Sustentabilidade

Energia renovável no Brasil: sobreoferta faz setor frear novos investimentos

O setor elétrico brasileiro vive uma mudança importante de cenário. Após anos de expansão acelerada da capacidade de geração, especialistas, órgãos reguladores, empresas, investidores e consumidores começam a questionar a necessidade de manter o mesmo ritmo de investimentos em energia renovável.

O motivo é o aumento da sobreoferta de energia, principalmente nos segmentos solar e eólico. A expansão da geração avançou em velocidade superior ao crescimento da demanda, enquanto incentivos e subsídios contribuíram para manter atrativos projetos que, diante das condições atuais do mercado, passaram a enfrentar maior dificuldade para encontrar espaço no sistema.

Sobreoferta de energia aumenta cortes na geração

O excesso de oferta já tem reflexos na operação do sistema elétrico. Em determinados períodos, usinas existentes não conseguem produzir toda a energia que poderiam fornecer.

Essa redução compulsória da geração é conhecida no setor como curtailment. O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) determina cortes principalmente quando não há demanda suficiente para absorver toda a eletricidade disponível.

O fenômeno ganhou relevância justamente porque evidencia uma mudança na principal preocupação do setor: se antes o desafio era ampliar a oferta para garantir a segurança energética, agora também é necessário encontrar formas de aproveitar a capacidade de geração que já existe.

Aneel alerta para distorções provocadas por subsídios

O diretor-geral da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), Sandoval Feitosa, está entre os primeiros representantes do setor a defender publicamente uma revisão do ritmo de expansão.

Segundo ele, os incentivos concedidos à geração renovável alteraram os sinais econômicos que deveriam orientar as decisões de investimento.

“As empresas não respondem ao estímulo natural do mercado, mas, sim, aos subsídios que recebem”, afirmou à CNN.

A avaliação coloca em evidência uma contradição do modelo atual. Enquanto a sobreoferta de energia e o avanço do curtailment indicam a necessidade de reduzir o ritmo de novos projetos, diferentes segmentos continuam buscando preservar mecanismos de incentivo capazes de estimular a expansão.

Incentivos continuam mesmo diante dos alertas

Apesar das críticas, medidas adotadas pelo governo e pelo Congresso nos últimos anos mantiveram parte dos estímulos à expansão da geração.

Em 2024, a MP 1.212 permitiu que projetos elegíveis prorrogassem por 36 meses o prazo para entrada em operação sem perder os descontos aplicados às tarifas de uso das redes.

No mesmo ano, o governo regulamentou o acesso da minigeração distribuída ao Reidi, regime voltado a incentivos tributários para projetos de infraestrutura.

Já em 2025, a Lei 15.269 permitiu que parte desses empreendimentos adiasse, sem custos pela postergação, o início dos contratos de uso da transmissão.

Na avaliação de críticos do modelo, essas medidas mantiveram sinais favoráveis à expansão justamente quando o sistema começava a demonstrar excesso de oferta.

ONS vê pouco espaço para nova geração durante o dia

A discussão ganhou força com o posicionamento de Alexandre Zucarato, diretor de planejamento do ONS.

Em entrevista à CNN, Zucarato concordou que novos investimentos em geração de energia precisam considerar a atual capacidade excedente do sistema.

O problema, segundo ele, já não se resume à infraestrutura de transmissão. Em determinadas horas do dia, especialmente durante o período de maior geração solar, não existe consumo suficiente para absorver toda a eletricidade produzida.

“Não faz mais sentido injetar potência na rede no período diurno porque basicamente vamos colocar um megawatt novo e vai ter que deslocar um megawatt existente”, afirmou ao programa Alta Voltagem, da CNN.

Uma das alternativas apontadas pelo diretor é justamente postergar investimentos que não tenham outra justificativa operacional.

Excesso de investimento preocupa infraestrutura

O presidente da Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base), Venilton Tadini, avalia que o problema mudou de natureza.

