Exportação

Multinacional do setor de carnes reforça exportações

Paraguai, Brasil e Uruguai se posicionam como os países mais competitivos do mundo em termos de custos, segundo Fernando Queiroz, presidente de uma multinacional do setor de carnes. A estratégia responde às novas tarifas que os Estados Unidos impuseram à carne brasileira.

O executivo explicou ao Brasil Journal que, diante dessas medidas, a companhia reforçará os envios ao mercado norte-americano a partir de suas plantas no Paraguai, Argentina e Uruguai. “Trump está sendo mais duro com o Brasil, mas está sendo super amigável com a Argentina; e somos a maior empresa do setor na Argentina”, destacou.

A aposta no Paraguai se baseia em fatores estruturais, como a oferta global limitada pela redução dos rebanhos no hemisfério norte e a vantagem de custos no Cone Sul.

Segundo o Serviço Nacional de Qualidade e Saúde Animal (Senacsa), as exportações paraguaias de carne bovina, miúdos e produtos de origem animal atingiram US$ 1,305 bilhão no primeiro semestre de 2025 — um aumento de 18% em comparação com o ano anterior. O volume exportado chegou a 349.728 toneladas.

O Chile foi o principal destino, com 32% de participação, equivalente a 57.130 toneladas por US$ 343 milhões. Em seguida vieram Taiwan (14% e US$ 151 milhões), Estados Unidos (11% e US$ 111 milhões) e Israel (10% e US$ 100,5 milhões). O Brasil ficou em quinto lugar com 6%, o que representou 10.003 toneladas por US$ 63,9 milhões.

O contexto internacional e a competitividade em custos tornam o Paraguai um fornecedor-chave para abastecer mercados estratégicos, consolidando sua posição no comércio global de carne.

Fonte: Todo Logisitca News

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Comércio Exterior, Portos

Movimentação de contêineres cai em junho, mas portos de SC fecham semestre com alta de 12,5%

Total de cargas movimentadas chega a 1,4 milhão de TEUs, o que equivale a 18,9% do total no país; dados de junho, no entanto, mostram queda de 6,5%

No primeiro semestre de 2025, a movimentação de contêineres pelos portos de Santa Catarina cresceu 12,5% em comparação com igual período do ano passado. Foram movimentados 1,38 milhão de TEUs (unidades equivalentes a um contêiner de 20 pés) de janeiro a junho nos terminais catarinenses, segundo dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). O montante equivale a 18,9% do total da movimentação de cargas conteinerizadas no país.

Considerando apenas as operações de junho, no entanto, a movimentação de contêineres recuou 6,5% frente a junho de 2024, e atingiu 216,7 mil TEUs. “Os números sinalizam a antecipação de embarques por compradores dos Estados Unidos, que nos meses anteriores ampliaram seus estoques diante da incerteza sobre as tarifas”, avalia o economista-chefe da FIESC, Pablo Bittencourt.

Dados da Antaq reforçam essa percepção. Produtos relevantes na pauta exportadora de SC mostram queda no mês de junho. Madeira serrada de espessura superior a 6mm registrou declínio de 36% no volume, enquanto madeira contraplacada ou compensada caiu 8%. O volume de carnes e miudezas comestíveis caiu 28,3%.

Bittencourt explica que as exportações do setor de madeira e derivados são impulsionadas pelo mercado de construção de residências nos Estados Unidos, que está em desaceleração ao menos desde maio. “A redução em junho também reflete, em parte, a antecipação de estoques”, avalia.

Portos
No acumulado do ano até junho, Itapoá teve incremento de 30,6% no número de contêineres movimentados, para 741,35 mil TEUs, ocupando a 3ª posição na movimentação. Portonave apresentou recuo de 20,7% (484,3 mil TEUs), enquanto o porto de Itajaí segue ampliando a operação e atingiu 103,9 mil contêineres movimentados no primeiro semestre. Esse desempenho levou o complexo portuário de Itajaí, que contempla os dados dos portos de Itajaí, Navegantes e Barra do Rio, à 4ª posição no país, com 588,3 mil TEUs. A movimentação de cargas conteinerizadas pelo Porto de Imbituba avançou 4,6%, para 52,24 mil TEUs.

