Exportação

Mercados reagem a dados chineses e Fed; tarifas pressionam exportações brasileiras

As principais bolsas da Ásia e da Europa registraram alta, desafiando o ambiente de incerteza provocado pela nova rodada de tarifas impostas pelos Estados Unidos. O índice de Xangai atingiu seu maior patamar desde 2021, impulsionado por números de importação e exportação da China em julho que superaram as expectativas dos analistas. O bom desempenho dos dados chineses renovou o apetite por risco dos investidores e compensou, em parte, as preocupações comerciais globais.

Segundo fontes do Departamento de Comércio dos EUA, oito dos principais parceiros comerciais do país – responsáveis por cerca de 40% dos fluxos comerciais americanos – firmaram acordos para limitar as tarifas a 15% ou menos. No entanto, países como Brasil, Índia, Suíça e Canadá enfrentam agora tarifas significativamente mais elevadas, entre 35% e 50%, o que deve impactar diretamente setores exportadores estratégicos, como o de alimentos e commodities agrícolas.

Apesar da tensão tarifária, Taiwan e Coreia do Sul comemoraram isenções totais sobre as taxas de importação de semicondutores, um alívio importante para cadeias produtivas de alta tecnologia.

Outro fator que ajudou a sustentar o otimismo dos mercados foi a sinalização de que o Federal Reserve pode iniciar uma nova rodada de cortes de juros ainda este ano. Neel Kashkari, presidente do Fed de Minneapolis, e Mary Daly, do Fed de São Francisco, indicaram que a instituição ainda vê espaço para flexibilizar a política monetária nos próximos meses, diante de dados econômicos que sugerem desaceleração da atividade.

Em meio às especulações, o presidente Donald Trump afirmou que deve indicar nos próximos dias uma substituta temporária para o lugar de Adriana Kugler no conselho do Fed. Também circulam os nomes cotados para substituir Jerome Powell na presidência do banco central em 2026, com destaque para Kevin Warsh, ex-governador do Fed, e Kevin Hassett, conselheiro da Casa Branca.

Mercado de cacau mantém viés altista

No mercado de cacau, o contrato com vencimento em dezembro registrou nova valorização, encerrando o dia em US$ 7.837 por tonelada, com alta de US$ 87. Durante o pregão, oscilou entre US$ 7.657 e US$ 7.849, com um volume expressivo de 30.048 contratos negociados. O interesse em aberto subiu levemente, alcançando 96.534 contratos, sinalizando continuidade da pressão compradora.

Os estoques certificados nos portos dos EUA, monitorados pela ICE, apresentaram mais uma queda – desta vez de 8.333 sacas – totalizando 2.298.448 sacas, reforçando a percepção de aperto na oferta física da amêndoa nos mercados de entrega.

O contrato futuro de Real x Dólar com vencimento em 30 de agosto está estável, cotado a R$ 5,50, refletindo um momento de compasso de espera antes da divulgação de indicadores econômicos importantes nos EUA nesta quinta-feira.

Fonte: mercadodocacau

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Mercado Internacional

Rússia e Índia falam em “parceria estratégica” após aumento de tarifas de Trump

Rússia e Índia enfatizaram seu compromisso com uma “parceria estratégica” em conversas bilaterais de segurança em Moscou nesta quinta-feira, um dia depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou tarifas mais altas sobre as importações da Índia por causa de suas compras de petróleo russo.

De acordo com a agência de notícias Interfax, o assessor de segurança nacional da Índia, Ajit Doval, disse que Nova Délhi espera por uma visita do presidente Vladimir Putin até o final do ano.

Na reunião de Doval com Sergei Shoigu, secretário do Conselho de Segurança da Rússia, ambos os lados enfatizaram a importância das relações entre os países.

A imposição de Trump de uma tarifa adicional de 25% sobre os produtos da Índia, que entrará em vigor em 28 de agosto, sinaliza a mais séria queda nas relações EUA-Índia desde o retorno dele ao cargo em janeiro, ameaçando interromper o acesso da Índia ao seu maior mercado de exportação.

