Agronegócio

Safra de soja do Brasil deve atingir 184 milhões de toneladas em 2026/27, prevê adido do USDA

A produção brasileira de soja deve alcançar 184 milhões de toneladas na safra 2026/27, segundo estimativa divulgada na quinta-feira pelo adido do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em Brasília. A projeção consta em relatório do Serviço Agrícola Estrangeiro (FAS, na sigla em inglês) e não representa a estimativa oficial do órgão norte-americano.

Produção de soja deve crescer quase 2%

A previsão do adido é ligeiramente inferior à estimativa oficial do USDA, que aponta uma colheita de 186 milhões de toneladas para o Brasil no ciclo 2026/27.

Mesmo com a diferença entre os números, a expectativa indica avanço na produção brasileira de soja. Caso a projeção se confirme, o volume será quase 2% superior às 180,5 milhões de toneladas registradas na safra 2025/26, mantendo o país na liderança mundial do setor.

Clima pode afetar o desenvolvimento das lavouras

De acordo com o relatório, as chuvas favoráveis no início da temporada contribuíram para o avanço do plantio de soja nas principais regiões produtoras do país. No entanto, o excesso de precipitações no Rio Grande do Sul e a previsão de eventos climáticos severos em diferentes estados acendem um alerta para o desenvolvimento das lavouras.

A avaliação do adido é de que as condições meteorológicas podem provocar impactos mais expressivos nas operações de colheita do que nas atividades de plantio.

Expectativas para a safra e influência do El Niño

Apesar da possibilidade de ocorrência de um episódio de El Niño no Brasil, os produtores de soja mantêm uma perspectiva positiva para a temporada 2026/27.

Conforme a análise, as principais preocupações relacionadas ao clima estão concentradas nas lavouras de milho e algodão de segunda safra, culturas que também podem sofrer os efeitos das condições meteorológicas ao longo do ciclo agrícola.

Exportações brasileiras de soja devem avançar

O relatório também projeta crescimento nas exportações de soja do Brasil em 2026/27. A expectativa é de embarques de 117,5 milhões de toneladas, alta de 2,1% em comparação com a temporada anterior.

O volume previsto pelo adido, contudo, fica abaixo da estimativa oficial do USDA, que aponta exportações brasileiras de 118 milhões de toneladas no período.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/InfoMoney

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Portos

El Niño acende alerta nos portos de Santa Catarina e expõe limite para receber cargas de Itajaí e Navegantes

O risco de eventos climáticos associados ao El Niño preocupa o setor portuário de Santa Catarina. Apesar de contar com cinco portos em operação, o estado não dispõe de capacidade ociosa suficiente para absorver integralmente as cargas do Complexo Portuário de Itajaí-Navegantes em caso de interrupção das atividades.

A possibilidade de fechamento do canal do rio Itajaí-Açu a partir de novembro motivou uma reunião entre a Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc), representantes de terminais portuários, autoridades e integrantes do governo estadual. O encontro, realizado na tarde de quinta-feira, teve como objetivo discutir um plano de contingência portuária para reduzir os impactos de eventuais paralisações.

A avaliação dos participantes é que outros terminais catarinenses podem receber parte das cargas desviadas, mas não conseguiriam compensar integralmente a movimentação de Itajaí e Navegantes por um período prolongado.

Fechamento do canal pode deixar dezenas de navios sem operação

A interrupção da navegação no canal do rio Itajaí-Açu é um risco recorrente, principalmente em períodos de correnteza intensa. Um dos episódios mais críticos ocorreu em outubro de 2023, quando o canal permaneceu fechado durante 16 dias, impedindo a movimentação de cargas de mais de 40 navios nos dois terminais.

Atualmente, uma semana de interrupção já seria suficiente para impedir a atracação de aproximadamente 20 embarcações, segundo informações apresentadas pelo setor.

O diretor setorial da Facisc, Lito Guimarães, destacou que a possibilidade de novos episódios preocupa o Conselho de Comércio Exterior e Negócios Internacionais (Conceni) da entidade. O grupo reúne exportadores, importadores, agentes de carga e representantes das áreas portuária e logística.

Uma reunião sobre o tema também já havia sido realizada na Secretaria de Estado de Portos.

Porto de Imbituba pode receber mais 9 mil TEUs por mês

A análise da capacidade disponível nos demais terminais revelou limitações para absorver uma eventual transferência de cargas.

A Santos Brasil, responsável pela operação do Tecon Imbituba, informou que o terminal pode receber mais 9 mil TEUs mensais sem comprometer o atendimento aos clientes atuais. A sigla TEU corresponde à unidade equivalente a um contêiner de 20 pés.

Em setembro, o terminal movimentou 130 mil TEUs, alcançando um recorde, e atualmente opera quatro linhas regulares de navegação.

Segundo Leonardo Silva, executivo da empresa que participou da reunião, a principal restrição não está no cais, preparado para receber navios de até 366 metros de comprimento, mas na capacidade do pátio para armazenar contêineres.

A disponibilidade de espaço para acomodação das cargas, portanto, representa um dos principais obstáculos para ampliar a operação em situações emergenciais.

