ormuz é considerado estratégico para o comércio internacional, já que cerca de 20% de todo o petróleo mundial transportado por via marítima passa pela região, além de volumes expressivos de gás natural.

Conflito pressiona mercado de petróleo e gás

A escalada do conflito no Oriente Médio elevou a tensão nos mercados de energia. O risco à produção e exportação de hidrocarbonetos impulsionou os preços do petróleo e do gás natural.

O barril do tipo Brent crude encerrou o dia com alta de 4,71%, cotado a US$ 81,40, após superar momentaneamente a marca de US$ 85 — patamar não visto desde julho de 2024.

Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, fechou a sessão a US$ 74,56, com avanço de 4,67%.

Catar suspende produção após ataque

O Catar anunciou a suspensão da fabricação de produtos como polímeros, metanol e alumínio, após interromper a produção de gás natural liquefeito (GNL). A decisão foi tomada depois de um ataque iraniano atingir instalações energéticas no país.

O cenário amplia as preocupações sobre o abastecimento global de energia e reforça a instabilidade na região.

FONTE: Carta Capital
TEXTO: Redação
IMAGEM: Saul Loeb/AFP

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Exportação

Exportadores brasileiros de frango buscam alternativas para África e Ásia devido à guerra no Irã

O conflito no Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz têm levado exportadores brasileiros de carne de frango a buscar rotas alternativas, desviando cargas inicialmente destinadas ao Oriente Médio para países da África e Ásia, afirmou Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), em entrevista à Globo News.

Bloqueio de rotas e portos de transbordo

Com o estreito inacessível, navios que já haviam partido aguardam em portos de transbordo ou de segurança até que a situação se normalize. Segundo Santin, algumas empresas estão redirecionando embarques para o Mar Mediterrâneo ou para o Mar Vermelho, mesmo com o Canal de Suez parcialmente fechado.

Rotas alternativas para o Oriente Médio

Para alcançar países como a Arábia Saudita, o setor considera contornar a África pelo Cabo da Boa Esperança e seguir até portos de Omã, ou atravessar o Estreito de Bab al-Mandab, entre o Iêmen e a costa africana. O desvio aumentaria o tempo de trânsito em 10 a 15 dias, mas sem comprometer a qualidade das cargas, de acordo com o executivo.

“Algumas companhias que antes não faziam esse trajeto agora afirmam que é possível e seguro”, disse Santin. Ele destacou que múltiplas opções estão sendo avaliadas para manter o fornecimento de carne brasileira ao Oriente Médio, apesar do conflito.

Dependência do Oriente Médio da carne brasileira

Atualmente, cerca de 350 contêineres de carne de frango saem do Brasil diariamente para o Oriente Médio, região que representa 30% das exportações totais da proteína. A dependência é alta: 57% da carne importada pela Arábia Saudita vem do Brasil, enquanto nos Emirados Árabes Unidos esse percentual chega a 74% e na Jordânia a aproximadamente 90%.

Santin ressaltou que outros grandes exportadores, como Estados Unidos e Europa, também estão impactados pelo conflito, aumentando a importância do Brasil como fornecedor confiável.

Acompanhamento do governo brasileiro

O presidente da ABPA relatou que manteve conversas com o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, e com secretários da pasta, incluindo Luis Rua e Carlos Goulart, para garantir a validade documental das cargas redirecionadas. Segundo ele, o governo se comprometeu a apoiar os exportadores nessa logística emergencial.

Impactos no setor

Para os produtores brasileiros, o conflito não deve afetar imediatamente a produção. No entanto, caso a situação se prolongue por dois a três meses, podem surgir desafios logísticos e de planejamento para garantir o abastecimento do mercado internacional.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Canva/Creative Commons

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Economia

Haddad diz que conflito no Oriente Médio não deve afetar a economia brasileira no curto prazo

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira (2) que os ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra o Irã não devem provocar impactos imediatos na economia brasileira.

Apesar da avaliação inicial positiva, Haddad ressaltou que o cenário internacional exige cautela. Segundo ele, o desdobramento do conflito pode alterar o quadro atual, dependendo da intensidade e da duração da crise.

Escalada pode mudar cenário macroeconômico

Durante participação em evento na Universidade de São Paulo, onde ministrou aula magna na Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária, o ministro destacou que a escala do conflito será determinante para possíveis reflexos na macroeconomia.

“A economia brasileira vive um momento favorável de atração de investimentos. Mesmo que haja turbulência no curto prazo, não vemos impacto relevante nas variáveis macroeconômicas, a menos que haja uma escalada do conflito”, afirmou.

Haddad acrescentou que a equipe econômica acompanha o cenário externo “com cautela”, a fim de reagir rapidamente caso haja deterioração do ambiente global.

