Economia

Reforma Tributária: Brasil pode registrar o maior IVA do planeta a partir de 2027

A projeção recente divulgada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) indicando uma alíquota de 11,3% para a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) gerou debates intensos sobre o futuro econômico do país. Somada às estimativas para o futuro Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), a carga tributária nacional pode posicionar o território brasileiro como detentor do maior IVA do mundo.

Como funcionará a transição do novo modelo fiscal?

Com o avanço da reforma tributária, a nova estrutura de impostos começará a substituir modelos antigos de forma gradual. A partir do próximo ano, a CBS entra em cena para unificar tributos federais como o PIS e a Cofins. Em etapas posteriores, o processo será completado com a chegada integral do IBS, unificando tributos municipais e estaduais.

A preocupação dos contribuintes surge da soma das projeções: enquanto a alíquota federal da CBS foi estimada em 11,3%, as previsões para o IBS estadual e municipal giram em torno de 19% a 20%. Juntos, esses percentuais podem resultar em um Imposto sobre Valor Agregado acumulado de até 31,3%.

Fatores econômicos e o impacto na carga tributária

Especialistas apontam que o patamar elevado reflete diretamente o cenário macroeconômico brasileiro. O avanço do déficit fiscal, o crescimento da relação entre dívida e PIB e a rigidez nas taxas de juros exercem pressão direta sobre a necessidade de arrecadação do Estado.

Especialistas ressaltam que o objetivo central da transição nunca foi reduzir a arrecadação, mas sim modernizar o sistema mantendo a receita dos entes federativos. Além disso, a ampla disponibilização de crédito tributário trazida pelo novo modelo não significa, necessariamente, uma diminuição no peso dos impostos pagos pelas empresas na etapa final de cálculo.

Experiências internacionais e oscilações do IVA

O cenário de ajustes não é exclusivo do Brasil. Histórico de países ao redor do globo demonstra que as alíquotas do IVA frequentemente flutuam conforme a saúde das contas públicas:

  • Hungria: Iniciou a cobrança com 25%, reduziu temporariamente para 20% e elevou o patamar para 27% em 2012, onde permanece até hoje.
  • China: Beneficiada por uma situação fiscal favorável, reduziu sua alíquota de 17% para 13% em 2016.
  • Canadá: Implementou um modelo de IVA dual em 1991, reduzindo a parcela federal de 7% para os atuais 5%.

Esses exemplos reforçam que a estabilização da economia nacional e o controle do endividamento público serão determinantes para definir se a alíquota brasileira se manterá no topo ou sofrerá ajustes nos próximos anos.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Carol Carquejeiro/Valor

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Economia

CNI reduz previsão de crescimento do PIB do Brasil em 2026 para 1,6%

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) revisou para baixo a estimativa de crescimento da economia brasileira em 2026. A projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) passou de 2% para 1,6%, conforme o Informe Conjuntural do terceiro trimestre, divulgado na quarta-feira (28).

A revisão reflete, principalmente, as perspectivas menos favoráveis para a indústria de transformação e o setor de serviços. Segundo a entidade, o desempenho mais fraco desses segmentos deve limitar os resultados positivos esperados para a agropecuária e a indústria extrativa.

Para Mario Sergio Telles, diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, os setores mais dependentes do consumo interno e das condições de crédito enfrentam dificuldades maiores em razão dos juros elevados. Já a agropecuária e a extração mineral apresentam maior resistência aos efeitos da política monetária.

Indústria brasileira deve crescer menos em 2026

A expectativa de crescimento da indústria nacional foi reduzida de 2% para 1,3%, representando a maior revisão negativa entre os setores analisados pela CNI.

Embora a indústria extrativa tenha previsão de expansão de 9,1%, esse avanço não deve compensar o desempenho mais fraco da indústria de transformação.

A estimativa para esse último segmento mudou de crescimento de 0,6%, divulgado em julho, para retração de 0,7% em 2026. Entre os fatores que pressionam a atividade estão:

  • Juros elevados, que encarecem o crédito para empresas e consumidores;
  • Enfraquecimento da demanda interna;
  • Piora das condições financeiras das empresas e das famílias;
  • Maior entrada de produtos importados no mercado brasileiro;
  • Aumento dos custos de produção.

Na construção civil, a projeção foi mantida em 1,5%. O setor deve contar com o apoio dos investimentos em infraestrutura e da expansão do programa Minha Casa, Minha Vida.

Serviços perdem ritmo e agropecuária melhora a previsão

O setor de serviços também apresenta sinais de desaceleração. A estabilidade do volume de serviços desde o fim de 2025 e a perda de força do comércio varejista, especialmente nas atividades mais dependentes de crédito, levaram a CNI a reduzir a estimativa de crescimento do segmento de 1,9% para 1,6%.

Em sentido contrário, a agropecuária foi o único grande setor produtivo a receber uma revisão positiva na previsão de crescimento. A expectativa passou de 1,8% para 2,5%, impulsionada principalmente pela perspectiva mais favorável para a segunda safra de milho.

Mercado de trabalho continua sustentando o consumo

Mesmo com a desaceleração da atividade econômica, o mercado de trabalho deve continuar contribuindo para sustentar a demanda no país.

A CNI projeta crescimento de 1,2% da população ocupada em 2026. A geração de empregos formais, principalmente na indústria e no comércio, deve perder velocidade, mas a taxa de desemprego tende a recuar dos atuais 5,3% para 5% até o fim do ano.

A menor disponibilidade de trabalhadores, combinada à demanda das empresas por mão de obra, também pode pressionar os salários para cima.

Nesse cenário, a entidade estima um aumento de 4,6% na massa de rendimentos reais em comparação com o ano anterior, fator que deve ajudar a manter o consumo das famílias.

Contas públicas devem registrar déficit primário

A política fiscal expansionista deve contribuir para estimular a atividade econômica em 2026. A previsão da CNI é de aumento real de 4,6% nas despesas federais, impulsionadas pelos benefícios previdenciários, gastos com pessoal e execução de despesas discricionárias em ano eleitoral.

A receita líquida do governo federal deve crescer 5,9%. Entre os fatores que contribuem para esse resultado estão mudanças nos incentivos fiscais, restrições ao aproveitamento de créditos tributários e receitas relacionadas ao petróleo, além de outras medidas de arrecadação.

Apesar do avanço previsto nas receitas, a estimativa é que o governo encerre o ano com déficit primário de R$ 54,6 bilhões, equivalente a 0,4% do PIB.

