Internacional

Marrocos defende nova geração de parceria entre Brasil e países árabes

O Brasil e as nações árabes têm espaço para avançar rumo a uma parceria de nova geração, com maior integração em áreas estratégicas como comércio internacional, investimentos, segurança alimentar, economia digital e pesquisa científica.

A avaliação foi apresentada pelo embaixador do Reino do Marrocos no Brasil e decano do Conselho dos Embaixadores Árabes, Nabil Adghoghi, durante o Fórum Econômico Brasil-Países Árabes, promovido pela Câmara de Comércio Árabe-Brasileira nesta terça-feira (25), em São Paulo.

Instabilidade global reforça necessidade de cooperação

Para o diplomata, o atual ambiente de instabilidade internacional torna ainda mais importante o fortalecimento dos laços entre o Brasil e os países árabes. Nesse contexto, ele defendeu a busca por novas oportunidades de negócios e uma relação mais diversificada, sustentável e capaz de gerar benefícios para os dois lados.

Adghoghi apontou cinco frentes consideradas prioritárias para modernizar a parceria. A primeira é ampliar a conexão logística entre as duas regiões, inclusive por meio de rotas marítimas diretas.

Segundo o embaixador, essas rotas poderiam servir como plataformas para o processamento de exportações destinadas aos mercados árabes, além de facilitar o transporte de mercadorias com destino à Europa e à Ásia.

Acordos para estimular investimentos

Outra frente destacada pelo Marrocos é o aprimoramento do ambiente jurídico para investimentos. A proposta envolve acordos capazes de estimular o fluxo de capitais e mecanismos destinados a evitar a dupla tributação.

Como referência, o diplomata mencionou o acordo mantido entre Marrocos e Mercosul. Ele também defendeu a criação de instrumentos para aumentar a proteção e a resiliência das cadeias de suprimentos.

Digitalização pode ampliar comércio bilateral

A transformação digital das operações de importação e exportação também foi apontada como prioridade. Nesse sentido, Adghoghi citou o PIX e os serviços digitais oferecidos pelo governo brasileiro como exemplos de soluções que podem servir de inspiração para a modernização das relações comerciais.

“Nossa esperança é que ele [o esforço de repensar a parceria bilateral] resulte em iniciativas e projetos concretos que reflitam nossa ambição comum e inaugurem novos horizontes que valorizem todas as contribuições e capacidades que possuímos”, afirmou.

Ciência e qualificação profissional

O embaixador também ressaltou a importância de ampliar a cooperação científica e a formação de talentos. Entre os desafios está a preparação de profissionais para lidar com os efeitos da inteligência artificial sobre os negócios e para ajudar a criar condições mais favoráveis à atração de investimentos.

O Fórum Econômico Brasil-Países Árabes conta com patrocínio de FAMBRAS Halal, International Halal Academy, Vale, DP World, CDIAL Halal, First Abu Dhabi Bank, MBRF, Qatar Airways e MZAH Investment.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

Ler Mais
Tecnologia

China inaugura primeiro data center subaquático movido a energia eólica

Xangai deu um passo histórico na integração entre tecnologia da informação e energia renovável com a conclusão do primeiro data center subaquático do mundo alimentado por energia eólica. O projeto foi finalizado nesta terça-feira (21) na Área Especial de Lin-gang, na Zona Piloto de Livre Comércio de Xangai, e recebeu um investimento de 1,6 bilhão de yuans (aproximadamente US$ 226 milhões). Com capacidade de 24 megawatts, o centro promete maior eficiência energética e menor impacto ambiental.

Inovação em computação sustentável

Desenvolvido pela Shanghai Hicloud Technology e pelo Shenergy Group, em parceria com a China Telecom, a INESA e a Third Harbor Engineering da China Communications Construction Company, o projeto utiliza mais de 95% de eletricidade proveniente de fontes renováveis. Segundo Su Yang, gerente-geral da Shanghai Hicloud Technology, o sistema subaquático consegue reduzir o consumo de energia em 22,8%. O comitê administrativo de Lin-gang ressalta que o centro funciona como modelo de desenvolvimento de baixo carbono para o setor de TI, integrando infraestrutura tecnológica com energia limpa offshore.

Conservação de água e uso eficiente do espaço

O novo data center elimina a necessidade de água doce e aproveita a água do mar como sistema natural de resfriamento. Essa estratégia reduz o consumo energético com refrigeração de até 50% em centros convencionais para menos de 10%. Além disso, diminui em mais de 90% a ocupação de espaço terrestre. A primeira fase do projeto já está concluída, atingindo um PUE (Power Usage Effectiveness) inferior a 1,15, índice considerado avançado na indústria. Para efeito de comparação, as metas do governo chinês exigem que todos os novos ou reformados data centers grandes e mega operem com PUE abaixo de 1,25 até o final de 2025.

Estratégia de Xangai para a indústria de computação

O projeto também fortalece a estratégia de Xangai de expandir a computação inteligente. Em março de 2025, o governo municipal anunciou investimento de mais de 200 bilhões de yuans até 2027, com capacidade estimada de 200 EFLOPS. A expansão inclui novos clusters de computação em Lin-gang, fortalecendo o setor de computação em nuvem. Wu Xiaohua, secretário adjunto do comitê do Partido da Área Especial de Lin-gang, afirma que a iniciativa integra economia digital, energia renovável e economia marítima, reforçando o objetivo de Xangai de se tornar um centro global de inovação tecnológica.

Potencial da energia eólica offshore

Huang Dinan, presidente do Shenergy Group, destacou que o Mar da China Oriental possui mais de 3.000 horas anuais de operação para geração de energia eólica, garantindo eletricidade limpa e estável para a cidade e seus setores produtivos. A integração entre energia eólica offshore e data centers submarinos permite uso coordenado de recursos de geração, rede e carga, atendendo à demanda crescente por energia renovável no setor de TI. Durante a cerimônia, as empresas firmaram acordo para desenvolver um novo data center offshore com capacidade de 500 megawatts. Wang Shifeng, presidente da Third Harbor Engineering, observou que a expansão de centros subaquáticos dependerá de avanços tecnológicos e redução de custos operacionais.

Avanço da rede nacional de computação sustentável

O projeto reforça a estratégia chinesa de criar uma rede de computação de baixo carbono. Desde 2022, a iniciativa “Dados do Leste, Computação do Oeste” visa distribuir o processamento de dados entre regiões mais desenvolvidas do leste e áreas do interior, aproveitando menores custos energéticos e maior disponibilidade de espaço.

FONTE: Exame
TEXTO: Redação
IMAGEM: Getty Images

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook