Agronegócio

Acordo Mercosul-Canadá avança e pode ampliar exportações do agronegócio brasileiro

As tratativas para um acordo comercial entre Mercosul e Canadá avançaram durante a mais recente rodada de negociações realizada em Toronto. O encontro resultou em progressos em cinco capítulos considerados essenciais para a ampliação das relações econômicas entre os dois mercados.

Os avanços envolvem temas como barreiras tarifárias, regras de origem, medidas sanitárias e fitossanitárias, facilitação de comércio e acesso a insumos produtivos. O cenário é visto como positivo para o fortalecimento das trocas comerciais e para a expansão das exportações do bloco sul-americano.

Agronegócio brasileiro pode ser um dos principais beneficiados

Entre os setores com maior potencial de ganho está o agronegócio brasileiro, especialmente devido às discussões relacionadas às exigências sanitárias e fitossanitárias.

Essas normas são determinantes para a entrada de produtos agropecuários em mercados internacionais e influenciam diretamente a comercialização de itens como carne bovina, frango, grãos e frutas.

Com a possível conclusão do acordo, exportadores brasileiros poderão ter acesso facilitado ao mercado canadense, considerado um dos mais relevantes devido ao seu elevado poder de consumo.

Redução de tarifas pode aumentar competitividade das commodities

O Canadá mantém demanda constante por produtos alimentícios, proteínas animais e commodities agrícolas. Nesse contexto, um entendimento comercial entre os blocos pode reduzir ou até eliminar tarifas aplicadas atualmente sobre diversos produtos exportados pelo Mercosul.

A medida beneficiaria especialmente as vendas externas de soja, carnes e produtos processados, ampliando a competitividade dos produtores brasileiros em um mercado estratégico da América do Norte.

Carne bovina e frango estão entre os produtos mais impactados

As negociações também concentram atenção nas tarifas que incidem sobre a carne bovina brasileira e a carne de frango. Atualmente, esses encargos são considerados obstáculos relevantes para o aumento da participação brasileira no mercado canadense.

Caso haja redução ou eliminação dessas barreiras, os exportadores nacionais poderão competir em condições mais favoráveis com fornecedores já consolidados, como Estados Unidos e Austrália, ampliando oportunidades para o setor pecuário brasileiro.

Expectativa é de fortalecimento do comércio internacional

O avanço das negociações reforça a perspectiva de um acordo capaz de impulsionar o comércio exterior, diversificar mercados e criar novas oportunidades para produtores e empresas dos países integrantes do Mercosul.

Além de ampliar o fluxo comercial, o entendimento pode contribuir para reduzir custos de importação de insumos agrícolas e fortalecer a integração econômica entre os dois blocos.

FONTE: Space Money
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Space Money

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Logística

Frete rodoviário acumula alta de quase 17% em 12 meses no Brasil

O frete rodoviário de cargas voltou a registrar aumento no Brasil em abril, impulsionado pela forte movimentação da safra agrícola, maior demanda por caminhões nas rotas de exportação e elevação dos custos operacionais das transportadoras.

Segundo o Índice Frete.com de Preços (IFP), calculado pela Frete.com, o valor médio nacional do frete atingiu R$ 0,431 por tonelada por quilômetro rodado, avanço de 6,93% em relação a março e de 16,8% na comparação com abril do ano passado.

Safra agrícola pressiona logística nacional

O crescimento das operações ligadas ao escoamento de grãos continua sendo um dos principais fatores de pressão sobre o setor de transporte rodoviário. A alta demanda por caminhões em corredores agrícolas e portuários reduziu a oferta de veículos em diversas regiões do país.

Além disso, as transportadoras seguem enfrentando aumento de despesas com combustível, manutenção, pneus e financiamento de frota, cenário que contribui diretamente para o encarecimento do frete.

As tensões internacionais também seguem impactando os custos logísticos, principalmente devido aos reflexos sobre o petróleo, a navegação global e as cadeias de suprimentos.