Para o cumprimento da meta fiscal, entretanto, cerca de R$ 67,3 bilhões em precatórios e outras despesas ficarão fora do cálculo do resultado primário. Consideradas essas exclusões, a projeção é de superávit de R$ 12,6 bilhões, ou 0,1% do PIB.

O diretor da CNI, Mario Sergio Telles, avalia que a situação das contas públicas continua preocupante. Segundo ele, a combinação entre déficits primários e juros elevados deve ampliar o endividamento do país.

A estimativa da entidade é que a dívida bruta do Brasil avance de 78,6% para 83,7% do PIB em 2026, um aumento de 5,1 pontos percentuais.

Inflação deve acelerar e Selic pode terminar o ano em 13,25%

A CNI avalia que o alívio inflacionário observado entre junho e agosto não deve continuar nos últimos meses de 2026. A pressão sobre os preços de alimentos, energia, combustíveis e serviços tende a contribuir para uma nova aceleração da inflação.

A projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é de alta de 5,15% no ano, acima dos 4,26% registrados em 2025.

Diante da persistência das pressões inflacionárias, a expectativa é que o Banco Central mantenha um ritmo gradual de redução da taxa Selic, com dois cortes de 0,25 ponto percentual nas duas reuniões restantes do ano. Nesse cenário, os juros básicos terminariam 2026 em 13,25%.

A CNI, porém, considera que existe espaço para uma redução mais rápida dos juros. Na avaliação de Telles, a manutenção de uma taxa real próxima de 9% continuaria restringindo o crescimento econômico, já que esse patamar representa quase o dobro da taxa de juros considerada neutra pela entidade, estimada em 5%.

O diretor defende que uma política monetária menos restritiva poderia ajudar a reativar o mercado interno sem comprometer o objetivo de levar a inflação à meta.

Crédito para empresas deve crescer mais do que para famílias

Os efeitos dos juros elevados sobre o mercado de crédito têm sido diferentes para empresas e consumidores.

Até agosto, as concessões de empréstimos para pessoas jurídicas cresceram mais do que aquelas destinadas às pessoas físicas. A CNI espera que essa diferença continue no último quadrimestre de 2026, embora em ritmo mais moderado.

A projeção é de crescimento de 5,15% nas concessões totais de crédito. Para as empresas, a estimativa é de avanço de 6,4%, enquanto o crédito destinado às famílias deve aumentar 4%.

Os números indicam que, apesar da expansão esperada, o custo do financiamento e as condições monetárias continuarão influenciando o acesso ao crédito e o comportamento da economia.

Exportações brasileiras devem alcançar US$ 386,7 bilhões

No comércio exterior, a CNI prevê crescimento de 10,3% nas exportações brasileiras em 2026, com receitas estimadas em US$ 386,7 bilhões. A indústria extrativa deve liderar o avanço, favorecida principalmente pela valorização das commodities e de outros produtos exportados pelo país.

As importações também devem aumentar, com influência relevante dos preços de produtos adquiridos no exterior, especialmente combustíveis, lubrificantes e bens de consumo, como automóveis.

A expectativa é que as compras externas totalizem US$ 309,4 bilhões, alta de 6,4% em relação a 2025.

Com exportações em crescimento mais acelerado do que as importações, a balança comercial brasileira deve registrar superávit de US$ 77,3 bilhões em 2026, aproximadamente 30% acima do resultado do ano anterior.

Projeção da CNI aponta crescimento econômico mais moderado

O conjunto das estimativas indica que o Brasil deve continuar crescendo em 2026, mas em ritmo inferior ao previsto anteriormente. A perda de força da indústria de transformação e dos serviços, somada aos efeitos dos juros elevados, deve limitar a expansão do PIB.

Por outro lado, a agropecuária, a indústria extrativa, o mercado de trabalho e o desempenho das exportações devem contribuir para sustentar parte da atividade econômica.

A evolução da inflação, das contas públicas e das condições de crédito será determinante para o comportamento da economia brasileira ao longo dos próximos meses.

FONTE: Portal da Indústria
TEXTO: Redação
IMAGEM: Iano Andrade/CNI

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Economia

Risco-país do Brasil dispara 26% e atinge maior nível desde junho de 2025

O risco-país do Brasil registrou forte alta na segunda-feira (26), com o CDS de cinco anos avançando 26% e chegando a 151,7 pontos. Na sexta-feira anterior, o indicador estava em 120,2 pontos, refletindo uma piora na percepção de risco dos investidores em relação à dívida soberana brasileira.

O movimento acompanha a reprecificação dos ativos financeiros brasileiros após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), conforme as informações divulgadas. O nível alcançado pelo indicador é o mais elevado desde junho de 2025.

Morgan Stanley alerta para riscos fiscais e dólar a R$ 6

Em relatório, estrategistas do Morgan Stanley avaliam que o CDS brasileiro pode subir mais 40 pontos caso as pressões sobre as contas públicas se intensifiquem. Nesse cenário, o dólar pode chegar a R$ 6, segundo as projeções do banco norte-americano.

A instituição alerta que o agravamento do quadro fiscal representa uma ameaça para diferentes segmentos do mercado financeiro, incluindo ações brasileiras, câmbio e títulos da dívida pública.

A preocupação com a trajetória das contas do governo pode aumentar a percepção de risco entre investidores estrangeiros e influenciar as decisões de alocação de recursos no país.

Incerteza eleitoral influencia o risco-país

Após o primeiro turno das eleições, o CDS do Brasil chegou a recuar para menos de 108 pontos, atingindo o menor patamar em seis anos. Naquele momento, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como favorito por parte do mercado financeiro, havia saído na frente.

Posteriormente, o indicador voltou a subir diante das incertezas sobre o cenário eleitoral. Pesquisas que apontavam empate técnico entre os candidatos contribuíram para ampliar as dúvidas dos investidores, embora as cotações ainda não refletissem uma eventual vitória de Lula, segundo a avaliação de um gestor de fundo especializado em mercados emergentes, baseado em Nova York.

O que é o CDS e por que ele importa para o Brasil?

O Credit Default Swap (CDS) é um instrumento financeiro que funciona como uma espécie de proteção contra o risco de inadimplência de um emissor de dívida. No caso do CDS soberano de cinco anos, sua cotação é utilizada como referência para avaliar a percepção de risco de crédito de um país.

Quando o indicador sobe, o custo de proteção contra um eventual calote aumenta, sinalizando maior preocupação dos investidores com a capacidade de pagamento da dívida.