Fonte: FIESC

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Comércio Exterior

EUA querem impor solução constitucionalmente impossível para o Brasil

Declaração é do ministro da Fazenda, Fernando Haddad

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse hoje (18), que o Brasil continua buscando manter um diálogo com os Estados Unidos (EUA) para tentar reduzir a aplicação da tarifa de 50% às exportações brasileiras. No entanto, afirmou ele, a negociação não tem sido possível porque os Estados Unidos insistem em impor ao Brasil uma solução “constitucionalmente impossível”. Para o ministro, está ocorrendo “uma dificuldade de compreensão do que se passa no Brasil”.

“Hoje nós temos documentos oficiais demonstrando que a negociação só não ocorre porque os Estados Unidos está tentando impor ao Brasil uma solução constitucionalmente impossível, que é Executivo se imiscuir em assuntos de outro poder, que é o Poder Judiciário. Nós não temos uma situação constitucional que nos permita, política e juridicamente, atuar no caso. Então, gerou-se um impasse que é pedir o que não pode ser entregue”, disse.

Segundo o ministro, o comércio bilateral entre os dois países já representa hoje metade do que foi nos anos 80 e a tendência é que continue caindo ainda mais.

“Nós tínhamos exportações da ordem de 25% com os Estados Unidos, hoje elas significam 12% e, pelo andar dos acontecimentos, eu acredito que o comércio bilateral, infelizmente, vai cair ainda mais”, disse.

Na manhã de hoje, Haddad participou da cerimônia de abertura do evento FT Climate & Impact Summit Latin America e Brasil 2030: Uma Nação de Oportunidades, promovido pelo Times Brasil/NBC, em parceria com o Financial Times, em São Paulo.

Durante a entrevista ao canal de TV, o ministro também disse que o cancelamento da reunião que ele teria com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, foi provocado por interlocutores da extrema-direita brasileira. Ele ressaltou que o ministério tem todos os documentos para comprovar as tratativas com o governo americano e detalhou que o encontro com Scott Bessent, em maio, havia sido positivo.

“[Foi uma reunião] excelente. Agora, o que mudou de maio para julho, tem que ser perguntado para eles”.

Segundo ele, causou estranhamento o fato de a reunião ter sido cancelada e, no mesmo momento em que ela ocorreria, Bessent ter aparecido conversando com um “concorrente” do governo brasileiro [no caso, o deputado federal Eduardo Bolsonaro]. Para Haddad, cada país tem uma maneira de proceder em situações como essa, mas disse que jamais cancelaria uma reunião que tivesse sido agendada.

“Eu nunca faria cometeria uma deslealdade dessa com um homólogo meu de outro país, por mais hostil que o outro país fosse. Se eu marquei um compromisso, eu cumpro”.

Mais tarde, em entrevista a jornalistas, Haddad comentou que a família do ex-presidente Jair Bolsonaro tem trabalhado “para impedir que as negociações se estabeleçam”. E que, neste momento, o governo brasileiro está trabalhando para regulamentar o plano de contingência para apoiar o setor produtivo afetado pelo tarifaço de 50% imposto pelo governo dos Estados Unidos. O plano de apoio prevê R$ 30 bilhões em crédito e será viabilizado por meio de uma medida provisória chamada de MP Brasil Soberano.

“A tarefa dessa semana é regulamentar o plano de contingência, fazer chegar na ponta os recursos liberados e proteger o Brasil dessa agressão externa”, disse a jornalistas.

Para o ministro, o plano de contingência “está bem calibrado” e não precisará ser ampliado.

“Se o cenário se confirmar, eu não vejo razão para ampliar. Mas vamos ver o desdobramento da coisa. Nesse momento, eu devo dizer que não”.