Porto Itapoá também enfrenta restrições de capacidade

O Porto Itapoá, que passou por expansões recentes, também possui margem limitada para receber volumes adicionais de contêineres.

De acordo com o executivo Alberto Machado, o terminal opera acima de 80% de sua capacidade. Está prevista ainda uma ampliação de 120 mil metros quadrados destinada ao armazenamento de contêineres, mas a nova área será utilizada para o pré-stacking de exportações — modalidade em que as cargas são posicionadas antecipadamente para embarque.

A expansão, portanto, não representa necessariamente uma solução imediata para absorver grandes volumes desviados de outros portos.

Representantes do setor ressaltaram que a transferência de operações depende também das decisões dos armadores, responsáveis por definir os destinos e as escalas dos navios. Caso haja paralisação prolongada, exportadores poderão precisar reduzir a produção ou redirecionar suas cargas para outras regiões.

Paralisação de Itajaí e Navegantes teria impacto nacional

O presidente da Portonave, Osmari de Castilho Ribas, alertou que uma interrupção do Complexo Portuário de Itajaí-Navegantes teria consequências que ultrapassariam as fronteiras catarinenses.

Na avaliação do executivo, nem Santa Catarina nem o Brasil teriam condições de absorver integralmente o volume de cargas movimentado pelo complexo em caso de paralisação.

A SC Portos, operadora que atua em Itajaí com 20 serviços semanais de navegação, também informou que não dispõe de condições para ampliar significativamente suas atividades diante de um evento climático dessa natureza. A informação foi apresentada pelo diretor Antonio Carlos Guimarães Neto.

O cenário evidencia a importância estratégica do complexo para o comércio exterior brasileiro, especialmente para as operações de importação e exportação que dependem da estrutura portuária catarinense.

Correnteza é a principal causa do fechamento do canal

Segundo Artur Antunes Pereira, diretor da Autoridade Portuária de Itajaí, os episódios recentes de interrupção foram provocados pelo aumento da vazão do rio e pela intensificação da correnteza.

De acordo com o dirigente, os fechamentos não tiveram como causa principal o assoreamento do canal, mas as condições hidrodinâmicas que tornam a navegação insegura.

Desde maio, a autoridade portuária realiza um acompanhamento interno dessas condições com a participação de pesquisadores da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc).

A partir de 10 de novembro, também está previsto o início de um monitoramento ambiental contratado para fornecer informações sobre ventos e correnteza, permitindo acompanhar as condições que podem comprometer a navegação.

Estudos e dragagem fazem parte das medidas preventivas

Além do monitoramento, estão em andamento iniciativas técnicas para ampliar o conhecimento sobre o comportamento do rio e reduzir os riscos operacionais.

Entre as medidas estão:

  • Aprofundamento dos estudos hidrodinâmicos do rio Itajaí-Açu.
  • Retomada dos trabalhos de dragagem, com a chegada de uma draga do tipo hopper.
  • Desenvolvimento de estudos para aperfeiçoar a orientação e o uso do canal em situações emergenciais.
  • Monitoramento das condições ambientais, especialmente dos ventos e da intensidade da correnteza.

As ações foram detalhadas por Artur Antunes Pereira e buscam melhorar a capacidade de antecipação e resposta diante de condições adversas.

O secretário de Estado de Portos, Ivan Amaral, também ressaltou a importância de considerar a capacidade disponível nos portos de Imbituba e Itapoá como alternativa em episódios de interrupção da navegação.

Agilidade na liberação de cargas pode reduzir prejuízos

Durante a reunião, representantes do setor destacaram ainda a necessidade de agilizar os procedimentos de fiscalização e liberação de mercadorias nos portos catarinenses.

A atuação de órgãos como a Receita Federal e o Ministério da Agricultura foi apontada como relevante para reduzir atrasos e amenizar os prejuízos quando eventos climáticos provocam o fechamento de terminais.

Com a capacidade ociosa limitada e a dependência de decisões dos armadores para redirecionar navios, a combinação entre monitoramento preventivo, planejamento logístico e maior agilidade nos processos de liberação é considerada fundamental para diminuir os impactos de possíveis interrupções.

FONTE: NSC Total
TEXTO: Redação
IMAGEM: Portonave, Divulgação

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Internacional

Preço do açúcar cai pela quarta sessão seguida em Nova York com pressão de fundos e expectativa de maior oferta

As cotações internacionais do açúcar fecharam em baixa na quarta-feira (21), com o contrato de março negociado em Nova York registrando a quarta queda consecutiva. O mercado foi pressionado pela venda de posições por fundos de investimento e pela perspectiva de aumento da oferta, diante das condições climáticas no Brasil e de mudanças na política de utilização do etanol na Índia.

Na Bolsa de Nova York, o contrato de açúcar bruto com vencimento em março de 2027 recuou 7 pontos, equivalente a 0,34%, encerrando a sessão a 20,45 centavos de dólar por libra-peso.

Em Londres, o contrato de açúcar branco para dezembro caiu 340 pontos, ou 0,62%, e terminou o dia cotado a US$ 543,70 por tonelada.

