Comércio Internacional

Exportações da América Latina crescem 20% e reacendem debate sobre novo ciclo de commodities

As exportações da América Latina e do Caribe avançaram 20% no primeiro semestre de 2026, na comparação com igual período do ano anterior, impulsionadas principalmente pela valorização das commodities no mercado internacional. O resultado ocorre em um cenário global marcado por tensões geopolíticas, pela guerra no Oriente Médio e pela disputa comercial entre Estados Unidos e China.

Os dados fazem parte de uma análise da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), órgão das Nações Unidas voltado à promoção do desenvolvimento regional. O levantamento aponta que o comércio exterior latino-americano se beneficiou da expansão das trocas globais, mas também destaca desafios para transformar o aumento das receitas com matérias-primas em desenvolvimento econômico de longo prazo.

No mesmo período, as importações da região cresceram 14%, indicando uma ampliação dos fluxos comerciais.

Comércio mundial supera projeções e favorece a região

O volume do comércio internacional aumentou mais de 5% nos primeiros seis meses de 2026, segundo a Cepal. O desempenho supera em mais do dobro a estimativa de crescimento de 1,9% para o ano inteiro divulgada anteriormente pela Organização Mundial do Comércio (OMC).

Parte significativa dessa expansão foi sustentada pela demanda por componentes eletrônicos associados aos investimentos em inteligência artificial. China e outras economias emergentes da Ásia tiveram papel central nesse movimento.

Nesse contexto, a América Latina e o Caribe figuram entre as regiões beneficiadas pelo crescimento das trocas globais, especialmente devido à alta dos preços de produtos básicos e recursos naturais.

Alta das commodities impulsiona receitas de exportação

A valorização das matérias-primas é apontada pela Cepal como um dos principais fatores por trás do avanço das vendas externas latino-americanas.

Entre janeiro e agosto de 2026, o índice agregado de preços das exportações regionais subiu 23,5% em relação ao mesmo intervalo de 2025. Para o conjunto do ano, a projeção é de aumento de 20,4%.

O destaque está no segmento de minerais e metais, cujos preços devem avançar 31,6%. Entre os produtos que sustentam essa perspectiva estão cobre, ouro, prata e estanho.

Para o segundo semestre, a expectativa também é positiva. Em valor, as exportações regionais de bens devem crescer 20% em 2026, resultado de uma combinação entre aumento de 11% nos preços e expansão de 9% nos volumes embarcados.

Caso a estimativa se confirme, a região completará seis anos consecutivos de crescimento no volume de mercadorias exportadas.

Ásia ganha espaço como destino das exportações latino-americanas

Além do crescimento das receitas, a distribuição geográfica do comércio exterior da região passa por mudanças importantes, com maior direcionamento das vendas para os mercados asiáticos.

As exportações para países da Ásia, excluindo a China, devem registrar o maior avanço entre os principais destinos em 2026, com alta projetada de 32% em valor.

As vendas para os Estados Unidos devem aumentar 24%, enquanto os embarques para a União Europeia têm previsão de crescimento de 20%. Para a China, a estimativa é de avanço de 19%.

Já o comércio entre os próprios países latino-americanos deve apresentar expansão mais moderada, de 8%.

Os números indicam uma diversificação dos mercados de destino, embora o desempenho regional continue condicionado à demanda internacional e à evolução dos preços das matérias-primas.

América Latina pode viver um novo superciclo de commodities?

O avanço das exportações levanta a possibilidade de um novo superciclo de commodities, semelhante ao observado entre 2003 e 2014. Naquele período, a forte demanda global elevou os preços dos recursos naturais, ampliou a entrada de divisas e favoreceu o crescimento econômico de diversos países latino-americanos.

Em entrevista ao Herald, o secretário-executivo da Cepal, José Manuel Salazar, reconheceu que o cenário atual abre uma janela de oportunidade para a região. No entanto, ressaltou que as condições econômicas de hoje são bastante diferentes das que impulsionaram o ciclo anterior.

No início do século, o principal motor foi a rápida industrialização chinesa. Durante mais de uma década, a economia do país asiático cresceu entre 9% e 10% ao ano, ampliando significativamente a demanda mundial por petróleo, metais e outros produtos básicos.

Agora, segundo Salazar, as perspectivas estão mais relacionadas à transformação tecnológica, à busca por segurança energética e à transição para uma economia de baixo carbono.

Essa mudança altera o perfil da demanda por recursos naturais e aumenta as incertezas sobre quais matérias-primas terão maior relevância no futuro.

Transição energética e tecnologia trazem riscos para os minerais

A transformação tecnológica cria oportunidades para os países que possuem reservas minerais estratégicas, mas também introduz riscos para os exportadores.

Salazar citou o lítio como exemplo. Embora o mineral seja importante para determinadas tecnologias de baterias, o desenvolvimento de alternativas que dispensem sua utilização poderia reduzir a demanda internacional.

O avanço das pesquisas em países desenvolvidos e na China torna difícil prever quais tecnologias prevalecerão nos próximos anos.

Outro segmento que desperta interesse é o das terras raras, conjunto de elementos utilizados em diferentes aplicações tecnológicas e industriais. Vários países latino-americanos possuem depósitos desses recursos, mas aproveitar esse potencial exige investimentos e conhecimento especializado.

Segundo o secretário-executivo da Cepal, a extração e o refino das terras raras são operações mais complexas do que os processos empregados na produção de cobre e de outros minerais.