Sudeste lidera maior custo médio de frete

De acordo com o levantamento, o Sudeste apresentou o maior valor médio de frete em abril, chegando a R$ 0,472 por tonelada/km rodado. A região concentra grande parte da atividade industrial brasileira e os acessos aos principais portos do país, especialmente o Porto de Santos.

Na sequência aparecem as regiões Sul e Nordeste, com médias de R$ 0,417 e R$ 0,368, respectivamente. Já o Centro-Oeste e o Norte registraram os menores valores do período.

O comportamento do mercado reforça a pressão logística nas rotas utilizadas para transporte de soja, milho, farelo e fertilizantes.

Transporte de commodities segue aquecido

Segundo Charles Monteux, CRO da Frete.com, o avanço da safra agrícola continua influenciando diretamente a formação dos preços no setor.

De acordo com ele, a movimentação intensa da produção rural mantém elevada a disputa por capacidade logística, principalmente em trajetos de longa distância e corredores estratégicos de exportação.

Caminhões baú registram maior valor médio

Entre os implementos monitorados pelo indicador, os caminhões do tipo baú apresentaram o maior valor médio de frete em abril, alcançando R$ 0,677 por tonelada/km rodado.

As operações voltadas ao transporte de commodities agrícolas seguem entre as mais aquecidas do mercado. O levantamento mostra que os fretes realizados por graneleiros e caçambas acumulam altas de 12,5% e 16,3%, respectivamente, no primeiro quadrimestre deste ano na comparação com o mesmo período de 2025.

FONTE: Transporte Moderno
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Transporte Moderno

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Indústria

Escassez de ácido sulfúrico ameaça indústria global e pressiona agronegócio e tecnologia

A intensificação do conflito no Oriente Médio e as restrições no Estreito de Ormuz provocaram uma forte turbulência no mercado internacional de ácido sulfúrico, considerado um dos insumos mais importantes da economia mundial. Conhecido como o “sangue da indústria”, o composto químico é essencial para diversos setores produtivos e sua falta já acende um alerta em cadeias estratégicas ao redor do planeta.

Crise afeta fertilizantes, chips e baterias

A redução na oferta global do produto impacta diretamente a fabricação de fertilizantes agrícolas, elevando os custos de produção no campo e pressionando os preços dos alimentos. Ao mesmo tempo, segmentos ligados à tecnologia, como a produção de semicondutores e chips eletrônicos, também enfrentam dificuldades de abastecimento.

Outro setor atingido é a mineração de metais utilizados em baterias elétricas, fundamentais para a indústria de veículos eletrificados e armazenamento de energia. Especialistas apontam que o problema deixou de ser regional e se transformou em uma ameaça global para a segurança industrial e econômica.

Dependência logística expõe fragilidade do mercado

A crise também revelou a vulnerabilidade das cadeias internacionais de suprimentos e a forte dependência de rotas comerciais consideradas estratégicas. Empresas de diferentes países passaram a enfrentar aumento expressivo nos custos operacionais para garantir o fornecimento mínimo do insumo químico.

Em vários mercados, indústrias já operam sob risco de paralisações e redução de produção, cenário que compromete margens de lucro e amplia a insegurança em setores considerados essenciais para a economia global.

Estratégia e diversificação ganham importância em 2026

Diante do cenário de instabilidade, cresce a pressão para que empresas adotem medidas de resiliência estratégica. Entre as alternativas avaliadas estão a diversificação de fornecedores, a busca por substitutos químicos e o fortalecimento de parcerias regionais para reduzir a dependência de mercados instáveis.

A nova realidade do comércio internacional reforça a necessidade de adaptação rápida das companhias frente à fragilidade das commodities essenciais e aos riscos geopolíticos que impactam diretamente a indústria mundial.

FONTE: Maxiquim
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Shutterstock

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Exportação

Exportação de soja do Brasil bate recorde histórico em abril, aponta Secex

O Brasil registrou em abril de 2026 o maior volume de exportação de soja dos últimos cinco anos. Dados da Secretaria de Comércio Exterior mostram que os embarques alcançaram 16,75 milhões de toneladas no mês, alta de 9,7% em relação ao mesmo período de 2025.