Por isso, a evolução do CDS brasileiro é acompanhada pelo mercado financeiro como um dos termômetros do risco-país. Mudanças no cenário fiscal e político podem afetar esse indicador e influenciar o comportamento do câmbio, das ações e dos títulos públicos.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação

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Economia

Morgan Stanley vê potencial de alta de 50% para ações brasileiras em cenário otimista

A Bolsa brasileira ainda pode oferecer ganhos expressivos aos investidores, mesmo após a recente valorização impulsionada pelo cenário eleitoral. Em relatório divulgado na quinta-feira (22), o banco americano Morgan Stanley estima que as ações de empresas dependentes da economia doméstica podem subir cerca de 50% em dólar caso o Brasil avance em reformas, reduza os juros e recupere a confiança do mercado.

O estudo, intitulado Brazil in Spring – What Could Go Right? (Brasil na Primavera: O Que Pode Dar Certo?), apresenta uma perspectiva favorável para os ativos nacionais a partir de 2027. A análise considera a possibilidade de mudanças na condução da política econômica e de melhora nas condições macroeconômicas.

Segundo os estrategistas Nikolaj Lippmann, Julia Leão Nogueira e Marcos Rios, a valorização das ações ganhou força e se espalhou por diferentes setores desde o primeiro turno das eleições presidenciais, quando Flávio Bolsonaro superou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Atualmente, aproximadamente 75% das empresas que compõem o Ibovespa negociam acima de suas médias móveis de 200 dias, indicador técnico frequentemente utilizado para avaliar tendências de longo prazo.

O movimento contrasta com a perda de impulso observada recentemente em índices internacionais, como o MSCI de Mercados Emergentes e o S&P 500, dos Estados Unidos.

Para os analistas, o mercado acionário brasileiro entrou em uma fase de ampliação dos ganhos, na qual a valorização deixa de ficar concentrada em poucas empresas de grande porte e passa a alcançar um conjunto mais amplo de companhias.

Utilities e bancos concentram oportunidades na Bolsa brasileira

Entre os segmentos com maior potencial de valorização, o Morgan Stanley destaca as empresas de serviços públicos (utilities) e as instituições financeiras.

No cenário mais favorável projetado pelo banco, as ações de companhias de energia, saneamento e outros serviços essenciais poderiam avançar até 60%. Já os papéis do setor financeiro teriam potencial de alta de 55%.

Considerando o conjunto das empresas mais expostas à economia brasileira, com exceção das exportadoras, a estimativa de valorização chega a aproximadamente 50% em dólar.

A perspectiva favorável está associada à possibilidade de redução das taxas de juros, expansão do crédito, retomada do consumo e aumento dos investimentos no país.

Nubank e Axia Energia aparecem entre os destaques

Entre as empresas avaliadas, duas apresentam potencial de valorização próximo ou superior a 90% no cenário otimista do banco:

  • Nubank: potencial de alta de 99%, conforme os preços-alvo considerados na análise.
  • Axia Energia: possibilidade de valorização de 92%.

O relatório também aponta oportunidades em empresas como Banco do Brasil, Bradesco, Raia Drogasil, Smart Fit, Copasa, Localiza e Rede D’Or.

Essas companhias podem se beneficiar, em diferentes graus, de um ambiente econômico com juros menores, maior disponibilidade de crédito e recuperação da atividade doméstica.

Ibovespa pode chegar a 250 mil pontos, com dólar a R$ 4,50

Em sua projeção mais otimista, o Morgan Stanley estima que o Ibovespa pode alcançar 250 mil pontos, enquanto o real se valorizaria frente à moeda americana, levando o dólar para aproximadamente R$ 4,50.

Esses números dependem, contudo, da concretização de condições econômicas e políticas favoráveis. Portanto, representam um cenário possível elaborado pelos analistas, e não uma garantia de desempenho para a Bolsa ou para o câmbio.

A perspectiva positiva está inserida em uma avaliação mais ampla sobre os mercados da América Latina. O banco considera que a combinação entre juros menores, incentivos ao investimento privado e mudanças nas relações comerciais internacionais pode ampliar as oportunidades para economias emergentes.

A reorganização das relações econômicas e políticas dos Estados Unidos com outros países também poderá beneficiar nações capazes de atrair investimentos produtivos.

Reformas fiscais serão decisivas para sustentar a valorização

Apesar do otimismo, a instituição avalia que a continuidade da alta dos ativos brasileiros dependerá de avanços concretos na política econômica.

Entre as medidas consideradas relevantes estão a contenção e racionalização dos gastos públicos, mudanças nas regras de reajuste do salário mínimo e o avanço da reforma administrativa.

A expectativa é que uma trajetória fiscal mais consistente reduza a percepção de risco do país e abra espaço para uma queda mais expressiva dos juros.

Com um custo de financiamento menor, as empresas poderiam ampliar investimentos, enquanto famílias e consumidores teriam melhores condições para acessar crédito. Esse ambiente também poderia tornar a renda variável mais atrativa em comparação com aplicações conservadoras.

Uma eventual mudança na orientação econômica após as eleições é apontada como outro fator capaz de favorecer o mercado. Para que a valorização continue, entretanto, será necessário transformar as expectativas dos investidores em decisões efetivas de governo.

Queda da Selic pode atrair brasileiros de volta à Bolsa

Além da entrada de recursos estrangeiros, o Morgan Stanley identifica potencial de crescimento da participação dos investidores brasileiros no mercado acionário.

Segundo o relatório, os fundos de ações representam atualmente cerca de 4% do patrimônio total administrado pela indústria local de investimentos. A participação reduzida reflete, em parte, a preferência histórica dos brasileiros pela renda fixa, favorecida pelas taxas de juros elevadas.

Uma eventual redução da Selic pode alterar essa dinâmica. Com retornos menores nos investimentos conservadores, parte dos recursos aplicados em títulos públicos e outros produtos de renda fixa poderia migrar para ações.

Esse fluxo criaria uma nova fonte de demanda para os papéis negociados na B3 e ajudaria a sustentar o mercado no médio e no longo prazo.

Nos últimos anos, os investidores estrangeiros tiveram papel importante na movimentação marginal da Bolsa brasileira. Uma recuperação da participação dos investidores domésticos poderia tornar o ciclo de valorização menos dependente do capital internacional.

Entre os possíveis beneficiados estão bancos, varejistas, prestadoras de serviços e empresas de infraestrutura, que apresentam maior exposição ao desempenho da economia nacional.

Carteira do Morgan Stanley inclui energia, bancos e exportadoras

O banco também detalhou a composição de sua carteira de referência para o mercado brasileiro, estruturada com base em estimativas de lucros corporativos para 2028 e 2029.