Por isso, a simples existência de reservas não garante que os países da região conseguirão transformar esses recursos em ganhos econômicos duradouros.

Agregar valor à produção é o principal desafio regional

Para a Cepal, o desafio da América Latina vai além de ampliar o fornecimento de matérias-primas ao mercado internacional. A região precisa desenvolver capacidades produtivas, tecnológicas e industriais que permitam aproveitar melhor a valorização dos recursos naturais.

A incorporação de conhecimento, inovação e mão de obra qualificada pode ajudar os países a avançar para etapas de maior valor agregado nas cadeias globais de produção.

A estratégia também reduziria a dependência das oscilações dos preços internacionais, um dos fatores que historicamente tornam as economias exportadoras de commodities mais vulneráveis.

Nesse cenário, um eventual novo superciclo poderá representar uma oportunidade relevante para a América Latina, desde que o aumento das receitas com exportações seja acompanhado por investimentos em tecnologia, processamento industrial e qualificação profissional.

O objetivo, portanto, é converter a demanda global por recursos naturais em ganhos estruturais de produtividade e desenvolvimento econômico, em vez de depender exclusivamente da venda de produtos básicos.

FONTE: Buenos Aires Herald
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Buenos Aires Herald

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Comércio Internacional

Exportações da Argentina chegam a US$ 77 bilhões e superávit comercial cresce em 2026

As exportações da Argentina somaram US$ 77 bilhões nos primeiros nove meses de 2026, impulsionadas pelo avanço das commodities e pelo aumento das vendas externas. Em setembro, os embarques alcançaram US$ 10 bilhões, uma alta de 23,5% em relação ao mesmo mês de 2025. Na comparação mensal, considerando o ajuste sazonal, o crescimento foi de 8,6%.

O desempenho refletiu a elevação tanto dos preços, que avançaram 16%, quanto dos volumes exportados, com aumento de 6%. O resultado reforça a expansão do comércio exterior argentino, embora outros setores da economia continuem enfrentando dificuldades.

Petróleo, farelo de soja e milho lideram as exportações argentinas

Os dez principais produtos exportados pela Argentina em setembro de 2026 responderam por 57,3% do valor total das vendas externas.

O petróleo bruto ocupou a primeira posição, com US$ 1,1 bilhão em exportações. Na sequência, apareceram o farelo de soja, com US$ 1 bilhão, e o milho, que movimentou US$ 833 milhões.

O ranking também incluiu o óleo bruto de soja, com US$ 597 milhões, e veículos destinados ao transporte de mercadorias, com US$ 518 milhões.

A soja em grãos ficou na sexta colocação, com US$ 468 milhões, equivalentes a 4,7% das exportações do país. Apesar da participação relevante, o produto registrou queda de 42,6% em relação a setembro do ano anterior.

Completaram a lista dos dez principais itens o ouro não monetário, a carne bovina, o trigo e o óleo de girassol.

Veículos e autopeças estão entre os principais produtos importados

No lado das importações, as dez categorias de produtos mais relevantes representaram 29,4% do total adquirido pela Argentina no exterior.

Os veículos para transporte de passageiros, incluindo ônibus, lideraram a lista, com aproximadamente US$ 450 milhões, o equivalente a 6,4% das importações. Em seguida, ficaram as peças e os acessórios automotivos, com participação de 4,3%, e a soja, responsável por 3,9%.

Outros produtos com peso significativo na pauta de compras externas foram medicamentos, telefones, veículos de transporte de mercadorias, produtos derivados do sangue e imunológicos, fertilizantes e equipamentos para processamento de dados.

Superávit comercial argentino alcança US$ 2,976 bilhões em setembro

A Argentina registrou superávit comercial de US$ 2,976 bilhões em setembro de 2026. O resultado foi obtido com exportações de US$ 10 bilhões e importações de aproximadamente US$ 7 bilhões.

As compras externas recuaram 1,8% na comparação anual, embora tenham apresentado uma leve alta em relação a agosto.

O saldo comercial de setembro superou em US$ 2 bilhões o registrado no mesmo mês de 2025 e ficou US$ 1,5 bilhão acima do resultado de agosto. Foi também o maior superávit mensal desde junho, quando o país alcançou US$ 3,4 bilhões.

O país acumula 34 meses consecutivos de resultados positivos na balança comercial, sequência iniciada em dezembro de 2023, quando Javier Milei assumiu a Presidência.

Saldo positivo chega a US$ 21,2 bilhões no acumulado do ano

Entre janeiro e setembro de 2026, o superávit comercial da Argentina atingiu US$ 21,2 bilhões, sustentado por exportações de US$ 77 bilhões.

Os segmentos de combustíveis e energia, produtos primários e manufaturados de origem agropecuária responderam, em conjunto, por 73% das vendas externas realizadas no período.

Os números indicam a possibilidade de o país alcançar um recorde anual no saldo comercial. Até setembro, o superávit acumulado já correspondia ao dobro do resultado registrado durante todo o ano de 2025.

De acordo com estimativas do centro de estudos econômicos Fundación Capital, as exportações argentinas podem ultrapassar US$ 100 bilhões até o encerramento de 2026.

Indústria argentina enfrenta dificuldades apesar do avanço comercial

Apesar do forte desempenho do comércio exterior, a expansão das exportações ainda não se reflete de maneira uniforme na economia doméstica.