Globalização

Para Haddad, o atual movimento do governo Trump, inclusive com a imposição de novas tarifas, indica que os Estados Unidos decidiram “mudar o jogo” da globalização.

“Eles venderam para o mundo a globalização, com desregulamentação financeira, a descentralização das atividades produtivas, o ganho de eficiência que isso ia gerar, a acumulação flexível. E aí, quando eles perceberam que eles ganharam muito, mas que a China ganhou ainda mais, aí [decidiram] ‘vamos melar o jogo’, ‘vamos mudar o jogo’”, destacou.

Segundo o ministro, os Estados Unidos ganharam muito com a globalização, mas enfrentaram um “desafio inesperado” e decidiram “mudar as regras do jogo”.

Confira reportagem do Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil, sobre os impactos do tarifaço no setor têxtil

Fonte: Agência Brasil

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Comércio Exterior, Logística

Movimentação de cargas cresce 7% nos primeiros sete meses de 2025

O Porto de São Francisco do Sul fechou os sete primeiros meses de 2025 com um crescimento de 7% na movimentação de cargas, em comparação ao mesmo período do ano passado. De janeiro a julho, passaram pelo terminal 10,5 milhões de toneladas, frente às 9,8 milhões registradas em 2024.

No acumulado de 2025, as exportações pelo Porto somaram 5,8 milhões de toneladas, o que representa 55% do total movimentado no período. Os principais destaques foram a soja, com 4 milhões de toneladas, e o milho, com 1,3 milhão.

As importações, por sua vez, totalizaram 4,7 milhões de toneladas – equivalente a 45% das cargas. Os principais produtos importados foram materiais siderúrgicos, com 2,8 milhões de toneladas, e fertilizantes, com 1,6 milhão de toneladas. Somente em julho, o Porto movimentou 1,7 milhão de toneladas, um salto de 46% em relação ao mesmo mês de 2024, quando foram registrados 1,1 milhão de toneladas. 

Nesse período, os embarques de grãos (soja e milho) somaram 974 mil toneladas, enquanto os desembarques de produtos siderúrgicos e fertilizantes alcançaram, respectivamente, 634 mil e 190 mil toneladas.

“São Francisco do Sul segue se destacando como importante corredor logístico para o comércio exterior catarinense e brasileiro. Os números positivos refletem todo o trabalho que é feito pela gestão e colaboradores, para manter o Porto em constante crescimento”, avalia o secretário de Portos, Aeroportos e Ferrovias, Beto Martins.

Para o presidente do Porto, Cleverton Vieira, o caráter multipropósito de São Francisco do Sul é um dos principais fatores para o aumento sustentável no volume de cargas. 

Fonte: Porto de São Francisco do Sul

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Comércio Exterior, Exportação

Exportações colombianas caem em volume

As exportações colombianas registraram uma queda de 17% em volume durante o primeiro semestre de 2025, totalizando 43,6 milhões de toneladas. No entanto, o valor das vendas externas atingiu USD FOB 24.391,5 milhões, representando um crescimento de 1,6% em relação ao mesmo período de 2024.

Os combustíveis e produtos das indústrias extrativas lideraram a participação com 39,1%, seguidos pelos produtos agropecuários, alimentos e bebidas (31,3%), manufaturas (21,3%) e outros setores (8,3%). O aumento no valor exportado foi impulsionado principalmente por maiores vendas de café, chá, cacau, especiarias e seus preparados (+78,2%), ouro não monetário (+18,3%) e óleos e gorduras fixas de origem vegetal (+71,9%).

O segmento agropecuário, alimentos e bebidas somou USD FOB 7.627,7 milhões, com um crescimento interanual de 36,5%. Entre os produtos que impulsionaram esse aumento, destacam-se café, chá, cacau, especiarias e óleos vegetais. Em contraste, caíram as vendas de óleos e gorduras de origem animal (-56,3%), cortiça e madeira (-29,2%) e óleos e gorduras elaborados (-10,8%).

