Comércio

Mercosul e Emirados Árabes avançam em nova rodada de negociações para acordo de livre comércio

As delegações do Mercosul e dos Emirados Árabes Unidos se reuníram em Brasília, entre os dias 4 e 7 de novembro, para a quarta rodada de negociações do acordo de livre comércio entre o bloco sul-americano e o país árabe. O encontro aconteceu no Itamaraty e envolveu representantes de Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e dos EAU, com grupos técnicos discutindo temas como comércio de bens, regras de origem, serviços, questões institucionais e jurídicas.

Acordo pode ser concluído ainda em 2025

As negociações, iniciadas em 2024, têm avançado de forma significativa e, segundo fontes ouvidas pelo CNN Money, há expectativa de conclusão do acordo ainda neste ano. As divergências entre as partes diminuíram e se concentram em poucas questões específicas, o que alimenta o otimismo sobre um desfecho próximo.

O principal ponto em debate é a redução a zero das tarifas de importação cobradas pelo Mercosul sobre cerca de 20 produtos petroquímicos. A medida é um pedido dos Emirados Árabes, grandes produtores de petróleo e derivados, mas enfrenta resistência por parte da indústria brasileira, que busca proteger-se da concorrência externa nesse segmento sensível.

Comércio entre Brasil e Emirados Árabes segue em alta

Em 2024, a corrente comercial entre o Brasil e os Emirados Árabes Unidos alcançou US$ 5,4 bilhões, com superávit de US$ 3,6 bilhões para o lado brasileiro, segundo dados do governo federal.

Os principais produtos exportados pelo Brasil para o país árabe são carne de frango, carne bovina e açúcar. Já as importações vindas dos Emirados incluem petróleo, ureia, enxofre e peças aeronáuticas.

Relação estratégica e investimentos crescentes

Além do comércio em expansão, Brasil e Emirados Árabes têm fortalecido uma parceria estratégica baseada na confiança e cooperação bilateral. O diálogo diplomático vem se ampliando em diferentes áreas, incluindo energia, infraestrutura, defesa e inovação.

O fluxo de investimentos dos Emirados no Brasil também cresce rapidamente. Grupos como Mubadala, Abu Dhabi Investment Group (ADIG), Edge Group e DP World têm ampliado sua presença no país, atuando em setores como logística, portos, aviação e energia renovável.

Especialistas avaliam que o acordo Mercosul–Emirados Árabes Unidos pode consolidar o Brasil como porta de entrada comercial dos árabes na América do Sul, além de ampliar as oportunidades de exportação e investimento mútuo.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Ricardo Stuckert/PR

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Exportação

Exportações do Brasil sobem apesar de queda de 38% nas vendas aos EUA

As exportações brasileiras cresceram mais do que o esperado em outubro, mesmo com uma queda de 37,8% nos embarques para os Estados Unidos, levando alguns economistas a considerarem revisar para cima suas projeções de superávit comercial para 2025.

Os embarques para a China têm sustentado o desempenho das exportações nos últimos meses, embora as perspectivas para 2026 permaneçam incertas devido às negociações tarifárias em andamento entre China e EUA.

O superávit comercial do Brasil atingiu US$ 7 bilhões em outubro, ante US$ 4,1 bilhões no mesmo mês do ano anterior, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). As exportações somaram US$ 32 bilhões, alta de 9,1%, enquanto as importações caíram 0,8%, para US$ 25 bilhões.

No acumulado do ano, o superávit comercial está em US$ 52,4 bilhões. As exportações entre janeiro e outubro chegaram a US$ 289,7 bilhões, aumento de 1,9% em relação ao mesmo período de 2024. As importações totalizaram US$ 237,3 bilhões, alta de 7,1%. O volume total de comércio atingiu US$ 527,7 bilhões.

“Surpresa positiva”

“Prevíamos um superávit de US$ 6,1 bilhões em outubro, então o resultado foi uma surpresa positiva”, disse André Valério, economista do Banco Inter. Ele observou que esse desempenho pode levar a uma revisão da estimativa de superávit comercial do banco para 2025, atualmente em US$ 61 bilhões. Agora, um superávit mais próximo de US$ 63 bilhões é possível.

Lucas Barbosa, economista da AZ Quest, destacou o forte volume exportado. Dados da Secex mostram que o volume das exportações subiu 3,4% em relação ao mês anterior. “Isso levou o volume dessazonalizado ao nível mais alto da série histórica desde janeiro de 2006. É um recorde, apesar das barreiras comerciais globais deste ano, incluindo restrições sanitárias às aves, problemas na safra de café e tarifas dos EUA”, afirmou.

Valério classificou o cenário de exportações em 2025 como “um pouco atípico” devido às tarifas americanas e seus efeitos. “Houve outra queda acentuada nas exportações para os EUA, enquanto a China continua comprando fortemente, absorvendo boa parte da oferta excedente atual”, disse. O açúcar é um exemplo: os embarques para os EUA diminuíram, enquanto a China absorveu a maior parte da produção.