Estreito de Ormuz preocupa mercado de petróleo

Mais cedo, um comandante da Guarda Revolucionária do Irã declarou o fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo. Segundo ele, embarcações que tentarem cruzar a região poderão ser atacadas.

O bloqueio da passagem acende alerta no mercado internacional de energia, já que o estreito é responsável por parte significativa do fluxo mundial da commodity. Uma eventual interrupção prolongada pode pressionar os preços do petróleo e gerar volatilidade nos mercados financeiros.

Até o momento, no entanto, o Ministério da Fazenda avalia que o Brasil segue em posição relativamente estável diante das incertezas externas.

FONTE: Brasil 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: Paulo Pinto/Agência Brasil

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Internacional

Guerra no Oriente Médio ameaça energia da Ásia e pressiona economias já afetadas pela guerra comercial

A escalada da guerra no Oriente Médio acendeu um novo alerta nas principais economias asiáticas, que já vinham lidando com os efeitos da guerra comercial entre Estados Unidos e China. Após o presidente Donald Trump afirmar que os ataques militares contra o Irã devem continuar por várias semanas, o foco dos mercados se voltou para o risco de interrupção no fornecimento de petróleo do Oriente Médio.

O temor central envolve o Estreito de Ormuz, corredor marítimo estratégico por onde passa cerca de um quinto da oferta global de petróleo — grande parte destinada à Ásia.

Estreito de Ormuz no centro das preocupações

Governos de China, Japão, Coreia do Sul, Taiwan e Índia acompanham com atenção qualquer ameaça de bloqueio da rota marítima localizada na fronteira sul do Irã.

Embora especialistas considerem improvável que Teerã feche o estreito — já que depende das exportações de energia, especialmente para a China —, os mercados reagiram imediatamente. Os preços do petróleo dispararam, navios petroleiros passaram a evitar a região e os custos de seguro aumentaram, enquanto portos registraram atrasos nas operações.

China enfrenta vulnerabilidade energética

A China importa pouco mais da metade de seu petróleo transportado por via marítima do Oriente Médio, sendo que cerca de um quarto desse volume tem origem no Irã. Um corte prolongado no fornecimento obrigaria o país a buscar novas fontes, possivelmente a preços mais altos.

Segundo dados da consultoria Kpler, a China possui reservas estratégicas suficientes para cerca de 115 dias. Além disso, conta com três grandes oleodutos, dois deles conectados à Rússia e ao Cazaquistão, o que reduz parcialmente a dependência da rota do Golfo.

Ainda assim, o momento é delicado. O país enfrenta desaceleração econômica, crise no setor imobiliário, alta no desemprego juvenil e pressões deflacionárias. A indústria manufatureira tem sido peça-chave para sustentar o crescimento e compensar tarifas impostas por Washington, que chegaram a 145% sobre produtos chineses durante a guerra comercial.

O presidente Xi Jinping deve se reunir em breve com Trump, em um encontro que tende a ocorrer sob clima ainda mais tenso diante da instabilidade geopolítica.

Japão e Coreia do Sul são altamente dependentes

Entre as economias mais expostas estão Japão e Coreia do Sul, fortemente dependentes do petróleo e gás do Oriente Médio.

O Japão importa mais de 90% de seu petróleo pelo Estreito de Ormuz, enquanto a Coreia do Sul depende da região para cerca de 70% de suas importações de petróleo bruto.

A gigante japonesa de transporte marítimo Mitsui O.S.K. Lines anunciou a suspensão de operações no Golfo Pérsico após alertas das autoridades iranianas.

Ambos os países possuem reservas estratégicas robustas: o Japão mantém estoques equivalentes a 254 dias de consumo, enquanto a Coreia do Sul dispõe de reservas para mais de 210 dias. Ainda assim, a alta persistente nos preços da energia pode agravar déficits comerciais e pressionar economias já fragilizadas pela inflação.

Taiwan e o risco para a cadeia global de semicondutores

Em Taiwan, a dependência energética é ainda mais acentuada. Mais de 96% da energia consumida na ilha é importada, principalmente do Oriente Médio. Cerca de 60% do petróleo e um terço do gás natural chegam via Estreito de Ormuz.

Uma interrupção prolongada poderia afetar diretamente a produção de semicondutores, essenciais para smartphones, veículos elétricos e sistemas de inteligência artificial.

A Taiwan Semiconductor Manufacturing Company, líder global na fabricação de chips avançados, conta com geradores de emergência, mas esses sistemas não substituem a rede elétrica em crises prolongadas.

Taiwan mantém reservas de petróleo para aproximadamente 120 dias, mas o estoque de gás natural duraria apenas cerca de 11 dias, segundo especialistas locais.

