Evento

Acordo União Europeia–Mercosul será tema de seminário na FIESC com foco em oportunidades e desafios

A Federação das Indústrias de Santa Catarina promove, no dia 12 de maio, o seminário “Acordo União Europeia e Mercosul – Impacto, desafios e oportunidades”. O evento, realizado em parceria com a OAB Santa Catarina e a OAB Nacional, reunirá especialistas em Direito Internacional Comercial e Direito Aduaneiro.

Debate reúne especialistas e setor industrial

A programação inclui um painel mediado pela FIESC que dará voz a empresários catarinenses com atuação no mercado internacional, especialmente na União Europeia. A proposta é apresentar uma visão prática sobre os impactos do acordo Mercosul–UE, destacando tanto as oportunidades comerciais quanto os desafios regulatórios enfrentados pelas empresas.

Oficina técnica aborda questões aduaneiras

No período da tarde, o evento contará com uma oficina técnica organizada pela área de relações internacionais da entidade. A atividade será voltada a aspectos operacionais, como regulação técnica, normas de acesso a mercados e procedimentos ligados ao comércio exterior.

O objetivo é orientar empresas interessadas em aproveitar os benefícios do acordo, que promete ampliar a integração econômica entre os blocos.

Público e expectativa para o acordo

O seminário é direcionado a empresários, profissionais e estudantes das áreas de Direito, Administração, Economia e Comércio Exterior. A iniciativa busca aprofundar o conhecimento sobre o tratado, considerado estratégico para o fortalecimento das relações comerciais entre Mercosul e União Europeia.

A entrada em vigor do acordo está prevista para 1º de maio de 2026, abrindo novas perspectivas para exportações e investimentos.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Parlamento Europeu – Freepik

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Comércio

Acordo Mercosul–União Europeia: governo define regras para uso de cotas comerciais

A Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), divulgou as normas que regulamentam o uso das cotas de exportação e importação previstas no acordo entre Mercosul e União Europeia. As diretrizes passaram a valer no dia 1º e detalham a aplicação prática do tratado, incluindo atualizações no Certificado de Origem.

Regras afetam pequena parcela do comércio

De acordo com o MDIC, as cotas comerciais impactam uma fatia limitada das trocas entre os blocos: cerca de 4% das exportações brasileiras e apenas 0,3% das importações. A maior parte do fluxo comercial será beneficiada pela redução ou eliminação total de tarifas, sem limites quantitativos.

Regulamentação complementa acordo histórico

O acordo de livre-comércio Mercosul–UE, oficializado por decreto presidencial no fim de abril, encerra um processo de negociação que durou quase 30 anos. Com a publicação das regras pela Secex, entram em vigor os critérios operacionais para acesso às cotas e às preferências tarifárias.

Como funcionam as cotas de importação

Para as importações, produtos como veículos, lácteos, alho, derivados de tomate, chocolates e itens de confeitaria seguirão o sistema de ordem de registro no Portal Único Siscomex. Para garantir o benefício, o importador deve vincular a licença à Declaração Única de Importação (Duimp) no prazo de até 60 dias, respeitando os limites estabelecidos.

Exportações brasileiras também têm limites

No caso das exportações, as cotas incluem produtos estratégicos da pauta brasileira, como carnes, açúcar, etanol, arroz e milho, além de mel, ovos, rum e cachaça. A distribuição será feita por ordem de solicitação, considerando a disponibilidade no momento da análise.

Após a conclusão da operação, será emitido o Certificado de Autorização de Cotas Mercosul, documento que acompanha a mercadoria e assegura o acesso às condições tarifárias no mercado europeu.

Divisão entre países ainda será definida

A partilha das cotas entre os países do Mercosul ainda depende de negociação interna. Até que haja consenso, cada nação seguirá com seus próprios procedimentos, sem prejuízo ao volume negociado ou ao acesso aos benefícios do acordo.

Para produtos fora do regime de cotas, o acesso ao mercado europeu continuará condicionado apenas ao cumprimento das regras de origem.

