Comércio Exterior

China sinaliza que compras de soja dos EUA dependem da remoção de tarifas

China, o maior comprador mundial de soja, ainda não reservou nenhuma carga de soja dos EUA de sua safra de outono, disseram operadores, optando pelo fornecimento vindo da América do Sul

Os Estados Unidos devem remover o que a China descreveu como tarifas irracionais e criar condições para expandir o comércio bilateral, disse um porta-voz do Ministério do Comércio chinês nesta quinta-feira (25), quando perguntado se a China compraria soja americana.

A China, o maior comprador mundial de soja, ainda não reservou nenhuma carga de soja dos EUA de sua safra de outono, disseram operadores, optando pelo fornecimento vindo da América do Sul.

Os agricultores dos EUA podem perder bilhões de dólares em vendas de soja devido às tensões comerciais não resolvidas que interromperam as exportações para a China.

Na segunda-feira (22), o negociador sênior de comércio da China, Li Chenggang, reuniu-se com líderes políticos e empresariais do Meio-Oeste dos EUA, onde a maior parte da soja norte-americana é colhida, sinalizando que a segunda maior economia do mundo poderia comprar alguns grãos de soja dos EUA antes de negociações comerciais mais abrangentes.

No entanto, a discordância em relação aos detalhes técnicos parece estar complicando as negociações, com as autoridades comerciais da China e dos EUA devendo se reunir novamente nesta quinta-feira.

“Com relação ao comércio de soja, os Estados Unidos devem tomar medidas positivas para cancelar as tarifas não razoáveis relevantes para criar condições para a expansão do comércio bilateral”, disse o porta-voz do Ministério do Comércio da China, He Yadong, em uma coletiva de imprensa.

Fonte: CNN Brasil

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Internacional

Argentina projeta exportação de 2 milhões de toneladas de milho em setembro, aponta line-up

O line-up argentino de milho, que detalha a programação de embarques do grão, projeta a exportação de 2,045 milhões de toneladas em setembro, de acordo com levantamento realizado por Safras & Mercado.

Volume já embarcado e expectativa para o mês
Do total previsto para o mês, 1,2 milhão de toneladas já foram embarcadas, enquanto 844,978 mil toneladas permanecem projetadas para futuras exportações.

Projeção acumulada para 2025/26
No período de março de 2025 a fevereiro de 2026, o line-up registra um acumulado preliminar de 21,261 milhões de toneladas de milho programadas para exportação, refletindo a robusta presença da Argentina no mercado internacional de grãos.

Fonte: Portal do Agronegócio

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Comércio, Comércio Exterior, Internacional

Relação comercial Brasil–Estados Unidos interessa aos dois lados, diz secretária

Em audiência pública no Senado Federal, secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Prazeres, enfatizou a importância de solução negociada com EUA

A secretária de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), participou nesta quarta-feira (24/9) de Audiência Pública da Secretaria de Comissões Coordenação de Comissões Especiais, Temporárias e Parlamentares de Inquérito (CTEUA), no Senado Federal.

Os parlamentares e autoridades se reuniram para discutir os impactos da investigação aberta pelos Estados Unidos contra o Brasil ao amparo da Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana.

A secretária de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres, apresentou um panorama da relação bilateral e destacou que, de janeiro a agosto, o Brasil exportou US$ 26,6 bilhões para os Estados Unidos, um aumento de 1,66% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto as importações somaram US$ 30 bilhões, um aumento de 11,44%. Ressaltou ainda a diversificação da pauta exportadora, composta principalmente por manufaturados, mas também por produtos agrícolas e da indústria extrativa.

“O Brasil não é um problema comercial para os Estados Unidos. O Brasil é um país que tem superávit comercial com o mundo e um déficit com os Estados Unidos, ao passo que os EUA são um país que têm um déficit com o mundo e superávit com o Brasil. Na nossa visão, essa não é a métrica que deve pautar a avaliação do relacionamento bilateral, mas, se é tão importante para os EUA neste momento, o Brasil de fato não é um problema. Apesar do déficit comercial, essa é uma relação que interessa os dois lados, gera empregos e contribui para o dinamismo da atividade econômica nos dois países.”, afirmou Prazeres.