Segundo José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), a surpresa nas exportações de outubro veio principalmente da China. As exportações para o país cresceram 33,4% em relação a outubro de 2024, impulsionadas por soja (+74,9%), minério de ferro (+27,7%), petróleo bruto (+46,9%) e carne bovina (+43,6%). A participação da China nas exportações totais do Brasil passou de 23,6% em outubro de 2024 para 28,8% em outubro de 2025.

Castro observou que a carne bovina é um dos produtos afetados pelas tarifas dos EUA, mas tem sido redirecionada para a China e novos mercados.

Comércio EUA-China

Valério disse que a frágil trégua comercial entre EUA e China é motivo de preocupação. “A China está se comprometendo a comprar mais soja dos EUA, o que pode afetar nosso desempenho. As exportações de soja neste ano estão excepcionalmente altas”, afirmou.

Ele lembrou, contudo, que uma situação semelhante em 2018 ajudou o Brasil a ganhar participação no mercado chinês, mesmo após a normalização das relações. “Podemos ver outro ganho de mercado, mesmo que a China retome as compras dos EUA”, acrescentou.

Herlon Brandão, diretor de estatísticas e estudos de comércio do MDIC, apontou que as exportações para os EUA têm caído em ritmo acelerado: queda de 16,5% em agosto, 20,3% em setembro e 37,9% em outubro, na comparação anual.

Brandão ressaltou que essa queda não se deve apenas às tarifas. Mesmo produtos que ainda têm tarifa zero registraram retração nas exportações, o que pode indicar uma demanda mais fraca dos EUA. Ele citou como exemplos combustíveis, celulose e ferro-gusa.

Ele afirmou que ainda é cedo para confirmar uma ampla reorientação das exportações brasileiras, embora algumas commodities possam encontrar novos compradores com mais facilidade. Já os bens industriais, como máquinas e equipamentos, enfrentariam maiores dificuldades.

Apoio da Argentina

Valério também destacou o papel da Argentina no comércio brasileiro. As exportações para o país vizinho desaceleraram em outubro, mas continuam fortes, principalmente devido aos embarques de veículos. Ele alertou que 2026 traz novas incertezas. “Há pouco otimismo por causa dos desafios estruturais da Argentina. Grande parte do comércio atual é sustentada pelo peso artificialmente valorizado mantido pelas bandas cambiais do presidente Javier Milei”, disse.

Castro compartilha dessa preocupação, projetando um superávit comercial do Brasil com a Argentina de cerca de US$ 4 bilhões em 2025, mas espera que ele caia para perto de zero em 2026.

Dados da Secex mostram que as exportações para a Argentina subiram 5,8% em outubro e acumulam alta de 41,4% no ano.

Quanto às importações, Valério observou que, excluindo plataformas de petróleo, os números apontam desaceleração. “O crescimento das importações está diminuindo, especialmente do setor industrial, que nos últimos anos impulsionou as compras externas, principalmente de bens de capital. Ainda assim, as importações permanecem robustas, em US$ 25 bilhões por mês, um nível elevado.”

Ele também destacou uma queda de 43% nas importações da Rússia em outubro, devido à redução nos embarques de diesel e fertilizantes. No acumulado do ano, as importações da Rússia caíram 13,1%.

Barbosa, da AZ Quest, afirmou que, com a recente melhora nos preços das commodities, o Brasil poderá manter ou aumentar ligeiramente seus níveis de exportação no próximo ano. “Se a atividade econômica interna desacelerar e reduzir a demanda por importações, o saldo comercial poderá melhorar entre 2025 e 2026.”

A AZ Quest projeta um superávit comercial de US$ 60 bilhões a US$ 65 bilhões em 2025, embora Barbosa observe que as fortes importações no início do ano limitaram o saldo. Para 2026, ele espera que o superávit suba para cerca de US$ 70 bilhões, impulsionado por uma esperada desaceleração das importações e pela continuidade da força nas exportações.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Rogerio Vieira/Valor

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Comércio Exterior

Brasil bate recorde de exportações e importações em 2025, aponta MDIC

O Brasil registrou um desempenho histórico em sua balança comercial em 2025, com recordes nas exportações, importações e corrente de comércio, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (6) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

No mês de outubro, as exportações somaram US$ 31,97 bilhões, enquanto as importações ficaram em US$ 25,01 bilhões, resultando em um superávit de US$ 6,96 bilhões e uma corrente de comércio de US$ 56,98 bilhões. No acumulado de janeiro a outubro, as exportações chegaram a US$ 289,73 bilhões e as importações a US$ 237,33 bilhões, com saldo positivo de US$ 52,4 bilhões e corrente de comércio total de US$ 527,07 bilhões — o maior volume já registrado para o período.

Exportações crescem, importações recuam levemente

As exportações brasileiras cresceram 9,1% em outubro de 2025 em comparação com o mesmo mês de 2024, quando totalizaram US$ 29,3 bilhões. Já as importações caíram 0,8%, passando de US$ 25,21 bilhões em outubro de 2024 para US$ 25 bilhões neste ano.

Com isso, a corrente de comércio de outubro atingiu US$ 56,99 bilhões, um avanço de 4,5% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Desempenho por setor exportador

Todos os setores exportadores apresentaram crescimento em outubro. A indústria extrativa liderou o avanço, com alta de US$ 1,39 bilhão (22%). Em seguida vieram a agropecuária, que subiu US$ 1,18 bilhão (21%), e a indústria de transformação, com aumento de US$ 130 milhões (0,7%).