O resultado supera o antigo recorde histórico, registrado em abril de 2021, quando o país exportou 16,1 milhões de toneladas da commodity.

Safra recorde impulsiona embarques de soja

Mais cedo, a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais já havia projetado exportações próximas de 16,2 milhões de toneladas, também indicando um desempenho histórico para o setor.

Segundo a entidade, o forte ritmo de exportações ocorre em meio ao pico do escoamento da safra brasileira, que já teve cerca de 95% da área cultivada colhida.

O Brasil, líder global na produção e exportação de soja, deve colher uma safra recorde próxima de 180 milhões de toneladas em 2026.

Soja gera US$ 7 bilhões em receitas para o país

Principal produto do agronegócio brasileiro, a soja movimentou aproximadamente US$ 7 bilhões em receitas de exportação em abril, crescimento anual de 18,8%.

O desempenho reforça a relevância do grão para a balança comercial brasileira e para o avanço do comércio exterior do país.

Petróleo e minério de ferro também avançam

Além da soja, outros produtos importantes da pauta exportadora registraram crescimento em abril.

As exportações de petróleo renderam US$ 4,8 bilhões, alta de 10,6% em relação ao ano passado. O avanço foi impulsionado pela valorização internacional dos preços em meio às tensões geopolíticas envolvendo o Irã. Apesar disso, o volume exportado caiu 10,6%, totalizando 8,17 milhões de toneladas.

Já o minério de ferro ocupou a terceira posição entre os produtos com maior geração de receitas no mês, somando cerca de US$ 2,5 bilhões. O crescimento de 19,5% foi influenciado tanto pelo aumento de preços quanto pelo avanço no volume exportado, que chegou a 34,57 milhões de toneladas.

Algodão dispara e açúcar recua nas exportações

Entre os destaques positivos, os embarques de algodão brasileiro cresceram 54,9% em abril, alcançando 370,4 mil toneladas.

As exportações de carne bovina in natura avançaram 4,3%, enquanto os embarques de carnes de aves tiveram leve alta de 0,5%.

O café apresentou pequena retração de 0,9% no período, somando 171,5 mil toneladas exportadas.

Na contramão, o açúcar registrou queda de 23,6% frente a abril de 2025, totalizando 1,18 milhão de toneladas. O recuo ocorre em um cenário de maior direcionamento da produção de cana para o etanol na safra 2026/27.

Brasil amplia força no mercado global de commodities

O país segue como maior exportador mundial de soja, café, açúcar, algodão e carnes bovina e de frango. O Brasil também mantém posição estratégica no mercado internacional de minério de ferro e petróleo.

FONTE: Forbes
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Diego Vara

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Informação

Petróleo impulsiona superávit recorde do Brasil no 1º trimestre

O petróleo consolidou-se como principal motor do superávit comercial brasileiro no início do ano. Entre janeiro e março, o saldo positivo no segmento de óleo e combustíveis atingiu US$ 9,52 bilhões — o maior já registrado — equivalente a 67,2% do superávit total do país no período.

Produção do pré-sal sustenta desempenho

O avanço é reflexo direto do aumento da produção, especialmente após a expansão do pré-sal, que desde 2016 vem garantindo superávits consecutivos nesse segmento. Ainda assim, o país segue dependente da importação de derivados, mantendo déficit nessa categoria.

Nos anos recentes, o setor já vinha ganhando relevância: no primeiro trimestre de 2024 e 2025, os saldos foram de US$ 7,2 bilhões e US$ 6,4 bilhões, respectivamente — números inferiores ao desempenho atual.

Exportações de petróleo seguem em alta em abril

Dados preliminares indicam que o ritmo positivo deve continuar. Na segunda semana de abril, a receita média diária com exportações de petróleo bruto mais que dobrou em relação ao mesmo período de 2025, com alta de 101%.

Esse crescimento foi impulsionado por:

  • aumento de 74,5% no volume exportado;
  • elevação de 15% nos preços internacionais.