 A secretária destacou, ainda, o empenho do vice-presidente da República e Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, nas tratativas com o lado americano com vistas a encontrar uma solução negociada mutuamente benéfica para ambos os países.

De acordo com a secretária, cerca de 10 mil empresas brasileiras vendem para o mercado americano. “É esse universo que nos preocupa quando pensamos nas medidas aplicadas pelos Estados Unidos. Estamos falando de milhares de empresas e empregos que dependem dessa relação comercial”, destacou.

Sobre a investigação em curso no âmbito da Seção 301, aberta em julho pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), a secretária reafirmou a posição brasileira: “O Brasil seguirá firme na defesa de seus interesses na busca de uma solução negociada em temas comerciais com os EUA”, garantiu a secretária Tatiana Prazeres.

 relatora da comissão, senadora Tereza Cristina, reforçou a importância da participação de diversos públicos de interesse. “A realização dessa audiência pública permite que a comissão exerça seu papel institucional de reunir informações das diversas partes envolvidas para construir um quadro claro dos interesses, motivações e forças atuantes em ambos os lados e de buscar canais de interlocução com atores-chave nos dois países”.

Para o presidente da CTEUA, Nelsinho Trad, este é um ambiente de debate estratégias junto a ministros, empresários e especialistas para garantir que nossas exportações e nossa competitividade não sejam comprometidas. “O foco é proteger empregos, renda e setores produtivos, buscando sempre soluções por meio do diálogo e da cooperação”, concluiu.

Confira aqui a apresentação da secretária da Secex, Tatiana Prazeres.

Assista a audiência no Senado Federal.

Fonte: MDIC

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Comércio Exterior

Brasileiros pagaram menos por legumes, carnes e ovos após tarifas dos EUA; entenda

Estudo aponta maior oferta dos produtos para o mercado brasileiro em meio às exportações em queda

Os brasileiros pagaram menos no mês de agosto por produtos listados nas tarifas de exportação dos Estados Unidos. Ovos e carne vermelha, por exemplo, apresentaram queda de 4% e 3,4%, respectivamente, nos preços ao consumidor.

Já a categoria de legumes apresentou a maior queda do período, com preços que caíram mais de 6,7%. É o que indica o estudo “Variações de Preços: Brasil & Regiões”, da Neogrid, divulgada com exclusividade ao InfoMoney.

No caso dos legumes, além das melhores condições climáticas que favoreceram as plantações, a maior oferta interna causada pelo tarifaço de Donald Trump também foi um fator importante para a redução dos preços.

As taxas de 50% sobre importações brasileiras aplicadas pelos EUA afetaram diretamente os produtores dos itens na mira de Trump, mas aliviaram o bolso dos consumidores brasileiros, em certa medida.

Entre os produtos de origem animal, por sua vez, o quilo dos cortes bovinos passaram de R$ 38,07 em julho para R$ 36,77 em agosto — o que representa queda de 3,4% —, enquanto a carne suína caiu de R$ 19,45 para R$ 18,87 — ou seja, recuo de 3%. O preço da farinha de mandioca também registrou baixa de 2,5%.

“Como os Estados Unidos são um dos maiores compradores de carnes e derivados de soja do Brasil, o ‘tarifaço’ reduziu o volume exportado, o que elevou a oferta interna e pressionou os preços para baixo nessas categorias”, explica Anna Carolina Fercher, líder de Dados Estratégicos na Neogrid.

Fercher afirma que o efeito não fica restrito à balança comercial, pois impacta diretamente o carrinho de compras dos brasileiros. “Para os próximos meses, a expectativa é de que os preços permaneçam estáveis, refletindo uma inflação mais controlada. No entanto, o mercado segue sensível a fatores como safra, logística e câmbio”, analisa.