Na visão dele, o Brasil passou de uma fase de insuficiência de investimentos privados em infraestrutura elétrica para um momento em que parte do capital está sendo direcionada para segmentos que já apresentam excesso de capacidade.

“O que estamos vivendo hoje no setor elétrico é o excesso do investimento privado mal direcionado justamente pelos sinais negativos de excesso de subsídios em segmentos que não necessitam mais, como energia solar e eólica”, afirmou ao programa Conexão Infra, da CNN.

A consequência não é apenas operacional. Os cortes na produção também começam a afetar a situação financeira dos empreendimentos.

Curtailment aumenta risco financeiro de usinas

A redução forçada da geração representa perda de receita para empresas que possuem projetos expostos ao problema. Com isso, aumenta a percepção de risco sobre ativos de energia solar e eólica.

Já existem casos de quebra de covenants, cláusulas previstas em contratos de financiamento que estabelecem determinadas condições para os devedores.

Também surgiram situações de standstill, mecanismo pelo qual algumas obrigações relacionadas a dívidas são temporariamente suspensas.

O cenário amplia a preocupação entre bancos e investidores, que precisam considerar não apenas a capacidade de geração de um empreendimento, mas também o risco de ele não conseguir produzir e vender toda a energia prevista.

Consumidores pedem revisão da expansão renovável

Os grandes consumidores também passaram a defender uma mudança no ritmo de crescimento da geração renovável.

Luiz Eduardo Barata, presidente da FNCE (Frente Nacional dos Consumidores de Energia), afirma que novos projetos solares e eólicos podem exigir investimentos adicionais em transmissão para transportar uma energia que, em determinados momentos, não encontra demanda suficiente.

O custo dessas estruturas, segundo ele, acaba sendo repassado aos consumidores.

“O processo de expansão de renováveis tem que ser feito considerando o consumo de energia que temos hoje e não apenas a vontade do investidor, que é o que está acontecendo”, disse. “Continuar do jeito que está é suicídio”.

Bancos mudam prioridade e olham para transmissão e armazenamento

A mudança de percepção também chegou às instituições financeiras.

Segundo informações da MegaWhat, o BNB (Banco do Nordeste), tradicional financiador de projetos de energia renovável, alterou temporariamente suas prioridades diante do avanço do curtailment sobre grandes empreendimentos no Nordeste.

A análise de documentos feita pelo portal especializado apontou que o banco passou a priorizar investimentos em transmissão de energia, armazenamento e instalação de grandes cargas na região, em vez de concentrar recursos na construção de novas usinas.

A mudança representa uma inversão relevante na estratégia de financiamento. O foco deixa de ser simplesmente aumentar a oferta e passa a incluir soluções capazes de aproveitar a energia que já está disponível no sistema.

Mercado de capitais reduz apetite por novos projetos

O mesmo movimento pode ser observado na avaliação dos ativos no mercado financeiro.

Anderson Brito, chefe de banco de investimento do UBS BB, afirmou que a combinação de sobreoferta, cortes de geração e incerteza sobre receitas futuras prejudica o valor de mercado das empresas e dificulta a captação de recursos.

“Neste momento, o mercado não vê racionalidade econômica em adicionar nova capacidade de geração sem que haja crescimento correspondente da demanda. O curtailment já afeta receitas, reduz o valor dos ativos e encarece o acesso a capital. Antes de construir mais, é preciso criar condições para absorver melhor a energia que já está disponível”, disse.

Importação de módulos solares recua em 2026

Os primeiros sinais concretos de desaceleração já aparecem nos dados do mercado.

Levantamento da consultoria Greener aponta que as importações de módulos solares recuaram 48% no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Entre os grandes projetos de geração, a queda foi ainda mais expressiva: o volume destinado às grandes usinas diminuiu 82%.

O movimento indica uma possível redução do ritmo de expansão da energia solar no Brasil, em um momento de maior cautela por parte de desenvolvedores, bancos e investidores.