A indústria manufatureira argentina registrou retração de 2,7% nos primeiros oito meses de 2026, em comparação com o mesmo intervalo do ano anterior, segundo dados oficiais.

Além disso, as projeções de crescimento econômico do país foram revisadas significativamente para baixo nas últimas semanas. A deterioração das expectativas levantou a possibilidade de que a economia tenha entrado em recessão no terceiro trimestre.

O contraste entre o avanço das vendas externas e a fraqueza de parte da atividade produtiva evidencia um dos principais desafios econômicos da Argentina: transformar o desempenho comercial em crescimento mais amplo e sustentável.

FONTE: Buenos Aires Herald
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Buenos Aires Herald

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Notícias

Minério de ferro cai após acordo entre compradora chinesa e Rio Tinto

Os preços do minério de ferro recuaram nesta quinta-feira, pressionados pela confirmação de um acordo entre a compradora estatal chinesa China Mineral Resources Group (CMRG) e a mineradora Rio Tinto. O movimento ocorre em um cenário de margens ainda pressionadas para as siderúrgicas chinesas e de sinais de ampla oferta da matéria-prima no mercado internacional.

Na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE), na China, o contrato futuro de minério de ferro mais negociado, com vencimento em janeiro, fechou em queda de 1,62%, a 669 yuans por tonelada, equivalente a US$ 100,23.

Já o contrato de referência para novembro negociado na Bolsa de Cingapura recuava 1,3%, para US$ 89,85 por tonelada.

CMRG fecha acordo com a Rio Tinto

A CMRG comunicou verbalmente a algumas siderúrgicas chinesas, na quarta-feira, que havia chegado a um entendimento com a Rio Tinto. Segundo fontes familiarizadas com as negociações, não foram divulgados detalhes adicionais sobre os termos do acordo.

Em agosto, a Reuters havia noticiado que a compradora estatal orientara algumas usinas a suspender as negociações com a mineradora australiana para o recebimento de cargas a partir de setembro.

A retomada das tratativas é acompanhada de perto pelo mercado, já que a CMRG desempenha um papel importante nas negociações de fornecimento de minério de ferro para a China, maior consumidor mundial da commodity.

Margens das siderúrgicas continuam pressionadas

As condições financeiras das siderúrgicas chinesas seguem sem apresentar melhora significativa. Em Tangshan, um dos principais polos siderúrgicos do país, as perdas das usinas permaneceram praticamente estáveis nesta semana.

Dados da consultoria Mysteel mostram que o custo médio de produção do ferro-gusa continuou diminuindo em relação ao preço de fábrica do tarugo quadrado comum, cotado a 2.940 yuans por tonelada.

A pressão sobre as margens do setor reduz o potencial de recuperação da demanda por matérias-primas e mantém os investidores atentos ao ritmo de produção das usinas chinesas.

Produção doméstica da China recua, mas oferta segue elevada

A produção chinesa de minério de ferro bruto somou 63,11 milhões de toneladas em setembro, uma redução de 23,9% na comparação anual, de acordo com dados do Escritório Nacional de Estatísticas do país.

Apesar da queda na extração doméstica, a oferta total permanece abundante. Analistas da Everbright Futures apontam que a estabilidade da produção das minas no exterior, o volume expressivo de embarques e chegadas aos portos chineses e os estoques portuários elevados compensam parte da redução interna.

Esse cenário limita o impacto da menor produção chinesa sobre os preços internacionais do minério de ferro.

Fortescue alerta para possíveis impactos nas operações

A mineradora australiana Fortescue também demonstrou preocupação com o andamento das negociações com a CMRG. A companhia alertou que suas operações podem ser afetadas caso as tratativas de fornecimento não sejam concluídas até o fim do ano.

No primeiro trimestre, a empresa registrou uma queda de 6% nos embarques de minério de ferro. Segundo a companhia, o resultado foi influenciado por atividades de manutenção, incluindo paralisações programadas para operações de descarga nos portos.

As negociações prolongadas com a compradora chinesa também continuaram pesando sobre os negócios da Fortescue, acrescentando incertezas ao mercado global da commodity.

Mercado acompanha demanda chinesa e negociações de fornecimento

A combinação de margens reduzidas nas siderúrgicas, estoques elevados e disponibilidade de minério proveniente de produtores internacionais mantém o mercado sob pressão.

Nesse contexto, os próximos desdobramentos das negociações entre a CMRG e as grandes mineradoras, além da evolução da demanda chinesa por aço, devem continuar influenciando as cotações da commodity mineral nas bolsas internacionais.

FONTE: Investing.com
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Stringer

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Agricultura

Soja busca recuperação em Chicago, mas mercado aguarda dados do USDA

Os contratos futuros de soja registravam leves altas na Bolsa de Chicago na manhã desta quarta-feira (30), em um movimento de recuperação após a pressão das últimas sessões. O avanço, porém, permanecia limitado pela cautela dos investidores antes da divulgação de novos dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

Por volta das 7h26, no horário de Brasília, o contrato com vencimento em novembro de 2026 subia 3,75 pontos, cotado a US$ 13,0150 por bushel. O janeiro de 2027 avançava 4 pontos, para US$ 13,16, enquanto o março de 2027 também ganhava 4 pontos, negociado a US$ 13,25 por bushel.

Demanda chinesa limita avanço da soja

Apesar da sinalização positiva em Chicago, o mercado segue encontrando dificuldades para ampliar os ganhos diante das incertezas em relação à demanda chinesa por soja dos Estados Unidos.