Índia e o dilema estratégico

A Índia vinha ampliando a compra de petróleo da Rússia, mas um acordo comercial recente com os Estados Unidos previa a substituição gradual desse fornecimento por petróleo de outras origens, sobretudo do Golfo Pérsico. A nova crise, no entanto, pode complicar essa estratégia e elevar os custos energéticos do país.

Impactos globais e alerta diplomático

Pequim pediu publicamente o cessar imediato das operações militares para evitar maior instabilidade econômica global. Analistas alertam que um bloqueio do Estreito de Ormuz teria efeitos catastróficos não apenas para a Ásia, mas para toda a economia mundial.

Mesmo que o fluxo de petróleo seja mantido, a escalada nos preços da energia pode pressionar inflação, contas públicas e crescimento econômico em diversas regiões.

Em um cenário já marcado por tensões comerciais e desaceleração econômica, a crise energética surge como um novo fator de risco para a Ásia e para o equilíbrio do comércio global.

FONTE: NY Times
TEXTO: Redação
IMAGEM: Fadel Senna/Agence France-Presse — Getty Images

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Internacional

Irã anuncia fechamento do Estreito de Ormuz e ameaça incendiar navios; EUA contestam bloqueio

O governo do Irã declarou nesta segunda-feira (2) o fechamento do Estreito de Ormuz e afirmou que qualquer embarcação que tentar atravessar a rota será alvo de ataque. A informação foi divulgada pela imprensa estatal iraniana, que atribuiu o anúncio a integrantes da cúpula da Guarda Revolucionária.

De acordo com o comunicado, a medida seria uma resposta direta à morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei.

Guarda Revolucionária reforça ameaça no Golfo

Em declaração transmitida pela mídia oficial, Ebrahim Jabari, assessor do comando militar, afirmou que o estreito está interditado e que forças da Guarda Revolucionária e da Marinha iraniana agirão contra qualquer navio que desrespeite a determinação.

O posicionamento representa a advertência mais incisiva desde que Teerã havia sinalizado, no último sábado (28), a intenção de fechar a estratégica rota marítima.

Apesar das declarações, o Comando Central dos Estados Unidos nega que o bloqueio esteja efetivamente em vigor. Segundo a emissora norte-americana Fox News, autoridades militares americanas garantem que o tráfego segue operando.

Importância estratégica do Estreito de Ormuz

O Estreito de Ormuz é considerado um dos principais corredores marítimos para a exportação de petróleo do Oriente Médio. A passagem conecta grandes produtores da região, como Arábia Saudita, Irã, Iraque e Emirados Árabes Unidos, ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico.

Analistas alertam que um bloqueio prolongado pode comprometer cerca de um quinto do fluxo global de petróleo bruto, pressionando fortemente os preços internacionais da commodity.

Mais cedo, a Guarda Revolucionária realizou um ataque com drones contra o petroleiro Athen Nova, que navegava pela região. Fontes ouvidas pela agência Reuters confirmaram o incidente.

Retaliação e escalada militar

Antes mesmo da confirmação do fechamento, militares iranianos já haviam emitido ameaças públicas contra os responsáveis pela morte de Khamenei. Em nota, a unidade de elite do Corpo da Guarda Revolucionária afirmou que os “inimigos” não estariam seguros “nem mesmo em casa”.

O discurso ocorreu pouco depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarar em Washington que confia na vitória americana na ofensiva contra Teerã.

Em publicação na rede social X, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian acusou Estados Unidos e Israel de ataques contra uma escola no sul do país e um hospital em Teerã. Segundo ele, os bombardeios deixaram 168 mortos no sábado (28) e atingiram uma unidade hospitalar no domingo (1º). Washington e Tel Aviv não confirmaram autoria.

Pezeshkian classificou os episódios como violações graves dos princípios humanitários e afirmou que o Irã não recuará diante das ofensivas.

Trump prevê conflito de até cinco semanas

Em pronunciamento na Casa Branca, Trump defendeu a operação militar e afirmou que a guerra pode se estender por “quatro ou cinco semanas, ou mais”. O republicano disse que os ataques representam a “última e melhor chance” de neutralizar o que chamou de ameaça do regime iraniano.

Segundo ele, os objetivos incluem destruir o arsenal de mísseis do país, enfraquecer a Marinha iraniana e impedir o avanço das ambições nucleares do Irã. O presidente também reiterou críticas ao acordo nuclear firmado durante o governo de Barack Obama, do qual os EUA se retiraram.

Durante cerimônia em homenagem a veteranos das guerras do Vietnã e do Afeganistão, Trump afirmou que as forças americanas já teriam eliminado lideranças iranianas e afundado ao menos dez embarcações militares do país.