Fundos de investimento intensificam a pressão sobre o açúcar

A sequência de perdas ocorre após um período de forte valorização da commodity. Na quarta-feira anterior, o contrato de março em Nova York havia atingido o maior patamar em 19 meses. Em Londres, o açúcar branco chegou ao nível mais alto em 22 meses no dia 7 de outubro.

Após essas altas, investidores passaram a realizar lucros, movimento que contribuiu para a queda das cotações.

O relatório semanal de Compromisso dos Traders (COT) mostrou que os fundos de commodities ampliaram em 16.184 contratos suas posições líquidas compradas em açúcar na Bolsa de Nova York, na semana encerrada em 13 de outubro. O saldo chegou a 228.743 contratos, o maior volume em mais de cinco anos.

A concentração de posições compradas aumenta a possibilidade de novas pressões de venda caso os investidores decidam reduzir sua exposição à commodity.

Clima no Brasil pode favorecer a produção de açúcar

As perspectivas para a safra brasileira também influenciam o comportamento dos preços. A previsão de tempo quente e seco no Centro-Sul, principal região produtora de cana-de-açúcar do país, pode favorecer o avanço da colheita e a retomada da moagem nas usinas.

Com melhores condições para o andamento dos trabalhos no campo, o mercado considera a possibilidade de maior disponibilidade de açúcar brasileiro no curto prazo.

A expectativa de ampliação da oferta contribui para limitar a recuperação das cotações, especialmente em um cenário no qual os investidores acompanham de perto a evolução da produção e do processamento da cana.

Mudança na política de etanol da Índia pode ampliar a oferta

Outro fator que pesa sobre o mercado é a decisão do governo indiano de determinar que distribuidoras estatais de combustíveis interrompam, a partir de 1º de novembro, as compras de etanol produzido a partir da cana-de-açúcar.

A medida pode alterar a destinação da matéria-prima no país e abrir espaço para que uma parcela maior da cana seja direcionada à fabricação de açúcar.

Como a Índia está entre os principais produtores mundiais da commodity, mudanças na política de biocombustíveis podem influenciar as perspectivas de oferta global e as expectativas dos investidores.

El Niño aumenta os riscos para a safra mundial de açúcar

Apesar da pressão baixista no curto prazo, as perspectivas para a produção global continuam sujeitas a incertezas climáticas.

A Organização Internacional do Açúcar (ISO) projeta um déficit mundial de 200 mil toneladas na safra 2026/27, após estimar um superávit de 1,1 milhão de toneladas em 2025/26.

Entre os fatores de atenção está o fenômeno El Niño, que pode modificar os padrões de chuva em importantes regiões produtoras, como Brasil, Índia e Tailândia.

A Agência Meteorológica do Japão informou que as temperaturas da superfície do Pacífico tropical ficaram cerca de 4 °C acima do normal em setembro. A instituição prevê a continuidade do fenômeno até o primeiro trimestre de 2027.

Os efeitos sobre a produção, porém, dependerão da intensidade do evento climático e de como as alterações nas chuvas atingirão cada região.

Índia enfrenta déficit de chuvas e autoriza importações

Na Índia, as chuvas de monção registradas entre junho e setembro ficaram 12,6% abaixo da média, o menor volume em 11 anos.

Diante das preocupações com o abastecimento interno, o país também autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem tarifas de importação, com prazo até 31 de outubro.

A combinação entre condições climáticas desfavoráveis e medidas voltadas ao abastecimento acrescenta incertezas ao mercado indiano, que tem peso significativo no equilíbrio mundial da commodity.

Tailândia prevê queda na produção de açúcar

Na Tailândia, a expectativa também é de redução da oferta. A Thai Sugar Millers Corp estima que a produção nacional recue 17% na safra 2026/27, para 10 milhões de toneladas.

O país é o segundo maior exportador mundial de açúcar, o que torna a perspectiva de queda na produção um fator relevante para o comércio internacional.

Dessa forma, o mercado enfrenta forças opostas: a expectativa de maior disponibilidade no Brasil e a mudança na política indiana pressionam as cotações, enquanto os riscos climáticos e a projeção de déficit global podem limitar novas quedas.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Economia

Inflação global dos alimentos deve acelerar e pressionar consumidores até 2027

A combinação de conflitos armados, dificuldades no transporte marítimo e eventos climáticos extremos deve intensificar a inflação global dos alimentos nos próximos meses, com efeitos que podem se estender ao longo de 2027. A redução da oferta de grãos e o aumento dos custos de produção ameaçam encarecer produtos básicos, especialmente em países de baixa e média renda.

Na Indonésia, a alta dos alimentos já obriga famílias a reduzir o consumo. Muhamad Yasin, de 63 anos, trabalha como vigia de estacionamento em Jacarta e afirma que o valor necessário para comprar arroz, tempeh e tofu praticamente dobrou. O conjunto de produtos, que antes custava entre 7 mil e 8 mil rúpias indonésias, passou a custar cerca de 15 mil rúpias.