“Estamos comprometidos com uma cooperação ainda mais ativa para formar uma nova, mais justa e sustentável ordem mundial, garantir a supremacia do direito internacional e combater conjuntamente os desafios e ameaças modernos”, disse Shoigu a Doval em comentários televisionados.

Segundo a Interfax, Doval afirmou: “Estabelecemos agora relações muito boas, que valorizamos muito, uma parceria estratégica entre nossos países”.

Índia e China se tornaram os principais compradores de petróleo russo desde que Moscou lançou sua invasão em grande escala na Ucrânia em fevereiro de 2022, precipitando os esforços ocidentais para sufocar a economia russa.

Trump ameaçou tomar medidas contra os países que compram petróleo russo antes de anunciar a nova tarifa sobre os produtos indianos, que elevou o imposto total para 50%.

Na terça-feira, o Kremlin acusou os Estados Unidos de exercerem pressão comercial ilegal sobre Nova Délhi, dizendo que a Índia tem o direito de negociar com quem quiser.

As refinarias estatais da Índia interromperam as compras de petróleo russo à medida que os descontos diminuíram e Trump alertou os países a não comprarem o petróleo de Moscou, disseram fontes do setor. As refinarias privadas Reliance Industries e Nayara são os principais clientes de petróleo da Rússia na Índia, segundo dados comerciais.

Uma autoridade indiana familiarizada com o assunto disse que Doval discutiria as compras de petróleo russo pela Índia durante sua visita a Moscou. Ele também deve discutir a colaboração em defesa da Índia com a Rússia, segundo a autoridade.

A Índia assinou um acordo de US$5,5 bilhões com a Rússia em 2018 para cinco sistemas de mísseis terra-ar de longo alcance S-400 Triumf, que Nova Délhi diz precisar para combater uma ameaça da China.

Mas as entregas dos sistemas foram atrasadas várias vezes. Espera-se que Moscou entregue unidades dos dois últimos sistemas S-400 à Índia em 2026 e 2027.

Fonte: Reuters

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Comércio Exterior

Tarifaço de 50% dos EUA ameaça um mercado de US$ 3,7 bilhões no Brasil

Os produtos florestais lideram as exportações para os EUA. Desses, cerca de US$ 1,7 bilhão vem dos estados do Sul. Só no Paraná, cerca de 40 mil empregos estão ameaçados

A decisão do presidente Donald Trump de aplicar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros impacta diretamente o setor de base florestal, com efeitos severos sobre os estados da Região Sul, em especial o Paraná — maior produtor brasileiro de madeira de pinus.

A nova tarifa entrou em vigor nesta quarta-feira, 6, e incide sobre itens como madeira serrada, painéis, portas, móveis e molduras produzidos de florestas plantadas de pinus e eucalipto. Segundo dados do setor, os produtos florestais lideram as exportações do agronegócio para os Estados Unidos, somando US$ 3,7 bilhões por ano — dos quais cerca de US$ 1,7 bilhão é originado da Região Sul.

“É uma notícia muito ruim. Justamente no que o Paraná é bom, onde se destaca, vamos ser taxados de forma muito forte e veemente”, afirma Fabio Brun, presidente da Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (APRE Florestas). O executivo também alerta para o risco de fechamento de postos de trabalho e paralisação de operações em larga escala.

“Só no Paraná cerca de 40 mil empregos estão ameaçados”, afirma o presidente.

Dependência crítica do mercado americano

A dependência do setor florestal brasileiro em relação ao mercado americano é evidente. No caso das molduras produzidas no Paraná, 98% das exportações — o equivalente a US$ 102 milhões entre janeiro e junho de 2025 — têm como destino os EUA. O mesmo ocorre com as portas de madeira: 96% da receita (US$ 34 milhões de um total de US$ 35 milhões) vem do país.

Em produtos como compensados de pinus e madeira serrada, a dependência é um pouco menor, mas ainda significativa: 33% das exportações desses itens são destinadas aos Estados Unidos.

Impacto imediato: retração e férias coletivas

Antes mesmo da publicação oficial da medida, empresas do setor já haviam adotado estratégias para conter os impactos: suspenderam os envios aos Estados Unidos, reduziram estoques e implementaram férias coletivas para evitar demissões.