De acordo com a CNN Internacional, quatro militares norte-americanos morreram até o momento, enquanto outros 18 estão em estado grave após ataques retaliatórios iranianos.

Mais cedo, Trump declarou à emissora que uma “grande leva de ataques” ainda estaria por acontecer.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: Jonathan Ernst/ Reuters

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Agronegócio

Guerra entre EUA e Irã pode elevar custos do agro brasileiro no curto prazo

A guerra entre EUA e Irã deve provocar aumento nos custos do agronegócio brasileiro no curto prazo, principalmente em razão da alta do petróleo, da valorização do dólar e de possíveis mudanças nas rotas de exportação.

Analistas de mercado avaliam que, apesar de não haver indicação de interrupção nos embarques de grãos e carnes ao Oriente Médio, o fechamento do Estreito de Ormuz pode exigir redirecionamento logístico, encarecendo o transporte internacional.

“O mundo hoje não é mais o mesmo da última semana”, resume Luiz Carlos Pacheco, analista da T&F Consultoria. Na avaliação dele, o conflito tende a ser pontual, já que uma guerra prolongada entre as duas potências teria impactos globais relevantes, sobretudo por causa da dependência mundial do petróleo.

Fertilizantes e gás natural entram no radar

Um dos principais pontos de atenção está no mercado de fertilizantes, especialmente a ureia. O Irã é fornecedor relevante do insumo para o Brasil e, em 2025, exportou 184,7 mil toneladas ao país, movimentando US$ 66,8 milhões.

Além disso, o país persa é importante fornecedor de gás natural para nações como Catar, Omã e Nigéria, que produzem nitrogenados destinados ao mercado brasileiro. Segundo Maísa Romanello, analista da Safras & Mercado, uma eventual interrupção no fluxo de gás pode reduzir a oferta global de matéria-prima, elevando preços.

Para Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting, o impacto ocorre em duas frentes: encarecimento dos fertilizantes e valorização do dólar, que pressiona diretamente os custos de produção e importação.

Milho e carnes: comércio deve continuar

O Irã é o maior comprador de milho brasileiro, com 9 milhões de toneladas importadas em 2025 — o equivalente a 23% do total exportado pelo Brasil. A expectativa do mercado é que a demanda seja mantida, já que os principais embarques acontecem a partir de julho, período em que a crise pode já estar resolvida.

No segmento de proteínas, analistas também projetam continuidade do fluxo comercial, ainda que com maior complexidade logística. O Oriente Médio é destino relevante das exportações brasileiras de frango e carne bovina.

Os Emirados Árabes Unidos lideram as compras de frango brasileiro, com 480 mil toneladas adquiridas em 2025. Já as exportações de carne bovina para a região somaram 223,9 mil toneladas, o equivalente a 6,5% do total vendido pelo país, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária.

Entidades monitoram impactos

A Associação Brasileira de Proteína Animal informou que acompanha os pontos críticos na logística internacional e avalia rotas alternativas já utilizadas em crises anteriores na região.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes declarou que monitora a situação, mas ainda não recebeu relatos de impactos concretos das empresas associadas.

A BRF, que possui operações na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes, afirmou que ativou planos de contingência para garantir o abastecimento e prioriza a segurança de seus colaboradores. A JBS optou por não comentar.

Custos maiores, mas sem ruptura comercial

Apesar do aumento nos custos logísticos, do risco de encarecimento dos fertilizantes e da volatilidade cambial, a avaliação predominante é de que não haverá ruptura na corrente de comércio.

O cenário, no entanto, exige atenção redobrada dos exportadores, que podem enfrentar margens mais apertadas enquanto persistirem as incertezas geopolíticas no Oriente Médio.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Claudio Neves/Portos do Paraná

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Economia

Dólar sobe e petróleo dispara após ataque militar ao Irã

O dólar sobe e o petróleo dispara nesta segunda-feira (2), refletindo a tensão geopolítica após a ofensiva militar conduzida por Estados Unidos e Israel contra o Irã. O conflito, que resultou na morte de centenas de pessoas — entre elas o líder supremo iraniano, Ali Khamenei — intensificou a aversão ao risco nos mercados globais.

Por volta das 12h, o contrato futuro do petróleo Brent, referência internacional, era negociado próximo de US$ 79 o barril, com alta de cerca de 7,6%, na ICE Futures Europe, em Londres. Mais cedo, chegou a superar US$ 80, acumulando avanço de até 13%.

Já o WTI, negociado na New York Mercantile Exchange, era cotado pouco acima de US$ 71 o barril, com ganho aproximado de 6%.

No Brasil, as ações da Petrobras subiam cerca de 3,9% na B3, negociadas a R$ 44,39 no início da tarde.