Os Estados Unidos mantiveram-se como o principal destino, com USD FOB 7.405,8 milhões (+7,5%), equivalentes a 30,4% das exportações totais, com destaque para petróleo bruto, café e flores. A União Europeia ficou em segundo lugar com USD FOB 3.179,1 milhões (+39,3%), impulsionada por maiores embarques para Países Baixos, Alemanha e Bélgica. O Panamá ocupou a terceira posição com USD FOB 1.770,5 milhões (-21,4%), concentrados em combustíveis (88,6%).

Esses três destinos — Estados Unidos (30,4%), União Europeia (13,0%) e Panamá (7,3%) — concentraram 50,7% das exportações colombianas no semestre. Também se destacou o aumento das vendas para a Venezuela (+18,9%). Em termos de participação, cresceram os envios para a UE (+3,5 p.p.) e EUA (+1,7 p.p.), enquanto diminuíram para China (-2,2 p.p.), Panamá (-2,1 p.p.), México e Chile (-1,8 p.p.).

Fonte: Todo Logistica News

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Informação

Digitalizam manifesto desconsolidado marítimo

A Agência de Arrecadação e Controle Aduaneiro (ARCA) determinou que, a partir do quinto dia útil após a publicação da Resolução Geral 5744/2025, a apresentação do manifesto desconsolidado de importação por via marítima será obrigatoriamente digital.

A medida se aplica aos Agentes de Transporte Aduaneiro (ATA) que atuam como desconsolidadores, os quais deverão registrar a documentação por meio dos aplicativos web “Gestão de Manifesto Marítimo” e “Ratificação de Autoria de Manifesto Marítimo”. Após o preenchimento e a ratificação do trâmite, o Sistema Informático MALVINA (SIM) enviará automaticamente as informações ao serviço aduaneiro correspondente.

O prazo para registrar e ratificar o manifesto será de cinco dias corridos a partir da chegada do navio. O serviço aduaneiro terá três horas para aprovar ou rejeitar a apresentação; caso não haja resposta nesse período, a aprovação será automática. A notificação do resultado será feita por meio do Sistema de Comunicação e Notificação Eletrônica (SICNEA). Em caso de rejeição, o ATA deverá apresentar uma nova solicitação com a documentação corrigida.

Segundo a ARCA, a mudança visa reduzir os tempos operacionais no porto, eliminar o uso de papel e aumentar a rastreabilidade das informações, facilitando o comércio e proporcionando maior segurança na cadeia logística internacional. Isso permitirá que importadores, operadores portuários e depósitos alfandegários planejem com mais antecedência a liberação e o transporte das mercadorias, reduzindo custos de armazenamento e evitando congestionamentos.

Os ATA deverão manter a documentação como depositários fiéis e apresentá-la em um prazo máximo de três dias úteis, caso seja exigido pela autoridade. A resolução revoga a RG 4.915 e incorpora mecanismos de autenticação de alta segurança, consolidando um passo importante rumo à digitalização aduaneira na Argentina.

Fonte: Todo Logistica News

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Especialista, O ESPECIALISTA

O ESPECIALISTA: PIETER POOL

O Tarifaço de Trump ameaça colapso nas exportações florestais do Brasil

O Tarifaço indicado pelo presidente Trump no dia 9 de julho de 2025, indicando uma tarifação de 50% sobre os produtos importados do Brasil, deixou os exportadores brasileiros de produtos florestais extremamente preocupados. Empresas com grande dependência do mercado dos EUA foram as mais afetadas, como a produtora de molduras Braspine, optou por dar férias coletivas em sistema de rodízio para 1500 funcionários, conforme matéria do G1 no dia 22de julho de 2025, evitando assim, por hora, medidas mais drásticas. A empresa exporta quase toda sua produção aos EUA onde molduras brasileiras são comumente comercializadas. Igualmente as fabricantes de molduras Ipumirim Mouldings, com 500 funcionários e a Millpar, igualmente entrou em férias coletivas, por 15 dias.