FONTE: Canal Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Logística

Corredor Bioceânico: ponte no rio Paraguai entra na fase final e impulsiona ligação entre Brasil e Pacífico

A construção da Ponte Internacional da Rota Bioceânica avança para a etapa final e se consolida como um dos principais pilares do Corredor Bioceânico de Capricórnio, projeto que pretende conectar o Brasil aos portos do norte do Chile. A iniciativa cria uma alternativa estratégica para o comércio exterior ao integrar o Oceano Atlântico ao Pacífico por meio de uma rota terrestre de mais de 2,4 mil quilômetros.

Estrutura estratégica para a logística internacional

Com 1.294 metros de extensão e 29 metros de altura, a ponte está sendo erguida sobre o rio Paraguai, ligando Porto Murtinho (MS) à cidade de Carmelo Peralta, no Paraguai. O investimento chega a R$ 424,3 milhões, com financiamento da Itaipu Binacional.

A obra é considerada fundamental para a consolidação da Rota Bioceânica, ampliando a competitividade logística do Brasil e de países vizinhos. Além da travessia, estão previstas estruturas alfandegárias em ambos os lados da fronteira para dar suporte ao fluxo de cargas.

A estimativa inicial da Receita Federal é de circulação de cerca de 250 caminhões por dia, número que deve crescer conforme a rota se torne uma alternativa mais eficiente para exportações e importações entre o Mercosul e a Ásia.

Avanço das obras e prazos

Atualmente, a ponte está com cerca de 90% das obras concluídas. A expectativa é que as duas extremidades da estrutura sejam conectadas até o fim de maio.

No lado brasileiro, o acesso à ponte inclui um trecho de 13,1 quilômetros que liga a BR-267 à nova travessia. Essa etapa já alcançou aproximadamente 35% de execução e envolve desafios técnicos, como a construção de pontes e bueiros em áreas alagadiças.

Já os centros aduaneiros ainda aguardam definições, especialmente por parte das autoridades paraguaias, para que as obras sejam iniciadas.

Integração regional e desenvolvimento

O Corredor Bioceânico tem como objetivo promover integração econômica e logística entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. O projeto conecta regiões do Sul, Sudeste e Centro-Oeste brasileiro a mercados internacionais, fortalecendo o comércio e incentivando o desenvolvimento regional.

A iniciativa faz parte da Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sul-Americana (IIRSA), com apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que atua no planejamento estratégico e financiamento de projetos estruturantes.

Impactos esperados no comércio exterior

Atualmente, o transporte de mercadorias entre o Brasil e a Ásia pode levar cerca de 30 dias. Com a nova rota, a expectativa é reduzir esse prazo para aproximadamente 10 dias, o que representa ganhos significativos em eficiência e redução de custos.

Além disso, a infraestrutura logística bioceânica deve beneficiar o comércio com a Oceania e a costa oeste dos Estados Unidos, além de impulsionar setores como agronegócio, especialmente na exportação de grãos, carne e celulose.

A ponte desempenha papel essencial nesse cenário ao encurtar distâncias e melhorar a competitividade dos produtos sul-americanos no mercado global.

FONTE: NSC Total
TEXTO: Redação
IMAGEM: Saul Schramm, Secom MS

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Informação

Receita Federal exige curso obrigatório para acesso a áreas alfandegadas

A Receita Federal passou a exigir que trabalhadores e prestadores de serviço realizem um curso de conhecimentos aduaneiros para acessar e permanecer em áreas alfandegadas. A medida foi definida pela Portaria nº 185/2026, publicada recentemente pelo órgão.

A partir de agora, o ingresso nesses locais dependerá de credenciamento prévio e autorização formal, condicionados à comprovação de participação no treinamento.

Curso será obrigatório e com avaliação

O conteúdo do curso inclui parte teórica e avaliação final, com exigência de aproveitamento mínimo de 70%. A capacitação poderá ser feita de forma presencial ou online.

Segundo a Receita Federal, a iniciativa busca padronizar procedimentos e reforçar a segurança aduaneira em ambientes considerados sensíveis ao controle de mercadorias e operações de comércio exterior. Servidores públicos e agentes de órgãos intervenientes poderão ser dispensados da exigência.