Pai de quatro filhos, Yasin recebe entre 200 mil e 300 mil rúpias por semana e relata dificuldades para manter a alimentação da família diante do avanço dos preços.

Conflitos e fenômenos climáticos pressionam os preços dos alimentos

As interrupções nas rotas comerciais e a possibilidade de uma nova fase de seca associada ao fenômeno El Niño estão aumentando as preocupações com o abastecimento mundial de cereais. O cenário afeta tanto a produção agrícola quanto a distribuição internacional de mercadorias.

Na Indonésia, o preço do arroz atingiu níveis recordes em meio às previsões de atraso nas chuvas. No Egito, o pão sem subsídio ficou cerca de 25% mais caro, enquanto, na Índia, o açúcar alcançou sua maior cotação histórica diante da redução da produção provocada por uma das monções mais fracas em mais de uma década.

Para Maximo Torero, economista-chefe da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a combinação desses fatores aumenta a pressão sobre o sistema alimentar. Segundo ele, os efeitos mais expressivos devem aparecer no fim de 2026, ganhar força no início de 2027 e possivelmente continuar durante o próximo ano.

Países mais pobres sentem os efeitos da inflação alimentar

O aumento dos preços atinge com maior intensidade as populações vulneráveis do Oriente Médio, do Norte da África e da Ásia. Nessas regiões, os alimentos representam uma parcela significativa das despesas familiares, reduzindo a capacidade de absorver novos aumentos.

Dados do Banco Mundial mostram que, no terceiro trimestre, os preços dos alimentos cresceram acima da inflação geral em 22% dos 150 países analisados. No trimestre anterior, essa situação havia sido registrada em 14% das economias avaliadas.

Outro indicador reforça a tendência. O Índice de Preços dos Alimentos da FAO, que acompanha a variação mensal de uma cesta de commodities comercializadas internacionalmente, atingiu 136 pontos em setembro, o maior resultado desde novembro de 2022.

A continuidade da alta também aumenta o risco de tensões sociais. Além disso, governos de países exportadores podem recorrer a restrições às vendas externas para proteger seus mercados internos, uma medida que poderia agravar a escassez internacional.

Guerra encarece transporte, combustíveis e fertilizantes

As dificuldades no abastecimento mundial resultam de vários fatores simultâneos. Ataques contra estruturas de transporte de grãos no Mar Negro prejudicaram embarques de trigo, levando grandes importadores, como Egito e Indonésia, a procurar fornecedores alternativos.

A insegurança no Mar Vermelho também tem provocado mudanças nas rotas marítimas. Parte das embarcações passou a contornar a África, aumentando o tempo de viagem e os custos de transporte.

Outro ponto de pressão é a guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. O conflito elevou os preços dos combustíveis e afetou as exportações de fertilizantes pelo Estreito de Ormuz, encarecendo os insumos utilizados na agricultura.

Ao mesmo tempo, a perspectiva de condições mais secas associadas ao El Niño ameaça reduzir a produção agrícola na Índia e no Sudeste Asiático, ampliando o risco de desequilíbrio entre oferta e demanda.

Trigo, arroz e fertilizantes registram aumentos

A pressão sobre os custos já aparece em diferentes mercados agrícolas. Em 2026, os preços do trigo acumulam alta superior a 30%. O arroz comercializado pelos principais países exportadores asiáticos também ficou entre 10% e 13% mais caro, apesar dos estoques elevados.

Os fertilizantes recuaram em relação aos picos registrados anteriormente durante a guerra envolvendo o Irã, mas continuam em patamares elevados, mantendo os custos agrícolas sob pressão.

Manish Tiwary, presidente e diretor-geral da Nestlé Índia, também reconheceu o cenário desafiador, citando a inflação e o encarecimento das commodities como fatores que afetam o setor de alimentos.

Óleo de cozinha, açúcar e outros itens também ficam mais caros

Os aumentos não se restringem aos cereais. No Egito, o pão vendido sem subsídio passou de aproximadamente 4 libras egípcias por unidade em julho para cerca de 5 libras. Nos Emirados Árabes Unidos, o óleo de cozinha ficou cerca de 40% mais caro.

Na Indonésia, o óleo vegetal acumula alta de 7% em 2026, mesmo com o país ocupando a posição de maior produtor mundial de óleo de palma.

Na Índia, os preços do açúcar, da cebola e das leguminosas subiram mais de 10% em setembro na comparação com agosto, em consequência de déficits na produção.

A combinação de custos agrícolas elevados, restrições logísticas e perdas de produção indica que a inflação dos alimentos poderá continuar pressionando o orçamento das famílias nos próximos meses. Para os consumidores de menor renda, a tendência representa um risco adicional à segurança alimentar, sobretudo se os choques de oferta persistirem até 2027.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM:  REUTERS/Amr Abdallah Dalsh

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Exportação

Exportações de melão do RN e CE crescem em setembro, mas ficam abaixo de 2025

As exportações de melão do Rio Grande do Norte e do Ceará avançaram em setembro de 2026, impulsionadas pelo andamento da safra 2026/27. Apesar da recuperação em relação a agosto, os embarques ficaram abaixo dos registrados no mesmo mês do ano passado, reflexo dos custos elevados e das dificuldades enfrentadas na produção.