A valorização está ligada à alta das commodities, influenciada pelo conflito no Oriente Médio.

Guerra pressiona preços e favorece o Brasil

Analistas avaliam que, mesmo com eventual fim do conflito, os preços do petróleo devem permanecer elevados ao longo de 2026. Isso tende a fortalecer ainda mais o saldo da balança comercial brasileira e impactar positivamente o câmbio.

Segundo especialistas, o cenário atual repete ciclos anteriores de protagonismo de commodities, como soja e minério de ferro, mas agora com o petróleo liderando.

China amplia compras e lidera demanda

A China foi o principal destino do petróleo brasileiro. Em março:

  • respondeu por 64,6% das exportações do produto;
  • ampliou significativamente suas compras;
  • absorveu US$ 3,1 bilhões em petróleo bruto.

O país asiático tem buscado diversificar fornecedores diante das tensões no Golfo Pérsico, elevando a participação do Brasil como parceiro estratégico.

Petróleo supera soja no crescimento das exportações

Embora a soja tenha liderado a receita total em março (US$ 5,9 bilhões), o petróleo foi responsável por 68,5% do crescimento das exportações brasileiras na comparação anual.

No mês:

  • exportações de petróleo somaram US$ 4,8 bilhões;
  • volume embarcado cresceu 75,9%;
  • preços recuaram levemente, mas sem comprometer o resultado.

Projeções indicam superávit maior em 2026

Estimativas apontam revisão significativa no superávit comercial brasileiro. A projeção passou de US$ 68,4 bilhões para cerca de US$ 85 bilhões, impulsionada pela alta do petróleo.

Antes da crise, o barril do Brent era estimado em US$ 60 para 2026. Agora, a previsão gira em torno de US$ 90. Cada aumento de US$ 10 no preço médio pode elevar o saldo comercial em aproximadamente US$ 8,5 bilhões.

Impactos indiretos: inflação e câmbio

Apesar dos ganhos na balança comercial, há efeitos colaterais:

  • aumento no preço de combustíveis, como o diesel, que subiu 13,9% em março;
  • pressão inflacionária;
  • encarecimento de fertilizantes e insumos.

Por outro lado, o cenário favorece a valorização do real frente ao dólar, impulsionada também pelo fluxo de capital estrangeiro para mercados emergentes.

Desafios estruturais permanecem

Especialistas destacam que o Brasil ainda precisa avançar em pontos estratégicos:

  • ampliar a capacidade de refino;
  • reduzir a dependência de derivados importados;
  • investir na produção de fertilizantes;
  • explorar alternativas como o biodiesel.

O momento, segundo analistas, pode ser uma oportunidade para acelerar essas mudanças estruturais.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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Internacional

Petróleo dispara 5% com tensão entre EUA e Irã e risco no Estreito de Hormuz

Os preços do petróleo registraram forte alta nesta segunda-feira, impulsionados por temores de que o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã esteja por um fio. A apreensão de um navio iraniano pelos norte-americanos e a paralisação do tráfego no Estreito de Hormuz elevaram a incerteza no mercado global de energia.

Mercado reage à escalada de tensões

Os contratos futuros do Brent avançaram US$ 4,37 (alta de 4,8%), sendo negociados a US$ 94,75 por barril por volta das 11h48 GMT. Já o WTI (West Texas Intermediate) subiu US$ 4,76, equivalente a 5,7%, alcançando US$ 88,61.

A valorização ocorre após uma forte queda registrada na sexta-feira, quando ambos os índices despencaram cerca de 9%. Na ocasião, o Irã havia sinalizado a reabertura do Estreito de Hormuz para embarcações comerciais durante o período de trégua.

Risco no Estreito de Hormuz pressiona preços

Apesar das declarações oficiais, o cenário mudou rapidamente. Relatos indicam ataques a petroleiros logo após o anúncio de normalização do tráfego. O Estreito de Hormuz, responsável por cerca de um quinto do fornecimento global de petróleo, voltou a operar de forma extremamente limitada.