No segmento de madeira serrada de pinus, empresas exportadoras de cerquinhas (dogear pickets) e APG (Appearance Grade Boards), produtos específicos para os EUA, tiveram contratos cancelados e algumas inclusive cogitam a possibilidade de encerrarem suas operações no país, sendo a alternativa, adquirir madeira de outros países como Argentina, Paraguai e Uruguay, pois estes tem a tarifação base de 10%.

No setor de papel e celulose, os preços estão de forma geral em viés de queda. Segundo Antonio Mendes Junior, head de vendas internacionais e sócio da Hypertrade, uma das maiores tradings exportadoras de papel e celulose do Brasil, os maiores players exportadores de celulose fibra longa mercado, Klabin, Eldorado Brasil, Bracell, CMPC e Irani seguraram todos seus embarques. Ele comenta: “Entendo que os clientes não somente nos EUA, que em 2023  estão segurando as ordens, pois entendem que os brasileiros estão fragilizados. Enquanto isso consomem seus  estoques gradativamente aguardando alguma evolução de mercado. Se o Tarifaço for realmente aplicado, os exportadores brasileiros vão ter que procurar mercados alternativos com preços inferiores”. Os EUA forma o terceiro maior importador de celulose do Brasil com ~14%, ficando somente atrás da Europa com ~24% e da China com ~43%.

As indústrias de compensados multilaminados, que em 2024 exportaram, entre compensados multilaminados de eucalipto, pinus e tropical um volume aproximado de 2.241 MM de metros cúbicos, o que representa aproximadamente 51,5 K containers, também podem ser mais uma vez afetadas. Algumas indústrias como a Marini Compensados de Palmas-PR, que anunciou neste dia 23 de julho férias coletivas para 600 funcionários segundo matéria publicada no rbj.com.br, também está se precavendo e tomando as medidas necessárias para mitigar os riscos decorrentes do Tarifaço.

O seguimento que tem uma representatividade significativa no PIB da região sul do Brasil e gera milhares de empregos.

Com isso a cadeia florestal inteira fica prejudicada, chegando a afetar inclusive grandes empresas florestais do setor como por exemplo a REMASA, empresa do ramo florestal, produtora de pinus. Segundo seu diretor executivo Gilson Geronasso, a situação é preocupante e todos estão ansiosos pelos próximos passos. 

A ABIMCI (Associação Brasileira da Industria da Madeira Processada Mecanicamente), entidade de extrema relevância para o setor no Brasil, expressou através de uma “Nota de posicionamento” no dia 18 de julho, sua grande preocupação com as medidas tomadas pelo presidente Trump e disse entre outros, que além do setor gerar mais de 180 mil postos de trabalhos diretos:

“ Nossa participação na balança comercial brasileira é expressiva. Só para os Estados Unidos exportamos cerca de US$ 1,6 bilhão em 2024, o que representa uma dependência do mercado norte-americano de uma média de 50% da produção nacional. Porém, alguns segmentos madeireiros dependem exclusivamente dos EUA, com 100% de suas vendas atreladas a esse mercado. Por isso, desde o anúncio da possível taxação pelos Estados Unidos, instalou-se a insegurança no mercado, levando o nosso setor ao início de um colapso. ” Estão também diretamente engajados em contato com Brasília, em conjunto com outros setores, para articular ações positivas para o setor madeireiro.

Não podemos esquecer toda a cadeia logística, tanto no transporte doméstico, como no transporte internacional. Em relação aos fretes marítimos principalmente, enxerga-se uma tendência de redução, no entanto isso deve se equilibrar a médio prazo, uma vez que os volumes devem aumentar devido à redução dos fretes. Segundo Carlos Hauck, proprietário da CSS, empresa do ramo de transporte internacional, houveram congelamentos de pedidos que a curto prazo, podem acarretar em redirecionamentos de rotas por parte dos armadores, assim como redução na oferta de espaços para os EUA devido à redução na demanda.