Estreito de Ormuz concentra preocupação

Analistas apontam que a disparada do preço do petróleo está diretamente ligada à situação no Estreito de Ormuz, corredor marítimo estratégico ao sul do Irã.

Cerca de 20% da produção global de petróleo e gás passa pela região, que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã. Países como Irã, Arábia Saudita e Iraque dependem da rota para exportar a commodity.

Segundo o economista Rodolpho Sartori, da Austin Rating, o fechamento do estreito reduz drasticamente a oferta global, o que provoca reação imediata nos preços. No sábado, relatos indicavam centenas de embarcações ancoradas, sem conseguir atravessar a passagem.

Enquanto persistirem os confrontos e houver restrição ao tráfego marítimo, a tendência é de manutenção de cotações elevadas, especialmente com possível redução dos estoques disponíveis.

Logística preocupa mais que produção

Para Otávio Oliveira, gerente de tesouraria do Banco Daycoval, o principal risco não está na capacidade de produção, mas na logística de transporte.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) anunciaram aumento de produção como forma de compensar eventuais perdas. Segundo o executivo, o cartel possui capacidade ociosa suficiente para suprir uma eventual retirada do Irã do mercado.

O gargalo, porém, está no escoamento. Uma interrupção no Estreito de Ormuz poderia desorganizar cadeias produtivas globais, afetando inclusive países exportadores de petróleo, como o Brasil, que ainda importam derivados.

Impacto na inflação e nos juros

O encarecimento do petróleo pode gerar pressão inflacionária. Sartori avalia que um conflito prolongado exigiria repasses ao consumidor, resultando em um novo impulso na inflação.

Esse cenário pode influenciar as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central do Brasil, que sinalizou a intenção de reduzir a taxa básica de juros na próxima reunião.

Atualmente, a Selic está em 15% ao ano. Diante das incertezas, o corte pode ser mais moderado — possivelmente de 0,25 ponto percentual, em vez de 0,50 p.p.

Dólar sobe com fuga do risco

A cotação do dólar hoje também reflete o aumento da aversão ao risco. Pouco depois das 12h, a moeda era negociada perto de R$ 5,20, alta próxima de 1%, interrompendo a trajetória recente de queda que levou a divisa ao menor nível em 21 meses.

Segundo Oliveira, o movimento é típico de “fuga para ativos seguros”, quando investidores retiram recursos de mercados emergentes e direcionam para moedas fortes, como o dólar e o iene japonês.

Sartori pondera, no entanto, que o comportamento da moeda americana tem sido mais complexo nos últimos anos, especialmente diante de incertezas políticas envolvendo o presidente Donald Trump. Para ele, é possível que o dólar oscile na faixa entre R$ 5,20 e R$ 5,25 nos primeiros dias de conflito, sem necessariamente apresentar valorização abrupta como em crises anteriores.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: © Valter Campanato/Agência Brasil

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Internacional

Estreito de Ormuz: fechamento parcial pode afetar exportação de fertilizantes e mercado global de ureia

O anúncio de fechamento parcial do Estreito de Ormuz, feito pelo Irã para esta terça-feira (17), acendeu um alerta no mercado global de fertilizantes. A medida, segundo a mídia iraniana, está ligada a razões de segurança durante exercícios navais conduzidos pela Guarda Revolucionária Islâmica na região.

Embora o impacto imediato ainda seja incerto, especialistas apontam que eventuais restrições prolongadas à navegação podem afetar o transporte de fertilizantes nitrogenados, insumos estratégicos para a agricultura mundial.

Rota estratégica para energia e insumos industriais

O Estreito de Ormuz é uma das principais vias marítimas do planeta. Aproximadamente 20% do consumo global de petróleo e gás natural passa pela região, tornando o local crucial para o abastecimento energético internacional.

Além de combustíveis fósseis, a rota também é relevante para o escoamento de produtos industriais, como a ureia, um dos principais fertilizantes nitrogenados. Qualquer limitação no tráfego marítimo pode pressionar a logística internacional e influenciar a formação de preços, especialmente se as restrições se estenderem por vários dias.

Oriente Médio lidera exportações de ureia

O Oriente Médio responde por mais de 40% das exportações globais de ureia. Em 2024, a produção iraniana foi estimada em cerca de 9 milhões de toneladas, com aproximadamente metade destinada ao mercado externo.

Entre os principais compradores da ureia iraniana estão Turquia, Brasil e África do Sul. O Brasil, por sua vez, importou cerca de 7,7 milhões de toneladas do fertilizante em 2025, tendo Nigéria, Rússia e Omã como fornecedores relevantes.

Segundo a consultoria Argus, parte dos volumes declarados como originários de Omã pode incluir cargas produzidas no Irã. Essa dinâmica pode gerar distorções estatísticas nos dados de comércio internacional.