Projetos solares e eólicos perdem atratividade

Além da menor entrada de equipamentos, ativos já existentes enfrentam dificuldades para encontrar compradores.

A cautela dos investidores aumentou diante da exposição dos empreendimentos ao curtailment, à redução das receitas e à incerteza sobre o desempenho financeiro futuro.

Outro reflexo é a desistência de projetos. A Aneel vem aprovando pedidos de revogação de outorgas para empreendimentos eólicos e solares de empresas como Enel, Engie, EDF e Rio Energy, entre outras.

O conjunto desses movimentos aponta para uma possível mudança de ciclo no setor elétrico brasileiro: depois de anos de forte estímulo à expansão das fontes renováveis, o desafio passa a ser equilibrar oferta e demanda de energia, ampliar a capacidade de armazenamento e transmissão e evitar que novos investimentos agravem a ociosidade existente.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters/Stringer

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Informação

Setor eólico no Brasil enfrenta entraves e pode perder projetos para Argentina e Chile

O setor eólico brasileiro inicia 2026 diante de obstáculos que colocam em risco novos investimentos e a competitividade do país na América Latina. Dois fatores concentram as maiores preocupações das empresas do segmento: a manutenção da taxa de juros em 15% ao ano e a ausência de uma solução estrutural para o curtailment, prática que interrompe de forma compulsória a geração de energia renovável.

Na avaliação de executivos do setor, esse cenário tem limitado a expansão de projetos no Brasil e favorecido outros mercados da região, como Argentina, Chile e México.

Incentivos desequilibram matriz energética

Para Eduardo Ricotta, CEO da Vestas na América Latina, o país enfrenta um desequilíbrio estrutural no setor elétrico. Segundo ele, o modelo atual de incentivos prioriza a geração distribuída, especialmente a energia solar, sem considerar as diferenças de comportamento entre as fontes renováveis.

Enquanto a solar concentra sua produção durante o dia e praticamente zera à noite, a energia eólica apresenta geração mais estável e registra aumento de cerca de 22% no período noturno, quando a demanda por eletricidade cresce. “Com investimentos concentrados apenas na solar, sustentados por subsídios federais, a conta não fecha”, avalia o executivo.

Custo do capital atrasa projetos no país

Outro fator crítico é o impacto dos juros elevados sobre o financiamento de novos empreendimentos. O alto custo do capital tem provocado atrasos e inviabilizado projetos no Brasil, segundo Ricotta.

Diante desse cenário, a Vestas conseguiu equilibrar sua atuação regional com a execução de projetos em Argentina e Chile, o que compensou a desaceleração do mercado brasileiro em 2025. No país, a expansão do setor ficou praticamente paralisada, com apenas um grande contrato firmado nos últimos três anos.

Contrato bilionário no Piauí dá fôlego ao setor

No fim de 2025, a Vestas anunciou um contrato de R$ 5 bilhões com a Casa dos Ventos para a construção do parque eólico Dom Inocêncio, no Piauí, com capacidade instalada de 828 megawatts (MW). Além da implantação, a empresa será responsável pela operação e manutenção do complexo por um período de 25 anos.

Apesar da relevância do projeto, Ricotta reconhece que o contrato representou apenas um alívio pontual para a companhia no Brasil. Ainda assim, trata-se do maior anúncio do setor desde 2023 e fundamental para manter a cadeia produtiva eólica ativa.

As obras começaram em janeiro e seguem até o segundo trimestre de 2028, com previsão de geração de 8,5 mil empregos. A produção estimada será suficiente para atender o consumo de cerca de dois milhões de residências. Os equipamentos serão fabricados na unidade da Vestas no Ceará.

Data centers e IA ampliam risco de perda de investimentos

A dificuldade de expansão da energia eólica no Brasil também impacta diretamente a estratégia de atração de data centers e projetos ligados à inteligência artificial (IA). Recentemente, a OpenAI anunciou planos de investir até US$ 25 bilhões em megaestruturas desse tipo na Argentina, reforçando a concorrência regional.