Produtos com aumento de preços

Em contrapartida, outras categorias registraram alta durante o período analisado, como visto para o creme dental (+1,9%), margarina (+1,7%), óleo de soja (+1,6%) e sal (+1,6%). A cerveja também apresentou elevação de 1,2%, com preço médio de R$ 13,21.

O café (em pó e em grãos) continua como líder na maior alta de preços considerando o acumulado de dezembro de 2024 até agosto de 2025.

O preço médio por quilo de café subiu de R$ 53,58 em dezembro do ano passado para R$ 73,75 em agosto deste ano, apresentando variação de 37,6%.

Na comparação anual, outros produtos que registraram aumentos foram margarina (6,3%), creme dental (5,7%), pão (2,1%) e refrigerantes (1,3%).

Fonte: InfoMoney

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Exportação

Apex identifica potencial para ampliar exportação de 666 produtos ao EFTA

Mercosul assinou acordo de livre comércio com grupo de países europeus; Brasil pode ampliar vendas de bens como máquinas, alimentos, calçados e móveis

Os países do EFTA, bloco europeu que assinou um acordo de livre comércio com o Mercosul na semana passada, têm forte potencial para ganhar espaço na pauta de exportações brasileiras.

Dos dez principais grupos de produtos vendidos pelo Brasil ao EFTA nos últimos cinco anos, nove apresentaram crescimento, segundo estudo inédito da Apex Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos).

O mapa de oportunidades desenhado pela agência identifica 666 possibilidades de ampliação das vendas.

Os principais destaques na pauta são: ouro, máquinas e equipamentos de transporte (como caminhões e tratores), produtos alimentícios (como café, uvas e carne bovina), calçados, móveis e esculturas.

O EFTA é formado por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein — nações que não fazem parte da União Europeia. O grupo reúne quase 15 milhões de habitantes, é o 14º maior mercado importador do mundo e tem uma de suas maiores rendas per capita (US$ 98 mil anuais).

“Vamos ampliar o acesso das nossas empresas a mercados estratégicos, altamente exigentes e de elevado poder de compra”, diz o presidente da Apex Brasil, Jorge Viana.

Após 14 rodadas de negociação, Mercosul e EFTA assinaram um acordo abrangente, que cobre 99% das exportações brasileiras e ainda depende de ratificação legislativa para entrar em vigência.

O tratado também inclui serviços, investimentos, propriedade intelectual, compras governamentais, regras de origem, defesa comercial, medidas sanitárias e fitossanitárias, barreiras técnicas ao comércio.

De acordo com o Banco Central, os sócios do EFTA têm um estoque de investimento de US$ 65 bilhões no Brasil, com crescimento médio anual de 4,9% ao longo da última década. Se fossem considerados como um único emissor, seria o quinto maior investidor estrangeiro no país.

Os investimentos incluem projetos de multinacionais como Nestlé, C&A, Equinor, Lindt, Hydro Rein, Statkraft.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior, Importação

Gecex delibera sobre defesa comercial, redução tarifária e política de subscrição de riscos para o FGE e FGCE.

Reunião do colegiado também renovou medidas de proteção à indústria química, de papel e de pneus para carros de passageiros.

229ª reunião ordinária do Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex), realizada nesta terça-feira (23/9), aprovou a redução tarifária para 15 produtos não produzidos pelo Brasil e que são cruciais para diferentes cadeias produtivas, contribuindo para a competitividade do setor produtivo nacional.

O Gecex também deliberou pela renovação de medidas de proteção à indústria nacional contra surtos de importação derivados da atual conjuntura internacional, afetando produtos químicos, de papel e de pneus para carros de passageiros.

Com isso, ficaram mantidos por mais 12 meses os aumentos de imposto de importação para 30 códigos tarifários de produtos químicos, dois de papel cartão e um de pneus para automóveis de passeio.