“A exportação para os Estados Unidos representa volumes que não podem ser redirecionados de forma rápida a outro mercado. Buscar novos compradores é um trabalho de médio prazo e, muitas vezes, exige redução de preços”, afirma Brun.

Uma das empresas que adotaram férias coletivas foi a Braspine, empresa do Paraná que fabrica molduras de madeira, que decidiu no começo do mês adotar férias coletivas de 30 dias para 1,5 mil funcionários nas unidades de Jaguariaíva e Telemaco Borba .

“Essa turma de funcionários é toda da operação e será dividida em dois grupos, um deles sai de férias, e depois o outro sai. A ideia é manter as unidades em operação porque temos compromissos com os nossos clientes”, diz a fonte da empresa.

Celulose escapa da tarifa

Alguns produtos importantes para o setor ficaram de fora da nova tarifa. Entre eles, a celulose química (solúvel, soda, sulfato, sulfito), celulose semiquímica e a celulose feita de papel reciclado ou bambu — insumos não produzidos nos EUA e utilizados na fabricação de itens como papel higiênico e guardanapos.

Também escapou o ferro-gusa produzido com carvão vegetal, que integra a cadeia das florestas plantadas e substitui insumos de origem fóssil.

Setor florestal: motor do agro e da economia do Sul

O setor de base florestal é um dos líderes das exportações do agronegócio, como tem forte capilaridade no interior do país, especialmente no Sul. O Paraná concentra metade da produção nacional de pinus e é responsável por 15% dos empregos diretos no setor florestal.

“Estamos falando de uma cadeia produtiva bem diversificada. Além da atividade econômica, essas indústrias mantêm projetos sociais e de saúde. Ou seja, a área social também poderá ser bastante afetada com essa retração”, afirma o presidente da APRE.

Contradição com os compromissos climáticos

A medida é vista com perplexidade pelo setor, especialmente por ocorrer em um momento em que as florestas plantadas ganham destaque global como solução sustentável para o enfrentamento das mudanças climáticas. A madeira proveniente dessas florestas é considerada renovável e menos intensiva em carbono.

“O setor de base florestal plantado é hoje um dos pilares da sustentabilidade global. É difícil entender por que estamos sendo penalizados dessa forma, em um movimento que não tem base técnica, comercial ou regulatória, mas sim política”, critica Brun.

Setor pede por apoio emergencial

Nos próximos dias, a associação deve apresentar ao governo do Paraná uma série de pleitos, incluindo:

  • Liberação de linhas de financiamento subsidiadas via BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul) para pagamento da folha de funcionários;
  • Antecipação dos créditos de ICMS para exportadores de madeira;
  • Criação de programas estaduais de incentivo ao uso da madeira.

A expectativa, segundo o CEO da APRE Florestas, é que o governo estadual e o federal atuem com urgência para proteger essa cadeia do agronegócio. “Precisamos garantir empregos, renda e competitividade em meio à crise gerada pela tarifa dos EUA”.

Fonte: Exame

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Comércio Exterior

Tarifaço dos EUA atinge 77,8% das exportações brasileiras, diz CNI

Nesse universo, segundo a Confederação Nacional da Indústria, 45,8% dos produtos estão submetidos a tarifas de 40% ou 50%

Dados da CNI mostram que o tarifaço imposto por Donald Trump ao Brasil vai impactar 77,8% da pauta produtos exportados por empresas nacionais ao mercado norte-americano.

“No total, 77,8% da pauta exportadora está sujeita a alguma taxação adicional, considerando as ordens executivas que instituíram as tarifas de 10%, de 40% e a Seção 232 do Trade Expansion Act, de 25% e 50%, aplicadas exclusivamente a produtos de aço, alumínio, cobre, veículos e autopeças. Mais da metade das exportações enfrentarão sobretaxas de 50%”, diz a CNI.

O levantamento baseia-se em dados da United States International Trade Commission, com análise no nível de dez dígitos do código tarifário norte-americano, o que permite identificar com precisão os produtos sujeitos às medidas comerciais.