Segundo Ricotta, o Brasil poderia deixar de exportar apenas energia e passar a exportar dados e processamento digital, aproveitando seu potencial energético. No entanto, investidores têm optado por países com custos mais previsíveis e menor risco regulatório.

Plano Nacional de Data Centers pode perder força

O Plano Nacional de Data Centers prevê a atração de até R$ 2 trilhões em investimentos ao longo de dez anos. Atualmente, o Brasil possui 195 data centers, sendo 57 localizados em São Paulo, de acordo com o Data Center Map. A energia elétrica é o principal insumo dessas estruturas.

Apesar de uma medida provisória publicada em setembro garantir isenção de impostos para equipamentos não fabricados no país, especialistas alertam que, sem um custo mais competitivo da energia e avanços regulatórios, parte do plano pode não se concretizar.

Na comparação regional, o Chile conta com 66 data centers; o México, 62; a Argentina, 43; a Colômbia, 41; e a Bolívia, 5.

Subsídios e falta de regulação mantêm incertezas

Para o CEO da Vestas, enquanto cerca de 75% dos subsídios permanecerem concentrados na geração distribuída, em detrimento da energia eólica, o mercado seguirá desregulado e sujeito a elevados níveis de curtailment.

“O Brasil tem potencial para atrair investidores, mas precisa de um arcabouço regulatório que reduza o risco e traga previsibilidade. Houve avanços pontuais, mas o problema central ainda não foi resolvido”, afirma Ricotta.

Serviços crescem enquanto novos projetos não avançam

Diante da escassez de novos empreendimentos no país, a Vestas tem ampliado sua atuação na área de serviços e manutenção de parques eólicos já em operação. Atualmente, a empresa administra cerca de 12 gigawatts (GW) em contratos desse tipo, volume que era de apenas 1,6 GW há cinco anos.

Esse segmento se tornou o principal vetor de crescimento da companhia em faturamento. O Brasil figura entre os cinco maiores mercados globais da Vestas, embora a empresa não divulgue dados detalhados por país.

Entre janeiro e setembro de 2025, a companhia registrou receita líquida de € 12,5 bilhões, alta de 12,53% em relação ao mesmo período do ano anterior. Nos últimos 12 meses, as ações da Vestas acumularam valorização de 83% na bolsa de Copenhague, elevando seu valor de mercado para US$ 28,7 bilhões.

FONTE: NeoFeed
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/NeoFeed

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Sustentabilidade

Brasil desperdiça 20% da energia renovável em 2025 e acende alerta no setor elétrico

O ano de 2025 marcou um contraste no setor elétrico brasileiro. Mesmo figurando entre os líderes globais em energia renovável, o país deixou de aproveitar uma parcela significativa da produção limpa. Ao longo do ano, 20,6% da geração solar e eólica foi desperdiçada, resultado de cortes operacionais e limitações do sistema — fenômeno conhecido como curtailment.

De acordo com o relatório Curtailment 2025: retrospectiva e projeção, da Volt Robotics, a energia não utilizada representou uma perda econômica superior a R$ 6 bilhões entre janeiro e dezembro.

Excesso de geração expõe fragilidades do sistema elétrico

Segundo o diretor-geral da Volt Robotics, Donato da Silva Filho, o volume desperdiçado não pode ser tratado como algo marginal. “Estamos falando de energia limpa que poderia abastecer residências, indústrias e hospitais, mas acabou sendo descartada”, afirma.

O estudo aponta que os cortes atingiram níveis inéditos em 2025, pressionando projetos renováveis e expondo fragilidades estruturais do sistema elétrico nacional. O problema ocorre, principalmente, no período da manhã, quando a geração solar atinge seu pico, especialmente entre 10h e 11h.