Em todos os casos, foram mantidas as tarifas de importação que já vinham sendo aplicadas desde as decisões anteriores, quais sejam: de até 20% para químicos, de 16% para as duas NCMs de papel e de 25% para pneus de carros de passeio.

Defesa comercial

O Gecex também decidiu por renovar medidas de defesa comercial de laminados planos de baixo carbono, laminados planos de aço inoxidável e alhos frescos ou refrigerados.

No primeiro caso (laminados de baixo carbono), a medida foi renovada para produtos originários da Coreia do Sul e da China. No segundo (laminados de aço inoxidável), para China e Taipé Chinês. No terceiro caso, para alho importado da China, ficaram de fora da medida empresas chinesas que se comprometeram com o governo brasileiro a vender o produto a preços que não comprometem a competitividade nacional.

Programa Brasil Soberano

Por fim, dando continuidade à regulamentação da MP Brasil Soberano, o Gecex aprovou novas propostas de Política de Subscrição de Riscos para o Fundo Garantidor de Operações de Comércio Exterior (FGCE) e para o Fundo de Garantia à Exportação (FGE). A medida, que faz parte da regulamentação da MP do Brasil Soberano, visa otimizar a utilização dos fundos de garantia, proporcionando mais segurança e previsibilidade para as operações de comércio exterior.

Fonte: MDCI, Camex gov.br

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Comércio Exterior, Logística

Mudança tributária pode encarecer operações logísticas no comércio exterior, avalia Abralog

Extinção de incentivos fiscais estaduais e tributação no destino devem obrigar empresas a rever estratégias logísticas e fiscais no comércio exterior

As exportações e importações brasileiras movimentaram entre US$ 19 bilhões e US$ 79 bilhões de fevereiro a junho de 2025, segundo dados do Comex Stat, sistema oficial de estatísticas do comércio exterior. Nesse cenário, milhares de empresas dependem de regimes especiais e incentivos regionais para manter competitividade nos portos.

Esse modelo, no entanto, está prestes a mudar. A reforma tributária, aprovada no Congresso e em fase de regulamentação, deve alterar a lógica de planejamento fiscal e logístico das importadoras.

“Trata-se de uma enorme mudança na estrutura de tributação, que terá impacto direto em todos os segmentos da economia”, afirma Alessandro Dessimoni, vice-presidente jurídico da Associação Brasileira de Logística (Abralog) e sócio da Dessimoni & Blanco Advogados.

O novo sistema unificará tributos como PIS, Cofins, ICMS e IPI em dois impostos: a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). A mudança exigirá ajustes nas cadeias de suprimento e no fluxo de caixa das empresas.

Fim dos incentivos

Um dos pontos mais sensíveis é a extinção dos benefícios fiscais estaduais até 2032, sem possibilidade de criação de novos. Programas como o TTD 410 (SC), o Invest (ES) e o TTS Corredor de Importação (MG) foram decisivos para atrair investimentos e reduzir custos.

“Com o fim desses regimes, muitas empresas precisarão rever sua estratégia logística e fiscal, pois o impacto no fluxo de caixa será imediato”, diz Dessimoni.

Outro desafio será a definição do local de tributação. Pela nova regra, a cobrança do IBS e da CBS ocorrerá no destino da mercadoria, o que pode gerar complexidades em operações triangulares e importações indiretas.

Risco para margens

A ampliação da base de cálculo e a eliminação de incentivos podem reduzir margens e pressionar preços finais. Dessimoni alerta para o risco de desequilíbrio no período de transição: “Qualquer descompasso pode afetar custos e inviabilizar empresas”.

Trading companies também devem ser impactadas. O novo modelo tende a favorecer operações diretas entre fornecedor estrangeiro e comprador final, reduzindo a atratividade de negócios por encomenda ou por conta e ordem.

Para o advogado, o planejamento tributário terá papel central. “Definição correta da incidência, identificação de créditos fiscais e redesenho das rotas logísticas serão elementos centrais para preservar a competitividade no comércio exterior”, afirma.