No acumulado do ano, a agropecuária cresceu 3,6% (US$ 2,33 bilhões), a indústria de transformação teve alta de 3,2% (US$ 4,89 bilhões), enquanto a indústria extrativa recuou 2,9% (US$ 1,97 bilhão) em relação a 2024.

Importações também crescem no ano

Nas importações, o desempenho de outubro mostrou alta de 3,5% na agropecuária e 1% na indústria de transformação, enquanto a indústria extrativa teve queda de 30,1%.

No acumulado do ano, as compras externas da indústria de transformação avançaram 9,3% (US$ 18,73 bilhões), as da agropecuária aumentaram 8,1% (US$ 390 milhões), e as da indústria extrativa caíram 23% (US$ 3,28 bilhões).

Comércio exterior em alta

O MDIC destaca que os números reforçam a força do comércio exterior brasileiro e indicam uma tendência de diversificação da pauta exportadora, com maior presença de produtos industrializados e commodities agrícolas. O resultado também reflete o bom momento das relações comerciais com a Ásia, Europa e Mercosul.

FONTE: Veja
TEXTO: Redação
IMAGEM: Ivan Pacheco/VEJA

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Economia

Manutenção da Selic em 15% preocupa indústria e comércio

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) de manter a taxa Selic em 15% ao ano provocou críticas de representantes da indústria, do comércio, da construção civil e do movimento sindical. Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a taxa elevada freia a atividade econômica e coloca o Brasil em desvantagem frente a países que já reduziram juros.

Setor industrial alerta para impactos no crédito

Em nota, o presidente da CNI, Ricardo Alban, disse que a política monetária “excessivamente contracionista” prejudica a economia. “A Selic tem freado a economia além do necessário, mesmo com a inflação em queda. O custo elevado ameaça o mercado de trabalho e o bem-estar da população”, afirmou.

Pesquisa inédita da entidade mostra que 80% das indústrias apontam os juros como principal obstáculo ao crédito de curto prazo, enquanto 71% consideram a taxa um entrave ao financiamento de longo prazo.

Construção civil sente efeitos do ciclo prolongado de juros altos

O setor da construção também manifestou preocupação. Para o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Renato Correia, juros altos encarecem o crédito imobiliário e dificultam novos projetos. “A construção é sensível ao custo do crédito e à confiança do consumidor. Uma Selic de 15% torna muitos empreendimentos inviáveis”, disse.

A CBIC reduziu sua projeção de crescimento do setor em 2025 de 2,3% para 1,3%, citando impactos do ciclo prolongado de juros elevados.

Sindicatos alertam para impactos fiscais e sociais

As centrais sindicais também criticaram a decisão. A Contraf-CUT afirma que cada ponto percentual da Selic aumenta em cerca de R$ 50 bilhões os gastos públicos com juros da dívida. “Quase R$ 1 trilhão poderiam ser investidos em saúde, educação e infraestrutura”, afirmou Juvandia Moreira, presidenta da Contraf-CUT.

A Força Sindical classificou a política como “era dos juros extorsivos”, destacando que compromete o consumo e a renda das famílias.

Setor de supermercados e consumo sob pressão

Segundo a Associação Paulista de Supermercados (APAS), o Brasil está na contramão do mundo, mantendo a segunda maior taxa real de juros global. O economista-chefe da entidade, Felipe Queiroz, apontou que o cenário prejudica investimentos, consumo das famílias e o desenvolvimento econômico.

Cautela monetária do Banco Central

A Associação Comercial de São Paulo (ACSP) pondera que a manutenção da Selic reflete a necessidade de política monetária cautelosa, diante de inflação acima da meta, expansão fiscal, resiliência do mercado de trabalho e incertezas externas. “Esse contexto justifica uma postura prudente do Banco Central”, disse o economista Ulisses Ruiz de Gamboa.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Tânia Rêgo/Agência Brasil

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Exportação

A recuperação da Argentina impulsiona exportações e turismo do Brasil

A recuperação econômica da Argentina trouxe um impulso à economia brasileira neste ano, com um aumento expressivo nas exportações de bens e um salto no turismo argentino. No primeiro semestre de 2025, as exportações brasileiras para a Argentina atingiram o equivalente a 0,8% do PIB do Brasil, ante 0,5% no mesmo período de 2024.

Dados do governo brasileiro mostram que esse crescimento continuou no terceiro trimestre. De julho a setembro, as exportações para a Argentina subiram 34,6%, em comparação com um aumento de 4,7% nas exportações totais do Brasil.

Francisco Pessoa Faria, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), calculou que o turismo argentino no Brasil acrescentou o equivalente a 0,2% do PIB brasileiro no primeiro semestre do ano, ante 0,08% no mesmo período do ano passado.

No total, as exportações de serviços para a Argentina cresceram de 0,12% do PIB no início de 2024 para 0,25% no primeiro semestre de 2025, segundo dados da agência de estatísticas oficial da Argentina, o INDEC.