É importante destacar que cada medida comercial tem a própria lista de cobertura e isenções, o que significa que produtos livres de uma tarifa adicional podem estar submetidos à outra.

O cruzamento mostra que dos 77,8% das exportações sujeitas a taxação adicional, 45,8% estão submetidas a tarifas de 40% ou 50% direcionadas especificamente ao Brasil.

“Esse retrato dá a dimensão do problema enorme que teremos de enfrentar e o quanto vamos precisar avançar nas negociações para reverter essas barreiras. É um trabalho que precisa envolver governos e os setores produtivos. Os EUA são os principais parceiros comerciais da indústria, precisamos encontrar saídas”, diz Ricardo Alban, presidente da CNI.

Os dados mostram que 41,4% da pauta exportadora brasileira aos EUA, com 7.691 produtos de variados setores, está sujeita à tarifa combinada de 50%. Em 2024, a exportação desses bens alcançou 17,5 bilhões de dólares.

Principal segmento exportador ao mercado americano, a indústria de transformação responde por 69,9% desse valor, com 7.184 produtos afetados pelas tarifas combinadas, que totalizaram 12,3 bilhões de dólares em 2024.

Os setores com maior número de produtos exportados afetados pela sobretaxa combinada de 50% seriam: Vestuário e acessórios (14,6%), Máquinas e equipamentos (11,2%), Produtos têxteis (10,4%), Alimentos (9,0%), Químicos (8,7%) e Couro e calçados (5,7%).

Os setores de aço, alumínio e cobre, sobretaxados pela Seção 232, representam 9,3% da pauta e enfrentarão tarifa adicional de 50%.

Combinados, esses blocos da pauta exportadora representam 50,7% das exportações brasileiras aos americanos.

Fonte: Veja

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Comércio Exterior

TERMINAL DE CONTÊINERES DOIS (TC2) ENCERRA O PRIMEIRO SEMESTRE COM UM CRESCIMENTO DE 41% EM SUAS OPERAÇÕES

A Terminal de Contêineres Dois (TC2) encerra o primeiro semestre de 2025 com um aumento de 41% no volume de operações (em comparação com o mesmo período do ano anterior), alcançando um total de 5.492 TEUs movimentados. Esse crescimento na carga é acompanhado por um aumento nas exportações, maior frequência de viagens e também de movimentações por via terrestre.

Durante os seis primeiros meses do ano, a TC2 avançou em diversas frentes: fortaleceu sua conectividade comercial, diversificou sua matriz exportadora e melhorou sua infraestrutura e eficiência operacional.

Nesse sentido, a companhia marítima CMA CGM anunciou que, como parte do serviço Atlas, que conecta Mar del Plata ao porto de Santos (Brasil), passará a operar semanalmente, em vez de quinzenalmente; enquanto a Maersk manterá operações frequentes no porto, consolidando seu papel fundamental na conectividade do Atlântico Sul. Por sua vez, os navios frigoríficos que vinham operando recentemente com carga a granel ampliarão a diversidade de serviços logísticos.

Em linha com essas novidades, destaca-se que a terminal operou — simultaneamente — dois navios de comércio exterior, algo que não acontecia há mais de 15 anos (o Artemis da CMA CGM no cais 2 e o MV Prince of the Seas no cais 3).

Enquanto essas iniciativas refletem o dinamismo crescente do porto e os esforços voltados à valorização de sua função logística e exportadora, no campo da infraestrutura, a TC2 incorporou novos equipamentos operacionais e painéis elétricos destinados a contêineres refrigerados, com o objetivo de alcançar até 1.000 conexões simultâneas no curto prazo. Também foram realizadas obras de reparo e renovação de cabeamento, melhorando a eficiência e segurança no manuseio de cargas reefer.

Para Emilio Bustamante, o desenvolvimento do porto exige uma visão integrada, baseada na colaboração público-privada, na inovação tecnológica e em uma gestão orientada ao crescimento sustentável.
“Junto com meu sócio, Alberto Ovejero, e toda a nossa equipe, continuamos apostando no fortalecimento do porto como um nó logístico estratégico, que favoreça as exportações regionais, incentive investimentos e apoie o desenvolvimento da produção local, consolidando o crescimento da nossa cidade.”