Produção depende do gás natural

A fabricação de ureia está diretamente ligada ao gás natural, utilizado na produção de amônia, matéria-prima essencial do fertilizante. Por isso, oscilações nos preços do petróleo e do gás tendem a impactar o custo final do insumo agrícola.

Desde meados de dezembro, a produção iraniana opera parcialmente devido a cortes no fornecimento de gás — situação comum no inverno, quando parte do recurso é direcionada ao aquecimento residencial. De acordo com a Argus, cerca de 450 mil toneladas deixaram de ser produzidas nesse período.

Impacto no Brasil depende da duração das restrições

Apesar do cenário de incerteza, fevereiro não costuma concentrar volumes expressivos de compras de fertilizantes nitrogenados pelo Brasil. Assim, os efeitos mais significativos sobre preços da ureia e abastecimento interno tendem a ocorrer apenas se as limitações no Estreito de Ormuz se prolongarem.

O desdobramento da situação será determinante para medir o impacto real sobre o comércio internacional de fertilizantes e os custos do setor agrícola.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/David Mercado

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Internacional

Qual é a importância do Estreito de Ormuz e por que os EUA pediram à China que impedisse o Irã de fechá-lo?

É uma das rotas marítimas mais importantes e estratégicas do mundo.

Cerca de um quinto do consumo mundial de petróleo passa pelo Estreito de Ormuz, uma via commercial que conecta os produtores de petróleo do Oriente Médio com os principais mercados da região da Ásia-Pacifico, Europa e América do Norte.

Trata-se de um canal estreito que, em seu ponto mais apertado, separa Omã do Irã por apenas 33 quilômetros.

Essa rota marítima, crucial para o comércio global, está agora no centro das atenções dos mercados.

Após os ataques sem precedentes dos Estados Unidos a três instalações nucleares no Irã no último sábado (21/06), e oito dias depois de Israel lançar a maior ofensiva militar contra a República Islâmica, o mundo espera a reação iraniana, e tudo indica que o Estreito de Ormuz é uma das cartas que o país pode usar.

O parlamento iraniano já aprovou uma medida que autoriza o fechamento da passagem, ainda que a decisão final seja do Conselho Supremo de Segurança Nacional.

Agora, os Estados Unidos estão pedindo à China para impedir que o Irã concretize essa ameaça.

Mas, qual é a importância estratégica desse estreito e quais seriam as consequências de um eventual fechamento?

Uma passagem estratégica

Limitado ao norte pelo Irã e ao sul por Omã e pelos Emirados Árabes Unidos, esse corredor — que tem cerca de 50 km de largura na sua entrada e saída, e aproximadamente 33 km em seu ponto mais estreito — conecta o Golfo ao mar da Arábia.

O canal possui duas rotas marítimas, e cada uma mede 3 km.

Mas, apesar de sua extensão, o estreito é profundo o suficiente para permitir a passagem dos maiores petroleiros do mundo.

Na primeira metade de 2023, cerca de 20 milhões de barris de petróleo passaram diariamente pelo Estreito de Ormuz, segundo estimativa da Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA, na sigla em inglês), o que representa um comércio energético anual de quase US$ 600 bilhões.

Isso faz do estreito a passagem mais importante para a produção de petróleo no mundo, incluindo o petróleo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), formada pela Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Kuwait, além da maior parte do gás natural liquefeito do Catar.

Qualquer interrupção no estreito restringiria o comércio e impactaria em um aumento dos preços do petróleo a nível mundial.

Mas seu eventual fechamento teria um impacto particular sobre a China, que é o maior comprador global de petróleo iraniano e mantém uma estreita relação com Teerã.

Foi com esse argumento que o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, pediu à China que intervenha e impeça um possível bloqueio por parte do Irã.

“Eu incentivo o governo chinês, em Pequim, a conversar com o Irã sobre isso, porque eles dependem fortemente do Estreito de Ormuz para obter seu petróleo”, disse em uma entrevista à Fox News no domingo (22/06).

“Se fecham o estreito, será um suicídio econômico para eles. Nós temos opções para lidar com isso, mas outros países também deveriam prestar atenção. Isso os afetaria economicamente muito mais que a nós”, acrescentou.

Qual seria o impacto do fechamento do estreito?

O ex-chefe da agência de inteligência britânica MI6, Alex Younger, disse à BBC que o pior cenário possível em um conflito em curso entre Irã e Israel incluía um bloqueio do Estreito de Ormuz.

“Fechar o estreito seria, obviamente, um problema econômico enorme, considerando o efeito que isso teria sobre o preço do petróleo”, afirmou.

Seria um “território desconhecido”, segundo Bader Al-Saif, professor adjunto da Universidade de Kuwait e especialista em geopolítica da Península Arábica.