Fonte: Transporte Moderno

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Comércio Exterior

Tarifaço: Governo muda regra de linhas emergenciais para reduzir penalização a exportadores

O Conselho Monetário Nacional (CMN) alterou resolução de agosto de 2025 que regulamentava as linhas de financiamento emergenciais com recursos do Fundo de Garantia à Exportação (FGE), voltadas a socorrer as empresas afetadas pelo tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.

As mudanças foram aprovadas em reunião extraordinária do CMN realizada nesta sexta-feira, 19, e, segundo comunicado do Ministério da Fazenda, têm como objetivo “corrigir imprecisões normativas”.

A Pasta disse que as alterações evitam dupla penalização de empresas beneficiadas em caso de descumprimento simultâneo dos compromissos de manutenção de empregos e de exportação, “o que poderia gerar penalização excessiva e desproporcional, além de riscos de judicialização”.

Após a alteração na resolução, foi mantida a penalidade de 2% ao ano sobre a diferença entre o valor financiado e o efetivamente exportado para mutuários com faturamento atingido em mais de 20% pelas tarifas adicionais. Por outro lado, a penalidade para mutuários com 5% a 20% do faturamento atingido pelas tarifas foi reduzida de Selic (15% ao ano) para 8% ao ano.

De acordo com a Fazenda, as penalidades definidas na resolução são pouco inferiores à praticada pelo BNDES em linhas de financiamentos de pré-embarque em caso de não comprovado o compromisso de exportação.

“A menor penalidade se justifica pelo contexto emergencial dos exportadores afetados pelas tarifas de 50%, que ainda terão incentivo ao cumprimento das metas de exportação, porém sem arcar com custos desproporcionais”, informou a Fazenda.

O texto também deixa explícito que as penalidades incidem desde a contratação do financiamento até a data da última amortização prevista ou da liquidação antecipada, o que seria um alinhamento às boas práticas do BNDES em linhas de pré-embarque.

Por fim, o governo sustentou que as alterações trazem maior proporcionalidade e segurança jurídica às regras das linhas emergenciais do FGE, incentivando a adesão das empresas atingidas pelas tarifas adicionais às linhas de crédito e estimulando a diversificação de mercados.

A resolução entra em vigor na data de sua publicação.

O socorro às companhias brasileiras afetadas pelas tarifas americanas soma R$ 40 bilhões em crédito, sendo R$ 30 bilhões com recursos do Fundo Garantidor de Exportações (FGE) e R$ 10 bilhões do próprio BNDES.

Os recursos estão disponíveis em linhas para financiamento a capital de giro e a investimentos em adaptação da atividade produtiva, aquisição de máquinas e equipamentos e busca de novos mercados.

Fonte: Estadão

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Comércio Exterior

Catarinense atua na linha de frente da negociação contra o tarifaço em Brasília: “Desafiador”

Natural de Florianópolis, Tatiana Lacerda Prazeres atua como secretária nacional pela segunda vez.

“Todo mundo para quem eu pergunto de comércio exterior me fala de você”. Foi essa frase que a catarinense Tatiana Lacerda Prazeres ouviu do vice-presidente do Brasil, Geraldo Alckmin, ao ser convidada a assumir o cargo de secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) em 2023. Natural de Florianópolis, a profissional tem mais de 20 anos de carreira e esta é a segunda vez que atua na pasta. Entretanto, neste ano, ela enfrenta um novo desafio na carreira: estar na linha de frente da negociação do tarifaço, imposto pelos Estados Unidos ao Brasil no início de agosto.

— Eu lembro que estava de férias em Florianópolis. Comprei uma passagem, vim para Brasília e eu lembro que fiquei muito emocionada quando ele me olhou e disse: “Ah, muito prazer em conhecer você. Todo mundo para quem eu pergunto de comércio exterior me fala de você”. Eu falei: “Nossa, que bonito, que momento de carreira, recompensador” — relembra Tatiana.