Implementação será gradual em portos e aeroportos

A nova regra será aplicada de forma progressiva em portos e aeroportos. Os administradores dos recintos alfandegados ficarão responsáveis por:

  • Disponibilizar o curso
  • Aplicar as avaliações
  • Emitir certificados
  • Controlar o acesso às áreas

O descumprimento das normas poderá resultar em penalidades para os envolvidos.

Impacto varia conforme o tipo de instalação

De acordo com representantes do setor, o impacto da medida tende a ser mais significativo em áreas aeroportuárias. Em portos e recintos de zona secundária, como portos secos, os controles já são considerados mais rigorosos.

A expectativa é que a exigência contribua para melhorar o controle de circulação de pessoas, especialmente em ambientes com maior fluxo operacional.

Curso será gratuito e de curta duração

A capacitação será oferecida sem custos aos trabalhadores. O conteúdo será disponibilizado pela própria Receita Federal, em formato simplificado, com duração aproximada de 15 minutos.

O objetivo é garantir que todos os profissionais tenham acesso às informações básicas de segurança e procedimentos aduaneiros, sem gerar custos adicionais para as empresas.

Setor aponta dúvidas sobre aplicação prática

Apesar dos avanços, ainda há incertezas sobre a implementação da medida, principalmente fora das zonas primárias. Especialistas do setor aguardam a aplicação inicial para avaliar possíveis impactos nos fluxos operacionais.

A preocupação é que o reforço na segurança não prejudique a fluidez do comércio exterior nem comprometa a competitividade logística do país.

Segurança e eficiência em equilíbrio

A nova exigência representa um passo importante na modernização do controle em áreas alfandegadas. O desafio agora será equilibrar segurança, eficiência operacional e agilidade logística, garantindo o bom funcionamento das operações de importação e exportação.

FONTE: A Tribuna
TEXTO: Redação
IMAGEM: Vanessa Rodrigues/Arquivo AT

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Exportação

Exportações de milho do Brasil mais que dobram em abril de 2026, aponta Secex

As exportações brasileiras de milho não moído (exceto milho doce) registraram forte alta em abril de 2026. Segundo dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o país já embarcou 443.081,4 toneladas até a metade do mês, volume que representa um crescimento de 148,4% em relação a todo o mês de abril de 2025, quando foram exportadas 178.347,5 toneladas.

Média diária mostra aceleração dos embarques

Nos primeiros 16 dias úteis de abril, o ritmo de exportações também chamou atenção. O Brasil enviou ao exterior uma média de 27.692,6 toneladas por dia, alta de 210,5% frente ao mesmo período de 2025, quando a média foi de 8.917,4 toneladas diárias.

O desempenho reforça o avanço das exportações do agronegócio brasileiro, especialmente no setor de grãos.

Receita com exportações cresce quase 200%

O aumento no volume embarcado também se refletiu no faturamento. Até o momento, o Brasil já acumula US$ 112,67 milhões em receitas com exportação de milho em abril de 2026.

Em comparação, o valor total registrado em todo abril de 2025 foi de US$ 48,51 milhões. Na média diária, a receita passou para US$ 7,04 milhões, um salto de 190,3% em relação aos US$ 2,42 milhões do ano anterior.

Preço do milho recua no mercado internacional

Apesar do forte crescimento em volume e faturamento, o preço da tonelada do milho exportado apresentou queda. Em abril de 2026, o valor médio ficou em US$ 254,30 por tonelada, recuo de 6,5% em relação aos US$ 272,00 registrados no mesmo mês de 2025.

Exportações reforçam desempenho do agronegócio

O avanço nas exportações de milho evidencia a força do agronegócio brasileiro no comércio internacional, impulsionado pela alta demanda externa e pela competitividade do país no mercado de grãos.

Especialistas destacam que o ritmo acelerado dos embarques pode influenciar positivamente o saldo da balança comercial no período.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Portos

Porto de Santos bate recorde histórico de movimentação de cargas

O Porto de Santos voltou a registrar números expressivos e alcançou um novo marco na movimentação de cargas. Em março, foram movimentadas 16,9 milhões de toneladas, o melhor resultado já registrado para o mês e a segunda maior marca mensal da história do terminal.