O momento não é um momento fácil para o setor e para o país. Exportadores, associações e trabalhadores esperam ações que minimizem os impactos e ofereçam caminhos para diversificação de mercados.

Enquanto isso o setor florestal brasileiro segue em alerta, tentando evitar que o Tarifaço se torne a faísca de um colapso estrutural. Até lá, estamos à deriva.

PIETER POOL é especialista em comércio exterior, com mais de 23 anos de experiência em exportação, importação e desenvolvimento de mercados internacionais. Atuou em setores como madeireiro, automotivo, agroindustrial, alimentício e tecnologia, com passagem por empresas familiares, nacionais e multinacionais.  Tem sólida experiência em prospecção internacional, gestão de fornecedores, logística integrada, processos aduaneiros e desenvolvimento de produtos OEM/ODM. Também se destaca na análise financeira, gestão de indicadores e internacionalização de empresas. Foi Diretor Regional Sul da Aliança Brasil-China (2009) e tem formação em Comércio Exterior, MBA em Logística (UFPR) e Mestrado em Management (FAE/Baldwin Wallace University).

Bibliografia

https://g1.globo.com/pr/campos-gerais-sul/noticia/2025/07/22/tarifaco-de-trump-industria-do-parana-amplia-ferias-coletivas-para-mais-da-metade-dos-funcionarios-e-medida-afeta-15-mil-trabalhadores.ghtml

https://www.cnnbrasil.com.br/economia/negocios/tarifaco-madeireira-de-sc-da-ferias-coletivas-a-quase-500-trabalhadores

https://www.cnnbrasil.com.br/economia/negocios/setor-madeireiro-forca-ferias-e-projeta-demissoes-frente-a-tarifas-de-trump

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ANVISA, Informação

Solicitações de Certificado de Regularização e Certidão de Regularização para Exportação de Medicamento Notificado têm novo fluxo

Pedidos deverão ser enviados via peticionamento eletrônico.

A Anvisa informa que já está em vigor o novo fluxo para solicitar o Certificado de Regularização para Medicamento Notificado e a Certidão de Regularização para Exportação de Medicamento Notificado. Ambos são documentos declaratórios emitidos pela Agência contendo informações sobre determinado medicamento notificado no Brasil, sendo que a certidão se destina exclusivamente à exportação.

Atualmente, as empresas fazem a solicitação de emissão desses documentos por e-mail. Para fins administrativos e em conformidade com os demais fluxos da Anvisa, a partir de agora a solicitação deverá ser realizada via peticionamento eletrônico, como já ocorre em relação à emissão de Certificado de Registro para Medicamentos.

Para tanto, deverão ser utilizados os seguintes assuntos de petição:

  • 12392 GGMED – Certidão de Regularização para Exportação de Medicamento Notificado
  • 12393 GGMED – Certificado de Regularização para Medicamento Notificado

Os prazos e demais requisitos para a emissão dos documentos em questão permanecem inalterados.

Fonte: ANVISA

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Exportação

Exportações do Brasil para a Argentina voltam a subir: podem aliviar o impacto do tarifaço nos EUA?

Após vacas magras, saltaram 53% as vendas de empresas brasileiras para o país vizinho, que compra produtos tarifados pelos americanos

Com o sinal de alerta aceso nas exportações para os Estados Unidos, por causa do tarifaço anunciado pelo presidente Donald Trump, o comércio exterior do Brasil terá um alívio, ao menos, nas trocas com a Argentina. As vendas do Brasil para lá saltaram 53,2%, em valor, nos sete primeiros meses do ano, ante igual período de 2024.

O crescimento representa uma recuperação, após as exportações brasileiras para o mercado argentino tombarem 17,6% em 2024 por causa da recessão no país vizinho. Os US$ 10,780 bilhões vendidos à Argentina este ano até julho ainda estão abaixo do registrado nos sete primeiros meses de 2023.