A China não incluiu a oleaginosa norte-americana no pacote de redução de tarifas anunciado nesta semana. Com isso, a soja dos EUA continua sujeita a uma tarifa de 10%, mantendo um obstáculo para a expansão das compras chinesas do produto.

Além da questão tarifária, outros fatores aumentam a cautela entre os participantes do mercado. Informações divulgadas pela agência Reuters nesta quarta-feira apontam para estoques elevados de soja nas esmagadoras chinesas, margens de processamento negativas e uma perspectiva de menor consumo de ração animal.

De acordo com a agência, os estoques de soja nas unidades de esmagamento da China atingiram o maior nível em 15 anos. Esse cenário pode diminuir a necessidade de novas importações durante o quarto trimestre.

Brasil e Argentina ganham espaço nas compras

A disponibilidade de soja da América do Sul, principalmente do Brasil e da Argentina, também pesa sobre a competitividade do produto norte-americano no mercado chinês.

Um executivo de alto escalão de uma empresa chinesa de processamento de oleaginosas afirmou à Reuters que as compras já realizadas garantem cargas brasileiras e argentinas para outubro e boa parte de novembro. Segundo ele, os embarques devem chegar justamente no período de maior demanda associado ao Ano Novo Chinês.

Nesse contexto, os compradores privados da China tendem a priorizar a soja sul-americana, considerada mais competitiva. Já as compras de soja dos Estados Unidos continuam mais concentradas nas empresas estatais chinesas.

Mercado aguarda estoques dos EUA

Além das questões relacionadas à China e à demanda por soja, os investidores acompanham nesta quarta-feira a divulgação do novo relatório trimestral de estoques dos Estados Unidos.

O USDA apresentará os dados referentes à posição dos estoques norte-americanos em 1º de setembro. As informações são aguardadas pelo mercado e podem trazer novos elementos para a formação dos preços da soja na Bolsa de Chicago.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Comércio Exterior

Açúcar recua em Nova York e Londres com sinais de demanda enfraquecida

Os preços futuros do açúcar terminaram a sessão da última sexta-feira (25) em baixa nas bolsas de Nova York e Londres. A pressão veio principalmente de sinais de enfraquecimento da demanda física pela commodity.

Em Nova York, o contrato com vencimento em outubro perdeu 8 pontos, encerrando a 17,50 cents por libra-peso. Em Londres, o vencimento dezembro caiu 730 pontos, para US$ 502,60 por tonelada.

Expectativa de grandes entregas pesa em Nova York

Um dos fatores que pressionaram o mercado americano foi a possibilidade de uma entrega elevada associada ao contrato outubro, que vence na próxima quarta-feira.

Segundo a McDougall Global Views, o volume atual de posições em aberto indica que as entregas podem alcançar aproximadamente 1,8 milhão de toneladas, acima da média registrada nos últimos seis anos.

O cenário aumenta a preocupação dos agentes do mercado com a procura física pelo açúcar. Ao longo da semana, as cotações já vinham sob pressão. Na terça-feira, o contrato negociado em Nova York atingiu o menor valor em um mês, enquanto Londres registrou a mínima em cerca de seis semanas.

Contrato em Londres registra entrega expressiva

A percepção de demanda mais fraca ganhou força após o vencimento do contrato outubro em Londres, que resultou na entrega de 499.350 toneladas de açúcar.

O volume foi 91% superior ao registrado um ano antes e ficou entre os maiores já contabilizados para um contrato com vencimento em outubro.

Para o mercado, a quantidade elevada reforça os sinais de menor demanda física e dificulta uma recuperação mais consistente dos preços.

Fundos ampliam posições compradas

O posicionamento dos fundos também está no radar dos investidores. O relatório Commitment of Traders (COT) apontou aumento de 791 contratos líquidos nas posições compradas em açúcar em Nova York na semana encerrada em 15 de setembro.

Com o movimento, o volume de posições líquidas compradas chegou a 161.342 contratos, maior patamar em quase três anos.

Um estoque elevado de posições compradas pode aumentar a pressão vendedora caso as cotações continuem recuando, uma vez que os investidores podem optar por liquidar parte dessas posições.

StoneX reduz previsão de déficit mundial

A perspectiva para o equilíbrio entre oferta e demanda também mudou após uma revisão da StoneX para a temporada 2026/27.

A consultoria reduziu sua estimativa de déficit global de 1,7 milhão para 900 mil toneladas. Entre os fatores considerados está a expectativa de uma moagem recorde de cana-de-açúcar no Centro-Sul brasileiro na próxima safra.

Para 2025/26, que chega ao fim neste mês, a StoneX passou a projetar um superávit mundial de 1,45 milhão de toneladas, ante os 2,9 milhões de toneladas previstos anteriormente.

Mesmo com a revisão, outras projeções ainda indicam déficit na próxima temporada. A Organização Internacional do Açúcar (ISO) calcula um saldo negativo de 200 mil toneladas em 2026/27, depois de um superávit estimado em 1,1 milhão de toneladas em 2025/26.

Clima mantém riscos para a oferta

As condições climáticas continuam sendo acompanhadas pelo mercado e ajudam a limitar uma queda mais acentuada das cotações.

No Brasil, as chuvas no Centro-Sul vêm atrasando a colheita e a moagem de cana-de-açúcar. Segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), a produção de açúcar na região recuou 26,3% em junho, para 3,903 milhões de toneladas.