Gastos com viagens quase dobram

De janeiro a junho, o Brasil exportou US$ 2,69 bilhões em serviços para a Argentina — o dobro dos US$ 1,33 bilhão do mesmo período de 2024. O principal motor foi o gasto de turistas argentinos no Brasil, que totalizou US$ 2,14 bilhões, ante US$ 918 milhões um ano antes.

Em contrapartida, as importações brasileiras de serviços caíram 11,9% em 2025, para US$ 869,7 milhões. Isso resultou em um superávit de US$ 1,82 bilhão na balança de serviços do Brasil, muito superior aos US$ 337,3 milhões registrados no primeiro semestre de 2024.

Economistas afirmam que essa retomada tem sido positiva para o Brasil, embora haja incerteza sobre sua duração. Apesar de um swap cambial de US$ 20 bilhões para apoiar a Argentina e dos bons resultados nas eleições de meio de mandato de 26 de outubro, o presidente Javier Milei deve implementar medidas que podem pesar sobre a economia argentina.

O impulso econômico sob Milei tem aumentado a demanda por produtos brasileiros, afirmou Gustavo Pérego, sócio da consultoria argentina Abeceb. “No ano passado, a Argentina passou por um processo de reestruturação econômica. Houve uma forte queda na primeira metade do ano, seguida de recuperação na segunda.”

Vendas de automóveis impulsionam superávit comercial

Automóveis e autopeças são os principais produtos exportados do Brasil para a Argentina, disse Pérego. O aumento se deveu aos controles cambiais do governo anterior, que restringiram o acesso de importadores a dólares, reduzindo a oferta de carros no mercado local.

Para resolver isso, o governo argentino implementou em 2024 medidas para quitar dívidas com importadores e melhorar o poder de compra dos consumidores. “Quando a situação se normalizou, a demanda por carros e motocicletas disparou”, afirmou Pérego. “E grande parte desses veículos é fabricada no Brasil.”

De janeiro a setembro, o Brasil exportou US$ 14,2 bilhões em bens para a Argentina — um aumento de 47,2% em relação ao mesmo período de 2024 —, enquanto as importações de produtos argentinos caíram 1,8%, para US$ 9,5 bilhões, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex). O superávit comercial virou a favor do Brasil, chegando a US$ 4,7 bilhões, ante um déficit de US$ 50,5 milhões em 2024.

Produtos manufaturados do setor de transporte dominam as exportações brasileiras para o parceiro do Mercosul. Veículos de passeio responderam por 21,9% do total exportado à Argentina, somando US$ 3,1 bilhões nos nove primeiros meses do ano — mais que o dobro dos US$ 1,4 bilhão de 2024. Autopeças representaram 9,7%, veículos comerciais leves 6,4% e veículos rodoviários 5,5%.

Pérego prevê que o PIB argentino cresça 4% neste ano, após uma contração de 1,7% em 2024. “Isso estimula a demanda por carros, o que, por sua vez, impulsiona as exportações brasileiras.” Uma pesquisa de mercado do Banco Central da Argentina, o relatório REM (equivalente ao Focus brasileiro), projeta crescimento de 3,9% do PIB em 2025.

No entanto, ele alertou que as exportações de automóveis brasileiros para a Argentina dificilmente manterão o mesmo ritmo de expansão. “Havia uma demanda reprimida, então as vendas dispararam entre o fim de 2024 e este ano. Isso deve se normalizar.”

Concorrência dos elétricos chineses

Pérego também destacou a concorrência dos veículos elétricos chineses, que a Argentina atualmente importa com isenção de impostos sob um programa que permite a entrada de 50 mil veículos neste ano e mais 50 mil em 2026. O país pode ter até 200 mil veículos elétricos em circulação em três ou quatro anos, disse ele.

A economia argentina deve desacelerar em 2026, com crescimento previsto de 3%, um ponto percentual abaixo de 2025.

Faria, da FGV Ibre, afirmou que as mudanças na demanda argentina têm grande impacto na indústria automotiva brasileira. Nos 12 meses encerrados em junho de 2025, a Argentina respondeu por 8,6% das exportações totais de manufaturados do Brasil e 48,4% das exportações de veículos automotores, reboques e carrocerias.

Ariane Benedito, economista-chefe da fintech PicPay, projetou crescimento de até 5,5% do PIB argentino neste ano. “É uma recuperação significativa, mas a economia argentina continua vulnerável”, afirmou. A volatilidade cambial é uma preocupação central, dependendo de como Milei implementará seu plano econômico. A inflação também preocupa, impulsionada pelo forte consumo. “O cenário base depende de quanto a terapia de choque de Milei vai custar em termos de desaceleração econômica.”

Ela também apontou uma provável desaceleração global em 2026, o que afetaria o Brasil. O PicPay projeta crescimento de 1,7% do PIB brasileiro em 2026, ante 2,2% neste ano.

Ainda assim, Benedito disse que a posição geográfica do Brasil lhe dá vantagem no fornecimento de produtos automotivos à Argentina. Essa relação comercial ajudou o Brasil a evitar queda no volume e no valor das exportações em 2025, apesar das novas tarifas dos EUA.