Quem é a catarinense secretária de Comércio Exterior

Nascida em Florianópolis, capital do Estado catarinense, Tatiana Lacerda Prazeres é graduada em direito e relações internacionais pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Universidade do Vale do Itajaí (Univali), respectivamente. Tatiana conta que os temas internacionais, que impactam todo o mundo, sempre despertaram o seu interesse. Entre 2002 e 2003, realizou um mestrado em direito internacional também na UFSC. Durante seus estudos, encontrou uma área que conecta suas duas graduações: o direito do comércio internacional.

— Sempre me perguntei, ao longo da minha trajetória, como trabalhar com isso. Como colocar a dedicação ao tema em prática, em algo que pudesse fazer diferença. E aí apareceu a oportunidade de um concurso público que é da carreira a qual eu pertenço, de analista de comércio superior, em Brasília. Eu lembro que fiz o meu mestrado sobre uma coisa muito específica que chama “O acordo de barreiras técnicas da Organização Mundial do Comércio”. E aí quando eu vi o edital deste concurso que tinha lá “o acordo sobre barreiras técnicas”, [pensei] “uau, isso é para mim”. E, de fato, foi assim — recorda.

Com a oportunidade, Tatiana mudou-se a Brasília com a convicção de que teria que gostar da vida na capital federal. Segundo ela, para atuar na área é importante estar na cidade, sobretudo pelo seu interesse em atuar no serviço público, ou, como Tatiana mesmo define: “trabalhar pelo país.

— E me adaptei muito bem, muito facilmente. Essa reunião de pessoas, de diferentes lugares do Brasil, que são movidas pelo mesmo propósito, foi algo para mim super interessante. Acho que eu passei a conhecer o Brasil mudando para Brasília — revela.

Na capital federal, Tatiana continuou seus estudos. Ingressou na Universidade de Brasília (UNB) para cursar um doutorado em relações internacionais. Nesse período, atuou em diferentes agências do governo, como a de promoção de exportações. Em janeiro de 2011, foi convidada a assumir o cargo de secretária de Comércio Exterior do MDIC. Com isso, tornou-se a pessoa mais jovem a ocupar a função, aos 32 anos.

— Foi uma experiência incrível, muito desafiadora por ser mulher e jovem ao mesmo tempo. Então, aprendi muito, foi fascinante — conta.

Durante a experiência profissional, sua vida pessoal também passou por mudanças. Ela casou-se nessa época e, como seu marido é diplomata, logo surgiu uma nova oportunidade para ambos atuarem em Genebra, na Suíça. A cidade é conhecida como um importante centro diplomático e abriga escritórios da Organização das Nações Unidas (ONU) e Organização Mundial da Saúde (OMS). Então, Tatiana se licenciou do MDIC para atuar como assessora sênior do diretor-geral da OMC.

— Esse trabalho no exterior foi incrível. Foi um período muito interessante em que eu não representava o Brasil, mas eu atuava na organização a favor de entendimentos entre os vários países — explica.

A família permaneceu em Genebra durante cinco anos. De lá, seguiram para um novo desafio em Pequim, na China. No país asiático, Tatiana tornou-se professora da Universidade de Negócios Internacionais e Economia, a qual possui vínculo até os dias de hoje.

— Foi uma experiência incrível morar por três anos na China, um país fascinante. A sensação era de estar onde as coisas estão acontecendo. E para quem se dedica ao comércio internacional, viver na China é algo é muito interessante. Eu acho que fez todo o sentido para a minha trajetória de vida.

Durante esse período, Tatiana foi convidada a escrever, semanalmente, uma coluna sobre a China para o jornal Folha de S.Paulo. Para ela, a oportunidade se revelou um desafio intelectual enorme, mas também um período de aprendizado rico.

Ao retornar para o Brasil, em 2022, foi chamada para ser diretora de comércio na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP). Permaneceu na instituição até dezembro do mesmo ano, quando saiu para assumir novamente o cargo de secretária de Comércio Exterior do MDIC a convite do vice-presidente Geraldo Alckmin.