Na Índia, o volume acumulado das chuvas de monção estava 15% abaixo da média até 23 de setembro. O país também autorizou a entrada de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem tarifa até 31 de outubro.

Na Tailândia, a Thai Sugar Millers projeta queda de 17% na produção de açúcar em 2026/27, para aproximadamente 10 milhões de toneladas.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Comércio Exterior

Algodão fecha semana em alta de até 2,12% na Bolsa de Nova York

Os contratos futuros de algodão terminaram a sessão da última sexta-feira (25) em baixa na Bolsa de Nova York. Apesar da queda no dia, as cotações acumularam ganhos de até 2,12% no balanço da semana.

O contrato outubro/26 recuou 0,60 cent, ou 0,75%, e fechou a 78,91 cents por libra-peso. O dezembro/26 caiu 0,60 cent (-0,72%), para 82,71 cents/lb.

Já o contrato março/27 perdeu 0,57 cent (-0,66%), encerrando a 85,49 cents/lb. O maio/27 teve baixa de 0,56 cent (-0,64%), aos 87,17 cents/lb.

Contratos de algodão acumulam ganhos na semana

Apesar do desempenho negativo na última sessão, todos os principais contratos registraram valorização no acumulado semanal.

O outubro/26 avançou de 77,38 para 78,91 cents/lb, alta de 1,53 cent, equivalente a 1,98%.

Confira o desempenho semanal:

  • Dezembro/26: alta de 1,56 cent (+1,92%), de 81,15 para 82,71 cents/lb;
  • Março/27: ganho de 1,70 cent (+2,03%), de 83,79 para 85,49 cents/lb;
  • Maio/27: avanço de 1,81 cent (+2,12%), de 85,36 para 87,17 cents/lb.

O contrato de maio apresentou, portanto, a maior valorização entre os vencimentos acompanhados.

Negociações entre EUA e China seguem no radar

No cenário comercial, poucas informações foram divulgadas sobre as conversas entre os governos dos Estados Unidos e da China realizadas ao longo da semana.

Segundo informações do mercado, um relatório divulgado na manhã de sexta-feira indicou que o representante comercial dos EUA, Greer, esperava que alguns detalhes das negociações fossem apresentados na segunda-feira.

A evolução das relações comerciais entre as duas potências permanece relevante para o mercado de commodities agrícolas, incluindo o algodão.

Exportações americanas ficam acima do ano passado

Dados do relatório de vendas para exportação do USDA apontam compromissos de exportação de 4,735 milhões de fardos de algodão.

O volume representa uma alta de 17% em relação ao mesmo período do ano passado. O total corresponde a 41% da estimativa de exportações projetada pelo USDA para a temporada, percentual abaixo da média histórica de 49%.

Clima e colheita também influenciam o mercado

Para Jack Scoville, da Price Futures Group, a previsão meteorológica indica uma melhora nas condições de tempo nos Estados Unidos durante a semana.

A expectativa é de temperaturas ligeiramente mais baixas e ocorrência de chuvas, principalmente no oeste do Texas, uma das principais regiões produtoras do país.

O USDA informou que 48% das lavouras de algodão estão classificadas em condições boas ou excelentes. Além disso, 12% da safra já havia sido colhida e 58% dos frutos estavam na fase de abertura.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Agronegócio

Coamo investirá R$ 500 milhões para ampliar produção de óleo de soja no Paraná

A Coamo Agroindustrial, maior cooperativa agrícola do Brasil, planeja investir R$ 500 milhões para dobrar a capacidade de produção de óleo de soja de sua unidade em Paranaguá, no Paraná. Com a expansão, a fábrica poderá processar até 5 mil toneladas de soja por dia.

O projeto faz parte de um amplo ciclo de investimentos da Coamo, que inclui novos empreendimentos industriais, logísticos e portuários. Entre os maiores está a construção de um terminal portuário em Itapoá, em Santa Catarina, com investimento previsto de R$ 3 bilhões.

Fábrica de óleo terá expansão em duas etapas

Os investimentos na unidade de Paranaguá já começaram. Cerca de R$ 200 milhões serão aplicados ainda neste ano para elevar a capacidade diária da fábrica de 2 mil para 2,5 mil toneladas.

A segunda etapa prevê mais R$ 300 milhões e levará a capacidade total para 5 mil toneladas por dia. A proposta deverá ser submetida à assembleia anual da cooperativa, prevista para fevereiro de 2027.

O presidente executivo da Coamo, Airton Galinari, demonstra expectativa de aprovação do projeto. Por isso, segundo ele, as obras atualmente em andamento já consideram a possibilidade de uma futura duplicação da capacidade industrial.

A expansão efetiva da fábrica deverá começar no fim de 2027, após a conclusão da nova usina de biodiesel da cooperativa em Paranaguá. O empreendimento terá investimento estimado em R$ 400 milhões e ficará no terminal privado da Coamo.

Coamo também prepara novos investimentos no porto

O aumento da produção de óleo e derivados de soja exigirá melhorias na estrutura logística. A cooperativa pretende construir duas linhas para exportação de farelo de soja no Porto de Paranaguá, além de ampliar a capacidade de armazenagem.

Ainda não há um orçamento definido para essas obras. A expectativa de Galinari é que os investimentos previstos para a estrutura portuária e industrial estejam em operação até o fim de 2029.