Turismo argentino

Faria também destacou o impulso do turismo argentino. De janeiro a setembro, 2,79 milhões de argentinos visitaram o Brasil, ante 1,47 milhão no mesmo período do ano passado, segundo a Embratur. Os argentinos agora representam 39% de todos os turistas estrangeiros no país, contra 30% em 2024.

“O fluxo de turistas argentinos em 2025 foi impulsionado pelo câmbio”, disse Faria. Em abril, a Argentina substituiu seus rígidos controles cambiais — em vigor desde o fim de 2019 — por uma banda de câmbio flutuante administrada entre 1.000 e 1.400 pesos por dólar, ampliada em 1% ao mês. Também foram retiradas as restrições à compra de dólares.

Historicamente, a Argentina é um mercado emissor forte quando sua moeda está relativamente estável, e o Brasil é o destino de praia mais próximo, observou Pérego. “Foi assim no último verão e provavelmente será novamente no próximo. Os argentinos são atraídos ao Brasil por dois motivos: praias quentes e custos mais baixos. Um feriado de 10 ou 15 dias na praia na Argentina pode sair mais caro do que no sul do Brasil”, disse ele, especialmente para quem viaja de carro ao Rio Grande do Sul ou Santa Catarina.

No entanto, Pérego observou que o Brasil ficou mais caro para os argentinos ao longo de 2025 devido à valorização do real. A cotação do dólar caiu para R$ 5,38 em 31 de outubro, ante R$ 6,19 no fim de dezembro de 2024, segundo o Banco Central.

Roberto Dumas Damas, professor do Insper, alertou que, apesar dos ganhos eleitorais de Milei, a Argentina ainda enfrenta alta dívida externa e baixas reservas. “A eleição dá mais tempo a Milei, mas o país ainda precisa de reformas”, disse.

“O único caminho real é algo semelhante ao que o Brasil fez em janeiro de 1999: deixar a moeda flutuar, elevar fortemente os juros, definir uma meta de inflação e aprovar uma lei que garanta plena independência ao Banco Central da Argentina.”

FONTE: Valor Econômico
IMAGEM: Rogerio Vieira/Valor

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Economia

Bolsa brasileira dispara e marca novo recorde histórico

Ibovespa atinge 150 mil pontos e vive melhor momento em mais de uma década.

A Bolsa de Valores brasileira segue em forte alta e alcançou, nesta segunda-feira (3), a marca inédita de 150 mil pontos no Ibovespa, acumulando valorização superior a 20% em 2025. O desempenho contrasta com o fim turbulento de 2024, quando o índice caiu 9,35% e encerrou o ano em 118 mil pontos, pressionado pela crise fiscal e pela desconfiança em relação aos ativos brasileiros. Naquele período, o dólar chegou à máxima de R$ 6,20.

Mudança no cenário global impulsiona emergentes

A virada começou com a posse de Donald Trump na presidência dos Estados Unidos. A nova política tarifária americana aumentou a cautela de investidores sobre a estabilidade econômica dos EUA — tradicionalmente vistos como porto seguro — e provocou uma migração de recursos para mercados emergentes e ativos alternativos, como o ouro.

Com isso, diversas bolsas de países em desenvolvimento também avançaram: o S&P/BMV IPC (México) subiu 25%, enquanto os chineses CSI 1000 e Shanghai Composite cresceram 30% e 22%, respectivamente. Já o MSCI COLCAP (Colômbia) e o S&P CLX IPSA (Chile) dispararam 42% cada.

“O movimento de diversificação geográfica trouxe uma enxurrada de liquidez para as bolsas emergentes”, explica Matheus Amaral, especialista em renda variável do Inter. Segundo ele, mercados menos consolidados reagem de forma mais intensa à entrada de capital estrangeiro.

Dólar enfraquecido e juros altos favorecem emergentes

A incerteza sobre a política econômica de Trump também contribuiu para o enfraquecimento global do dólar, o que, aliado a juros reais mais elevados, levou os mercados emergentes a viver “seu melhor momento em mais de uma década”, segundo Leonardo Terroso, analista da AMW, ligada à Warren Investimentos.

Outro fator de impulso é a desconfiança crescente em relação à bolha de inteligência artificial nos Estados Unidos. Muitos investidores têm buscado proteção e diversificação fora de Wall Street. Além disso, o início do ciclo de cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed) tem redirecionado recursos da renda fixa americana para outros mercados.

Brasil se beneficia de fatores internos e externos

O Brasil tem se destacado entre os emergentes, não apenas pela liquidez global, mas também por avanços domésticos. Entre eles, a recente reunião entre Trump e o presidente Lula, realizada na Malásia, que abriu diálogo sobre as tarifas de 50% impostas a produtos brasileiros. Apesar da falta de acordos concretos, o gesto foi interpretado como sinal positivo para o clima político e comercial, fortalecendo o real e o otimismo na Bolsa.

A queda projetada da Selic também reforça o apetite por renda variável. Hoje em 15%, a taxa deve começar a recuar no início de 2026, conforme as expectativas de inflação convergem para o teto da meta do Banco Central (3% ao ano). O último Boletim Focus prevê o IPCA em 4,56% para 2025 e Selic em 12,25% para 2026.