O horizonte considera que eventuais mudanças nas políticas fiscal e monetária podem levar algum tempo para produzir efeitos mais significativos sobre os resultados das companhias.

Entre as principais posições da carteira estão:

EmpresaParticipação
Axia Energia8,5%
B36,7%
BTG Pactual6,0%
Sabesp5,8%
Embraer5,7%
Petrobras18,7%
Vale10,9%
Itaú Unibanco10,6%

A presença de grandes companhias como Petrobras, Vale e Itaú Unibanco demonstra que a estratégia do banco não está limitada às empresas voltadas ao mercado doméstico.

Mesmo com o destaque dado às oportunidades em setores sensíveis aos juros e ao consumo, a carteira mantém exposição relevante a commodities, exportações, energia e serviços financeiros.

A análise também leva em conta múltiplos de preço sobre lucro projetados para 2028 e 2029, buscando avaliar como possíveis mudanças no cenário econômico podem afetar a rentabilidade das empresas.

Quais são os riscos para as ações brasileiras?

Apesar das projeções favoráveis, o Morgan Stanley reconhece que uma nova etapa de valorização da Bolsa poderá ser mais seletiva.

A alta observada após o primeiro turno eleitoral foi impulsionada, em parte, pela redução da percepção de risco político e fiscal. A partir de agora, a continuidade dos ganhos tende a depender cada vez mais da capacidade das empresas de apresentar crescimento efetivo de receitas e lucros.

Isso significa que nem todas as ações deverão acompanhar uma eventual alta generalizada do mercado.

Companhias muito endividadas podem se beneficiar da redução dos custos financeiros, enquanto empresas de outros segmentos dependerão de fatores como aumento do consumo, expansão dos investimentos e ganhos de eficiência operacional.

O principal risco permanece relacionado às contas públicas. Caso o Brasil não consiga estabilizar a trajetória da dívida, poderá enfrentar dificuldades para sustentar juros menores e atrair investimentos de longo prazo.

Cenário otimista depende de resultados concretos

A avaliação do Morgan Stanley é que o Brasil reúne condições para iniciar um novo ciclo de valorização dos ativos financeiros. A concretização desse potencial, porém, depende da combinação entre estabilidade macroeconômica, responsabilidade fiscal e reformas estruturais.

Depois da primeira onda de otimismo provocada pelas expectativas eleitorais, os investidores deverão cobrar evidências mais concretas de mudanças na economia.

Para a Bolsa brasileira, o desafio será transformar a perspectiva de crescimento em resultados empresariais consistentes. É essa transição entre expectativas e desempenho efetivo que poderá determinar se a valorização recente dará lugar a um ciclo duradouro de ganhos.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Valor Econômico

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Investimento

Tesouro Nacional prepara emissão de Panda Bonds na China e busca atrair investidores

O Tesouro Nacional intensificou as articulações com autoridades e investidores da China para viabilizar a emissão de Panda Bonds, títulos de renda fixa denominados em yuans. A iniciativa busca ampliar as fontes de financiamento do Brasil e diversificar a base de investidores da dívida pública, com a possibilidade de realizar a operação ainda em 2026.

Uma comitiva brasileira está no país asiático para discutir os procedimentos necessários à emissão e avaliar o interesse do mercado financeiro local. A estratégia também pretende estabelecer uma referência para empresas brasileiras interessadas em captar recursos na China.

Em comunicado, o Tesouro informou que mantém reuniões com diferentes autoridades e participantes do mercado chinês no âmbito das negociações para uma possível operação.

Tesouro Nacional negocia com autoridades chinesas

Na segunda-feira (19), o secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, reuniu-se com Xuan Changneng, vice-governador do Banco Popular da China, para discutir oportunidades de cooperação financeira entre os dois países.

Além das conversas institucionais, o órgão realiza um roadshow com investidores chineses. A agenda tem como finalidade apresentar a proposta de emissão, identificar a demanda por títulos brasileiros e avaliar as condições para acessar o mercado local.

O governo estuda a operação desde pelo menos junho, mas ainda não estabeleceu uma data para o lançamento dos papéis.

Segundo o Tesouro Nacional, o cronograma dependerá da conclusão das etapas necessárias e, principalmente, das condições de mercado. A decisão, de acordo com o órgão, será baseada em critérios técnicos para garantir condições favoráveis à República.

A movimentação ocorre às vésperas do segundo turno da eleição presidencial, sinalizando que o planejamento para acessar o mercado de dívida chinês segue em andamento, independentemente do resultado eleitoral.

Vale também planeja captar recursos com Panda Bonds

A estratégia brasileira de entrada no mercado chinês não se restringe ao governo federal. A Vale (VALE3) também anunciou planos para emitir títulos de dívida denominados em yuans.

Na terça-feira (20), a mineradora informou que pretende captar até 10 bilhões de yuans entre 2026 e 2028. O montante equivale a aproximadamente US$ 1,5 bilhão, ou R$ 7,5 bilhões, considerando os valores de câmbio mencionados.

A operação, entretanto, ainda depende da aprovação das autoridades chinesas e das condições vigentes no mercado financeiro.

Para o Tesouro Nacional, uma eventual emissão soberana poderá contribuir para dar visibilidade aos títulos brasileiros na China e servir de referência para companhias nacionais que desejam buscar financiamento junto a investidores asiáticos.

Emissões de Panda Bonds crescem no mercado internacional

A procura por Panda Bonds tem avançado no cenário global. No primeiro semestre de 2026, as emissões desses títulos movimentaram 160 bilhões de renminbis, moeda chinesa também conhecida como yuan. O volume representa um crescimento de 69% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Esse tipo de captação permite que governos e empresas estrangeiras diversifiquem suas fontes de financiamento e reduzam a dependência de mercados tradicionais, como o dos Estados Unidos.

Outro fator que contribui para o interesse é o custo potencial da dívida. Com as taxas de juros chinesas relativamente estáveis e os juros americanos próximos de níveis elevados, a emissão de títulos no mercado chinês pode oferecer condições competitivas de financiamento, dependendo do perfil do emissor e das condições de cada operação.

A possível entrada do Brasil nesse segmento, portanto, faz parte de uma estratégia mais ampla de diversificação da dívida pública e de aproximação financeira com a China, ao mesmo tempo que abre caminho para empresas brasileiras interessadas em acessar novas fontes de capital.

FONTE: Investidor 10
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Investidor 10

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Infraestrutura

Fundo da Marinha Mercante aprova R$ 2,29 bilhões para projetos navais no Sudeste

O Fundo da Marinha Mercante (FMM) aprovou R$ 2,29 bilhões em investimentos para 55 projetos de construção naval, modernização de embarcações e infraestrutura portuária na região Sudeste. As iniciativas foram autorizadas durante a 64ª reunião do Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante (CDFMM), realizada em 8 de outubro, e têm potencial para gerar cerca de 1.700 empregos diretos.