Em paralelo, a Coamo renovou por mais 25 anos o arrendamento de uma área pertencente à União no porto paranaense. O acordo prevê R$ 100 milhões em investimentos, com aplicação dos recursos estimada para os próximos dois anos.

Estratégia busca aumentar a industrialização da soja

Os projetos integram a estratégia da Coamo de ampliar a verticalização da produção agrícola e agregar mais valor aos produtos entregues pelos cooperados.

Segundo Galinari, atualmente a cooperativa industrializa aproximadamente metade da soja recebida dos produtores. O cenário, portanto, abre espaço para ampliar a participação da agroindústria dentro das operações da companhia.

A expansão também acompanha o crescimento territorial da cooperativa. Neste ano, a Coamo avançou em três unidades de Mato Grosso do Sul e, no ano passado, ampliou sua presença em uma unidade no Paraná.

Desde janeiro, a cooperativa também adquiriu outras 15 unidades no chamado Norte Velho, incluindo a região de Londrina, onde ainda não atuava, além dos Campos Gerais. A expectativa é que essas operações aumentem o volume de grãos recebido pela empresa.

Compra de armazéns amplia capacidade de armazenagem

Entre os negócios recentes da Coamo está a aquisição de quatro instalações do fundo Pátria que eram utilizadas pela Belagrícola. O acordo, avaliado em R$ 136 milhões, foi anunciado no início de 2026.

Os ativos incluem armazéns para grãos em Sabáudia, Assaí, Bela Vista do Paraíso e Cambé, no Paraná, além de estruturas destinadas ao armazenamento de insumos agrícolas.

A Belagrícola, distribuidora de insumos controlada pelo grupo chinês Pengdu, colocou parte de suas unidades à venda dentro de um processo de recuperação extrajudicial. A empresa possui dívidas estimadas em R$ 3,2 bilhões.

Juros altos aumentam oportunidades de aquisição

De acordo com Galinari, a Coamo recebe praticamente todos os dias propostas relacionadas à aquisição ou investimento em estruturas de outras empresas, principalmente companhias que enfrentam dificuldades financeiras.

O executivo atribui parte desse movimento ao cenário de juros elevados, que aumentou a pressão financeira sobre diferentes empresas. Segundo ele, a cooperativa continuará avaliando oportunidades que tenham aderência à sua estratégia.

Apesar do interesse em ampliar a presença no mercado, existem limitações para a expansão, entre elas a disponibilidade de mão de obra necessária para operar eventuais novas unidades.

Faturamento deve superar R$ 30 bilhões

Depois de uma safra considerada positiva e diante da recuperação dos preços das commodities agrícolas, a Coamo estima crescimento de aproximadamente 10% no faturamento deste ano.

Com o avanço, a receita deve superar R$ 30 bilhões, estabelecendo um novo recorde para a cooperativa.

Para a safra 2026/27, as perspectivas também são consideradas positivas pela direção da Coamo. Segundo Galinari, em períodos marcados pelo fenômeno climático El Niño, as regiões onde a cooperativa atua costumam apresentar boas condições para a produção de grãos.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Globo Rural

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Informação

Minério de ferro recua pelo quinto dia seguido com aumento da oferta e pressão sobre siderúrgicas

Os preços futuros do minério de ferro registraram nova queda nesta terça-feira, acumulando a quinta sessão consecutiva de perdas. O movimento ocorre em meio ao crescimento dos embarques globais da commodity e à pressão provocada pelos preços elevados do coque, que vêm reduzindo as margens de lucro das siderúrgicas e afetando as perspectivas para a demanda pelo minério.

Na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE), na China, o contrato de minério de ferro com maior negociação, com vencimento em janeiro, caiu 0,56%, para 707,5 iuanes (US$ 105,40) por tonelada.

Em Cingapura, o contrato de referência para outubro recuava 0,3%, cotado a US$ 95,30 por tonelada.

Embarques globais de minério de ferro aumentam

Dados da consultoria Mysteel mostram que os embarques globais de minério de ferro cresceram 1,59 milhão de toneladas na comparação semanal. Na semana encerrada em 13 de setembro, foram transportadas 35,17 milhões de toneladas.

O avanço da oferta ocorre ao mesmo tempo em que o mercado enfrenta sinais de enfraquecimento da demanda, aumentando a pressão sobre as cotações da matéria-prima utilizada na produção de aço.

Preço do coque reduz margem das siderúrgicas

Os preços do coque continuam elevados, enquanto algumas usinas siderúrgicas entraram em períodos de manutenção diante de uma oferta mais limitada do combustível utilizado na fabricação do aço.

Analistas do Shanghai Metals Market afirmaram, em relatório, que esse cenário vem afetando a demanda considerada mais rígida por minério de ferro.

Com a demanda em retração e a oferta permanecendo relativamente estável, os especialistas avaliam que os preços do minério devem continuar pressionados no curto prazo.

Produção de aço da China atinge menor nível em oito meses

Outro fator que pesa sobre o mercado é a redução da produção de aço bruto da China. Em agosto, a produção diária caiu 3% em relação a julho e atingiu o menor patamar em oito meses.

A retração ocorreu em um cenário de forte queda nas margens de lucro das siderúrgicas chinesas, levando algumas empresas a reduzir o ritmo das operações.

Como a China é um dos principais mercados consumidores de minério de ferro, mudanças na produção de aço têm impacto direto sobre as perspectivas de demanda pela commodity.