Ibovespa ainda é considerado “barato”

Mesmo em 150 mil pontos, analistas afirmam que a Bolsa brasileira segue subavaliada. O múltiplo preço/lucro do Ibovespa está em 8,5 vezes, abaixo da média histórica de 11 vezes e do “valor justo” estimado pela XP Investimentos, de 10 vezes.

Para efeito de comparação, o S&P 500 americano negocia a 23 vezes lucro. A XP projeta o Ibovespa em 170 mil pontos em 2026, caso o cenário macroeconômico se mantenha estável.

“O investidor local ainda está mais voltado à renda fixa, mas, com a queda dos juros, tende a voltar para a Bolsa”, diz Felipe Miranda, CEO da Empiricus. Ele ressalta que o investidor brasileiro hoje prefere CDI, CRIs, LCIs, LCAs e debêntures, mas essa tendência deve mudar conforme o retorno da renda variável se torne mais atrativo.

Risco fiscal e eleições podem limitar ganhos

Apesar do otimismo, persiste o temor de uma crise fiscal a partir de 2027. “O Brasil cresce, o desemprego está baixo e a inflação sob controle, mas o modelo de crescimento baseado em dívida preocupa”, avalia Miranda. Para ele, o mercado vive um momento semelhante ao de 2013-2014, que precedeu a crise de 2015-2016.

A expectativa é que o Ibovespa siga em alta até o primeiro trimestre de 2026, quando as eleições passam a influenciar o humor dos investidores. Três cenários estão no radar:

  1. Governo de centro-direita, reformista e fiscalista, o mais favorável ao mercado;
  2. Reeleição de Lula, com postura semelhante à de Simone Tebet, disposta a promover ajuste fiscal;
  3. Manutenção da política econômica atual, considerada expansionista, o que poderia aumentar o risco Brasil.

“Se Lula sinalizar compromisso com o equilíbrio fiscal, a Bolsa continuará subindo. O mercado não é personalista: ele reage à política econômica”, conclui Miranda.

FONTE: Com informações da Folha de S.Paulo e mercado financeiro.
TEXTO: Redação

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Comércio Internacional

Brasil e China ampliam parceria técnica em defesa comercial e monitoramento de comércio bilateral

O Brasil e a China reforçaram nesta terça-feira (28/10) a cooperação técnica em defesa comercial e no monitoramento de fluxos bilaterais. A reunião ocorreu em Brasília, no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), e reuniu representantes do governo brasileiro e da delegação do Ministério do Comércio da China.

O encontro faz parte do Mecanismo de Cooperação em Matéria de Defesa Comercial, vinculado à Subcomissão Econômico-Comercial da COSBAN — a Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação, principal fórum de diálogo entre os dois países.

Diálogo técnico e fortalecimento da confiança mútua

A secretária de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres, destacou a importância estratégica do diálogo contínuo entre as duas nações.

“O intercâmbio técnico entre Brasil e China é essencial para fortalecer a confiança mútua e garantir previsibilidade nas relações comerciais”, afirmou. “Em um cenário global em transformação, o monitoramento conjunto e o diálogo transparente ajudam a antecipar tendências e promover soluções vantajosas para ambos os lados.”

Durante as discussões, foram abordados temas como o monitoramento de desvios de comércio, a publicação de estatísticas oficiais e métodos de identificação de exportações via trading companies. Também foram debatidos aspectos do sistema de IVA chinês, que influencia diretamente a competitividade e a segurança jurídica das operações comerciais.

Salvaguarda sobre carne bovina e impacto para o Brasil

Um dos principais pontos do encontro foi a investigação de salvaguarda chinesa sobre carne bovina, em andamento e com conclusão prevista para novembro de 2025. O Brasil enfatizou a relevância do tema, já que o produto é um dos pilares da pauta exportadora brasileira e símbolo da complementaridade econômica sino-brasileira.

Avanços em defesa comercial e recordes históricos

As delegações também compartilharam atualizações institucionais e práticas de investigações de defesa comercial, reforçando o compromisso de ambos os governos com um comércio justo e alinhado às normas internacionais.

O Brasil figura entre os maiores usuários de instrumentos de defesa comercial do mundo, com destaque para medidas antidumping. Em 2024, o país atingiu recordes: 71 investigações iniciadas, 106 petições recebidas, 14 direitos provisórios aplicados e 23 processos concluídos. Já em 2025, foi aberta a maior investigação da história, envolvendo 25 NCMs do setor siderúrgico.

Essas ações são consideradas essenciais para proteger a indústria nacional de práticas desleais e garantir condições equitativas de concorrência no mercado global.

Comércio bilateral em patamar histórico

A COSBAN, instância de mais alto nível de cooperação entre Brasil e China, é presidida pelos vice-presidentes dos dois países e reúne onze subcomissões temáticas, entre elas a Econômico-Comercial e de Cooperação.