EUA e Argentina são importantes para a indústria brasileira. Tanto o mercado americano quanto o argentino se destacam por demandarem bens manufaturados numa proporção superior à média das exportações do Brasil.

Apesar disso, os tipos de produtos vendidos pelo Brasil para um e outro país são diferentes, lembra Lia Valls, professora da Uerj e pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre). Por isso, ela vê a retomada da demanda argentina como uma boa notícia, mas incapaz de amenizar as perdas com o mercado americano:

— As exportações para a Argentina são muito concentradas nos automóveis. Nem entramos com automóveis nos EUA.

A concentração das vendas para a Argentina nos itens da indústria automotiva se repetiu nos sete primeiros meses deste ano. Desde a década de 1990, com o estabelecimento do Mercosul, as multinacionais do setor passaram a organizar suas cadeias entre Brasil e Argentina numa relação de interdependência entre os dois mercados.

No início deste mês, a Anfavea, associação nacional de fabricantes de veículos, revisou para baixo sua projeção de vendas de automóveis no mercado doméstico para este ano, para 2,7 milhões de unidades, ante os 2,8 milhões estimados em janeiro. Mas manteve inalterada a previsão de produção, em 2,7 milhões de unidades, por causa da demanda argentina — a estimativa é que sejam exportados 552 mil carros para lá este ano, o que representaria um salto de 38,4% na comparação com 2024.

— Os argentinos começaram a comprar mais carros — diz Federico Servideo, presidente da Câmara de Comércio Argentino-Brasileira de São Paulo (Camarbra).

A economia argentina estava em recessão no primeiro semestre do ano passado, mas voltou a crescer na segunda metade de 2024. No primeiro trimestre, cresceu 0,8%. Ao mesmo tempo, o câmbio do peso com o dólar se valorizou, tornando os produtos brasileiros mais baratos no país. O fluxo de turistas argentinos para o Brasil e as compras deles no varejo nacional também saltaram.

Fatores conjunturais

O problema, para Servideo, é que esses fatores são conjunturais. Na visão do presidente da Comarbra, nos últimos anos a relação comercial entre os dois maiores países da América do Sul tem sido “oportunística”.

As trocas crescem ou caem em função do ritmo do crescimento econômico, da estabilidade da economia ou da variação nas taxas de câmbio. Ideal seria impulsionar a integração das cadeias de produção entre os dois países, envolvendo pequenas e médias empresas, como no setor automotivo.

Servideo cobra maior ativismo do empresariado, de lado a lado, em prol da integração. Nas políticas públicas, o foco deveria ser a remoção da burocracia, como trâmites alfandegários e a regulação de padrões industriais.

Fora do setor automotivo, a volta da demanda argentina pode amenizar, em alguma medida, as perdas nas vendas para os EUA nas indústrias de calçados e de máquinas e equipamentos.

A fabricante alemã de bombas para uso industrial Netzsch vê o redirecionamento dos EUA para outros mercados da América Latina como um caminho, disse ao GLOBO Osvaldo Ferreira, diretor-geral da empresa no Brasil. A recuperação argentina “pode ajudar”, disse o executivo:

— Eles ficaram muito em baixa, sentimos também (quando houve queda nas vendas para a Argentina).

Fonte: O Globo

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Comércio Exterior

Estado anuncia em Itajaí pacote de R$ 435 milhões contra efeitos de tarifaço

Secretário divulgou programas de incentivos a empresários da Amfri

O governo estadual anunciou em Itajaí o pacote emergencial de R$ 435 milhões para apoiar os setores da economia catarinense mais prejudicados pelo tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos sobre produtos importados do Brasil. Para a região da Amfri, foi apresentado um conjunto de programas e incentivos fiscais pra fortalecer a competitividade das empresas.