“Isso teria consequências diretas nos mercados mundiais, porque veríamos uma alta no preço do petróleo e uma reação bastante nervosa das bolsas diante do que está acontecendo”, disse Al-Saif.

Naturalmente, também afetaria os países do Golfo, cujas economias dependem fortemente das exportações de energia.

A Arábia Saudita, por exemplo, usa o estreito para exportar cerca de 6 milhões de barris de petróleo bruto por dia, mais do que qualquer país vizinho, segundo dados da empresa de análise Vortexa.

Como o Irã poderia fechar o estreito?

As normas das Nações Unidas permitem aos países exercer controle de até 12 milhas náuticas (cerca de 22,2 km) a partir de sua costa.

Isso significa que, em seu ponto mais estreito, Ormuz e suas rotas de navegação se encontram completamente dentro das águas territoriais de Irã e Omã.

Se o Irã tentasse bloquear os aproximadamente 3.000 navios que passam mensalmente pelo estreito, uma das formas mais eficazes de fazer isso, segundo especialistas, seria colocar minas navais usando lanchas rápidas de ataque e submarinos.

A marinha regular do Irã e a marinha do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica poderiam, em teoria, lançar ataques contra navios de guerra estrangeiros e embarcações comerciais.

Contudo, esses grandes navios militares poderiam, por sua vez, se tornar alvos fáceis para ataques aéreos dos Estados Unidos.

As lanchas rápidas do Irã geralmente estão armadas com mísseis antinavio, e o país também opera uma variedade de navios de superfície, embarcações e semissubmersíveis e submarinos.

Especialistas concordam que o Irã poderia bloquear o estreito temporariamente, mas muitos também acreditam que os Estados Unidos e seus aliados conseguiriam restabelecer rapidamente o tráfego marítimo por meios militares.

Os EUA já fizeram isso antes.

No final da década de 1980, durante a guerra entre Irã e Iraque, os ataques às instalações petroleiras escalaram até se transformarem em uma “guerra dos petroleiros”, na qual ambos os países atacavam navios neutros para exercer pressão econômica.

Os petroleiros do Kuwait que transportavam petróleo iraquiano eram especialmente vulneráveis e, eventualmente, navios de guerra americanos começaram a escoltá-los pelo Golfo, no que se tornou a maior operação de comboios navais desde a Segunda Guerra Mundial.

O Irã vai bloquear o estreito?

Embora o Irã tenha ameaçado, em conflitos anteriores, fechar o Estreito de Ormuz, nunca chegou a realizar a ação.

O momento mais próximo disso foi durante a “guerra dos petroleiros” no fim dos anos 80, mas, mesmo naquela época, o tráfego pelo estreito de Ormuz não foi interrompido de maneira grave.

Se, desta vez, o Irã cumprir a ameaça, o resultado pode ser diferente.

Apesar da China não ter respondido ao chamado dos Estados Unidos, é muito pouco provável que Pequim receba bem um possível aumento nos preços do petróleo ou interrupções nas rotas de navegação, e poderia usar seu peso diplomático para dissuadir o governo iraniano de fechar o estreito.

A analista energética Vandana Hari disse que o governo iraniano tem “pouco a ganhar e muito a perder” se fechar o estreito.

“O Irã corre o risco de transformar em inimigos seus vizinhos produtores de petróleo e gás no Golfo, e provocar a ira do seu principal mercado, a China, ao interromper o tráfego no estreito.”

A China, em particular, compra mais petróleo do Irã do que qualquer outro país: suas importações superaram os 1,8 milhão de barris por dia no mês passado, segundo dados da empresa de análises Vortexa.

Outras importantes economias asiáticas, incluindo Índia, Japão e Coreia do Sul, também dependem fortemente do petróleo bruto que passa pelo estreito.

Nesta segunda-feira, o governo chinês declarou que os ataques dos Estados Unidos prejudicaram a credibilidade de Washington e pediu um cessar-fogo imediato.

O embaixador da China na ONU, Fu Cong, disse que todas as partes deveriam conter “o ímpeto da força”, segundo um relatório da televisão estatal.

Em um editorial, o jornal estatal de Pequim, Global Times, também opinou que a participação dos Estados Unidos no Irã “complicou e desestabilizou ainda mais a situação no Oriente Médio e que estava levando o conflito a um “estado incontrolável”.

Fonte: BBC

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Logística, Portos

Ameaça de fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã acende alerta global e pode afetar o Porto de Santos

Rota marítima escoa cerca de 20% do petróleo do planeta e afeta portos de diversos países, inclusive o de Santos

A simples possibilidade de bloqueio do Estreito de Ormuz, levantada pelo Irã no domingo (22), horas após o ataque dos Estados Unidos a bases nucleares do país, acendeu um alerta mundial nos setores comercial, naval e logístico. Mesmo com o cessarfogo iniciado ontem entre iranianos e israelenses, que deve fazer o Irã recuar no fechamento de Ormuz, a rota marítima gera preocupação em todos os continentes por escoar cerca de 20% do petróleo do planeta e poder afetar os preços de diversos itens, incluindo os alimentos.