A carteira de projetos inclui a construção de 40 barcaças em São Paulo, melhorias no Estaleiro Aliança, em Niterói (RJ), e a implantação de um terminal portuário em Aracruz (ES). Também estão previstos serviços de manutenção, reparo e modernização em 14 embarcações e unidades destinadas a operações marítimas e de perfuração.

Os investimentos buscam atender às necessidades de transporte de madeira para a indústria de celulose, movimentação de cargas nos portos e atividades dos setores de petróleo e gás. A execução ficará a cargo de estaleiros e empresas especializadas em construção naval, reparação de embarcações e infraestrutura marítima.

Terminal portuário no Espírito Santo recebe maior investimento

O projeto de maior valor entre os empreendimentos aprovados é o da Hanseatic Global Terminals Aracruz, no Espírito Santo, com investimento de R$ 1,119 bilhão.

A proposta prevê a construção de 750 metros de cais, além de profundidade de 17 metros no canal de acesso, nos berços de atracação e na bacia de manobra. A infraestrutura foi planejada para receber navios porta-contêineres de até 366 metros de comprimento.

O empreendimento tem previsão de gerar 243 empregos diretos, com prazo estimado de execução de 18 meses. A obra amplia a carteira de investimentos em infraestrutura portuária contemplada pelo fundo na região.

Estaleiro Aliança terá modernização de R$ 288,9 milhões

O Rio de Janeiro concentra 15 projetos aprovados, que totalizam R$ 1,02 bilhão em investimentos. Entre eles está a modernização do Estaleiro Aliança, localizado em Niterói, com recursos de R$ 288,9 milhões.

A iniciativa prevê a criação de 345 empregos diretos e um período de execução de 24 meses. O plano inclui dragagem, ampliação dos cais, instalação de equipamentos e adequações nas áreas operacionais e administrativas.

Com as melhorias, o estaleiro deverá ampliar sua capacidade de atendimento aos segmentos de petróleo e gás, apoio marítimo e reparação naval.

Projetos de perfuração concentram recursos para petróleo e gás

A Commodore Marine teve dois projetos aprovados, que somam R$ 532,3 milhões. Do total, R$ 229,4 milhões serão destinados à modernização do navio-sonda Carolina, enquanto R$ 302,9 milhões serão aplicados na unidade semissubmersível de perfuração Victoria.

As intervenções têm como objetivo preparar as duas unidades para contratos com a Petrobras, com atividades previstas na Baía de Guanabara.

No caso do Carolina, a estimativa é de 220 empregos diretos e cinco meses para a execução dos serviços. Já a modernização da Victoria deverá gerar 250 postos de trabalho diretos, com prazo previsto de sete meses.

Outro investimento aprovado contempla a GranEnergia, que receberá R$ 104,5 milhões para docagem, reparos e manutenção da CSS Venus. A unidade semissubmersível compacta é utilizada para alojamento e suporte a trabalhadores de plataformas de petróleo.

O projeto prevê a geração de 50 empregos diretos e prazo de execução de nove meses.

Recursos apoiam manutenção e reparo de embarcações

Na área de manutenção naval, a Camorim contará com R$ 11 milhões para serviços em quatro embarcações, incluindo reparos e docagem em Niterói. A proposta reúne trabalhos já concluídos e intervenções previstas, com foco na segurança e na continuidade das operações da frota.

A OceanPact, por sua vez, teve três projetos aprovados, totalizando R$ 81,9 milhões. As iniciativas abrangem seis embarcações e incluem manutenção, reparos em unidades utilizadas no atendimento a derramamentos de óleo e modernização de barcos de apoio marítimo.

De acordo com a documentação apresentada, os serviços relacionados aos projetos da OceanPact já foram concluídos.

São Paulo terá construção de 40 barcaças para transporte de madeira

Em São Paulo, o destaque é a construção de 40 barcaças da MSFC Florestal, com investimento aprovado de R$ 155,8 milhões. A empresa é responsável pelo fornecimento parcial de madeira utilizada na fábrica de celulose da Bracell no estado.

As embarcações serão produzidas na unidade do estaleiro Rio Maguari em Araçatuba. O projeto prevê a criação de 66 empregos diretos e prazo de execução de 20 meses.

Cada barcaça terá porões com capacidade volumétrica de 2.406 metros cúbicos. As unidades serão organizadas em comboios formados por um empurrador e quatro barcaças, configuração voltada ao transporte de madeira por vias navegáveis.

A MSFC Florestal será proprietária das embarcações, enquanto os serviços de navegação serão contratados de uma empresa responsável pela operação.

Fundo da Marinha Mercante impulsiona a indústria naval

A aprovação dos projetos reforça o papel do Fundo da Marinha Mercante no financiamento da indústria naval brasileira. Os recursos contemplam desde a construção de novas embarcações até a modernização de estaleiros e a expansão da infraestrutura portuária.

Com investimentos direcionados ao transporte aquaviário, ao apoio marítimo e às operações de petróleo e gás, as iniciativas buscam ampliar a capacidade logística e operacional do setor, além de estimular a geração de empregos na região Sudeste.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Imetame

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Comércio Internacional, Economia

Balança comercial brasileira registra superávit de US$ 2,66 bilhões na terceira semana de outubro

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 2,661 bilhões na terceira semana de outubro de 2026. O resultado, divulgado na segunda-feira (19) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), foi resultado de US$ 8,232 bilhões em exportações e US$ 5,572 bilhões em importações.

Com o desempenho semanal, o saldo positivo da balança comercial alcançou US$ 5,959 bilhões no acumulado de outubro. As vendas brasileiras ao mercado internacional totalizaram US$ 21,038 bilhões, enquanto as compras do exterior somaram US$ 15,079 bilhões.

Exportações brasileiras crescem 33,5% na comparação anual

Até a terceira semana de outubro, as exportações brasileiras avançaram 33,5% em relação ao mesmo período de 2025. O crescimento foi observado nos três grandes setores da economia.

A indústria extrativa apresentou a maior expansão percentual, com alta de 70,7% e exportações de US$ 6,40 bilhões. Na agropecuária, as vendas externas cresceram 21%, alcançando US$ 4,09 bilhões. Já a indústria de transformação registrou aumento de 20,9%, com US$ 10,32 bilhões em exportações no período analisado. Os números indicam avanço das vendas internacionais de produtos brasileiros, com destaque para o desempenho da indústria extrativa.