Dados recentes mostram que apenas três embarcações cruzaram a rota nas últimas 12 horas, reforçando o impacto sobre o fluxo de commodities energéticas.

Produção afetada e oferta restrita

Especialistas apontam deterioração nos fundamentos do mercado. Estima-se que entre 10 e 11 milhões de barris por dia estejam fora de circulação, agravando o desequilíbrio entre oferta e demanda.

Além disso, o transporte marítimo segue comprometido, com rotas mais longas, aumento nos custos de frete e seguros elevados — fatores que pressionam ainda mais os preços do petróleo.

Escalada política aumenta incertezas

A apreensão de um navio iraniano pelos Estados Unidos no domingo elevou o risco de retomada do conflito. Em resposta, o Irã afirmou que poderá retaliar e descartou participação em uma nova rodada de negociações prevista antes do fim do cessar-fogo, que expira nesta semana.

Enquanto isso, o mercado financeiro reage com otimismo moderado às tentativas diplomáticas, mas o mercado físico segue pressionado por restrições logísticas e operacionais.

Fluxo marítimo irregular e impacto global

Apesar da atual paralisação, no sábado mais de 20 embarcações cruzaram o Estreito de Hormuz, transportando petróleo, gás liquefeito, metais e fertilizantes — o maior volume desde o início de março.

Paralelamente, a China tem reduzido — mas não interrompido — suas exportações de combustíveis refinados. Países como Malásia e Austrália continuam recebendo cargas, mesmo após a extensão das restrições comerciais ao longo de abril.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Benoit Tessier

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Comércio Exterior

Balança comercial do Brasil bate recorde, mas dependência de commodities preocupa

O forte desempenho da balança comercial brasileira no início de 2026 trouxe resultados expressivos, mas também reacendeu um debate importante sobre a estrutura das exportações do país. O superávit acumulado entre janeiro e a terceira semana de março chegou a US$ 13,25 bilhões, impulsionado principalmente pela alta nas vendas de commodities como petróleo e minério de ferro.

Superávit cresce com avanço das exportações

De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), o Brasil exportou cerca de US$ 72,7 bilhões no período, enquanto as importações somaram US$ 59,45 bilhões. O resultado representa um crescimento de 6,8% em relação ao mesmo intervalo de 2025.

As importações permaneceram praticamente estáveis, com leve recuo de 0,2%, contribuindo para o saldo positivo da balança.

Petróleo e minério lideram recuperação

O principal destaque do período foi a indústria extrativa, que registrou expansão de 27,6%. O crescimento foi puxado sobretudo pelo aumento das exportações de petróleo bruto e minério de ferro, que compensaram a queda em outros setores relevantes.

Enquanto isso, a agropecuária recuou 13,4% e a indústria de transformação apresentou retração de 10,3%, indicando perda de dinamismo em segmentos tradicionais da economia.

Mesmo com a queda, produtos agrícolas seguem relevantes. A soja continua como principal item exportado, representando 17,8% das vendas externas, seguida por café, milho e algodão.

Entre os destaques positivos estão:

  • Petróleo bruto (+65,1%)
  • Ouro (+87,1%)
  • Carne bovina (+16%)

Por outro lado, houve quedas significativas em:

  • Café (-33,2%)
  • Açúcar (-42,1%)
  • Celulose (-28,3%)

Importações revelam demanda por produtos industriais

No campo das importações brasileiras, a predominância segue sendo de itens com maior valor agregado. A indústria de transformação liderou as compras externas, com leve alta de 0,3%, enquanto o setor agropecuário registrou queda de 24,9%.

Entre os principais produtos importados estão combustíveis refinados, fertilizantes, medicamentos, veículos e equipamentos industriais e eletrônicos — sinalizando uma economia ainda dependente de tecnologia externa.