Sobre planos futuros, Tatiana revela que vive em um exercício constante de administrar a ansiedade, expectativas e ambições.

— Se você tivesse me perguntado se eu me veria a colunista da Folha de S.Paulo, eu diria: “de jeito nenhum”. Foi algo que surgiu em função das circunstâncias. Mas administrar a ansiedade e não saber onde estarei daqui a “x” tempo e o que estarei fazendo é algo que é um exercício. De maneira que eu tenho ambições na vida, mas elas não têm nome e sobrenome. Eu estou aberta para o que as circunstâncias vierem a me oferecer — afirma.

Negociações internacionais

Comparando a primeira e a segunda atuação à frente da secretaria de Comércio Exterior, ela afirma que o mundo está mais complexo e que as questões comerciais estão cada vez mais relacionadas a uma agenda de segurança nacional e de meio-ambiente, além da utilização do comércio como um instrumento para a concepção de objetivos não comerciais.

— O trabalho se tornou muito mais desafiador e ao mesmo tempo mais interessante em função das circunstâncias externas. A utilização de ferramentas comerciais para objetivos não comerciais é algo que se intensificou num período muito recente da história e algo com o que o mundo inteiro está tentando lidar. Então essa questão, dos Estados Unidos em particular, me fez trabalhar muito mais. É um desafio, mas eu fico contente de poder colocar todo meu conhecimento, experiência e capacidade de trabalho em favor do país num momento tão único como este que nós vivemos na agenda de comércio exterior — diz.

Brasil x Estados Unidos

Tatiana Lacerda Prazeres faz parte da linha de frente das negociações do tarifaço, junto com o vice-presidente Geraldo Alckmin e toda a equipe do MDIC. Por ser catarinense, a secretária conta que está em contato constante com representantes do Estado, como deputados e a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc).

Para a secretária, a união de esforços, incluindo líderes de partidos de oposição, é importante para encontrar soluções para os desafios impostos pelo tarifaço. Ela cita encontros com o senador Esperidião Amin e o deputado federal Valdir Cobalchini para tratar de mitigações e o que o governo pode ou não fazer para auxiliar os estados neste momento.

— É muito bacana quando as pessoas aqui em Brasília, quando eu me apresento e digo: “Ah, eu sou de Santa Catarina”, eu sinto que dá um conforto também para os nossos interlocutores saber que há alguém aqui em Brasília nessa posição, nesse momento histórico, com um olhar atento à realidade do Estado — relata.

As negociações do Tarifaço

Senadores dos Estados Unidos tentam revogar o tarifaço contra o Brasil. A pasta acredita que realmente esse tarifaço pode ser revogado, qual é a expectativa?

São vários movimentos que se complementam com o objetivo da reversão dessa decisão. Esse que você se referiu talvez seja mais recente. É muito interessante porque vem do congresso americano envolvendo congressistas de diferentes partidos, né? Então esse é um movimento no congresso, mas há um movimento no judiciário também que questiona a legalidade das medidas. Há todo um esforço de negociação do governo brasileiro, há um esforço do setor privado brasileiro que busca atuar junto aos seus parceiros, aos seus compradores nos Estados Unidos. Então, eu diria que esse movimento no congresso se soma a esses outros esforços que estão em curso e o objetivo é, enfim, reverter essas medidas que na nossa visão não se justificam.

Com relação aos programas divulgados pelo Governo Federal e pelo Estado de Santa Catarina, a expectativa é que ajude a longo prazo para frear os impactos negativos [do tarifaço]?