No acumulado de 2026, o volume chegou a 42,8 milhões de toneladas, configurando também um recorde histórico para o período. O desempenho do primeiro trimestre já supera todo o volume movimentado em 1999 e se aproxima do melhor resultado anual do século XX, evidenciando o crescimento acelerado da principal estrutura portuária do hemisfério sul.

Movimentação de contêineres cresce no trimestre

A movimentação de contêineres também apresentou avanço. Em março, o porto operou 485 mil TEUs — unidade padrão para contêineres —, alta de 5,4% na comparação anual e recorde para o mês.

No acumulado do trimestre, o total chegou a 1,4 milhão de TEUs, crescimento de 3,6% em relação ao mesmo período de 2025, reforçando a expansão contínua das operações.

Alta nos granéis líquidos impulsiona resultado

O segmento de granéis líquidos foi um dos destaques do período. Nos três primeiros meses do ano, foram movimentadas 5 milhões de toneladas, avanço de 11,6% frente ao mesmo intervalo do ano passado — o melhor resultado já registrado para um primeiro trimestre.

Somente em março, o volume atingiu 1,8 milhão de toneladas. O crescimento foi puxado principalmente pelo aumento nos embarques de gasolina, óleo combustível, diesel e gasóleo, com altas significativas nas operações.

Granéis sólidos mantêm desempenho positivo

Já os granéis sólidos somaram 20,5 milhões de toneladas no trimestre, representando crescimento de 5,2% na comparação anual. Em março, foram movimentadas 8,8 milhões de toneladas, leve recuo de 0,3%.

Entre os produtos com melhor desempenho, destacam-se o açúcar e o farelo de soja a granel, ambos com aumento nas exportações.

Porto de Santos amplia relevância no comércio exterior

A importância do Porto de Santos para o comércio exterior brasileiro segue em alta. Nos três primeiros meses de 2026, o terminal respondeu por 28% da corrente comercial do país.

A China manteve a posição de principal parceiro comercial, representando cerca de 30,7% das operações que passaram pelo porto, com movimentação de US$ 12,98 bilhões. Os Estados Unidos aparecem na sequência, com volume significativamente menor.

O estado de São Paulo lidera as transações, com participação de 51,9% e movimentação de US$ 21,84 bilhões no período.

Perspectivas de crescimento e investimentos

De acordo com a Autoridade Portuária de Santos, os resultados refletem a eficiência operacional e o trabalho conjunto da comunidade portuária. A expectativa é de continuidade no crescimento, com investimentos voltados à modernização e ampliação da capacidade para as próximas décadas.

FONTE: Modais em Foco
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Exportação

Exportações de Mato Grosso avançam com rodadas de negócios internacionais

As exportações de Mato Grosso seguem em expansão mesmo diante de um cenário global desafiador. Em Cuiabá, uma rodada internacional de negócios conectou empresas brasileiras a compradores estrangeiros e movimentou cerca de US$ 1,5 milhão em acordos imediatos. A expectativa é que o volume ultrapasse US$ 4,8 milhões ao longo dos próximos 12 meses.

A iniciativa integra o programa Exporta Mais Brasil, coordenado pela Apex Brasil, com foco em ampliar a presença do agronegócio brasileiro no mercado externo.

Negociações ampliam vendas de produtos agrícolas

Durante o evento, foram negociados mais de 90 contêineres de gergelim, além de cerca de 30 contêineres de amendoim e óleo. A rodada reuniu 13 compradores internacionais de mercados estratégicos como China, Holanda, Israel, Rússia, Colômbia, África do Sul e Quênia.

Ao todo, 26 empresas brasileiras participaram das reuniões, que foram organizadas com base em um processo prévio de análise de perfil, garantindo maior assertividade nas conexões comerciais.

Estratégia fortalece relação direta com compradores

O modelo adotado prioriza o contato direto entre exportadores e importadores. Nas rodadas, os compradores permanecem fixos enquanto as empresas brasileiras se revezam nas reuniões, otimizando o tempo e ampliando oportunidades de negócio.