Dados do Comex Stat apontam que o volume exportado pelos dois estados aumentou 155% na comparação mensal, alcançando 22,3 mil toneladas. A receita com as vendas externas também cresceu, com alta de 171%, totalizando US$ 21,2 milhões na modalidade FOB, que considera o valor da mercadoria até o embarque.

Países Baixos e Reino Unido lideram compras de melão brasileiro

Os Países Baixos foram o principal destino do melão produzido no RN e no CE em setembro, respondendo por 52,5% dos embarques. O Reino Unido ficou na segunda posição, com participação de 33,8%, seguido pela Espanha, que recebeu 5,1% do volume exportado.

O avanço das vendas acompanha o desenvolvimento da safra de melão 2026/27, cuja produção deve atingir o pico em novembro, segundo as expectativas do setor.

Mesmo com a retomada mensal, o desempenho ainda é inferior ao da temporada anterior. Na comparação entre setembro de 2026 e setembro de 2025, o volume exportado caiu 31%, enquanto a receita recuou 28%.

Frete marítimo e custos de produção pressionam exportações

De acordo com colaboradores do Hortifrúti/Cepea, o aumento dos custos de produção e de exportação tem limitado a competitividade do melão brasileiro no mercado internacional.

O frete marítimo, em especial, representa uma despesa importante para os produtores. Diante dos custos elevados, parte das empresas tem reduzido os volumes destinados ao exterior.

As dificuldades também atingem o campo. Temperaturas noturnas mais amenas prejudicam o desenvolvimento das plantas e diminuem o crescimento dos frutos. Com isso, parte da produção pode deixar de atender aos padrões de qualidade exigidos pelos compradores internacionais.

Mosca-minadora reduz produtividade do melão

Outro obstáculo para a produção de melão no Nordeste é a mosca-minadora, praga que tem afetado a cultura e é favorecida pelas temperaturas elevadas durante o dia.

Segundo os dados apresentados pelo Cepea, o potencial produtivo está em torno de 25 toneladas por hectare, nível 13% inferior ao observado no mesmo período do ano anterior.

O controle da praga exige aplicações mais frequentes de defensivos agrícolas, elevando os gastos dos produtores. Nesse cenário, o custo de produção está estimado em aproximadamente R$ 36,09 por caixa de 13 quilos.

A combinação de menor produtividade, exigências fitossanitárias e despesas mais altas aumenta a pressão sobre a rentabilidade da atividade e limita a capacidade de expansão dos embarques.

El Niño pode elevar despesas nos próximos meses

As perspectivas para os próximos meses indicam continuidade da pressão sobre os custos de produção. Agentes do setor ouvidos pelo Hortifrúti/Cepea avaliam que a necessidade de aplicações adicionais de defensivos contra a mosca-minadora deverá manter as despesas em alta.

A previsão de temperaturas elevadas no Rio Grande do Norte e no Ceará, associada à influência do fenômeno El Niño, também exige atenção dos produtores no planejamento e no manejo das lavouras.

O comportamento do clima e a capacidade de controlar os problemas fitossanitários serão fatores importantes para determinar o volume disponível para exportação durante o restante da safra.

Exportações de melão podem ganhar força no último trimestre de 2026

Para outubro, a expectativa é de continuidade dos embarques em volumes elevados, acompanhando o avanço da safra brasileira e o encerramento da temporada de produção da Espanha.

O fim antecipado da campanha espanhola em relação a 2025 poderá abrir mais espaço para o melão brasileiro no mercado europeu durante o último trimestre de 2026.

Com menor concorrência de frutas espanholas, os produtores do RN e do CE poderão ampliar sua participação nos mercados internacionais. Para que os embarques superem os resultados do ano anterior, porém, será necessário controlar os problemas de produtividade e reduzir os impactos dos custos elevados.

O desempenho das exportações até o fim do ano dependerá, portanto, da combinação entre demanda externa, condições climáticas, controle de pragas e capacidade de manter a competitividade do melão brasileiro.

FONTE: HF Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/HF Brasil

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Portos

Porto de Itajaí pede reforço de rebocadores diante de correntezas associadas ao El Niño

O Porto de Itajaí, em Santa Catarina, solicitou o reforço na disponibilidade de rebocadores para ampliar a segurança das operações de navegação diante das possíveis mudanças nas condições hidrológicas relacionadas ao El Niño.

A preocupação envolve a intensidade das correntezas no rio e no canal de acesso ao complexo portuário, fatores que podem dificultar as manobras de entrada e saída dos navios.

Correntezas exigem atenção nas manobras portuárias

O aumento da força das correntes pode tornar a movimentação das embarcações mais complexa, exigindo cuidados adicionais das equipes responsáveis pelas operações.

Nesse cenário, a disponibilidade de rebocadores portuários é fundamental para auxiliar no posicionamento e no deslocamento dos navios, contribuindo para a segurança durante as manobras.

A solicitação de reforço busca ampliar o suporte às embarcações e reduzir os riscos operacionais diante de condições hidrológicas potencialmente desfavoráveis.