Fonte: Todo Logistica News

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Comércio Exterior, Portos

Santos Brasil movimenta 135 mil contêineres no Tecon Santos em julho e bate novo recorde histórico

A Santos Brasil registrou em julho mais um marco histórico: 135 mil contêineres movimentados no Tecon Santos, o maior volume já alcançado em um único mês por um terminal de contêineres em toda a América do Sul. O número supera o recorde anterior, de junho, quando o terminal localizado no Porto de Santos operou 129.282 mil unidades. Também no mês passado, o Tecon realizou a maior operação portuária da história no País em uma única escala de navio, com 7.996 movimentos.

As sucessivas quebras de recorde corroboram os investimentos contínuos da Companhia na modernização e expansão do Tecon Santos — maior terminal de contêineres da América do Sul e um dos mais eficientes da América Latina. Entre 2019 e 2031, a empresa destinará cerca de R$ 2,6 bilhões ao Tecon Santos, dos quais R$ 1,6 bilhão já investido até maio de 2025. Dentre os investimentos de destaque estão o aprofundamento do cais e sua ampliação em 220 metros, totalizando 1.510 metros e tornando o terminal o único da América do Sul capaz de receber simultaneamente até três navios New Panamax, de 366 metros, além de um navio no TEV (Terminal de Veículos), que tem 310 metros de cais.

Atualmente, o foco dos investimentos está na ampliação do pátio, que já elevou a capacidade de 2,4 milhões para 2,7 milhões de TEUs/ano com a demolição de um prédio administrativo em 2024, entre outras medidas. Até o fim deste ano, a demolição de um segundo prédio permitirá ao terminal alcançar 3 milhões de TEUs/ano em 2026. TEU é a unidade de medida equivalente a um contêiner de 20 pés.

Nos próximos seis anos, a Companhia seguirá investindo em equipamentos, otimização de fluxos operacionais, sistemas, descarbonização e tecnologia. No início de 2026, o terminal receberá oito novos RTGs (guindastes de pátio) elétricos e dois portêineres (guindastes de cais) de operação remota, ampliando a inovação iniciada, pioneiramente no País, com os oito RTGs elétricos já em operação. Até 2031, os 39 RTGs movidos a diesel serão substituídos por modelos elétricos, evitando a emissão de 713 toneladas de CO2 por mês e resultando em uma redução de 97% nas emissões desses equipamentos no terminal.

Para Bruno Stupello, diretor de Operações de Terminais Portuários da Santos Brasil, os resultados refletem os investimentos em infraestrutura, processos e pessoas. “Temos uma equipe diferenciada, comprometida e um terminal de ponta. Tudo para que exportadores, importadores e armadores tenham assegurados o espaço para suas cargas, com um elevado nível de serviço, que é marca da Santos Brasil”, diz.

No primeiro semestre de 2025, o Tecon Santos movimentou 1.223.426 de TEUs, alta de 12,7% sobre o mesmo período de 2024 e desempenho acima do próprio Porto de Santos, que somou 2,8 milhões de TEUs no semestre (+7,8% comparado com os primeiros seis meses do ano anterior). Já o market share do terminal no porto santista neste semestre foi de 43%, contra 41% no mesmo período de 2024.

Fonte: Datamar News

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Internacional

China prorroga investigação sobre importação de carne bovina e dá alívio ao setor no Brasil

A China decidiu estender por três meses a investigação sobre a importação de carne bovina que pode resultar na aplicação de medidas de salvaguardas contra o Brasil, maior exportador da proteína para lá, e outros países. A decisão, que seria tomada em agosto, agora será divulgada em novembro.

De acordo com o Ministério do Comércio da China, a prorrogação da investigação devido à “complexidade do caso”. O novo prazo para decisão do governo chinês é 26 de novembro.

O processo foi aberto em dezembro do ano passado a pedido dos pecuaristas e da indústria local, que alegam danos à produção chinesa por conta do aumento das importações da proteína nos últimos cinco anos.