Um diferencial desta edição foi a realização de visitas técnicas às unidades produtivas em Mato Grosso. Os compradores estrangeiros puderam conhecer de perto a capacidade de produção e o processamento dos produtos, o que contribui para aumentar a confiança nas negociações.

Para representantes do setor, esse contato presencial fortalece vínculos comerciais e favorece acordos de longo prazo, ampliando a competitividade das exportações agrícolas brasileiras.

Abertura de mercado e fidelização de clientes

A estratégia de aproximação direta já começa a gerar resultados concretos, com novos embarques confirmados durante o evento. A experiência in loco permite que compradores internacionais conheçam a qualidade dos produtos e a estrutura produtiva, facilitando a fidelização e a formação de parcerias duradouras.

Essa dinâmica amplia as chances de produtores locais se consolidarem como fornecedores regulares no comércio internacional.

Desafios logísticos pressionam o setor

Apesar do avanço nas negociações, o setor enfrenta obstáculos relevantes. O aumento dos custos de frete marítimo e a volatilidade cambial impactam diretamente a rentabilidade das operações.

Além disso, restrições logísticas em regiões estratégicas, como o Oriente Médio, têm exigido maior planejamento por parte dos exportadores. O encarecimento do transporte internacional, em alguns casos, chegou a dobrar ou triplicar os custos.

Outro fator de atenção é a redução no volume de compras por parte de importadores, reflexo de um ambiente global mais cauteloso.

Agronegócio brasileiro mostra resiliência

Mesmo com as dificuldades, o desempenho das rodadas de negócios reforça a capacidade de adaptação do setor. O agronegócio de Mato Grosso segue competitivo e mantém presença relevante no comércio exterior.

A avaliação de especialistas é que, mesmo em um cenário de incertezas, o Brasil continua ampliando espaço no mercado global, sustentado pela eficiência produtiva e pela demanda internacional por alimentos.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Canal Rural Mato Grosso

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Exportação

Exportações para a Argentina crescem e abrem novas oportunidades para Santa Catarina

A relação econômica entre Brasil e Argentina segue marcada por ciclos de instabilidade, mas vive um novo momento de retomada. Apesar das divergências políticas entre Javier Milei e Luiz Inácio Lula da Silva, o comércio bilateral tem ganhado força — e já mostra resultados concretos.

Dados da ApexBrasil indicam que as exportações brasileiras para a Argentina cresceram 31% no último ano, consolidando o país como principal fornecedor do mercado argentino. Em Santa Catarina, o avanço foi de 17%, atingindo o maior nível da década.

Relação histórica e perda de protagonismo

Durante décadas, a Argentina figurou como principal destino das exportações catarinenses, com forte presença de setores como têxtil, metalmecânico e alimentício. Esse cenário começou a mudar a partir dos anos 1990.

A ascensão da China e o fortalecimento dos Estados Unidos como parceiros comerciais reduziram a participação argentina. Ao mesmo tempo, crises econômicas recorrentes e barreiras comerciais impostas pelo país vizinho tornaram o ambiente mais arriscado e menos previsível para exportadores brasileiros — mesmo com o Mercosul em vigor.

Mudança econômica impulsiona comércio exterior

O cenário recente, porém, aponta para uma virada. A política econômica adotada pelo governo Milei tem como base a redução da intervenção estatal e a liberalização do comércio exterior.

Medidas como desregulamentação, flexibilização de controles e redução de licenças de importação trouxeram mais previsibilidade ao ambiente de negócios. Com isso, a inflação desacelerou, a confiança empresarial aumentou e o mercado argentino voltou a importar com maior fluidez.

Para empresas brasileiras, isso significa menos entraves operacionais e maior segurança jurídica nas transações — além de um mercado mais dependente de fornecedores externos.

Setor moveleiro aposta no mercado argentino

Diante desse novo contexto, empresas catarinenses têm intensificado a busca por oportunidades. O setor moveleiro é um dos destaques.