El Niño coloca navegação em alerta em Santa Catarina

Os possíveis efeitos do El Niño na navegação reforçam a necessidade de monitoramento das condições do rio e do canal de acesso ao Porto de Itajaí.

A adoção de medidas preventivas e o acompanhamento das correntezas são importantes para manter a segurança das operações e minimizar possíveis impactos na movimentação portuária.

O reforço na disponibilidade de rebocadores integra esse esforço de prevenção, especialmente em situações que exigem maior controle durante a entrada e a saída de navios.

FONTE: ND+
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Visor Notícias

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Portos

Porto de Itajaí solicita reforço no uso de rebocadores para garantir segurança da navegação diante dos efeitos do El Niño

Pedido encaminhado à Capitania dos Portos tem como base normas da Marinha e busca ampliar a segurança das manobras diante do aumento da vazão e da intensidade das correntezas no Rio Itajaí-Açu

A Superintendência do Porto de Itajaí (SPI) encaminhou, nesta terça-feira (13), um ofício à Capitania dos Portos de Itajaí solicitando a adoção de medidas para reforçar a utilização de rebocadores nas operações de entrada e saída de navios no canal do Rio Itajaí-Açu. A iniciativa busca ampliar a segurança da navegação diante do aumento da vazão do rio e da intensidade das correntezas, condições associadas aos efeitos do fenômeno climático El Niño.

Nas últimas semanas, foram registradas correntes com intensidade até sete vezes superior aos parâmetros considerados seguros para a navegação, impondo dificuldades extraordinárias às manobras de entrada, saída e atracação das embarcações.

Diante desse cenário, a Superintendência considera que a quantidade e a potência dos rebocadores atualmente empregados são insuficientes para enfrentar determinadas condições adversas, especialmente durante os períodos de correnteza elevada.

A SPI defende a reavaliação dos critérios de utilização dos rebocadores, incluindo o número mínimo de unidades, a potência e a capacidade de tração necessárias para garantir maior segurança durante as operações portuárias.

Monitoramento e prevenção

A Superintendência do Porto de Itajaí mantém o acompanhamento das condições hidrológicas do canal de acesso, especialmente diante dos efeitos do El Niño, que podem intensificar os episódios de chuvas, elevar a vazão do rio e aumentar a velocidade das correntezas.

A SPI destaca que a adoção de medidas preventivas deve considerar os riscos efetivamente identificados, priorizando o dimensionamento adequado dos rebocadores para enfrentar as condições extraordinárias do Rio Itajaí-Açu.

O objetivo é proteger as embarcações, as estruturas portuárias e os profissionais envolvidos nas operações, garantindo a continuidade das atividades do Complexo Portuário de Itajaí com segurança.

FONTE: Porto de Itajaí
IMAGENS: Daiana Brocardo | ReConecta News

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Comércio Exterior

Preços globais dos alimentos atingem maior nível em quase quatro anos, aponta FAO

Os preços globais dos alimentos avançaram em setembro e alcançaram o maior patamar em quase quatro anos, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). O movimento foi influenciado por dificuldades logísticas, incertezas climáticas e mudanças nas perspectivas de oferta de importantes commodities agrícolas.

O Índice de Preços de Alimentos da FAO atingiu 136,0 pontos no mês, acima dos 134,0 pontos registrados em agosto, após revisão. Esse foi o maior resultado desde novembro de 2022.

Clima e problemas logísticos pressionam alimentos

A alta ocorreu em meio à pressão simultânea sobre diferentes mercados agrícolas. O avanço das preocupações relacionadas ao El Niño aumentou os riscos para a produção em importantes regiões produtoras e contribuiu para a elevação das cotações internacionais do açúcar.

Outro fator de pressão foi a redução do comércio pelo Mar Negro, em um cenário marcado pela guerra entre Rússia e Ucrânia. No início de setembro, os contratos futuros de trigo chegaram ao maior nível em três anos.

Segundo Máximo Torero, economista-chefe da FAO, as interrupções no Estreito de Ormuz e no Mar Negro, combinadas aos efeitos climáticos, têm pressionado os custos de energia e transporte, além de importantes commodities alimentares.

A avaliação da entidade é que a permanência dessas condições pode levar o aumento dos custos até os consumidores, principalmente em países com forte dependência das importações de alimentos e energia.

Açúcar registra terceira alta consecutiva

O índice de preços do açúcar teve a maior alta entre os grupos destacados pela FAO. A cotação subiu 6,1% em setembro, na comparação com agosto, marcando o terceiro avanço mensal seguido.

As condições climáticas desfavoráveis foram apontadas como um dos principais fatores por trás do movimento. Os problemas aumentaram a preocupação com a oferta da commodity em importantes regiões produtoras.

Cereais também ficam mais caros

O grupo de cereais registrou alta de 5,1% no índice da FAO durante setembro.

O resultado refletiu, entre outros fatores, as expectativas de produtividade menor para o milho nos Estados Unidos. As dificuldades para o transporte de grãos pelo Mar Negro também contribuíram para aumentar a pressão sobre os preços internacionais.