Mercado imobiliário chinês continua enfraquecido

O desempenho do mercado imobiliário da China também contribui para o ambiente de cautela. Os preços de imóveis residenciais novos voltaram a cair em agosto, sinalizando que o setor continua enfrentando dificuldades.

A persistência da fraqueza no mercado imobiliário reduz as expectativas de uma recuperação mais forte da demanda interna chinesa e limita as perspectivas para segmentos intensivos no uso de aço.

Estoques podem ser recompostos antes dos feriados

Apesar do cenário negativo, as siderúrgicas chinesas podem aumentar parcialmente suas compras de minério de ferro para recompor estoques antes dos feriados previstos para o fim do mês.

Analistas da corretora Chaos Ternary Futures, porém, avaliam que a forte deterioração das margens das siderúrgicas deve limitar esse movimento de reposição.

Assim, mesmo com uma possível recuperação pontual das compras, o mercado segue sob influência do aumento da oferta, da menor produção de aço e das dificuldades enfrentadas pelo setor imobiliário chinês.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Infomoney

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Comércio Exterior

Balança comercial brasileira registra superávit de US$ 7,4 bilhões em agosto

A balança comercial brasileira fechou agosto com saldo positivo de US$ 7,4 bilhões, resultado 23,8% superior ao registrado no mesmo mês de 2025. O desempenho foi o terceiro melhor da série para meses de agosto, ficando atrás apenas dos superávits de US$ 9,6 bilhões, em 2023, e de US$ 7,7 bilhões, em 2021.

O resultado foi impulsionado principalmente pelo crescimento das exportações brasileiras, que somaram US$ 33,2 bilhões, avanço de 12,2% em 12 meses. As importações também aumentaram, mas em ritmo inferior, chegando a US$ 25,8 bilhões, alta de 9,2%.

A corrente de comércio, formada pela soma das exportações e importações, alcançou US$ 58,9 bilhões, o maior valor já registrado para um mês de agosto desde o início da série histórica.

Exportações crescem e sustentam o saldo comercial

O aumento das vendas externas foi observado nos principais setores da pauta brasileira. A indústria extrativa exportou US$ 8,3 bilhões, crescimento de 16,4% sobre agosto de 2025.

Na indústria de transformação, as exportações chegaram a US$ 17,2 bilhões, alta de 10,2%. Já a agropecuária registrou US$ 7,4 bilhões em vendas ao exterior, avanço de 11,4%.

Entre os produtos da indústria extrativa, os minérios de cobre e seus concentrados tiveram o maior crescimento, com alta de 223,1%. Também avançaram as exportações de minérios de níquel e concentrados, 120,7%, e de petróleo bruto, 18%. O minério de ferro apresentou crescimento de 20% em valor em parte dos dados setoriais.

Na indústria de transformação, o destaque ficou com os combustíveis, cujas exportações aumentaram 61,6%. As vendas de carnes de aves cresceram 40,5%, enquanto as de farelo de soja e outros alimentos destinados à alimentação animal subiram 36,6%.

Na agropecuária, as exportações de soja aumentaram 14%, as de café não torrado avançaram 24,1% e as vendas de animais vivos, com exceção de pescados e crustáceos, dispararam 174,3%.

Minério de ferro e carne bovina têm queda

Apesar do desempenho positivo da pauta exportadora, alguns produtos apresentaram retração.

As vendas externas de minério de ferro recuaram 10,8% na comparação com agosto de 2025. O resultado refletiu uma queda de 4,4% no preço médio e uma redução de 6,7% no volume embarcado.

A carne bovina brasileira também teve queda nas exportações, de 19,7% em valor. O movimento ocorreu em meio à aproximação do limite de importação definido pela China, principal mercado consumidor da proteína brasileira.

O país asiático estabeleceu uma cota de 1,106 milhão de toneladas para importações sem a cobrança de uma sobretaxa de 55% sobre os volumes que ultrapassarem esse limite.

Europa amplia compras de produtos brasileiros

O crescimento das exportações do Brasil alcançou a maioria dos principais mercados internacionais.

As vendas para a Europa aumentaram 22,1% em agosto, chegando a US$ 7,3 bilhões. Para a África, o avanço foi de 20,5%, para US$ 1,7 bilhão. Já os embarques destinados ao Oriente Médio cresceram 12,6%, totalizando US$ 1,4 bilhão.

Na América do Norte, as exportações brasileiras subiram 11,5%, para US$ 4,6 bilhões. Dentro desse resultado, as vendas aos Estados Unidos cresceram 12,1% em relação a agosto de 2025, mesmo após a entrada em vigor das novas tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros.

A Ásia, principal destino das exportações nacionais, apresentou crescimento mais discreto, de 0,7%, alcançando US$ 13,6 bilhões.

Na América do Sul, por outro lado, houve queda de 1,5%, com as vendas totalizando US$ 3,6 bilhões.

Os números mostram que o avanço das exportações em agosto foi distribuído entre diferentes mercados, com Europa, América do Norte, África e Oriente Médio registrando crescimento de dois dígitos.

Importações avançam 9,2%

As importações brasileiras somaram US$ 25,8 bilhões em agosto, alta de 9,2% ante o mesmo mês do ano passado.

Os bens de capital apresentaram o maior crescimento entre as principais categorias, com alta de 29,3%, para US$ 3,9 bilhões. As compras de bens de consumo também aumentaram, 15%, chegando ao mesmo valor de US$ 3,9 bilhões.

