Comércio Exterior

Petróleo dispara e tensão no Estreito de Ormuz derruba bolsas asiáticas

A escalada de tensão no Oriente Médio voltou a impactar os mercados globais nesta segunda-feira (23). A proximidade do prazo imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que o Irã garanta a livre navegação no Estreito de Ormuz elevou os preços do petróleo e pressionou as bolsas asiáticas.

O barril do Brent superou US$ 113, com alta superior a 1%, enquanto índices importantes da Ásia fecharam em forte queda. O Nikkei 225, do Japão, recuou 3,5%, e o Kospi, da Coreia do Sul, caiu 6,5%.

Prazo dos EUA aumenta risco de conflito

No sábado, Donald Trump deu um ultimato de 48 horas para que o Irã reabra o estreito “sem ameaças”. Caso contrário, prometeu ataques diretos contra instalações energéticas iranianas. O prazo termina às 20h44 desta segunda-feira (horário de Brasília).

Teerã reagiu afirmando que responderá a qualquer ofensiva contra sua infraestrutura. A Guarda Revolucionária Islâmica declarou que poderá fechar completamente o estreito caso haja ataques, mantendo o bloqueio até a reconstrução de suas usinas.

Mercado em alerta e risco de escalada

Analistas acompanham com cautela os desdobramentos. Segundo Simon Flowers, da Wood Mackenzie, o mercado aguarda para saber se as ameaças serão concretizadas.

A expectativa é de que um eventual ataque dos EUA provoque uma reação em cadeia, ampliando o conflito e atingindo infraestruturas estratégicas na região — cenário que já vem sendo observado nos últimos dias.

O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais importantes do mundo. Em condições normais, cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito transportados globalmente passam pelo local.

Qualquer interrupção no fluxo impacta diretamente o preço da energia e o comércio internacional, elevando o risco de inflação e instabilidade econômica global.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, conversou com Donald Trump no domingo. Segundo o governo britânico, ambos destacaram a importância da reabertura do estreito para garantir a estabilidade do mercado energético.

Enquanto isso, o Departamento de Estado dos EUA emitiu alerta global para cidadãos americanos, citando riscos de ataques a instalações diplomáticas e interrupções em viagens internacionais.

Novos ataques elevam tensão na região

Relatos recentes indicam novos episódios de violência no Oriente Médio. Um navio cargueiro registrou explosão próxima à costa dos Emirados Árabes Unidos, enquanto países como Arábia Saudita e Emirados afirmam ter interceptado ataques.

Em Israel, mais de 160 pessoas ficaram feridas após ataques iranianos no fim de semana, atingindo áreas próximas a instalações sensíveis. A Agência Internacional de Energia Atômica informou que não há evidências de danos nucleares ou aumento de radiação.

Autoridades iranianas também indicaram possíveis medidas adicionais, como a taxação de navios que cruzam o estreito e ataques a infraestruturas energéticas ligadas aos EUA na região.

O país afirma que prioriza a via diplomática, mas condiciona qualquer avanço ao fim das ofensivas militares contra seu território.

Fonte: BBC

Texto: Redação

Imagem: Reprodução BBC / Reuters

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