Já os óleos vegetais apresentaram uma elevação mais moderada, de 0,9%. O óleo de palma teve papel importante nesse avanço, enquanto o mercado monitora os possíveis efeitos do El Niño sobre a produção no Sudeste Asiático.

Na contramão dos demais grupos, o índice de preços das carnes recuou 1,1% em setembro. A queda foi influenciada principalmente pela redução das cotações da carne de frango, associada, em parte, à menor demanda da União Europeia após a adoção de novas regras de importação.

FAO reduz previsão para comércio mundial de cereais

Em outro relatório, a FAO praticamente manteve sua estimativa para a produção mundial de cereais em 2026, projetada em 2,979 bilhões de toneladas.

Apesar de representar uma redução de 2,1% em relação ao recorde alcançado no ano anterior, o volume ainda seria o segundo maior já registrado na série histórica.

Para o comércio mundial de cereais na temporada 2026/27, entretanto, a organização revisou a projeção para baixo. A estimativa ficou 0,7% menor do que a apresentada no mês anterior.

A revisão está relacionada principalmente às perspectivas de redução nas exportações de trigo e milho, diante das restrições ao transporte marítimo na região do Mar Negro.

Transporte e clima aumentam incertezas no mercado

A combinação entre dificuldades de navegação em importantes rotas comerciais e condições climáticas adversas voltou a aumentar a pressão sobre o mercado internacional.

Com os custos de transporte em alta e maior incerteza sobre as próximas safras, a disponibilidade de grãos e outros produtos agrícolas passa a ter peso ainda maior na formação dos preços globais dos alimentos.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Reuters

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Transporte

Tráfego no Estreito de Magalhães cresce mais de 70% em meio a restrições no Canal do Panamá

O tráfego marítimo no Estreito de Magalhães registrou alta superior a 70% em agosto e setembro, na comparação com os mesmos meses do ano anterior. O avanço ocorre em meio às restrições de passagem no Canal do Panamá, afetado pela forte seca na região.

Dados da Marinha do Chile, obtidos pela Bloomberg, indicam que o aumento no movimento está relacionado principalmente ao desvio de navios que passaram a utilizar a rota pelo extremo sul da América do Sul para evitar filas, custos elevados e limitações impostas no canal panamenho.

Seca no Panamá altera rotas do transporte marítimo

A redução das chuvas, associada ao fenômeno El Niño, provocou uma queda no nível dos reservatórios que abastecem o Canal do Panamá. Com menos água disponível para as operações, as autoridades precisaram limitar o número de embarcações autorizadas a realizar a travessia.

O cenário elevou a pressão sobre os armadores, que passaram a enfrentar longas filas e a necessidade de pagar tarifas mais altas para conseguir prioridade no trânsito pelo canal.

Segundo Kenneth Loh, analista da Bloomberg Intelligence, a seca na América Central foi o principal fator por trás da mudança nas rotas.

Além dos problemas no Panamá, as tensões geopolíticas no Oriente Médio também influenciaram as decisões dos operadores. Empresas responsáveis pelo transporte de cargas entre a América do Sul e a África Ocidental com destino à Ásia passaram a evitar determinadas áreas e, em alguns casos, redirecionaram os navios para o Estreito de Magalhães.

Estreito de Magalhães ganha importância para os armadores

A alteração das rotas evidencia como eventos climáticos e geopolíticos podem modificar o funcionamento do comércio marítimo internacional.

Apesar de representar uma viagem mais longa e, consequentemente, maior consumo de combustível, o Estreito de Magalhães oferece uma alternativa aos operadores que buscam escapar de congestionamentos e custos adicionais em outras passagens estratégicas.

A ausência de pedágios também contribui para tornar a rota uma opção diante de restrições que provocam atrasos e encarecem o transporte marítimo.

Movimento começou a aumentar em julho

O crescimento da circulação pelo estreito começou em julho e ocorreu durante o inverno no Hemisfério Sul. No mesmo período, fortes nevascas na região dos Andes prejudicaram o transporte rodoviário entre Chile e Argentina.

Os dados mais recentes da Capitania dos Portos de Punta Arenas, órgão ligado à Marinha chilena, mostram a evolução do movimento na região.

A expectativa é que o fluxo permaneça elevado nos próximos meses, especialmente com o início da temporada de cruzeiros, que tradicionalmente amplia a movimentação marítima na área.

Navios de até 65 mil toneladas concentram alta

O aumento foi identificado principalmente entre embarcações com capacidade de 60 mil a 65 mil toneladas de registro bruto (TRB). A Marinha do Chile, porém, não detalhou quais tipos de navios estão por trás da expansão.

As informações foram compiladas a partir de estatísticas locais de praticagem referentes a 2025 e 2026. O levantamento considera o período de 1º de janeiro de 2025 a 24 de setembro de 2026.

O avanço do tráfego reforça o papel do Estreito de Magalhães como uma rota alternativa para o comércio marítimo global, especialmente em momentos de restrições, congestionamentos ou instabilidade em outras passagens estratégicas.