Importações também apresentam alta em outubro

No mesmo intervalo, as importações brasileiras cresceram 21,5% em comparação com a terceira semana de outubro de 2025. A indústria de transformação concentrou o maior volume de compras externas, com US$ 13,89 bilhões, o equivalente a um aumento de 20,2%. A agropecuária registrou crescimento de 23,3%, com importações de US$ 30 milhões, enquanto a indústria extrativa avançou 47,9%, totalizando US$ 79 milhões.

Mesmo com a expansão das compras internacionais, o volume de exportações permaneceu superior ao de importações, contribuindo para a manutenção do saldo comercial positivo.

Superávit da balança comercial chega a US$ 68,35 bilhões em 2026

No acumulado de janeiro até a terceira semana de outubro, o superávit da balança comercial brasileira atingiu US$ 68,355 bilhões. O valor representa crescimento de 36,8% em relação ao mesmo período de 2025, quando o saldo positivo foi de US$ 52,985 bilhões.

Para o fechamento de 2026, o MDIC projeta um superávit comercial de US$ 84,4 bilhões, resultado 24% superior ao registrado em 2025. A estimativa foi revisada no início de outubro. A previsão anterior indicava um saldo positivo de US$ 90 bilhões, sinalizando uma redução na expectativa oficial para o resultado anual.

Os dados reforçam o desempenho positivo do comércio exterior brasileiro em 2026, impulsionado pelo crescimento das exportações e pela manutenção de um saldo favorável nas trocas comerciais com outros países.

Fonte: Canal Rural, com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC).

Texto: Redação

Imagem: Arquivo ReConecta News / Cláudio Neves / Portos do Paraná

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Economia

Dólar cai para R$ 5,06 e Ibovespa recua com mercado atento a Brasil, China e EUA

O dólar comercial recuou para R$ 5,06 nesta segunda-feira, enquanto o Ibovespa perdeu força após iniciar o pregão em alta. O desempenho dos mercados financeiros foi influenciado pela divulgação de indicadores econômicos brasileiros, pelas informações sobre a economia chinesa e pelas expectativas em relação à política monetária dos Estados Unidos.

Investidores também acompanharam o Relatório Focus, do Banco Central, e o Monitor do PIB, elaborado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), além dos desdobramentos do cenário eleitoral brasileiro e de notícias do mercado corporativo.

Dólar hoje: moeda americana opera em baixa

Por volta das 13h, o dólar comercial era negociado a R$ 5,060, com queda de 0,27% em relação ao fechamento de sexta-feira.

Apesar do recuo na abertura da semana, a moeda americana acumulou valorização de aproximadamente 1,6% na semana anterior, passando da faixa de R$ 4,99 para R$ 5,07.

O comportamento do câmbio reflete a combinação de fatores domésticos e internacionais, incluindo as expectativas para os juros americanos, os fluxos de capital estrangeiro e as perspectivas para a economia brasileira.

A queda dos preços do petróleo também pode contribuir para aliviar as pressões inflacionárias globais e reduzir a necessidade de juros elevados nos Estados Unidos. Esse cenário tende a favorecer moedas de economias emergentes, embora o efeito dependa da evolução dos demais indicadores econômicos.

Antonio Patrus, CEO da Bossa Invest, destaca que a dinâmica cambial brasileira permanece condicionada às perspectivas para a política monetária americana e às condições econômicas internas.

Relatório Focus reduz projeção para o PIB brasileiro

O mercado financeiro também repercutiu o Relatório Focus, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira. A pesquisa manteve as estimativas para a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), e para a taxa básica de juros, a Selic, neste ano.

Por outro lado, houve redução na projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

Outro indicador relevante foi o Monitor do PIB da FGV, que apontou expansão de 0,5% da atividade econômica em agosto, na comparação com julho, após dois meses consecutivos de retração.

Pelo lado da oferta, a indústria extrativa e o setor de serviços contribuíram para o resultado positivo. Na perspectiva da demanda, as exportações e o consumo do governo ajudaram a sustentar o crescimento, apesar da desaceleração do consumo das famílias.

Os dados oferecem aos investidores novas referências para avaliar a trajetória da economia nacional e as possíveis decisões futuras sobre os juros.

Eleições brasileiras mantêm investidores em alerta

O cenário político continua entre os fatores que influenciam os negócios na Bolsa e no mercado de câmbio.

Pesquisas de intenção de voto divulgadas por Atlas/Bloomberg e BTG/Nexus reforçaram o cenário de disputa acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Segundo William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue Securities, parte da valorização dos ativos brasileiros observada após o primeiro turno das eleições perdeu intensidade nos últimos dias.

A Bolsa entrou em um período de acomodação, enquanto o câmbio e os juros devolveram parte dos movimentos registrados anteriormente.

Para o especialista, esse comportamento é compatível com um ambiente de incerteza eleitoral, no qual investidores tendem a ajustar posições conforme surgem novas informações sobre a disputa política e seus possíveis impactos econômicos.

China e Estados Unidos influenciam os mercados globais

No exterior, os investidores acompanham os indicadores de atividade econômica da China, incluindo os resultados do PIB do terceiro trimestre, a produção industrial e as vendas no varejo.

As informações ajudam a dimensionar o ritmo de crescimento da segunda maior economia do mundo e suas possíveis consequências para a demanda internacional por commodities.

A decisão chinesa sobre as taxas preferenciais de empréstimo também está no radar dos agentes financeiros, pois pode oferecer sinais sobre a condução da política econômica do país.

Nos Estados Unidos, a atenção permanece concentrada na inflação e nos próximos passos do Federal Reserve (Fed), o banco central americano.

Os indicadores de preços ao consumidor e ao produtor divulgados na semana anterior vieram acima das expectativas, aumentando a cautela dos investidores em relação à trajetória inflacionária.

Apesar disso, a manutenção dos juros na reunião de outubro continuava sendo o cenário predominante entre os participantes do mercado, enquanto novos dados econômicos e declarações de dirigentes do Fed poderiam alterar as projeções.

Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, ressalta que as perspectivas para os juros americanos influenciam diretamente os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e a movimentação internacional de capitais, com reflexos sobre o dólar e as moedas emergentes.

Ibovespa perde força após abertura positiva

O Ibovespa hoje iniciou o pregão com valorização de 0,32%, aos 206.140 pontos, mas perdeu fôlego ao longo da manhã.

Após as 13h, o principal índice da B3 recuava 0,45%, aos 204.510 pontos.