Uma missão empresarial organizada pela FIESC levou mais de 20 empresários à Argentina, resultando em mais de 200 reuniões e expectativa de negócios de cerca de US$ 4 milhões.

A empresa Interlink, de São Bento do Sul, projeta gerar até US$ 600 mil em vendas para o mercado argentino até 2026. O foco está no segmento de móveis de quarto, que representa quase metade das importações do setor no país vizinho.

Diversificação de mercados ganha força

A movimentação também reflete mudanças no cenário global. Empresas exportadoras vêm buscando alternativas diante dos impactos da Guerra da Ucrânia e de barreiras comerciais impostas por outros mercados.

Nesse contexto, a estratégia passa por diversificar destinos. A meta de algumas companhias é equilibrar o faturamento entre América Latina e Europa, com destaque para países como Argentina, Paraguai e México.

Cautela no curto prazo, otimismo no médio prazo

Apesar do crescimento recente, o início do ano trouxe uma desaceleração nas exportações, influenciada por instabilidade cambial e incertezas políticas.

Ainda assim, o mercado é visto como estratégico. Empresas relatam um comportamento mais cauteloso por parte dos importadores argentinos, com negociações mais detalhadas, pedidos menores e maior exigência por previsibilidade.

Por outro lado, Santa Catarina mantém vantagens competitivas relevantes, como proximidade geográfica, prazo de entrega reduzido, flexibilidade produtiva e suporte pós-venda — fatores que diferenciam o estado frente a concorrentes internacionais.

Integração produtiva e novas parcerias

As oportunidades vão além da exportação de produtos acabados. A tendência é de fortalecimento das cadeias produtivas regionais, especialmente com a perspectiva de ampliação de acordos comerciais envolvendo o Mercosul e a União Europeia.

Esse movimento pode estimular parcerias em áreas como tecnologia, investimentos e capital humano, ampliando o nível de integração entre os países.

Indústria e máquinas também ganham espaço

A melhora no ambiente de negócios argentino, reforçada por reformas estruturais, pode impulsionar a reindustrialização do país. Esse processo tende a aumentar a demanda por máquinas, equipamentos e insumos industriais.

Empresas como a Potenza, de Lages, já avaliam expandir sua presença no país. Entre as possibilidades está até a instalação de uma unidade local para facilitar o acesso a outros mercados, incluindo os Estados Unidos, dependendo de fatores como custos e logística.

Perspectivas para o comércio bilateral

O avanço recente das exportações para a Argentina reforça o potencial de retomada da parceria econômica. Mesmo diante de desafios pontuais, o país vizinho volta a ocupar posição estratégica para empresas brasileiras.

A combinação de reformas econômicas, demanda reprimida e proximidade regional indica um cenário favorável para o fortalecimento do comércio e da integração produtiva nos próximos anos.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Adobestock

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Comércio Exterior

Corrente de comércio atinge US$ 15,9 bilhões na segunda semana de abril de 2026

A corrente de comércio brasileira somou US$ 15,9 bilhões na segunda semana de abril de 2026, com um superávit da balança comercial de US$ 4,2 bilhões. O resultado foi impulsionado por exportações de US$ 10 bilhões frente a importações de US$ 5,9 bilhões.

Os dados foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Acumulado do mês mantém saldo positivo

No desempenho mensal, o Brasil já acumula US$ 14,9 bilhões em exportações e US$ 8,1 bilhões em importações, garantindo um saldo positivo de US$ 6,7 bilhões. A corrente de comércio no período chegou a US$ 23 bilhões.

Resultado no ano ultrapassa US$ 170 bilhões

No acumulado de 2026, o comércio exterior brasileiro alcança números robustos. As exportações totalizam US$ 97,2 bilhões, enquanto as importações somam US$ 76,3 bilhões.

Com isso, o saldo positivo da balança comercial brasileira chega a US$ 20,9 bilhões, e a corrente de comércio atinge US$ 173,5 bilhões.

Exportações crescem mais de 40% na média diária

A média diária de exportações até a segunda semana de abril foi de US$ 2,1 bilhões, representando um crescimento de 42,2% em relação ao mesmo período de abril de 2025.