As importações de combustíveis cresceram 7,4%, para US$ 3 bilhões. Já os bens intermediários, que representam a principal categoria entre as compras externas, tiveram avanço de 3,1%, alcançando US$ 15 bilhões.

O aumento das aquisições de bens de capital chama atenção por incluir máquinas, equipamentos e outros itens utilizados diretamente na produção e nos investimentos das empresas.

Superávit acumulado chega a US$ 55,3 bilhões

No acumulado de janeiro a agosto, o superávit comercial brasileiro atingiu US$ 55,3 bilhões, alta de 28,2% sobre os primeiros oito meses de 2025.

As exportações totalizaram US$ 250,9 bilhões, crescimento de 10,3%. As importações, por sua vez, alcançaram US$ 195,5 bilhões, avanço de 6,1%.

O saldo acumulado é o segundo maior da série histórica para o período. O recorde continua sendo de 2023, quando o superávit entre janeiro e agosto chegou a US$ 62,4 bilhões.

A diferença entre o ritmo de crescimento das exportações e das importações contribuiu diretamente para a expansão do saldo. Enquanto as vendas externas avançaram 10,3%, as compras internacionais cresceram 6,1%.

Governo prevê superávit de US$ 90 bilhões em 2026

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) revisou para cima, em julho, a projeção para a balança comercial de 2026.

A estimativa de superávit passou de US$ 72,1 bilhões para US$ 90 bilhões. A previsão para as exportações também aumentou, de US$ 364,2 bilhões para US$ 394,4 bilhões.

Para as importações, a projeção foi elevada de US$ 292,1 bilhões para US$ 304,4 bilhões.

Uma nova atualização das estimativas está prevista para outubro. A projeção do governo supera a expectativa dos analistas consultados pelo Banco Central no boletim Focus, cuja mediana aponta para um saldo comercial de US$ 78 bilhões em 2026.

Com oito meses do ano encerrados, os US$ 55,3 bilhões acumulados correspondem a pouco mais de 61% da previsão oficial de US$ 90 bilhões. Para alcançar essa estimativa, o desempenho do comércio exterior nos quatro meses restantes dependerá principalmente da evolução das exportações, das importações e dos preços das principais commodities brasileiras.

FONTE: O Presente Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Cláudio Neves/Portos do Paraná

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Informação

Algodão recua em Nova York, mas contratos acumulam alta superior a 3% na semana

Os preços do algodão terminaram a sessão desta sexta-feira (28) em baixa na Bolsa de Nova York. O movimento ocorreu após a forte valorização registrada no pregão anterior. Apesar do recuo diário, os principais contratos da commodity encerraram a semana com ganhos acima de 3%.

Preços do algodão na Bolsa de Nova York

O contrato com vencimento em dezembro de 2026 caiu 1,03 cent, ou 1,11%, e fechou a sessão a 91,38 cents por libra-peso.

Entre os demais vencimentos, o outubro de 2026 registrou queda de 1,14 cent (-1,25%), para 89,92 cents/lb. Já o março de 2027 recuou 1,06 cent (-1,12%), encerrando o dia em 93,34 cents/lb. O contrato maio de 2027 teve baixa de 1,02 cent (-1,07%), aos 94,48 cents/lb.

Mesmo com a queda desta sexta-feira, o desempenho semanal foi positivo para todos os principais contratos.

  • Outubro/26: de 87,07 para 89,92 cents/lb, alta de 2,85 cents (+3,27%);
  • Dezembro/26: de 88,35 para 91,38 cents/lb, avanço de 3,03 cents (+3,43%);
  • Março/27: de 90,15 para 93,34 cents/lb, valorização de 3,19 cents (+3,54%);
  • Maio/27: de 91,19 para 94,48 cents/lb, ganho de 3,29 cents (+3,61%).

Exportações dos Estados Unidos sustentam atenção do mercado

Os dados mais recentes de vendas para exportação indicam que os compromissos de embarques de algodão dos Estados Unidos para a safra 2026/27 somam 4,332 milhões de fardos.

O volume representa crescimento de 27% em relação ao mesmo período do ano anterior e equivale a 38% da estimativa de exportações projetada pelo USDA. Na mesma época da temporada passada, esse percentual era de 30%.

Apesar do avanço, o ritmo atual ainda permanece abaixo da média registrada nos últimos cinco anos.

Condições das lavouras de algodão preocupam

De acordo com Jack Scoville, as lavouras de algodão nos EUA apresentam condições consideravelmente inferiores às observadas no ano passado.

O desenvolvimento da safra norte-americana também segue atrasado quando comparado à média histórica, fator que permanece no radar dos participantes do mercado de algodão.

Petróleo e dólar influenciam os negócios

No cenário internacional, o petróleo operou pressionado pela valorização do dólar e por sinais de que o fluxo da commodity pelo Estreito de Ormuz pode aumentar.

As perdas, entretanto, foram parcialmente contidas pelas incertezas relacionadas à retomada da normalidade no transporte de petróleo proveniente do Oriente Médio.

O dólar ganhou força após declarações consideradas mais duras do presidente do Federal Reserve, Warsh. Segundo ele, a inflação norte-americana não apresenta uma desaceleração significativa.

Depois dos comentários, a expectativa de uma alta dos juros na próxima reunião do FOMC aumentou para 50%, ante 36% anteriormente.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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