Alguns itens apresentaram forte crescimento:

  • Veículos (+96,3%)
  • Medicamentos (+39,1%)
  • Geradores elétricos (+127,2%)

Já outros registraram retração:

  • Trigo (-35,9%)
  • Máquinas industriais (-81,3%)
  • Aço laminado (-69,1%)

Dependência de commodities acende alerta

Apesar do resultado positivo, especialistas apontam um problema estrutural: a forte dependência de exportações de baixo valor agregado. O Brasil segue concentrando suas vendas externas em produtos básicos, enquanto importa bens industrializados e tecnológicos.

Esse modelo torna o país vulnerável às oscilações do mercado internacional, especialmente aos preços das commodities, que não são controlados internamente.

Desafio é diversificar a economia

O bom desempenho da balança comercial reforça um padrão conhecido: quando o cenário global favorece as commodities, o superávit cresce. No entanto, a qualidade desse crescimento ainda é questionada.

O principal desafio do Brasil é avançar na diversificação das exportações, ampliando a participação de produtos industrializados e de maior valor agregado. Essa mudança é considerada essencial para garantir um crescimento econômico mais sustentável e menos dependente das variações externas.

FONTE: Correio 24 Horas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pexels, Davi vives

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Logística

Frete marítimo dispara no Brasil com guerra no Oriente Médio e pressiona exportações

As tarifas de frete marítimo no Brasil registraram forte alta em abril, impulsionadas pelas incertezas em torno do conflito envolvendo o Irã. Dados da consultoria Solve Shipping apontam que os embarques em contêineres com destino ao Mediterrâneo — rota estratégica para o Oriente Médio — ficaram 67% mais caros em relação a março.

Outras rotas relevantes também apresentaram aumentos expressivos. O custo de envio para a costa leste dos Estados Unidos e o norte da Europa subiu 80%, enquanto o frete para o Golfo do México avançou 89% no mesmo período.

Exportações de carne sentem impacto mais intenso

O setor de proteína animal está entre os mais afetados. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), o valor do transporte de contêineres refrigerados pela rota do Estreito de Hormuz mais que dobrou desde o início da guerra, passando de US$ 3 mil para cerca de US$ 7 mil.

O Oriente Médio responde por aproximadamente 15% das exportações do segmento, o que amplia a preocupação com os custos logísticos. Ainda assim, os preços atuais seguem cerca de 17% abaixo dos níveis registrados em abril de 2025, quando tensões comerciais globais provocaram uma corrida antecipada por embarques.

Custos sobem com combustível caro e rotas alternativas

Apesar de ainda não terem atingido o pico histórico, os valores do frete internacional já preocupam o setor logístico. Especialistas apontam que o aumento é resultado de uma combinação de fatores, com destaque para a disparada do petróleo, que elevou significativamente o custo do combustível.

Além disso, cerca de 10% da frota global de contêineres tem sido impactada pelas restrições nas rotas do Oriente Médio. Com isso, cargas precisam ser redirecionadas para portos intermediários, reduzindo a capacidade disponível e encarecendo as operações.

Portos alternativos em países como Paquistão, Omã, Singapura e Arábia Saudita também enfrentam congestionamentos, agravando ainda mais a situação.

Rotas mais longas encarecem e atrasam entregas

Uma das alternativas adotadas tem sido o envio de mercadorias até o porto de Jeddah, na Arábia Saudita, seguido de transporte terrestre até o Golfo Pérsico. Embora viável, essa opção é mais lenta e gera custos adicionais para os exportadores.

Além das tarifas tradicionais, empresas de navegação passaram a cobrar taxas extras relacionadas ao risco de guerra, que podem chegar a US$ 3 mil por contêiner padrão e até US$ 4 mil para cargas refrigeradas.

Exportadores de commodities enfrentam maiores desafios

Produtores de commodities agrícolas e carnes estão entre os mais prejudicados, já que lidam com produtos perecíveis que exigem transporte rápido e refrigerado. Exportadores de itens com menor valor agregado, como madeira, também enfrentam dificuldades adicionais diante da escalada dos custos.

Por outro lado, grandes empresas conseguem absorver melhor os impactos devido à maior capacidade logística e margens mais robustas.