Já as importações registraram alta mais moderada, com avanço de 4,5% na mesma base de comparação, alcançando média diária de US$ 1,161 bilhão.

No geral, a média diária da corrente de comércio ficou em US$ 3,287 bilhões, com saldo médio diário de US$ 963,9 milhões — alta de 26,2% frente ao mesmo mês do ano anterior.

Setores exportadores puxam desempenho

O crescimento das exportações foi disseminado entre os principais setores da economia:

  • Agropecuária: alta de 29,1% na média diária
  • Indústria Extrativa: avanço expressivo de 83,8%
  • Indústria de Transformação: crescimento de 29,8%

Os dados indicam forte desempenho da pauta exportadora brasileira, com destaque para commodities e produtos industrializados.

Importações mostram comportamento misto

No lado das importações, o cenário foi mais heterogêneo:

  • Indústria de Transformação: crescimento de 6,7%
  • Agropecuária: queda de 33,4%
  • Indústria Extrativa: recuo de 9%

O avanço das compras externas de bens industrializados sugere aquecimento da atividade econômica, enquanto outros setores apresentaram retração.

Comércio exterior segue em trajetória de crescimento

Os números reforçam a tendência positiva do comércio exterior do Brasil em 2026, com expansão consistente da corrente de comércio e manutenção de superávits relevantes.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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Exportação

Exportações de carne bovina do Brasil batem recorde e pressionam cota chinesa

O desempenho das exportações de carne bovina do Brasil no início de 2026 atingiu níveis históricos e trouxe novos desafios ao setor, especialmente em relação ao limite de compras da China, principal destino do produto brasileiro.

Volume exportado cresce quase 20% no trimestre

Entre janeiro e março de 2026, o Brasil embarcou cerca de 701,6 mil toneladas de carne bovina, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). O volume representa um avanço de 19,7% em comparação ao mesmo período do ano anterior.

O resultado reforça o ritmo acelerado do comércio exterior brasileiro, impulsionado pela forte demanda internacional e pela competitividade do produto nacional.

Preço da carne bovina sobe no mercado internacional

Além do crescimento em volume, o preço da proteína também registrou valorização. Levantamento do Cepea indica que a média por tonelada exportada chegou a US$ 5.814,80 em março.

O valor representa alta de 3% frente a fevereiro e um salto de 18,7% na comparação anual. Esse cenário fortalece a rentabilidade das exportações e contribui para sustentar os preços no mercado interno.

Com a demanda externa aquecida, a arroba do boi gordo manteve níveis firmes ao longo de março, refletindo o impacto direto das vendas internacionais.

China lidera compras, mas acende alerta no setor

A China segue como principal destino da carne bovina brasileira, com volumes expressivos de importação. Somente em março, o país adquiriu cerca de 102 mil toneladas — acima do registrado no mesmo mês de 2025.

No entanto, o ritmo acelerado das exportações gera preocupação. O governo chinês estabeleceu uma cota de importação de 1,1 milhão de toneladas para 2026, o que pode limitar os embarques ao longo do ano caso o volume continue elevado.

Segundo analistas do setor, o controle na oferta e no fluxo de envios ao mercado chinês tem contribuído para a valorização dos preços internacionais.

Diversificação de mercados reduz dependência

Apesar da forte presença chinesa, o Brasil vem ampliando a diversificação de destinos. A participação da China nas exportações totais caiu para 46,4%, o menor patamar dos últimos seis anos.

Esse movimento indica uma estratégia para reduzir riscos e ampliar oportunidades em outros mercados, garantindo maior equilíbrio ao setor exportador.

Cenário aponta oportunidades e desafios

O avanço das exportações brasileiras de carne bovina mostra um setor aquecido e competitivo no cenário global. Ao mesmo tempo, a possível limitação da cota chinesa exige atenção estratégica por parte dos exportadores.

Entre preços em alta e demanda firme, o Brasil consolida sua posição como um dos principais fornecedores mundiais da proteína, enquanto busca novos mercados para sustentar o crescimento.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

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