A apresentação foi em evento na Associação Empresarial de Itajaí (ACII), com a presença do secretário estadual da Indústria, Comércio e Serviço, Silvio Dreveck. Autoridades locais, lideranças empresariais e representantes de associações empresariais dos municípios da região participaram do encontro.

O secretário destacou as principais ferramentas disponíveis pelo estado, com ênfase em linhas de crédito, incentivos fiscais e programas voltados à inovação e à geração de empregos. Foram apresentados o Programa Juro Zero, para microempreendedores individuais (MEIs), e o Pronampe SC, que oferta crédito a pequenas e médias empresas.

Também foi destacado o Programa de Desenvolvimento da Empresa Catarinense (Prodec), voltado para o setor industrial, e o Pró-Emprego, programa mais abrangente que atende diversos segmentos da economia. Segundo o secretário, os programas buscam estimular investimentos privados, aumentar a produtividade e incentivar a inovação nas empresas.

“Estamos fortalecendo o diálogo entre o setor público e privado, promovendo um ambiente de negócios mais competitivo e com foco na geração de empregos e renda”, afirmou Dreveck.

A presidente da ACII, Thaísa Nascimento Corrêa, ressaltou a importância da parceria entre o empresariado e o estado. “Esta é uma articulação estratégica que contribui para o futuro das nossas empresas e da região como um todo. Iniciativas como essa mostram o potencial da nossa indústria, comércio e serviços, que merecem políticas públicas alinhadas às suas necessidades”, disse.

Foco em inovação, crédito e competitividade

Os programas do governo estadual ganharam atualizações e melhorias para ajudar ainda mais as empresas. O Prodec passou a incluir despesas com inteligência artificial, automação, software, energia renovável e formação de capital humano, para estimular a modernização do parque industrial e o desenvolvimento de novos produtos.

Já o Pró-Emprego, que concede incentivos fiscais na compra de equipamentos, construção civil e insumos importados, foi reforçado como alternativa para negócios do setor comercial, de serviços e energia. Os dois programas somaram mais de R$ 25 bilhões em investimentos nos últimos dois anos, gerando 85 mil novos empregos.

Uma nova frente de atuação do governo será a capacitação da mão de obra. O secretário adiantou que o estado está elaborando, em parceria com entidades, um programa de qualificação pra atender às vagas em aberto em Santa Catarina, que somam mais de nove mil só nos anúncios pelo Sine.

Crédito para empreendedores

Entre as novas linhas de crédito está o financiamento de até R$ 250 mil para projetos de inovação, com subsídio de até 50% dos juros pelo estado, por meio de cooperativas. Já programa Juro Zero oferece microcrédito de até R$ 5 mil para MEIs, com pagamento em dia e possibilidade de renovação sem cobrança de juros.

Em 2024, o programa estadual já financiou mais de R$ 100 milhões em operações para pequenos empreendedores. “Esses recursos movimentam a base da economia catarinense, principalmente nos municípios que têm nos MEIs uma grande força produtiva”, observou o secretário.

Pacote contra o tarifaço

O pacote de R$ 435 milhões em medidas financeiras e tributárias do estado contra o tarifaço de Donald Trump foi anunciado na quarta-feira pelo governador Jorginho Mello (PL). As ações visam evitar demissões, garantir a competitividade das empresas e manter as atividades das indústrias mais afetadas.

São três frentes de atuação do pacote, prevendo a liberação de crédito acumulado de exportação, dividido em três meses; a prorrogação por 60 dias, durante três meses, do pagamento de ICMS e o financiamento emergencial pelo BRDE.

Em contrapartida, as empresas atendidas deverão manter empregos. O governo estima que 73 mil postos de trabalho sejam protegidos pelas medidas. Haverá critérios de classificação de risco pra atendimento às empresas.

Os setores de madeira, blocos de motor e compressores e de motores elétricos e transformadores são os mais afetados pelo tarifaço. A região do vale do Itajaí é a segunda mais impactada no estado, enquanto a norte é a primeira.

Fonte: Diarinho

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