Na sessão anterior, o indicador havia encerrado aos 205.430 pontos, com volume financeiro de aproximadamente R$ 24 bilhões.

Ao longo do dia, o desempenho das commodities, a movimentação dos investidores estrangeiros e a repercussão dos indicadores econômicos devem continuar influenciando os negócios na Bolsa brasileira.

Suporte técnico entra no radar dos investidores

A análise técnica também faz parte das avaliações sobre o comportamento do índice. Lucas Piza, analista do Itaú BBA, observa que o Ibovespa permanece próximo de uma região de suporte, sem aprofundar de maneira expressiva o movimento de correção.

Segundo o especialista, as oscilações intradiárias seguem relativamente limitadas, enquanto o setor de petróleo tem contribuído para sustentar o mercado em níveis recentes.

Uma reação positiva nessa região pode favorecer a recuperação de ações que acumularam altas expressivas. Por outro lado, a perda do suporte pode abrir espaço para correções mais acentuadas e novas oportunidades de entrada após os ajustes de preços.

Mercado corporativo: confira os principais destaques

Além dos indicadores econômicos e do cenário internacional, anúncios de empresas brasileiras movimentaram o noticiário corporativo nesta segunda-feira.

Braskem

A Braskem informou que o FIP Shine passará a deter 50,11% do capital votante da companhia. A operação envolveu a aquisição de 2.850 ações ordinárias e 17.133 ações preferenciais classe A, sem compra de ações preferenciais classe B.

Localiza

A Localiza aprovou a emissão de R$ 1 bilhão em debêntures, com prazo de 24 meses.

A remuneração dos títulos será vinculada à taxa DI, acrescida de uma sobretaxa de 0,65% ao ano. Os juros serão pagos semestralmente, nos meses de abril e outubro.

Automob

A Automob registrou receita bruta de R$ 4,014 bilhões no terceiro trimestre, crescimento de 9% em relação ao período de comparação informado pela companhia.

O desempenho foi favorecido pela maior diversidade de modelos disponíveis no portfólio e pelo avanço das vendas diretas, impulsionadas por ações das montadoras e programas como Carro Sustentável e Move Brasil.

Caixa Seguridade

A Caixa Seguridade informou que espera um efeito positivo de aproximadamente R$ 210 milhões no lucro líquido de 2026.

O impacto está relacionado ao pagamento de uma multa à controlada Too Seguros pela rescisão de um contrato de distribuição com o Banco Pan.

M. Dias Branco

A M. Dias Branco anunciou a aquisição de 80% da Grespan Congelados, empresa do segmento de pães congelados. O valor da transação não foi divulgado.

Com a operação, a companhia amplia sua atuação e passa a investir também no mercado de pães congelados, diversificando seu portfólio de produtos.

O que acompanhar nos próximos pregões

O desempenho do dólar e do Ibovespa continuará condicionado à divulgação de indicadores econômicos, às expectativas para os juros americanos, ao comportamento das commodities e às incertezas políticas no Brasil.

No mercado doméstico, as projeções do Banco Central e os dados de atividade econômica serão importantes para avaliar as perspectivas de crescimento e inflação. No exterior, a evolução da economia chinesa e as decisões do Federal Reserve poderão determinar o fluxo de recursos para mercados emergentes.

Para os investidores, a combinação desses fatores exige atenção tanto às tendências macroeconômicas quanto aos resultados e comunicados das empresas listadas na B3.

FONTE: UOL
TEXTO: Redação
IMAGEM: Getty Images

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Economia

Economia brasileira cresce 0,5% em agosto após dois meses de queda, aponta FGV

Após registrar retração por dois meses consecutivos, a economia brasileira voltou a crescer em agosto. A atividade econômica avançou 0,5% em relação a julho, segundo estimativa da Fundação Getulio Vargas (FGV). Com o resultado, a expansão acumulada em 12 meses chegou a 1,8%.

Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (19), por meio do Monitor do PIB, levantamento mensal produzido pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), ligado à FGV.

O estudo acompanha o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB), indicador que representa o valor total dos bens e serviços produzidos no país. Para isso, considera informações de setores como indústria, comércio, serviços e agropecuária.

Por funcionar como uma antecipação do resultado oficial, o Monitor do PIB é utilizado como um dos principais indicadores para acompanhar os rumos da atividade econômica nacional.

Atividade econômica volta a crescer em agosto

A estimativa da FGV mostra uma recuperação após as quedas registradas em junho e julho. Confira a variação mensal da economia brasileira ao longo do ano:

  • Agosto: alta de 0,5%
  • Julho: queda de 0,3%
  • Junho: queda de 0,9%
  • Maio: alta de 0,6%
  • Abril: alta de 0,3%
  • Março: alta de 0,1%
  • Fevereiro: alta de 0,5%
  • Janeiro: alta de 0,6%

Na comparação com agosto do ano anterior, a atividade econômica apresentou crescimento de 1,5%. Já o trimestre encerrado em agosto registrou expansão de 1,7% em relação ao mesmo intervalo de 2025.

Indústria extrativa e serviços impulsionam a economia

De acordo com a FGV, o avanço observado em agosto foi favorecido principalmente pela indústria extrativa e pela continuidade do crescimento do setor de serviços.

O economista Claudio Considera, pesquisador associado do Ibre, explica que, sob a perspectiva da oferta, esses segmentos contribuíram para o resultado positivo.

Pelo lado da demanda, o desempenho também recebeu influência favorável das exportações e dos gastos do governo, apesar da desaceleração no ritmo de crescimento do consumo das famílias.

Considera destaca que a economia brasileira demonstra capacidade de recuperação mesmo diante de um cenário de inflação persistente e de política monetária restritiva, caracterizada pela manutenção de juros elevados.

No trimestre encerrado em agosto, o consumo das famílias cresceu 0,4%, impulsionado principalmente pela contribuição dos bens duráveis, como eletrodomésticos, veículos e outros produtos de maior vida útil.

Em valores correntes, a estimativa da FGV indica que o PIB brasileiro acumulado até agosto alcançou R$ 9,020 trilhões.

Projeções para o crescimento do PIB em 2026

Outros indicadores e instituições também divulgaram estimativas sobre o desempenho da economia brasileira. Na sexta-feira (16), o Banco Central apresentou o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), que apontou crescimento de 0,3% entre julho e agosto e expansão de 1,6% no acumulado de 12 meses.

Já o relatório Focus, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira, reúne as expectativas de instituições do mercado financeiro e projeta crescimento de 1,83% para o PIB em 2026.