Mercado ainda reflete volatilidade pós-pandemia

A diferença em relação aos preços de 2025 evidencia a volatilidade do transporte marítimo global desde a pandemia. No ano passado, o setor enfrentou um cenário mais crítico, com tarifas elevadas devido a tensões comerciais e interrupções em rotas estratégicas, como no Mar Vermelho.

Desde então, houve ampliação da frota de navios, o que ajudou a aumentar a oferta e conter parte da pressão sobre os preços.

Riscos de escassez e novos aumentos

Além da alta nos custos, cresce a preocupação com possíveis gargalos logísticos. Há risco de falta de combustível para navios e escassez de contêineres, especialmente se as restrições no Estreito de Hormuz se prolongarem.

No caso das importações brasileiras, o impacto ainda é moderado. Na rota com a Ásia — principal origem de produtos importados —, o frete subiu 4,65% em abril frente a março.

Especialistas avaliam que a contenção se deve, em parte, à desaceleração da economia interna e à redução de pedidos, diante do receio de paralisações e dos efeitos da guerra. No entanto, com a redução dos estoques e a continuidade do conflito, a expectativa é de novas altas nas tarifas ainda na segunda metade de abril.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters/Arquivo

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Agricultura

Soja dispara em Chicago com greve na Argentina e alta do farelo acima de 4%

Após uma semana de oscilações limitadas, os preços da soja em Chicago voltaram a subir com força na última sexta-feira (10). Por volta das 13h30 (horário de Brasília), os principais contratos registravam valorização entre 6,25 e 10,25 pontos. O vencimento de maio era negociado a US$ 11,75 por bushel, enquanto o julho atingia US$ 11,90.

O principal motor dessa alta foi o avanço expressivo do farelo de soja, que acumulava ganhos superiores a 4% no dia. A valorização do derivado impulsionou diretamente o mercado do grão.

Greve na Argentina reduz oferta e favorece EUA

A paralisação de caminhoneiros na Argentina tem provocado impacto direto na oferta global. Com dificuldades logísticas, o país — um dos maiores exportadores mundiais — reduz sua presença no mercado, abrindo espaço para a demanda pelo produto dos Estados Unidos.

Esse cenário fortalece as cotações na Bolsa de Chicago (CBOT) e melhora as margens das indústrias processadoras norte-americanas. No mercado de farelo, o contrato de maio era cotado a US$ 331,80 por tonelada curta, enquanto o de julho marcava US$ 328,10.

Fundamentos e clima nos EUA entram no radar

Diante de incertezas no cenário geopolítico, os agentes de mercado voltam a priorizar os fundamentos. O início da safra dos Estados Unidos passa a ser um fator central, com atenção redobrada para o clima no Meio-Oeste, o ritmo do plantio e o comportamento da demanda internacional.

Outro elemento que contribui para a sustentação dos preços é a queda do dólar frente ao real, que recuava 0,7% na tarde desta sexta-feira, sendo cotado a R$ 5,03.

Protestos travam logística na Argentina

A greve dos caminhoneiros autônomos na Argentina começou no meio da semana e já provoca bloqueios em regiões estratégicas como Buenos Aires, Córdoba e Santa Fé — áreas-chave para o escoamento da produção agrícola.

Os trabalhadores reivindicam reajustes nas tarifas de transporte de grãos, pressionados pela disparada dos custos. Segundo relatos, o diesel teve aumento significativo, comprometendo a rentabilidade da atividade.

“Em janeiro, nossa tarifa caiu 10% e o diesel subiu quase 18%. Não há como sustentar os custos”, afirmou o caminhoneiro Mariano Gorosito.

A categoria pede um reajuste entre 25% e 30% nas tarifas, alegando que o combustível já representa cerca de 60% do custo das viagens. Além disso, os prazos longos para pagamento agravam a situação financeira dos transportadores.