Curtailment cresce com expansão acelerada das renováveis

Segundo Donato, cerca de 50% dos cortes ocorreram por excesso de oferta, enquanto a outra metade foi causada por limitações da infraestrutura de transmissão. O avanço rápido da geração, sobretudo da solar distribuída, não foi acompanhado por investimentos proporcionais em redes e sistemas de escoamento.

“A geração cresceu muito rápido, mas a infraestrutura não acompanhou esse ritmo. O sistema atual não foi projetado para essa realidade”, explica.

Fenômeno estrutural e global

Para o professor Ivan Camargo, da Universidade de Brasília (UnB), o problema não é exclusivo do Brasil. “Esse é um desafio estrutural da transição energética. Está acontecendo no mundo todo”, afirma.

Dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) mostram que o país já soma cerca de 60 GW de capacidade solar e 33 GW de energia eólica, volume que supera a carga do sistema ao meio-dia. Segundo o especialista, não basta ampliar linhas de transmissão. “Não adianta levar energia para onde não há consumo naquele horário”, destaca.

Picos de corte e risco operacional

O relatório da Volt Robotics indica que os meses de agosto, setembro e outubro concentraram os maiores níveis de corte, com destaque para outubro, quando o desperdício atingiu cerca de 8.000 MW médios, equivalente à geração média da Usina de Itaipu.

Em novembro, houve alívio parcial, com redução para 4.600 MW médios, e em dezembro os cortes ficaram em torno de 1.700 MW médios. Ainda assim, o movimento foi considerado conjuntural, associado à redução da geração eólica no fim do ano.

Domingos se tornam ponto crítico do sistema

Os dados mostram que os domingos pela manhã concentram os momentos mais críticos, quando o consumo é menor e a oferta permanece elevada. Em 2025, foram identificados 16 dias críticos, nos quais mais de 80% da geração disponível chegou a ser cortada em determinados períodos.

“Existe risco real de colapso por excesso de energia. Se toda a geração centralizada for cortada e ainda houver sobra da geração distribuída, o sistema pode entrar em instabilidade”, alerta Donato.

Quem paga a conta do desperdício?

O tema ganhou destaque na reforma do setor elétrico sancionada em novembro. O debate gira em torno de quem deve arcar com os custos do curtailment. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que vetos presidenciais evitaram um repasse estimado em R$ 6 bilhões aos consumidores.

Segundo ele, apenas situações em que a energia não pode ser escoada por falhas de infraestrutura justificariam compensações aos geradores. “Quando o Estado não entrega a infraestrutura necessária, é legítimo indenizar o investidor”, declarou em entrevista ao programa Roda Viva.

Falta de sinais econômicos agrava o problema

Para o pesquisador Diogo Lisbona, da FGV-CERI, o Brasil carece de mecanismos que sinalizem corretamente onde e quando investir. “A geração distribuída não recebe sinais de preço ou localização. Isso distorce o sistema”, afirma.

Ele defende ajustes regulatórios, revisão das regras de compensação e maior integração com soluções de armazenamento de energia. “Sem essas mudanças, os cortes vão continuar crescendo”, avalia.

Medidas emergenciais e caminhos futuros

Diante do agravamento do cenário, a Aneel e o ONS aprovaram um Plano Emergencial para lidar com o excesso de geração. Entre as medidas está a ampliação da tarifa branca para grandes consumidores, incentivando o uso de energia em horários de menor custo.

A Volt Robotics destaca que a adesão ainda é baixa, mas considera o movimento um avanço institucional. Entre as soluções estruturais estão novas linhas de transmissão — especialmente ligando o Nordeste ao Sul e Sudeste — previstas para entrar em operação entre 2029 e 2030.

Além disso, o estudo aponta que mudanças simples no comportamento do consumidor, como deslocar o uso de equipamentos elétricos para o período da manhã, podem reduzir significativamente o desperdício.

“Não é consumir mais, é consumir melhor. Tarifas inteligentes, armazenamento e incentivos corretos são fundamentais para equilibrar o sistema e garantir uma transição energética segura”, conclui Donato.

FONTE: Correio Braziliense
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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