Em 2024, o comércio bilateral atingiu um marco histórico de US$ 158 bilhões, consolidando a China como principal parceiro comercial do Brasil pelo 16º ano consecutivo.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MDIC

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Comércio Exterior

BNDES já liberou R$ 5,3 bilhões pelo Plano Brasil Soberano para empresas afetadas por tarifas dos EUA

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou nesta quinta-feira, 23 de outubro, que já aprovou R$ 5,3 bilhões em crédito por meio do Plano Brasil Soberano, criado para amparar empresas brasileiras afetadas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos.

De acordo com o banco, 371 operações de crédito já foram realizadas. Do total, R$ 2,86 bilhões foram destinados à linha Capital de Giro, voltada a despesas operacionais; R$ 2,39 bilhões para a linha Giro Diversificação, que incentiva a busca de novos mercados; e R$ 52,46 milhões para a linha Bens de Capital, voltada à modernização produtiva.

Indústria lidera aprovações de crédito

As empresas da indústria de transformação foram as principais beneficiadas, com R$ 4,38 bilhões em financiamentos aprovados. Em seguida aparecem os setores de comércio e serviços (R$ 468 milhões), agropecuária (R$ 336 milhões) e indústria extrativa (R$ 127 milhões).

Até o momento, 470 solicitações de crédito foram protocoladas, somando R$ 8,27 bilhões, dentro de uma demanda estimada de R$ 14,5 bilhões, segundo levantamento feito pelo BNDES em parceria com instituições financeiras credenciadas.

Apoio à economia e manutenção de empregos

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou que o objetivo central do programa é preservar empregos e impulsionar o desenvolvimento de novos mercados de exportação.

“O BNDES mantém o compromisso de apoiar as empresas brasileiras impactadas pelo tarifaço. A determinação do presidente Lula é proteger os empregos e fortalecer a capacidade produtiva nacional”, afirmou.

O que é o Plano Brasil Soberano

O Plano Brasil Soberano foi criado pelo governo federal para reduzir os impactos econômicos da elevação unilateral das tarifas de importação dos EUA, que chegaram a até 50% sobre produtos brasileiros.

A iniciativa está estruturada em três eixos principais:

  • Fortalecimento do setor produtivo;
  • Proteção aos trabalhadores;
  • Diplomacia comercial e multilateralismo, voltada à defesa dos interesses brasileiros no cenário internacional.

FONTE: Agência Gov
TEXTO: Redação
IMAGEM: Getty Images/Via Secom-PR

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Economia

Brasil e Indonésia fortalecem parceria econômica e avançam em acordo de preferências tarifárias.

Cooperação Brasil–Indonésia ganha novo impulso em fórum empresarial

O secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, representou o vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin no Fórum Empresarial Brasil–Indonésia, realizado nesta quinta-feira (23) em Jacarta. O evento integrou a missão presidencial brasileira ao Sudeste Asiático, liderada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que destacou o papel do Brasil como potência econômica e líder na transição energética global.


Brasil oferece ambiente seguro e previsível para investidores

Durante o Painel Ministerial, Márcio Elias ressaltou o momento favorável da economia brasileira, marcado por estabilidade, previsibilidade e segurança jurídica, fatores que consolidam o país como destino estratégico para investimentos estrangeiros.

“Investir no Brasil hoje é uma decisão segura e estratégica. O governo do presidente Lula vem implementando reformas estruturantes e políticas industriais que criam uma base sólida para o desenvolvimento sustentável”, afirmou o secretário-executivo.


Avanço nas negociações entre Mercosul e Indonésia

Elias Rosa também anunciou avanços significativos nas negociações de um acordo de preferências tarifárias entre o Mercosul e a Indonésia, que deve ser debatido nas próximas semanas.

“Brasil e Indonésia compartilham sinergia e complementariedade econômica. Estamos próximos de um marco histórico que ampliará o comércio, gerará empregos e fortalecerá as cadeias produtivas regionais”, destacou.


Sustentabilidade e indústria verde no centro da cooperação

As políticas brasileiras de transição energética e descarbonização, como o RenovaBio e o Programa Mover, foram apresentadas como exemplos de inovação sustentável e indústria verde.

“O futuro da manufatura será definido pela sustentabilidade. Brasil e Indonésia podem liderar juntos essa transformação rumo a uma economia de baixo carbono”, completou o secretário.


Encontros com líderes empresariais e novos investimentos

Encerrando o dia, Márcio Elias reuniu-se com mais de 15 CEOs de grandes conglomerados indonésios para discutir oportunidades de negócios e investimentos bilaterais. O diálogo reforçou o crescente interesse da Indonésia em energia, infraestrutura, agronegócio e indústria verde, consolidando a missão presidencial como marco no fortalecimento das relações econômicas entre os países.


Contexto da visita e da parceria estratégica

A viagem do presidente Lula à Indonésia é a primeira de um chefe de Estado brasileiro desde 2008, quando foi criada a Parceria Estratégica Brasil–Indonésia. O encontro dá continuidade à visita de Prabowo Subianto ao Brasil, em julho de 2025, após sua participação na Cúpula do BRICS no Rio de Janeiro.