Em meio à tensão comercial com os Estados Unidos, que decidiram taxar as exportações de carne bovina brasileira e outros produtos em 50%, a extensão do prazo da investigação chinesa foi bem recebida por representantes do setor produtivo. Uma liderança disse que a prorrogação tira essa “pressão” sobre o Brasil em um momento complicado.

“O adiamento da decisão vem em boa hora, no contexto atual das exportações de carne bovina. Continuaremos trabalhando para esclarecer a situação da melhor forma possível junto à contraparte chinesa”, afirmou ao Valor o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua.

A investigação chinesa não é focada no Brasil, mas pode resultar na aplicação de tarifas e cotas sobre suas importações de carne bovina caso consiga provar que houve dano ao seu mercado interno pelo aumento do volume importado nos últimos anos. O processo examina os embarques entre 2019 e 2024.

A China consome cerca de 12 milhões de toneladas de carne bovina por ano, das quais 2,5 milhões de toneladas são importadas de diversas origens. O Brasil é o maior fornecedor.

Exportações Brasileiras de Carne Bovina para a China – Jan 2022 a Maio 2025 – TEU

Foram embarcadas 1,3 milhão de toneladas em 2024 (cerca de 10% do consumo geral dos chineses). No primeiro semestre de 2025, os frigoríficos brasileiros venderam 641,1 mil toneladas ao país asiático, alta de 13,4% na comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).

O faturamento dos embarques nos seis primeiros meses deste ano foi de US$ 3,2 bilhões, incremento de 28,2% em relação ao resultado acumulado de janeiro a junho de 2024.

A estratégia brasileira, que apresentou defesa no processo chinês, foi demonstrar que os produtos que o país exporta complementam a indústria chinesa. A maior parte da carne do Brasil segue para processamento nas empresas chinesas. O objetivo da argumentação é mostrar que a carne nacional não tira mercado dos chineses.

Procurada, a Abiec, que representa o setor exportador do Brasil, ainda não se manifestou.

Medida é prevista na OMC
O ex-secretário de Comércio Exterior Welber Barral afirmou que a prorrogação da investigação da China sobre a importação de carne bovina é uma medida prevista no acordo de salvaguardas da Organização Mundial do Comércio (OMC). Segundo ele, que atua no processo na defesa jurídica dos exportadores do Brasil, já havia indícios de extensão do prazo por conta da complexidade do caso.

“De fato, o processo é muito complexo. Apesar de o Brasil ser responsável por metade das exportações de carne bovina para a China, a investigação envolve outros países importantes, como Estados Unidos, Europa e Argentina. Envolveu uma carga grande de trabalho”, disse. Barral é sócio-fundador da BMJ Consultores Associados.

A investigação, no limite, pode resultar na aplicação de cotas ou tarifas sobre a importação de carne bovina caso a China comprove que houve dano à indústria local devido ao aumento da presença da proteína estrangeira no país.

Uma fonte a par do assunto avaliou que a prorrogação é um “alívio” para o Brasil em momento que o país tenta incluir a carne bovina na lista de exceções do tarifaço dos Estados Unidos. “Se tivesse uma tarifa adicional da China, criaria uma pressão sobre exportações, em dois grandes mercados. A prorrogação mantém o mercado chinês sem qualquer tipo de turbulência”, disse, sob anonimato.

A aplicação de salvaguardas é defendida pelos pecuaristas e a indústria chinesa. O processo interessa diretamente ao Ministério da Agricultura do país, mas há resistências do Ministério do Comércio, que lidera a investigação, disse uma fonte. As negociações entre China e EUA também influencia nisso.

Fonte: Globo Rural

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Comércio, Tecnologia

Leapmotor C10 e B10: SUVs elétricos começam a desembarcar no Brasil

Dupla da chinesa parceira da Stellantis chega ao país para a estreia nas próximas semanas

A Leapmotor acelera o passo para entrar no mercado brasileiro. A marca chinesa, que tem joint venture com a Stellantis, iniciou a importação das primeiras unidades de seus veículos elétricos para o país. O início das vendas está previsto para ainda em 2025, com a chegada dos modelos eletrificados C10 e B10, que serão oferecidos por meio de uma rede de concessionárias nas principais cidades brasileiras.