O objetivo é mitigar o impacto negativo do tarifaço para as empresas especialmente afetadas. Várias medidas já foram anunciadas, algumas requerem aprovação do congresso. Então, inclusive nós trabalhamos com o congresso nesse sentido. Diria que uma medida muito importante, inclusive para o Estado, é o Reintegra. Reintegra vai devolver para as empresas especialmente afetadas pelo tarifaço 3%, vai agregar três pontos percentuais a uma devolução que hoje é de 0,1%. Então, a empresa exportadora, especialmente afetada pelo tarifaço americano, vai ter a devolução de 3,1% do valor exportado, seja para os Estados Unidos, seja para outros destinos, com a aprovação dessa medida.

Então, essa é uma entre outras, mas uma na qual nós estamos muito empenhados em implementar. Precisamos, no entanto, que o congresso dê autorização legal. Mas o objetivo é mitigar o impacto ao mesmo tempo em que a gente busca negociar com os americanos e busca também abertura de novos mercados. Na terça-feira (16), nós assinamos o acordo Mercosul-EFTA. Um acordo muito recente que se soma os esforços do governo brasileiro para conclusão de acordos comerciais. Nós esperamos assinar ainda neste ano o acordo Mercosul-União Europeia, que também, com ainda mais força, vai ajudar na diversificação dos mercados brasileiros. Estamos trabalhando com promoção de exportações. A Apex fez todo um plano voltado a ajudar a busca de mercados alternativos nesse contexto. Vice-presidente Alckmin esteve no México buscando oportunidades, vai à Índia buscando oportunidades também. Então é uma mobilização em várias frentes.

Conselho para meninas e mulheres que gostariam de atuar na área de Comércio Exterior:

Eu acho que uma boa formação é fundamental inclusive com idiomas. Não vai muito longe nessa área sem um domínio efetivo de idiomas. Mas eu diria que, além dessa formação técnica sólida, eu não paro de estudar nunca e é importante valorizar essa dimensão da formação, do conhecimento, tem essa outra camada que tem a ver com confiança, que tem a ver com apetite, vontade, interesse em assumir desafios maiores, posições de liderança. É importante que isso seja cultivado, valorizado e que as meninas e mulheres sintam que esse é um espaço também para elas. Então, eu acho que essa combinação de uma formação sólida, com a confiança e o apetite. Isso precisa ser valorizado, valorizado pela sociedade, valorizado pelos parceiros ou parceiras que essas meninas desejam ter, alguém que apoie o crescimento profissional e a função de responsabilidades maiores, posições de liderança.

Fonte: NSC

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Comércio Exterior

Comércio Exterior: Declarações de ICMS em sete estados passam a ser feitas apenas pelo PCCE

A partir desta segunda-feira, 22 de setembro de 2025, as Declarações de ICMS destinadas às Secretarias de Fazenda da Bahia, Minas Gerais, Mato Grosso, Distrito Federal, Rondônia, Acre e Amapá só poderão ser realizadas pelo sistema de Pagamento Centralizado do Comércio Exterior (PCCE), acessível no Portal Único de Comércio Exterior (Pucomex).

Com a mudança, o Siscomex Importação Web (DI) deixará de disponibilizar a opção de declaração de ICMS para esses estados. Caso o importador ou despachante selecione uma das unidades da federação desabilitadas (BA, MG, MT, DF, RO, AC e AP), o sistema emitirá a mensagem de erro:

“Pagamento de ICMS desabilitado, proceder no sistema PCCE do Pucomex”.

Declarações em outros estados

Nos demais estados, as Declarações de ICMS continuam sendo aceitas pelo Siscomex Importação Web (DI). No entanto, haverá uma restrição importante: só será permitido registrar declarações para as unidades federativas vinculadas ao processo de importação — ou seja, UF do importador, UF do adquirente e UF de despacho.

Se a unidade federativa selecionada não corresponder a nenhuma dessas, o sistema apresentará a mensagem:

“UF inválida para declaração de ICMS”.

Modernização no comércio exterior

A medida faz parte do processo de integração e simplificação do Portal Único de Comércio Exterior, que busca centralizar operações e reduzir burocracias no pagamento de tributos estaduais relacionados à importação.

Texto: REDAÇÃO

Imagens: ILUSTRATIVA

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