Na ocasião, os países reafirmaram o compromisso de ampliar a cooperação bilateral em comércio agrícola, bioenergia, segurança alimentar e sustentabilidade. Em 2023, o Plano de Ação Revitalizado da Parceria Estratégica (2023–2026) foi firmado pelo chanceler Mauro Vieira e o governo indonésio, com metas para fortalecer áreas como defesa, investimentos, turismo e meio ambiente.


Relações comerciais em ascensão

A Indonésia é o principal parceiro comercial do Brasil no Sudeste Asiático.
Em 2024, o intercâmbio comercial entre os dois países atingiu US$ 6,3 bilhões, com superávit brasileiro de US$ 2,6 bilhões. As exportações do Brasil foram lideradas por farelo de soja (US$ 1,66 bilhão) e açúcares (US$ 1,65 bilhão), cada um representando 37% da pauta.

O Brasil busca ampliar o acesso de produtos agropecuários ao mercado indonésio e aprofundar a cooperação em bioenergia e biocombustíveis, áreas de alta convergência tecnológica entre as duas economias.


Brasil e ASEAN: integração regional estratégica

A missão presidencial também inclui uma visita à Malásia, de 25 a 28 de outubro, para a 47ª Cúpula da ASEAN (Associação das Nações do Sudeste Asiático), em Kuala Lumpur.

A ASEAN é o quinto maior parceiro comercial do Brasil, responsável por 20% do superávit da balança comercial brasileira. O comércio entre o Brasil e o bloco saltou de US$ 3 bilhões em 2002 para US$ 37 bilhões em 2024, um crescimento de 12 vezes em pouco mais de duas décadas.

FONTE: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC)
TEXTO: Redação

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Exportação

Tarifaço dos EUA afeta exportações brasileiras: Nordeste lidera queda em volume e Sul perde mais em dólares

Dois meses após a entrada em vigor do tarifaço imposto pelos Estados Unidos, as exportações brasileiras continuam em queda, com efeitos desiguais entre as regiões do país. Um levantamento do Centro de Estudos para o Desenvolvimento do Nordeste (FGV IBRE) mostra que, enquanto o Nordeste registra as maiores reduções em volume exportado, os polos industriais do Sul e Sudeste concentram as maiores perdas financeiras.

Segundo o estudo, os impactos do ajuste tarifário norte-americano são persistentes e representam um risco estrutural para setores estratégicos da economia brasileira, podendo afetar a atividade industrial, o emprego e a arrecadação estadual.

Nordeste sofre as maiores quedas percentuais nas exportações

Entre os seis estados com pior desempenho percentual nas exportações para os EUA em setembro de 2025, quatro são do Nordeste. O Mato Grosso (-81%) e o Tocantins (-74,3%) lideram as perdas, seguidos por Alagoas (-71,3%), Piauí (-68,6%), Rio Grande do Norte (-65%) e Pernambuco (-64,8%).

De acordo com a FGV, a vulnerabilidade da região está relacionada à baixa diversificação da pauta exportadora, à maior presença de produtos tarifados e à logística irregular, com embarques concentrados em períodos específicos.

Sul e Sudeste acumulam as maiores perdas em valor

Embora o Nordeste tenha registrado as maiores quedas percentuais, o maior prejuízo em dólares ocorreu em estados do Sul e Sudeste. As perdas mais expressivas foram observadas em Minas Gerais (US$ 236 milhões), Santa Catarina (US$ 95,9 milhões), São Paulo (US$ 94 milhões), Rio Grande do Sul (US$ 88,8 milhões), Rio de Janeiro (US$ 88,8 milhões) e Paraná (US$ 82,4 milhões).

Nos polos industriais dessas regiões, as reduções — entre 50% e 56% — atingiram principalmente os setores de metalurgia, componentes industriais e bens intermediários. A FGV alerta que parte dessas perdas já apresenta caráter estrutural, e não apenas um efeito pontual de calendário, resultado da antecipação de embarques nos meses anteriores.

Produtos isentos ajudam a reduzir o impacto em alguns estados

Estados com uma pauta mais diversificada conseguiram amortecer os efeitos do tarifaço por meio da exportação de produtos isentos de tarifas. Em São Paulo, esses itens cresceram 14,2% no acumulado do ano, alcançando US$ 624,45 milhões. Na Bahia, o avanço foi ainda maior: 45,5%.

No entanto, em estados como Pernambuco (-95,8%) e Minas Gerais (-51,9%), até os produtos isentos apresentaram queda, o que agravou o resultado geral das exportações.

Adaptação e novos mercados surgem como resposta

Alguns estados começaram a reconfigurar suas pautas de exportação para se adaptar às novas condições comerciais. O Ceará registrou crescimento de 152,9% nas exportações totais, impulsionado por produtos como “outras pedras de cantaria trabalhadas”, enquanto Goiás teve aumento de 20,9%, inclusive em bens não isentos.

A pesquisa do FGV IBRE conclui que o tarifaço dos EUA marca um novo ciclo de ajustes logísticos e comerciais, com reprecificação de produtos e redirecionamento de pedidos internacionais. O estudo recomenda que governos e empresas brasileiras adotem estratégias de gestão de riscos e diversificação de mercados para enfrentar o cenário global de maior proteção tarifária.

FONTE: Times Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Unsplash

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