O Boletim Macrofiscal da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, publicado em setembro, prevê uma expansão de 2% para a economia brasileira neste ano.

O Fundo Monetário Internacional (FMI), por sua vez, estima que o Brasil crescerá 2,2% em 2026. A instituição também projeta que o país deverá recuperar, em 2027, a posição de oitava maior economia do mundo.

As projeções apresentam diferenças em razão das metodologias e das avaliações econômicas adotadas por cada instituição, mas apontam para a continuidade do crescimento econômico brasileiro ao longo do ano.

Quando será divulgado o resultado oficial do PIB?

O cálculo oficial do Produto Interno Bruto é divulgado trimestralmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A próxima publicação está prevista para 2 de dezembro e apresentará os dados referentes ao terceiro trimestre do ano.

No resultado mais recente, divulgado no início de setembro, o IBGE informou que a economia brasileira cresceu 0,5% no segundo trimestre, enquanto a expansão acumulada em 12 meses ficou em 1,9%.

A divulgação dos próximos resultados permitirá avaliar se a recuperação observada em agosto terá continuidade e como os diferentes setores contribuirão para o desempenho da economia brasileira nos meses seguintes.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

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Exportação

Brasil pode se tornar o maior exportador mundial de alimentos até 2027

O Brasil abriu 700 novos mercados internacionais para produtos agropecuários desde o início de 2023, ampliando sua presença comercial em mais de 100 países. A expansão fortalece a posição do país no comércio global e aumenta as perspectivas de liderança nas exportações mundiais do agronegócio.

O balanço foi divulgado na terça-feira pelo Ministério da Agricultura, durante evento que reuniu representantes do governo federal. Na ocasião, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o Brasil poderá ultrapassar os Estados Unidos e assumir a liderança mundial nas exportações de alimentos ainda em 2026.

Exportações do agronegócio brasileiro se aproximam das americanas

O Brasil está próximo de superar os Estados Unidos como principal exportador mundial de produtos agrícolas. Em 2025, os americanos exportaram US$ 171 bilhões em produtos do setor, enquanto as vendas brasileiras alcançaram US$ 169 bilhões.

Para 2026, as projeções indicam uma possível mudança no ranking internacional. A estimativa do governo americano aponta exportações de US$ 177,5 bilhões, enquanto o Brasil poderá chegar a US$ 180 bilhões caso mantenha o ritmo de crescimento registrado até agora.

De janeiro a setembro deste ano, as exportações do agronegócio brasileiro já ultrapassaram US$ 133,5 bilhões.

O ministro da Agricultura, André de Paula, também anunciou que os Emirados Árabes Unidos serão o mais novo destino de produtos brasileiros. O país começará a importar pescado do Brasil, incluindo espécies provenientes da pesca extrativa e da aquicultura.

Novos mercados já geraram mais de US$ 4 bilhões

A abertura de mercados internacionais começa a produzir resultados concretos para os exportadores brasileiros. Segundo Rafael Requião, secretário interino de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, os novos acessos comerciais já geraram mais de US$ 4 bilhões em negócios.

A expectativa é que esse valor aumente nos próximos anos, à medida que as autorizações sanitárias se convertam em novos contratos e embarques.

Requião explicou que a abertura de cada mercado significa que as autoridades sanitárias do país importador aprovaram a entrada de determinado produto brasileiro. Esse processo, segundo ele, demonstra confiança no sistema nacional de defesa agropecuária.

O secretário também destacou a importância da diversificação comercial em um cenário internacional marcado por tensões geopolíticas, tarifas elevadas e incertezas nas relações comerciais.

Açaí e erva-mate ampliam a diversidade das exportações

A expansão dos mercados não se limita às commodities tradicionais, como soja, milho e carnes. Produtos como açaí e erva-mate também conquistaram novos destinos internacionais, contribuindo para diversificar a pauta exportadora brasileira.

De acordo com Requião, um em cada cinco novos mercados abertos no período envolve produtos considerados não tradicionais.

A estratégia busca ampliar as oportunidades para diferentes segmentos da produção agropecuária, permitindo que mais empresas e cadeias produtivas brasileiras alcancem consumidores estrangeiros.

Outro fator relevante é a atuação dos adidos agrícolas brasileiros no exterior. Países que contam com esses representantes concentram dois terços das aberturas de mercado registradas desde 2023. Atualmente, o Brasil possui 40 adidos agrícolas.

Segundo o secretário, o resultado reflete uma mudança na estratégia de comércio exterior, com atuação mais ativa do governo na busca por oportunidades, em vez de depender apenas de solicitações feitas por outros países.

Brasil pode ampliar exportações em US$ 80 bilhões

O potencial de crescimento das vendas externas também foi destacado por Floriano Pesaro, diretor de Gestão Corporativa da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).

Segundo ele, o Brasil tem condições de acrescentar US$ 80 bilhões ao seu potencial exportador ao longo dos próximos quatro anos.

A estimativa reforça as perspectivas de ampliação da presença brasileira no mercado internacional, especialmente em segmentos ligados à produção de alimentos e ao fornecimento de matérias-primas agrícolas.

Abertura de mercados supera resultado de governos anteriores

O Ministério da Agricultura comparou o número de novos mercados conquistados na atual gestão com o resultado do governo de Jair Bolsonaro, período em que foram abertos 241 mercados para produtos agropecuários brasileiros.

O ministro André de Paula afirmou que o total registrado desde o início de 2023 representa quase três vezes o resultado da administração anterior. Segundo ele, o governo também deverá superar a meta estabelecida inicialmente.

Na avaliação do ministro, o avanço do acesso comercial contribui para ampliar as oportunidades de negócios e fortalecer a competitividade do agronegócio brasileiro no exterior.

Agronegócio registra crescimento econômico

Durante o evento, André de Paula também apresentou números sobre o desempenho econômico do setor. Segundo os dados citados pelo ministro, o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio cresceu 26% entre 2023 e 2025, com possibilidade de alcançar 29% quando forem incorporados os resultados de 2026.

Para efeito de comparação, o ministro afirmou que o crescimento do setor entre 2019 e 2022, durante o governo Bolsonaro, foi de 3,5%.

O chanceler Mauro Vieira também destacou a conquista dos 700 novos mercados, avaliando que o resultado demonstra a capacidade brasileira de manter o diálogo internacional e construir relações comerciais com diferentes países.

A ampliação dos destinos de exportação, a diversificação dos produtos e o crescimento das vendas externas reforçam a posição do Brasil como um dos principais fornecedores mundiais de alimentos e sustentam a expectativa de avanço no ranking global do comércio agropecuário.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gerada por IA

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