Comércio

Comércio entre China e ASEAN supera US$ 1 trilhão pela primeira vez em 2025

O comércio entre a China e a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) ultrapassou pela primeira vez a marca de US$ 1 trilhão em 2025. O intercâmbio comercial entre os dois lados somou US$ 1,05 trilhão no ano, crescimento de 7,4% em relação a 2024.

A informação foi divulgada nesta terça-feira pelo vice-ministro do Comércio da China, Yan Dong, que destacou a importância da parceria econômica entre as duas regiões.

A China mantém a posição de principal parceiro comercial da ASEAN há 17 anos consecutivos. No sentido inverso, o bloco ocupa o primeiro lugar entre os parceiros comerciais chineses há seis anos seguidos.

Comércio bilateral acelera em 2026

O ritmo de crescimento continuou nos primeiros meses de 2026. Entre janeiro e julho, o comércio entre China e ASEAN alcançou US$ 744,41 bilhões, alta de 24,7% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

O montante representou 21,8% do comércio exterior chinês nos sete primeiros meses do ano, reforçando o peso da ASEAN nas relações comerciais da segunda maior economia mundial.

Os investimentos entre as duas partes também avançaram. Até julho, o investimento bilateral acumulado entre China e ASEAN, somado ao faturamento acumulado de projetos contratados por empresas chinesas no bloco, já havia ultrapassado US$ 515 bilhões.

Exposição China-ASEAN reunirá mais de 3 mil empresas

Os números foram apresentados durante uma coletiva de imprensa sobre a 23ª Exposição China-ASEAN, marcada para ocorrer entre 17 e 21 de setembro, em Nanning, capital da Região Autônoma da Etnia Zhuang de Guangxi, no sul da China.

O evento deverá reunir mais de 2.200 empresas chinesas e aproximadamente mil companhias dos países integrantes da ASEAN.

Uma das novidades desta edição será a criação de uma área dedicada às demandas tecnológicas dos países da ASEAN. O espaço permitirá que empresas chinesas participem de rodadas de negócios direcionadas a partir das necessidades apresentadas pelos compradores e parceiros do Sudeste Asiático.

Inteligência artificial ganha espaço na feira

A exposição também ampliará a área dedicada à inteligência artificial (IA), criada na edição do ano passado.

O espaço apresentará tecnologias e aplicações de IA voltadas aos setores de consumo, empresas, governo e cooperação internacional.

Outra novidade será o lançamento de um “mercado de IA”, que reunirá mais de 400 modelos de produtos disponíveis para demonstração, testes presenciais e compra direta durante o evento.

China quer ampliar cooperação com ASEAN

Segundo Wang Liping, funcionário do Ministério do Comércio da China, o país pretende acelerar a entrada em vigor e a implementação do protocolo de atualização da Área de Livre Comércio China-ASEAN 3.0.

O acordo foi assinado em outubro de 2025 e deverá ampliar as possibilidades de cooperação econômica entre as duas partes.

Entre as áreas consideradas prioritárias estão a economia digital e o desenvolvimento verde, setores que devem ganhar maior participação na agenda comercial bilateral.

País asiático pretende aumentar importações da ASEAN

A estratégia chinesa também inclui a ampliação das compras de produtos de qualidade provenientes dos países da ASEAN.

De acordo com Wang, o objetivo é contribuir para o crescimento do comércio bilateral e, ao mesmo tempo, abrir novas frentes de cooperação em setores emergentes.

Entre as áreas que devem receber maior atenção estão o comércio de serviços, comércio digital e comércio verde.

A perspectiva é que esses segmentos complementem o comércio tradicional de bens e ampliem a integração econômica entre China e os países do Sudeste Asiático.

FONTE: Xinhua
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Xinhua/Zhang Jingang

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Logística

Corredor fluvial da China: megaprojeto de 3.200 km pode rivalizar com o Canal do Panamá

A China estuda investir cerca de US$ 32 bilhões (aproximadamente R$ 167,8 bilhões) em um ambicioso projeto de infraestrutura hídrica que pode transformar a logística do país. O plano prevê a criação de um corredor fluvial de 3.200 quilômetros, conectando regiões do interior ao sul chinês e ampliando o acesso aos mercados do Sudeste Asiático.

A iniciativa faz parte da estratégia do país para fortalecer o transporte de cargas por hidrovias e ampliar sua integração comercial regional, em um momento em que a Asean se consolida como o principal parceiro comercial da China.

Projeto pretende ampliar malha de hidrovias

O investimento está voltado para a expansão da malha navegável no eixo norte–sul, permitindo a ligação entre províncias do interior e portos estratégicos localizados no sul do país.

A expectativa do governo chinês é que a nova rede fluvial fortaleça a logística interna, facilite o escoamento da produção industrial e impulsione o comércio regional.

O projeto ganha relevância diante do crescimento das trocas comerciais com a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), que em 2025 deve registrar um fluxo próximo de US$ 1 trilhão em transações com a China.

Hidrovias podem reduzir custos logísticos

A estratégia aposta no transporte por hidrovias como alternativa para reduzir a dependência de rodovias e rotas marítimas mais longas. O uso de canais interiores pode diminuir custos logísticos e encurtar o tempo de transporte de mercadorias.

Nesse cenário, a região de Guangxi ocupa posição estratégica. A província faz fronteira com o Vietnã e possui acesso ao Golfo de Beibu, facilitando a conexão entre polos industriais do interior e mercados do Sudeste Asiático.

Canal de Pinglu é o projeto mais avançado

Entre as obras previstas, o Canal de Pinglu é atualmente o empreendimento mais adiantado. O projeto tem investimento estimado em 72,7 bilhões de yuans (cerca de US$ 10,4 bilhões).

Com 134 quilômetros de extensão, o canal ligará o Golfo de Beibu à cidade de Nanning, capital da província de Guangxi. A infraestrutura foi projetada para receber embarcações de até 5 mil toneladas.

A previsão é de que o canal entre em operação antes do final de 2026, encurtando rotas logísticas e aproximando centros produtivos do acesso ao mar.

Canal de Xianggui ainda está em análise

Outro projeto discutido é o Canal de Xianggui, considerado mais complexo e que ainda não teve execução confirmada.

A proposta prevê uma ligação de aproximadamente 300 quilômetros entre os rios Li e Xiang, ampliando a conectividade hidroviária na região.

O custo estimado é de cerca de 150 bilhões de yuans (aproximadamente US$ 21,6 bilhões). O valor elevado tem gerado debates sobre a viabilidade do investimento e o retorno econômico esperado.

Infraestrutura faz parte da estratégia econômica da China

A discussão sobre os novos canais ocorre durante a elaboração do 15º Plano Quinquenal da China (2026–2030), período em que o governo define prioridades estratégicas para infraestrutura e desenvolvimento.

Entre os principais impactos esperados com o projeto estão:

redução dos custos logísticos para indústrias localizadas no interior do país
maior integração comercial com a Asean
• fortalecimento da competitividade regional chinesa
• ampliação do acesso ao mar para regiões distantes da costa

Caso os investimentos sejam implementados integralmente, o corredor fluvial de 3.200 km poderá se tornar um dos maiores projetos de infraestrutura hídrica da China e reforçar o papel das hidrovias no transporte de cargas no país.

FONTE: Terra Brasil Notícias
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Terra Brasil

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