Segundo Fernando Varela, vice-presidente da Leapmotor para a América do Sul, a operação contou com o apoio da Stellantis e marca uma etapa importante do projeto de implantação da marca no Brasil. Recentemente, a empresa anunciou a nomeação dos primeiros concessionários autorizados.

O processo de importação também adotou um sistema chamado “importação sobre águas”. Nesse método, toda a parte burocrática e legal é concluída antes mesmo de o navio atracar no porto de Santos (SP), o que agiliza o desembarque. Neste primeiro lote, foram trazidas diferentes versões do SUV C10, que será lançado junto ao B10 no mercado brasileiro. 

Anteriormente, a Leapmotor havia confirmado que o C10 seria vendido no Brasil em versões elétricas BEV (bateria) e REEV (extensor de alcance), sendo o primeiro desse tipo com comercialização mais ampla em nosso mercado vindo de uma marca chinesa. 

Outra novidade interessante desse comunicado é a chegada do B10, um SUV elétrico menor, com porte de Jeep Compass, que havia sido confirmado para o nosso mercado, mas com lançamento posterior ao do C10. Essa mudança mostra uma aceleração do cronograma da marca chinesa, visto a grande quantidade de lançamentos que estão chegando em nosso mercado de marcas como Omoda e Jaecoo, GAC e Geely. 

Recorde de vendas na China

A chegada ao Brasil ocorre em meio a um momento de forte crescimento da Leapmotor. Em julho de 2025, a empresa registrou seu melhor mês de vendas, com 50.129 unidades entregues globalmente, um aumento de 126% em relação ao mesmo período do ano anterior. Com esse resultado, a Leapmotor se consolidou como líder entre as startups chinesas de veículos elétricos.

No acumulado do primeiro semestre de 2025, a marca superou 220 mil unidades vendidas na China. Já em 2024, o volume total foi de quase 294 mil veículos.

Entre as soluções que serão oferecidas no Brasil, está a motorização REEV (Range Extended Electric Vehicle), que combina tração elétrica com um motor a combustão auxiliar, aumentando a autonomia e reduzindo a dependência de infraestrutura de recarga — uma proposta alinhada às condições atuais do mercado nacional, segundo a Leapmotor. 

Fonte: InsideEVs Global

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Comércio Exterior

Brasil aciona OMC contra tarifaço dos Estados Unidos 

Itamaraty diz que EUA violam compromissos com a entidade

O governo brasileiro acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as medidas tarifárias impostas pelos Estados Unidos contra produtos produzidos no Brasil. Na avaliação do Itamaraty, os EUA “violaram flagrantemente” compromissos assumidos com a própria OMC.

“Ao impor as citadas medidas, os EUA violam flagrantemente compromissos centrais assumidos por aquele país na OMC, como o princípio da nação mais favorecida e os tetos tarifários negociados no âmbito daquela organização”, informou, por meio de nota, o Ministério das Relações Exteriores.

O documento enviado à OMC é um pedido de consultas aos EUA, instrumento instituído com o propósito de viabilizar, às partes, uma solução negociada para a disputa antes do eventual estabelecimento de um painel.

Trata-se, portanto, de uma primeira etapa formal no âmbito do sistema de solução de controvérsias na OMC. 

Nesse documento, o governo brasileiro voltou a reiterar sua disposição para negociação. Ele espera que as consultas contribuam para uma solução para a questão. A data e o local das consultas deverão ser acordados entre as duas partes nas próximas semanas.

Trump

No mês passado, o presidente Donald Trump anunciou tarifas mais altas para produtos importados do Brasil como retaliação pelo processo de tentativa de golpe de Estado ao qual o ex-presidente Jair Bolsonaro responde na Justiça.

Na prática, as tarifas de 50% para vários produtos brasileiros inviabilizam a comercialização desses produtos com os Estados Unidos. 

Fonte: Agência Brasil

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