FONTE: O Globo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Marinha do Chile

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Portos

Porto de Itajaí: chuvas elevam sedimentação e reforçam debate sobre concessão da dragagem

A elevada quantidade de sedimentos retirada do canal de acesso ao Complexo Portuário de Itajaí, em Santa Catarina, voltou a colocar em evidência a necessidade de uma nova estrutura para a gestão da dragagem do Porto de Itajaí.

A campanha mais recente foi concluída após 20 dias, com a remoção de mais de 2 milhões de metros cúbicos de sedimentos. O volume é significativamente superior ao registrado em campanhas consideradas regulares, que normalmente retiram entre 600 mil e 800 mil metros cúbicos.

Segundo o superintendente do Porto de Itajaí, Artur Antunes Pereira, a forte sedimentação levou à antecipação dos trabalhos.

Concessão do canal de acesso ainda aguarda definição

Enquanto os efeitos das chuvas aumentam a demanda por dragagem, o projeto de concessão do acesso aquaviário ao Complexo Portuário de Itajaí segue aguardando definição da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

A proposta prevê a transferência para a iniciativa privada da administração do canal e dos serviços relacionados à dragagem, manutenção e aprofundamento do acesso aquaviário.

A análise do projeto pela Antaq era esperada para agosto, seguida pela publicação do edital. Até o momento, porém, o Porto de Itajaí informa que não houve atualização sobre o andamento do processo.

O projeto estabelece um contrato de 25 anos e prevê investimentos estimados em aproximadamente R$ 350 milhões. Além da dragagem, a futura concessão deverá contemplar a administração e exploração do acesso aquaviário e intervenções em estruturas utilizadas pelos navios para entrar e sair do complexo.

Chuvas aumentam volume de sedimentos no canal

A atual campanha de dragagem foi antecipada diante da velocidade considerada elevada de deposição de sedimentos no canal. Para Pereira, o cenário é atípico e está relacionado às condições climáticas registradas na região.

O superintendente relaciona o aumento da quantidade de material no canal ao maior volume de chuvas e à liberação gradual de água e sedimentos acumulados nas barragens da bacia do Rio Itajaí-Açu.

Pereira também citou a influência do El Niño sobre o regime de chuvas. Segundo ele, o fenômeno contribuiu para o aumento das precipitações e, consequentemente, para a chegada de mais sedimentos ao canal de acesso.

Mesmo após a redução das chuvas, o processo de sedimentação não é interrompido imediatamente. Isso ocorre porque as barragens continuam liberando de forma gradual água e materiais acumulados, que acabam transportados para o canal.

Contrato atual pode não ser suficiente em cenário excepcional

Na avaliação do superintendente, o modelo utilizado nos últimos oito anos para executar a dragagem do canal de Itajaí atende às necessidades em condições consideradas normais.

O cenário atual, entretanto, levanta a possibilidade de medidas adicionais. A administração portuária avalia alternativas como um aditivo ao contrato vigente ou uma contratação emergencial complementar, caso o nível de sedimentação permaneça acima do padrão.

A preocupação está relacionada à possibilidade de recorrência de condições climáticas excepcionais, que podem aumentar a necessidade de intervenções no canal.

Epagri aponta chuvas acima da média em Santa Catarina

As condições climáticas também foram destacadas pela Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri).

Em boletim divulgado em julho, a entidade apontou que a atuação do El Niño aumentou a frequência de sistemas de chuva no Estado. A previsão indicava volumes de precipitação acima da média climatológica entre agosto e outubro.

O cenário climático reforça a atenção sobre os impactos da chuva na sedimentação do canal de acesso ao Porto de Itajaí e, consequentemente, sobre a necessidade de manutenção da profundidade adequada para a navegação.

Fiesc defende concessão independente dos terminais

A Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) defende que a futura concessão do canal de acesso seja estruturada separadamente da operação dos terminais terrestres.

Em ofício encaminhado em agosto ao Ministério de Portos e Aeroportos, à Antaq e à Companhia Docas do Estado da Bahia (Codeba), a entidade argumentou que atividades como dragagem, manutenção e aprofundamento do canal devem contar com regras, responsabilidades e recursos próprios.

Para Maurício Battistella, presidente do Conselho para Assuntos de Transporte e Logística da Fiesc, a separação entre os contratos ajudaria a garantir a manutenção dos parâmetros necessários à navegação e a execução de obras estruturantes, como o aprofundamento do canal e a ampliação da bacia de evolução.

Porto de Itajaí também defende contratos separados

A administração do Porto de Itajaí possui entendimento semelhante ao apresentado pela Fiesc.

Para Artur Antunes Pereira, o canal de acesso e os terminais terrestres possuem funções distintas e, portanto, deveriam ser tratados como objetos independentes em uma eventual concessão.

O superintendente também ressalta que a modelagem econômica da concessão do canal precisa estar definida antes da publicação do edital. A avaliação é de que as regras para a administração do acesso aquaviário devem considerar as particularidades e os custos envolvidos na manutenção e no aprofundamento do canal.

FONTE: Gazeta do Povo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Gazeta do Povo

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