Risco para exportações e entrada de divisas

Sem acordo até o momento, a paralisação ameaça comprometer a logística da colheita e o abastecimento dos portos argentinos. O impasse ocorre em um período crucial para o país, que depende das exportações agrícolas para a entrada de divisas.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Clarin

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Agricultura

Agronegócio representa 29,4% do PIB e consolida papel estratégico na economia brasileira

Celebrado no último dia 25 de fevereiro, o Dia do Agronegócio foi marcado por um dado expressivo: em 2025, a cadeia agroindustrial respondeu por 29,4% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. O levantamento é da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e indica que, a cada R$ 3,40 gerados no país, R$ 1 teve origem direta ou indireta no setor.

O percentual confirma a ampliação do peso do agronegócio na economia nacional nos últimos anos, impulsionado por ganhos de produtividade, demanda internacional aquecida e valorização das commodities agrícolas.

Produção recorde e alta no Valor Bruto da Produção

A safra mais recente alcançou 354,7 milhões de toneladas de grãos — o maior volume já registrado. O Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária somou R$ 1,409 trilhão, conforme dados da Secretaria de Política Agrícola.

Desse total:

  • R$ 965 bilhões vieram das lavouras
  • R$ 444 bilhões foram gerados pela pecuária

A recuperação dos preços internacionais contribuiu especialmente para o desempenho da proteína animal, fortalecendo ainda mais a participação do agro no PIB brasileiro.

Exportações sustentam balança comercial

O agronegócio segue como pilar da balança comercial. O Brasil ocupa a liderança global nas exportações de soja, açúcar e café, além de posições relevantes nas vendas externas de milho, carne bovina e frango.

Esse protagonismo tem sido decisivo para compensar déficits em outros segmentos da economia, especialmente na indústria.

Dependência de commodities e desafio da diversificação

Embora o setor seja altamente competitivo e tecnologicamente avançado, economistas alertam para a concentração da pauta exportadora em commodities agrícolas e minerais. A menor presença de produtos industrializados de maior valor agregado evidencia a perda relativa de dinamismo da indústria de transformação.

Assim, o crescimento do agronegócio no PIB também reflete mudanças estruturais na economia brasileira.

Cadeia agroindustrial vai além do campo

O conceito moderno de agronegócio não se limita à produção rural. A cadeia envolve:

  • Indústrias de fertilizantes e defensivos
  • Fabricantes de máquinas agrícolas
  • Logística rodoviária e ferroviária
  • Armazenagem
  • Processamento e comercialização

Essa integração explica por que o impacto do setor se espalha por todas as regiões do país, influenciando geração de emprego, renda e arrecadação.

Tecnologia impulsiona produtividade

Nos últimos anos, o avanço tecnológico transformou o perfil produtivo do campo. Agricultura de precisão, biotecnologia, integração lavoura-pecuária-floresta e sistemas digitais de gestão elevaram a produtividade por hectare e otimizaram custos.

A expansão recente ocorreu, majoritariamente, por ganhos de eficiência — e não apenas pela abertura de novas áreas cultiváveis.

Riscos e cenário global exigem planejamento

Apesar do desempenho robusto, o ambiente atual impõe desafios. Eventos climáticos extremos, exigências ambientais e sanitárias mais rígidas, volatilidade cambial e a dependência de fertilizantes importados adicionam incertezas ao planejamento do produtor rural.

Além disso, a necessidade de rastreabilidade e sustentabilidade tornou-se elemento central nas negociações internacionais.

Origem do conceito de agronegócio

A ideia de agronegócio como sistema integrado — conectando insumos, produção, processamento e distribuição — foi formulada nos anos 1950 pelos economistas Ray Goldberg e John H. Davis, da Universidade Harvard. A abordagem ajuda a compreender por que o desempenho do campo deve ser analisado dentro de uma estrutura econômica ampla.

Papel estratégico e futuro da economia

Ao atingir quase um terço do PIB, o agronegócio consolida sua posição como eixo estratégico da economia brasileira. O debate agora se desloca para a necessidade de equilibrar essa força com maior diversificação produtiva, agregação de valor e estabilidade no longo prazo.

Fonte: Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e Secretaria de Política Agrícola / JB NEWS

TEXTO: REDAÇÃO

IMAGEM: REPRODUÇÃO JB NEWS

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