Apesar da distância superior a 12 mil quilômetros, nem mesmo o Porto de Santos estaria livre das consequências, o que prova a importância do canal localizado entre os golfos de Omã e Pérsico, no Oriente Médio, e é margeado pelo Irã e pelos Emirados Árabes Unidos. A China, por exemplo, depende dessa rota, pois a maior parte do petróleo que importa passa por Ormuz.

O advogado Emanuel Pessoa, doutor em Direito Econômico, explica que o bloqueio do Estreito de Ormuz provocaria a escalada automática nos preços do petróleo Brent e um efeito dominó na cadeia logística internacional. “O frete marítimo seria o primeiro a reagir. O bunker, combustível usado nos navios, dispara junto com o petróleo, pressionando os custos de transporte global”.

O Brasil seria impactado porque depende do transporte marítimo para escoar grãos, carnes e minérios. Além disso, importa 80% dos fertilizantes, sendo grande parte “de países localizados no entorno do Golfo Pérsico”.

Embora as compras internacionais sejam planejadas com antecedência de dois a quatro meses, o especialista diz que “o impacto nos contratos futuros e nos custos logísticos seria imediato. Em menos de 30 dias, empresas já estariam revisando seus custos operacionais e renegociando fretes. Em até 90 dias, os primeiros reflexos concretos atingiriam a produção, os preços internos e as exportações”.

“Antes mesmo de o primeiro navio dar meia-volta, o barril dispararia, a bomba de gasolina anteciparia o susto e a planilha de custos do agronegócio viraria um campo minado. O frete ficaria mais caro, o caminhão que leva o feijão ao Porto custaria o dobro, e cada cifra extra vibraria na gôndola”.

Lopes chama atenção para a China, maior comprador do Brasil. “Pequim passaria a guardar soja, renegociaria volumes, recalibraria contratos. Plantaríamos mais caro, venderíamos menos e o Brasil descobriria que depende de meia dúzia de parceiros para mais de 80% de tudo o que entra e sai de seus armazéns”.

Porto de Santos

O presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS), Anderson Pomini, diz que a China usa 70% do petróleo que passa pelo Estreito de Ormuz para abastecer navios. “Recebemos em 2024, no Porto de Santos, 1,3 mil navios chineses. Se 70% deles sofrerem impactos, certamente teremos problemas na navegação Brasil-China. Ele ainda ressalta que o Brasil é um dos principais exportadores de milho e frango ao Irã, além de importar de lá ureia para fertilizantes. “Teríamos impactos”.

Restrição teria potencial para disparar preço do petróleo

Coordenador do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap), Ahmed El Khatib afirma que após os bombardeios dos Estados Unidos ao Irã, na última segunda-feira, o preço do Brent (petróleo bruto) saltou 11%, ultrapassando os US$ 78.

“Consultorias internacionais projetam que, em caso de fechamento de Ormuz, o barril pode atingir até US$ 130”.

El Khatib projetou três cenários para o Brasil: com preços estabilizados com o fim do conflito; petróleo em alta, com a continuidade da tensão e sem bloqueio de Ormuz; e, no pior cenário, com fechamento do canal, o barril poderia chegar a US$ 130, levando o Brasil a uma combinação perigosa de inflação elevada, juros mais altos e crescimento negativo. “O País poderia entrar em estagflação (alta da inflação e estagnação), com IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) acima de 7,5%, fuga de capitais e elevação da Selic para além de 16%”.

Mercado

O diretor de Comércio Exterior da Câmara de Comércio, Indústria e Serviços do Brasil (AEB), Arno Gleisner, pontua que o bloqueio de Ormuz traria uma severa crise econômica, inclusive para Irã e aliados, motivo pelo qual deve ficar só na ameaça.

“Por Ormuz atravessam navios com petróleo e gás da Rússia, do Irã, da Arábia Saudita, dos Emirados e outros países, para a Índia e outros países da Ásia, além de todo o mercado internacional”.

O diretor da Câmara de Comércio, Indústria e Serviços do Brasil (AEB), Arno Gleisner avalia que o impacto nos preços do petróleo e do gás seria imediato em caso de bloqueio, com reflexos negativos na atividade econômica e na inflação. “O Brasil poderia ser atingido negativamente nos mercados para os quais exporta, levando em conta o aumento dos custos de transporte”.

Fonte: A Tribuna

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